Mostrar mensagens com a etiqueta Vertigo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vertigo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

NovelaGráfica V 7 - Flex Mentallo


OS PRIMEIROS PASSOS DE UMA DUPLA GENIAL

Novela Gráfica V – Vol. 7 
Flex Mentallo
Argumento – Grant Morrison
Desenhos – Frank Quitely
Quinta-feira, 15 de Agosto
Por + 10,90€
Bem conhecidos dos leitores portugueses, graças a títulos como WE3 e All Star Superman, Grant Morrison e Frank Quitely estreiam-se na colecção Novela Gráfica, na próxima quinta-feira, 15 de Agosto, com aquela que foi a sua primeira colaboração, Flex Mentallo, um clássico da Vertigo.
Publicado originalmente como uma mini-série em quatro volumes em 1996 e republicado numa edição de luxo definitiva, recolorida por Peter Doherty, em 2012, que serve de base à versão portuguesa, Flex Mentallo é muito mais do que a primeira colaboração entre Morrison e Quitely. É um exemplo de metaficção e uma reflexão sobre a história e mitologia dos comics de super-heróis e a sua importância para o mundo real. Ou como o próprio criador de Flex Mentallo, que é uma das personagens da história (e um alter ego óbvio do autor) explica aos leitores na página 101: “Criámos os comics porque sabíamos, de alguma forma, sabíamos, que faltava algo e tentámos preencher esse vazio, com histórias acerca de deuses e de super-heróis.”
Flex Mentallo nasceu durante a passagem de Morrison pela série Doom Patrol, um título clássico, criado um 1963 (o mesmo ano em que a Marvel lançou os Fantastic Four) e relançado em 1987, com o subtítulo “Os Mais Estranhos Super-Heróis do Mundo”, o que convinha perfeitamente a Morrison, que tomou conta da série em 1989, no número 19 e criou a sua versão da Doom Patrol. Uma versão incontornável e definitiva, que está na base da actual série televisiva, exibida em Portugal no canal por cabo da HBO, onde Flex Mentallo marca presença, interpretado pelo actor Devan Chandler Long.

Mas se o “quebrar da quarta parede”, colocando os personagens em confronto com o seu criador, é algo que Morrison já tinha feito antes na série Animal Man, aqui vai mais longe, traçando uma verdadeira história dos comics de super-heróis, iniciando uma reflexão sobre o género que irá culminar no seu livro Supergods. Isso é bem visível nas capas originais da mini-série, com cada uma a evocar umas das quatro idades dos Comics. A Idade do Ouro, a Idade da Prata, a Idade Sombria - que resultou do sucesso de Watchmen e de O Regresso do Cavaleiro das Trevas, cuja capa é evocada no nº 3 da mini-série – e a Idade actual, que revisita de forma crítica e nostálgica as origens do género, reinventando-o para os leitores do século XXI.
E falta falar do excelente trabalho de Quitely, que se estreou aqui no mercado americano. Mas deixemos que seja o seu conterrâneo Grant Morrison a fazê-lo: “Graças às suas fantásticas habilidades de desenho, ele é capaz de criar coisas que antes só viviam nos meus sonhos, o que eu acho fascinante. Ele consegue captar no papel a sensação exacta dos meus sonhos. Ele abordou os personagens de uma forma que os fez parecerem bastante bizarros e bastante irrealistas, e acho que isso realmente se adequou ao livro.”
Publicado originalmente no jornal Público de 10/07/2019

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Get Jiro 2: Sangue e Sushi


ANTHONY BOURDAIN EXPLORA O PASSADO DE JIRO 
EM SANGUE E SUSHI

Get Jiro!: Sangue e Sushi
Argumento –Anthony Bourdain e Joel Rose
Desenho – Ale Garza
Sábado, 15 de Junho + 13,90 €
Depois do sucesso do primeiro Get Jiro! que chega precisamente hoje aos quiosques nacionais; Bourdain e Rose perceberam que ainda havia histórias para contar sobre o seu favorito Sushi Man. Foi por isso, que em 2015, decidiram lançar uma prequela, que chegará às bancas no próximo dia 15 de Junho: Get Jiro!: Sangue e Sushi.
Esta viagem ao passado de Jiro, que explica o motivo que o levou a instalar-se nos E.U.A e mostra a sua ligação à Yakuza, a Máfia japonesa, assinala o regresso de Bourdain a uma das suas paixões, a BD, agora num registo diferente.
"Eu até agora tenho tido a oportunidade de brincar com muitos brinquedos diferentes", diz Bourdain do seu trabalho em Get Jiro: Sangue e Sushi. "Ser capaz de voltar à minha adolescência e fazer uma revista de banda desenhada - especialmente uma realmente violenta, sexy e orientada para a comida - é o concretizar de um sonho inacabado."
Se no primeiro livro, Jiro era um herói misterioso, na linha do Homem Sem Nome, interpretado por Clint Eastwood que o inspirou, agora ficamos a conhecer melhor quem é Jiro. Além disso, graças a uma entrevista de Bourdain, ficamos a saber também qual a personagem real em que é baseado. Embora o nome o pareça indicar Jiro Ono, o protagonista do documentário Jiro Dream’s of Sushi, não foi a inspiração para a personagem de Jiro. Essa honra coube a Naomichi Yasuda - fundador do restaurante Sushi Yasuda em Nova Iorque e amigo de Bourdain - um homem habituado a lutar, com as mãos calejadas do Karaté, que depois de criar um dos melhores bares de sushi de Nova Iorque, decidiu regressar a Tóquio e começar tudo de novo.
Se o passado de violência aproxima Yasuda da personagem Jiro, mais uma vez a principal influência de Rose e Bourdain é o cinema. Mais concretamente o cinema de gangster japonês, os Yakuza, seja numa perspectiva ocidental, como no filme Tokio Rain, de Ridley Scott, ou na perspectiva japonesa, expressa em Battles Without Honor and Humanity, de Kinji Fukasaku (uma das principais influências de Quentin Tarantino para o filme Kill Bill) e na trilogia Kuroshakai, de Takashi Miike. Também em termos narrativos, a influência japonesa é evidente, com a narração a apostar muito mais na imagem do que nos diálogos, algo que fica bem patente nas doze páginas da sequência inicial, sem uma linha de diálogo.
Se Joel Rose continua a ajudar Bourdain a dar vida à sua história, no desenho, Langdon Foss dá agora lugar a Ale Garza, mantendo-se o espanhol José Villarubia, colaborador habitual de Alan Moore, nas cores. A mudança de desenhador foi propositada e tem a ver com o diferente tipo de história que o Bourdain queria agora contar. Como o próprio refere: “esta era mais uma história de género existente, por isso estávamos procura de um desenhador com um estilo de manga tradicional, que reflectisse a cultura pop japonesa, do que alguém capaz de criar um universo inteiro, que foi o que Langdon foi fundamental para fazer - todos os detalhes nesta LA distópica do futuro, na sua maioria eram dele. Mas esse não era o tipo de história que estávamos a fazer agora, queríamos um melodrama familiar protagonizado por jovens. Procurávamos um desenhador que pudesse encaixar perfeitamente num estilo particular de estética e de história.”
Esse desenhador é Ale Garza. Cujo estilo dinâmico e com claras influências do manga japonês, mostra facilmente porque o seu nome foi sugerido a Bourdain pelo editor Will Denis.
Última aventura de Jiro, Sangue e Sushi não seria a última incursão de Bourdain  pela novela gráfica, pois o malogrado chef e o seu cúmplice Joel Rose assinaram ainda em 2018, Anthony Bourdain's Hungry Ghosts, uma adaptação de vários contos tradicionais japoneses, por um leque de artistas de peso. Mas essa é uma outra história, que esperemos que o sucesso de Get Jiro! permita também publicar em Portugal.
Publicado originalmente no jornal Público de 08/06/2019

sábado, 8 de junho de 2019

Get Jiro! Vol 1: Todos Querem Apanhar o Jiro


ANTHONY BOURDAIN, 
UM CHEF QUE TAMBÉM DAVA CARTAS NA BD



Get Jiro!: Todos Querem Apanhar o Jiro
Argumento –Anthony Bourdain e Joel Rose
Desenho – Langdon Foss
Sábado, 08 de Junho + 13,90 €
No momento em que se cumpre um ano sobre o seu falecimento, ocorrido a 8 de Junho de 2018, o Público e a Levoir evocam a memória de Anthony Bourdain, o famoso chef, viajante, escritor e realizador de programas televisivos de culinária, como No Reservations e Viagem ao Desconhecido, que o trouxeram mais de uma vez a Portugal, dando a descobrir uma faceta menos conhecida do seu talento multifacetado, a de criador de Banda Desenhada. Uma faceta que vem de longe, pois Bourdain conheceu Joel Rose, o co-argumentista deste livro, nos anos 80 quando o cozinheiro enviou uma BD a revista literária Between C and D, dirigida por Rose, história essa que foi rejeitada por Bourdain ser claramente melhor escritor do que desenhador…
E é precisamente essa faceta de Bourdain como escritor de novelas gráficas estará em destaque nos próximos dois sábados com a publicação das duas histórias protagonizadas por Jiro, o misterioso sushiman, Get Jiro!: Todos Querem Apanhar o Jiro e a sua prequela, Get Jiro!: Sangue e Sushi.
A história de Todos Querem Apanhar o Jiro, livro que assinalou a estreia de Bourdain na BD e logo no prestigioso catálogo da editora Vertigo, em mais um exemplo do sentido de oportunidade da editora Karen Berger, resume-se num simples parágrafo. Num futuro não muito distante, numa Los Angeles obcecada com a comida e em que chefs poderosos governam a cidade como se fossem senhores do crime e as pessoas são capazes de literalmente matar por um lugar no seu restaurante favorito, Jiro, um chef de sushi renegado e implacável, chega à cidade com ideias muito próprias.
E se esta história de um herói misterioso que oferece os seus serviços a dois chefes rivais para os colocar em guerra entre si, parecer estranhamente familiar ao leitor, é porque efectivamente o é. Trata-se de um ponto de partida com enormes semelhanças com o romance Red Harvest, escrito por Dashiell Hammett, que esteve na origem de duas obras-primas do cinema mundial, Yojimbo, do japonês Akira Kurosawa, que transpôs a história para o Japão do período feudal e Por um Punhado de Dólares, do italiano Sergio Leone, o mítico Western Spaguetti que inaugurou a trilogia do Homem Sem Nome, protagonizado por Clint Eastwood. Agora, Bourdain e Rose pegaram nesta história icónica e transpuseram-na para um futuro próximo, dando origem a uma novela gráfica que é uma crítica tão divertida quanto mordaz à cultura da comida e restauração e a uma sociedade obsessiva e que, se descontarmos o lado assumidamente exagerado, caricatural e hiperviolento, não estará assim tão longe do ambiente descrito por Bourdain em Kitchen Confidential, o seu livro de estreia.
Como o próprio declarou numa entrevista à revista Men’s Journal, a ideia para Get Jiro! nasceu quando Bourdain estava num restaurante de sushi de um amigo e dois idiotas ricos meteram um bocado grande de wasabi num prato de molho de soja e começaram a afogar ali as peças de sushi. Ao ver o ar desconfortável do seu amigo, Bourdain pensou: “Não era bom se lhes pudesse arrancar as cabeças à catanada? Não era bom se vivêssemos num mundo em que desrespeitar um bom sushi pudesse levar à tua morte e ninguém se ralasse com isso?”
Perguntas que têm resposta cabal e afirmativa neste livro, em que Bourdain e Rose contam com o traço caricatural e detalhado de Langdon Foss, cujo estilo evoca Geoff Darrow, colaborador habitual de Frank Miller e director de arte da trilogia Matrix. 
O sucesso de Get Jiro!, que em 2012 entrou rapidamente para a lista de best sellers do New York Times, levou à criação de uma prequela,  Get Jiro!: Sangue e Sushi, que nos mostra o passado de Jiro em Tóquio. Mas sobre isso, falaremos aqui no próximo sábado.
Publicado originalmente no jornal Público de 01/06/2019

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Y o Último Homem 8 - Dragões de Kimono

NO JAPÃO, À PROCURA DE AMPERSAND

Y, O último Homem
Vol. 8: Dragões de Kimono
Quinta-feira, 14 de Fevereiro
Argumento – Brian K. Vaughan
Desenhos – Goran Sudzuka e José Marzan, Jr.
Por + 12,90€
A publicação da série Y, o último Homem prossegue na próxima quinta-feira com o oitavo dos dez volumes que contam a história de Yorick Brown, o último homem sobre a Terra e do seu macaco Ampersand.
No volume anterior vimos como Hero, a irmã de Yorick entrou em contacto com Beth,  acabando por descobrir que esta estava grávida do seu irmão. Mas como o potencial filho do último homem, ao nascer acabou por  se revelar uma filha, ficamos ainda sem saber se os efeitos da epidemia que matou todos os machos portadores do cromossoma Y se mantém ou não activos.
Revelando-se um exímio gestor do suspense da intriga, Brian K Vaugham vai introduzindo pequenas revelações, ao mesmo tempo que cria novos mistérios, fazendo progredir a intriga do mesmo modo que deixa o leitor cada vez mais preso a uma história absolutamente viciante. Mesmo que a tentativa de Yorick encontrar a sua namorada - que entretanto tinha abandonado a Austrália e partido para Paris - em Sidney não tenha tido qualquer resultado prático em termos do evoluir da história principal, há outros elementos que vão adquirir uma importância fundamental em termos da história que Vaugham quer contar. Nesta fase quase final, em que a intriga se aproxima a passos largos de um desenlace, bem mais do que Yorick, é precisamente Ampersand que se revelar principal motor da história. Depois de, no final do volume anterior, ter conseguido escapar da guarda da misteriosa Ninja que o raptou, Ampersand o macaco que representa a última esperança de uma cura para a humanidade, está desaparecido no Japão, sendo procurado pelos principais intervenientes desta história que convergiram todos para o país do sol nascente onde Yorick e a agente 355 vão tentar resgatar Ampersand das mãos de uma antiga cantora de J Pop transformada em dona de um bordel controlado pela Yakuza, a Máfia japonesa.
É precisamente no Japão que se dá o encontro entre a Dra. Mann e a sua mãe, uma cientista cujas experiências estão na origem da epidemia. Um bom pretexto para Vaugham explorar as ligações entre Alison Mann e a sua mãe, através de uma série de flashbacks que dão a conhecer um pouco do passado da cientista e da forma como esse passado marcou a sua maneira de ser. Uma forma encontrada pelo Argumentista para humanizar ainda mais as personagens, ao mesmo tempo que cria uma motivação para o seu comportamento e aumenta a empatia do leitor com essa personagem.
Tal como já aconteceu com outras séries de culto da Vertigo, como Preacher, de Garth Ennis e Steve Dillon, também Y, o Último Homem vai ser transformada numa série de televisão, com uma primeira temporada já confirmada, depois do episódio piloto ter sido aprovado pelo canal de televisão FX, culminando assim um longo processo feito de avanços e recuos, que começou com um projecto de um filme protagonizado por Shia LaBeouf, até chegar ao formato - bastante mais adequado a uma história com o tamanho e a complexidade de Y o Último Homem - da série televisiva.
Se a primeira temporada da série da FX só tem estreia marcada para 2020, os leitores portugueses não terão de esperar tanto para conhecer o final das aventuras de Yorick, pois o Público e a Levoir vão editar ainda durante este ano de 2019, os dois volumes que faltam desta série espectacular.
Publicado originalmente no jornal Público de 09/0272019

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Y o Último Homem 7: Bonecas de Papel

(DES)ENCONTROS NA AUSTRÁLIA

Y, O último Homem
Vol. 7: Bonecas de Papel
Quinta-feira, 7 de Fevereiro
Argumento – Brian K. Vaughan
Desenhos – Pia Guerra, Goran Sudzuka e José Marzan, Jr.
Por + 12,90€
Depois de dois volumes publicados em 2017, a que se seguiram mais quatro volumes em 2018, a publicação da série Y, o Último Homem vai finalmente ficar concluída neste ano de 2019, com o lançamento dos quatro últimos volumes dedicados às aventuras de Yorick Brown, o último homem num mundo em todos os mamíferos portadores do cromossoma Y foram aniquilados por uma misteriosa praga. Este último ciclo de publicação inicia-se já na próxima quinta-feira, dia 7, com a publicação precisamente do volume 7, a que seguirá, uma semana depois, o volume 8, ficando a publicação dos dois volumes finais agendada lá mais para o final de 2019.
Como vimos nos volumes anteriores, depois de uma arriscada travessia do Pacífico, primeiro no The Whale, um navio cargueiro convertido para o tráfico de heroína, e depois num submarino na marinha australiana comandado pela Capitã Belleville, os nossos heróis prossegue a sua viagem em direcção ao Japão, na peugada da misteriosa mercenária japonesa que raptou Ampersand, o macaco-capuchinho de Yorick, cujo sangue pode conter o segredo para a cura da epidemia que apagou o género masculino da face da Terra.
Para além do núcleo duro da série, o grupo constituído por Yorick, pela agente secreta 355 e pela especialista em genética Dra. Allison Mann, a que se juntou Rose Copen, uma agente secreta da marinha australiana, infiltrada no The Whale, este volume assinala o regresso de velhas conhecidas dos leitores, como é o caso de Hero Brown, a irmã de Yorick, que se conseguiu libertar da influência nefasta das Filhas da Amazona, e de Beth, a única mulher a quem Yorick se entregou desde o começo da praga e que, não por acaso, tem o mesmo nome da namorada de Yorick, que estava na Austrália quando a pandemia começou.
E é precisamente, em Sidney, na Austrália, que o submarino da marinha australiana que vai levar o grupo para Yokogata, a terra natal da Dra. Mann, faz uma escala técnica. Uma paragem que se revela um pretexto irrecusável para Yorick, desafiando todas as regras de segurança e do bom senso, procurar a mulher da sua vida, mesmo que isso coloque em sério risco o segredo da existência do último homem.
Se o facto de se descobrir que existe um homem que sobreviveu à pandemia é um furo jornalístico sensacional, pelo qual muitos jornalistas seriam capazes de dar - ou tirar – a vida, a pressão da imprensa sensacionalista não é o único problema que aflige Yorick, como veremos neste volume. Um volume em que voltam os flash-backs, que dão a descobrir aos leitores aspectos importantes do passado da agente 355 e a forma como Ampersand entrou na vida de Yorick.
Em termos gráficos, o desenhos a lápis desde volume alterna entre Pia Guerra - a desenhadora principal e co-criadora, com Brian K. Vaugham, da série - e o croata Goran Sudzuka, que já tinha assegurado o desenho a lápis do volume anterior. Mas graças à mestria da passagem a tinta do veterano José Marzan, Jr., que assegurou a arte-final de toda a série, as mudanças de desenhador principal entre dois números, são apenas perceptíveis ao olhar dos leitores mais atentos.
Tal como Ampersand, também os restantes protagonistas desta série completamente viciante, chegam ao Japão. E é o país do sol nascente que vai servir de cenário ao próximo acto daquela que é uma das mais populares e mais prestigiadas séries incluídas no riquíssimo catálogo da editora Vertigo, que o Público e a Levoir têm vindo a dar a descobrir aos leitores portugueses.
Publicado originalmente no jornal Público de 02/02/2019

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Colecção 25 Anos Vertigo 5 - Preacher Vol 1

NA AMÉRICA, À PROCURA DE DEUS

25 Anos Vertigo - Vol 5
Preacher Vol 1: A Caminho do Texas
Argumento – Garth Ennis
Desenhos – Steve Dillon
Sábado, 15 de Setembro
Por + 13,90 €
A fechar esta pequena colecção comemorativa dos 25 anos da Vertigo, o Público e a Levoir lançam o primeiro volume de Preacher, a popular série de culto de Garth Ennis e Steve Dillon, um dos títulos de maior sucesso da Vertigo, recentemente adaptado para a televisão numa excelente série da AMC, a estação responsável pela série de televisão de The Walking Dead
Autores britânicos que ganharam traquejo na mítica revista 2000AD, Ennis e Dillon fazem parte dos talentos recrutados por Karen Berger a seguir a Alan Moore e a Neil Gaiman e que estão na origem da linha Vertigo, onde a dupla já tinha colaborado na incontornável série Hellblazer – de que Ennis foi um escritores mais importantes – antes de se voltarem a juntar em Preacher. Curiosamente, apesar da quantidade e qualidade do seu trabalho para a Vertigo, a dupla é mais conhecida dos leitores portugueses pela sua participação na série Justiceiro, da Marvel, onde encontramos a mesma irreverência, o mesmo humor delirante e sem concessões e violência exacerbada, que foram decisivos para o sucesso de Preacher.
A personagem central de Preacher é Jesse Custer, (nome que, não por acaso, tem as mesmas iniciais do que o de Jesus Cristo…) um pregador em crise de fé de Annville, uma pequena cidade texana, que é acidentalmente possuído por uma criatura sobrenatural chamada Génesis, fruto do amor proibido entre um anjo e um demónio. O incidente arrasa a igreja de Custer e mata toda a sua congregação, deixando apenas Custer vivo e com um poder que pode rivalizar com o próprio Deus.
Acompanhado por Tulip, a sua antiga namorada de gatilho fácil e por Cassidy, um vampiro irlandês que gosta tanto de álcool como de sangue, Custer inicia uma viagem pelo continente americano em busca de Deus, perseguidos pelo Santo dos Assassinos, o mais implacável executor entre o céu e o Inferno.
Embora seja assumidamente ateu, Garth Ennis é um irlandês com formação católica e isso reflecte-se em Preacher, no sentimento de desilusão perante um Deus que deixou o mundo chegar ao estado em que está. Essa busca de Deus é o pretexto para uma narrativa on the road pelos recantos mais sombrios do sonho americano. Mas tão ou mais importante do que a religião é a mitologia do Western, o único género cinematográfico genuinamente americano e que impregnou o imaginário de Ennis, que declara a propósito: “Acho que uma vez que me afastei das armadilhas de fantasia / horror com as quais eu vinha jogando até então, e entrei no que poderia ser chamado de território do neo-Western - com, portanto, um sentimento especificamente americano – a série Preacher começou a assumir uma vida própria.”
Essa homenagem ao Western é evidente no personagem do Santo dos Assassinos, mas também no cowboy/anjo da guarda com quem Custer conversa e que, embora nunca seja explicitamente identificado como tal, é claramente John Wayne.
Tão importante como o talento de Ennis para construir uma história tão extrema como divertida, é a capacidade de Steve Dillon (falecido de forma inesperada em 2016) em dar vida às personagens, mostrando-se tão à vontade nas expressões faciais - em que é insuperável - como nas violentas cenas de acção. Para um autor com um grande sentido de diálogo, como Ennis, é importante contar com alguém como Dillon capaz de dar vida às personagens, através das expressões faciais, ou de simples gestos.
Quem segue a série televisiva, sabe que ainda muita coisa para acontecer e muitas personagens importantes para introduzir, pois este primeiro volume de Preacher recolhe apenas 7 dos 66 números da série. Mas vale a pena esperar pela continuação e acompanhar Jesse Custer nesta viagem inesquecível pela América profunda.
Publicado originalmente no jornal Público de 08/09/2018

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Colecção 25 Anos Vertigo 4 - Jesus Punk Rock

UM CRISTO PARA O SÉCULO XXI

25 Anos Vertigo - Vol 4
Jesus Punk Rock
Argumento e Desenhos – Sean Gordon Murphy
Sábado, 08 de Setembro
Por + 13,90 €
No seu quarto volume, a Colecção 25 Anos Vertigo dá a descobrir um dos títulos mais controversos dos últimos anos da editora, Jesus Punk Rock (JPR), obra que afirmou o desenhador americano Sean Gordon Murphy como um (grande) autor completo.
Publicada originalmente como uma mini-série a preto e branco em seis partes, entre Setembro de 2012 a Janeiro de 2013, Jesus Punk Rock foi uma aposta pessoal da editora Karen Berger, que conhecia Murphy sobretudo como desenhador das séries American Vampire e The Wake, ambas escritas por Scott Snyder – que os leitores portugueses conhecem graças às histórias que escreveu do Batman – mas não hesitou em deixá-lo escrever o seu próprio trabalho. Como refere o autor: “Karen Berger foi quem realmente me trouxe para a Vertigo, e devo-lhe muito por isso. Os títulos principais são geralmente tratados pelos outros editores, mas quando surge algo novo que desperta o interesse de Karen, acho que ela prefere editar esse título sozinha. No começo, foi stressante estar sob o olhar atento de um editor tão poderoso, mas depois percebi que ter Karen ao meu lado era a minha melhor forma de protecção. Enquanto a Karen estiver feliz, ela lutará por mim. E foi assim que JPR foi aprovado - construímos um relacionamento sólido nos títulos da Vertigo que desenhei e ela decidiu apostar em mim, mesmo que eu não fosse conhecido como escritor.”
 O ponto de partida de JPR é um reality show que tem como protagonista um clone de Jesus Cristo, clonado a partir do ADN encontrado no Sudário de Turim, Os fanáticos religiosos amam ou odeiam o programa, os políticos enfurecidos preocupam-se com a sua influência na nação e os membros da comunidade científica temem as implicações da clonagem de um ser humano, especialmente o Filho de Deus. Quando a queda das audiências força a estação a cortar a mãe de Jesus da série, a jovem estrela foge, renúncia a sua herança religiosa e forma uma banda de punk rock.
Dando novamente a palavra a Murphy: “A ideia de Jesus Punk Rock começou quando li algo anos atrás sobre clonagem. E aí pensei: "quem seria o primeiro clone humano?" E sabendo como muitos americanos são religiosos, a resposta veio instantaneamente: Jesus Cristo. E tendo em conta o sucesso destes programas, era óbvio que um clone de Jesus seria o tema ideal de um reality show. A premissa básica da história chegou até mim num minuto. Gostava que toda a escrita fosse assim tão fácil.”
A ideia de personagens condenados a viver dentro de um reality show não é nova. Basta pensar em filmes como Truman Show, ou BDs como Custer, de Carlos Trillo e Jordi Bernet, mas o desenhador junta-lhe um elemento importante: a religião, aspecto fundamental para alguém de origem irlandesa como Murphy, que foi criado como católico, mas acabou por perder a fé. Um pouco como Thomas McKael, o guarda-costas do clone e ex-militante do IRA, figura que o autor recuperou de um projecto sobre a guerrilha irlandesa e que é a personagem mais fascinante de JPR.
Bem escrito, melhor planificado e espectacularmente ilustrado, num preto e branco dinâmico, valorizado pelo uso de tramas, JPR é também uma reflexão certeira sobre a América actual, com o autor acertar em cheio nas suas previsões: “Sarah Palin (candidata republicana à Vice-Presidência dos E.U.A.) assustou-me em 2007 - fiquei surpreendido como alguém tão ignorante poderia chegar tão perto da presidência. E muitos de seus comentários eram sobre religião, política e meios de comunicação. Então, comecei a abordar minhas preocupações sobre esses três tópicos em Jesus Punk Rock. E eu senti que realmente tinha algo, mas então Obama foi eleito e de repente a necessidade JPR se foi. Eu era uma fã de Obama, mas senti que tinha perdido uma janela de oportunidade em que JPR seria mais relevante.
Mas esta eleição (de Trump) trouxe de volta todas as minhas preocupações antigas, e de repente, a história parece mais relevante do que nunca.”
Publicado originalmente no jornal Público de 01/09/2018

sábado, 1 de setembro de 2018

Colecção 25 Anos Vertigo 3 - 100 Balas Vol. 1

CRIME SEM CASTIGO

25 Anos Vertigo - Vol 3
100 Balas Vol 1: Primeiro Disparo, Última Rodada
Argumento – Brian Azzarello
Desenhos – Eduardo Risso
Sábado, 01 de Setembro
Por + 13,90 €
Depois de ter assinado o argumento de Hellblazer: Na Prisão, o volume inaugural desta colecção, Brian Azzarello regressa à colecção 25 Anos Vertigo com o primeiro capítulo de 100 Balas, a premiada série de culto da Vertigo que chega finalmente a Portugal. Uma série policial Noir, com um toque conspirativo, que parte de uma premissa tão simples como intrigante: O misterioso agente Graves, fisicamente inspirado no actor Lee Marvin, propõe a cidadãos comuns a oportunidade de conseguirem a vingança que tanto desejavam contra quem lhes fez mal... e oferece-lhes uma mala que contém provas da culpabilidade dos alvos, uma pistola e cem balas impossíveis de rastrear, para além da garantia de imunidade total nessa vingança.
Como refere Brian Azzarello numa entrevista, a ideia de 100 Balas nasceu no meio do trânsito: “Eu estava num carro com o meu amigo Sung Koo. Nós estávamos a conduzir e um idiota à nossa frente não estava a seguir as regras de condução, e eu estava a ficar superchateado e acabei por deixar escapar como gostaria de matar o filho da puta. Sung perguntou-me se seria mesmo capaz de o fazer, se realmente pudesse. Claro que eu disse que não, mas depois começamos a conversar mais a fundo sobre o que seria necessário para realmente levar alguém a assassinar outra pessoa. A partir daí tive a ideia desse homem - que acabou por ser o agente Graves - andando por aí, distribuindo sentenças de morte e imunidade para o carrasco. Havia um velho programa de TV chamado O Milionário, onde esse homem misterioso dava um milhão de dólares a um personagem diferente a cada semana, e o episódio concentrava-se em como o dinheiro mudaria a vida dessas pessoas. É a mesma coisa com 100 Balas. Apenas muito mais sombrio. O agente Graves não está a distribuir dinheiro, ele está a distribuir os meios e a imunidade, dando-te carta-branca para te vingares de alguém que te prejudicou seriamente no passado. Então o que é que fazes com isso? É esse o dilema das personagens de 100 Balas.”
Personagens como Isabelle “Dizzy” Cordova, uma jovem hispânica que perdeu o marido e a filha num tiroteio e a quem o Agente Graves oferece a oportunidade de se vingar dos verdadeiros assassinos da sua família, ou Lee Dolan, um empresário que perdeu tudo ao ser acusado de posse e distribuição de pornografia infantil na Internet. E se Dizzy vai ver a sua vida mudada por esta oportunidade, já Dolan vai descobrir à sua própria custa que foi usado como peão de um jogo de poder que envolve Megan Dietrich, uma mulher poderosa, cuja ligação a Graves e a Shepherd, o primeiro dos homens de Graves a entrar em cena, será desenvolvida em futuros volumes.
A dar vida a este universo tão sombrio como sedutor criado por Azzarello, está o artista argentino Eduardo Risso, que os leitores portugueses bem conhecem do livro Batman Noir, entre outros títulos publicados pelo Público e pela Levoir, que aqui dá provas de todo o seu talento narrativo, colocando o seu traço sensual e estilizado ao serviço de um argumento que retrata sem concessões o lado sombrio do sonho americano.
Premiada com seis prémios Harvey e quatro prémios Eisner, 100 Balas é uma obra-prima de ambiguidade moral e violência e uma das séries de maior sucesso da Vertigo. Este primeiro volume, que recolhe as 5 primeiras revistas mensais e uma história curta publicada em 2000 na revista Vertigo Winter’s Edge, é apenas a ponta do icebergue de um complexo thriller de mistério que explora os temas da vingança e que subtilmente se vai transformando numa vasta história de conspiração. Uma história tão complexa como viciante, que se estende (apropriadamente) por 100 números, cuja continuação esperamos poder ler muito brevemente em português. Assim os leitores o queiram.
Publicado originalmente no jornal Público de 25/08/2018

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Colecção 25 Anos Vertigo 2 - Morte

A MORTE SEGUNDO NEIL GAIMAN

25 Anos Vertigo - Vol 2
Morte
Argumento – Neil Gaiman
Desenhos – Chris Bachalo, Mark Buckingham e Dave McKean
Sábado, 25 de Agosto
Por + 13,90 €
No seu segundo número, a Colecção 25 Anos Vertigo leva os leitores portugueses de regresso ao universo da série Sandman, através de um dos seus personagens mais emblemáticos. A Morte. Irmã de Morfeu e dos restantes Eternos, Morte é uma jovem rapariga gótica, pálida e simpática, mas implacável, e uma das personagens mais aclamadas e originais do escritor Neil Gaiman. Criada nas páginas da série Sandman, a sua popularidade tornou-a na heroína das suas próprias histórias a solo, a maioria das quais são recolhidas neste volume antológico, que além de duas mini-séries, inclui duas histórias curtas.
A história que abre este volume é O Alto Custo da Vida, a primeira aventura a solo da Morte publicado originalmente como uma mini-série em 1993, sendo, com Enigma, de Pete Milligan, um dos primeiros novos títulos da linha Vertigo. Esta primeira história desenvolve uma lenda abordada na série Sandman, de que, um dia por século, a Morte encarna num ser mortal e desce à Terra para conhecer melhor os mortais para quem ela será a visita final. Um desses mortais é Sexton Furnival, um adolescente deprimido, obcecado com a ideia do suicídio, que vai acompanhar Morte ao longo de vinte e quatro horas, em que se cruzam com outras personagens que os leitores já conheciam da série   Sandman, como a misteriosa Ettie Louca, uma mulher sem-abrigo com 250 anos, que perdeu o seu coração. Uma história de grande sensibilidade e poesia, ilustrada com grande elegância por Chris Bachalo, desenhador que se estreou profissionalmente no nº 12 da série Sandman, mas que só aqui teve oportunidade de desenhar a Morte, dando um toque pessoal à personagem criada visualmente por Mike Dringenberg. A principal diferença é que a Morte de Bachalo (que usou a sua sobrinha como modelo) parece mais nova do que a de Dringenberg, mantendo o mesmo visual gótico, a que Bachalo acrescentou um chapéu. A colaborar com Bachalo na passagem a tinta, está outro veterano colaborador de Gaiman, o inglês Mark Buckingham, com quem Gaiman já tinha trabalhado na série Miracleman.

O grande sucesso de O Alto Custo da Vida, história que esteve muito perto de ser adaptada ao cinema num filme escrito e realizado pelo próprio Gaiman, com produção de Guillermo Del Toro, levou a Vertigo a lançar outra mini-série da Morte com a mesma equipa, Morte: o Melhor Momento da tua Vida, publicada originalmente em 1996. Desta vez, a Morte tem um papel mais de espectadora, numa história sobre relações, centrada em Foxglove e Hazel, um casal de lésbicas que apareceu pela primeira vez em Um Jogo de Ti, um dos episódios da série Sandman, e que estão igualmente presentes, embora de forma mais episódica, em O Alto Custo da Vida. Lidando com a forma como a fama de Foxglove, transformada em  jovem estrela pop, afecta a sua relação com Hazel, esta história mostra como o verdadeiro“milagre da morte” é a beleza da Vida. Devido aos seus compromisso com a Marvel e à demora de Gaiman em entregar o argumento, Bachalo teve de abandonar a séries meio, mas Mark Buckingham, cuja versatilidade estética ficou bem evidente em Miracleman, em que cada história foi Desenhada num estilo diferente, deu perfeitamente conta do recado, mimetizando de forma perfeita o traço de Bachalo, de tal forma que só mesmo os leitores muito atentos se aperceberam da mudança do desenhador.
A completar este volume, temos ainda duas histórias curtas, A Roda, também ilustrada por Bachalo, em que Gaiman presta uma bela e sentida homenagem às vítimas do 11 de Setembro, e A Morte Fala sobre a Vida, uma das raras histórias do universo Sandman desenhada por Dave McKean, o autor das fabulosas capas da série, sobre a importância do uso do preservativo na prevenção do SIDA, que conta com uma participação muito especial de John Constantine.
Um belo regresso ao mundo dos Eternos, as divindades tremendamente humanas criadas por Neil Gaiman, que nos mostra como o universo de Sandman não se esgota nos onze volumes da série principal.
Publicado originalmente no jornal Público de 18/08/2018

sábado, 18 de agosto de 2018

Colecção 25 Anos Vertigo 1 - Hellblazer: Na Prisão

JOHN CONSTANTINE ABRE COLECÇÃO 
DEDICADA AOS 25 ANOS DA VERTIGO

25 Anos Vertigo - Vol 1
Hellblazer: Na Prisão 
Argumento – Brian Azzarello
Desenhos – Richard Corben
Sábado, 18 de Agosto
Por + 13,90 €
É já no próximo sábado que se inicia a colecção dedicada aos 25 anos da Vertigo, a linha mais adulta e literária da DC Comics, a editora de Batman e Super-Homem, que acolheu títulos tão diversos como Daytripper e V de Vingança, ou as séries Sandman e Y, O Último Homem. E, para abrir a colecção, a escolha óbvia é a série Hellblazer, o título de maior longevidade da Vertigo, com 300 números de publicados mensalmente entre Janeiro de 1988 e Fevereiro de 2013, protagonizado pelo mágico John Constantine.
Constantine surgiu pela primeira vez no número 37 da revista Swamp Thing, pelas mãos de Alan Moore. Moore tinha pegado nesta antiga série da DC e tinha-a relançado com um sucesso que ninguém esperava numa época totalmente dominada pelo comic de super-heróis. Mas Moore só criou Constantine devido à insistência dos desenhadores com que trabalhava em Swamp Thing, John Totleben e Steve Bissete - ambos eram fãs dos Police e apetecia-lhes desenhar uma personagem igual ao Sting.
Moore descreve da seguinte maneira o processo que levou ao surgimento de Constantine: “Tinha um bocado aquela ideia de que em geral os mágicos e místicos eram retratados como tipos de meia-idade ou velhos, muito “classe média”, que falavam bem, austeros, muito correctos e nada funcionais na rua e no dia-a-dia. Pareceu-me interessante dar cabo dos estereótipos todos e criar um mago que fosse mais espertalhão, classe operária, que falasse em calão, sempre a fumar, com um passado totalmente diferente do normal.” A personagem cedo ganhou uma vida própria, devido ao seu carisma muito particular. Quem começou com tudo foi finalmente Neil Gaiman, quando comentou com Moore que Constantine parecia uma personagem boa de mais para que ele a matasse nas páginas de Swamp Thing. Karen Berger, que era na altura a editora da série e viria a assumir a direcção editorial da Vertigo, foi uma das primeiras a ser conquistada pelo carisma de Constantine. Berger disse mais tarde: “Embora não tenha havido assim um momento especial em que tenhamos decidido dar-lhe o seu título regular, desde o início que se tinha tornado claro que ele era uma personagem capaz de ser a estrela de um comic.”

Esse comic foi Hellblazer, que se tornou ponto de passagem obrigatório para os autores britânicos (tanto escritores como desenhadores) a trabalhar no mercado americano, embora no caso da história que preenche este primeiro volume, tanto o argumentista como o desenhador são americanos e o próprio John Constantine troca a sua Inglaterra natal pelo desconforto de uma prisão americana de alta segurança.
Brian Azzzarello, nome bem conhecido dos leitores, foi o primeiro americano a escrever a série, entre 2000 e 2002, levando o mago britânico numa perigosa viagem pela América profunda, que começa com ele na prisão. Uma prisão de alta segurança, habitada pelos piores ladrões e assassinos, que vão descobrir à sua própria custa que não é John Constantine que está preso com eles. Eles é que estão presos com Constantine…
A dar vida a esta história sombria e violenta, está um nome maior dos comics americanos: Richard Corben. Vencedor do Grande Prémio de Angoulême em 2018, Corben estava à época praticamente afastado da BD, na sequência da falência da sua própria editora, Fantagor, em 1996. O seu trabalho em Na Prisão deu-o a conhecer a uma nova geração de leitores, que descobriu assim o seu estilo único.
Depois de Hellblazer, nas quatro semanas seguintes haverá espaço para o regresso de Neil Gaiman ao universo Sandman, com a Morte, a estreia de Sean Murphy, com Punk Rock Jesus e duas novas séries de culto que irão dar que falar: 100 Balas, o épico policial/conspirativo de Brian Azzarello e Eduardo Risso, e Preacher, a delirante saga de Garth Ennis e Steve Dillon, sobre um pregador texano com poderes especiais, que atravessa os EUA em busca de Deus, na companhia de uma assassina a soldo e de um vampiro irlandês, e que já virou série televisiva de sucesso.
Publicado originalmente no jornal Público de 11/08/2018

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Apresentação da Colecção 25 Anos Vertigo

VERTIGO, 25 ANOS DE GRANDES HISTÓRIAS

Há efemérides que não podem deixar de ser comemoradas e esta colecção, motivada pelos vinte cinco anos de início de publicação da linha Vertigo, em 1993, reflecte isso mesmo. Embora a linha Vertigo não seja desconhecida dos leitores portugueses, pois a Levoir e o Público tem vindo a apresentar paulatinamente alguns títulos emblemáticos dessa linha, como V de Vingança, Daytripper, Luna Park, Batman uma história verdadeira ou Livros da Magia, nas várias séries da colecção Novela Gráfica desde 2015, para além da edição das séries Sandman e Y, o Último Homem (esta última ainda em curso de publicação), esta colecção vai permitir conhecer um pouco mais daquele verdadeiro viveiro de talento e criatividade que mudou a face da banda desenhada americana das últimas décadas.
As fundações daquilo que viria a ser a Vertigo foram lançadas originalmente no final dos anos 1980 por uma editora cujo nome ficou ligado aos destinos do selo editorial, Karen Berger. Berger tinha começado a trabalhar na DC em títulos ligados ao universo de super-heróis, e começou a contratar um conjunto de escritores britânicos, que se tinham formado em revistas como a Warrior ou a 2000AD, e que se viriam a transformar na célebre “invasão britânica” dos comics americanos. Autores como Alan Moore, Neil Gaiman, Jamie Delano, Peter Milligan, ou Grant Morrison, responsáveis por séries que não pertenciam ao género super-heróico. Títulos como Swamp Thing, Animal Man, Doom Patrol, ou Black Orchid, que assinalou a estreia de Neil Gaiman e Dave McKean na DC, e o lançamento de séries novas, igualmente do género fantástico e de terror, como Sandman, Os Livros da Magia ou o seminal Hellblazer.
Criado por Alan Moore nas páginas do #37 da revista Swamp Thing, satisfazendo assim a vontade do desenhador da série, Stephen Bissette, que queria desenhar o músico Sting, John Constantine acabaria por se tornar na figura tutelar do universo de magia da DC, reunido na linha Vertigo. Depois de servir de guia ao Monstro do Pântano numa memorável viagem pelo lado negro dos EUA, Constantine rapidamente ganhou uma série própria, Hellblazer que, com 300 números publicados, foi o título de mais longa duração da Vertigo e principal porta de entrada para os autores britânicos que trabalharam na Vertigo. Escritores britânicos que, como Berger declarou naquela “tinham uma sensibilidade, uma perspectiva, que eram refrescantemente diferentes da dos seus congéneres americanos, mais experimental e inteligente”.
Mesmo que Alan Moore considerasse a Vertigo como a mera exploração de uma receita de sucesso e uma tentativa de criar clones seus (o escritor declarou numa entrevista que, com a Vertigo, “A DC tinha tentado criar um viveiro de Alan Moores, mas o problema é que toda a gente sabe que os Alan Moores não crescem em viveiros…”) a verdade é que todos estes autores oriundos das ilhas britânicas contribuíram, e muito, para a renovação dos comics americanos, sobretudo porque, para além da solidez narrativa e da imaginação patentes nos seus trabalhos, incorporam nas histórias que escrevem uma série de referência (normalmente literárias) exteriores ao mundo dos comics de super-heróis, que dão uma outra consistência e profundidade a um universo que sempre se manteve fechado sobre si próprio e que, por isso, caminhava para o esgotamento.
Correspondendo à incumbência atribuída a Berger de lançar um selo que reunisse sob a sua alçada essas séries mais sofisticadas e adultas, em Janeiro de 1993 saíam os primeiros comics com o selo da Vertigo e, embora as suas primeiras histórias incluíssem ainda personagens tiradas do universo de super-heróis da DC, cedo os títulos do novo selo se tornaram completamente independentes. As séries citadas mais acima transitaram para a nova linha, e passaram a ser editadas como séries Vertigo, mas rapidamente foram seguidas por títulos originais. As primeiras duas séries Vertigo puras foram Enigma de Peter Milligan, e a mini-série Morte: O Alto Custo da Vida, de Neil Gaiman, pertencente ao universo Sandman.
Naturalmente, essa história da Morte, a irmã de Morfeu dos Eternos, juntamente com mais histórias da personagem, está incluída nesta colecção, tal como está a série Hellblazer e o primeiro volume da série Preacher, assinado por dois autores britânicos, que já tinham colaborado anteriormente em Hellblazer.


Mas, como esta colecção bem demonstra, apesar da importância de criadores de origem britânica como Neil Gaiman, ou Garth Ennis, a Vertigo soube diversificar o seu catálogo deixando de se dedicar exclusivamente ao género fantástico, abrindo espaço a outros registos, algo bem evidente nos títulos desta linha editorial que foram saindo na colecção Novela Gráfica. Uma diversidade também geográfica, pois se a maioria dos autores – tanto argumentistas como desenhadores – da série Hellblazer provinham do Reino Unido, Na Prisão, a história de John Constantine que abre esta colecção é assinada por dois americanos, tal como é americano Sean Gordon Murphy, o autor de Punk Rock Jesus. Do mesmo modo, a série 100 Balas reúne um desenhador argentino com um escritor americano. Um bom exemplo da dimensão global da banda desenhada contemporânea, para a qual o contributo da linha Vertigo foi essencial.

REGRESSOS E ESTREIAS

Esta nova colecção Público/Levoir, comemorativa dos vinte e cinco anos da linha Vertigo, o selo de culto da editora DC Comics, está marcada por regressos e estreias. Regressos de autores e personagens, e estreias de títulos e séries de culto que o leitor português vai descobrir e poderá acompanhar a partir daqui.
A abrir a colecção temos um regresso, o de John Constantine, o mais emblemático personagem da Vertigo que, depois de ter sido apresentado aos leitores dos títulos da Levoir no primeiro volume da série Sandman e na novela gráfica Livros de Magia, ambas escritas por Neil Gaiman, regressa agora como protagonista da sua própria série. Hellblazer, que foi o título de maior duração da linha Vertigo, terminou ao fim de 300 números, para dar lugar a uma nova revista, Constantine, integrada no universo DC Novos 52, como de resto aconteceu com Animal Man e Swamp Thing, outros títulos originais da DC que tinham passado para a Vertigo em 1993.
Sendo a estreia de Hellblazer na Levoir, Na Prisão não é a estreia da série em Portugal, pois a Devir, em 2005, aproveitando a estreia em Portugal do filme Constantine, editou a adaptação oficial do filme, Todo o Seu Engenho, uma novela gráfica original de Mike Carey e Leonardo Manco e Nas Ruas de Londres, uma colectânea com algumas das melhores histórias da série. Do mesmo modo, sendo Na Prisão a primeira colaboração entre Azzarello e Corben e a primeira história de Constantine escrita por um autor americano, não é, nem de longe, a estreia do escritor em Portugal, pois o trabalho de Azzarello com os principais heróis (e vilões) da DC está todo publicado pela Levoir, tal como de resto Banner e Cage, as posteriores colaborações entre Corben e Azzarello para a Marvel - para onde foram levados pelo editor Axel Alonso, quando este trocou a Vertigo pela “Casa das Ideias” - que foram editadas no nosso país respectivamente pela Devir e G Floy.
Isso não impede que o trabalho de Corben, um veterano da BD com 77 anos, que foi um pioneiro do comic underground e da novela gráfica, o primeiro americano a publicar na revista Metal Hurlant – onde Moebius o comparou a Mozart - e um mestre da BD de terror, seja através da sua colaboração na série Hellboy, de Mike Mignola, seja nas adaptações de contos de H. P. Lovecraft e Edgar Alan Poe, com uma obra tão vasta como única, que lhe valeu merecidamente o Grande Prémio de Angoulême em 2018, não esteja devidamente publicado em Portugal. Uma lacuna que esta colecção vem ajudar a suprir.
Outro regresso nesta colecção é o de Neil Gaiman ao universo da série Sandman, com um punhado de histórias protagonizadas pela Morte, a irmã de Morfeu, que aqui volta a caminhar por entre os homens. Exemplo perfeito de que o universo de Sandman não se esgota nos 11 volumes da série principal, Morte é também um bom exemplo da qualidade literária e da sensibilidade de Gaiman, aqui em perfeita sintonia artística com o desenhador Chris Bachalo.
Embora os seus autores, Brian Azzarello e Eduardo Risso, sejam bem conhecidos dos leitores nacionais e dispensem apresentações, o terceiro volume desta colecção é uma estreia, e que estreia! Primeiro volume da série de culto 100 Balas, Primeiro Disparo, Última Rodada, é uma óptima porta de entrada na realidade sombria e sedutora criada por Azarello e Risso, naquela que é considerada uma das melhores séries de sempre da Vertigo e que o escritor e cineasta Paul Dini (Batman: Uma História Verdadeira) definiu como “uma obra-prima de caracterização psicológica brilhante e desenhos fabulosos”.
A colecção prossegue com outra estreia. A do ilustrador Sean Gordon Murphy, com Punk Rock Jesus, uma mini-série em seis partes, ilustrada num preto e branco luminoso, bem complementado por um meticuloso trabalho de tramas, sobre politica, religião e televisão. Ilustrador consagrado, habituado a trabalhar com grandes escritores, como Grant Morrison, Scott Snyder e Mark Millar, Sean Murphy mostra aqui que também é um excelente argumentista.
Finalmente, a colecção encerra com o primeiro volume de outra série. Falamos de Preacher, a mais popular colaboração entre Garth Ennis e o recentemente falecido Steve Dillon, dupla que já tinha colaborado em Hellblazer e que aqui voltou a reunir forças naquela que é uma das mais populares, divertidas, delirantes e politicamente incorrectas séries do catálogo da Vertigo.
Homenagem de dois europeus ao Western e ao sonho americano, com uma violência tão exagerada que chega a ser divertida e uma sábia alternância entre momentos assustadores, delirantes e comoventes, Preacher, que o realizador Kevin Smith considera “mais divertido do que ir ao cinema”, é exemplo perfeito de uma série de culto, que não deixa nenhum leitor indiferente. Mais um entre os inúmeros exemplos da riqueza e versatilidade do catálogo da Vertigo, que o Público e a Levoir têm vindo a divulgar de forma consistente, e que não se esgota, longe disso, nos cinco volumes desta colecção.

SABIA QUE?

- Para além de ter protagonizado o título de maior duração da linha, John Constantine é sem dúvida o personagem da Vertigo com maior presença audiovisual. Além de ter protagonizado um filme com Keanu Reeves, uma série de televisão em nome próprio e uma longa-metragem de animação, Constantine teve ainda participações especiais nas séries Arrow e DC’s Legends of Tomorrow.

- Neil Gaiman escreveu o argumento para um filme baseado na história Morte: O Alto Custo da Vida, pelo “preço de um carro utilitário”, com a condição que a Warner o deixasse realizar esse mesmo filme, mas a verdade é que, após mais de 10 anos de avanço e recuos, o filme acabou por nunca ser feito.

- Para além dos onze volumes já publicados pelo Publico e pela Levoir e de diversos especiais, como o da Morte, a série Sandman, de Neil Gaiman deu origem a diversas séries da Vertigo, como Lucifer e The Dreaming e, para comemorar os trinta anos de Sandman e os 25 anos da Vertigo vai ser lançado este mês de Agosto a linha The Sandman Universe que, para além de um número especial, inclui o relançamento de quatro revistas mensais: House of Whispers, The Books of Magic, The Dreaming e Lucifer.

- Tom King, o actual escritor do Batman e um dos mais prestigiados argumentistas da actualidade, antes de se dedicar à escrita, trabalhou para os serviços secretos americanos. A sua experiência no Iraque durante a Guerra do Golfo está na origem de O Xerife da Babilónia, a sua estreia na BD, publicada pela Vertigo.

- Constantine não foi o único filme baseado num título da Vertigo. Também Um História de Violência (de David Cronenberg) e V de Vingança (produzido pelas irmãs Wachowski) adaptam obras pertencentes ao catálogo da Vertigo, o mesmo sucedendo com o filme Loosers, de 2010, baseado na série criada por Andy Diggle e Jock e Stardust: O Mistério da Estrela Cadente, de Matthew Vaughn, a partir do romance ilustrado de Neil Gaiman e Charles Vess. Um caso um pouco diferente é o de The Fountain, uma novela gráfica do director Darren Aronofsky, ilustrada por Kent Williams, que saiu antes do filme do mesmo nome e serviu para Aronofsky divulgar o seu projecto junto dos grandes estúdios de Hollywood.

- Se a série televisiva de John Constantine apenas durou uma temporada, há outras séries baseadas em títulos da Vertigo actualmente em exibição, como IZombie, Lucifer e Preacher, estando também em diferentes estados de desenvolvimento projectos para adaptações televisivas das séries Y, O Último Homem e Scalped 


- Axel Alonso, que foi editor da Marvel durante quase vinte anos e editor-chefe entre 2011 e 2017, começou o seu percurso editorial na Vertigo, onde editou a fase final da série Preacher, a fase inicial da série 100 Balas e a etapa de Brian Azzarello na série Hellblazer, só para referir os títulos presentes nesta colecção.

A COLECÇÃO

1 – Hellblazer: Na Prisão
18 de Agosto
Argumento – Brian Azzarello 
Desenhos – Richard Corben
John Constantine é uma das mais conhecidas personagens da DC, que já inspirou filmes e séries de TV, e é o protagonista de Hellblazer, a mais longa série de banda desenhada da Vertigo, Ao longo de mais de duas décadas e 300 números, Constantine tornou-se no arquétipo do mágico urbano moderno, do detective do oculto com um toque punk, que não hesita em mergulhar no terror e no caos, e que inspirou o nascimento de uma verdadeira tendência da fantasia contemporânea.
Em Na Prisão, Constantine, que tinha trocado as ruas sombrias de Londres pelos grandes espaços americanos, perdeu a liberdade e está encarcerado numa prisão de alta segurança, onde terá de aprender todo um conjunto de novas regras para poder sobreviver. Nada a que um feiticeiro moderno, habituado a fazer as suas próprias regras não esteja já habituado, mas ninguém poderia prever o final desta luta épica pelo poder numa penitenciária. Escrita por Brian Azzarello, um dos mais conhecidos escritores americanos de BD e um dos nomes maiores da Vertigo, Na Prisão conta com a arte do mestre Richard Corben, vencedor do Grande Prémio de Angoulême em 2018.

2 – Morte
25 de Agosto
Argumento – Neil Gaiman
Desenhos –Chris Bachalo, Mark Buckingham e Dave McKean
Irmã de Morfeu e dos restantes Eternos, Morte é uma jovem rapariga gótica, pálida e simpática, mas implacável, e uma das personagens mais aclamadas e originais do escritor Neil Gaiman. Criada nas páginas da série Sandman, a sua popularidade tornou-a na heroína das suas próprias histórias a solo, a maioria das quais são recolhidas neste volume.
Um dia por século, a Morte desce à Terra para conhecer melhor os mortais para quem ela será a visita final. Em duas histórias emotivas e inteligentes, descobriremos uma mulher com 250 anos que perdeu o seu coração, um adolescente deprimido, uma jovem estrela dilacerada, e o verdadeiro “milagre da morte”, o da beleza da vida. A completar este volume, temos ainda duas histórias curtas, A Roda, também ilustrada por Bachalo, em que Gaiman presta uma bela e sentida homenagem às vítimas do 11 de Setembro, e A Morte Fala sobre a Vida, uma das raras histórias do universo Sandman desenhada por Dave McKean, o autor das fabulosas capas da série, sobre a importância do uso do preservativo na prevenção do SIDA, que conta com uma participação muito especial de John Constantine.

3 – 100 Balas vol 1: Primeiro Disparo, Última Rodada
01 de Setembro
Argumento – Brian Azzarello
Desenhos – Eduardo Risso
O misterioso agente Graves propõe a cidadãos normais a oportunidade de conseguirem a vingança que tanto desejavam contra quem lhes fez mal... e oferece-lhes uma mala que contém provas da culpabilidade dos alvos, uma pistola e cem balas impossíveis de rastrear, para além da garantia de imunidade total nessa vingança! Mas qual é o preço final da vingança e qual será o verdadeiro motivo por trás da iniciativa justiceira de Graves?
O escritor Brian Azzarello e o artista Eduardo Risso, que os leitores portugueses bem conhecem do livro Batman Noir, entre outros títulos publicados pelo Público e pela Levoir, assinam com 100 Balas, um complexo thriller de mistério que explora os temas da vingança e que subtilmente se vai transformando numa vasta história de conspiração. Premiada com seis prémios Harvey e quatro prémios Eisner, 100 Balas é uma obra-prima de ambiguidade moral e violência e uma das séries de maior sucesso da Vertigo.

4 – Punk Rock Jesus
08 de Setembro
Argumento e Desenhos – Sean Gordon Murphy
Um reality show que causa o caos nos EUA, tem como protagonista um clone de Jesus Cristo, clonado a partir do ADN encontrado no Santo Sudário de Turim, Os fanáticos religiosos amam ou odeiam o programa, os políticos enfurecidos preocupam-se com a sua influência na nação e os membros da comunidade científica temem as implicações da clonagem de um ser humano, especialmente o Filho de Deus. Thomas McKael é o guarda-costas dos clones e ex-agente do IRA que é contratado para proteger o novo Jesus - um bebé que cativa o mundo, mas cresce e torna-se um adolescente raivoso. Quando a queda das audiências forçam a estação a cortar a mãe de Jesus da série, a jovem estrela foge, renúncia a sua herança religiosa e forma uma banda de punk rock.
Publicada originalmente como uma mini-série em seis partes, entre Setembro de 2012 a Janeiro de 2013, Punk Rock Jesus foi o primeiro trabalho como autor completo para uma grande editora, do desenhador americano Sean Gordon Murphy.


5 – Preacher Vol 1: A Caminho do Texas
15 de Setembro
Argumento – Garth Ennis
Desenho – Steve Dillon
Jesse Custer, o pregador em crise de fé de Annville, uma pequena cidade texana, é acidentalmente possuído por uma criatura sobrenatural chamada Génesis, fruto do amor proibido entre um anjo e um demónio. O incidente arrasa a igreja de Custer e mata toda a sua congregação, deixando apenas Custer vivo e com um poder que pode rivalizar com o próprio Deus, fazendo de Jesse Custer, ligado a Génesis, potencialmente o ser mais poderoso do universo.
Acompanhado por Tulip, a sua antiga namorada de gatilho fácil e por Cassidy, um vampiro irlandês que gosta tanto de álcool como de sangue, Custer inicia uma viagem pelo continente americano em busca de Deus, perseguidos pelo Santo dos Assassinos, o mais implacável executor entre o céu e o Inferno.
Criada pelo escritor irlandês Garth Ennis e pelo desenhador inglês Steve Dillon, Preacher foi um dos títulos de maior sucesso da Vertigo, recentemente adaptado para a televisão, numa série da AMC, a estação responsável pela série de televisão de The Walking Dead.
Publicado originalmente no jornal Público de 11/08/2018