quinta-feira, 27 de abril de 2017

No Coração das Trevas DC 8 - O Asilo do Joker

OS MAIORES INIMIGOS DO BATMAN ESTÃO NO ASILO DO JOKER

No Coração das Trevas DC Vol 8
Joker: O Asilo do Joker
Argumento – Arvid Nelson, Jason Aaron, JT Krul e James Patrick
Desenho – Alex Sanchez, Jason Pearson, Guillem March e Joe Quinones
Quinta, 27 de Abril
Por + 9,90 €
Um dos locais mais emblemáticos do Universo DC, o Asilo Arkham está em destaque no 8º volume da colecção No Coração das Trevas, em que o seu mais famoso paciente, o Joker dá a descobrir aos leitores um pouco do passado e das motivações dos principais vilões de Gotham City. Vilões como o Pinguim, Hera Venenosa, Duas Caras, Harley Quinn e, claro… o próprio Joker.
O Asilo do Joker é um volume antológico que recupera a melhor tradição das revistas de terror da editora EC, como a Tales from the Crypt ou a The Vault of Horror, em que as histórias eram apresentadas por um anfitrião de aspecto tenebroso (o Crypt Keeper na Tales from the Crypt, e o Vault Keeper no caso da revista The Vault of Horror), com o Joker a assumir com entusiasmo esse mesmo papel.
Para além de apresentar cada história deste volume, o Joker começa por ser apresentador de um peculiar concurso televisivo, que mostra como as televisões estão dispostas a tudo na guerra das audiências. Uma história cruelmente realista, escrita por Arvid Nelson para o traço perturbador de Alex Sanchez. A seguir, em O Último a Rir, Jason Aaron (o argumentista de Scalped e Southern Bastards, numa rara colaboração com a DC) analisa os problemas sentimentais do Pinguim, numa história a que o traço caricatural de Jason Pearson assenta como uma luva. Segue-se a origem da Hera Venenosa, numa história escrita por JT Krull, a que o traço sensual do espanhol Guillem March dá vida, enquanto David Hine e Andy Clarke jogam com a dualidade do Duas Caras num conto moral com final em aberto. Para terminar, nada melhor do que festejar o Dia dos Namorados com a Harley Quinn, numa história de James Patrick, magnificamente ilustrada por Joe Quinones.
Publicado originalmente no jornal Público de 21/04/2017

quinta-feira, 20 de abril de 2017

No Coração das Trevas DC 7 - Super-Homem e Apocalipse: Caçador e Presa

O REGRESSO DE APOCALIPSE

No Coração das Trevas DC Vol 7
Super-Homem & Apocalipse: Caçador e Presa
Argumento – Dan Jurgens
Desenho – Dan Jurgens e Brett Brending
Quinta, 20 de Abril
Por + 9,90 €
Numa colecção dedicada aos maiores vilões do Universo DC, não poderia faltar o mais poderoso de todos. Uma verdadeira máquina de matar, geneticamente alterada para ser invencível e indestrutível: Apocalipse. Único vilão a conseguir matar o Homem de Aço, Apocalipse foi criado por Dan Jurgens, Roger Stern, Louise Simonson, Jerry Ordway e Karl Kesel, sob orientação do editor Mike Carlin, em 1992 para protagonista da saga épica publicada nas diferentes revistas protagonizadas pelo Homem de Aço, que culminou com a morte do Super-Homem no ano seguinte, no nº 75 da segunda série da revista Superman.
Curiosamente, essa história que catapultou o Super-Homem para o primeiro lugar dos tops de vendas e foi notícia na imprensa a nível mundial, nasceu por mero acaso. Inicialmente, o que estava previsto acontecer durante esse ano nas revistas do Super-Homem, era o casamento de Clark Kent com Lois Lane. Uma história que, para não interferir com a série televisiva Lois & Clark: The New Adventures of Superman que estava a explorar o mesmo enredo, teve de ser adiada para depois do casamento de Lois e Clark na televisão, deixando os editores da revista do Homem de Aço com a necessidade de encontrar uma intriga alternativa para ocupar mais de um ano de histórias.
Essa intriga foi a morte de Super-Homem às mãos de Apocalipse e o seu posterior regresso. Uma história que, para além do sucesso de vendas, deu origem a um filme de animação, Superman: Dooomsday, produzido e dirigido por Bruce Timm (o desenhador de Amor Louco, a origem da Harley Quinn que puderam ler no volume anterior) e à recriação do combate brutal (e mortal) entre Super-Homem e o Apocalipse no filme Batman V Superman, que utiliza elementos da morte do Super-Homem no seu guião.
Face ao sucesso da história, que marcou a História dos comics americanos, e ao carisma do vilão, era inevitável que Apocalipse e o Super-Homem se voltassem a defrontar, o que acontece precisamente em Caçador e Presa, a história que chega aos quiosques nacionais na próxima quinta-feira. Publicada originalmente em 1994, como uma mini-série em três edições, esta história escrita por Dan Jungers, que também que assegura o desenho a lápis, desvenda a origem de Apocalipse e explica os motivos do seu ódio a Krypton, o planeta de que o Super-Homem é o último sobrevivente, para além de trazer de volta o Super-Homem Ciborgue, que os leitores portugueses já conhecem da Guerra do Corpo Sinestro, a saga do Lanterna Verde que ocupou os dois primeiros volumes desta colecção.
Mas outro motivo de interesse deste clássico dos comics de super-heróis, é o confronto no planeta Apokolips, entre Apocalipse e Darkseid, o vilão supremo criado por Jack Kirby, que encontra em Apocalipse alguém capaz não só de resistir ao seu imenso poder, mas até de o derrotar em combate.
Publicado originalmente no jornal Público de 14/04/2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

No Coração das Trevas DC 6 - Joker e Harley Quinn: Amor Louco


HARLEY QUINN, DA ANIMAÇÃO PARA A BD

No Coração das Trevas DC Vol 6
Joker & Harley Quinn: Amor Louco
Argumento –  Paul Dini e Bruce Timm
Desenho – Bruce Timm, Glen Murakami e Ronnie Del Carmen
Quinta, 13 de Abril
Por + 9,90 €
Depois de dividir o protagonismo com os restantes membros do Esquadrão Suicida no volume que chegou às bancas na semana anterior, chegou a vez de Harley Quinn roubar o protagonismo ao Joker e ocupar o palco em Amor Louco, a premiada história de Paul Dini e Bruce Timm, que assinalou a sua estreia na BD.
Criada por Dini e Timm em 1992, na série de desenhos animados Batman Adventures, no que estava inicialmente previsto como uma aparição esporádica, Harley Quinn revelou-se extremamente popular desde o início, transformando-se numa presença regular da série. Como refere Bruce Timm: “Quando o Paul (Dini) me falou em criar uma namorada para o Joker, eu achei que era boa ideia, por isso metemo-la no episódio Joker’s Favor. Mas foi só quando a vimos, já animada, no ecrã, que toda a gente se apaixonou instantaneamente por ela. Era uma combinação da personalidade, da voz – a voz da actriz Arleen Sorkin – e do visual. É uma personagem fantástica. Apercebemo-nos logo que tínhamos acertado em cheio. Por mais que eu não quisesse usá-la muito, pois o seu lado mais divertido interferia com o nosso objectivo de tornar o Joker mais sinistro, a verdade é que todos adorávamos a personagem e por isso o Paul enfiou-a em todos os episódios do Joker.”
A passagem da animação para a BD dá-se em 1994 neste Batman: Amor, Louco, história que abre o sexto volume desta colecção, que estará à venda em todo o país a partir do próximo dia 13 de Abril. Tudo começou com um convite de Denny O’Neil, um dos melhores escritores do Batman de sempre e então editor das revistas do Cavaleiro das Trevas, feito durante um almoço no San Diego Comic Con, para que Timm e Dini apresentassem uma proposta à DC para uma BD. Foi então que Paul Dini se lembrou de explorar a origem da Harley Quinn, que nunca tinha sido abordada na série de animação, revelando que Harley era inicialmente a Dra. Harleen Quinzel, uma Psiquiatra do Asilo Arkham, que acaba por se apaixonar pelo Joker, sendo arrastada por ele para o mundo da loucura, acabando por se transformar em Harley Quinn, a Arlequina, a sua namorada e cúmplice.
O resultado é esta história que Frank Miller considera das melhores histórias do Batman que já leu e que ganhou os Prémios Harvey e Eisner para a Melhor História Completa.
Para além de Amor Louco, este volume contempla mais duas histórias. Demónios, uma belíssima homenagem a Jack Kirby que, por questões de tempo, foi realizada usando o velho método Marvel, com Timm e Murakami a desenharem a história a partir de uma sinopse bastante curta e vaga e Dini a escrever posteriormente os textos e diálogos nas páginas já desenhadas. A outra história é A Harley e a Hera, publicada no premiado Batman Adventures Annual # 1, em que o realizador filipino Ronnie Del Carmen, que era um dos responsáveis pelos storyboards da série de animação, mostra toda a elegância do seu traço, numa divertida história em que a Harley e a Hera Venenosa vão fazer compras de Natal com… Bruce Wayne.
Publicado originalmente no jornal Público de 07/04/2017

quinta-feira, 6 de abril de 2017

No Coração das Trevas 5 - Esquadrão Suicida: Disciplina e Castigo


O REGRESSO DO ESQUADRÃO SUICIDA

No Coração das Trevas DC Vol 5
Esquadrão Suicida: Disciplina e Castigo
Argumento – Ales Kot, Matt Kindt
Desenhos – Patrick Zircher, Rick Leonardi, Neil Goose, Sam Barsi e Keith Champagne
Quinta, 06 de Abril
Por + 9,90 €
Depois de ter sido apresentado aos leitores portugueses na segunda colecção que o Público e a Levoir dedicaram ao Universo DC, através de um punhado de histórias da autoria de John Ostrander e Luke McDonnell, a dupla que na década de 80 levou o conceito de um grupo de criminosos que aceitam missões impossíveis a troco da redução das suas penas, para as histórias de super-heróis, o Esquadrão Suicida regressa numa versão mais contemporânea e com uma formação bem mais próxima da que vimos no cinema.
Na verdade, da formação habitual da fase de Ostrander, apenas resta Deadshot, o Pistoleiro e, naturalmente Amanda Waller, a mulher implacável sempre disposta a sacrificar os seus homens pelo cumprimento da missão que lhe foi destinada. Assim, neste volume temos novos membros da equipa, como a Harley Quinn, Voltaico, Tubarão-Rei, Chita, o Soldado Desconhecido e James Gordon Júnior, o filho psicopata do Comissário Gordon, que vai ser o novo líder do Esquadrão, capaz de tornar esta equipa no mais eficiente grupo de assassinos e ladrões de sempre.
Se a Harley Quinn estará em grande destaque no volume da próxima semana, convém falar um pouco mais de dois dos novos membros. O Soldado Desconhecido, personagem ambíguo criado originalmente por Joe Kubert e Robert Kanigher, que aqui assume o papel de homem de mão de Amanda Waller e, principalmente James Gordon Jr. Personagem perturbador que, depois do notável trabalho de Scott Snyder em Black Mirror, encontra em Ales Kot outro argumentista capaz de explorar devidamente todo o potencial da personagem.
Para além de Disciplinar e Punir, a história de Ales Kot, Patrick Zircher e Rick Leonardi, publicada originalmente em 2013, nos nºs 20 a 23 da 4ª série da revista mensal do Esquadrão Suicida, este volume inclui também duas histórias soltas que exploram o passado e as motivações de Deadshot e Harley Quinn, os dois mais populares membros do Esquadrão.
Publicado originalmente no jornal Público de 31/03/2017

quinta-feira, 30 de março de 2017

No Coração das Trevas DC 4 - Catwoman: O Grande Golpe de Selina


No caso deste volume 4, tive de fazer alguns cortes ligeiros, para que o meu texto de apresentação não ultrapassasse (muito) o espaço que me tinha sido destinado. Como neste Blog não há problemas de espaço,  aqui vos deixo o texto sem cortes, que podem comparar com a versão que saiu no Público, bastando para isso clicar duas vezes na imagem em baixo.

DARWYN COOKE REIVENTA A CATWOMAN

No Coração das Trevas DC - Vol 4 
Catwoman: O Grande Golpe de Selina
Argumento e Desenhos –Darwyn Cooke
Quinta, 30 de Março
Por + 9,90 €
Depois do Joker e Sinestro, o vilão em destaque no quarto volume da colecção No Coração das Trevas DC é uma mulher a quem a aplicação do termo vilã se revela demasiado redutora, até pela relação ambígua que tem com a lei e com o próprio Batman.
Criada por Bill Finger e Bob Kane, no número 1 da revista Batman, em 1940, onde é identificada apenas como "A Gata", Selina Kyle, a Catwoman é uma das mais importantes personagens do universo do Cavaleiro das Trevas, e também das mais ricas, pois embora seja tradicionalmente retratada como uma vilã, a relação da Catwoman com a lei é fluida e tem diversas nuances, que tornam difícil perceber se estamos perante uma vilã, ou uma heroína.
Uma ambiguidade muito bem explorada por Darwyn Cooke neste O Grande Golpe de Selina, história publicada originalmente como novela gráfica em 2002, que funcionou como prequela à fase em que Cooke colaborou com Ed Brubaker na revista mensal da felina mais sensual do universo DC.
Recentemente falecido, Darwyn Cooke foi um grande desenhador, belíssimo designer e um extraordinário narrador, características bem visíveis nesta história policial na melhor tradição dos heist movies e dos romances de Richard Stark (pseudónimo com que o escritor Donald Westlake assinava as suas histórias policiais) da série Parker, que Cooke adaptaria à BD anos depois. Considerado pelo próprio autor como a sua história favorita, entre as que escreveu e desenhou, O Grande Golpe de Selina serve para preencher algumas lacunas na vida de Selina Kyle e explicar a motivação por trás do seu comportamento na série mensal que Brubaker e Coooke estavam a produzir.
Dejá Vu, a história do Batman que fecha este volume, para além de um verdadeiro tratado de narração em Banda Desenhada é a adaptação de The Night of the Stalker, uma história clássica do Batman que Cooke considerava a sua história preferida do cavaleiro das trevas e que  serviu também  para o autor prestar a sua homenagem aos filmes de gangsters, pois Jeff e Stark, os dois bandidos que acompanham Selina nesta aventura e que estão também presentes em Dejá Vu, são homenagens a actores icónicos da sétima arte. Jeff é inspirado em Chow Yun Fat, o actor-fetiche de John Woo, presente em todos os filmes de gangsters que Woo realizou em Hong Kong , enquanto Stark (cujo nome remete para o escritor Richard Stark) é uma homenagem ao actor Lee Marvin, que fez de Parker no filme Point Blank, de John Boorman, que adapta o primeiro romance de Stark protagonizado por Parker.
A presença de Slam Bradley, um detective criado por Jerry Siegel e Joe Schuster (os criadores de Super-Homem) nesta novela gráfica, ajuda também a fazer a ligação com a série mensal escrita por Brubaker, pois Bradley desempenha um papel importante na série que relançou a popularidade da Catwoman.
Versão integral do texto publicado no jornal Público de 24/03/2017