quinta-feira, 22 de junho de 2017

Mulher-Maravilha 5 - Deuses de Gotham

A BATALHA POR GOTHAM ENCERRA A COLECÇÃO 
DEDICADA À MULHER-MARAVILHA

Mulher-Maravilha – Vol 4
Deuses de Gotham
Argumento – Phil Jimenez e J. M. De Matteis
 Desenhos –  Phil Jimenez e Andy Lanning
Quinta, 22 de Junho, Por + 11,90 €
Depois de, no volume anterior, o leitor ter tido oportunidade de descobrir a Mulher-Maravilha de George Pérez, o destaque do volume final desta colecção vai para o seu mais inspirado discípulo, Phil Jimenez, que escreveu e desenhou a revista da Mulher-Maravilha durante três anos.
Deuses de Gotham, a história principal do volume que chega às bancas na próxima quinta-feira, marca o início da passagem marcante de Jimenez pela série mensal da Mulher-Maravilha, em que, tal como Pérez tinha feito em Deuses e Homens, explora a ligação entre os Deuses da mitologia clássica e os heróis do panteão da DC, com a cidade de Gotham, que o Batman jurou proteger, a ser alvo do ataque dos filhos de Ares o deus da guerra, Deimos, Éris e Fobos, deuses da discórdia, do medo e do terror, que combinam as suas essências com as do Joker, do Espantalho e da Hera Venenosa, ao mesmo tempo que manipulam outro vilão do universo do Batman, Maxie Zeus, que se julga descendente dos Deuses gregos.
E quando os deuses também conseguem possuir o Batman, a Princesa Amazona descobre que mesmo a ajuda de outros protectores de Gotham, como a Caçadora, o Asa Nocturna e o Robin, bem como de outras amazonas, como Artemisa, Tróia (a seu própria protegida, Donna Troy) e Cassie Sandsmark, a terceira Wonder Girl, podem não ser suficientes para acabar com o reinado maligno dos deuses do submundo.
Se este encontro entre a Princesa Amazona e o Cavaleiro das Trevas permitiu dar a descobrir a Mulher-Maravilha aos leitores de Batman, a verdade é que os editores da DC tiveram algum receio de entregar o seu personagem mais popular a um jovem autor como Jimenez, impondo a presença do veterano J. M. De Matteis no argumento. Mas deixemos que seja o próprio Jimenez a explicar como tudo se passou: “O que aconteceu foi que eu queria usar Batman e sua família, e na época havia pessoas responsáveis na DC que, apesar de algumas coisas que eu escrevi terem sido bastante bem-sucedidas, não sentiram que eu poderia lidar com os personagens de Batman por conta própria, então acabei por ter um co-argumentista. Além disso, o material em si era sobre fé e religião, e eles queriam alguém, como J. M. De Matteis, que pudesse lidar com esse material.
Na verdade, acho que a melhor coisa que ele fez, o meu momento favorito durante esse arco de histórias, foi o diálogo entre a Caçadora e Artemisa sobre a fé em Deus. Isso foi óptimo. Foi uma experiência de trabalho estranha, apenas porque os primeiros dois números foram definitivamente um período de ajustamento, e eu tinha prazos muito, muito apertados.”
Apesar destes constrangimentos, Jimenez cria uma história de acção com um fôlego épico, que tem a correspondência visual adequada no seu traço detalhado, muito bem servido pela arte-final de Andy Lanning.
A terminar o livro, temos o momento de calma após a tempestade, numa história intimista em que Lois Lane entrevista Diana, dando a conhecer a mulher por trás da heroína e guerreira.
Publicado originalmente no jornal Público de 17/06/2017

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Mulher Maravilha 4 - Homens e Deuses


A MULHER-MARAVILHA DE GEORGE PÉREZ 
CHEGA AO PÚBLICO

Mulher-Maravilha: Homens e Deuses
Argumento – LenWein e George Pérez
Desenhos – George Pérez
Quinta, 15 de Junho, Por + 11,90 €
De entre os inúmeros autores cujo talento ficou ligado às aventuras da Mulher-Maravilha, ao longo dos setenta e cinco anos de existência da Princesa Amazona, há um nome que brilha mais do que outros e que muitos leitores associam imediatamente à mais importante (e popular) heroína da DC: o de George Pérez 
Nascido em Nova Iorque em 1954, George Pérez estreou-se na BD em 1973, como assistente do desenhador Rick Buckler, mas um ano depois já trabalhava regularmente para a Marvel. Apesar de ter trabalhado em séries como os Avengers e Fantastic Four, da Marvel, os trabalhos mais importantes da sua carreira foram publicados na DC, onde para além de ter desenhado a saga cósmica Crise nas Terras Infinitas, (já publicada numa anterior colecção que o Público e a Levoir dedicaram à editora de Batman e do Super-Homem) que revolucionou profundamente o universo da DC teve passagens memoráveis por séries como Teen Titans e sobretudo pela Mulher-Maravilha, cujas aventuras desenhou durante cinco anos inesquecíveis e cuja origem reinventou nas histórias que este volume, que chegará às bancas na próxima quinta-feira, recolhe.
Reunindo os sete primeiros números da segunda série da revista da Mulher-Maravilha, publicados originalmente entre Fevereiro e Agosto de 1987, Deuses e Homens centra-se, tal como o título indica, na relação entre os Deuses da mitologia grega, que criaram a Mulher-Maravilha e a humanidade cujo futuro está perigo, face aos planos de Ares, o Deus da Guerra e inimigo jurado das amazonas, que só a Mulher-Maravilha conseguirá derrotar.
A própria Patty Jenkins, a directora do filme da Mulher-Maravilha, que está a ser um estrondoso sucesso, tanto crítico como comercial, é a primeira a reconhecer a grande influência da fase de Pérez no filme e a maneira como ele conseguiu dar um destaque maior à mitologia clássica, mantendo-se fiel à herança de Marston. Como refere Jenkins: ““Eu acho que (o mais importante da fase de Pérez) foi o facto de ele expandir o papel dos deuses. Ele esteve sempre lá - nada que ele fez, contradiz o que William Marston fez e criou, acho que só expandiu e demonstrou quem são os deuses. Qual é essa relação e como é que ela funciona. O que foi uma coisa maravilhosa para nós usarmos no filme.”
Essa importância da origem mitológica de Diana e das outras Amazonas, é evidente em Temiscira, a ilha Paraíso das Amazonas, que finalmente ganhou um nome (o mesmo da cidade das Amazonas da mitologia grega clássica),e passou de mero cenário a um espaço que se assume ele próprio como personagem das histórias.
O mesmo acontece com os Deuses do Olimpo, cujo comportamento está mais próximo do descrito pelas fontes literárias clássicas, como Homero ou Ovídio, ganhando personalidades complexas e bruscas (e perigosas) oscilações de humor. Basicamente, como refere José Pedro Castello Branco, no prefácio a este volume: “ Pérez solidificaria os nomes dos protectores das Amazonas nas suas versões originais, as gregas. Teríamos Afrodite e não Vénus. Atena e não Minerva. Zeus e não Júpiter. A mitologia grega regressaria à versão original, como se este mundo da BD fosse uma continuação das epopeias clássicas.”
Sendo fiel às epopeias clássicas, o mundo que Pérez cria para a série não deixa de ter um toque pessoal, pleno de espectacularidade, bem evidente nos cenários grandiosos. Veja-se a sua versão do Monte Olimpo, com as suas grandiosas arquitecturas escherianas, ou a sua versão do rio Estige e da Barca de Caronte. Extraordinário desenhador clássico, com um traço tão elegante como detalhado, George Pérez tem aqui um dos seus melhores trabalhos de sempre que, trinta anos após a sua publicação original, se lê com inegável prazer. No fundo, é essa capacidade de resistir com distinção à passagem do tempo, que define um verdadeiro clássico.
Publicado originalmente no jornal Público de 10/06/2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Inaugura quarta-feira exposição de antevisão da História de Loulé em BD

Vai ser inaugurada na próxima quarta-feira, dia 14 de Junho, no pátio da Alcaidaria do Castelo de Loulé (onde está instalado o Museu Municipal) uma exposição de antevisão do livro Os Segredos de Al-'Ulyà: Uma História de Loulé em BD, que tenho estado a fazer com o João Ramalho Santos no argumento e o André Caetano nos desenhos.  
O livro ainda não tem data de lançamento marcada (depende de quando o André o acabar de desenhar e da agenda da própria Câmara Municipal de Loulé) mas para começar a dar a conhecer o projecto, temos a exposição Aventuras em Al'Ulyà que inaugura já no dia 14 e será visitável até ao dia 18 de Novembro, com excepção dos dias 29 de Junho a 2 de Julho e 4 a 6 de Agosto, em que a exposição será retirada para dar lugar a um dos palcos do Festival Med e  do Festival de Jazz de Loulé.
O projecto inicial para a exposição era mais ambicioso, pois pretendíamos colocar os originais do livro em diálogo com os objectos do Museu Municipal que contam a história de Loulé, mas como algumas zonas do museu estão a ser intervencionadas, tivemos que optar por uma solução mais simples, à base de painéis com reproduções colocados ao ar livre, que desvendam um pouco do que vai ser o livro, ao mesmo tempo que dão a descobrir aos visitantes algumas curiosidades sobre a história da cidade algarvia.
Mais tarde, conto aqui deixar  algumas fotografias da exposição e da sua inauguração, mas até lá, em jeito de teaser, deixo-vos com uma página desenhada pelo André já passada a tinta, mas ainda sem a aplicação da cor.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Mulher-Maravilha 3: A Hiketeia


A MULHER-MARAVILHA ENFRENTA O BATMAN 
NA ESTREIA DE GREG RUCKA COMO ESCRITOR

Mulher-Maravilha: A Hiketeia
Argumento – Greg Rucka
Desenhos – J. G. Jones
Quinta, 08 de Junho, Por + 11,90 €
Ao longo dos seus mais de setenta e cinco anos de história (e de grandes histórias), vários foram os escritores que marcaram profundamente a evolução da Mulher-Maravilha, começando pelo seu criador, William Moulton Marston e passando por autores como George Pérez,  Phil Jimenez, Brian Azzarello e Greg Rucka. E é precisamente Greg Rucka o autor de A Hiketeia, a história que preenche o volume que chega às bancas na próxima quinta-feira.
Publicada originalmente em 2002 no mercado americano como uma novela gráfica em capa dura, A Hiketeia marcou o início da longa ligação de Greg Rucka à Mulher-Maravilha, personagem que escreveu durante três anos, entre 2003 e 2006, e de que é o actual escritor da revista mensal, após a mais recente remodelação do Universo DC, com a linha DC Rebirth.
Bem conhecido dos leitores portugueses, graças à sua colaboração com J. H. Williams III em Elegia, uma história protagonizada pela Batwoman, publicada numa anterior colecção que a Levoir e o Público dedicaram ao Universo DC, Rucka é um argumentista conhecido pela sua capacidade única de escrever personagens femininas fortes, o que é bem evidente neste Hiketeia. Mais do que uma simples aventura da Mulher-Maravilha, Rucka escreveu uma tragédia grega. Uma história contemporânea, centrada num antigo ritual de protecção grego, a Hiketeia, que estabelece, entre o suplicante e o protector, um laço sagrado, mais forte do que a lei dos homens, a que só a vontade do suplicante pode pôr fim.
Neste caso, Diana aceita proteger, da lei e do próprio Batman, Danielle Wellis, uma jovem procurada por homicídio, mesmo que isso a obrigue a enfrentar o Cavaleiro das Trevas e a fúria justiceira das Eríneas, as três Parcas da mitologia grega, que, como vimos no Sandman, de Neil Gaiman, castigam duramente aqueles que infringem a lei dos Deuses.
A presença do Batman (cujas aventuras Rucka escreveu durante mais de 10 anos na revista Detective Comics) nesta história, para além de permitir o confronto entre dois dos maiores heróis do Panteão da DC, vem mostrar o dilema, o conflito interior, que que atormenta a Mulher-Maravilha desde a sua criação: como conciliar a lei divina que jurou proteger, com as leis dos homens, de que Batman é o representante.
Ao lado de Greg Rucka nesta sua primeira incursão pelo universo da Mulher-Maravilha, está o desenhador J. G. Jones, que os leitores portugueses conhecem do volume da Viúva Negra (em que, curiosamente, Rucka escrevia a outra história que compunha o volume), publicado numa colecção dedicada à Marvel, e da mini-série Wanted, de Mark Millar. Jones, que é senhor de um traço realista, dinâmico e elegante e de um excelente sentido de planificação, bem evidente nas espectaculares duplas páginas, ou na forma, tão eficaz como inesperada, como incorpora elementos da arte grega nas páginas iniciais, contribuiu decisivamente para que, também no que ao desenho diz respeito, A Hiketeia seja considerada por muitos leitores como uma das melhores histórias de sempre da Mulher-Maravilha.
Publicado originalmente no jornal Público de 02/06/2017

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Mulher-Maravilha 2 - Um por Todos

A AMAZONA E O DRAGÃO

Mulher-Maravilha: Um por Todos
Argumento e Desenhos – Christopher Moeller
Quinta, 01 de Junho, Por + 11,90 €
Depois de, na semana passada, Grant Morrison nos ter proporcionado uma visão actualizada da origem da Mulher-Maravilha, Um por Todos, a história de Christopher Moeller que chega aos quiosques na próxima quinta-feira, no preciso dia em que o filme da Mulher-Maravilha chega às salas de cinema, é algo bastante diferente: uma fábula épica, com ninfas, gnomos, dragões e super-heróis, magnificamente pintada por Moeller, na linha de mestres da fantasia como Frank Frazetta, Boris Vallejo, ou Richard Corben.
Nascido em 1963, perto de Nova Iorque, o escritor e pintor americano Christopher Moeller, após ter contemplado a sua formação académica em pintura e ilustração começou a sua carreira profissional na Innovation Comics, com a mini-série Rocketman: King of the Rocketmen. Dividido em BD e a ilustração, Moelller desenhou e pintou mais de cem cartas do jogo Magic: The Gathering, fez ilustrações para o jogo World of Warcraft, e pintou capas da série Star Wars para a Dark Horse e da revista Shadow of the Bat, protagonizada pelo Batman, para a DC, para além de ter escrito e desenhado a série Iron Empires, publicada inicialmente pela Dark Horse, que já deu origem a três novelas gráficas e a um jogo de roleplay ilustrado pelo próprio Moeller, Burning Empires, de grande sucesso.
Um por Todos, a novela gráfica que poderão descobrir já na próxima quinta-feira, nasceu, como muitos outros projectos na indústria dos comics, na sequência de um jantar na Comic Con de San Diego. No caso concreto, Moeller estava a jantar com o editor da DC, Dan Raspler que o convidou para fazer uma novela gráfica com a sua personagem favorita da DC. A escolha imediata de Moeller foi a Mulher-Maravilha mas, como Raspler era o editor da Liga da Justiça e queria acompanhar o projecto de perto, pediu a Moeller para transformar a história numa aventura da Liga, de modo a poder ser o editor do livro.
O resultado é uma história da Liga da Justiça em que a Mulher-Maravilha, que nas primeiras aventuras da Sociedade da Justiça (a antecessora da Liga, nos anos 40) era quase só uma figurante de luxo, assume agora o protagonismo, conspirando para afastar os restantes membros da Liga, como o Batman, Flash, Lanterna Verde, Caçador Marciano, Aquaman e Super-Homem, de uma missão que o Oráculo de Delfos tinha previsto que lhes seria fatal: combater um poderoso dragão acabado de despertar de um sono de séculos e que se preparava para destruir o Mundo.
Indo beber às lendas nórdicas que inspiraram Richard Wagner para a sua trilogia de óperas sobre Siegfred e o Anel dos Nibelungos, que Tolkien vai reinterpretar e adaptar no seu Senhor dos Anéis, Moeller junta a esse imaginário, elementos da mitologia clássica em que se ancora a origem da Princesa Diana de Temiscira, como as ninfas, ou o Oráculo de Delfos, transpondo todos esses elementos para o universo dos super-heróis que conhecemos. A mistura de todos estes diferentes ingredientes podia dar origem a um prato indigesto, mas Christopher Moeller mostra-se um cozinheiro de mão firme e cria uma iguaria rara: uma história de super-heróis do século XXI que respeita os heróis que a protagonizam, e que é simultaneamente uma fábula intemporal.
Publicado originalmente no jornal Público de 26/05/2017