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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Y, o Último Homem 6 - Entre Mulheres

ATRAVESSANDO O PACÍFICO A BORDO DA BALEIA

Y, O último Homem
Vol. 6: Entre Mulheres
Quinta-feira, 5 de Abril
Argumento – Brian K. Vaughan
Desenhos – Pia Guerra, Goran Sudzuka e José Marzan Jr.
Por + 12,90€
Com a chegada aos quiosques, na próxima quinta-feira, do sexto volume, fica assim concluído o segundo ciclo de publicação da premiada série Y, O Último Homem. Conforme vimos no volume anterior, dois anos depois de uma praga inexplicável ter morto todos os mamíferos portadores do cromossoma Y à face da Terra, os dois únicos sobreviventes – Yorick Brown, um artista de fuga amador, e o seu macaco Ampersand – chegaram finalmente a São Francisco, após uma travessia aventurosa da América na companhia da agente secreta 355 e da especialista em genética Dra. Allison Mann, que conseguiu finalmente isolar a fonte da sua imunidade. Infelizmente, o factor que dá a imunidade à praga está dentro do corpo de Ampersand, que desapareceu, raptado por uma misteriosa mercenária japonesa. Os protagonistas desta saga épica têm agora de partir numa viagem ainda mais arriscada, cruzando o Pacífico num navio em busca da salvação da humanidade.
E é precisamente em alto mar, a bordo do Baleia, um antigo iate de cruzeiros, transformado em cargueiro, que vamos encontrar Yorick e as suas amigas. Se a empatia entre Yorick e Kilina, a capitã do navio – que também tem um macaco capuchino como mascote, embora muito mais bem treinado do que Ampersand – é imediata e rapidamente se transforma em amor, há um lado sombrio de Kilina que Yorick e as suas companheiras de viagem desconhecem e que só vão descobrir tarde demais. Mas claro que, como o leitor da série - habituado aos sucessivos golpes de teatro com que Brian K. Vaughan o costuma surpreender - facilmente podia prever, esta é uma viagem que não está isenta de perigos. Perigos esses que incluem um ataque de um submarino pirata, que pode levar a que a travessia para o Japão acabe no fundo do Oceano Pacífico...
Para dar algum descanso a Pia Guerra e conseguir manter a periodicidade mais ou menos mensal da publicação original, Entre Mulheres, o arco de história deste volume tem desenhos a lápis do croata Goran Sudzuka, que assim regressa à série. Mas graças à mestria da passagem a tinta de José Marzan Jr., a mudança de desenhador principal é apenas perceptível ao olhar dos leitores mais bem treinados.
Quem é uma novidade na equipa desde o volume anterior, é o responsável pelas capas, o italiano Massimo Carnevale. Carnevale, que substituiu J. G. Jones e Aron Wiesenfeld  a partir do número 23 da série original, é um velho conhecido dos leitores que acompanham as colecções que o Público e a Levoir dedicaram à Novela Gráfica, pois são deles os desenhos de Mater Morbi, o volume publicado na última série das Novelas, que assinalou a estreia de Dylan Dog em edição nacional. Se Mater Morbi mostrava a excelência do trabalho de Carnevale em termos de narrativa sequencial, as belíssimas capas que ilustrou para a série Y, O Último Homem confirmam todo seu talento de ilustrador. Talento reconhecido pelos editores, que o mantiveram como ilustrador das capas até ao final da série.
Um final que, tal como Yorick e as suas companheiras terão de esperar pela eventual chegada ao Japão para descobrir as respostas sobre a misteriosa epidemia, também o leitor terá de esperar até 2019 para conhecer, nos quatro capítulos finais desta saga absolutamente viciante.
Publicado originalmente no jornal Público de 31/03/2018

sexta-feira, 30 de março de 2018

Y, o Último Homem 5: O Anel da Verdade

ENCONTROS, MISTÉRIOS E REVELAÇÕES 
EM SÃO FRANCISCO

Y, O último Homem
Vol. 5: O Anel da Verdade
Quinta-feira, 29 de Março
Argumento – Brian K. Vaughan
Desenhos –Pia Guerra, Goran Sudzuka e José Marzan Jr.
Por + 12,90€
Ao fim de dois anos e de quatro volumes, no volume da série Y, o Último Homem, que chega aos quiosques na próxima quinta-feira, Yorick Brown, o último homem da Terra, e as suas companheiras – a agente secreta 355 e a bio engenheira Dra. Allison Mann – chegam finalmente ao laboratório secreto da Dra. Mann, em São Francisco, onde ela vai tentar desvendar o segredo da sobrevivência de Yorick e de Ampersand. Uma viagem através da América do Norte que os leitores puderam a acompanhar nos volumes anteriores e em que esteve em grande destaque Ampersand, o macaco de Yorick e o único outro mamífero macho vivo depois da praga que matou todos os seres portadores de um cromossoma Y.
E, mais uma vez Ampersand vai revelar-se uma peça fulcral no complexo tabuleiro de xadrez construído por Brian K. Vaughan e Pia Guerra, ao descobrir-se que poderá residir nele (ou melhor, nas suas fezes) a razão para a sobrevivência de Yorick à misteriosa praga que aniquilou todos os mamíferos do Planeta. 
Mas, como o próprio Yorick vai perceber à sua custa, chegar ao destino é também dar a possibilidade a todos os que o perseguiam de finalmente o apanharem também. E este quinto volume está cheio de encontros, desencontros e revelações, fazendo avançar de forma decisiva a narrativa, ao mesmo tempo que abre as portas para novos mistérios a explorar nos volumes seguintes, como é o caso da misteriosa guerreira ninja que rapta Ampersand no final deste volume, abrindo o caminho para uma mudança de cenário no próximo volume, que levará Yorick e as suas amigas a atravessar o Oceano Pacífico.
Mas antes dessa viagem, há tempo para Yorick ceder à tentação numa igreja, entregando-se finalmente aos prazeres carnais com uma mulher que tem o mesmo nome do que a sua namorada, Beth. Namorada essa, que depois de uma breve aparição no primeiro volume, volta a entrar em cena, num episódio que nos mostra que, tal como na América, também na Austrália, onde ela está, não é fácil sobreviver…
Beth, a namorada a quem Yorick espera conseguir juntar-se, não é a única personagem importante da série a voltar a entrar em cena neste quinto volume. Também Hero, a irmã de Yorick, que se tinha entregado de corpo e alma à causa das Amazonas, regressa para tentar corrigir os seus erros e alcançar a redenção. Hero, cujo passado é desvendado no episódio intitulado precisamente A Viagem de Hero, em que o leitor fica finalmente a saber como a irmã de Yorick se deixou manipular por Victoria, a “rainha” das Amazonas e como não é fácil libertar-se dessa autêntica lavagem cerebral que quase a levou a matar o seu irmão.
Outro encontro importante que tem lugar neste quinto volume, é o da Agente 355 com as misteriosas mulheres de burca que a perseguiam e que, ao contrário do que a sua roupa parece indicar, não são muçulmanas, mas sim agentes do Círculo Setauket, uma dissidência do Círculo Culper, a organização secreta a que a Agente 355 pertence e que pretendem recuperar o Amuleto de Helena, um objecto que, tal como o anel que Yorick comprou para a sua namorada Beth, parece ter propriedades sobrenaturais que o ligam à misteriosa epidemia que transformou o nosso herói no último homem sobre a Terra.
Esse arriscado equilíbrio entre ciência, superstição e religião, que está no centro deste quinto volume, é muito bem gerido por Brian K. Vaughan, que demonstra ter um rigoroso sobre todos os fios da complexa intriga que tem vindo a tecer ao longo desta história absolutamente viciante, que os leitores poderão acompanhar durante mais uma semana, antes do desenlace final que chegará em 2019.
Publicado originalmente no jornal Público de 24/03/2018

domingo, 29 de outubro de 2017

Y o Último Homem 2 - Ciclos


UM HOMEM ENTRE MULHERES

Y, O Último Homem
Vol 2 – Ciclos
26 de Outubro
Argumento – Brian K. Vaughan
Desenhos –Pia Guerra e José Marzan Jr.
Por + 12,90€
As aventuras de Yorick Brown, o último homem vivo à superfície da Terra, prosseguem neste segundo volume de uma das séries mais populares da Vertigo, que chega finalmente a Portugal. Para além de mágico e artista de fugas amador, Yorick é também filho de uma congressista dos Estados Unidos, que com a morte de todos os homens, ascendeu e muito na hierarquia política de Washington, onde a antiga Secretária da Agricultura é agora a Presidente dos Estados Unidos. Uma ascensão meteórica que não é bem recebida pelas viúvas dos políticos republicanos, que reclamam para si os cargos que pertenciam aos maridos.
Mas a situação política é o menor dos problemas de Yorick, que por ser a última esperança da propagação da raça humana, se torna um alvo apetecível para os serviços secretos de Israel, a nação que, por possuir um exército misto, estava mais bem preparada para enfrentar um cenário impensável como este. Precisamente por não haver uma explicação lógica para o facto de estar vivo, Yorick e o seu macaco Ampersand, são imprescindíveis para as pesquisas de Allison Man, uma especialista de clonagem cuja investigação tanto pode estar na origem da misteriosa epidemia, como ser decisiva para impedir a extinção da raça humana.
Quando o laboratório da Dra. Mann em Boston é destruído por uma explosão, Yorick percebe que o seu sonho de se juntar à sua namorada na Austrália terá de ser adiado, pois para ajudar a Dra. Mann a recuperar o backup dos dados e amostras da sua investigação, armazenado num laboratório na Califórnia, terá de acompanhar a cientista e a Agente 355 - a operacional dos serviços secretos que lhes serve de guarda-costas - numa perigosa viagem através dos Estados Unidos. Uma viagem difícil e cheia de obstáculos, que os levará a defrontar ameaças como o grupo radical feminista,  as Filhas da Amazona, de que Hero, a irmã de Yorick, é um dos membros mais fanáticos...
Neste segundo volume, depois de uma movimentada viagem de comboio, marcada por uma paragem forçada no Ohio, Yorick vai parar por acaso na cidade de Marrisville, uma comunidade bem organizada, que parece ter encontrado o segredo para reconstruir uma vida harmoniosa em comunidade, com todos os confortos da civilização, num mundo sem homens. Mas, como veremos, esse não é o único segredo que a  cidade de Marrisville e as suas habitantes encerram...
Uma história fantástica como esta, para ser credível, necessita de um desenho realista e rigoroso, que trate com igual eficácia tanto os cenários e os objectos, como as expressões das pessoas. É exactamente o que Pia Guerra - que com Vaughan assume a co-autoria da criação da série - consegue, graças a um traço tão simples como eficaz e de grande legibilidade, bem servido pela arte-final de José Marzan Jr. e pelas cores de Pamela Rambo. Uma equipa bem oleada que, juntamente com as fantásticas ilustrações de J. G. Jones para as capas, assegura um look muito consistente para uma série absolutamente viciante.
Como a publicação dos restantes volumes de Y, o Último Homem só está prevista para 2018, os leitores vão ter de esperar mais algum tempo para saber o que irá acontecer a Yorick e às suas amigas. Da minha parte, só vos posso garantir que essa espera vai valer a pena!
Publicado originalmente no jornal Público de 21/10/2017

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Y O Último Homem 1 - Um Mundo Sem homens

O ÚLTIMO HOMEM SOBRE A TERRA

Y, O Último Homem
Vol 1 – Um Mundo Sem Homens
19 de Outubro
Argumento – Brian K. Vaughan
Desenhos –Pia Guerra e José Marzan Jr.
Por + 12,90€
Depois da série Sandman e de Livros de Magia e Batman: Uma História Verdadeira na última série das Novelas Gráficas, o Público e a Levoir voltam a explorar o vastíssimo catálogo da Vertigo, a linha mais adulta e autoral da DC Comics, dando a descobrir aos leitores portugueses, durante as próximas duas semanas, os dois primeiros capítulos de uma das suas mais importantes séries de culto: Y the Last Man.
Criada por Brian K. Vaughan e por Pia Guerra, a série, que Stephen King considera como a melhor série de BD já leu, foi publicada originalmente entre Setembro de 2002 e Março de 2008 como uma maxi-série mensal de 60 números, posteriormente recolhidos em 10 volumes encadernados e explora, com minúcia e rigor, todas as possibilidades do que aconteceria à humanidade se, de repente, todos os mamíferos detentores do cromossoma Y morressem. Mas neste caso há uma excepção, a do jovem Yorick e do seu macaco Ampersand que, por razões misteriosas sobreviveram à praga que dizimou instantaneamente 48% da população global.
Esta simples premissa, digna de um episódio da série televisiva The Twilight Zone, é muitíssimo bem explorada por Brian K. Vaughan, escritor que os leitores portugueses conhecem da série de banda desenhada Saga, que a G Floy está a publicar em Portugal, e da sua participação, como argumentista e produtor da série televisiva Lost, trabalho que conseguiu precisamente porque Damon Lindelof, um dos criadores de Lost, era um grande fã de Y, O Último Homem
Para além exterminar quase metade da população, uma praga destas dimensões teria consequências imediatas devastadoras, pois só nos Estados Unidos, 95% de todos os camionistas, pilotos aéreos e capitães de navios morreriam, provocando inúmeros desastres, com a consequente perda de vidas e estragos materiais. Estragos, esses, que seriam muito mais complicados de reparar, num mundo em que 99% de todos os mecânicos, electricistas e operários da construção civil estão desaparecidos...
Como refere o próprio Brian K. Vaughan, a melhor maneira de construir uma história credível a partir de uma premissa fantástica como esta, era tentar arranjar respostas para as questões que este cenário levanta. Nas suas palavras: “gosto de pegar num conceito simples e impressionante e realmente explorá-lo até às suas conclusões mais lógicas - o que significava no caso de Y, pesquisar tudo o que poderia acontecer se removêssemos os homens da política global e agricultura e engenharia. Qual o efeito que isso teria no planeta? Por que é que teria esse efeito? Começar por fazer estas perguntas e arranjar respostas para elas, parecia-me uma óptima maneira de criar a história.
Eu adoro fazer pesquisas. Sinto que qualquer história que escreva é uma boa desculpa para aprender mais sobre o mundo. E foi muito divertido. Se esta praga vai atacar e matar todos os homens instantaneamente, quantos mulheres-piloto haverá e o que acontece com os aviões no ar? E já que estamos a falar sobre aviões... e os submarinos? Existem mulheres nos submarinos? Toda porta abriu outra porta, e acabei de cair num buraco sem fundo. Foi um ano interessante de pesquisas exaustivas sobre questões como essas antes mesmo de começar a escrever.”
É neste cenário tão complexo como fascinante que acompanhamos o percurso de Yorick, que apenas quer ir ter com a namorada na Austrália, mas que, quer queira quer não, é a última esperança da humanidade e uma peça valiosíssima no jogo de xadrez pelo domínio deste novo mundo sem homens.
Publicado originalmente no jornal Público em 14/120/2017