AINDA ANTES DO CINEMA,
BATMAN E SUPER-HOMEM ENCONTRAM-SE NOS QUIOSQUES
Super-Heróis DC Vol 6
Super-Homem & Batman: Antologia
Argumento – Vários
Desenho – Vários
Quinta, 17 de Março
Por + 9,90 €
Exactamente uma semana antes de se encontrarem pela primeira vez nos ecrãs de cinema, Batman e Super-Homem dividem o protagonismo no sétimo volume da colecção Super-Heróis DC, que chega aos quiosques na próxima quinta-feira.
Este volume antológico recolhe, por ordem cronológica, os principais encontros entre os dois mais populares heróis do Universo DC ao longo dos tempos.
Criados respectivamente em 1938 e 1939, o Super-Homem e o Batman, apesar de partilharem a capa da revista World’s Finest Comics (que, como o próprio nome indica, recolhia aventuras a solo dos dois maiores heróis do Mundo), desde 1941, só se encontraram pela primeira vez numa BD em 1952, na história A Mais Poderosa Equipa do Mundo, de Ed Hamilton e Curt Swan, aventura que, não por acaso, abre o volume da próxima quinta-feira.
Seguem-se duas histórias ilustradas pelo grande Neal Adams, nome bem conhecido dos leitores do Público, pois foi o desenhador de Batman: A Saga de Ra’s Al Ghul e
Lanterna Verde e Arqueiro Verde: Inocência Perdida, dois clássicos incontornáveis, publicados na anterior colecção que o Público e a Levoir dedicaram à DC.
Um dos pontos altos desta edição é a história Ontem, Hoje e Amanhã, escrita por Geoff Johns em 2006, que revisita de forma nostálgica alguns dos momentos mais importantes da história dos dois heróis, interpretados no estilo original de cada um desses momentos por um naipe impressionante de artistas (que inclui nomes como Dick Giordano, George Pérez, Ethan Van Sciver, Adam Kubert, Ed Benes ou Dan Jurgens) que ao longo das décadas deixaram a sua marca nas aventuras dos dois heróis.
Depois de uma aventura escrita por Jeff Lemire, em que o Super-Homem e o Batman combatem ao lado de outro Super-Herói DC, o Átomo, chega outro momento imperdível deste volume: Se Calhar já Ouviram Esta…, uma tão divertida como delirante história, em que Joe Kelly e um punhado de artistas, actualizam e reinventam o primeiro encontro entre Batman e Super-Homem, tal como foi descrito em A Mais Poderosa Equipa do Mundo.
A terminar, temos um breve momento de pura poesia de Jeph Loeb e Tim Sale, que imaginam o primeiro encontro entre Clark Kent e Bruce Wayne… que não chegou a ser, terminando em beleza este livro. Um volume antológico, recheado de grandes histórias, que permitirá aos leitores conhecer melhor o Homem de Aço e o Cavaleiro das Trevas, antes do seu tão aguardado confronto nas salas de cinema.
Texto originalmente publicado no jornal Público de 11/03/2016
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segunda-feira, 21 de março de 2016
domingo, 18 de janeiro de 2015
75 Anos de Batman 1 - Batman: O Longo Halloween Vol 1
Como tem sido habitual, aqui deixarei os textos editoriais que escrevi para a colecção dedicada aos 75 Anos do Batman, que a Levoir está a lançar com o jornal Sol. O primeiro foi precisamente este, dedicado a um dos meus livros favoritos da dupla Jeph Loeb/Tim Sale.
BATMAN ANO DOIS
Se o leitor for um fã de cinema, encontrará certamente algo de familiar nas primeiras páginas deste livro. Com efeito, a imagem de Bruce Wayne, envolto nas sombras a dizer a Carmine Falcone, o Padrinho da principal família mafiosa de Gotham, que acredita na sua cidade, na página inicial desta história, não pode deixar de evocar no leitor cinéfilo, a cena de abertura do filme O Padrinho, de Francis Ford Coppola, que começa precisamente com a frase “acredito na América” dirigida a Vito Corleone, o Padrinho do romance de Mario Puzo, que inspirou o filme de Coppola.
Para além do Carmine Falcone desenhado por Tim Sale ter parecenças físicas com o Vito Corleone superiormente interpretado por Marlon Brando, o facto de ambas as cenas terem lugar durante a festa de casamento de um parente do chefe mafioso, não deixa dúvidas sobre a óbvia homenagem que Loeb e Sale quiseram prestar ao filme de Coppola. Uma homenagem tão merecida como arriscada, pois pode levar a inevitáveis comparações entre o clássico do cinema e a BD de Loeb e Sale. Mas a verdade é que, tal como O Padrinho tem um lugar de destaque no cânone do cinema americano do século XX, também The Long Halloween é presença indiscutível na lista das 10 melhores histórias do Batman de sempre.
Na anterior coleção da Levoir dedicada à DC, pudemos apreciar o trabalho de Tim Sale com o Batman, numa série de histórias soltas escritas por diferentes argumentistas, mas isso foi apenas um aperitivo para a "piece de resistance" que se vai seguir: o primeiro trabalho de grande fôlego da dupla Loeb/Sale protagonizado pelo Cavaleiro das Trevas. Um marco na história dos Comics americanos cuja influência é evidente na trilogia cinematográfica de Christopher Nolan.
Mas não negando os méritos do trabalho de uma dupla de criadores em perfeita sintonia, convém não esquecer o papel fundamental do editor Archie Goddwin em The Long Halloween, que Loeb é o primeiro a salientar, na entrevista que lhe fez o cineasta Kevin Smith para o programa de rádio Fatman on Batman. Aí Loeb refere que foi o mítico editor e argumentista a ir buscar a dupla para as revistas do Batman, numa fase em que o trabalho dos dois criadores para a DC se limitava à sua passagem pela série Chalengers of the Unknow, convidando-os a criar uma história de Halloween para a revista Legends of the Dark Knight, de que Godwin era o editor. Essa história foi Fears e a DC gostou tanto do resultado que resolveu lançar à história num número especial em "prestige format" (formato mais luxuoso, com papel de gramagem superior, lombada e capa cartonada, usado pela primeira no The Dark Knight Returns de Frank Miller), em vez de a espalhar por três Comics, como era habitual.
Uma aposta arriscada, tento em conta que tanto Loeb como Sale eram ainda relativamente desconhecidos, mas que se revelou ganhadora, tanto em termos críticos como comerciais. Seguiram-se mais dois especiais de Halloween nos anos seguintes (Madness e Ghosts, posteriormente reunidos, com Fears, no livro Haunted Knights), até que Goodwin, enquanto tomava o pequeno-almoço com Loeb, durante a Comic Con de San Diego, de 1995, se lembrou que podia ser interessante aplicar esta lógica a uma história que durasse o ano inteiro, sugerindo ainda o nome The Long Halloween, para essa história.
Para Loeb, que naquela época, além do seu trabalho no cinema e na televisão, estava também a escrever a série Cable para uma editora rival, não era fácil ter disponibilidade para aceitar o desafio, mas quando Goodwin lhe disse que tinha falado com Frank Miller e que este não se opunha a que alguém usasse os Falcone e os Maroni, as duas famílias mafiosas que Miller tinha criado em Ano Um, Loeb percebeu que não podia perder a oportunidade de explorar os primeiros anos de actividade de Batman, numa história que homenageasse simultaneamente o trabalho de Miller e os clássicos do filme noir.
Nascia assim The Long Halloween, uma história em 13 partes, pensada para funcionar simultaneamente como uma intriga policial clássica e como a continuação do Ano Um de Miller e Mazzucchelli, com a acção a decorrer seis meses depois dos acontecimentos de Batman: Ano Um. E se em Ano Um é Jim Gordon quem assume o principal protagonismo, agora, seguindo uma sugestão de Mark Waid, Loeb e Sale vão contar o processo de transformação de Harvey Dent no Duas Caras.
O resultado é uma história que mistura ingredientes do romance policial clássico, com o Film Noir e os filmes de gangsters, sem esquecer a mitologia do Cavaleiro das Trevas e a colorida galeria de vilões do Batman, que Sale teve carta-branca para reformular graficamente. A esse nível a mudança mais notável é a do Calendar Men, um dos mais obscuros (e também dos mais ridículos) vilões do Batman, que Sale já tinha tido oportunidade de desenhar numa história de Alan Grant - publicada em Portugal em Contos do Batman, volume pertencente à segunda colecção que a Levoir dedicou à DC Comics - e que aqui surge completamente transformado. Um personagem muito mais misterioso e sombrio, que da sua cela no Asilo Arkham vai dando pistas a Batman que o ajudem a descobrir a identidade do misterioso Holliday, o assassino dos Feriados. No fundo, um papel muito semelhante ao de Hannibal Lecter em relação à agente Clarice Sterling no filme The Silence of the Lambs, de Jonathan Demme.
Terminado este primeiro volume, todos dados estão lançados e a intriga está em marcha. Agora só resta ao leitor esperar uma semana pela conclusão desta história épica, para conhecer finalmente a identidade do misterioso Halloween.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Universo Marvel 18 - Wolverine: Evolução
UNIVERSO MARVEL VOL 17
Wolverine: Evolução
Argumento - Jeph Loeb
Desenhos - Simone Bianchi
Este foi o último editorial que escrevi para a colecção Universo Marvel. Um texto que surge no blog mais tarde do que o costume, porque o Amadora BD não me deixou grande tempo para actualizações. Mas passada esta fase mais complicada, que se prolonga por este fim-de-semana graças ao Fórum Fantástico, prometo actualizar o blog com maior frequência.
DA ORIGEM DAS ESPÉCIES
Jeph Loeb, um dos criadores mais presentes nas diversas colecções que a Levoir tem dedicado aos super-heróis americanos regressa neste volume com uma história que explora mais a fundo a relação entre Wolverine e Dentes de Sabre, que têm aqui um violento e espectacular confronto final, numa história que procura ainda fazer alguma luz sobre as origens misteriosas dos dois personagens, cujos destinos parecem estar entrelaçados.
Quando Wolverine surgiu pela primeira vez na revista americana The Incredible Hulk 180, no ano de 1974, ninguém sabia o que o destino reservava a esta personagem.
Nessa história, em que Wolverine se alia ao Hulk para derrotar Wendigo, o misterioso herói já se gabava constantemente das suas habilidades, em especial das suas garras letais cobertas por adamantium, ficando célebre a frase: “ sou o melhor naquilo que faço”. A palavra mutante ainda não tinha entrado do vocabulário dos leitores e esta primeira aparição com o seu uniforme azul e amarelo não foi o suficiente para o classificar com sendo herói ou vilão. Mas foi a sua inclusão nos X-Men, pela mão de Len Wein em Giant Size X-Men # 1, e o posterior destaque que Chris Claremont lhe dá, aquando da remodelação do grupo de mutantes que o deu verdadeiramente a conhecer aos leitores. A partir desse momento, Logan, o homem misterioso que nada sabia do seu passado, rapidamente conquistou os leitores, tornando-se rapidamente o mais popular dos X-Men, estatuto que Eu, Wolverine, a mini-série de Claremont e Frank Miller ajudou a consolidar.
Já Dentes de Sabre surge pela primeira vez no nº 14 da revista Iron Fist, criado por Claremont e John Byrne, surgindo como adversário recorrente de Danny Rand, o Punho de Ferro. Só quando Claremont aproveitou a personagem como inimigo dos X-Men, na saga Massacre Mutante, de 1986, e declarou retroativamente que o Dentes de Sabre que Danny Rand enfrentou em Iron Fist # 14 era um mero clone, com capacidades inferiores ao original, é que Dentes de Sabre surge como Némesis de Wolverine. Uma relação de dois mutantes com capacidade regenerativa e com uma acentuada dimensão animal e selvagem, que Wolverine procura sublimar e controlar e que Dentes de Sabre assume sem quaisquer restrições. A forma como os dois mutantes funcionam como negativo um do outro, é acentuada numa entrevista em Claremont declara que a relação entre eles é uma relação de “pai e filho. É por isso que Dentes de Sabre sempre considerou Logan como uma fraca cópia em relação ao seu original. O outro elemento fulcral da minha abordagem da relação entre eles, foi que, em toda a vida deles, Logan nunca conseguiu derrubar Dentes de Sabre num combate sem regras”.
Esta saga explora o capítulo final do confronto entre os dois mutantes, que descobrimos ser resultado de uma guerra eterna entre diferentes ramos da evolução humana, após a descoberta de vestígios arqueológicos que provam a existência de um ramo lupino, de que Wolverine e Dentes de Sabre são descendentes e que através do misterioso Romulus pretende recuperar a posição perdida na cadeia evolutiva.
Mas o grande destaque deste volume vai para o trabalho do desenhador italiano Simone Bianchi. Nascido em 1972 na Itália, em Lucca, cidade que alberga desde 1966 o mais antigo Festival de Banda Desenhada europeu. Grande fã dos super-heróis americanos, que já desenhava ainda antes de saber ler ou escrever, Bianchi publicou a sua primeira tira cómica aos 15 anos, no jornal Il Tirreno, iniciando uma colaboração regular com a imprensa, publicando cartoons e ilustrações. Decisivo para a sua carreira na BD foi o encontro em 1994, com Claudio Castellini - famoso desenhador italiano, que para além do seu trabalho para a editora Bonelli, onde era um dos desenhadores regulares de Dylan Dog, desenhou também Conan e o Surfista Prateado para a Marvel - que se tornou seu professor e mentor, ajudando-o a arranjar trabalho na indústria em editoras como a Phoenix, Comic Art e a Bonelli. Uma estreia promissora que lhe permitiu ver o seu trabalho exposto pela primeira vez no Festival de Lucca de 1998 e desenhar uma aventura do bárbaro Conan para a Marvel Italia no ano seguinte.
Para além da BD e de uma série de ilustrações para capas de discos e de revistas e de trabalhos como consultor visual para empresas de publicidade, estúdios de animação em 3D e companhias produtoras de role play como a Fantasy Flight Games para quem trabalhou na concepção do jogo Dragonstar, Bianchi inicia também uma interessante carreira como professor, primeiro como assistente de Ivo Milazzo (o criador de Ken Parker) numa cadeira de Banda Desenhada na Academia de Belas-Artes de Carrara e mais tarde, como professor a tempo inteiro da disciplina de Anatomia na Banda Desenhada, da Scuola Internazionale di Comics de Florença.
2004 revelou ser um ano decisivo para Bianchi, pois a sua estreia em álbum dá-se em Janeiro desse ano com Ego Sum, título editado em Portugal pela Vitamina BD, que lhe valeu o prémio de melhor desenhador em Lucca e uma presença no Festival de Angoulême do mesmo ano para promover a edição francesa do seu livro, onde conheceu Sal Abbinanti, o agente de Alex Ross, que se torna também seu agente. Nesse mesmo Verão vai viver para Nova Iorque, onde conhece o desenhador Mike Bair, que o apresenta ao editor Peter Tomasi, que lhe propõe trabalhar com Grant Morrison, na mini-série Shining Knight, integrada no ambicioso projecto Seven Soldiers of Victory, em que Bianchi trabalha lado-a-lado com ilustradores como J. H. Williams III, Cameron Stewart e Frazer Irving.
Embora tenha ilustrado antes algumas capas da revista X-Men Unlimited, a sua estreia como desenhador de uma série regular da Marvel, dá-se em 2007, com a história que têm nas mãos, uma saga em seis capítulos escrita por Jeph Loeb, estreada no nº 50 da revista do Wolverine. E o próprio Leb é o primeiro a não poupar nos elogios a Bianchi, dizendo: “como fã de BD estou sempre à espera do próximo grande artista. Quando Bianchi apareceu, o seu trabalho era tão dinâmico e imaginativo. Já vi algumas páginas de Simone para o Wolverine e posso garantir que ninguém está preparado para aquilo. Vai deixar toda a gente de boca aberta. É óptimo para mim poder contribuir para o início da carreira de um artista que vai ser uma superestrela.”
Uma opinião certamente partilhada pela editora que não hesitou em lançar os números de Wolverine desenhados por Bianchi numa versão a preto e branco, que permitisse apreciar devidamente a fabulosa técnica de aguada do desenhador italiano, que revela igualmente um excelente sentido de composição, pensando a página e a dupla página com um a unidade estética autónoma, sem que com isso a narrativa perca legibilidade.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Universo Marvel 17 - Hulk: Cinzento
UNIVERSO MARVEL VOL 17
Hulk: Cinzento
Argumento - Jeph Loeb
Desenhos - Tim Sale
TRÊS CORES: CINZENTO
Se dissessem a um cinéfilo mais tradicional, daqueles que lêem a revista Cahiers du Cinema, que há grandes pontos de contacto entre a trilogia das cores do cineasta polaco Krzysztof Kieslowski e os trabalhos de Jeph Loeb e Tim Sale para a Marvel, este teria certamente dificuldade em acreditar, mas a verdade é que, por mais improvável que pareça, há muita coisa que aproxima os filmes do cineasta polaco e as Banda Desenhadas dos dois americanos.
Se Azul, Branco e Vermelho, os três filmes que Kieslowski dedicou às cores da bandeira de França e aos ideais da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) são histórias de amor, marcadas pelo peso da memória, o mesmo se pode dizer de Homem-Aranha: Azul, Demolidor: Amarelo e Hulk: Cinzento, a trilogia das cores que Loeb e Sale dedicaram aos principais heróis da Marvel e que, depois da edição pela Devir dos dois livros anteriores, está finalmente disponível na íntegra em Portugal.
Revisitações nostálgicas dos primeiros tempos de actividade dos heróis, os três livros seguem uma estrutura muito semelhante, marcada pelos flash-backs. Tanto em Homem-Aranha: Azul, como em Demolidor: Amarelo, as histórias são narradas como cartas de amor a pessoas que já morreram (Peter Parker a Gwen Stacy em Homem-Aranha: Azul e Matt Murdock a Karen Page em Demolidor: Amarelo), mecanismo que permite o desencadear das recordações de um tempo que já passou, e que Loeb e Sale recuperam com o talento que se lhes reconhece.
Mesmo que os outros heróis da Marvel com a excepção do Homem de Ferro, que não sai muito bem tratado desta história, brilhem pela ausência, Loeb não esquece os criadores que antes dele escreveram as aventuras do Hulk e em especial Peter David, responsável pelo argumento da revista do Hulk durante doze anos e que recuperou a versão cinzenta do Hulk, para além de ter criado também uma versão vermelha (cá temos outra trilogia das cores: cinzento, verde e vermelho...) A homenagem de Loeb a David é evidente no diálogo entre Banner e Samson sobre a mudança de cor do Hulk, com Banner a concluir o tema com a frase “mas estou a divagar” (“but I digress”, no original), que é precisamente o título da coluna de comentário sobre Banda Desenhada que Peter David Assinou na revista Comics Buyers Guide, de 1990 até 2013, data em que a revista cessou a publicação.
Nascido em 1956 em Ithaca, Nova Iorque, Sale passou a infância e a adolescência em Seattle, de onde saiu durante dois anos para frequentar a School of Visual Arts, a célebre escola nova-iorquina criada por Burne Hogarth, onde Will Eisner foi professor, para além de ter feito um workshop em Banda Desenhada com John Buscema. Mesmo que tenha regressado a Seattle sem ter concluído a sua licenciatura na S.V.A., o contacto com tão bons mestres deixou marcas e não admira que tenha acaba por decidir fazer carreira na Banda Desenhada. Uma carreira que se iniciou em 1983, com a série Mith Adventures da Warp Graphics, mas que só arrancaria realmente dois anos mais tarde ao conhecer o autor Matt Wagner e a editora Diana Schutz na Comic Con de San Diego. Encontro que lhe valeu o convite para colaborar na série Grendel, de Wagner, como desenhador, e que acabou por levar ao encontro mais importante da sua vida, com o escritor Jeph Loeb, que lhe foi apresentado por Wagner e Schutz.
Vindo do mundo do cinema, onde foi responsável pelo argumento de filmes como Teen Wolf e Commando e trabalhou na primeira série de ficção da HBO, The Hichhiker, foi o seu trabalho para um filme do Flash que nunca chegou a ser feito, que lhe abriu as portas da DC Comics, que detém os direitos da personagem e lhe permitiu iniciar uma carreira na Banda Desenhada, que não se limitou às colaborações com Sale. Uma carreira prolífica e frutuosa como argumentista de BD ligado às maiores editoras americanas, que Loeb tem sabido conciliar com a sua actividade de argumentista e produtor para televisão e que faz dele o homem ideal para o cada vez maior número de projectos em que Hollywood vai beber ao mundo da Banda Desenhada.
A série Chalengers of the Unkwon, o primeiro argumento de comics escrito por Loeb em 1991, foi naturalmente ilustrado por Sale e desde então a dupla colaborou em inúmeros projectos, com destaque para as sagas The Long Halloween e Dark Victory, que exploram o destino do Batman imediatamente após os acontecimentos do Year One, de Frank Miller e David Mazzucchelli e para Superman For All Seasons, história muita na linha da trilogia das cores da Marvel, de que é precursora e que foi assumida pelos criadores da série televisiva Smallville, onde Loeb também trabalhou, como uma das principais fontes de inspiração da série.
Mas as colaborações da dupla não se resumem à DC. Basta relembrar as mini-séries Homem-Aranha: Azul e Demolidor: Amarelo, os volumes anteriores da trilogia das cores, publicadas em Portugal pela Devir e da participação de Sale na série televisiva Heroes, de que Loeb foi produtor e argumentista e onde Sale, para além de conselheiro artístico, foi o responsável pelas pinturas de Isaac Mendez, um dos personagens da série, cujos poderes divinatórios se revelavam nos quadros que pintava.
E se Loeb e Sale já tinham estado em destaque nas duas colecções que a Levoir dedicou à DC, em que Loeb assinou o argumento dos últimos volumes da primeira e segunda série, com histórias que reúnem o Super-Homem e o Batman (A Rapariga de Krypton e Poder Absoluto) e Tim Sale foi responsável pela arte de Contos do Batman, em que ilustrava três histórias do Cavaleiro das Trevas, escritas por outros argumentistas que não Loeb, esta é a primeira vez que a dupla surge junta numa colecção da Levoir, assinando um dos seus melhores trabalhos conjuntos.
Um trabalho em que o traço de Sale revela uma plena maturidade, que ainda lhe faltava em Contos do Batman, e um apurado sentido narrativo, usando com grande efeito dramático, os grandes planos, as imagens de página inteira e as duplas páginas. Mas onde Sale mais brilha é na expressividade que consegue transmitir ao rosto do Hulk, usando com grande eficácia as sombras e os grandes planos, focando pormenores como os olhos e os dentes do Hulk, que se destacam no meio da escuridão. Veja-se, por exemplo a sequência que nos mostra a sua breve amizade com um coelho, ou o modo como o monstro se “derrete” na presença de Betty Ross. Betty, a mulher cuja memória está no centro da história, tal como aconteceu nos outros volumes da “trilogia das cores”, mas que na realidade acaba por ser mais um catalisador duma reflexão de contornos psicanalíticos sobre a relação difícil entre pais e filhos.
Pais geralmente ausentes, como nos casos de Bruce Banner e Rick Jones, dois órfãos com infâncias traumáticas, que estabelecem nesta história uma relação de pai e filho, ou mesmo de Betty Ross, que órfã de mãe tem no General Ross um pai ausente, para quem a obsessão em capturar o Hulk se sobrepõe tudo o resto, evocando uma personagem trágica da literatura, o capitão Ahab e a sua relação com Moby Dick, a baleia branca, que está no centro do famoso romance de Herman Melville.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Dc Comics Uncut 24 - Super-Homem e Batman: Poder Absoluto
Embora este seja o último volume da 2ª colecção que a Levoir dedicou à Dc, não é o último texto desta rubrica, como poderão ver proximamente. No caso deste texto, o mais curioso é que a tentativa de cortes partiu, não da DC, mas de quem reviu o texto, o Filipe Faria, que decidiu fazer alguns cortes, que eu não aceitei, e acrescentou uma frase sobre a história que conclui este volume.
O JARDIM DOS CAMINHOS QUE BIFURCAM
Num dos mais inspirados contos do livro Ficções, de 1941, o escritor argentino Jorge Luís Borges antecipa em 16 anos as teorias do físico Hugh Everett, que revolucionaram a física quântica, defendendo que em cada instante que uma escolha é feita, seja pelo acaso, seja por opção humana, o universo divide-se em dois: um para cada escolha possível.
O paradoxo que Everett procurou provar através das fórmulas matemáticas, já tinha intuído Borges no conto O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam. O jardim em causa não é um espaço físico, mas um conto escrito por Ts'ui Pen, um antepassado do espião alemão que protagoniza a história. Um conto que tenta representar através de um labirinto, o universo e todas as suas infinitas possibilidades. Ou, citando Borges, através de uma das personagens: "comparei centenas de manuscritos, corrigi os erros que a negligência dos copistas introduziu, conjecturei o plano desse caos, julguei estabelecer a ordem primordial, traduzi a obra inteira: resulta-me que não emprega uma única vez a palavra tempo. A explicação é óbvia: O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam é uma imagem incompleta, mas não falsa, do universo tal como o concebia Ts'ui Pen. Ao contrário de Newton e de Schopenhauer, o seu antepassado não acreditava num tempo uniforme e absoluto. Acreditava em infinitas séries de tempos, numa rede crescente e vertiginosa de tempos divergentes, convergentes e paralelos. Esta trama de tempos que se aproximam, se bifurcam e se cortam ou que secularmente se ignoram, abrange todas as possibilidades. Nós não existimos na maior parte desses tempos; nalguns deles existe você e eu não; noutros eu, e não você; noutros ainda existimos os dois. Neste, que um favorável acaso me proporciona, você chegou a minha casa; noutro, você, ao atravessar o jardim, deu comigo morto; e noutro, eu digo estas mesmas palavras, mas sou um erro, um fantasma."
Essas infinitas possibilidades abertas por diferentes escolhas, estão também na base da história que vão ler a seguir, escrita por Jeph Loeb para os desenhos dos espanhóis Carlos Pacheco e Jesus Merino e publicada originalmente nos nºs 14 a18 da revista Superman/Batman, de que já pudemos ler no último volume da série 1 desta colecção o arco de histórias anterior, ilustrado por Michael Turner.
Neste terceiro arco da revista que voltou a juntar os dois maiores heróis do Universo DC, Loeb explora as ilimitadas potencialidades narrativas que a existência de universos paralelos permitia e que, com a reformulação do Universo DC provocada pela Crise nas Terras Infinitas, ficou praticamente limitada às histórias da linha Elseworlds, de que tivemos um exemplo, tanto na primeira como na segunda série, com Batman: Outros Mundos e Super-Homem: Herança Vermelha. Neste caso, Loeb recorreu às viagens no tempo para explorar a forma como uma alteração crucial no início das suas vidas - com os dois heróis a serem educados por três membros da Legião dos Super-Vilões - pode modificar completamente a vida do Homem de Aço e do Cavaleiro das Trevas e, por inerência, o universo em que eles se inserem.
No fundo, Loeb pega na premissa utilizada por Mark Millar em Herança Vermelha e leva-a mais longe, para além de lhe introduzir diversas variantes. Variante que se traduzem em futuros alternativos, causados por alterações no passado, que permitem recuperar uma série de personagens que a Crise nas Terras Infinitas tinha afastado da continuidade regular, mas que são parte incontornável da história da DC. Desde os heróis do Oeste, de que Jonah Hex é o mais carismático exemplo, até ao símbolo maior da América, a representação do espírito americano, o Tio Sam, cuja imagem foi fixada por James Montgomery Flagg, em 1917, nos cartazes de propaganda e que Will Eisner trouxe para a Banda Desenhada em 1940, e que mais uma vez surge como símbolo do combate pela liberdade e contra a opressão. Uma opressão neste caso representada pelo Batman e pelo Super-Homem. Mas, mais dos que os heróis, a que mestres como Will Eisner e Joe Kubert (não falta aqui o Sargento Rock), emprestaram o seu talento, Loeb vai buscar para esta história épica, muitas das personagens que passaram pelas histórias do mais épico dos criadores. O grande Jack Kirby, aqui representado pelos personagens do Quarto Mundo, como Darseid e Metron e por Kamandi, o último rapaz da Terra, nascido numa série inesquecível em que o King levou mais longe o futuro distópico que o filme Planeta dos Macacos tinha aflorado. Para articular esta multitude de referências diversas de uma forma graficamente coerente, Loeb necessitava de um desenhador tão versátil como virtuoso do seu lado. Encontrou-o em Carlos Pacheco.
Um dos mais importantes e populares autores latinos a trabalhar nos comics de super-heróis, o espanhol, natural de Cádis, soube rapidamente construir uma carreira ímpar, em que deu o seu cunho pessoal aos principais heróis da Marvel e da DC, para além de abrir o caminho para a invasão do mercado americano de super-heróis por uma série de desenhadores de origem espanhola, como Salvador Larroca, Rafa Fonteriz, Guillem March, Javier Pulido, Oscar Jimenez e Jesus Merino, seu colaborador habitual, que aqui assina a arte.final. Profundamente influenciado pelos comics de super-heróis, Pacheco iniciou-se na BD em Espanha através dos concursos de descobertas de novos talentos promovidos pelo editor Josep Toutain, mas começou a dar nas vistas entre 1978 e 1982 como ilustrador das capas da Colecção “Clássicos Marvel”, da editorial Forúm, onde teve a possibilidade de desenhar pela primeira vez muitos dos heróis com que viria a trabalhar anos mais tarde, como desenhador regular. Leitor ávido e profundo conhecedor das histórias de super-heróis, a ponto de ter criado, com Rafael Marin e Rafa Fonteriz, a série Iberia Inc., protagonizada por um grupo de super-heróis espanhóis, a entrada de Carlos Pacheco no mundo dos comics de super-heróis era uma questão de tempo.
Essa entrada vai ter lugar em Dezembro de 1992, pela porta dos fundos, através da Marvel UK, ao fim de 10 anos a mandar submissões às grandes editoras americanas. O seu trabalho como desenhador na série Dark Guard desperta a atenção dos editores e, quase em simultâneo, Pacheco recebe convites para trabalhar para as duas grandes editoras americanas. Para a DC, para além do seu trabalho no encontro entre a Liga da Justiça e a Sociedade da Justiça, que já puderam apreciar nesta colecção, destaca-se a sua etapa como desenhador do Super-Homem e a sua colaboração com Kurt Busiek em Arrowsmith, série que transpunha a dura realidade da I Guerra Mundial para um universo de fantasia, que a Devir publicou em Portugal.
Pela forma como consegue reunir numa história coerente, tantos heróis e vilões, evocadores de diferentes períodos da riquíssima história do Universo DC, Poder Absoluto é a história ideal para concluir esta emocionante viagem de 30 semanas pelos meandros do Universo DC, que a Levoir proporcionou aos leitores portugueses. Uma viagem inesquecível, feita de histórias épicas, protagonizadas por grandes heróis e vilões à altura.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
DC Comics Uncut 20 - Super-Homem e Batman: A Rapariga de Krypton
Ao mesmo tempo que chega ás bancas o primeiro volume da segunda série da DC Comics, editada pela Levoir, agora distribuída com o semanário Sol, aqui fica o último editorial da série I, assinado, tal como aconteceu com o primeiro desta série, pelo José de Freitas
Uma Rapariga fora deste Mundo
Quando surgiu, o Super-Homem tornou-se no primeiro de todos super-heróis, e não só dos heróis terráqueos, já que a sua origem era alienígena. Salvo pelos seus pais verdadeiros da destruição da civilização kryptoniana, cujo planeta explodiu, foi lançado numa nave através do cosmos até chegar à Terra, acabando por ser educado pelos seus pais adoptivos. Mas um planeta com uma tecnologia tão avançada como a de Krypton possuía demasiadas potencialidades, e os autores da DC cedo perceberam que onde um kryptoniano tinha sobrevivido, outros poderiam também ter sido salvos, abrindo as portas à existência de uma verdadeira galeria de heróis e vilões que foram chegando à Terra ao longo dos anos. Desde o General Zod e de Ursa, super-vilões com os mesmos poderes que o Super-Homem, passando por Krypto, o Supercão, até Kandor, uma cidade inteira de kryptonianos que tinha sido encolhida por Brainiac e que sobreviveu à destruição do seu planeta natal. Mas provavelmente a mais popular das personagens de Krypton depois do Super-Homem terá sido a sua prima Kara Zor-El, a Supermoça.
Kara Zor-El aterrou na Terra e nas páginas da revista Action Comics #252 em 1959, numa história intitulada, tal como esta que têm nas vossas mãos, The Supergirl from Krypton (traduzida para português como A Rapariga de Krypton). Nessa história, escrita por Otto Binder e ilustrada por Al Plastino, Kara Zor-El é enviada para a Terra pelo seu pai Zor-El, um cientista kryptoniano, irmão de Jor-El, pai do Super-Homem. Os dois são portanto primos, e ambos são também órfãos. Zor-El tinha conseguido salvar a cidade de Argo da destruição de Krypton, e durante anos os campos de força que tinha criado em redor da cidade tinham permitido que esta sobrevivesse flutuando pelo espaço. Mas um dia, uma chuva de meteoros destrói a esfera de ar que rodeia Argo, condenando-a à morte, e Zor-El e a sua mulher Alura enviam Kara para a Terra, onde reside o último kryptoniano que poderá cuidar dela. Será o Super-Homem a enviar Kara para o orfanato da pequena cidade de Midvale, e a arranjar-lhe a sua identidade secreta de Linda Lee. A personagem teve imenso sucesso, e durante anos partilhou as páginas da revista Action Comics com o Super-Homem, antes de se estrear como personagem principal, primeiro na revista Adventure Comics, e logo a seguir, nos anos 1970, na revista Superman Family, antes de finalmente ter o seu próprio título.
Mas a grande mudança na vida da Supermoça veio com a Crise nas Terras Infinitas, como já tivemos ocasião de ver nesta colecção. A saga permitiu à DC reorganizar o seu universo de super-heróis, e uma das ideias que surgiu foi a de voltar a fazer do Super-Homem “O Último Kryptoniano”. Como diz Marv Wolfman na introdução à edição compilada da história, “Antes da Crise, parecia que mais de metade do planeta Krypton tinha sobrevivido à destruição. Tínhamos o Super-Homem, mas também a Supermoça, Krypto, os vilões todos da Zona Fantasma, a cidade de Kandor dentro duma garrafa, e muito mais. Decidimos voltar à origem e fazer de Kal-El o único sobrevivente de Krypton. É triste, claro, mas foi essa a razão pela qual Kara Zor-El teve de morrer.” No serviço fúnebre que marca a morte da Supermoça às mãos do Antimonitor, quando salvava o Super-Homem, a Batmoça declara que “Ela era uma heroína, e não será esquecida”. E não seria. A sua popularidade ao longo das décadas seguintes continuaria, inspirando muitas histórias alternativas e personagens semelhantes. Mas seria só no início dos anos 2000 que ela reapareceria definitivamente nas páginas da revista Superman/Batman.
Porque não devemos esquecer que esta história não é só uma história da Supermoça, é antes de tudo uma história da maior dupla de super-heróis de sempre, o Cavaleiro das Trevas e o Homem de Aço. Em 2004 a DC Comics decidiu relançar uma série regular que protagonizasse o Super-Homem e o Batman juntos, reatando assim com a tradição de títulos como World’s Finest. O novo título, chamado simplesmente Superman/Batman, ficou a cargo do argumentista Jeph Loeb, que se encarregaria de actualizar o conceito para o século 21 e de escrever os primeiros 25 números. A revista estava organizada em histórias de seis números cada, com ocasionais números únicos intercalados, e cada arco de história ficaria a cargo de um artista escolhido entre os maiores nomes daquela altura. Jeph Loeb iniciou a sua carreira nos anos 1980 como argumentista de cinema, trabalhando em filmes como Teen Wolf ou Commando. Foi quando trabalhava para um guião para um possível filme do Flash que começou a escrever argumentos de banda desenhada, sobretudo para a DC, que lhe granjeariam inúmeros prémios por obras das mais significativas nos comics, como Batman: The Long Halloween e Batman: Dark Victory, ou Superman For All Seasons (todos estas com o artista Tim Sale, um dos seus parceiros de longa data), ou Batman: Silêncio (com Jim Lee), já editado no nosso país pela Devir. Em anos mais recentes, Loeb tem feito muito trabalho para a Marvel, e continuou a sua carreira como argumentista de televisão, trabalhando em séries tão famosas quanto Lost ou Heroes.
Quanto ao artista canadiano Michael Turner, que desenha este segundo arco de história da revista, é justo dizer que foi uma das estrelas que brilhou mais fortemente nos comics americanos, mas infelizmente por muito pouco tempo. Turner iniciou a sua carreira no final dos anos 90, na Top Cow, um dos estúdios da Image Comics, onde ajudou a criar Witchblade e trabalhou noutras séries, como Darkness, tendo lançado em 1998 a sua própria série, Fathom, que se tornou num comic de culto entre os fãs americanos. Infelizmente, passado muito pouco tempo foi-lhe diagnosticado um cancro, e em consequência disso a sua capacidade de trabalho foi bastante afectada. Fez alguns trabalhos para a DC Comics, entre os quais muitas capas, esta história do Batman e do Super-Homem - a única vez que desenhou uma história que não fosse sua ou da Top Cow - e trabalhou também como argumentista na história Godfall, uma saga do Super-Homem. Michael Turner faleceria em 2008, e durante os últimos anos de vida fez algum trabalho para a Marvel Comics e para a série Heroes, mas já se encontrava muito debilitado. Podemos dizer sem grandes reservas que Turner poderia ter sido um dos maiores nomes dos comics de super-heróis se não tivesse sido vítima duma doença que o levou com apenas 37 anos de idade.
Nesta história, Loeb reaproveitou elementos do arco de história inicial da série, Public Enemies, que ocupou os números 1 a 6 da revista. Essa história foi uma das mais marcantes daquela época, já que na altura Lex Luthor era Presidente dos Estados Unidos, e em consequência dos acontecimentos desta saga será finalmente exposto ao mundo como o verdadeiro vilão por trás duma vasta conspiração, e forçado a abandonar a presidência. Mas essa conspiração teve início na descoberta dum asteróide que se dirigia para a Terra. Descobre-se nesta história que têm em mãos que esse asteróide continha uma cápsula que transportava a prima do Super-Homem, Kara Zor-El, em animação suspensa desde a destruição de Krypton, com um pormenor novo: Kara nasceu antes do seu primo Kal-El, o Super-Homem, e a sua nave foi lançada de Krypton ao mesmo tempo que a do seu primo, mas ficou perdida no espaço mais tempo, fazendo com que ela se tornasse mais nova do que ele. Como Loeb diz: “Eu e o meu editor, Eddie Berganza, começámos a especular e a divertir-nos com a ideia de que podia haver “algo” dentro daquele asteróide, e que se calhar o Lex Luthor não estava assim tão maluco, porque o asteróide vinha mesmo de Krypton”.
A história teve imenso sucesso, tanto que foi decidido que a personagem merecia o seu próprio título. No entanto, a primeira história a solo de Kara Zor-El como Supermoça seria publicada ainda no #19 de Superman/Batman com argumento de Jeph Loeb, e seria relançada a seguir como # 0 da nova revista Supergirl. O desenho seria confiado ao britânico Ian Churchill, um artista que teve uma ascensão muito rápida nos comics, com obras nas principais editoras americanas, e que se tornou entretanto num dos desenhadores com que Loeb mais colaborou em séries independentes. É essa a história que encerra este volume, e que nos permite finalmente ver, já não a jovem Kara Zor-El à procura do seu lugar num mundo que não é o seu, e a tentar conquistar a confiança dos membros da Liga da Justiça, mas sim a Supermoça no seu uniforme de super-heroína, a enfrentar os desafios do universo DC!
José Hartvig de Freitas
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