Mostrar mensagens com a etiqueta BD; Cinema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BD; Cinema. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 23 de junho de 2015
Ciclo de cinema Miyazaki e os Estúdios Ghibli, em Tomar
Tal como aconteceu o ano passado, com um ciclo sobre Banda Desenhada francesa no cinema, este ano voltei a colaborar com o Cineclube de Tomar, organizando uma pequena mostra dedicada a Hayao Miyazaki e aos Estúdios Ghibli, que vai decorrer esta semana, de quinta, 25, a sábado, 27 de Junho. Uma boa forma de comemorar os 30 anos dos Estúdios Ghibli, que se completam precisamente este mês.
Deixo-vos com o texto que escrevi para acompanhar o ciclo e que está também disponível no site do Cineclube.
MIYAZAKI E OS ESTÚDIOS GHIBLI
No preciso mês em que se comemora o trigésimo aniversário da criação, em Junho de 1985, pelos cineastas Hayao Miyzaki e Isao Takahata e pelo produtor Toshio Suzuki, dos Estúdios Ghibli, o lendário estúdio de animação japonês e os seus principais criadores estão em natural destaque no ciclo que o Cineclube de Tomar dedica este mês à animação japonesa.
Mesmo sem o saber, o público português que está actualmente entre os 30 e os 50 anos, já teve forçosamente contacto com o trabalho de Miyazaki e Takahata, mesmo que nunca tenham visto uma longa-metragem de animação dos estúdios Ghibli, pois estes dois criadores são responsáveis por inesquecíveis séries de animação, como Heidi, Marco, Ana dos Cabelos Ruivos e Conan, o Rapaz do Futuro, que passaram, por mais de uma vez, na televisão portuguesa.
E foi precisamente o sucesso dessas séries, não só em Portugal, mas no resto da Europa e no Japão, que ajudou a criar as condições para que, em 1984, os estúdios TopCraft desenvolvessem a primeira longa-metragem de animação de Miyazaki, baseado num mangá (uma Banda Desenhada japonesa) do próprio autor, Nausicaa of the Valley of the Wind. Ficção pós-apocalíptica, com um sopro épico e uma forte componente ecológica, Nausicaa foi um grande sucesso, que incentivou Miyazaki e Takahata a comprarem os estúdios TopCraft, então à beira da falência e criarem os estúdios Ghibli
Com três nomeações e um óscar para o Melhor filme de Animação, atribuído a A Viagem de Chiiro, o japonês Hayao Miyazaki é um nome maior do cinema de animação mundial e tem naturalmente o destaque principal na programação deste ciclo de cinco filmes, assinando a realização de três desses cinco filmes.
Assim, na quinta-feira, 25 de Junho, os espectadores terão a oportunidade rara de ver num ecrã de cinema As Asas do Vento, o último filme de Miyzaki, de 2013, que em Portugal saiu directamente em DVD. Derradeiro filme de Miyazaki como realizador, pois o cineasta declarou no Festival de Veneza de 2013, que se ia reformar, As Asas do Vento, que foi nomeado para o Óscar de Melhor Animação, é uma biografia de Jiro Horikoshi, o criador do famoso Mitsubishi A6M Zero, o avião usado pelos japoneses durante a 2ª Guerra Mundial.
Extremamente poético e melancólico, com toques fellinianos e uma extraordinária beleza plástica, As Asas do Vento é visto como o filme-testamento de Miyazaki, não só pelo tema da aviação, bem presente em outros filmes do realizador, como Nausicaa, ou Porco Rosso, mas até pelo próprio título, que remete para a criação dos Estúdios Gihibli, pois Ghibli é o nome árabe do Sirocco, um vento quente vindo do Mediterrâneo, termo escolhido porque o estúdio queria fazer soprar um “vento de mudança no mundo da animação”.
Na sexta-feira, dia 26, chega a vez da programação infantil, com a exibição pelas 15h30m, em versão dobrada em português, de O Castelo Andante, filme dirigido por Miyazaki, em 2004, que adapta o livro Howl's Moving Castle, de Diana Wynne Jones. Uma obra que narra as aventuras de Sophie, uma adolescente que é transformada por uma bruxa, numa velha de 90 anos. Misturando a fantasia com um ambiente steampunk, O Castelo Andante é um bom exemplo da capacidade de Miyazaki de criar filmes que agradam tanto às crianças, como aos adultos.
Finalmente, no sábado dia 27, o ciclo de animação japonesa dos Estúdios Ghibli termina em beleza, num dia verdadeiramente em cheio, que contempla a exibição de três filmes, dois dirigidos ao público mais novo, em versões dobradas e o último em versão original com legendas em português.
Logo a abrir o dia, às 11h, temos O Reino dos Gatos, o único filme deste ciclo que não é dirigido por nenhum dos fundadores dos Estúdios Ghibli. Realizado por Hiroyuki Morita, em 2002, O Reino dos Gatos, foi concebido inicialmente como uma curta-metragem de 20 minutos, encomendada por um parque temático japonês sobre gatos, mas o estúdio ficou tão entusiasmado com o trabalho de Morita e com o carisma de Haru, o personagem principal, que decidiu transformar a curta-metragem, numa longa-metragem para cinema, que levou três anos a terminar.
Pelas 15h30m passa o mais popular (e também o mais premiado) filme de Miyazaki, A Viagem de Chihiro. Realizado por Miyazaki em 2001, o filme ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2002 e o Óscar de de Hollywood para a Melhor Animação em 2003. Ao reconhecimento crítico, aliou-se o apoio do público, pois A Viagem de Chihiro destronou o Titanic de James Cameron do primeiro lugar do box office japonês, tornando-se o maior sucesso de bilheteira da história do cinema japonês, com o público a aderir em massa à viagem iniciática de Chihiro, uma menina de 10 anos que vai parar a um mundo mágico, onde os pais são transformados em porcos e ela é obrigada a trabalhar como criada para os Kami, as criaturas mágicas do folclore japonês, presentes em outros filme de Miyazaki, como O Meu Vizinho Totoro.
Para terminar o ciclo, temos às 21h30m de sábado, O Conto da Princesa Kaguya, de Isaho Takahata, um filme de 2014, que é a última produção dos Estúdios Ghibli, cuja actividade foi bastante reduzida, depois da passagem à reforma de Miyazaki.
Realizado por Takahata, o autor do magnífico O Túmulo dos Pirilampos, num estilo de grande depuração visual e elegância estilizada, que o afasta da imagem gráfica mais habitual dos Estúdios Ghibli, tal como de resto acontecia com outro de filme de Takahata, Os Meus Vizinhos Yamada, o Conto da Princesa Kaguya é baseado numa lenda tradicional japonesa e foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação.
Cinco filmes, entres as mais de vinte longas-metragens realizadas até ao momento pelos Estúdios Ghibli, que espelham a qualidade e a diversidade da produção do mítico estúdio japonês e dos seus criadores. Homens de grande talento e sensibilidade, que criaram verdadeiras obras-primas da animação, pensadas principalmente para um público infanto-juvenil, mas que não deixam de conquistar os adultos que ainda não perderam a capacidade de sonhar e de se maravilhar. Ou seja, todos aqueles que gostam de cinema.
Etiquetas:
animação,
BD; Cinema,
Cineclube de Tomar,
Estúdios Ghibli,
Miyazaki
terça-feira, 21 de abril de 2015
Primeiro Teaser de Batman vs Superman já está online
Previsto para ser divulgado apenas hoje, o primeiro teaser de Batman Vs Superman: Dawn of Justice, já está disponível desde o fim-de-semana, depois de alguém no Brasil ter colocado on-line uma versão pirata.
O filme, dirigido por Zack Snyder, que já tinha dirigido Man of Steel, o último filme do Superman, só estreia no Verão de 2016, mas a expectativa é muita por se tratar do primeiro encontro dos dois maiores heróis da DC no cinema e de se saber que o filme prepara o caminho para a longa metragem da Liga da Justiça, ao introduzir pelo menos dois outros super-heróis, Wonder Woman, interpretada por Gail Gadot e Aquaman, interpretado por Jason Momoa, o Kahl Drogo da série Game of Thrones, que já tinha sido o último Conan.
A escolha de Ben Afleck para o papel de Batman causou grande agitação na Net quando foi divulgada, mas pelo teaser parece que vamos ter um Batman convincente e muito próximo do imaginado por Frank Miller em The Dark Knight Returns, história aonde este filme buscar óbvia inspiração. Um primeiro trailler só deve sair lá mais para o Verão, muito provavelmente durante a Comic Con de San Diego, mas para já temos este teaser, onde podemos ver o Batman de Ben Afleck, o novo Batmobile e o Batplane e ouvir a voz de Jeremy Irons como Alfred.
E se forem aqui, podem ver um vídeo que mostra mais em pormenor o novo fato do Batman, claramente inspirado no Batman do Dark Knight Returns e ter uma visão bastante mais detalhada do novo Batmobile
Interessantes e graficamente muito bem conseguidos, são os dois primeiros posters, que aqui vos deixo, tal como o teaser, legendado em português do Brasil. Enjoy!
Etiquetas:
Batman,
BD; Cinema,
Ben Afleck,
DC Comics,
Frank Miller,
Superman,
Zack Snyder
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Textos Editoriais MARVEL NOW! 3 - X-Men: Dias de um Futuro Esquecido
Num ano marcado pelo regresso dos principais heróis da Marvel ao cinema, que se iniciou com o segundo filme do Capitão América, nenhum regresso é tão aguardado como o dos X-Men, os populares mutantes, que estão de volta num filme que, além de assinalar o retorno do realizador Bryan Singer à franquia que ajudou a lançar, reúne no mesmo ecrã os principais actores da trilogia inicial, com os da prequela dirigida por Matthew Vaughn, que relançou a série no cinema.
Para juntar num mesmo filme duas distintas versões temporais dos mesmos personagens, era preciso encontrar primeiro uma história que o possibilitasse. História essa que já existia e que tinha sido publicada em 1981, nos # 141 e 142 da revista The Uncanny X-Men. Refiro-me, como já terão percebido os leitores mais atentos, ao clássico Days of the Future Past, de Chris Claremont e John Byrne, uma história inesquecível que voltará a estar disponível em português este Outono, na nova colecção da Marvel que a Levoir vai lançar com o jornal Público.
Apesar de durar apenas dois números, está é uma das histórias mais míticas da incontornável passagem de Claremont e Byrne pelos mutantes da Marvel, tendo tido diversas continuações e uma influência visível noutras áreas, incluindo no cinema, onde é possível detectar ecos evidentes do Days of the Future Past no filme Terminator, de James Cameron. A história em causa tem por cenário um futuro distópico, com Nova Iorque destruída e o mundo à beira de um ataque nuclear, em que os mutantes são perseguidos pelos Sentinelas, robôs gigantes criados para detectar e eliminar mutantes, e abatidos, ou encerrados em campos de concentração.
É esse futuro, passado no então distante ano de 2013, que os raros sobreviventes dos X-Men tentam evitar, enviando Kitty Pryde para os anos 80, de modo a impedir o assassinato do Senador Robert Kelly por um mutante, acontecimento fulcral, que a concretizar-se, irá desencadear esse futuro negro em que os mutante deixam apenas de ser olhados com desconfiança, para passarem a ser caçados e abatidos como cães raivosos. Lauren Shuler Donner, responsável pela produção de todos os filmes da série é a primeira a reconhecer a importância desta história incontornável. Como a própria refere " sempre adorei Days of the Future Past e sempre quis fazê-la no cinema. Desde o primeiro X-Men que fomos roubando a história, pedaço a pedaço. Agora que já a saqueamos, podemos finalmente adaptá-la".
Mas essa nem sempre foi a ideia para este filme. Face ao sucesso de X-Men: O Início, a vontade do Estúdio ia para uma sequela com os mesmos actores, passada pouco depois do filme anterior, cuja acção decorre no início dos anos 60, mais concretamente em 1962, com a crise dos Mísseis de Cuba em primeiro plano. A ideia inicial explorava a participação de Magneto no assassinato do Presidente Kennedy, mas Mathew Vaughn preferia antes transferir a acção para os anos 70, sendo escolhido o ano de 1973 por assinalar a fase final da guerra do Vietname e ser também o ano em que foram assinados os acordos de paz de Paris.
Foi então que Tom Rothman, um director dos Estúdios Fox se lembrou que o filme podia começar e terminar com Patrick Stewart e Ian McKelen, os actores que interpretaram O Professor X e Magneto nos primeiros filmes, de modo a juntar os dois universos. Claro que, para isso ser possível era preciso que alguém viajasse no tempo até ao passado e ficou logo óbvio para todos que a história de Claremont e Byrne seria o ponto de partida ideal para isso.
Naturalmente que o filme que chega aos cinemas este mês de Maio, não adapta directamente a história clássica da BD, mas usa o conceito de forma inteligente para juntar no mesmo filme um leque impressionante de actores, representando duas gerações de X-Men unidas para mudar o futuro. As diferenças são várias, começando logo na data em que se passa a sequência no futuro, que de 2013 passa para 2023, e no membro dos X-Men que regressa ao passado, que no filme não é Kitty Pryde, mas o Wolverine. Uma mudança lógica, pois nos anos 70 A mutante ainda não era sequer nascida, enquanto que Wolverine, graças ao seu factor de cura, praticamente não envelhece. Além disso, está solução permite dar mais tempo de ecrã ao mais popular dos mutantes, que na BD original é rapidamente pulverizado pelos Sentinelas, permitindo a Hugh Jackman regressar pela sétima vez à personagem que o tornou famoso.
Quando Matthew Vaughn, que tinha escrito o argumento do filme, em colaboração com Jane Goldman e Simon Kinberg, decide abandonar a realização de Dias de um Futuro Esquecido, para se dedicar à adaptação ao cinema de The Secret Service, o novo projecto do Argumentista Mark Millar, com quem Vaughn já tinha trabalhado em Kick-Ass, foi necessário encontrar um substituto. Um contratempo que acabou por criar as condições ideais para Bryan Synger, que tinha saído em litígio com os Estúdios Fox quando decidiu abandonar o terceiro filme dos X-Men para dirigir O Regresso de Superman, regressar em glória à franquia que ajudou a lançar. Um regresso que permitiu a Singer, que conversou longamente com James Cameron sobre viagens no tempo e universos paralelos, dirigir actores do calibre de Michael Fassbender, Ian McKelen, James McAvoy, Hale Berry, Jennifer Lawrence, Hugh Jackman, Ellen Page e Anna Paquin, mesmo que no caso da actriz que faz de Rogue, a sua participação no filme tenha acabado por ser cortada na montagem final e só possa ser vista mais tarde nos extras da edição em DVD.
Mas se Rogue está fora do filme, há outros mutantes novos que aparecem aqui pela primeira vez, como Blink, Sunspot, Warpath, QuickSilver e Bishop, tal como o vilão Bolívar Trask, o inventor dos sentinelas, interpretado por Peter Dinklage, o tão pequeno quanto carismático actor que faz de Tyrion Lannister na série televisiva Game of Thrones.
Depois daquele que tem tudo para ser o maior filme dos X-Men e um dos maiores filmes de super-heróis de sempre, Bryan Singer já trabalha em X-Men: Apocalipse, o próximo filme da saga, com estreia marcada para 2016. Um ano que promete para os fãs dos filmes de super-heróis, pois para além dos X-Men, estreia também o terceiro filme do Capitão América e tão aguardado encontro entre Batman e Superman.
Texto publicado originalmente na revista X-Men nº 4, de Maio de 2014
Etiquetas:
BD; Cinema,
Bryan Singer,
Marvel Now!,
Panini,
X-Men
Subscrever:
Mensagens (Atom)














