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sábado, 1 de setembro de 2018

Colecção 25 Anos Vertigo 3 - 100 Balas Vol. 1

CRIME SEM CASTIGO

25 Anos Vertigo - Vol 3
100 Balas Vol 1: Primeiro Disparo, Última Rodada
Argumento – Brian Azzarello
Desenhos – Eduardo Risso
Sábado, 01 de Setembro
Por + 13,90 €
Depois de ter assinado o argumento de Hellblazer: Na Prisão, o volume inaugural desta colecção, Brian Azzarello regressa à colecção 25 Anos Vertigo com o primeiro capítulo de 100 Balas, a premiada série de culto da Vertigo que chega finalmente a Portugal. Uma série policial Noir, com um toque conspirativo, que parte de uma premissa tão simples como intrigante: O misterioso agente Graves, fisicamente inspirado no actor Lee Marvin, propõe a cidadãos comuns a oportunidade de conseguirem a vingança que tanto desejavam contra quem lhes fez mal... e oferece-lhes uma mala que contém provas da culpabilidade dos alvos, uma pistola e cem balas impossíveis de rastrear, para além da garantia de imunidade total nessa vingança.
Como refere Brian Azzarello numa entrevista, a ideia de 100 Balas nasceu no meio do trânsito: “Eu estava num carro com o meu amigo Sung Koo. Nós estávamos a conduzir e um idiota à nossa frente não estava a seguir as regras de condução, e eu estava a ficar superchateado e acabei por deixar escapar como gostaria de matar o filho da puta. Sung perguntou-me se seria mesmo capaz de o fazer, se realmente pudesse. Claro que eu disse que não, mas depois começamos a conversar mais a fundo sobre o que seria necessário para realmente levar alguém a assassinar outra pessoa. A partir daí tive a ideia desse homem - que acabou por ser o agente Graves - andando por aí, distribuindo sentenças de morte e imunidade para o carrasco. Havia um velho programa de TV chamado O Milionário, onde esse homem misterioso dava um milhão de dólares a um personagem diferente a cada semana, e o episódio concentrava-se em como o dinheiro mudaria a vida dessas pessoas. É a mesma coisa com 100 Balas. Apenas muito mais sombrio. O agente Graves não está a distribuir dinheiro, ele está a distribuir os meios e a imunidade, dando-te carta-branca para te vingares de alguém que te prejudicou seriamente no passado. Então o que é que fazes com isso? É esse o dilema das personagens de 100 Balas.”
Personagens como Isabelle “Dizzy” Cordova, uma jovem hispânica que perdeu o marido e a filha num tiroteio e a quem o Agente Graves oferece a oportunidade de se vingar dos verdadeiros assassinos da sua família, ou Lee Dolan, um empresário que perdeu tudo ao ser acusado de posse e distribuição de pornografia infantil na Internet. E se Dizzy vai ver a sua vida mudada por esta oportunidade, já Dolan vai descobrir à sua própria custa que foi usado como peão de um jogo de poder que envolve Megan Dietrich, uma mulher poderosa, cuja ligação a Graves e a Shepherd, o primeiro dos homens de Graves a entrar em cena, será desenvolvida em futuros volumes.
A dar vida a este universo tão sombrio como sedutor criado por Azzarello, está o artista argentino Eduardo Risso, que os leitores portugueses bem conhecem do livro Batman Noir, entre outros títulos publicados pelo Público e pela Levoir, que aqui dá provas de todo o seu talento narrativo, colocando o seu traço sensual e estilizado ao serviço de um argumento que retrata sem concessões o lado sombrio do sonho americano.
Premiada com seis prémios Harvey e quatro prémios Eisner, 100 Balas é uma obra-prima de ambiguidade moral e violência e uma das séries de maior sucesso da Vertigo. Este primeiro volume, que recolhe as 5 primeiras revistas mensais e uma história curta publicada em 2000 na revista Vertigo Winter’s Edge, é apenas a ponta do icebergue de um complexo thriller de mistério que explora os temas da vingança e que subtilmente se vai transformando numa vasta história de conspiração. Uma história tão complexa como viciante, que se estende (apropriadamente) por 100 números, cuja continuação esperamos poder ler muito brevemente em português. Assim os leitores o queiram.
Publicado originalmente no jornal Público de 25/08/2018

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Apresentação da Colecção 25 Anos Vertigo

VERTIGO, 25 ANOS DE GRANDES HISTÓRIAS

Há efemérides que não podem deixar de ser comemoradas e esta colecção, motivada pelos vinte cinco anos de início de publicação da linha Vertigo, em 1993, reflecte isso mesmo. Embora a linha Vertigo não seja desconhecida dos leitores portugueses, pois a Levoir e o Público tem vindo a apresentar paulatinamente alguns títulos emblemáticos dessa linha, como V de Vingança, Daytripper, Luna Park, Batman uma história verdadeira ou Livros da Magia, nas várias séries da colecção Novela Gráfica desde 2015, para além da edição das séries Sandman e Y, o Último Homem (esta última ainda em curso de publicação), esta colecção vai permitir conhecer um pouco mais daquele verdadeiro viveiro de talento e criatividade que mudou a face da banda desenhada americana das últimas décadas.
As fundações daquilo que viria a ser a Vertigo foram lançadas originalmente no final dos anos 1980 por uma editora cujo nome ficou ligado aos destinos do selo editorial, Karen Berger. Berger tinha começado a trabalhar na DC em títulos ligados ao universo de super-heróis, e começou a contratar um conjunto de escritores britânicos, que se tinham formado em revistas como a Warrior ou a 2000AD, e que se viriam a transformar na célebre “invasão britânica” dos comics americanos. Autores como Alan Moore, Neil Gaiman, Jamie Delano, Peter Milligan, ou Grant Morrison, responsáveis por séries que não pertenciam ao género super-heróico. Títulos como Swamp Thing, Animal Man, Doom Patrol, ou Black Orchid, que assinalou a estreia de Neil Gaiman e Dave McKean na DC, e o lançamento de séries novas, igualmente do género fantástico e de terror, como Sandman, Os Livros da Magia ou o seminal Hellblazer.
Criado por Alan Moore nas páginas do #37 da revista Swamp Thing, satisfazendo assim a vontade do desenhador da série, Stephen Bissette, que queria desenhar o músico Sting, John Constantine acabaria por se tornar na figura tutelar do universo de magia da DC, reunido na linha Vertigo. Depois de servir de guia ao Monstro do Pântano numa memorável viagem pelo lado negro dos EUA, Constantine rapidamente ganhou uma série própria, Hellblazer que, com 300 números publicados, foi o título de mais longa duração da Vertigo e principal porta de entrada para os autores britânicos que trabalharam na Vertigo. Escritores britânicos que, como Berger declarou naquela “tinham uma sensibilidade, uma perspectiva, que eram refrescantemente diferentes da dos seus congéneres americanos, mais experimental e inteligente”.
Mesmo que Alan Moore considerasse a Vertigo como a mera exploração de uma receita de sucesso e uma tentativa de criar clones seus (o escritor declarou numa entrevista que, com a Vertigo, “A DC tinha tentado criar um viveiro de Alan Moores, mas o problema é que toda a gente sabe que os Alan Moores não crescem em viveiros…”) a verdade é que todos estes autores oriundos das ilhas britânicas contribuíram, e muito, para a renovação dos comics americanos, sobretudo porque, para além da solidez narrativa e da imaginação patentes nos seus trabalhos, incorporam nas histórias que escrevem uma série de referência (normalmente literárias) exteriores ao mundo dos comics de super-heróis, que dão uma outra consistência e profundidade a um universo que sempre se manteve fechado sobre si próprio e que, por isso, caminhava para o esgotamento.
Correspondendo à incumbência atribuída a Berger de lançar um selo que reunisse sob a sua alçada essas séries mais sofisticadas e adultas, em Janeiro de 1993 saíam os primeiros comics com o selo da Vertigo e, embora as suas primeiras histórias incluíssem ainda personagens tiradas do universo de super-heróis da DC, cedo os títulos do novo selo se tornaram completamente independentes. As séries citadas mais acima transitaram para a nova linha, e passaram a ser editadas como séries Vertigo, mas rapidamente foram seguidas por títulos originais. As primeiras duas séries Vertigo puras foram Enigma de Peter Milligan, e a mini-série Morte: O Alto Custo da Vida, de Neil Gaiman, pertencente ao universo Sandman.
Naturalmente, essa história da Morte, a irmã de Morfeu dos Eternos, juntamente com mais histórias da personagem, está incluída nesta colecção, tal como está a série Hellblazer e o primeiro volume da série Preacher, assinado por dois autores britânicos, que já tinham colaborado anteriormente em Hellblazer.


Mas, como esta colecção bem demonstra, apesar da importância de criadores de origem britânica como Neil Gaiman, ou Garth Ennis, a Vertigo soube diversificar o seu catálogo deixando de se dedicar exclusivamente ao género fantástico, abrindo espaço a outros registos, algo bem evidente nos títulos desta linha editorial que foram saindo na colecção Novela Gráfica. Uma diversidade também geográfica, pois se a maioria dos autores – tanto argumentistas como desenhadores – da série Hellblazer provinham do Reino Unido, Na Prisão, a história de John Constantine que abre esta colecção é assinada por dois americanos, tal como é americano Sean Gordon Murphy, o autor de Punk Rock Jesus. Do mesmo modo, a série 100 Balas reúne um desenhador argentino com um escritor americano. Um bom exemplo da dimensão global da banda desenhada contemporânea, para a qual o contributo da linha Vertigo foi essencial.

REGRESSOS E ESTREIAS

Esta nova colecção Público/Levoir, comemorativa dos vinte e cinco anos da linha Vertigo, o selo de culto da editora DC Comics, está marcada por regressos e estreias. Regressos de autores e personagens, e estreias de títulos e séries de culto que o leitor português vai descobrir e poderá acompanhar a partir daqui.
A abrir a colecção temos um regresso, o de John Constantine, o mais emblemático personagem da Vertigo que, depois de ter sido apresentado aos leitores dos títulos da Levoir no primeiro volume da série Sandman e na novela gráfica Livros de Magia, ambas escritas por Neil Gaiman, regressa agora como protagonista da sua própria série. Hellblazer, que foi o título de maior duração da linha Vertigo, terminou ao fim de 300 números, para dar lugar a uma nova revista, Constantine, integrada no universo DC Novos 52, como de resto aconteceu com Animal Man e Swamp Thing, outros títulos originais da DC que tinham passado para a Vertigo em 1993.
Sendo a estreia de Hellblazer na Levoir, Na Prisão não é a estreia da série em Portugal, pois a Devir, em 2005, aproveitando a estreia em Portugal do filme Constantine, editou a adaptação oficial do filme, Todo o Seu Engenho, uma novela gráfica original de Mike Carey e Leonardo Manco e Nas Ruas de Londres, uma colectânea com algumas das melhores histórias da série. Do mesmo modo, sendo Na Prisão a primeira colaboração entre Azzarello e Corben e a primeira história de Constantine escrita por um autor americano, não é, nem de longe, a estreia do escritor em Portugal, pois o trabalho de Azzarello com os principais heróis (e vilões) da DC está todo publicado pela Levoir, tal como de resto Banner e Cage, as posteriores colaborações entre Corben e Azzarello para a Marvel - para onde foram levados pelo editor Axel Alonso, quando este trocou a Vertigo pela “Casa das Ideias” - que foram editadas no nosso país respectivamente pela Devir e G Floy.
Isso não impede que o trabalho de Corben, um veterano da BD com 77 anos, que foi um pioneiro do comic underground e da novela gráfica, o primeiro americano a publicar na revista Metal Hurlant – onde Moebius o comparou a Mozart - e um mestre da BD de terror, seja através da sua colaboração na série Hellboy, de Mike Mignola, seja nas adaptações de contos de H. P. Lovecraft e Edgar Alan Poe, com uma obra tão vasta como única, que lhe valeu merecidamente o Grande Prémio de Angoulême em 2018, não esteja devidamente publicado em Portugal. Uma lacuna que esta colecção vem ajudar a suprir.
Outro regresso nesta colecção é o de Neil Gaiman ao universo da série Sandman, com um punhado de histórias protagonizadas pela Morte, a irmã de Morfeu, que aqui volta a caminhar por entre os homens. Exemplo perfeito de que o universo de Sandman não se esgota nos 11 volumes da série principal, Morte é também um bom exemplo da qualidade literária e da sensibilidade de Gaiman, aqui em perfeita sintonia artística com o desenhador Chris Bachalo.
Embora os seus autores, Brian Azzarello e Eduardo Risso, sejam bem conhecidos dos leitores nacionais e dispensem apresentações, o terceiro volume desta colecção é uma estreia, e que estreia! Primeiro volume da série de culto 100 Balas, Primeiro Disparo, Última Rodada, é uma óptima porta de entrada na realidade sombria e sedutora criada por Azarello e Risso, naquela que é considerada uma das melhores séries de sempre da Vertigo e que o escritor e cineasta Paul Dini (Batman: Uma História Verdadeira) definiu como “uma obra-prima de caracterização psicológica brilhante e desenhos fabulosos”.
A colecção prossegue com outra estreia. A do ilustrador Sean Gordon Murphy, com Punk Rock Jesus, uma mini-série em seis partes, ilustrada num preto e branco luminoso, bem complementado por um meticuloso trabalho de tramas, sobre politica, religião e televisão. Ilustrador consagrado, habituado a trabalhar com grandes escritores, como Grant Morrison, Scott Snyder e Mark Millar, Sean Murphy mostra aqui que também é um excelente argumentista.
Finalmente, a colecção encerra com o primeiro volume de outra série. Falamos de Preacher, a mais popular colaboração entre Garth Ennis e o recentemente falecido Steve Dillon, dupla que já tinha colaborado em Hellblazer e que aqui voltou a reunir forças naquela que é uma das mais populares, divertidas, delirantes e politicamente incorrectas séries do catálogo da Vertigo.
Homenagem de dois europeus ao Western e ao sonho americano, com uma violência tão exagerada que chega a ser divertida e uma sábia alternância entre momentos assustadores, delirantes e comoventes, Preacher, que o realizador Kevin Smith considera “mais divertido do que ir ao cinema”, é exemplo perfeito de uma série de culto, que não deixa nenhum leitor indiferente. Mais um entre os inúmeros exemplos da riqueza e versatilidade do catálogo da Vertigo, que o Público e a Levoir têm vindo a divulgar de forma consistente, e que não se esgota, longe disso, nos cinco volumes desta colecção.

SABIA QUE?

- Para além de ter protagonizado o título de maior duração da linha, John Constantine é sem dúvida o personagem da Vertigo com maior presença audiovisual. Além de ter protagonizado um filme com Keanu Reeves, uma série de televisão em nome próprio e uma longa-metragem de animação, Constantine teve ainda participações especiais nas séries Arrow e DC’s Legends of Tomorrow.

- Neil Gaiman escreveu o argumento para um filme baseado na história Morte: O Alto Custo da Vida, pelo “preço de um carro utilitário”, com a condição que a Warner o deixasse realizar esse mesmo filme, mas a verdade é que, após mais de 10 anos de avanço e recuos, o filme acabou por nunca ser feito.

- Para além dos onze volumes já publicados pelo Publico e pela Levoir e de diversos especiais, como o da Morte, a série Sandman, de Neil Gaiman deu origem a diversas séries da Vertigo, como Lucifer e The Dreaming e, para comemorar os trinta anos de Sandman e os 25 anos da Vertigo vai ser lançado este mês de Agosto a linha The Sandman Universe que, para além de um número especial, inclui o relançamento de quatro revistas mensais: House of Whispers, The Books of Magic, The Dreaming e Lucifer.

- Tom King, o actual escritor do Batman e um dos mais prestigiados argumentistas da actualidade, antes de se dedicar à escrita, trabalhou para os serviços secretos americanos. A sua experiência no Iraque durante a Guerra do Golfo está na origem de O Xerife da Babilónia, a sua estreia na BD, publicada pela Vertigo.

- Constantine não foi o único filme baseado num título da Vertigo. Também Um História de Violência (de David Cronenberg) e V de Vingança (produzido pelas irmãs Wachowski) adaptam obras pertencentes ao catálogo da Vertigo, o mesmo sucedendo com o filme Loosers, de 2010, baseado na série criada por Andy Diggle e Jock e Stardust: O Mistério da Estrela Cadente, de Matthew Vaughn, a partir do romance ilustrado de Neil Gaiman e Charles Vess. Um caso um pouco diferente é o de The Fountain, uma novela gráfica do director Darren Aronofsky, ilustrada por Kent Williams, que saiu antes do filme do mesmo nome e serviu para Aronofsky divulgar o seu projecto junto dos grandes estúdios de Hollywood.

- Se a série televisiva de John Constantine apenas durou uma temporada, há outras séries baseadas em títulos da Vertigo actualmente em exibição, como IZombie, Lucifer e Preacher, estando também em diferentes estados de desenvolvimento projectos para adaptações televisivas das séries Y, O Último Homem e Scalped 


- Axel Alonso, que foi editor da Marvel durante quase vinte anos e editor-chefe entre 2011 e 2017, começou o seu percurso editorial na Vertigo, onde editou a fase final da série Preacher, a fase inicial da série 100 Balas e a etapa de Brian Azzarello na série Hellblazer, só para referir os títulos presentes nesta colecção.

A COLECÇÃO

1 – Hellblazer: Na Prisão
18 de Agosto
Argumento – Brian Azzarello 
Desenhos – Richard Corben
John Constantine é uma das mais conhecidas personagens da DC, que já inspirou filmes e séries de TV, e é o protagonista de Hellblazer, a mais longa série de banda desenhada da Vertigo, Ao longo de mais de duas décadas e 300 números, Constantine tornou-se no arquétipo do mágico urbano moderno, do detective do oculto com um toque punk, que não hesita em mergulhar no terror e no caos, e que inspirou o nascimento de uma verdadeira tendência da fantasia contemporânea.
Em Na Prisão, Constantine, que tinha trocado as ruas sombrias de Londres pelos grandes espaços americanos, perdeu a liberdade e está encarcerado numa prisão de alta segurança, onde terá de aprender todo um conjunto de novas regras para poder sobreviver. Nada a que um feiticeiro moderno, habituado a fazer as suas próprias regras não esteja já habituado, mas ninguém poderia prever o final desta luta épica pelo poder numa penitenciária. Escrita por Brian Azzarello, um dos mais conhecidos escritores americanos de BD e um dos nomes maiores da Vertigo, Na Prisão conta com a arte do mestre Richard Corben, vencedor do Grande Prémio de Angoulême em 2018.

2 – Morte
25 de Agosto
Argumento – Neil Gaiman
Desenhos –Chris Bachalo, Mark Buckingham e Dave McKean
Irmã de Morfeu e dos restantes Eternos, Morte é uma jovem rapariga gótica, pálida e simpática, mas implacável, e uma das personagens mais aclamadas e originais do escritor Neil Gaiman. Criada nas páginas da série Sandman, a sua popularidade tornou-a na heroína das suas próprias histórias a solo, a maioria das quais são recolhidas neste volume.
Um dia por século, a Morte desce à Terra para conhecer melhor os mortais para quem ela será a visita final. Em duas histórias emotivas e inteligentes, descobriremos uma mulher com 250 anos que perdeu o seu coração, um adolescente deprimido, uma jovem estrela dilacerada, e o verdadeiro “milagre da morte”, o da beleza da vida. A completar este volume, temos ainda duas histórias curtas, A Roda, também ilustrada por Bachalo, em que Gaiman presta uma bela e sentida homenagem às vítimas do 11 de Setembro, e A Morte Fala sobre a Vida, uma das raras histórias do universo Sandman desenhada por Dave McKean, o autor das fabulosas capas da série, sobre a importância do uso do preservativo na prevenção do SIDA, que conta com uma participação muito especial de John Constantine.

3 – 100 Balas vol 1: Primeiro Disparo, Última Rodada
01 de Setembro
Argumento – Brian Azzarello
Desenhos – Eduardo Risso
O misterioso agente Graves propõe a cidadãos normais a oportunidade de conseguirem a vingança que tanto desejavam contra quem lhes fez mal... e oferece-lhes uma mala que contém provas da culpabilidade dos alvos, uma pistola e cem balas impossíveis de rastrear, para além da garantia de imunidade total nessa vingança! Mas qual é o preço final da vingança e qual será o verdadeiro motivo por trás da iniciativa justiceira de Graves?
O escritor Brian Azzarello e o artista Eduardo Risso, que os leitores portugueses bem conhecem do livro Batman Noir, entre outros títulos publicados pelo Público e pela Levoir, assinam com 100 Balas, um complexo thriller de mistério que explora os temas da vingança e que subtilmente se vai transformando numa vasta história de conspiração. Premiada com seis prémios Harvey e quatro prémios Eisner, 100 Balas é uma obra-prima de ambiguidade moral e violência e uma das séries de maior sucesso da Vertigo.

4 – Punk Rock Jesus
08 de Setembro
Argumento e Desenhos – Sean Gordon Murphy
Um reality show que causa o caos nos EUA, tem como protagonista um clone de Jesus Cristo, clonado a partir do ADN encontrado no Santo Sudário de Turim, Os fanáticos religiosos amam ou odeiam o programa, os políticos enfurecidos preocupam-se com a sua influência na nação e os membros da comunidade científica temem as implicações da clonagem de um ser humano, especialmente o Filho de Deus. Thomas McKael é o guarda-costas dos clones e ex-agente do IRA que é contratado para proteger o novo Jesus - um bebé que cativa o mundo, mas cresce e torna-se um adolescente raivoso. Quando a queda das audiências forçam a estação a cortar a mãe de Jesus da série, a jovem estrela foge, renúncia a sua herança religiosa e forma uma banda de punk rock.
Publicada originalmente como uma mini-série em seis partes, entre Setembro de 2012 a Janeiro de 2013, Punk Rock Jesus foi o primeiro trabalho como autor completo para uma grande editora, do desenhador americano Sean Gordon Murphy.


5 – Preacher Vol 1: A Caminho do Texas
15 de Setembro
Argumento – Garth Ennis
Desenho – Steve Dillon
Jesse Custer, o pregador em crise de fé de Annville, uma pequena cidade texana, é acidentalmente possuído por uma criatura sobrenatural chamada Génesis, fruto do amor proibido entre um anjo e um demónio. O incidente arrasa a igreja de Custer e mata toda a sua congregação, deixando apenas Custer vivo e com um poder que pode rivalizar com o próprio Deus, fazendo de Jesse Custer, ligado a Génesis, potencialmente o ser mais poderoso do universo.
Acompanhado por Tulip, a sua antiga namorada de gatilho fácil e por Cassidy, um vampiro irlandês que gosta tanto de álcool como de sangue, Custer inicia uma viagem pelo continente americano em busca de Deus, perseguidos pelo Santo dos Assassinos, o mais implacável executor entre o céu e o Inferno.
Criada pelo escritor irlandês Garth Ennis e pelo desenhador inglês Steve Dillon, Preacher foi um dos títulos de maior sucesso da Vertigo, recentemente adaptado para a televisão, numa série da AMC, a estação responsável pela série de televisão de The Walking Dead.
Publicado originalmente no jornal Público de 11/08/2018

sexta-feira, 9 de março de 2018

Torpedo 1972

NÃO HÁ REFORMA PARA TORPEDO 

Torpedo 1972 – Vol. 6
Argumento – Enrique Sánchez Abulí
Desenhos – Eduardo Risso
Quinta, 08 de Março, Por + 11,90 €
Depois de, durante as últimas cinco semanas termos podido acompanhar na íntegra a série original de Torpedo 1936, a colecção dedicada a Luca Torelli encerra na próxima quinta-feira, dia 8 de Março, com Torpedo 1972. Uma nova etapa para o nosso gangster favorito, agora um sexagenário, desenhado já não por Jordi Bernet – cuja parceria com Abulí terminou por motivos já aqui explicados na semana passada - mas pelo nosso bem conhecido Eduardo Risso.
A razão para este inesperado regresso, explica-a Abulí de maneira bastante simples: “os anos passaram e como eu também envelheci um pouco, pareceu-me interessante imaginar como seria o Torpedo em velho. (…) A ideia surgiu-me há uns oito anos. Incluindo o título (A propósito do Mar Morto), que é como se refere um dos mafiosos a Torpedo, assegurando que “este está mais morto que o Mar Morto”. Trabalhei essa ideia até dar com este Torpedo envelhecido e com Parkinson. Por isso há que ter muito cuidado com o Mar Morto”.
E os anos passaram mesmo. Tanto na vida, como na série. Já não estamos em 1936, mas sim em 1972. Luca Torelli sofre de Parkinson, mas mantém o seu mau temperamento de outros tempos, e continua acompanhado pelo seu inseparável Rascal. Dois gangsters decrépitos, que carregam uma lenda negra e habitam agora num mundo muito diferente, o da década de 70. Quando um jornalista do Washington Post decide fazer uma reportagem sobre essa lenda viva do crime nova-iorquino e desenterrar o passado de Torpedo, acaba por descobrir à sua própria custa que há histórias que é melhor permanecerem enterradas e que desenterrar esta vai provocar muitos enterros...
Demos de novo a palavra a Abulí, para nos falar deste novo/velho Torpedo. “É um Torpedo que ganhou muitas coisas (rugas, quilos, experiência) e perdeu outras (reflexos, musculatura, força, agilidade) mas que conserva o seu famoso mau feitio. Sabem aquele dito da “erva ruim nunca morre”, pois isso pode aplicar-se ao Torpedo. Não aceita a idade que tem, acredita que continua em forma para se dedicar ao crime, mas na verdade já não tem, nem a força nem a presença. Já não é o mesmo. Mas segue em frente”.
Quem também não é o mesmo, é o desenhador. Risso cumpriu com brilho a ingrata tarefa de suceder a Bernet. E o argumentista não podia estar mais satisfeito com o resultado: “Adoro o desenho de Eduardo Risso, o que não tira mérito a Bernet. Acho que Risso é um dos melhores desenhadores do mundo, tal como Bernet. Gosto da maneira de Risso trabalhar, esquecendo-se das famosas seis vinhetas por página de Bernet, e fazendo as vinhetas entrar umas nas outras. É uma forma muito francesa de planificar as páginas. Mas o que mais me chama a atenção é a sua maravilhosa cor, que ele próprio dá e que contrasta com a ideia que temos todos do Torpedo a preto e branco. Confesso que sempre imaginei o Torpedo a preto e branco. Mas temos de ter em conta que os anos passaram e que já estamos em 1972. E os filmes, como O Padrinho, já são a cores. Por isso, este Torpedo tinha que ser a cores. E a cor de Risso é espectacular”.
Este espectacular regresso encerra com chave de ouro a edição integral em português da série Torpedo, mas não encerra a segunda vida de Luca Torelli, mais conhecido por Torpedo, pois Abulí e Risso já estão a trabalhar num segundo álbum do velho Torpedo, que contam terminar ainda em 2018.
Publicado originalmente no jornal Público de 03/03/2018

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Um punhado de imagens do Viñetas desde o Atlântico 2017

Treze anos depois, regressei finalmente ao Viñetas desde o Atlântico, o Festival de BD da Corunha organizado por Miguelanxo Prado, com uma equipa que inclui Carlos Portela e Melo Melowsky (que é também o responsável pela área de BD da Comic Con portuguesa)  e que é, a par com o Festival de Beja, o mais simpático Festival de BD em que estive. Ao contrário da edição de 2004, onde estive como convidado, acompanhando uma exposição dedicada ao 25 de Abril na BD Portuguesa, que comissariei, desta vez regressei como simples turista, apanhando apenas os últimos dias do Festival, com a programação oficial praticamente terminada, o que me impediu de reencontrar alguns amigos e conhecidos e de apanhar a última sessão de autógrafos com os autores presentes, que estava a terminar no momento em que eu estava a chegar à Coruña, por volta das 14h de sábado.
E aqui fica um aviso para os visitantes que forem de Portugal: no Viñetas respeitam mesmo a hora da siesta tão tipicamente espanhola. Entre as 14h e as 18h todos os espaços de exposição estavam fechados, tal como as lojas da Rua da BD, o espaço junto ao Kiosco Alfonso, onde estão instalados os stands das editoras e das livrarias galegas.
O lado bom de ter chegado no "fim da festa", é que, com excepção da Biblioteca Salvador de Madariaga, que estava fechada ao domingo. acabei por guardar a minha visita às exposições e à área comercial, para a manhã de domingo, onde havia muito menos gente no que no sábado à tarde, o que permitiu visitar as exposições com outra calma.
Contando com o Kiosco Alfonso como núcleo principal, as exposições estavam espalhadas também por outros lugares próximos, como a Fundacion Barrié, ou novo edifício Palexco, situado junto ao mar e também para outros lugares mais distantes, como a Torre de Hércules, símbolo icónico da Coruña, onde estava uma exposição dedicada aos 20 anos de cartazes do festival, que incluía o magnífico cartaz de Das Pastoras para a edição deste ano, que não tive oportunidade de visitar.
Mas as melhores exposições estavam no Kiosco Alfonso, o coração do Festival, que albergava pranchas originais (e impressões digitais) de Dave Mckean, Ralph Meyer, Eduardo Risso, Julie Rocheleau e o galego Kiko da Silva.
Mckean apresentou os quatros projectos de BD em que está a trabalhar neste momento e que, com excepção de Black Dog, ainda não foram publicados e que além de Caligaro, um projecto em que o desenhador trabalha desde a sua passagem pelo Festival de BD de Beja, inclui também um projecto feito em parceria com Roger Dean, o conhecido ilustrador das capas dos discos de bandas de rock sinfónico como os Yes.
Ralph Meyer concentrou a sua exposição na série Undertaker, o popular Western criou com Dorrison  e que é um dos melhores exemplares actuais da BD de aventura clássica franco-belga e os seus originais a preto e branco são magníficos, tal como as suas pinturas a cores. Eduardo Risso apresentou uma exposição antológica, que incluía trabalhos mais antigos como Parque Chas, ou Fulú, até títulos mais recentes como Moon Shine, ou Torpedo 1972, em que retoma o famoso (anti)herói de Abuli e Bernet. Mas, para mim, a grande surpresa da exposição de Risso, foram os magníficos originais a cores de 1950, uma história de 2010 que, presumo, terá sido a sua última colaboração com Carlos Trillo.
Se Meyer, McKean e Risso são autores cujo trabalho conheço bem, já Kiko da Silva, de quem conhecia apenas o divertido O Inferno do Desenhador, foi uma muito agradável surpresa, pela qualidade e versatilidade do seu trabalho, que não se limita ás duas dimensões da BD. Outra belíssima surpresa foi o trabalho (inteiramente digital) da canadiana Julie Rocheleau, que tem feito carreira na BD franco-belga e que revela um traço de grande elegância, excelente sentido de composição e um trabalho de cor tão inesperado como espectacular.
A nível das exposições que visitei, destaque ainda para a mostra dedicada os 10 Anos do Prémio Nacional del Comic, que incluía várias obras já publicadas em Portugal, como A Arte de Voar, de Altarriba e Kim, Ardalém, de Miguelanxo Prado, Rugas, de Paco Roca, e Blacksad: Amarillo, de Guarnido e Diaz Canales. 
A parte comercial, para além de dar para perceber que, entre franceses, japoneses e americanos, praticamente tudo o que de importante se publica no mundo está disponível em espanhol, mas as minhas compras centraram-se na BD espanhola em geral e na BD galega em particular. E aqui, merece destaque a revista La Resistência, publicada pela editora Dibbuks, que neste sexto número tem 128 páginas de BD e recolhe histórias de mais de uma vintena de autores.
Mas para além dos espaços do Festival, a BD está bem presente na Coruña, seja através das estátuas de personagens de BD (algumas bastante mais conseguidas do que outras), seja nos grafittis, ou num espaço como a Pulperia de Melide, um restaurante onde servem exclusivamente polvo à galega, cujas paredes estão decoradas com desenhos dos autores que passaram pelas Viñetas do Atlântico.

                 Uma escultura de Blacksad, junto a um dos núcleos do Viñetas

                                 O fantástico trabalho de Julie Rocheleau
                                  1950. A última (?) colaboração de Trillo e Risso
                                             Black Dog, de Dave McKean
 Original de Bardin, de Max, um dos vencedores do Prémio Nacional de Comic
                           Uma parede da Pulperia de Melide cheia de desenhos
                                   Algumas das BDs que trouxe da Coruña

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Novela Gráfica III 4 - Batman: Uma história Verdadeira

QUANDO UMA AVENTURA DE BATMAN 
PODE SER UMA HISTÓRIA AUTOBIOGRÁFICA

Novela Gráfica III
Vol. 4 
Batman, uma História Verdadeira
Argumento -  Paul Dini
Desenhos – Eduardo Risso
Sexta, 21 de Julho
Por + 9,99€
Escrita por Paul Dini, argumentista de BD e de televisão, produtor e realizador de cinema de animação e criador da Harley Quinn, a carismática namorada do Joker, que esteve em grande destaque no filme do Esquadrão Suicida, Batman, uma História Verdadeira, a novela gráfica que chega às bancas na próxima sexta-feira, é, e não é, uma história do Batman, do mesmo modo que é, e não é, uma autobiografia.
Exemplo perfeito de como as fronteiras entre os diferentes géneros de BD nem sempre são estanques, Batman, Uma História Verdadeira é um relato autobiográfico em que Batman e os outros personagens do universo de ficção da DC Comics têm um papel preponderante. Reflexão catártica de Dini sobre um acontecimento que mudou a sua vida: um assalto e agressão ocorridos em 1993, quando trabalhava em Batman, The Animated Series, e especificamente na primeira longa-metragem derivada dessa série animada, The Mask of the Phantasm, que o deixou com cicatrizes profundas, tanto a nível físico, como sobretudo mental, este livro estilhaça literalmente a "quarta parede" entre o criador e as suas criações, colocando o autor em constante diálogo com as personagens que costumava escrever e que vão acabar por ser a porta de saída da depressão em que se encontrava preso.
Esse trauma longamente reprimido, mas nunca esquecido, só seria tornado público numa entrevista recente ao podcast Fatman on Batman, do realizador de cinema Kevin Smith. E foi depois disso que Dini decidiu transformar a sua experiência traumática numa novela gráfica publicada pela Vertigo em 2016, que está nomeada para o prémio Eisner de Melhor História Baseada em Factos Reais, na San Diego Comic Com de 2017.
A dar vida às memórias de Dini neste relato desarmante de honestidade, está o mestre argentino Eduardo Risso, bem conhecido dos leitores portugueses graças aos títulos editados pela Levoir, como Parque Chas, Batman Noir e (em breve) 100 Balas, que confirmando todo o seu imenso talento, dá aqui provas de uma versatilidade inesperada, adaptando completamente o seu traço às necessidades específicas dos diferentes momentos da história. Mestre do preto e branco, como Batman Noir demonstra à saciedade, Risso ocupa-se pela primeira vez também da cor de uma história que desenhou, com resultados deslumbrantes, mas também extraordinariamente eficazes em termos narrativos.
A cor assume uma grande importância em termos da história que Dini quer contar e Risso utiliza-a com precisão, alternando o registo gráfico e o tratamento pictórico entre as cenas em que Dini fala com as personagens do universo do Batman e os momentos reais, tratados num estilo mais próximo do que lhe é habitual. Veja-se, por exemplo, as sequências da infância de Dini, em que o jovem Paul, quase transparente para os seus colegas de escola, vai ganhando cor quando entra no seu mundo de fantasia, habitado pelas personagens da televisão, do cinema da literatura e da BD que marcaram a sua vida.
Texto publicando originalmente no jornal Público de 15/07/2017

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Apresentação da colecção Novela Gráfica III

AS DIFUSAS FRONTEIRAS DA NOVELA GRÁFICA

Na Banda Desenhada como no resto da vida, as categorias são úteis, pois permitem trazer uma certa ordem e arrumação a uma realidade complexa e mutável. Tal como as categorias taxonómicas de Lineu em relação à biologia, também na BD é possível delimitar grandes categorias em que se consegue, com maior ou menor dificuldade, encaixar a maioria das obras produzidas. Categorias, ou géneros, como as histórias autobiográficas, os comics de super-heróis, as séries de aventura, o mangá japonês (com todas as suas subcategorias), as adaptações literárias, a BD de temática histórica, a reportagem em BD, os relatos intimistas, entre muitas outras.
Mas se há uma coisa que esta terceira série da colecção Novela Gráfica vem demonstrar, é que estas fronteiras entre géneros são relativamente difusas e bastante permeáveis apesar de, à primeira vista, a maioria destes títulos se encaixar facilmente numa determinada categoria, com destaque para as narrativas autobiográficas, género onde é possível incluir Os Ignorantes, de Etienne Davodeau; Batman, Uma História Verdadeira, de Dini e Risso; K.O em Telavive, de Asaf Hanuka; Histórias do Bairro, de Beltran e Segui e Tempos Amargos, de Étienne Schréder.
Mas uma observação mais atenta permite perceber que não é exactamente assim. Veja-se o caso do título que abre esta terceira série: o Ronin de Frank Miller. Obra em que se misturam as influências do chambara manga, as séries japonesas de samurais, da BD europeia de ficção científica, popularizada por Moebius e pelos seus colegas da revista Metal Hurlant, criada por um autor que fez carreira no universo dos super-heróis, Ronin, para além de ser um verdadeiro tour de force em termos narrativos e visuais, é um título percursor em termos do próprio conceito de novela gráfica, e do reconhecimento dos direitos dos autores por parte das grandes editoras.
Também Traço de Giz, de Miguelanxo Prado, que regressa ao mercado português, quase 25 anos depois, numa luxuosa edição que faz inteira justiça à importância do livro, é um trabalho dificilmente classificável dentro da obra de Prado, marcada por uma crítica feroz (divertida, ou não) da realidade quotidiana, mas que aqui nos traz uma história ambígua de desencontros amorosos, marcada pelas referências ao realismo mágico sul-americano e que deixa ao leitor a responsabilidade de construir a sua versão do que terá realmente acontecido.
Outro exemplo de que as diferentes categorias não são necessariamente exclusivas é Batman, Uma História Verdadeira, de Paul Dini e Eduardo Risso, que é assumidamente uma história autobiográfica, que recorre ao universo dos super-heróis e em espacial ao do Batman, a que Dini está ligado como argumentista de BD e criador da série de animação Batman Adventures, para narrar de modo inovador, a forma como o assalto de que foi alvo e que lhe deixou marcas (físicas e mentais) profundas, transformou a vida de Dini.
Também Mater Morbi de Recchioni e Carnevale é mais do que uma simples história de terror protagonizada por Dylan Dog, o carismático detective do sobrenatural criado por Tiziano Sclavi, que é um dos mais populares heróis dos fumetti em geral e da editora Bonelli em particular. Inspirada pelos problemas de saúde que o seu escritor enfrentou durante a adolescência, Mater Morbi é uma reflexão sombria sobre o sofrimento e a doença que, aquando da sua publicação original em Itália, motivou um aceso debate público sobre a eutanásia, que envolveu a própria Ministra da Saúde.
Já em Os Trilhos do Acaso, obra recente do nosso bem conhecido Paco Roca, que por razões editoriais, foi dividida em dois volumes, não é inteiramente claro se estamos perante um relato biográfico de um antigo combatente, que o autor recolhe para transmitir aos leitores através da BD, com o fez Art Spiegelman em Maus, ou Emmanuel Guibert em La Guerre d’Alan, ou se se trata de uma bem documentada história de ficção, inspirada em factos reais.
Também Tomeu Pinya, em Uma Aldeia Branca – O Bar do Barbudo, vai alterando o seu registo gráfico principal, ao longo desta bela história sobre a força das histórias, seja para dar mais realismo às brincadeiras das crianças, ou mais intensidade aos pesadelos dos adultos, seja para prestar uma belíssima homenagem a Sérgio Toppi, o criador de Sharaz-De, um dos mais belos títulos da primeira série das Novelas Gráficas.
Por último, O Idiota, de André Diniz, obra que estreia em exclusivo nesta colecção ainda antes de ser publicada no Brasil, enquadra-se num género com grande tradição na Novela Gráfica: a adaptação à BD de textos literários. Só que Diniz não tem medo em pegar nas palavras de um clássico da literatura mundial, como Dostoyevsky, transformando-as em imagens, conseguindo concretizar assim o desafio de reinventar este clássico da literatura, numa versão quase sem palavras, em que a força das imagens se revela suficiente para contar a história complexa e profunda idealizada pelo grande escritor russo.

REGRESSOS E ESTREIAS


A preocupação em dar a descobrir aos leitores portugueses obras recentes de novos autores, tem sido uma característica fundamental da colecção Novela Gráfica, mas isso não pode deixar esquecer que há toda uma série de clássicos que permanecem escandalosamente inéditos, ou indisponíveis há décadas no nosso país. É nesse equilíbrio ente clássicos e contemporâneos, autores consagrados e jovens promessas que têm sido construídas as colecções que o Público e a Levoir dedicam à Novela Gráfica.
É o que acontece mais uma vez nesta Série III, onde regressam criadores como Miguelanxo Prado, Eduardo Risso, ou Paco Roca, já presentes na Série II, a par de outros nomes, que sendo presenças regulares nas livrarias e até em edições da Levoir, se estreiam finalmente na colecção Novela Gráfica. É o caso do americano Frank Miller, criador de Sin City e 300, cujo trabalho incontornável com super-heróis, como o Batman, ou o Demolidor, foi recuperado pela Levoir, que abre esta colecção com o seu primeiro grande trabalho pessoal, Ronin, editado finalmente em Portugal, trinta anos após a principal edição original americana em livro.
Também o premiado escritor inglês Neil Gaiman tem o seu trabalho no campo da BD bastante divulgado em Portugal, através de editoras como a Devir, Vitamina BD e Levoir, que lançou no ano passado, numa colecção com o jornal Público, a sua obra-prima, a série Sandman e que se estreia agora na colecção Novela Gráfica com Livros de Magia, um clássico da linha Vertigo, passado no mesmo universo de Sandman e magnificamente ilustrado por John Bolton, Scott Hampton, Charles Vess e Paul Johnson.
Embora não tão profusamente editados em Portugal, autores como Etienne Davodeau, Paul Dini, Max, Etienne Schréder e André Diniz não são exactamente desconhecidos para os leitores mais atentos. Davodeau e Max estiveram presentes, por mais do que uma vez, no Salão Internacional de BD do Porto e viram trabalhos seus editados no nosso país, em livro, ou na revista Quadrado, pela Associação responsável pela organização do referido Salão. Paul Dini é o criador de Harley Quinn, a carismática namorada do Joker e esteve em destaque na colecção Coração das Trevas DC dedicada os Vilões da editora de Batman e Super-Homem. Schréder, além de ser um dos desenhadores da série Blake e Mortimer, um dos maiores clássicos da BD franco-belga, estreou-se na Banda Desenhada com O Segredo de Coimbra, obra que já teve direito a três edições em português, a última das quais lançada em 2016. Finalmente, o brasileiro André Diniz também tem diversos trabalhos seus editados em Portugal, com destaque para O Morro da Favela, mas neste caso, vê O Idiota, a adaptação que fez do romance de Dostoyevsky sair em Portugal uns bons meses antes de ser publicado no Brasil pela editora Companhia das Letras.
Quanto às estreias em português, temos o israelita Asaf Hanuka, com K.O. em Telavive, uma recolha de cartoons autobiográficos, bem reveladores do sentido de humor, talento gráfico e sentido narrativo do excelente autor israelita. Já Mater Morbi assinala uma dupla estreia no nosso país: a de Dylan Dog, um dos mais populares personagens dos fumetti, a BD italiana, e dos seus autores, o prolífico argumentista Roberto Recchioni, actual responsável editorial da série Dylan Dog, e o desenhador Massimo Carnevale que, para além da sua colaboração como ilustrador e desenhador para as maiores editoras italianas, assinou diversas capas das séries Y, the Last Man e Northlanders para a DC/Vertigo e das séries Orchid e Conan, para a Dark Horse.
Outra estreia é a de Bastien Vivès, jovem prodígio da BD francesa, tão talentoso como produtivo e versátil (aos 27 anos já tinha 11 livros publicados) que entra nesta colecção com Polina, uma novela gráfica de 2011 sobre uma jovem bailarina, recentemente adaptada ao cinema por Valérie Muller, num filme com Juliette Binoche, que chegará aos ecrãs nacionais ao mesmo tempo que a novela gráfica que lhe deu origem.
Os maiorquinos Gabi Beltran e Bartolomé Segui, dois autores veteranos com diversos trabalhos editados no mercado europeu e o jovem Tomeu Pinya, que conquistou o público e a crítica com este O Bar do Barbudo, são mais dois exemplos de autores que se estreiam nesta colecção, mas neste caso, o seu trabalho será analisado mais em pormenor no destaque seguinte.

AS VÁRIAS FACES DA NOVELA GRÁFICA ESPANHOLA

Numa colecção marcada pela diversidade geográfica e que inclui autores israelitas, brasileiros, argentinos, ingleses, belgas, franceses, italianos e americanos, a nossa vizinha Espanha é, tal como já sucedeu na série II, a nação mais representada, com mais de um terço dos quinze volumes publicados nesta terceira série, a serem oriundos do país de “nuestros hermanos”.
Entre os autores desses volumes, naturais das mais diversas regiões de Espanha, estão nomes bem conhecidos dos leitores portugueses, como o galego Miguelanxo Prado, cujo último trabalho, Presas Fáceis, publicado na colecção anterior, arrecadou o Prémio de Melhor Livro Estrangeiro, no último AmadoraBD, que está de volta com o seu título mais premiado, Traço de Giz; o valenciano Paco Roca, que depois de O Inverno do Desenhador e A Casa, regressa com Os Trilhos do Acaso, uma história de grande fôlego (tão grande que teve de ser dividida por dois volumes) sobre um grupo de combatentes republicanos espanhóis, que vão participar activamente na libertação de Paris pelas tropas Aliadas, nos finais da Segunda Guerra Mundial; e o catalão Francesc Capdevila Gisbert, mais conhecido por Max que, com Vapor, continua a explorar o mundo surrealista que criou em Bardin, onde se cruzam as influências do cineasta Luis Buñuel, da BD e da animação dos anos 30 e da pintura de Hieronimus Bosch.
Mas se os autores atrás referidos são nomes incontornáveis do panorama actual da Novela Gráfica espanhola, cuja obra tem sido mais (no caso de Prado e Roca) ou menos (no que se refere a Max) divulgada em Portugal, já Bartolomé Segui, Gabi Beltran e Tomeu Pinya, são autores espanhóis cujo trabalho chega finalmente a Portugal graças a esta colecção. Beltran é um autor e ilustrador natural de Palma de Maiorca, que, em Histórias do Bairro se associa ao desenhador Bartolomé Segui (também ela maiorquino), para narrar, com grande sensibilidade, mas sem tabus, uma adolescência de marginalidade passada no Bairro Chinês de Palma de Maiorca, mas que se poderia passar em Barcelona, ou Lisboa. Finalmente, Tomeu Pinya, autor nascido em Palma de Maiorca, mas residente na Catalunha, tem uma estreia fulgurante em Uma Aldeia Branca – O Bar do Barbudo, com um relato que lhe valeu o Prémio Revelação no Salon del Comic de Barcelona de 2010, que se pode definir como uma matrioska de histórias, sobre Rafa, o proprietário de um bar numa aldeia qualquer de uma ilha perdida no Mediterrâneo e sobre os seus clientes e as histórias que eles têm para partilhar.
Através das obras de um autor galego, um valenciano, um catalão (radicado em Palma de Maiorca) e três maiorquinos, é possível ver que a Novela Gráfica espanhola não se restringe à Catalunha, ou ao País Basco, onde estão instaladas as principais editoras de BD do país vizinho, mas que passa também por locais como a Galiza, ou Palma de Maiorca, cuja dinâmica cultural e incentivo à divulgação da produção local se reflecte também no conteúdo desta série III das Novelas Gráficas.

A COLECÇÃO

1 –Ronin 
30 de Junho
Argumento e Desenhos – Frank Miller
Um samurai desonrado do século XIII renasce numa Nova Iorque futurística e distópica, para tentar a sua última hipótese de redenção: encontrar, confrontar e derrotar o demónio Agat, responsável pela morte do seu mestre. Mas na Manhattan violenta do século XXI as coisas não são bem o que parecem e Ronin terá de se unir a Billy Chalas, um jovem com poderes telecinéticos, para conseguir destruir Agat.
Criador de Sin City, 300, Batman: O regresso do Cavaleiro das Trevas, Demolidor: Renascido e Elektra Assassina, entre muitos outros títulos que revolucionaram o mundo da BD, o escritor, desenhador e cineasta Frank Miller é uma lenda viva dos comics americanos e Ronin foi uma obra pioneira e uma das primeiras novelas gráficas lançadas no mercado americano.

2 – Traço de Giz
07 de Julho
Argumento e Desenhos – Miguelanxo Prado
Um marinheiro chega a uma pequena ilha perdida no oceano, onde apenas existem dois habitantes, um farol que não funciona, uma pequena estalagem e alguns visitantes ocasionais. Uma narrativa aparentemente simples, com um toque de realismo mágico, sobre desencontros, incompreensões, sonho ou realidade.
Miguelanxo Prado é um dos mais premiados autores espanhóis. Traço de Giz foi um dos seus maiores sucessos críticos e comerciais e a sua obra mais premiada, entre os quais, com o prémio de Melhor Álbum no Salão do Comic de Barcelona e o de Melhor Álbum Estrangeiro em Angoulême. Esta nova edição inclui uma extensa galeria de extras e páginas de BD inéditas.

3 – Os Ignorantes
14 de Julho
Argumento e Desenhos – Étienne Davodeau
Davodeau é autor de banda desenhada e não sabe grande coisa de vinhos. Richard Leroy é viticultor e quase nunca leu BD. Mas ambos têm boa vontade e muita curiosidade. Porque é que uma pessoa decide dedicar-se a escrever e desenhar livros de BD, ou a cultivar vinho? Durante mais de um ano, irão ambos descobrir as respostas a essas e outras perguntas, abrindo muitas garrafas de vinho, e lendo imensos livros. Étienne trabalhou nas vinhas, e Richard mergulhou no universo da narrativa sequencial. O resultado é uma história de amizade e iniciações cruzadas e um momento único de felicidade.
Étienne Davodeau é um dos maiores autores da BD francesa actual, conhecido pelas suas obras firmemente ancoradas no real, tendo vencido por duas vezes o prémio France Info de BD de Reportagem.

4 –Batman: Uma História Verdadeira
21 de Julho
Argumento – Paul Dini 
Desenhos – Eduardo Risso
Batman vai ajudar um homem desencorajado a recuperar de um ataque brutal que o deixou incapaz de enfrentar o mundo.
Nos anos 90, o premiado escritor Paul Dini estava no auge da sua carreira com a popular série Batman: The Animated Series. Uma noite, a caminho de casa, foi assaltado e fortemente espancado, ficando às portas da morte. A recuperação foi lenta e complicada, e Dini imaginou que o Batman sempre esteve ao seu lado, mesmos nos momentos mais difíceis.
Uma história de Batman como nenhuma outra, ilustrada com a incrível arte do talentoso desenhador argentino Eduardo Risso (Batman Noir, Parque Chas)

5 – Polina
28 de Julho
Argumento e Desenho – Bastien Vivés
A história de uma jovem bailarina e a sua relação com o seu professor, contada com grande elegância e simplicidade por Bastien Vivés, um jovem prodígio da BD franco-belga, co-criador da popular série Last Man.
Polina é uma obra-prima de grande leveza e graciosidade e ainda assim densa em conteúdo, considerada como a melhor novela gráfica de Bastien Vivés, tendo vendido mais de 40.000 cópias em França e merecido uma adaptação ao cinema, que estreia em Portugal em Julho.

6 – K.O. em Telavive
04 de Agosto
Argumento e Desenho – Asaf Hanuka
Como é que se pode ser israelita? Como é que se pode viver num país sempre em guerra?
Tel Aviv é uma cidade vibrante, cheia de prazeres, e com uma das cenas artísticas mais vibrantes do mundo, um Sin City dentro de Jerusalém.
Invocando a sua condição de artista, pai, marido ou cidadão israelita, Asaf Hanuka retrata o dia-a-dia do seu país, mas não só. Apresenta-nos todos os ícones dos nossos dias, desde o cubo Rubik aos Transformers, do Iphone ao Facebook de uma forma que deixa os leitores… K.O.

7 – Dylan Dog: Mater Morbi
11 de Agosto
Argumento – Robertto Recchioni 
Desenho – Massimo Carnevale
Quando uma doença tão estranha como repentina atinge Dylan Dog, parece que nada será capaz de o curar. A sua única hipótese de salvação consiste em confrontar Mater Morbi, a entidade que se alimenta do seu sofrimento e acompanhá-la numa viagem ao coração das trevas e da dor.
Série de culto e verdadeiro fenómeno cultural, a série Dylan Dog, criada por Tiziano Sclavi em 1986 é um bom exemplo dos fumetti italianos. Actual responsável editorial pela série, Roberto Recchioni assina em Mater Morbi uma das melhores histórias de Dylan Dog das últimas décadas, muito graças ao notável trabalho gráfico de Massimo Carnevale.

8 –Vapor
18 de Agosto
Argumento e Desenhos – Max
Vapor, um eremita exilado num estranho deserto bastante frequentado, enfrenta a tentação sobre as mais diversas formas, numa história surrealista, entre o minimalismo e o género fantástico, marcada por um humor delirante.
Criador de Peter Punk, editor da revista Nosotros Somos los Mortos, um dos nomes maiores da revista El Vibora e colaborador frequente da revista New Yorker, o catalão Max, na sua fúria contra o mundo e no seu carinho pela arte dos comics, criou um heroísmo perfeito; tão absurdo que dói no nervo exacto onde a arte se deve sentir.

09 –  Os Livros de Magia
25 de Agosto
Argumento – Neil Gaiman
Desenhos – John Bolton, Scott Hampton, Charles Vess e Paul Johnson
Neil Gaiman, o premiado escritor que é presença habitual na lista de best-sellers do New York Times e criador do Sandman, traz-nos um conto fascinante sobre os perigos e oportunidades da juventude e suas infinitas possibilidades. Ilustrado por quatro dos artistas mais consagrados de língua inglesa, John Bolton, Scott Hampton, Charles Vess e Paul Johnson, Os Livros da Magia recolhe os quatro números da minisérie original publicada pela Vertigo, que introduziu o personagem de Timothy Hunter e preparou o palco para a sua revista mensal.

10 –  Histórias do Bairro
01 de Setembro
Argumento – Gabi Beltran 
Desenhos – Bartolomé Segui
Palma de Maiorca, anos 80. Cada esquina do bairro chinês tem uma história que contar.
Gabi, o ainda adolescente protagonista, anda pelas ruas do seu pequeno mundo com os seus amigos Benjamim, Arnaud, Falen e Ramos, tratando de entendê-lo. Assim experimenta drogas, descobre o sexo, refugia-se na literatura e no desenho. Mais unido aos amigos do que à família, descobre que as diferenças sociais são também fronteiras, e que estas por vezes são inultrapassáveis.
Um relato autobiográfico de Gabi Beltran a que Bartolomé Segui dá vida com os seus desenhos.

11 – Tempos Amargos
08 de Setembro
Argumento e Desenhos – Etienne Schréder
História autobiográfica sobre os problemas do autor com o alcoolismo, que o levaram a abandonar tudo e a viver como sem-abrigo. O alcoolismo é uma doença que afecta milhares de pessoas. Difícil de tratar, é um assunto cuja evocação roça o tabú. Porque há uma realidade que não se pode romantizar, Schréder oferece a experiência da sua jornada para o fim da vida.
Professor de BD e director da Maison Autrique, Étienne Schréder é um dos actuais desenhadores da série Blake & Mortimer e autor do álbum O Segredo de Coimbra.

12 – Os Trilhos do Acaso Vol 1 
15 de Setembro
Argumento e Desenhos – Paco Roca
Através das recordações de Miguel Ruiz, republicano espanhol exilado em França, Paco Roca reconstrói a história de La Nueve, a companhia sob comando do Capitão Dronne integrada na segunda divisão do General Leclerc, e formada maioritariamente por espanhóis republicanos, exilados em Marrocos, após a vitória de Franco.
Uma história apaixonante e esquecida, sobre a contribuição espanhola na Segunda Guerra Mundial, contada com o talento e a eficácia habituais em Paco Roca (O Inverno do Desenhador, A Casa).

13 – Os Trilhos do Acaso Vol 1I
22 de Setembro
Argumento e Desenhos – Paco Roca
A história de Miguel Ruiz e dos outros membros da companhia La Nueve prossegue neste segundo volume, centrado no regresso da companhia à Europa e na sua participação activa na libertação de Paris pelas tropas aliadas.
Um dos mais recentes e premiados trabalhos de Paco Roca, galardoado com o Prémio Zona Cómic, Melhor Obra Nacional del Salón del Cómic de Barcelona e o Romics do Salão de Comic de Roma, em 2014

14 – Uma Aldeia Branca: O Bar do Barbudo
 29 de Setembro
Argumento e Desenho – Tomeu Pynia
A insaciável curiosidade de um empregado de bar é a desculpa perfeita para nos introduzir numa série de histórias que tecem um tapete de relações humanas.
O Bar do Barbudo guia-nos através de uma aldeia e do seu bar, de que é o centro e a bandeira. Uma história de histórias salpicada de Mediterrâneo. Uma história de carácter intimista, ritmo calmo e com espaço para reflexão, nostalgia e humor.
Obra de afirmação do talento do catalão Tomeu Pynia, galardoada com o Prémio Popular Autor Revelação no Salón del Cómic de Barcelona, em 2010.

15 – O Idiota
06 de Outubro
Argumento – Dostoevsky e André Diniz
Desenhos – André Diniz
O Idiota é uma inesperada adaptação em BD do romance do escritor russo Fiódor Dostoyevsky, contada por imagens, usando a linguagem visual exclusiva da BD, num registo em que o texto está praticamente ausente. Um verdadeiro tour-de-force narrativo, assinado por um dos mais premiados autores brasileiros contemporâneos. André Diniz é argumentista e ilustrador de BD, estando a residir actualmente em Portugal, país onde O Idiota será lançado em rigorosa estreia mundial.
Textos publicados originalmente no destacável distribuído com o jornal Público de 29/06/2017