quinta-feira, 22 de junho de 2017

Mulher-Maravilha 5 - Deuses de Gotham

A BATALHA POR GOTHAM ENCERRA A COLECÇÃO 
DEDICADA À MULHER-MARAVILHA

Mulher-Maravilha – Vol 4
Deuses de Gotham
Argumento – Phil Jimenez e J. M. De Matteis
 Desenhos –  Phil Jimenez e Andy Lanning
Quinta, 22 de Junho, Por + 11,90 €
Depois de, no volume anterior, o leitor ter tido oportunidade de descobrir a Mulher-Maravilha de George Pérez, o destaque do volume final desta colecção vai para o seu mais inspirado discípulo, Phil Jimenez, que escreveu e desenhou a revista da Mulher-Maravilha durante três anos.
Deuses de Gotham, a história principal do volume que chega às bancas na próxima quinta-feira, marca o início da passagem marcante de Jimenez pela série mensal da Mulher-Maravilha, em que, tal como Pérez tinha feito em Deuses e Homens, explora a ligação entre os Deuses da mitologia clássica e os heróis do panteão da DC, com a cidade de Gotham, que o Batman jurou proteger, a ser alvo do ataque dos filhos de Ares o deus da guerra, Deimos, Éris e Fobos, deuses da discórdia, do medo e do terror, que combinam as suas essências com as do Joker, do Espantalho e da Hera Venenosa, ao mesmo tempo que manipulam outro vilão do universo do Batman, Maxie Zeus, que se julga descendente dos Deuses gregos.
E quando os deuses também conseguem possuir o Batman, a Princesa Amazona descobre que mesmo a ajuda de outros protectores de Gotham, como a Caçadora, o Asa Nocturna e o Robin, bem como de outras amazonas, como Artemisa, Tróia (a seu própria protegida, Donna Troy) e Cassie Sandsmark, a terceira Wonder Girl, podem não ser suficientes para acabar com o reinado maligno dos deuses do submundo.
Se este encontro entre a Princesa Amazona e o Cavaleiro das Trevas permitiu dar a descobrir a Mulher-Maravilha aos leitores de Batman, a verdade é que os editores da DC tiveram algum receio de entregar o seu personagem mais popular a um jovem autor como Jimenez, impondo a presença do veterano J. M. De Matteis no argumento. Mas deixemos que seja o próprio Jimenez a explicar como tudo se passou: “O que aconteceu foi que eu queria usar Batman e sua família, e na época havia pessoas responsáveis na DC que, apesar de algumas coisas que eu escrevi terem sido bastante bem-sucedidas, não sentiram que eu poderia lidar com os personagens de Batman por conta própria, então acabei por ter um co-argumentista. Além disso, o material em si era sobre fé e religião, e eles queriam alguém, como J. M. De Matteis, que pudesse lidar com esse material.
Na verdade, acho que a melhor coisa que ele fez, o meu momento favorito durante esse arco de histórias, foi o diálogo entre a Caçadora e Artemisa sobre a fé em Deus. Isso foi óptimo. Foi uma experiência de trabalho estranha, apenas porque os primeiros dois números foram definitivamente um período de ajustamento, e eu tinha prazos muito, muito apertados.”
Apesar destes constrangimentos, Jimenez cria uma história de acção com um fôlego épico, que tem a correspondência visual adequada no seu traço detalhado, muito bem servido pela arte-final de Andy Lanning.
A terminar o livro, temos o momento de calma após a tempestade, numa história intimista em que Lois Lane entrevista Diana, dando a conhecer a mulher por trás da heroína e guerreira.
Publicado originalmente no jornal Público de 17/06/2017

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Mulher Maravilha 4 - Homens e Deuses


A MULHER-MARAVILHA DE GEORGE PÉREZ 
CHEGA AO PÚBLICO

Mulher-Maravilha: Homens e Deuses
Argumento – LenWein e George Pérez
Desenhos – George Pérez
Quinta, 15 de Junho, Por + 11,90 €
De entre os inúmeros autores cujo talento ficou ligado às aventuras da Mulher-Maravilha, ao longo dos setenta e cinco anos de existência da Princesa Amazona, há um nome que brilha mais do que outros e que muitos leitores associam imediatamente à mais importante (e popular) heroína da DC: o de George Pérez 
Nascido em Nova Iorque em 1954, George Pérez estreou-se na BD em 1973, como assistente do desenhador Rick Buckler, mas um ano depois já trabalhava regularmente para a Marvel. Apesar de ter trabalhado em séries como os Avengers e Fantastic Four, da Marvel, os trabalhos mais importantes da sua carreira foram publicados na DC, onde para além de ter desenhado a saga cósmica Crise nas Terras Infinitas, (já publicada numa anterior colecção que o Público e a Levoir dedicaram à editora de Batman e do Super-Homem) que revolucionou profundamente o universo da DC teve passagens memoráveis por séries como Teen Titans e sobretudo pela Mulher-Maravilha, cujas aventuras desenhou durante cinco anos inesquecíveis e cuja origem reinventou nas histórias que este volume, que chegará às bancas na próxima quinta-feira, recolhe.
Reunindo os sete primeiros números da segunda série da revista da Mulher-Maravilha, publicados originalmente entre Fevereiro e Agosto de 1987, Deuses e Homens centra-se, tal como o título indica, na relação entre os Deuses da mitologia grega, que criaram a Mulher-Maravilha e a humanidade cujo futuro está perigo, face aos planos de Ares, o Deus da Guerra e inimigo jurado das amazonas, que só a Mulher-Maravilha conseguirá derrotar.
A própria Patty Jenkins, a directora do filme da Mulher-Maravilha, que está a ser um estrondoso sucesso, tanto crítico como comercial, é a primeira a reconhecer a grande influência da fase de Pérez no filme e a maneira como ele conseguiu dar um destaque maior à mitologia clássica, mantendo-se fiel à herança de Marston. Como refere Jenkins: ““Eu acho que (o mais importante da fase de Pérez) foi o facto de ele expandir o papel dos deuses. Ele esteve sempre lá - nada que ele fez, contradiz o que William Marston fez e criou, acho que só expandiu e demonstrou quem são os deuses. Qual é essa relação e como é que ela funciona. O que foi uma coisa maravilhosa para nós usarmos no filme.”
Essa importância da origem mitológica de Diana e das outras Amazonas, é evidente em Temiscira, a ilha Paraíso das Amazonas, que finalmente ganhou um nome (o mesmo da cidade das Amazonas da mitologia grega clássica),e passou de mero cenário a um espaço que se assume ele próprio como personagem das histórias.
O mesmo acontece com os Deuses do Olimpo, cujo comportamento está mais próximo do descrito pelas fontes literárias clássicas, como Homero ou Ovídio, ganhando personalidades complexas e bruscas (e perigosas) oscilações de humor. Basicamente, como refere José Pedro Castello Branco, no prefácio a este volume: “ Pérez solidificaria os nomes dos protectores das Amazonas nas suas versões originais, as gregas. Teríamos Afrodite e não Vénus. Atena e não Minerva. Zeus e não Júpiter. A mitologia grega regressaria à versão original, como se este mundo da BD fosse uma continuação das epopeias clássicas.”
Sendo fiel às epopeias clássicas, o mundo que Pérez cria para a série não deixa de ter um toque pessoal, pleno de espectacularidade, bem evidente nos cenários grandiosos. Veja-se a sua versão do Monte Olimpo, com as suas grandiosas arquitecturas escherianas, ou a sua versão do rio Estige e da Barca de Caronte. Extraordinário desenhador clássico, com um traço tão elegante como detalhado, George Pérez tem aqui um dos seus melhores trabalhos de sempre que, trinta anos após a sua publicação original, se lê com inegável prazer. No fundo, é essa capacidade de resistir com distinção à passagem do tempo, que define um verdadeiro clássico.
Publicado originalmente no jornal Público de 10/06/2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Inaugura quarta-feira exposição de antevisão da História de Loulé em BD

Vai ser inaugurada na próxima quarta-feira, dia 14 de Junho, no pátio da Alcaidaria do Castelo de Loulé (onde está instalado o Museu Municipal) uma exposição de antevisão do livro Os Segredos de Al-'Ulyà: Uma História de Loulé em BD, que tenho estado a fazer com o João Ramalho Santos no argumento e o André Caetano nos desenhos.  
O livro ainda não tem data de lançamento marcada (depende de quando o André o acabar de desenhar e da agenda da própria Câmara Municipal de Loulé) mas para começar a dar a conhecer o projecto, temos a exposição Aventuras em Al'Ulyà que inaugura já no dia 14 e será visitável até ao dia 18 de Novembro, com excepção dos dias 29 de Junho a 2 de Julho e 4 a 6 de Agosto, em que a exposição será retirada para dar lugar a um dos palcos do Festival Med e  do Festival de Jazz de Loulé.
O projecto inicial para a exposição era mais ambicioso, pois pretendíamos colocar os originais do livro em diálogo com os objectos do Museu Municipal que contam a história de Loulé, mas como algumas zonas do museu estão a ser intervencionadas, tivemos que optar por uma solução mais simples, à base de painéis com reproduções colocados ao ar livre, que desvendam um pouco do que vai ser o livro, ao mesmo tempo que dão a descobrir aos visitantes algumas curiosidades sobre a história da cidade algarvia.
Mais tarde, conto aqui deixar  algumas fotografias da exposição e da sua inauguração, mas até lá, em jeito de teaser, deixo-vos com uma página desenhada pelo André já passada a tinta, mas ainda sem a aplicação da cor.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Mulher-Maravilha 3: A Hiketeia


A MULHER-MARAVILHA ENFRENTA O BATMAN 
NA ESTREIA DE GREG RUCKA COMO ESCRITOR

Mulher-Maravilha: A Hiketeia
Argumento – Greg Rucka
Desenhos – J. G. Jones
Quinta, 08 de Junho, Por + 11,90 €
Ao longo dos seus mais de setenta e cinco anos de história (e de grandes histórias), vários foram os escritores que marcaram profundamente a evolução da Mulher-Maravilha, começando pelo seu criador, William Moulton Marston e passando por autores como George Pérez,  Phil Jimenez, Brian Azzarello e Greg Rucka. E é precisamente Greg Rucka o autor de A Hiketeia, a história que preenche o volume que chega às bancas na próxima quinta-feira.
Publicada originalmente em 2002 no mercado americano como uma novela gráfica em capa dura, A Hiketeia marcou o início da longa ligação de Greg Rucka à Mulher-Maravilha, personagem que escreveu durante três anos, entre 2003 e 2006, e de que é o actual escritor da revista mensal, após a mais recente remodelação do Universo DC, com a linha DC Rebirth.
Bem conhecido dos leitores portugueses, graças à sua colaboração com J. H. Williams III em Elegia, uma história protagonizada pela Batwoman, publicada numa anterior colecção que a Levoir e o Público dedicaram ao Universo DC, Rucka é um argumentista conhecido pela sua capacidade única de escrever personagens femininas fortes, o que é bem evidente neste Hiketeia. Mais do que uma simples aventura da Mulher-Maravilha, Rucka escreveu uma tragédia grega. Uma história contemporânea, centrada num antigo ritual de protecção grego, a Hiketeia, que estabelece, entre o suplicante e o protector, um laço sagrado, mais forte do que a lei dos homens, a que só a vontade do suplicante pode pôr fim.
Neste caso, Diana aceita proteger, da lei e do próprio Batman, Danielle Wellis, uma jovem procurada por homicídio, mesmo que isso a obrigue a enfrentar o Cavaleiro das Trevas e a fúria justiceira das Eríneas, as três Parcas da mitologia grega, que, como vimos no Sandman, de Neil Gaiman, castigam duramente aqueles que infringem a lei dos Deuses.
A presença do Batman (cujas aventuras Rucka escreveu durante mais de 10 anos na revista Detective Comics) nesta história, para além de permitir o confronto entre dois dos maiores heróis do Panteão da DC, vem mostrar o dilema, o conflito interior, que que atormenta a Mulher-Maravilha desde a sua criação: como conciliar a lei divina que jurou proteger, com as leis dos homens, de que Batman é o representante.
Ao lado de Greg Rucka nesta sua primeira incursão pelo universo da Mulher-Maravilha, está o desenhador J. G. Jones, que os leitores portugueses conhecem do volume da Viúva Negra (em que, curiosamente, Rucka escrevia a outra história que compunha o volume), publicado numa colecção dedicada à Marvel, e da mini-série Wanted, de Mark Millar. Jones, que é senhor de um traço realista, dinâmico e elegante e de um excelente sentido de planificação, bem evidente nas espectaculares duplas páginas, ou na forma, tão eficaz como inesperada, como incorpora elementos da arte grega nas páginas iniciais, contribuiu decisivamente para que, também no que ao desenho diz respeito, A Hiketeia seja considerada por muitos leitores como uma das melhores histórias de sempre da Mulher-Maravilha.
Publicado originalmente no jornal Público de 02/06/2017

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Mulher-Maravilha 2 - Um por Todos

A AMAZONA E O DRAGÃO

Mulher-Maravilha: Um por Todos
Argumento e Desenhos – Christopher Moeller
Quinta, 01 de Junho, Por + 11,90 €
Depois de, na semana passada, Grant Morrison nos ter proporcionado uma visão actualizada da origem da Mulher-Maravilha, Um por Todos, a história de Christopher Moeller que chega aos quiosques na próxima quinta-feira, no preciso dia em que o filme da Mulher-Maravilha chega às salas de cinema, é algo bastante diferente: uma fábula épica, com ninfas, gnomos, dragões e super-heróis, magnificamente pintada por Moeller, na linha de mestres da fantasia como Frank Frazetta, Boris Vallejo, ou Richard Corben.
Nascido em 1963, perto de Nova Iorque, o escritor e pintor americano Christopher Moeller, após ter contemplado a sua formação académica em pintura e ilustração começou a sua carreira profissional na Innovation Comics, com a mini-série Rocketman: King of the Rocketmen. Dividido em BD e a ilustração, Moelller desenhou e pintou mais de cem cartas do jogo Magic: The Gathering, fez ilustrações para o jogo World of Warcraft, e pintou capas da série Star Wars para a Dark Horse e da revista Shadow of the Bat, protagonizada pelo Batman, para a DC, para além de ter escrito e desenhado a série Iron Empires, publicada inicialmente pela Dark Horse, que já deu origem a três novelas gráficas e a um jogo de roleplay ilustrado pelo próprio Moeller, Burning Empires, de grande sucesso.
Um por Todos, a novela gráfica que poderão descobrir já na próxima quinta-feira, nasceu, como muitos outros projectos na indústria dos comics, na sequência de um jantar na Comic Con de San Diego. No caso concreto, Moeller estava a jantar com o editor da DC, Dan Raspler que o convidou para fazer uma novela gráfica com a sua personagem favorita da DC. A escolha imediata de Moeller foi a Mulher-Maravilha mas, como Raspler era o editor da Liga da Justiça e queria acompanhar o projecto de perto, pediu a Moeller para transformar a história numa aventura da Liga, de modo a poder ser o editor do livro.
O resultado é uma história da Liga da Justiça em que a Mulher-Maravilha, que nas primeiras aventuras da Sociedade da Justiça (a antecessora da Liga, nos anos 40) era quase só uma figurante de luxo, assume agora o protagonismo, conspirando para afastar os restantes membros da Liga, como o Batman, Flash, Lanterna Verde, Caçador Marciano, Aquaman e Super-Homem, de uma missão que o Oráculo de Delfos tinha previsto que lhes seria fatal: combater um poderoso dragão acabado de despertar de um sono de séculos e que se preparava para destruir o Mundo.
Indo beber às lendas nórdicas que inspiraram Richard Wagner para a sua trilogia de óperas sobre Siegfred e o Anel dos Nibelungos, que Tolkien vai reinterpretar e adaptar no seu Senhor dos Anéis, Moeller junta a esse imaginário, elementos da mitologia clássica em que se ancora a origem da Princesa Diana de Temiscira, como as ninfas, ou o Oráculo de Delfos, transpondo todos esses elementos para o universo dos super-heróis que conhecemos. A mistura de todos estes diferentes ingredientes podia dar origem a um prato indigesto, mas Christopher Moeller mostra-se um cozinheiro de mão firme e cria uma iguaria rara: uma história de super-heróis do século XXI que respeita os heróis que a protagonizam, e que é simultaneamente uma fábula intemporal.
Publicado originalmente no jornal Público de 26/05/2017

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Mulher-Maravilha 1 - Terra Um

GRANT MORRISON REINVENTA A ORIGEM DA HEROÍNA 
NO ARRANQUE DA COLECÇÃO MULHER-MARAVILHA

Mulher-Maravilha: Terra Um
Argumento – Grant Morrison
Desenhos – Yannick Paquette
Quinta, 25 de Maio, Por + 11,90 €
Uma semana antes de chegar às salas de cinema num filme protagonizado por Gal Gadot, a primeira e a mais popular das super-heroínas, a Mulher-Maravilha é a protagonista de uma colecção de cinco volumes inéditos em capa dura que, depois da colecção No Coração das Trevas DC e tendo em conta as surpresas que este ano ainda nos reserva, confirma 2017 como o ano da editora DC em Portugal, tanto nos quiosques e livrarias, como nas salas de cinema, onde, depois da Mulher-Maravilha em Junho, chegará o tão aguardado filme da Liga da Justiça em Novembro.
Assim, nas próximas cinco semanas, os leitores vão poder descobrir os contributos de criadores como Greg Rucka, George Pérez e Phil Jimenez para a evolução da personagem, ver a Mulher-Maravilha a enfrentar um dragão numa história maravilhosamente ilustrada por Christopher Moeller e, a abrir a colecção, ver como Grant Morrison soube adaptar a origem da Princesa Amazona para o século XXI, mantendo-se fiel ao espírito do seu criador original, em Terra Um, o volume que chega aos quiosques de todo o país na próxima quinta-feira.
Integrada numa nova linha da editora DC, que dá a oportunidade a autores de renome de criarem a sua versão dos mais famosos personagens da DC, como o Batman, ou o Super-Homem, a série Terra Um, de que esta novela gráfica de Morrison e Paquette faz parte, pretende apresentar uma visão diferente dos grandes heróis da DC, em histórias autónomas, libertas dos constrangimentos editoriais das revistas mensais, dando para isso total liberdade aos criadores.
E, o mínimo que se pode dizer, é que Morrison, que investigou a fundo a obra de Marston e a história das teorias feministas, sem abdicar de algumas actualizações, como a cor da pele de Steve Trevor, que passa a ser afro-americano, consegue regressar, com Terra Um, às raízes da Mulher-Maravilha, criadas por Marston. O que não é fácil pois, tal como escreveu Kris Kristofferson a propósito de Johnny Cash na canção The Pilgrim, a Mulher-Maravilha é, como o seu próprio criador, uma “walkin’ contradiction” (uma contradição ambulante): uma guerreira pacifista, com a divina incumbência de trazer paz ao mundo dos homens, uma mulher forte e poderosa, que quer triunfar não através da força, mas da “amorosa submissão”.
Outro aspecto “delicado” a que Morrison não foge é a questão da sexualidade de Diana e das amazonas, que reflecte as próprias concepções de Marston, um psiquiatra, adepto do bondage e da submissão, que vivia numa relação poliamorosa com duas mulheres, que lhe serviram de inspiração para a criação da Mulher-Maravilha.
Mas, além da inteligência do argumento de Grant Morrison, o outro grande trunfo deste livro é o maravilhoso trabalho gráfico de Yanick Paquette, um artista que iniciou a sua carreira a desenhar histórias eróticas, o que é bem visível na sensualidade que empresta a Diana e às outras Amazonas.
O desenhador canadiano, que já tinha ilustrado nove números da revista mensal da Mulher-Maravilha, entre 1998 e 1999, volta aqui a colaborar com Morrison, com quem já tinha trabalhado em Batman Incorporated, mas desta vez sem estar sujeito ao ritmo infernal das revistas mensais, o que lhe permite experimentar em termos de composição da página, com resultados espectaculares. Veja-se a cena inicial do confronto entre Hércules e a Rainha das Amazonas, em que os motivos decorativos gregos e os frisos de cerâmica pintada dialogam com a acção a que assistimos; as fantásticas duplas páginas que mostram o esplendor da ilha das Amazonas (que aqui não se chama Temiscira, mas Amazónia); o design inovador do avião invisível (que ganha uma forma claramente vaginal…), ou o formato sempre diferente e elegantemente adequado a cada cena, que dá às vinhetas.
Publicado originalmente no jornal Público de 19/05/2017

domingo, 21 de maio de 2017

Apresentação da colecção Mulher-Maravilha

É já na próxima quinta-feira, 25 de Maio, que começa a colecção que o  Público e a Levoir dedicam à Mulher-Maravilha, precisamente uma semana antes do filme que ela protagoniza chegar às salas de cinema nacionais. Como de costume, aqui vos deixarei, no dia da saída de cada livro, o texto que escrevi sobre ele para o jornal Público. Mas antes disso, aqui fica o destacável de 4 páginas de apresentação da colecção, que foi distribuído ontem com o  jornal de sábado e será redistribuído na próxima terça-feira.

A PRIMEIRA SUPER-HEROÍNA

Outubro de 1940. O editor Max Gaines lê uma entrevista na revista Familiy Circle em que o psicólogo William Moulton Marston defende que a Banda Desenhada tem um grande potencial ainda por desenvolver e decide contratá-lo como conselheiro educacional da National Periodical, uma das companhias que irá dar origem à DC Comics. Face ao sucesso de personagens como Super-Homem e Batman, criados poucos anos antes, Marston, que além da sua actividade como psicólogo, tinha trabalhado também em Hollywood, como consultor da Universal Studios, lembrou-se também ele de criar um super-herói. Ao comentar essa ideia com a sua mulher, Elizabeth Holoway Marston, esta sugeriu-lhe que criasse antes uma mulher. Uma ideia inesperada, mas que foi bem aceite pelos editores, até por romper com o carácter exclusivamente masculino dos super-heróis existentes à época.
Assim, em Dezembro de 1941 - ao mesmo tempo que o Presidente Roosevelt declara oficialmente a entrada dos EUA na II Guerra Mundial, na sequência do bombardeamento japonês a Pearl Harbor - os leitores descobrem pela primeira vez no nº 8 da revista All-Star Comics, Diana, a Princesa Amazona, herdeira da tradição dos mitos da Grécia antiga, que troca a sua ilha pelo mundo dos homens, para participar activamente na guerra contra os alemães ao lado de Steve Trevor, um piloto cuja vida salvou e por quem se apaixona. A essa primeira história, escrita por Marston sob o pseudónimo Charles Moulton, e desenhada por H.G. Peter, seguir-se-ia a capa do primeiro número da revista Sensation Comics, no mês seguinte, até que, no Verão de 1942, a Mulher-Maravilha ganha finalmente uma revista própria, o que significava que, nesta fase, as suas histórias apareciam em três revistas diferentes, todas escritas por Marston.
O sucesso dessa personagem feminina que, nas palavras do próprio Marston, tinha “a força do Super-Homem e a elegância de uma bela mulher” e representava o novo tipo de mulher que ele achava que devia governar a sociedade, vai de encontro à alteração do estatuto da própria mulher nos EUA, onde as mulheres passaram a desempenhar trabalhos antes destinados exclusivamente aos homens, por estes se encontrarem na frente de batalha. São estas mulheres que, apesar de realizarem trabalhos pesados e masculinos, não perdem a sua feminilidade, bem simbolizadas por Rosie, the Riveter, a operária imortalizada pela famosa ilustração de Norman Rockwell, que se vão facilmente identificar com a Mulher-Maravilha.
No período do pós-guerra, os super-heróis perdem muita da sua popularidade e a Mulher-Maravilha não é excepção. Mas ao contrário do que aconteceu a outros heróis da época de Ouro, a sua revista manteve-se em publicação, mesmo que em finais dos anos 60, uma decisão editorial faça com que Diana perca os seus super-poderes e as suas aventuras se aproximem mais das histórias de espionagem e de artes marciais. Uma situação que seria revertida na década de 70, graças a dois factores: os artigos da activista feminista Gloria Steinem, que crescera a ler a Mulher-Maravilha e que se insurgiu numa série de artigos e ensaios contra aquilo que via como um rebaixar do estatuto da mais famosa super-heróina de todas e, principalmente, a série televisiva da Mulher-Maravilha, protagonizada por Lynda Carter, que conferiu à Mulher-Maravilha o estatuto de ícone da cultura Pop.
Com algumas alterações na sua origem, na sequência da Crise nas Terras Infinitas, e mudanças ocasionais no seu uniforme, que durante algum tempo passou a incluir umas calças, a Mulher-Maravilha mantém-se como a mais importante super-heroína dos comics americanos, graças ao trabalho de grandes criadores como George Pérez, John Byrne, Devin Grayson, Phil Gimenez, Brian Azzarello, ou Greg Rucka que, dando o seu toque pessoal às aventuras da Princesa Amazona, souberam respeitar a essência da personagem, contribuindo assim para o manter da sua popularidade.
Uma popularidade que não podia estar mais em alta, numa altura em que a Princesa Amazona, que completou 75 anos de carreira em Dezembro de 2016, se prepara para estrelar o primeiro filme de super-heróis com uma protagonista feminina, dirigido também ele por uma mulher, Patty Jenkins. A pesada responsabilidade de encarnar a icónica heroína no filme que chega às salas de cinema portuguesa no mesmo dia em que o segundo volume desta colecção chega às bancas, coube à actriz israelita Gal Gadot, que no filme Batman V Superman mostrou estar perfeitamente à altura do difícil desafio de dar corpo à Mulher-Maravilha, a primeira e a maior de todas as super-heroínas.


O CRIADOR DA MULHER-MARAVILHA


Nascido em 1893 em Massachusetts, William Moulton Marston foi psicólogo, professor universitário, inventor de um dos mais importantes componentes do polígrafo, escritor de livros de divulgação sobre psicologia, conselheiro educacional de editoras, director de relações públicas da Universal, um dos mais importantes estúdios de Hollywood, actor em filmes publicitários, mas o que lhe valeu verdadeiramente um lugar na história, foi a criação, com a colaboração de H.G. Peter na parte gráfica, da Mulher-Maravilha.
Casado com Elizabeth Holoway, Marston vivia assumidamente numa relação poliamorosa com a sua mulher e com Olive Byrne. As duas mulheres da sua vida foram de particular importância para o desenvolvimento da sua mais famosa criação. Através da primeira, Marston teve contacto com importantes figuras sufragistas do início do século. Por seu lado, Olive Byrne era filha de Ethel Byrne, uma das mais progressistas feministas americanas. Olive foi assistente de Marston em projectos universitários, e foi uma forte influência na figura da Princesa Diana. Era conhecida pelos braceletes que usava que, segundo o próprio Marston, foram a inspiração dos usados pelas amazonas. Existem também teorias que a própria terá servido de modelo para a Mulher-Maravilha de H.G. Peter.
Marston era adepto de práticas sexuais alternativas, como o bondage e explorou a fundo o conceito de submissão, que implementava regularmente nas histórias da personagem que criou. Consta que a situação chegou a um ponto tal, que o editor teve de pedir a Marston que reduzisse o número de situações nas quais a heroína se via acorrentada… Também o famoso laço da verdade, com que a Mulher-Maravilha dominava os seus adversários e os obrigava a contar a verdade, remete para essas práticas sexuais, sem deixar de evocar o polígrafo, aparelho a cuja criação Marston esteve intimamente ligado.
Até à sua morte em 1947, devido a um cancro, William Moulton Marston continuou a escrever as aventuras da Mulher-Maravilha. Após o seu falecimento, Elisabeth e Olive, as duas mulheres que amou e que lhe serviram de inspiração continuaram a viver juntas até à morte de Olive, no final dos anos 80.

SABIA QUE?

- A participação bastante passiva da Mulher-Maravilha nas primeiras aventuras da Sociedade da Justiça, de que era membro honorário, tal como o Super-Homem e o Batman, deveu-se à falta de tempo do seu criador, William Moulton Marston - que fazia questão de escrever todas as histórias da personagem e já estava ocupado com três revistas mensais - para colaborar na escrita dessas aventuras.

- Nos finais dos anos 60 a Mulher-Maravilha, seguindo o sucesso de séries de televisão como Kung-Fu (O Sinal do Dragão em Portugal) e The Avengers, sofre uma transformação radical, deixando de ser uma super-heroína, ao abdicar os seus poderes para poder ficar no Mundo dos Homens, em vez de seguir o seu povo para a dimensão onde a Ilha Paraíso foi exilada. Nesta fase mais urbana, que vai durar cinco anos, Diana tem uma loja de roupas, é treinada em artes-marciais por um mestre chinês de nome I-Ching, e Steve Trevor morre.

- O conhecido logotipo da Mulher-Maravilha, com o duplo WW, foi criado em 1982 pelo famoso designer Milton Glaser, criador do icónico I ❤ NY. Não foi essa a única colaboração de Glaser com a DC, pois o designer foi também responsável pelo mais duradouro logotipo da DC Comics, conhecido como “DC Bullet”, que foi usado entre 1977 e 2005.

- Apesar de ser um símbolo feminino incontornável, só em 2008 as aventuras da Mulher-Maravilha foram finalmente escritas por uma mulher, Gail Simone. Antes disso, só outra mulher, Trina Robbins tinha escrito uma história da Princesa Amazona, a mini-série The Legend of Wonder Woman, mas, neste caso, a meias com o escritor Kurt Busiek.

- No universo criado por Frank Miller na série O Regresso do Cavaleiro das Trevas e nas suas duas sequelas, o Super-Homem e Mulher-Maravilha têm uma ligação amorosa de que resultaram dois filhos superpoderosos: Lara e Jonathan.

- Durante dois meses, a Mulher-Maravilha foi embaixatriz das Nações Unidas para a autodeterminação das mulheres. Este cargo, atribuído em 21 de Outubro de 2016, ano em que a personagem completava 75 anos de existência, acabaria por ser extinto menos de dois meses depois, em 16 de Dezembro, devido às pressões dos lobbies feministas.

- O português Miguel Mendonça, que desenhou a Mulher-Maravilha durante a fase final da linha Novos 52, escrita por Meredith Finch, voltou a desenhá-la já em 2017 no nº 7 da revista Trinity da linha DC Rebirth, a mais recente reformulação do Universo DC.

- Embora só agora, em 2017, chegue ao grande ecrã, pelas mãos de Patty Jenkins, a Mulher-Maravilha esteve muito perto de ser adaptada ao cinema 10 anos antes, num filme escrito e dirigido por Joss Whedon, o criador da série televisiva Buffy the Vampire Slayer que, frustrado este projecto, acabou por realizar o primeiro filme dos Vingadores, da Marvel, com o sucesso que se conhece.


OS AUTORES EM DESTAQUE

GRANT MORRISON
Nascido na Escócia, Grant Morrison fez parte da célebre "invasão britânica" dos comics americanos, que levou inúmeros argumentistas da Grã-Bretanha a estabelecer-se nos EUA, onde vieram revolucionar o género. Os seus trabalhos para a Vertigo tornaram-no conhecido, mas a fama chegaria com a novela gráfica do Batman, Asilo Arkham, ilustrada por Dave McKean e já publicada pela Levoir.
Desde então Morrison tem sido responsável por algumas das mais importantes histórias protagonizadas por Batman, Super-Homem e a Liga da Justiça. Já em anteriores colecções dedicadas à DC, podemos descobrir o seu trabalho com a Liga da Justiça, em Terra 2 e com Batman, em Herança Maldita. Com Terra Um temos o privilégio de o ver finalmente (re)escrever a origem da Mulher-Maravilha, o único membro da trindade dos maiores heróis da DC a quem faltava emprestar o seu talento.


CHRISTOPHER MOELLER
O escritor e pintor americano começou a sua carreira na Innovation Comics e ganhou nome na Dark Horse ilustrando capas da série Star Wars, antes de se estrear na Helix, a chancela de ficção científica da DC Comics e pintar capas para a revista Shadow of the Bat, protagonizada pelo Batman. Mas o seu mais famoso trabalho para a DC é este Um por Todos, que pintou e escreveu, conciliando o mundo dos super-heróis, com um universo de fantasia inspirado por Tolkien.


GREG RUCKA
Escritor de romances policiais, com uma solida carreira na BD, de que os leitores portugueses tiveram um bom exemplo em Batwoman: Elegia, publicado numa anterior colecção dedicada à DC, Greg Rucka, que é conhecido pelas suas personagens femininas fortes, tem uma grande ligação à Mulher-Maravilha. Rucka escreveu as aventuras da Princesa Amazona entre 2003 e 2006, sendo também o actual escritor da revista mensal, após a mais recente remodelação do Universo DC, com a linha DC Rebirth. Mas tudo começou com A Hiketeia, a história incluída nesta colecção, que foi a primeira aventura da Mulher-Maravilha que Rucka escreveu.


J. G. JONES
Já conhecido dos leitores portugueses pela história que ilustrou da Viúva Negra, numa anterior colecção público/Levoir, o desenhador americano, natural da Louisiana, tem-se distinguido sobretudo como ilustrador de capas, para séries como Y, the Last Men, tendo ganho em 2006, o prémio da revista Wizard para melhor ilustrador de capas. Mas para além de um excelente ilustrador Jones é um também um grande artista sequencial, com um traço simultaneamente realista e espectacular, como prova a história que desenhou para esta colecção.


GEORGE PEREZ
Nascido em Nova Iorque em 1954, George Perez estreou-se na BD em 1973, mas um ano depois já trabalhava regularmente para a Marvel. Apesar de ter trabalhado em séries como os Avengers e Fantastic Four, da Marvel, os trabalhos mais importantes da sua carreira foram publicados na DC, onde teve passagens memoráveis por séries como Teen Titans e Mulher-Maravilha. Em anteriores colecções podemos apreciar o seu trabalho na saga cósmica Crise nas Terras Infinitas, que revolucionou profundamente o universo da DC e abriu caminho para a reformulação da Mulher-Maravilha de que Pérez foi o principal responsável.

PHIL JIMENEZ
Natural da Califórnia, onde nasceu em 1971, Jimenez veio para Nova Iorque para frequentar a School of Visual Arts, onde se formou em 1991 e onde dá actualmente aulas. Nesse mesmo ano foi trabalhar para a DC Comics, a convite do director criativo Neal Pozner que lhe atribuiu como primeiro trabalho, o desenho de quatro páginas da saga War of The Gods, com que George Pérez fechou a sua passagem pela série da Mulher-Maravilha.
Esta ligação artística entre Jimenez e Pérez é bem evidente no seu trabalho gráfico, que vai beber muito ao seu mestre, com quem até escreveu em conjunto uma história da Mulher-Maravilha, que o próprio Jimenez ilustrou. Responsável pelo desenho e pela escrita das aventuras da Princesa Amazona entre 2001 e 2003, Jimenez assinou aí algumas histórias memoráveis, como as que podemos ler nesta colecção.


Ficha dos livros

1 - Mulher-Maravilha: Terra Um
25 de Maio
Argumento – Grant Morrison
Desenhos – Yannick Paquette
Diana de Temiscira viveu toda a vida na ilha paradisíaca das Amazonas, mas, ao decidir aventurar-se pela primeira vez no mundo dos homens, na companhia de Steve Trevor, o homem que salvou da morte à mão das suas irmãs de raça, será perseguida e julgada pelas outras Amazonas pelo seu crime de ter desafiado as suas mais antigas tradições.
Um regresso às raízes da Mulher-Maravilha plantadas pelo seu criador, William Moulton Marston que não evita alguns dos aspectos mais controversos da personagem, ligados à sexualidade de Diana e das amazonas, assinado por Grant Morrison e Yanick Paquette, no âmbito da linha Terra Um, que reinventa para os leitores do século XXI a origem dos mais icónicos personagens da DC, através de uma história ao mesmo tempo moderna e intemporal.


2  – Mulher-Maravilha: Um por Todos
01 de Junho
Argumento e Desenhos – Christopher Moeller
Quando o Oráculo das Amazonas profetiza que a Liga da Justiça está fadada a ser destruída por um antigo e maléfico dragão, despertado do seu sono subterrâneo para mais uma vez ameaçar um mundo que já esqueceu que tais monstros alguma vez existiram, a Mulher-Maravilha tem de tomar a mais difícil decisão da sua vida: assumir sozinha uma batalha que sabe que não pode vencer, para assim poder preservar a vida daqueles que mais ama.
O pintor e escritor Cristopher Moeller assina o desenho e a fabulosa arte pintada em cor directa desta lenda dos tempos modernos, que funde, de forma tão inesperada como eficaz, os universos da fantasia e dos super-heróis.


3  – Mulher-Maravilha: A Hiketea
08 de Junho
Argumento – Greg Rucka
Desenhos – J. G. Jones
A Mulher-Maravilha aceita tomar sob sua protecção uma jovem humana, Danielle Wellys, de acordo com a Hiketeia, um antigo ritual consagrado pelos deuses, e terá de a proteger contra todos os que a perseguem, mesmo contra o Batman, que a quer prender por assassinato e, como sempre não está disposto a deixar escapar a sua presa, mesmo que isso implique defrontar a sua amiga e companheira da Liga da Justiça.
Construída sob a forma de uma tragédia clássica, onde não faltam as Hiríneas, personagens mitológicas que castigam duramente aqueles infringem a lei divina, esta história que assinala a estreia de Greg Rucka na escrita das aventuras da Princesa Amazona, contando com o traço rigoroso e espectacular de J-G. Jones na arte, é considerada uma das grandes histórias da Mulher-Maravilha e um bom exemplo do carácter intemporal da personagem.



4  – Mulher-Maravilha: Homens e Deuses
15 de Junho
Argumento – LenWein
Desenhos – George Pérez
Na mítica ilha de Temiscira, uma orgulhosa e feroz raça guerreira de amazonas criou uma filha de beleza, graça e força inauditas - a princesa Diana, também conhecida como Mulher-Maravilha. Quando um piloto de caça do Exército, Steve Trevor, pára na ilha, a rebelde e obstinada Diana desafia a lei das amazonas ao acompanhar Trevor de volta à civilização. Enquanto isso, Ares (o deus da guerra) escapou de sua prisão nas mãos das Amazonas e decidiu exigir a sua vingança: uma guerra mundial que não só durará séculos como acabará com todos os seres vivos do planeta! Cabe à Princesa Diana salvar seu povo e o mundo, usando os seus poderes para provar que merece o nome de Mulher Maravilha.
O início da épica e incontornável remodelação da Mulher-Maravilha, levada ao cabo por George Pérez na sequência das alterações no Universo DC provocadas pela saga Crise nas terras Infinitas.

5  – Mulher-Maravilha: Deuses de Gotham
22 de Junho
Argumento – Phil Jimenez e J.M. De Matteis
 Desenhos –  Phil Jimenez e Andy Lanning
A cidade de Batman, Gotham City, foi transformada numa terra semelhante à antiga Grécia, dominada pelos deuses do mal. E uma vez que Ares, o deus da guerra, e os deuses da discórdia, do medo e do terror combinam suas essências com as do Joker, do Espantalho e da Hera Venenosa, Batman vai precisar da ajuda da Mulher Maravilha, mas quando os deuses também conseguem possuir o Batman, a Princesa Amazona descobre que mesmo a ajuda de outros protectores de Gotham, como o Asa Nocturna e o Robin, bem como da seu própria protegida, Donna Troy, a Wonder Girl, podem não ser suficientes para acabar com o reinado maligno dos deuses do submundo.
Phil Jimenez assina aqui o início da sua passagem marcante pela série mensal da Mulher-maravilha, que escreveu e desenhou durante três inesquecíveis anos.
Textos publicados originalmente no jornal Público de 20/05/2017

quinta-feira, 11 de maio de 2017

No Coração das Trevas DC 10 - Mal Eterno - Vol. 2

LEX LUTHOR E A LIGA DA INJUSTIÇA 
ENFRENTAM A SOCIEDADE DA JUSTIÇA

Coração das Trevas DC Vol 10
Universo DC: Mal Eterno 2
Argumento – Geoff Johns
Desenhos – David Finch, Doug Mahnke e Ivan Reis
Quinta, 11 de Maio
Por + 9,90 €
Com os capítulos finais da saga épica Mal Eterno, que preenchem as páginas do volume que chega às bancas na próxima quinta-feira, chega ao fim esta colecção dedicada ao lado sombrio do Universo DC, onde os vilões estiveram em destaque. E, numa colecção dedicada ao Coração das Trevas do Universo DC, nada melhor do que fechar com a primeira grande saga global do Universo DC reformulado na Linha Novos 52, publicada originalmente entre 2013 e 2014, que reúne todos os vilões do Universo DC, colocados de diferentes lados da barricada, face a uma ameaça vinda de uma dimensão paralela.
No final do volume anterior, o anel do Anel Energético estava à procura de um hospedeiro, e vilões como o Deadshot, Adão Negro, Jamanta Negra, Capitão Frio, e Sinestro, agrupados em torno de Lex Luthor, juntaram-se a Batman e à Catwoman para combater a Sociedade da Justiça, formando uma Liga da Injustiça, para substituir a desaparecida Liga da Justiça.
O resultado dessa inesperada aliança, que vai ter consequências que vão mudar a face do Universo DC, poderá o leitor descobrir ao ler o volume final desta colecção, mas importa aqui referir como Geoff Johns soube insuflar nova vida a vilões clássicos como o Bizarro, a visão distorcida do Homem de Aço, que aqui surge como um clone imperfeito do Super-Homem, criado por Luthor, ou Alexander Luthor, o Lex Luthor da Terra Três, que através da sua ligação à mitologia do Shazam (outro herói clássico que Johns tão bem reinventou) vai ter um papel primordial no desfecho desta história empolgante.
Publicado originalmente no jornal Público de 05/05/2017

quinta-feira, 4 de maio de 2017

No Coração das Trevas DC 9 - Mal Eterno - Vol 1


LEX LUTHOR E OUTROS VILÕES 
JUNTAM-SE PARA SALVAR A TERRA

Coração das Trevas DC Vol 9
Universo DC: Mal Eterno 1
Argumento – Geoff Johns
Desenhos – David Finch e Richard Friend
Quinta, 4 de Maio
Por + 9,90 €
Numa colecção dedicada aos principais vilões do Universo DC, não podia faltar Lex Luthor (que, a par com o Joker, tinha sido dos raros representantes do lado sombrio do Universo DC, a ter direito a um volume individual numa anterior colecção). E o mais antigo adversário do Super-Homem está em grande destaque em Mal Eterno, a saga épica assinada por Geoff Johns e espectacularmente ilustrada por David Finch, que fecha com chave de ouro esta viagem pelo coração das Trevas da DC e cuja primeira parte chega às bancas na próxima quinta-feira.
Mostrando que não se trata de um vilão unidimensional, Luthor vai ter de reunir um grupo de supervilões para salvar a Terra de uma ameaça maior que todos eles. Essa ameaça provém de um universo paralelo, que os leitores portugueses já conhecem de Liga da Justiça: Terra Dois (o primeiro volume, da primeira colecção que o Público e a Levoir dedicaram à editora do Batman e do Super-Homem) onde o Sindicato do Crime da Amérika dita as leis. Composto pelos mais poderosos supervilões, como Ultra-Homem, Coruja, Supermulher, Johnny Quick e Anel de Poder, cujas características os definem com o reflexo distorcido e maléfico dos Heróis da Liga da Justiça, o Sindicato da Justiça consegue derrotar a Liga e prepara-se para conquistar facilmente o mundo. Algo que só o esforço conjunto de Luthor e dos vilões que arregimentou e dos raros heróis sobreviventes, com o Batman, ou a Catwoman, poderá impedir.
Publicado originalmente no jornal Público de 28/04/2017

quinta-feira, 27 de abril de 2017

No Coração das Trevas DC 8 - O Asilo do Joker

OS MAIORES INIMIGOS DO BATMAN ESTÃO NO ASILO DO JOKER

No Coração das Trevas DC Vol 8
Joker: O Asilo do Joker
Argumento – Arvid Nelson, Jason Aaron, JT Krul e James Patrick
Desenho – Alex Sanchez, Jason Pearson, Guillem March e Joe Quinones
Quinta, 27 de Abril
Por + 9,90 €
Um dos locais mais emblemáticos do Universo DC, o Asilo Arkham está em destaque no 8º volume da colecção No Coração das Trevas, em que o seu mais famoso paciente, o Joker dá a descobrir aos leitores um pouco do passado e das motivações dos principais vilões de Gotham City. Vilões como o Pinguim, Hera Venenosa, Duas Caras, Harley Quinn e, claro… o próprio Joker.
O Asilo do Joker é um volume antológico que recupera a melhor tradição das revistas de terror da editora EC, como a Tales from the Crypt ou a The Vault of Horror, em que as histórias eram apresentadas por um anfitrião de aspecto tenebroso (o Crypt Keeper na Tales from the Crypt, e o Vault Keeper no caso da revista The Vault of Horror), com o Joker a assumir com entusiasmo esse mesmo papel.
Para além de apresentar cada história deste volume, o Joker começa por ser apresentador de um peculiar concurso televisivo, que mostra como as televisões estão dispostas a tudo na guerra das audiências. Uma história cruelmente realista, escrita por Arvid Nelson para o traço perturbador de Alex Sanchez. A seguir, em O Último a Rir, Jason Aaron (o argumentista de Scalped e Southern Bastards, numa rara colaboração com a DC) analisa os problemas sentimentais do Pinguim, numa história a que o traço caricatural de Jason Pearson assenta como uma luva. Segue-se a origem da Hera Venenosa, numa história escrita por JT Krull, a que o traço sensual do espanhol Guillem March dá vida, enquanto David Hine e Andy Clarke jogam com a dualidade do Duas Caras num conto moral com final em aberto. Para terminar, nada melhor do que festejar o Dia dos Namorados com a Harley Quinn, numa história de James Patrick, magnificamente ilustrada por Joe Quinones.
Publicado originalmente no jornal Público de 21/04/2017

quinta-feira, 20 de abril de 2017

No Coração das Trevas DC 7 - Super-Homem e Apocalipse: Caçador e Presa

O REGRESSO DE APOCALIPSE

No Coração das Trevas DC Vol 7
Super-Homem & Apocalipse: Caçador e Presa
Argumento – Dan Jurgens
Desenho – Dan Jurgens e Brett Brending
Quinta, 20 de Abril
Por + 9,90 €
Numa colecção dedicada aos maiores vilões do Universo DC, não poderia faltar o mais poderoso de todos. Uma verdadeira máquina de matar, geneticamente alterada para ser invencível e indestrutível: Apocalipse. Único vilão a conseguir matar o Homem de Aço, Apocalipse foi criado por Dan Jurgens, Roger Stern, Louise Simonson, Jerry Ordway e Karl Kesel, sob orientação do editor Mike Carlin, em 1992 para protagonista da saga épica publicada nas diferentes revistas protagonizadas pelo Homem de Aço, que culminou com a morte do Super-Homem no ano seguinte, no nº 75 da segunda série da revista Superman.
Curiosamente, essa história que catapultou o Super-Homem para o primeiro lugar dos tops de vendas e foi notícia na imprensa a nível mundial, nasceu por mero acaso. Inicialmente, o que estava previsto acontecer durante esse ano nas revistas do Super-Homem, era o casamento de Clark Kent com Lois Lane. Uma história que, para não interferir com a série televisiva Lois & Clark: The New Adventures of Superman que estava a explorar o mesmo enredo, teve de ser adiada para depois do casamento de Lois e Clark na televisão, deixando os editores da revista do Homem de Aço com a necessidade de encontrar uma intriga alternativa para ocupar mais de um ano de histórias.
Essa intriga foi a morte de Super-Homem às mãos de Apocalipse e o seu posterior regresso. Uma história que, para além do sucesso de vendas, deu origem a um filme de animação, Superman: Dooomsday, produzido e dirigido por Bruce Timm (o desenhador de Amor Louco, a origem da Harley Quinn que puderam ler no volume anterior) e à recriação do combate brutal (e mortal) entre Super-Homem e o Apocalipse no filme Batman V Superman, que utiliza elementos da morte do Super-Homem no seu guião.
Face ao sucesso da história, que marcou a História dos comics americanos, e ao carisma do vilão, era inevitável que Apocalipse e o Super-Homem se voltassem a defrontar, o que acontece precisamente em Caçador e Presa, a história que chega aos quiosques nacionais na próxima quinta-feira. Publicada originalmente em 1994, como uma mini-série em três edições, esta história escrita por Dan Jungers, que também que assegura o desenho a lápis, desvenda a origem de Apocalipse e explica os motivos do seu ódio a Krypton, o planeta de que o Super-Homem é o último sobrevivente, para além de trazer de volta o Super-Homem Ciborgue, que os leitores portugueses já conhecem da Guerra do Corpo Sinestro, a saga do Lanterna Verde que ocupou os dois primeiros volumes desta colecção.
Mas outro motivo de interesse deste clássico dos comics de super-heróis, é o confronto no planeta Apokolips, entre Apocalipse e Darkseid, o vilão supremo criado por Jack Kirby, que encontra em Apocalipse alguém capaz não só de resistir ao seu imenso poder, mas até de o derrotar em combate.
Publicado originalmente no jornal Público de 14/04/2017