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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Poderosos Heróis Marvel 2 - Vingadores: Era de Ultron 2


VINGADORES COMBATEM ULTRON 
ENTRE O PASSADO E O FUTURO

Poderosos Heróis Marvel
Vol 2
Vingadores: Era de Ultron - Vol. 2
Argumento – Brian Michael Bendis
Desenhos – Bryan Hitch, Brandon Peterson e Carlos Pacheco
Quinta, 30 de Julho
Por + 8,90 €
Como vimos no primeiro volume desta saga, que assinala a despedida de Brian Michael Bendis dos Vingadores, Ultron, a poderosa inteligência artificial está prestes a concretizar o seu plano de destruição total da humanidade. Nova Iorque, São Francisco e Washington estão completamente em ruínas e tudo indica que o resto do mundo não estará muito melhor. O robot Ultron parece ter conseguido finalmente atingir os seus objectivos, com os poucos humanos que ainda restam a tentar sobreviver por entre os escombros, patrulhados por robots sentinelas que eliminam sem piedade qualquer resistência que encontram. Num esconderijo subterrâneo por baixo de Central Park, os heróis que ainda estão de pé tentam reerguer-se das cinzas, liderados por um Capitão América que parece ter baixado os braços e perdido a esperança. Neste grupo encontram-se também outros heróis como o Gavião Arqueiro, Homem-Aranha, Homem de Ferro, Tempestade, Mulher-Hulk, Luke Cage, Emma Frost, Mulher Invisivel e Wolverine.
Percebendo que os robots vigilantes ao serviço de Ultron pouparam a vida a alguns vilões desde que estes denunciem os heróis sobreviventes, o plano de ataque torna-se simples. Conquistar a fortaleza do vilão por dentro, recorrendo aos dois elementos mais poderosos do grupo: Luke Cage e Mulher-Hulk, com o primeiro a fingir entregar a segunda como prisioneira, para juntos terem acesso ao local. O plano corre mal, a Mulher-Hulk é assassinada e Cage fica à beira da morte, na sequência de uma explosão nuclear que dizima Manhattan. Os heróis fogem para a Terra Selvagem, onde Emma Frost lê os últimos pensamentos de Cage antes de morrer e fica a saber a verdade sobre o vilão que enfrentam: Ultron afinal está no futuro a manipular todos os acontecimentos, usando o corpo do andróide Visão – uma criação sua - como veículo para os seus planos.
Mas há entretanto uma esperança: a Viúva Negra, de rosto desfigurado, e o Cavaleiro da Lua, descobriram numa base antiga de Nick Fury em São Francisco, um incrível plano de contingência para uma situação tão desesperada. Juntamente com o Hulk Vermelho, eles acabam de juntar-se aos nossos heróis na Terra Selvagem e utilizando a tecnologia recolhida por Fury, Wolverine e Susan Storm, a Mulher-Invisível voltam atrás no tempo, para impedirem Hank Pym de criar Ultron.
Como sabe qualquer leitor que tenha lido o conto clássico A Sound of Thunder, de Ray Bradbury, ou visto, por exemplo a trilogia do Regresso ao Futuro, de Robert Zemeckis, qualquer alteração mínima do passado tem consequências imprevisíveis no futuro e assim, a eliminação de Hank Pym tem um efeito muito diferente do pretendido pelos nossos heróis, acabando por afectar de forma drástica a própria estrutura dos diferentes universos.  
Em termos artísticos, Bendis conta com uma nova equipa gráfica nesta segunda parte da história. Se no primeiro volume, Bryan Hitch e Paul Neary asseguraram a arte, neste segundo volume, esta dupla apenas é responsável pelo primeiro capítulo, cedendo as funções de desenhador central a dois autores: Brandon Peterson, um talento reconhecido pelo seu trabalho nas séries Codename: Strykeforce, para a Top Cow, e Uncanny X-Men, que desenha as sequências passadas no presente, enquanto  o espanhol Carlos Pacheco, cuja experiência em histórias que envolvam viagens no tempo ficou bem patente em Vingadores para Sempre!, a história de Kurt Busiek publicada na anterior colecção Universo Marvel, encarrega-se das cenas no passado. Já o capítulo final da saga é assinado por uma mão cheia de ilustradores que, além de Hitch, Peterson e Pacheco, incluem Alex Maleev, Butch Guice, David Marquez, e mesmo o editor-chefe da Marvel, Joe Quesada, cujo incrível talento como desenhador os leitores vão poder conhecer um pouco melhor num próximo volume desta colecção dedicado ao Demolidor e que aqui empresta o seu traço poderoso à estreia no Universo Marvel de Angela, a sensual caçadora de demónios criada por Neil Gaiman e Todd McFarlane na série Spawn.
Publicado originalmente no jornal Público de 24/07/2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Poderosos Heróis Marvel 1- Vingadores. Era de Ultron 1


OS VINGADORES ENFRENTAM ULTRON 
NA ABERTURA DA NOVA COLECÇÃO DA MARVEL

Poderosos Heróis Marvel
Vol 1
Vingadores: Era de Ultron - Vol. 1
Argumento – Brian Michael Bendis
Desenhos – Bryan Hitch e Paul Neary
Quinta, 23 de Julho
Por + 8,90 €
É já na próxima quinta-feira que os super-heróis da Marvel regressam ao Público para aquela que é a quarta colecção que o jornal e a Levoir dedicam á “Casa das Ideias”. Uma colecção de histórias inéditas, que se prolongará pelas próximas quinze semanas, até dia 29 de Outubro.
Depois da anterior colecção, mais centrada no universo Marvel como um todo, balizada pelas grandes sagas cósmicas, que juntam os maiores heróis e os mais terríveis vilões, chegou a hora de dar novamente destaque às aventuras individuais dos mais poderosos heróis da Marvel. Heróis que o leitor bem conhece, como os Vingadores, Homem de Ferro, X-Men, Wolverine, Capitão América, Justiceiro, Homem-Aranha, Hulk, Demolidor e Thor, a par com outros que têm pela primeira vez a oportunidade de brilhar individualmente junto dos leitores portugueses. É o caso do Homem-Formiga, cujo filme já está nas salas de cinema de todo o mundo, da Viúva Negra, presença regular nos filmes dos Vingadores e do Gavião Arqueiro, que chega a Portugal na premiada versão de Matt Fraction e David Aja.
A abrir a colecção, temos um título que foge a essa filosofia, pois centra-se no universo Marvel como um todo, que se une para combater Ultron, a inteligência artificial que está também em destaque no último filme dos Vingadores. Apesar das semelhanças no título, não estamos perante a Banda Desenhada que inspirou o filme de Joss Whedon, até porque o segundo filme dos Vingadores não segue nenhuma BD em particular, indo buscar inspiração a diferentes histórias, adaptando-as às necessidades específicas do Universo Marvel no cinema. Aliás, a própria personagem de Ultron é bem reveladora dessas diferenças entre a BD e o cinema. Criado por Roy Thomas e John Buscema em 1968, na revista Avengers, Ultron surge como uma criação ficcional de Hank Pym, o Homem-Formiga, que é também um dos grandes cientistas do universo Marvel e membro dos Vingadores, ao contrário do que acontece no cinema, onde é criado por Tony Stark, o Homem de Ferro. O que se mantém comum é o ódio de Ultron à raça humana, que o leva a tentar exterminá-la por todos os meios.
Era de Ultron é a última grande saga da Marvel arquitectada por Brian Michael Bendis, que conclui aqui um percurso de sagas épicas centradas nos Vingadores, iniciado com Guerra Civil e prosseguido em sagas como Invasão Secreta, Cerco e Vingadores vs X-Men contando com a presença do britânico Bryan Hitch no desenho para assegurar um final em beleza. Hitch, que emprestou um fôlego épico aos Supremos (a versão dos Vingadores do Universo Ultimate, escrita por Mark Millar), mostra mais uma vez ser o homem certo para uma história com esta grandiosidade e sopro épico.
A história de a Era de Ultron, saga que vai ocupar os dois primeiros volumes da colecção Poderosos Heróis Marvel, passa-se num futuro próximo, em que os robots ao serviço de Ultron conquistaram o mundo, restando apenas um pequeno grupo de heróis na clandestinidade para os combater. Depois de perceberem que, em condições normais, nunca conseguiriam derrotar Ultron, só resta aos heróis regressar ao passado, para tentar modificar o presente e evitar um futuro apocalíptico. No fundo, uma premissa com alguns pontos de contacto com uma história clássica dos X-Men, que os leitores do Público já puderam descobrir numa colecção anterior, o incontornável Dias de um Futuro Esquecido, de Chris Claremont e John Byrne, explicitamente homenageada neste volume, numa cena em que os nomes dos heróis são mostrados em fotos numa parede, lembrando a capa de John Byrne para o clássico dos X-Men.
E, terminado este volume, só restará ao leitor ansioso aguardar uma semana, para finalmente descobrir como conseguiram os Vingadores viajar no tempo e pôr fim à era de Ultron.
Publicado originalmente no jornal Público de 17/07/2015

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Universo Marvel 11 - Vingadores para Sempre (Parte 2)


O COMBATE FINAL ENTRE OS VINGADORES 
E OS GUARDIÕES DO TEMPO

UNIVERSO MARVEL VOL 11
Vingadores para Sempre! (Parte 2)
Argumento - Kurt Busiek 
Desenho - Carlos Pacheco e Jesus Merino
Quinta, 18 de Setembro + 8,90€

Com a publicação na próxima quinta-feira, da segunda parte da saga Vingadores para Sempre! esta aventura épica chega ao fim, com o combate final entre os Vingadores ajudados por Kang, que tem de combater o seu futuro “eu”, Immortus, e os Guardiões do Tempo. Uma história que, para além de confirmar como Kurt Busiek consegue utilizar o seu conhecimento enciclopédico da história da Marvel ao seu serviço de uma intriga tão complexa como coerente, que recupera os heróis clássicos dos Westerns da “Casa da Ideias”, como o Rawhide Kid, Kid Colt, Two-Gun Kid e os Gunhawks, tem ainda o mérito adicional de fazer brilhar devidamente o imenso talento do desenhador Carlos Pacheco. 
Um dos mais importantes e populares autores latinos a trabalhar nos comics de super-heróis, o espanhol Carlos Pacheco soube rapidamente construir uma carreira ímpar, em que deu o seu cunho pessoal aos principais heróis da Marvel e da DC, para além de abrir o caminho para a invasão do mercado americano de super-heróis por uma série de desenhadores de origem espanhola, como Salvador Larroca, Rafa Fonteriz, Guillem March, Javier Pulido, Oscar Jimenez e Jesus Merino, seu colaborador habitual, que aqui assina a arte-final.
Profundamente influenciado pelos comics de super-heróis, Pacheco iniciou-se na BD em Espanha através dos concursos de descobertas de novos talentos promovidos pelo editor Josep Toutain, mas começou a dar nas vistas entre 1978 e 1982 como ilustrador das capas da Colecção “Clássicos Marvel”, da editorial Forúm, onde teve a possibilidade de desenhar pela primeira vez muitos dos heróis com que viria a trabalhar anos mais tarde, como desenhador regular.
Leitor ávido e profundo conhecedor das histórias de super-heróis, a ponto de ter criado, com Rafael Marin e Rafa Fonteriz, a série Iberia Inc., protagonizada por um grupo de super-heróis espanhóis, a entrada de Carlos Pacheco no mundo dos comics de super-heróis era uma questão de tempo. Essa entrada vai ter lugar em Dezembro de 1992, pela porta dos fundos, através da Marvel UK, ao fim de 10 anos a mandar submissões às grandes editoras americanas.
O seu trabalho como desenhador na série Dark Guard desperta a atenção dos editores e, quase em simultâneo, Pacheco recebe convites para trabalhar para as duas grandes editoras americanas. Na anterior colecção que o Público e a Levoir dedicaram à editora de Batman e Superman, pudemos apreciar o seu trabalho para a DC. Agora, nestes dois volumes temos oportunidade de ver Carlos Pacheco a desenhar os maiores heróis da Marvel, com resultados tão espectaculares como conclusivos, que o colocam a par dos maiores desenhadores que já passaram pelas revistas dos Vingadores, como Neal Adams, ou George Pérez. 
Publicado originalmente no jornal Público de 12/09/2014. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Universo Marvel 10 - Vingadores para Sempre! (Parte 1)


OS VINGADORES LUTAM (LITERALMENTE) CONTRA O TEMPO 
NA PRIMEIRA PARTE DA MAIS ÉPICA DAS SAGAS DO UNIVERSO MARVEL

UNIVERSO MARVEL VOL 10
Vingadores: para Sempre! (Parte 1)
Argumento - Kurt Busiek 
Desenho - Carlos Pacheco e Jesus Merino
Quinta, 11de Setembro + 8,90€

Depois de estarem em destaque no volume anterior, graças ao clássico Dias de um Futuro Esquecido, as viagens no tempo e os paradoxos espaço-temporais estão também no fulcro de Vingadores para Sempre, a história de Kurt Busiek e Carlos Pacheco, que reúne as diferentes gerações de Vingadores ( do passado, do presente e do futuro) numa aventura épica, cuja primeira parte se publica na próxima quinta-feira.
Publicado originalmente como uma série de 12 números, entre Dezembro de 1998 e Fevereiro  de 2000, Avengers Forever vem demonstrar o conhecimento verdadeiramente enciclopédico de Kurt Busiek sobre o Universo Marvel, colocado ao serviço de uma história tão complexa como ambiciosa.
Busiek, que os leitores bem conhecem do incontornável Marvels, já publicado nesta mesma colecção, leva aqui ainda mais longe a sua erudição quase obsessiva sobre a história do universo Marvel, para construir uma história épica, que se espalha por séculos e universos diferentes, envolvendo dezenas de personagens de diferentes realidades temporais que, em muitos casos, nunca se tinham encontrado antes.
Contando com o virtuosismo do espanhol Carlos Pacheco no desenho, auxiliado pelo seu compatriota Jesus Merino, na arte-final, Busiek constrói uma história empolgante e visualmente espectacular que deixará loucos os leitores mais fanáticos, mas que está suficientemente bem estruturada para ser lida sem grandes dificuldades pelo leitor ocasional.
O ponto de partida da história é a vontade de Immortus, o Mestre do Tempo, de matar o jovem Rick Jones (personagem directamente ligado à origem do Hulk) para impedir que este mais tarde seja responsável pela destruição do multiverso. Mas Rick Jones conta com aliados de peso que o ajudarão a manter-se vivo. São eles os Vingadores e Kang, o Conquistador, identidade assumida por Immortus quando viajou no tempo até ao Egipto dos Faraós, que assim vai confrontar-se com uma outra versão de si próprio. Algo que pode parecer confuso ao leitor, mas que faz todo o sentido numa história em que as alterações feitas ao passado, vão inevitavelmente dar origem a um futuro alternativo.
Depois de uma série de peripécias e de espectaculares cenas de acção, este primeiro volume termina com os Vingadores a prepararem-se para atacar a fortaleza de Immortus, no Limbo, mas será preciso ler o próximo volume para saber a conclusão desta história épica, cuja acção decorre entre a pré-história e um futuro distante, passando pelo Velho Oeste, ou os anos 50 do século XX.
Publicado originalmente no jornal Público de 05/09/2014

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Dc Comics Uncut 24 - Super-Homem e Batman: Poder Absoluto


Embora este seja o último volume da 2ª colecção que a Levoir dedicou à Dc, não é o último texto desta rubrica, como poderão ver proximamente. No caso deste texto, o mais curioso é que a tentativa de cortes partiu, não da DC, mas de quem reviu o texto, o Filipe Faria, que decidiu fazer alguns cortes, que eu não aceitei, e acrescentou uma frase sobre a história que conclui este volume. 

O JARDIM DOS CAMINHOS QUE BIFURCAM

Num dos mais inspirados contos do livro Ficções, de 1941, o escritor argentino Jorge Luís Borges antecipa em 16 anos as teorias do físico Hugh Everett, que revolucionaram a física quântica, defendendo que em cada instante que uma escolha é feita, seja pelo acaso, seja por opção humana, o universo divide-se em dois: um para cada escolha possível.
O paradoxo que Everett procurou provar através das fórmulas matemáticas, já tinha intuído Borges no conto O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam. O jardim em causa não é um espaço físico, mas um conto escrito por Ts'ui Pen, um antepassado do espião alemão que protagoniza a história. Um conto que tenta representar através de um labirinto, o universo e todas as suas infinitas possibilidades. Ou, citando Borges, através de uma das personagens: "comparei centenas de manuscritos, corrigi os erros que a negligência dos copistas introduziu, conjecturei o plano desse caos, julguei estabelecer a ordem primordial, traduzi a obra inteira: resulta-me que não emprega uma única vez a palavra tempo. A explicação é óbvia: O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam é uma imagem incompleta, mas não falsa, do universo tal como o concebia Ts'ui Pen. Ao contrário de Newton e de Schopenhauer, o seu antepassado não acreditava num tempo uniforme e absoluto. Acreditava em infinitas séries de tempos, numa rede crescente e vertiginosa de tempos divergentes, convergentes e paralelos. Esta trama de tempos que se aproximam, se bifurcam e se cortam ou que secularmente se ignoram, abrange todas as possibilidades. Nós não existimos na maior parte desses tempos; nalguns deles existe você e eu não; noutros eu, e não você; noutros ainda existimos os dois. Neste, que um favorável acaso me proporciona, você chegou a minha casa; noutro, você, ao atravessar o jardim, deu comigo morto; e noutro, eu digo estas mesmas palavras, mas sou um erro, um fantasma."
Essas infinitas possibilidades abertas por diferentes escolhas, estão também na base da história que vão ler a seguir, escrita por Jeph Loeb para os desenhos dos espanhóis Carlos Pacheco e Jesus Merino e publicada originalmente nos nºs 14 a18 da revista Superman/Batman, de que já pudemos ler no último volume da série 1 desta colecção o arco de histórias anterior, ilustrado por Michael Turner.
 Neste terceiro arco da revista que voltou a juntar os dois maiores heróis do Universo DC, Loeb explora as ilimitadas potencialidades narrativas que a existência de universos paralelos permitia e que, com a reformulação do Universo DC provocada pela Crise nas Terras Infinitas, ficou praticamente limitada às histórias da linha Elseworlds, de que tivemos um exemplo, tanto na primeira como na segunda série, com Batman: Outros Mundos e Super-Homem: Herança Vermelha. Neste caso, Loeb recorreu às viagens no tempo para explorar a forma como uma alteração crucial no início das suas vidas - com os dois heróis a serem educados por três membros da Legião dos Super-Vilões - pode modificar completamente a vida do Homem de Aço e do Cavaleiro das Trevas e, por inerência, o universo em que eles se inserem.
 No fundo, Loeb pega na premissa utilizada por Mark Millar em Herança Vermelha e leva-a mais longe, para além de lhe introduzir diversas variantes. Variante que se traduzem em futuros alternativos, causados por alterações no passado, que permitem recuperar uma série de personagens que a Crise nas Terras Infinitas tinha afastado da continuidade regular, mas que são parte incontornável da história da DC. Desde os heróis do Oeste, de que Jonah Hex é o mais carismático exemplo, até ao símbolo maior da América, a representação do espírito americano, o Tio Sam, cuja imagem foi fixada por James Montgomery Flagg, em 1917, nos cartazes de propaganda e que Will Eisner trouxe para a Banda Desenhada em 1940, e que mais uma vez surge como símbolo do combate pela liberdade e contra a opressão. Uma opressão neste caso representada pelo Batman e pelo Super-Homem. Mas, mais dos que os heróis, a que mestres como Will Eisner e Joe Kubert (não falta aqui o Sargento Rock), emprestaram o seu talento, Loeb vai buscar para esta história épica, muitas das personagens que passaram pelas histórias do mais épico dos criadores. O grande Jack Kirby, aqui representado pelos personagens do Quarto Mundo, como Darseid e Metron e por Kamandi, o último rapaz da Terra, nascido numa série inesquecível em que o King levou mais longe o futuro distópico que o filme Planeta dos Macacos tinha aflorado. Para articular esta multitude de referências diversas de uma forma graficamente coerente, Loeb necessitava de um desenhador tão versátil como virtuoso do seu lado. Encontrou-o em Carlos Pacheco.
Um dos mais importantes e populares autores latinos a trabalhar nos comics de super-heróis, o espanhol, natural de Cádis, soube rapidamente construir uma carreira ímpar, em que deu o seu cunho pessoal aos principais heróis da Marvel e da DC, para além de abrir o caminho para a invasão do mercado americano de super-heróis por uma série de desenhadores de origem espanhola, como Salvador Larroca, Rafa Fonteriz, Guillem March, Javier Pulido, Oscar Jimenez e Jesus Merino, seu colaborador habitual, que aqui assina a arte.final. Profundamente influenciado pelos comics de super-heróis, Pacheco iniciou-se na BD em Espanha através dos concursos de descobertas de novos talentos promovidos pelo editor Josep Toutain, mas começou a dar nas vistas entre 1978 e 1982 como ilustrador das capas da Colecção “Clássicos Marvel”, da editorial Forúm, onde teve a possibilidade de desenhar pela primeira vez muitos dos heróis com que viria a trabalhar anos mais tarde, como desenhador regular. Leitor ávido e profundo conhecedor das histórias de super-heróis, a ponto de ter criado, com Rafael Marin e Rafa Fonteriz, a série Iberia Inc., protagonizada por um grupo de super-heróis espanhóis, a entrada de Carlos Pacheco no mundo dos comics de super-heróis era uma questão de tempo.

Essa entrada vai ter lugar em Dezembro de 1992, pela porta dos fundos, através da Marvel UK, ao fim de 10 anos a mandar submissões às grandes editoras americanas. O seu trabalho como desenhador na série Dark Guard desperta a atenção dos editores e, quase em simultâneo, Pacheco recebe convites para trabalhar para as duas grandes editoras americanas. Para a DC, para além do seu trabalho no encontro entre a Liga da Justiça e a Sociedade da Justiça, que já puderam apreciar nesta colecção, destaca-se a sua etapa como desenhador do Super-Homem e a sua colaboração com Kurt Busiek em Arrowsmith, série que transpunha a dura realidade da I Guerra Mundial para um universo de fantasia, que a Devir publicou em Portugal.
 Pela forma como consegue reunir numa história coerente, tantos heróis e vilões, evocadores de diferentes períodos da riquíssima história do Universo DC, Poder Absoluto é a história ideal para concluir esta emocionante viagem de 30 semanas pelos meandros do Universo DC, que a Levoir proporcionou aos leitores portugueses. Uma viagem inesquecível, feita de histórias épicas, protagonizadas por grandes heróis e vilões à altura.