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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Batman 80 Anos 8 - O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar Vol 1

O CAVALEIRO DAS TREVAS DE FRANK MILLER REGRESSA 

80 Anos de Batman Vol 8
Batman: O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar Vol 1
Argumento e Desenhos – Frank Miller
Quinta, 11 de Abril
Por + 11,90 €
Nos próximos dois volumes da colecção dedicada aos 80 anos de Batman, que se cumpriram precisamente no passado dia 30 de Março, vai estar em grande destaque o autor que mais contribuiu para a popularidade do Cavaleiro das Trevas, através de duas histórias absolutamente seminais, publicadas na década de 80, mas que ainda hoje se mantém como clássicos incontornáveis. Essas histórias são O Regresso do Cavaleiro das Trevas e Batman: Ano Um e o seu autor é, como já terão adivinhado, Frank Miller.
Depois de ter publicado esses dois clássicos na colecção dedicada aos 75 anos do Homem Morcego, a Levoir lança agora em dois volumes O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar, a inesperada sequela que assinala o regresso de Frank Miller ao universo distópico e futurista de um Batman envelhecido, que regressa ao activo para combater o crime.
Publicada originalmente entre 2001 e 2002, quinze anos após a publicação da saga original, como uma mini-série em três edições de luxo, O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar surpreendeu aqueles que esperavam uma continuação linear do primeiro Cavaleiro das Trevas. Embora a acção desta sequela decorra apenas três anos depois da aparente morte de Bruce Wayne, no mundo real passaram-se quinze anos. Quinze anos em que o mundo mudou e Frank Miller também, algo que é bem evidente no traço estilizado de Miller, cada vez mais longe do realismo do início da sua carreira, mas sobretudo nas cores de Lynn Varley, habitual colorista - e à época, casada com Frank Miller - que aqui troca as cores a aguarela, que tão bem usou em Ronin, O Regresso do Cavaleiro das Trevas e 300, pelas cores digitais do Photoshop. Cores propositadamente artificiais, que acentuam a dimensão artificial desse mundo aparentemente perfeito, onde reina a paz e a harmonia, mas onde até o próprio Presidente dos Estados Unidos da América não passa de um holograma. É essa utopia de fachada que vai ser destruída por um regressado Batman, que vai reunir todos os seus aliados para combater a ameaça de Lex Luthor.
Outra diferença fundamental de O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar para o seu antecessor, é a presença alargada do panteão da DC, com personagens como Jimmy Olsen, Brainiac, Lex Luthor, Shazam, o Flash, Lanterna Verde, o Átomo, o Questão e Diana, a Mulher-Maravilha, que estiveram ausentes em O Regresso do Cavaleiro das Trevas, a serem fulcrais no evoluir da intriga desta história, em que a Trindade dos maiores Heróis da DC, constituída pelo Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha, brilha a grande altura, tal como Carrie Kelley, a Robin de O Regresso do Cavaleiro das Trevas, que se mantém como braço direito do Batman, mas agora enquanto Catgirl.
Se em termos gráficos, o registo escolhido pode não ser consensual, em termos narrativos, não há dúvidas quanto ao virtuosismo de Miller. Basta ver a forma como gere a presença do Batman, que permanece nas sombras durante bastante tempo, para surgir finalmente em toda a sua glória apenas no final do primeiro livro, para voltar a enfrentar o Super-Homem.
Publicado originalmente no jornal Público de 06/04/2019

segunda-feira, 6 de março de 2017

Apresentação da Colecção No coração das Trevas DC


É já na próxima quinta-feira, 9 de Março, que começa a 3º colecção do Público e da Levoir dedicada à DC Comics e a primeira completamente dedicada aos vilões da Editora de Batman e Super-Homem. Como de costume, aqui vos deixarei, no dia da saída de cada livro, o texto que escrevi sobre ele para o jornal Público. Mas antes disso, aqui fica o destacável de 4 páginas de apresentação da colecção, que foi distribuído ontem com o  jornal de sábado e será redistribuído na próxima terça-feira.

NO CORAÇÃO DAS TREVAS

Já dizia Alfred Hitchock que quanto mais conseguido fosse o “mau da fita”, maiores eram as probabilidades de um filme ter sucesso. Uma afirmação que se aplica com toda a propriedade às histórias da DC Comics, cuja galeria de vilões é incomparável, conforme o leitor poderá comprovar durante as próximas dez semanas. É certo e sabido que todos os heróis precisam de um inimigo, alguém que os defina pelo seu oposto. Desde os heróis da mitologia até aos ícones da cultura popular, seja na BD ou no cinema, todos tiveram um inimigo à sua altura. E, se os heróis míticos do passado tiveram esses inimigos, também os mitos modernos que são os super-heróis da DC os têm. Todos os conhecemos, Lex Luthor tem o Super-Homem, Joker, o Batman, Sinestro, o Lanterna Verde, só para falar nos que estão presentes nesta colecção. É esse o desafio que esta nova colecção DC, a primeira dedicada ao lado sombrio da editora de Batam e Super-Homem coloca aos leitores do Público: assistir aos maiores confrontos entre heróis e vilões, voltar a encontrar - ou conhecer pela primeira vez - os mais terríveis dos supervilões, e mergulhar no coração das trevas do universo DC!

Naturalmente, o vilão perfeito para começar uma colecção como esta, é o Joker. O Príncipe Palhaço do Crime, encarnação perfeita do Mal e do Caos no universo DC, que já tinha tido direito a um volume próprio numa anterior colecção e que aqui está mais uma vez em destaque, quer em nome próprio, quer partilhando o palco com outros vilões do universo de Batman, universo esse que, como o demonstra a série televisiva Gotham, é suficientemente rico para justificar uma colecção própria.
Mas a colecção não se constrói apenas com o Joker, embora ele seja possivelmente o mais carismático dos vilões que aqui encontramos. Há também um espaço reservado para a sua namorada, e uma das mais populares personagens da DC, a Dra. Harleen Quinzel, transformada em Harley Quinn, a Arlequina. Psiquiatra no Asilo Arkham, que se apaixona pelo Joker e acaba por trocar uma carreira de sucesso por uma vida de crime e um amor nem sempre correspondido, a carreira de Harley foi marcada pelo cinema e animação: surgiu nos desenhos animados de Batman em 1992, e acaba de se tornar numa das mais conhecidas personagens do Universo DC graças à excepcional interpretação da actriz Margot Robbie no filme do Esquadrão Suicida. Apresentamos no quinto volume desta colecção, Louco Amor, um dos grandes clássicos da DC escrito por Paul Dini (que também a tinha criado para os desenhos animados) e desenhada por Bruce Timm, no seu inconfundível visual inspirado na animação. Uma história premiada que é complementada por mais duas histórias dos mesmos autores com o mesmo estilo, uma delas, Demónios, uma maravilhosa homenagem a Jack Kirby e ao seu Etrigan, que os leitores mais atentos puderam descobrir no primeiro volume da série Sandman.
E Harley Quinn brilha pela sua presença noutros volumes da colecção, começando pelo do Esquadrão Suicida. Com argumento de Ales Kot, esta selecção de histórias apresenta uma fase bastante próxima do visual e ambiente do filme, e inclui dois capítulos independentes, que focam respectivamente a própria Harley Quinn, e Deadshot, o Pistoleiro. E também no volume 8, O Asilo do Joker, ela tem a sua própria história, num volume em que encontramos histórias auto conclusivas, inspiradas nos grandes clássicos da EC Comics, que nos mostram alguns dos mais conhecidos vilões de Gotham: Pinguim, Hera Venenosa, Duas-Caras, Harley Quinn, e o próprio Joker, que serve de verdadeiro “apresentador” de histórias loucas saídas das sombras das celas do mais terrível asilo do Universo DC, na melhor tradição da revista Tales From The Crypt. Juntando estes dois volumes, os fãs têm uma verdadeira legião de vilões: os anti-heróis do Esquadrão e alguns dos maiores inimigos do Batman. E, por falar de inimigos do Batman, temos também um belíssimo volume da Catwoman, que tem oscilado entre inimiga e amiga (e amante) do Cavaleiro das Trevas. O Grande Golpe de Selina, uma saga assinada pelo recentemente falecido Darwyn Cooke, e que nos apresenta a nossa anti-heroína numa aventura com ambiente de suspense noir, que assinalou o seu regresso às páginas das revistas da DC, numa premiada colaboração entre Brubaker e Cooke.
Mas nenhuma colecção ficaria completa sem o Super-Homem, o mais antigo e mais poderoso dos heróis da DC. E que melhor inimigo apresentar do que o próprio... Apocalipse! Caçador/Presa é uma emblemática história do Super-Homem, que veio na sequência da saga da sua morte, e que coloca em cena o mais épico confronto entre o herói e Apocalipse, numa história em que nos é também contada a origem deste supervilão, proveniente de Krypton, como o próprio Homem de Aço.
Pra além da saga da Guerra do Corpo Sinestro, temos também uma das sagas mais recentes da DC, Mal Eterno, em que a realidade é subvertida, e são os heróis que se transformam em vilões. Na verdade, os vilões da Terra 3, que são a contra-parte dos heróis da Terra normal, vão tomar conta do planeta. Depois da Liga da Justiça ter aparentemente desaparecido, será Lex Luthor, a juntar um conjunto de vilões e formar uma “Liga da Injustiça” para salvar o mundo. Escrita por Geoff Johns, e com a arte magnífica de David Finch, Mal Eterno foi uma das últimas grandes sagas globais da fase dos Novos 52, e um dos grandes sucessos da recentes da DC, que fecha com chave de ouro uma colecção que seria um crime perder!

Os volumes da colecção

1 – Joker: O Príncipe Palhaço do Crime
09 de Março
Argumento – Bill Finger, Denny O’Neil, Ed Brubaker e Andy Kubert
Desenhos – Bob Kane, Neal Adams, Dough Mahnke e Andy Clark
O Príncipe Palhaço do Crime, o Jogral do Genocídio, o Arlequim da Anarquia, a encarnação perfeita do Caos no universo DC: o Joker! Toda a genial loucura do Joker está aqui posta a nu, numa selecção de cinco histórias assinadas pelos maiores nomes dos comics americanos, que nos revelam a evolução da sua carreira maníaca e excêntrica, incluindo a sua primeira aparição no mítico Batman # 1.
Alguns dos maiores autores de comics de sempre estão representados nesta antologia, incluindo Bob Kane e Bill Finger, Neal Adams, Ed Brubaker, Doug Mahnke e muitos outros. Um volume ideal para mergulhar no coração das trevas do Universo DC!
2  – Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 1
16 de Março
Argumento – Geoff Johns e Dave Gibbons
Desenhos – Ethan Van Sciver e Patrick Gleason 
Em A Guerra do Corpo Sinestro, o maior inimigo do Lanterna Verde recebe por fim o seu há muito merecido destaque. Outrora o maior do Corpo dos Lanternas Verdes, Sinestro tornou-se no seu mais implacável inimigo, movido apenas pelo rancor e desejo de vingança. Mas, agora, revelará o seu novo e terrível propósito, numa saga épica que fez de Green Lantern o título de referência da DC Comics no final dos anos 2000.
Geoff Johns e Ivan Reis são os dois nomes maiores que agraciam este volume, que conta com um verdadeiro quem-é-quem de talento da DC, como Ethan van Sciver, Dave Gibbons (o desenhador de Watchmen, que aqui surge como argumentista) e Patrick Gleason.
3  –Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 2
23  de Março
Argumento – Geoff Jhons e Dave Gibbons
Desenhos – Patrick Gleason e Ivan Reis
A batalha contra o Corpo Sinestro atinge o seu clímax na Terra, com o destino do próprio Multiverso em jogo. E a parada está mais alta que nunca, pois Sinestro luta numa frente unida ao lado das maiores ameaças que o Universo DC alguma vez conheceu: Superboy Primal, Parallax, o Super-Homem Ciborgue e o temível Antimonitor, visto pela última vez em Crise nas Terras Infinitas.
A Guerra do Corpo Sinestro deu início a um sucesso crítico e comercial sustentado sem precedentes para o Lanterna Verde, e consolidou a reputação de Geoff Johns como o homem com o toque de Midas na DC e o mais importante escritor de sempre das aventuras do gladiador esmeralda.
4  – Mulher-Gato: O Grande Golpe de Selina
30 de Março
Argumento e Desenhos –  Darwin Cooke
Quando decide abandonar a vida do crime, Selina Kyle, a Mulher-Gato apercebe-se que vai precisar de dinheiro para sobreviver honestamente. A solução é efectuar um último grande golpe, tendo por um alvo um comboio carregado de dinheiro da Máfia. Mas quando descobre que um grupo de criminosos profissionais tem o mesmo objectivo, Selina apercebe-se que o golpe perfeito pode afinal terminar com a sua morte.
Darwyn Cooke, o premiado ilustrador, escritor e animador canadiano, recentemente falecido, que já tinha sido responsável por uma das melhores fases da Mulher-Gato, ao lado do escritor Ed Brubaker, assina aqui um excelente policial negro, na linha das premiadas adaptações que fez dos romances de Richard Stark.
5  –Esquadrão Suicida: Disciplina e Castigo
06 de Abril
Argumento – Ales Kot, Matt Kindt
Desenhos – Patrick Zircher, Rick Leonardi, Neil Goose, Sam Barsi e Keith Champagne
O Esquadrão Suicida é uma das mais famosas equipas de vilões da DC, um grupo de criminosos que aceitam missões impossíveis a troco da redução das suas penas. E neste volume temos novos membros da equipa e um novo líder que vai tornar esta equipa no mais eficiente grupo de assassinos e ladrões de sempre! Este volume conta também com duas histórias completas que exploram o passado e as motivações de Deadshot e Harley Quinn. 
Ales Kot é um dos mais originais e inovadores argumentistas da actualidade, cujas histórias granjearam grande sucesso crítico, com o seu misto de irreverência e crítica social. É acompanhado neste volume pelo escritor Matt Kindt e pelo artista Patrick Zircher.
6  – Joker & Harley Quinn: Amor Louco
13 de Abril
Argumento –  Paul Dinie Bruce Timm
Desenho – Bruce Timm, Glen Murakami
O Joker conta um novo aliado na luta sem fim que o opõe ao Batman. Harley Quinn, a psiquiatra que se vai tornar sua amante e cúmplice, numa relação perturbada, em que o amo, a violência e a loucura se misturam. 
Nascida na série televisiva Batman Adventures, Harley Quinn, a vistosa companheira do Joker, rapidamente se tornou uma das mais populares personagens da série, acabando por passar para os quadradinhos em Amor Louco, história premiada com um prémio Eisner e que Frank Miller considera como uma das melhores histórias do Batman que já leu.  
Essa e outras duas histórias assinadas pelo argumentista e produtor televisivo Paul Dini e o ilustrador e animador Bruce Timm, criadores da premiada série televisiva Batman Adventures estão reunidas neste volume que traz o Batman da animação para a BD, com resultados notáveis.
7  –Super-Homem  & Apocalipse: Caçador e Presa
20 de Abril
Argumento – Dan Jurgens
Desenho – Brett Brending
O Super-Homem tem de percorrer a galáxia para o conseguir caçar Apocalipse, um dos mais temíveis vilões cósmicos do Universo DC, o responsável pela sua morte, Mas à medida que o Super-Homem se aproxima do seu objectivo, vai descobrir que será o caçador a transformar-se na presa! A história que revela a origem surpreendente de Apocalipse e a sua ligação ao planeta-natal do Homem de Aço.
Dan Jurgens é um dos grandes veteranos dos comics, e um dos poucos a escrever e desenhar simultaneamente as suas histórias. Foi o criador da saga da Morte de Super-Homem, uma das mais mediáticas histórias de sempre da DC, e voltou a colocar o Super-Homem e Apocalipse em confronto neste volume.
8  – Joker: O Asilo do Joker
27 de Abril
Argumento – Arvid Nelson, Jason Aaron e Andy Kubert
Desenho – Alex Sanchez, Andy Clarke, Juan Doe, Jason Pearson
O Joker será o nosso anfitrião nesta antologia na melhor tradição das revistas de terror da editora EC, em que o protagonismo está entregue aos principais vilões de Gotham City: Hera Venenosa, Pinguim, Duas Caras, Harley Quinn... e o próprio Joker, o Príncipe Palhaço do Crime! Cinco histórias completas que nos mergulham na mente louca dos maiores adversários do Batman.
Uma antologia que conta com os talentos de alguns dos maiores nomes dos comics, entre os quais destacamos Jason Aaron, Jason Pearson, Juan Doe ou Andy Clarke.
9  – Universo DC: Mal Eterno 1
04 de Maio
Argumento – Geoff Johns
Desenhos – David Finch e Richard Friend
Lex Luthor é dos mais complexos vilões da DC, o mais humano e talvez mais contemporâneo inimigo dos super-heróis, e, em Mal Eterno, terá ocasião de mostrar ao mundo uma faceta sua que raramente demonstra: a de anti-herói. Quando a Liga da Justiça é tida como morta e o poderoso Sindicato do Crime decide conquistar o mundo, Luthor terá de reunir um grupo de supervilões para salvar a Terra de uma ameaça maior que todos eles.
Geoff Johns e David Finch são os nomes que deram protagonismo ao lado negro da DC, nesta mini-série de grande sucesso que marcou o universo dos Novos 52, trazendo os vilões das sombras em que estavam escondidos, para as luzes da ribalta.
10  – Universo DC: Mal Eterno 2
11 de Maio
Argumento – Geoff Johns
Desenhos – David Finch Doug Mahnke e Ivan Reis
Herói, vilão, ou algo de inteiramente diferente? Lex Luthor, a mente mais brilhante da Terra, tem ele próprio dificuldade em dar resposta a essa questão, agora que se vê com o destino do mundo nas mãos, num momento em que os seus maiores heróis não lhe podem valer. Numa hora em que mesmo os mais terríveis vilões se mostram capazes de heroísmo e sacrifício, o lugar de Lex Luthor no panteão dos grandes ícones da DC poderá mudar para sempre.
Geoff Johns, David Finch, Doug Mahnke e Ivan Reis trazem-nos esta surpreendente história de redenção, que representa uma etapa inédita na história do mais famoso arqui-inimigo do Super-Homem
Textos publicados originalmente no jornal Público de 03/03/2017

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Super-Heróis DC 14 - Super-Homem e Mulher-Maravilha: O Par Perfeito



O CASAL MAIS PODEROSO DO MUNDO

Super-Heróis DC Vol 14
Super-Homem & Mulher-Maravilha: O Par Perfeito  
Argumento – Charles Soule
Desenhos – Tony S. Daniel
Quinta, 5 de Maio
Por + 9,90 €
Uma das mudanças mais importantes que a linha Novos 52 veio introduzir na história do Super-Homem, foi apagar a relação do Homem de Aço com Lois Lane, da continuidade oficial da personagem, fazendo com que um namoro que se prolongou por mais de 50 anos e que até deu em casamento, desaparecesse da cronologia oficial do Universo DC da Era Novos 52.
Já em 1969, o escritor de ficção científica Larry Niven, no seu famoso ensaio Man of Steel, Woman of Kleenex, provava a impossibilidade física de uma mulher normal resistir a uma relação sexual com um ser superpoderoso como o Super-Homem, pelo que um romance entre o Super-Homem e a Mulher-Maravilha, nesse aspecto, surge como mais lógico e natural. E a verdade é que, embora nunca antes concretizada na cronologia oficial, essa ligação entre os dois mais poderosos heróis do Universo do Universo DC foi explorada em histórias alternativas, como Kingdom Come, ou no Dark Knight Strykes Again, de Frank Miller, onde os dois têm uma filha.
Já na linha Novos 52, essa relação foi evocada por Geoff Johns, logo nas páginas da revista da Liga da Justiça, na história que abriu esta colecção, para em 2013 sair finalmente uma nova revista, Superman/Wonder Woman, protagonizada pelo casal mais poderoso do mundo. Calhou ao argumentista Charles Soule e ao desenhador Tony S. Daniel a honra de retratar a primeira relação romântica “oficial” entre os  dois heróis. Uma relação que se torna pública precisamente em Par Perfeito, a história que preenche o penúltimo volume da colecção Super-Heróis DC
Assim, para além de terem de enfrentar ameaças à altura dos seus poderes, como o Apocalipse e o General Zod, o Super-Homem e a Mulher-Maravilha, têm que gerir o impacto que a revelação do romance deles tem junto da opinião pública, dividida entre o fascínio exercido pelo “casal perfeito” e o medo de quem acha que, juntos, os dois seriam incontroláveis.
Uma complicada equação, que as origens dos dois heróis (extraterrestre e divina) e o seu passado, tornam ainda mais complexa,
As relações amorosas nunca são fáceis, sobretudo entre seres todo-poderosos que encaram de maneira diferente a sua dimensão humana, mas são precisamente essas dificuldades que trazem interesse à história. Ou não acabassem todos os contos precisamente na parte em que os amantes “viveram felizes para sempre”…
Texto publicado originalmente no jornal Público de 29/04/2016

quinta-feira, 31 de março de 2016

Super-Heróis DC 9 - Lex Luthor: Preconceito e Orgulho

LEX LUTHOR EM DESTAQUE 
NA COLECÇÃO SUPER-HERÓIS DC

Super-Heróis DC Vol 9
Lex Luthor: Preconceito e Orgulho
Argumento – Brian Azzarello
Desenho – Lee Bermejo
Quinta, 31 de Março
Por + 9,90 €
Já dizia Alfred Hitchcock que o sucesso de um filme dependia, e muito, do carisma do vilão. E não há grandes dúvidas de que a DC tem os vilões mais carismáticos da história dos comics. É pois com naturalidade que, depois do Joker na colecção anterior, o destaque do volume que chega às bancas na próxima quinta-feira vá para o outro grande vilão do Universo DC, Lex Luthor, o Némesis do Super-Homem. Novamente, os responsáveis por esta abordagem inesperada da relação entre o Homem de Aço e o seu mais astucioso adversário, são Brian Azzarello e Lee Bermejo, os mesmos autores de Joker, que mostram mais uma vez a incrível sintonia existente entre eles, que lhes permite criar histórias inesquecíveis.
Embora tenha saído depois em Portugal, este Lex Luthor: Preconceito e Orgulho, é anterior ao livro dedicado ao Joker, tendo sido publicado originalmente nos EUA em 2005, como Lex Luthor: Men Of Steel, uma mini-série em 5 partes e foi precisamente o seu grande sucesso que possibilitou a posterior publicação da novela gráfica dedicada ao Joker.
Segunda colaboração entre o escritor Brian Azzarello e o desenhador Lee Bermejo, depois da mini-série Batman/Deathblow: After the Fire, de 2003, Lex Luthor… é uma das primeiras histórias a ter um vilão como protagonista, o que Azzarello justifica com uma maior facilidade em identificar-se com os vilões do que com os heróis, algo que a série 100 Bullets, onde não há inocentes, já deixava perceber.
Outro aspecto extremamente inovador deste livro, é a história ser contada na perspectiva do vilão, que nos apresenta a sua visão do Super-Homem, que Luthor considera, não como a encarnação do sonho americano e símbolo da verdade, da justiça e do modo de vida americano -  como o emigrante que encontrou o sucesso na terra prometida - mas sim como uma ameaça extraterrestre. Um ser quase divino, demasiado poderoso para ser controlado e que Luthor considera como uma potencial ameaça para a humanidade. É precisamente a origem alienígena do Homem de Aço, aliada à sua popularidade, que faz dele um alvo a abater por Luthor, que o teme e o inveja.
Criado por Jerry Siegel e Joe Schuster em 1940, Lex Luthor começou por ser um cientista que criava armas de guerra que lhe permitissem dominar o mundo, mas depois disso já foi homem de negócios impiedoso, milionário, génio científico e até Presidente dos Estados Unidos, mas poucos autores compreenderam melhor a complexidade da personagem do que Azzarello e Bermejo.
Texto publicado originalmente no jornal Público de 25/03/2016

segunda-feira, 21 de março de 2016

Super-heróis DC 7 - Super_Homem & Batman: Antologia

AINDA ANTES DO CINEMA, BATMAN E SUPER-HOMEM ENCONTRAM-SE NOS QUIOSQUES 

Super-Heróis DC Vol 6 Super-Homem & Batman: Antologia
Argumento – Vários Desenho – Vários 
Quinta, 17 de Março Por + 9,90 € 
Exactamente uma semana antes de se encontrarem pela primeira vez nos ecrãs de cinema, Batman e Super-Homem dividem o protagonismo no sétimo volume da colecção Super-Heróis DC, que chega aos quiosques na próxima quinta-feira.
Este volume antológico recolhe, por ordem cronológica, os principais encontros entre os dois mais populares heróis do Universo DC ao longo dos tempos. Criados respectivamente em 1938 e 1939, o Super-Homem e o Batman, apesar de partilharem a capa da revista World’s Finest Comics (que, como o próprio nome indica, recolhia aventuras a solo dos dois maiores heróis do Mundo), desde 1941, só se encontraram pela primeira vez numa BD em 1952, na história A Mais Poderosa Equipa do Mundo, de Ed Hamilton e Curt Swan, aventura que, não por acaso, abre o volume da próxima quinta-feira.
 Seguem-se duas histórias ilustradas pelo grande Neal Adams, nome bem conhecido dos leitores do Público, pois foi o desenhador de Batman: A Saga de Ra’s Al Ghul e Lanterna Verde e Arqueiro Verde: Inocência Perdida, dois clássicos incontornáveis, publicados na anterior colecção que o Público e a Levoir dedicaram à DC. Um dos pontos altos desta edição é a história Ontem, Hoje e Amanhã, escrita por Geoff Johns em 2006, que revisita de forma nostálgica alguns dos momentos mais importantes da história dos dois heróis, interpretados no estilo original de cada um desses momentos por um naipe impressionante de artistas (que inclui nomes como Dick Giordano, George Pérez, Ethan Van Sciver, Adam Kubert, Ed Benes ou Dan Jurgens) que ao longo das décadas deixaram a sua marca nas aventuras dos dois heróis.
Depois de uma aventura escrita por Jeff Lemire, em que o Super-Homem e o Batman combatem ao lado de outro Super-Herói DC, o Átomo, chega outro momento imperdível deste volume: Se Calhar já Ouviram Esta…, uma tão divertida como delirante história, em que Joe Kelly e um punhado de artistas, actualizam e reinventam o primeiro encontro entre Batman e Super-Homem, tal como foi descrito em A Mais Poderosa Equipa do Mundo. A terminar, temos um breve momento de pura poesia de Jeph Loeb e Tim Sale, que imaginam o primeiro encontro entre Clark Kent e Bruce Wayne… que não chegou a ser, terminando em beleza este livro. Um volume antológico, recheado de grandes histórias, que permitirá aos leitores conhecer melhor o Homem de Aço e o Cavaleiro das Trevas, antes do seu tão aguardado confronto nas salas de cinema.
Texto originalmente publicado no jornal Público de 11/03/2016

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Super-Heróis DC 2 - Super-Homem: Contra o Mundo

GRANT MORRISON EXPLORA AS ORIGENS DO SUPER-HOMEM 
NO VOL. 2 DA COLECÇÃO SUPER-HERÓIS DC


Super-Heróis DC Vol 2
Super-Homem: Contra o Mundo
Argumento – Grant Morrison
Desenhos – Rags Morales e Andy Kubert
Quinta, 11 de Fevereiro
Por + 9,90 €
Tal como aconteceu com o primeiro volume, dedicado à Liga da Justiça, esta colecção continua a explorar as origens do universo Novos 52, desta vez mostrando os primeiros tempos de actividade do Super-Homem, ainda antes de ele possuir o uniforme que todos conhecemos e encontrar pela primeira vez os outros heróis, com quem vai formar a Liga da Justiça.
Um regresso ao passado, orquestrado por Grant Morrison, que foi originalmente publicado nos EUA em 2011, nos primeiros números da segunda série da revista Action Comics. Um título mítico e que não podia ser mais adequado para contar o início de actividade do Super-Homem, pois foi precisamente nas páginas da revista Action Comics, lançada em Abril de 1938, que surgiu o primeiro de todos os Super-Heróis, o Super-Homem, criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, dois rapazes de Cleveland, que sem o saberem, tinham inventado um novo género de Banda Desenhada e dado início à Golden Age, a Era de Ouro das histórias de Super-Heróis. E, tal como a versão inicial de Siegel e Shuster, o Super-Homem de Morrison ainda não é o ser todo-poderoso que conhecemos actualmente, um herói invulnerável e de poderes quase divinos.
Nascido na Escócia, Morrison fez parte da célebre "invasão britânica" dos comics americanos, que levou inúmeros argumentistas da Grã-Bretanha a atravessar o Atlântico e a estabelecer-se nos EUA, onde vieram revolucionar o género. Os seus trabalhos para a Vertigo, tornaram-no conhecido, mas a fama chegaria com a novela gráfica do Batman, Arkham Asylum, ilustrada por Dave McKean.
Desde então, o argumentista tem sido responsável por algumas das mais importantes histórias protagonizadas por Batman, Super-Homem e a Liga da Justiça. Na anterior colecção que o Público e a Levoir dedicaram à DC, os leitores puderam apreciar o seu trabalho com a Liga da Justiça, em Terra 2, e com Batman, em Herança Maldita, mas o seu principal contributo para a mitologia do Homem de Aço, a série All Star Superman, criada em parceria com o ilustrador Frank Quitely, permanece inédita em Portugal.
Por oposição ao todo-poderoso herói de All Star Superman, o Super-Homem do volume que chega aos quiosques nacionais na próxima quinta-feira, é um “novo” Homem de Aço, cuja personalidade é um decalque intencional e modernizado da do herói dos anos 30, alguém que ainda não conhece a extensão dos seus poderes e está a começar a descobrir as suas origens. Como refere Morrison: “embora o jovem Kal El/Clark Kent soubesse desde pequeno que tinha sido encontrado nos destroços de uma nave espacial, não fazia ideia de onde é que essa nave tinha vindo. Tem um cobertor indestrutível que o protegeu em criança, antes dos seus poderes se começarem a desenvolver, mas não faz ideia se veio do espaço, de outra dimensão, ou da Rússia.”
Esse cobertor, que o jovem Super-Homem vai usar como capa, e que o próprio Morrison comparou ao cobertor usado por Linus, o famoso personagem da série Peanuts, como símbolo de segurança, é mesmo o único elemento reconhecível do uniforme do Homem de Aço, que aqui se apresenta vestido de calças de ganga, botas Doc Martens e T-shirt. Uma imagem que alguma crítica americana designou como “Bruce Springsteen’s Superman”, pelo evidente paralelo da imagem de working class hero partilhada pelo Super-Homem de Morrison e pelo famoso cantor e compositor americano.
O grande responsável pela nova imagem do Super-Homem de Morrison é o desenhador Americano Rags Morales, que os leitores portugueses conhecem dos dois volumes de Crise de Identidade, publicado numa colecção anterior. Um contributo reconhecido por Morrison, que refere: “Rags traz o seu talento prodigioso para a criação do ambiente e caracterização das personagens. O aspecto “Bruce Springsteen” surgiu porque queria dar resposta a algumas críticas mais recorrentes em relação ao Super-Homem. Que ele é demasiado poderoso, demasiado simpático e usa as cuecas por cima do uniforme. A ideia era regressar às suas origens como “campeão dos oprimidos”, daí a T-Shirt azul e os jeans. Queríamos contar a história de como este jovem herói de sangue na guelra, adquiriu o seu uniforme alienígena e se transformou no primeiro super-herói do mundo.”
Uma nova visão do Homem de Aço, mas onde não faltam referências à história do herói, como o sargento Casey, presença frequente nas páginas de Action Comics e Superman na Idade do Ouro; George Taylor, editor do Daily Star, o primeiro jornal em que Clark Kent trabalhou; ou a alusão aos três membros fundadores da Legião dos Super-Heróis que o visitavam no passado (os tais “dois homens e uma mulher loura”). Piscadelas de olho aos fãs, que ajudam a definir o “novo” Super-Homem de Morrison. Uma versão renovada do herói, que não esquece a longa história da personagem, nem os criadores que para ela contribuíram.
Texto publicado originalmente no jornal Público de 05/02/2016

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Apresentação da colecção Super-Heróis DC


É já na próxima quinta-feira, 4 de Fevereiro, que começa a nova colecção que o Público e a Levoir dedicam à  DC. Como de costume, aqui vos deixarei no dia de saída de cada livro, o texto que escrevi sobre ele para o jornal Público, excepto quando sou o autor do editorial. Caso em que publicarei aqui o editorial, limitando o texto do Público à imagem do jornal. Mas por agora, aqui fica o destacável de 4 páginas de apresentação da colecção distribuído no último domingo  e redistribuído esta terça-feira.


AINDA ANTES DE CHEGAREM AO CINEMA, 
OS SUPER-HERÓIS DA DC REGRESSAM AO PÚBLICO

Ainda antes de chegarem às salas de cinema, em Março, no filme Batman V Super-Homem: O Despertar da Justiça, que abre caminho ao filme da Liga da Justiça, os principais Super-Heróis da DC, a editora do Super-Homem, do Batman, da Mulher-Maravilha e da Liga da Justiça, regressam aos quiosques nacionais com o Público, já no início de Fevereiro.
Fundada em 1934 como National Allied Publications, a DC Comics, editora responsável pela publicação dos primeiros e mais icónicos Super-Heróis, tem uma história rica de mais de oitenta anos, mas que ao longo das décadas tem sabido adaptar os seus heróis às diversas mudanças que afectaram a sociedade americana e o mundo.
Na anterior colecção dedicada à DC, pudemos ler a Crise Das Terras Infinitas, uma daquelas sagas épicas, envolvendo a grande maioria dos heróis da editora, que ajudou a reformular o universo da DC e resolver algumas incoerências que uma continuidade de algumas décadas necessariamente acarreta, apagando o passado e criando uma nova era, em que surgem novos heróis, alguns heróis ficam pelo caminho e outros vêm a sua história (mais ou menos) alterada.
E é precisamente a mais recente dessas reformulações, a linha Novos 52 - que em 2011 veio transformar o universo DC para o século XXI, relançando a totalidade da sua linha editorial, num total de 52 títulos, incluindo títulos como Action Comics e Detective Comics, que se mantinham em publicação há mais de 70 anos - que está no centro desta colecção. Uma colecção que acompanha as mais recentes fases das aventuras do Batman, do Super-Homem, da Mulher-Maravilha e do Aquaman, que ocupam sensivelmente metade dos volumes. Não por acaso, é precisamente o volume da Liga da Justiça a abrir a colecção, pois a nova fase do grupo que reúne os maiores heróis do Panteão da DC, cuja acção decorre cinco anos antes dos restantes títulos dos Novos 52, mostra precisamente como todos esses heróis se encontraram pela primeira vez no Universo Novos 52 e decidiram juntar-se para combater grandes ameaças.
Outro destaque natural, também da Linha Novos 52, vai para a nova fase do Batman, de Scott Snyder e Greg Capullo, que tem sido um estrondoso sucesso, tanto crítico como comercial. Uma fase espectacular, que podemos acompanhar em três volumes, preenchidos com algumas das melhores histórias do Cavaleiro das Trevas das últimas décadas.
Numa colecção que traz de volta heróis como Lanterna Verde e Flash, recupera clássicos como O Contrato de Judas e Saga das Trevas Eternas e, como veremos mais à frente, assinala ainda a estreia em Portugal de novos heróis, estando também atenta à presença dos heróis da DC no cinema, há um título e um autor que não podem deixar de merecer uma referência muito especial. Refiro-me naturalmente a Jack (King) Kirby e ao seu Quarto Mundo.

Nome maior da história dos comics, responsável, ao lado de Joe Simon e de Stan Lee, pela criação dos maiores heróis da Marvel, do Capitão América, ao Quarteto Fantástico, passando pelo Hulk, Thor e o Surfista Prateado, Kirby, a quem chamavam o Rei dos comics, trocou na década de 70 a Marvel pela DC. Aí, em total liberdade, criou há precisamente 45 anos, que se completam este mês de Fevereiro, uma saga cósmica de uma dimensão épica nunca antes vista e, até agora, raramente igualada, cuja acção se espalhava por quatro títulos diferentes. É dessa saga, que ficou conhecida como O Quarto Mundo, onde nasceram personagens como Darkseid - a encarnação suprema do mal no Universo DC que é o adversário da Liga da Justiça no volume que abre esta colecção e da Legião dos Super-Heróis no volume 10 - que os leitores podem ler uma selecção de histórias, bem demonstrativas do talento visionário e do sopro épico da fase mais criativa da longa carreira do King.

1 – Liga da Justiça: Origem
04 de Fevereiro
Argumento – Geoff Johns 
Desenhos – Jim Lee e Scott Williams
Eles são os maiores super-heróis do planeta, a última linha de defesa da Terra contra as piores ameaças cósmicas. Mas houve um tempo em que Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha Flash, Lanterna Verde, Aquaman e Ciborgue ainda não eram a Liga da Justiça. Poderão eles esquecer as suas diferenças e unir-se para salvar o mundo? Ou irão destruir-se uns aos outros antes?
Geoff Johns e Jim Lee assinam a primeira aventura da Liga no universo dos Novos 52, uma história que relança o universo DC para toda uma nova geração.

2  – Super-Homem: Contra o Mundo
11 de Fevereiro
Argumento – Grant Morrison 
Desenhos – Rags Morales e Andy Kubert
Ele é superpoderoso, imprevisível, determinado... e completamente impossível de controlar. O mundo divide-se entre aqueles que temem o Super-Homem, e os que o vêem como defensor dos oprimidos. Mas, quando uma estranha ameaça vinda do espaço faz com que o mundo precise do herói que perseguiu e tentou matar, estará ele ainda disposto a ajudar?
O maior dos super-heróis é aqui reinventado pelo génio de Grant Morrison e pelo traço de Rags Morales, que criam uma nova origem para o Homem de Aço, catapultando o Super-Homem para uma nova e excitante era.

3  – Batman: Corte das Corujas
18 de Fevereiro
Argumento - Scott Snyder 
Desenhos – Greg Capullo
Uma série de homicídios brutais abalam a cidade de Gotham, e o Batman começa a suspeitar de que estes crimes vão bem mais fundo do que as aparências sugerem. No rasto de uma misteriosa conspiração, que todos pensavam não passar de uma lenda urbana, Batman terá de enfrentar a Corte das Corujas, uma sociedade secreta que governa nas sombras o destino de Gotham, numa batalha que pode pôr em causa a sua própria sanidade.
Com argumento de Scott Snyder e arte de Greg Capullo, Corte das Corujas é a primeira história do Batman no universo DC dos Novos 52 e o início de uma etapa incontornável na história do Cavaleiro das Trevas.

4  – Batman: Cidade das Corujas
25 de Fevereiro
Argumento - Scott Snyder
Desenhos –  Greg Capullo
Durante mais de um século, a Corte das Corujas dominou a cidade Gotham no mais completo segredo, até que o Batman descobriu a sua existência. O Cavaleiro das Trevas sobreviveu a custo à primeira batalha contra o seu inimigo, mas a guerra está longe de terminada. O Batman era apenas o principal obstáculo ao objectivo maior da Corte das Corujas: a própria cidade de Gotham.
Scott Snyder e Greg Capullo, uma das mais célebres duplas de criadores de comics, assinam esta conclusão à saga da luta entre Batman e as forças mais antigas e sombrias da cidade que ele jurou proteger.

5  – Arqueiro Verde: Ano Um
3  de Março
Argumento – Andy Diggle
Desenhos – Jock
A vida do jovem milionário Oliver Queen muda radicalmente quando naufraga numa ilha perdida no Pacífico. Neste cenário hostil, onde as ameaças não são apenas naturais, terá de combater os traficantes que controlam a ilha, armado apenas com um arco improvisado. É então que a luta pela sobrevivência se transforma numa luta pela justiça e o playboy egoísta e irresponsável dá lugar ao Arqueiro Verde.
Andy Diggle e Jock criam a origem definitiva do Arqueiro Verde, numa história emocionante que redefine uma das mais icónicas personagens da DC e influenciou a série televisiva Arrow. 

6  – Aquaman: O Abismo
10 de Março
Argumento –  Geoff Johns
Desenho – Ivan Reis e Joe Prado
Na sua estreia numa colecção de super-heróis do Público, Aquaman é confrontado com uma estranha e terrível ameaça que surge das profundezas oceânicas e ameaça destruir todo o Planeta. Uma ameaça que é também a oportunidade perfeita para o Rei dos Sete Mares provar a um mundo, que o desdenha e o vê como uma piada, que é um dos grandes super-heróis com que a Terra pode contar.
O relançamento do Senhor dos Sete Mares pela mão de Geoff Johns e de Ivan Reis, que ajudou a afirmar uma das mais antigas personagens da DC no firmamento do Universo DC Novos 52.

7  – Antologia Super-Homem/Batman
17 de Março
Argumento - Jeff Lemire
Desenho – Karl Kerschl e Scott Hepburn
O Super-Homem e o Batman são os maiores super-heróis de todos, os Melhores do Mundo, e a dupla mais icónica de sempre. Homem de Aço e Cavaleiro das Trevas uniram-se incontáveis vezes para combater o crime, e neste volume poderemos redescobrir por ordem cronológica algumas das suas maiores aventuras conjuntas.
Contando com histórias de várias épocas e de criadores tão diversos quanto Neal Adams, Brad Meltzer, Greg Pak e Curt Swan, esta antologia inclui também a história em que os dois se juntaram pela primeira vez, contada de duas perspectivas diferentes.

8  – O Quarto Mundo: Genesis e Apocalipse
24 de Março
Argumento e Desenho – Jack Kirby
Após inúmeras batalhas para lá do universo conhecido, o confronto cósmico entre os deuses de Nova Génesis e Apokolips chegou à Terra, onde o temível Darkseid busca a Equação Antivida. O poder do Quarto Mundo é então desencadeado em toda a sua fúria, e apenas heróis como Órion e o Povo Eterno poderão salvar o nosso planeta.
Jack Kirby, foi o criador daquela que é talvez a mais portentosa criação de toda a história dos comics: o Quarto Mundo. Um marco que se tornou num elemento fundamental do Universo DC. Uma saga cósmica, de uma complexidade e uma dimensão épica bem à frente do seu tempo, que esta antologia permite descobrir.

9  – Lex Luthor: Preconceito e Orgulho
31 de Março
Argumento – Brian Azzarello
Desenhos – Lee Bermejo
Um simples humano é o maior inimigo do mais poderoso de todos os super-heróis. O orgulho permitiu-lhe atingir a grandeza, mas o preconceito faz com que a deite constantemente a perder. Porque odeia Lex Luthor tanto assim o Homem de Aço, e o que faz dele simultaneamente o pináculo do potencial humano e o mais torpe dos vilões?
Depois de Joker, Brian Azzarello e Lee Bermejo provam, uma vez mais, que poucos autores compreendem os vilões DC como eles, e que menos ainda são capazes de os retratar de forma tão tragicamente humana.

10  – Legião dos Super-Heróis: Saga das Trevas Eternas 
07 de Abril
Argumento – Paul Levitz
Desenhos – Keith Giffen e Larry Mahlstedt
Despercebidas a meio da paz do séc. XXX, as trevas agitam-se pela vastidão do espaço sideral, anunciando a vinda iminente do seu senhor. Nem o universo, nem os seus maiores defensores, a Legião dos Super-Heróis, estão minimamente preparados para o que aí vem, e nem mesmo a presença do jovem Super-Homem, de visita do séc. XX, os poderá salvar. Porque as Trevas Eternas vêm aí.
Paul Levitz e Keith Giffen são os nomes que deram aos comics de super-heróis, uma das suas maiores sagas de sempre, aqui compilada pela primeira vez para o público português.

11  – Flash/Lanterna Verde: O Audaz e o Destemido  
14 de Abril
Argumento – Mark Waid
Desenhos – Barry Kitson, Tom Peyer e Tom Grindberg
O Super-Homem e o Batman podem ser os Melhores do Mundo, mas o Audaz e o Destemido sempre foram o Flash e o Lanterna Verde. Seja a combaterem invasores alienígenas, a lutarem pela admiração de outros ou a provarem-se perante os seus predecessores, o Corredor Carmesim e o Gladiador Esmeralda mostram aqui porque são duas das mais emblemáticas personagens da DC.
Mark Waid e Barry Kitson são os criadores desta história intemporal, que cobre todas as facetas da riquíssima história do Flash e do Lanterna Verde, e da amizade única que os une.

12  – Batman: O Regresso do Joker 
21 de Abril
Argumento – Scott Snyder
Desenhos – Greg Capullo
Depois de ter perdido literalmente a face, quando o seu rosto é removido cirurgicamente, o Joker desaparece durante mais de um ano. Aqueles que pensavam que o Arlequim do Crime estava escondido num canto, a lamber as feridas, enganaram-se, pois ele aproveitou esse tempo para urdir um complexo plano e agora está de regresso, mais sanguinário que nunca e disposto a destruir o Batman e todos os que lhe são próximos.
Scott Snyder e Greg Capullo prosseguem a sua passagem triunfante pela principal revista do Batman, com uma espectacular história de terror psicológico, que é uma das melhores histórias do Joker de sempre.

13  – Novos Titãs: O Contrato de Judas  
28 de Abril
Argumento –  Marv Wolfman
Desenhos – George Pérez 
Slade Wilson, o Exterminador, o mais mortífero dos mercenários, foi contratado pela C.O.L.M.E.I.A., uma organização secreta criminosa, para eliminar os Novos Titãs. Uma missão difícil de levar a cabo, mas o Exterminador conta com a preciosa ajuda de um traidor infiltrado no grupo de jovens heróis chefiados por Robin, para concretizar o seu mortífero objectivo.
Marv Wolfman e George Pérez têm aqui o ponto mais alto da sua passagem pela revista dos Novos Titãs, nesta saga épica, que se tornou um clássico incontornável da história da DC. 

14  –  Super-Homem/Mulher Maravilha: Par Perfeito
 05 de Maio
Argumento –  Charles Soule
Desenhos – Tonny S. Daniel
O Super-Homem e a Mulher-Maravilha são oficialmente um casal, e o mundo não sabe bem como reagir ao ver juntos os dois mais poderosos seres do planeta. Entre o fascínio exercido pelo “casal perfeito” e o medo de quem acha que, juntos, os dois seriam imparáveis, acaba por se formar uma tempestade perfeita quando se combinam os díspares mundos de ambos.
Charles Soule e Tony Daniel foram incumbidos de retratar a primeira relação romântica “oficial” entre o Super-Homem e a Mulher-Maravilha, e Par Perfeito foi o primeiro capítulo de grande sucesso dessa empreitada.

15  – Esquadrão Suicida: Nós que Vamos Morrer  
12 de Maio
Argumento – John Ostrander
Desenhos – Luke McDonnell, Karl Kesel, Luke McDonnell, Dave Humt e Bob Lewis
Pistoleiro, Encantadora, Beladona, Capitão Bumerangue, Tigre de Bronze. Estes são os vilões que, sob a coordenação do Coronel Rick Flagg Jr., formam o Esquadrão Suicida. Um grupo secreto do Governo Americano, formado por criminosos, recrutados por Amanda Waller em troca da redução das suas penas, para missões suicidas, de cuja existência em caso de fracasso, o governo podia facilmente negar ter conhecimento.
 John Ostrander e Luke McDonnell mostram-nos três missões do Esquadrão Suicida no tempo da Guerra Fria, dando a conhecer ao leitor português o primeiro super-grupo da DC a chegar ao cinema.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL!


Para o habitual Postal Natalício, este ano escolhi uma ilustração clássica de John Byrne, com alguns dos maiores heróis da DC, editora que, por via da nova colecção da Levoir, tem sido responsável pelo menor ritmo de actualização deste blog...
Uma imagem simples, eficaz e divertida, em que,  mesmo sem ter a visão de Raios X do Superman, é fácil perceber qual foi a prenda do Arqueiro Verde...
Para todos os visitantes deste blog, aqui ficam os meus votos de um Feliz Natal,de preferência com muita BD no sapatinho, até porque este ano não faltaram edições, em quantidade e qualidade para isso.
Boas Festas e um excelente Ano de 2016!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Primeiro Teaser de Batman vs Superman já está online



Previsto para ser divulgado apenas hoje, o primeiro teaser de Batman Vs Superman: Dawn of Justice, já está disponível desde o fim-de-semana, depois de alguém no Brasil ter colocado on-line uma versão pirata.
O filme, dirigido por Zack Snyder, que já tinha dirigido Man of Steel, o último filme do Superman, só estreia no Verão de 2016, mas a expectativa é muita por se tratar do primeiro encontro dos dois maiores heróis da DC no cinema e de se saber que o filme prepara o caminho para a longa metragem da Liga da Justiça, ao introduzir pelo menos dois outros super-heróis, Wonder Woman, interpretada por Gail Gadot e Aquaman, interpretado por Jason Momoa, o Kahl Drogo da série Game of Thrones, que já tinha sido o último Conan.
A escolha de Ben Afleck para o papel de Batman causou grande agitação na Net quando foi divulgada, mas pelo teaser parece que vamos ter um Batman convincente e muito próximo do imaginado por Frank Miller em The Dark Knight Returns, história aonde este filme buscar óbvia inspiração. Um primeiro trailler só deve sair lá mais para o Verão, muito provavelmente durante a Comic Con de San Diego, mas para já temos este teaser, onde podemos ver o Batman de Ben Afleck, o novo Batmobile e o Batplane e ouvir a voz de Jeremy Irons como Alfred.
E se forem aqui, podem ver um vídeo que mostra mais em pormenor o novo fato do Batman, claramente inspirado no Batman do Dark Knight Returns e ter uma visão bastante mais detalhada do novo Batmobile
Interessantes e graficamente muito bem conseguidos, são os dois primeiros posters, que aqui vos deixo, tal como o teaser, legendado em português do Brasil. Enjoy!


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Dc Comics Uncut 24 - Super-Homem e Batman: Poder Absoluto


Embora este seja o último volume da 2ª colecção que a Levoir dedicou à Dc, não é o último texto desta rubrica, como poderão ver proximamente. No caso deste texto, o mais curioso é que a tentativa de cortes partiu, não da DC, mas de quem reviu o texto, o Filipe Faria, que decidiu fazer alguns cortes, que eu não aceitei, e acrescentou uma frase sobre a história que conclui este volume. 

O JARDIM DOS CAMINHOS QUE BIFURCAM

Num dos mais inspirados contos do livro Ficções, de 1941, o escritor argentino Jorge Luís Borges antecipa em 16 anos as teorias do físico Hugh Everett, que revolucionaram a física quântica, defendendo que em cada instante que uma escolha é feita, seja pelo acaso, seja por opção humana, o universo divide-se em dois: um para cada escolha possível.
O paradoxo que Everett procurou provar através das fórmulas matemáticas, já tinha intuído Borges no conto O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam. O jardim em causa não é um espaço físico, mas um conto escrito por Ts'ui Pen, um antepassado do espião alemão que protagoniza a história. Um conto que tenta representar através de um labirinto, o universo e todas as suas infinitas possibilidades. Ou, citando Borges, através de uma das personagens: "comparei centenas de manuscritos, corrigi os erros que a negligência dos copistas introduziu, conjecturei o plano desse caos, julguei estabelecer a ordem primordial, traduzi a obra inteira: resulta-me que não emprega uma única vez a palavra tempo. A explicação é óbvia: O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam é uma imagem incompleta, mas não falsa, do universo tal como o concebia Ts'ui Pen. Ao contrário de Newton e de Schopenhauer, o seu antepassado não acreditava num tempo uniforme e absoluto. Acreditava em infinitas séries de tempos, numa rede crescente e vertiginosa de tempos divergentes, convergentes e paralelos. Esta trama de tempos que se aproximam, se bifurcam e se cortam ou que secularmente se ignoram, abrange todas as possibilidades. Nós não existimos na maior parte desses tempos; nalguns deles existe você e eu não; noutros eu, e não você; noutros ainda existimos os dois. Neste, que um favorável acaso me proporciona, você chegou a minha casa; noutro, você, ao atravessar o jardim, deu comigo morto; e noutro, eu digo estas mesmas palavras, mas sou um erro, um fantasma."
Essas infinitas possibilidades abertas por diferentes escolhas, estão também na base da história que vão ler a seguir, escrita por Jeph Loeb para os desenhos dos espanhóis Carlos Pacheco e Jesus Merino e publicada originalmente nos nºs 14 a18 da revista Superman/Batman, de que já pudemos ler no último volume da série 1 desta colecção o arco de histórias anterior, ilustrado por Michael Turner.
 Neste terceiro arco da revista que voltou a juntar os dois maiores heróis do Universo DC, Loeb explora as ilimitadas potencialidades narrativas que a existência de universos paralelos permitia e que, com a reformulação do Universo DC provocada pela Crise nas Terras Infinitas, ficou praticamente limitada às histórias da linha Elseworlds, de que tivemos um exemplo, tanto na primeira como na segunda série, com Batman: Outros Mundos e Super-Homem: Herança Vermelha. Neste caso, Loeb recorreu às viagens no tempo para explorar a forma como uma alteração crucial no início das suas vidas - com os dois heróis a serem educados por três membros da Legião dos Super-Vilões - pode modificar completamente a vida do Homem de Aço e do Cavaleiro das Trevas e, por inerência, o universo em que eles se inserem.
 No fundo, Loeb pega na premissa utilizada por Mark Millar em Herança Vermelha e leva-a mais longe, para além de lhe introduzir diversas variantes. Variante que se traduzem em futuros alternativos, causados por alterações no passado, que permitem recuperar uma série de personagens que a Crise nas Terras Infinitas tinha afastado da continuidade regular, mas que são parte incontornável da história da DC. Desde os heróis do Oeste, de que Jonah Hex é o mais carismático exemplo, até ao símbolo maior da América, a representação do espírito americano, o Tio Sam, cuja imagem foi fixada por James Montgomery Flagg, em 1917, nos cartazes de propaganda e que Will Eisner trouxe para a Banda Desenhada em 1940, e que mais uma vez surge como símbolo do combate pela liberdade e contra a opressão. Uma opressão neste caso representada pelo Batman e pelo Super-Homem. Mas, mais dos que os heróis, a que mestres como Will Eisner e Joe Kubert (não falta aqui o Sargento Rock), emprestaram o seu talento, Loeb vai buscar para esta história épica, muitas das personagens que passaram pelas histórias do mais épico dos criadores. O grande Jack Kirby, aqui representado pelos personagens do Quarto Mundo, como Darseid e Metron e por Kamandi, o último rapaz da Terra, nascido numa série inesquecível em que o King levou mais longe o futuro distópico que o filme Planeta dos Macacos tinha aflorado. Para articular esta multitude de referências diversas de uma forma graficamente coerente, Loeb necessitava de um desenhador tão versátil como virtuoso do seu lado. Encontrou-o em Carlos Pacheco.
Um dos mais importantes e populares autores latinos a trabalhar nos comics de super-heróis, o espanhol, natural de Cádis, soube rapidamente construir uma carreira ímpar, em que deu o seu cunho pessoal aos principais heróis da Marvel e da DC, para além de abrir o caminho para a invasão do mercado americano de super-heróis por uma série de desenhadores de origem espanhola, como Salvador Larroca, Rafa Fonteriz, Guillem March, Javier Pulido, Oscar Jimenez e Jesus Merino, seu colaborador habitual, que aqui assina a arte.final. Profundamente influenciado pelos comics de super-heróis, Pacheco iniciou-se na BD em Espanha através dos concursos de descobertas de novos talentos promovidos pelo editor Josep Toutain, mas começou a dar nas vistas entre 1978 e 1982 como ilustrador das capas da Colecção “Clássicos Marvel”, da editorial Forúm, onde teve a possibilidade de desenhar pela primeira vez muitos dos heróis com que viria a trabalhar anos mais tarde, como desenhador regular. Leitor ávido e profundo conhecedor das histórias de super-heróis, a ponto de ter criado, com Rafael Marin e Rafa Fonteriz, a série Iberia Inc., protagonizada por um grupo de super-heróis espanhóis, a entrada de Carlos Pacheco no mundo dos comics de super-heróis era uma questão de tempo.

Essa entrada vai ter lugar em Dezembro de 1992, pela porta dos fundos, através da Marvel UK, ao fim de 10 anos a mandar submissões às grandes editoras americanas. O seu trabalho como desenhador na série Dark Guard desperta a atenção dos editores e, quase em simultâneo, Pacheco recebe convites para trabalhar para as duas grandes editoras americanas. Para a DC, para além do seu trabalho no encontro entre a Liga da Justiça e a Sociedade da Justiça, que já puderam apreciar nesta colecção, destaca-se a sua etapa como desenhador do Super-Homem e a sua colaboração com Kurt Busiek em Arrowsmith, série que transpunha a dura realidade da I Guerra Mundial para um universo de fantasia, que a Devir publicou em Portugal.
 Pela forma como consegue reunir numa história coerente, tantos heróis e vilões, evocadores de diferentes períodos da riquíssima história do Universo DC, Poder Absoluto é a história ideal para concluir esta emocionante viagem de 30 semanas pelos meandros do Universo DC, que a Levoir proporcionou aos leitores portugueses. Uma viagem inesquecível, feita de histórias épicas, protagonizadas por grandes heróis e vilões à altura.

domingo, 12 de janeiro de 2014

DC Comics Uncut 22 - Super-Homem: Herança Vermelha


HOMEM DE AÇO, CORTINA DE FERRO

Há ideias assim. Tão geniais na sua simplicidade, que nos interrogamos como é que ninguém se lembrou disso antes. A história que vão poder ler neste livro, tem um ponto de partida desses: o que aconteceria se a nave que permitiu ao pequeno Kal El escapar à destruição do planeta Krypton, ao chegar à Terra, tivesse aterrado no meio das estepes ucranianas, em vez de numa planície do Kansas?
É partindo dessa premissa, tão simples como cheia de possibilidades, de um Super-Homem educado segundo a doutrina comunista, que em vez de lutar pela verdade, justiça e pelo modo de vida americano, trava "uma batalha sem fim por Stalin, pelo socialismo e pela expansão internacional do Pacto de Varsóvia", que o argumentista Mark Millar criou Herança Vermelha. Publicada originalmente em 2003 como uma míni-série em três partes,  integrada na linha Elseworlds, Herança Vermelha analisa as implicações geoestratégicas de um acontecimento como esse, no equilíbrio entre as duas superpotências.

Exactamente por ser óbvio que alguém com os poderes do Super-Homem seria capaz de pôr termo a uma guerra em poucos minutos, que, ao contrário do que acontece por exemplo com o Capitão América, a participação do Homem de Aço na Segunda Guerra Mundial se limitou à frente interna, com excepção de algumas capas, bastante mais patrióticas do que o conteúdo das respectivas revistas, e de  uma curiosa história de duas páginas publicada em 1940 na revista Look, chamada precisamente How Superman Would Win the War,  em que o Homem de Aço rapta Hitler e Stalin e leva-os para a Suíça para serem julgados pelo Tribunal da Sociedade das Nações.
Apesar de, naturalmente, não se integrar na continuidade da série, o impacto desta história chegou até à Alemanha nazi, onde motivou um artigo no Das Schwarze Korps, o jornal das SS., em que o Super-Homem é acusado de "ignorar as leis da física" e de corromper a mente das crianças americanas, e os seus autores, um dos quais, apresentado como sendo "um indivíduo intelectualmente e fisicamente circuncisado" de roubarem a ideia do Super-Homem aos ideais da raça superior ariana...
Durante a Guerra Fria, o Super-Homem, na Banda Desenhada manteve-se relativamente afastado das disputas ideológicas entre os Estados Unidos e a União Soviética, o que não foi tão evidente em outros média, como a televisão. Foi precisamente na televisão, na célebre série televisiva protagonizada por George Reeves, onde nasceu o famoso slogan que o apresenta como um lutador pela "verdade, justiça e pelo modo de vida americano". Um aspecto que é tratado de forma paródica no incontornável The Dark Knight Returns, de Frank Miller, em que o Homem de Aço surge retratado como um homem de mão da administração Reagan, ajudando o exército americano a combater as tropas do Pacto de Varsóvia.
É precisamente essa ameaça pendente de uma guerra nuclear, que ainda estava na ordem do dia durante a década de 80, que está presente em The Dark Knight Returns, e que encontramos também no Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, em que a existência de um indivíduo com superpoderes como o Dr. Manhattan, vem alterar decisivamente o equilíbrio de poder entre as duas superpotências a favor dos Estados Unidos. Mas, apesar dos pontos de contacto com Watchmen e The Dark Knight Returns, o primeiro ponto de partida para Herança Vermelha foi outro. Conforme refere o próprio Millar: “Red Son é baseado numa ideia que me surgiu quando li o Superman # 300, aos seis anos. Era uma história imaginária em que a nave do Super-Homem aterrava numa terra de ninguém entre os Estados Unidos e a União Soviética e ambas as potências tentavam reclamar a criança. Como uma criança nascida na sombra da Guerra Fria, a ideia do que poderia ter acontecido se os Soviéticos tivessem ficado com a criança pareceu-me fascinante."

É pois numa realidade histórica alternativa à que os leitores conhecem, o que, tal como vimos no volume Batman: Outros Mundos, publicado na primeira série desta colecção, é um dos elementos que distingue a linha Elseworlds, que a intriga imaginada por Mark Millar tem lugar. Uma realidade alternativa, com uma evolução histórica diferente, uma ucronia, género cultivado pela ficção científica desde os anos 50, em obras como The Man in  the High Castle, de Philip K. Dick,  em que não ocorre a desintegração do Bloco Soviético, nem a queda do Muro de Berlim e em que é Nixon, não Kennedy, que é assassinado em Dallas, em 1963, com Kennedy, que se divorcia de Jackie e casa como Marilyn Monroe,  a continuar como Presidente.
E se a existência de alguém com os poderes do Super-Homem vem naturalmente desequilibrar o balanço de forças a favor da Potência que ele defende, também é natural que o próprio Super-Homem acabe naturalmente por assumir o poder, sucedendo a Stalin como Senhor Supremo da Rússia, transformando-se num ditador, que embora benevolente e bem intencionado, não deixa de ser um ditador. No fundo, embora não vá tão longe como Alan Moore em Miracleman, Millar também conclui que, se o poder corrompe, nem mesmo o Super-Homem está imune a essa corrupção.

E se o Super-Homem está do lado daqueles a que os leitores americanos se habituaram a identificar como os maus, o “modo de vida americano” é defendido por Lex Luthor, que mesmo nesta realidade alternativa, continua dominado pelo seu ego incomensurável e por uma total falta de escrúpulos e desprezo pela vida humana. Além do eterno confronto Super-Homem/Lex Luthor, para os fãs de Super-Homem, há ainda a curiosidade de ver como Millar consegue integrar de forma harmoniosa na narrativa, alguns elementos característicos da mitologia do Homem de Aço, da Fortaleza da Solidão, à cidade engarrafada de Kandor, passando por Bizarro.
Mas o Super-Homem e o seu maior inimigo, não são as únicas personagens do universo DC que os leitores reconhecerão, apesar de ligeiramente transformadas. Tanto Lois Lane como Perry White e Jimmy Olsen existem neste universo, mas o facto de não conviverem de perto com o Super-Homem, não permite que este molde as suas vidas. Já o Batman, cuja origem é semelhante à que conhecemos, com a diferença de os pais não terem sido mortos por um simples ladrão, mas por agentes da NKVD (a polícia política, percursora da bastante mais conhecida KGB), estabelece com o Super-Homem, não uma relação de cumplicidade, mas de confronto, o que, mais uma vez nos remete para o Dark Knight Returns, de Frank Miller. 

Apesar da forma brilhante como Millar soube desenvolver uma ideia tão simples como genial, o sucesso de Herança Vermelha, passa e muito, pela arte de Dave Johnson. Conhecido e premiado ilustrador, responsável pelas capas de séries como 100 Bullets, que lhe valeram mais do que um Prémio Eisner, o “Reverendo” Dave Johnson (além da sua actividade artística, Johnson desenvolve uma actividade religiosa como Pastor da Igreja Metodista) assina aqui um dos raros trabalhos como desenhador sequencial, em que mistura imagens imediatamente reconhecíveis de histórias clássicas do Super-Homem, com a iconografia dos cartazes de propaganda soviética, com excelente resultados.
De Kick Ass a Superior, passando pela Guerra Civil, que os leitores portugueses puderam ler numa anterior coleção, Mark Millar sempre especulou sobre as consequências da existência de super-heróis no mundo real. Mas foi nesta história, passada num mundo alternativo, em que a História seguiu um percurso divergente, que tudo começou. E não podia ter começado de melhor maneira.