sábado, 23 de abril de 2011

Projecto Zona regressa com Zona Monstra

Aproveitando a “boleia” do Monstra, o Festival de Animação de Lisboa, o projecto “Zona” acaba de lançar mais uma revista, a “Zona Monstra”, a sexta desde a publicação de “Zona Zero”, em 2009.
Se o “Zona Negra 2”, lançado após alguns percalços com a impressão, em finais de 2010, já revelava grandes progressos em relação ao primeiro “Zona Negra”, este “Zona Monstra”, servido por uma excelente capa de Filipe Andrade, que é entrevistado no interior (tal como Joana Afonso) é claramente o título mais consistente saído do projecto “Zona.
Depois de “Zona Zero”, dos dois “Zona Negra”, de “Zona Fantástica” e dos dois “Zona Gráfica”, este “Zona Monstra” mostra que o projecto coordenado por Fil e André Oliveira e publicado pela Associação Tentáculo, tem sabido crescer de forma sustentada, dando oportunidade a um número cada vez mais alargado de autores nacionais (e alguns estrangeiros, como os brasileiros Bruno Bispo e Victor Freund e os argentinos Locato e Rodolfo Buscaglia) de exercitarem as suas capacidades gráficas e narrativas em histórias curtas.
E, mais uma vez, é precisamente a nível das histórias que esta “Zona Monstra” apresenta maiores debilidades, bem visíveis, por exemplo, em “Parasitóide”, em que o excelente trabalho gráfico e de cor de André Lima Araújo e de Daniel “Pez” Lopez está ao serviço de uma história indigente. Se alguns, como André Caetano, que depois de uma história de 2 páginas no "Zona Gráfica" tenta agora uma narrativa de maior Fôlego, conseguem contornar bem o facto de não terem verdadeiramente uma história para contar, a maioria consegue, na melhor das hipóteses, criar argumentos apenas funcionais, que servem de mero pretexto à parte gráfica.
A grande excepção é o delicioso “Animália: Paris Je t’Aime”, de André Oliveira e Pedro Carvalho, uma delirante paródia aos filmes de monstros, em que Amália Rodrigues, transformada numa espécie de King Kong pelo efeito da lua cheia vai destruir a cidade de Paris e combater o Godzavour, o cantor Charles Aznavour transformado em Godzila… Uma história divertidíssima, que não recua perante nenhum cliché (os aviões franceses disparam baguettes…) e que, para mim, fica como o ponto mais alto desta “Zona Monstra”.
(“Zona Monstra”, Vários Autores, Associação Tentáculo, 92 pags, cor, 13,00 €”
Mais informações aqui )
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 22/04/2011

2 comentários:

Pedro Carvalho disse...

Uma pequena pergunta Sr.Lameiras, seria possivel deixar-me um link para a versão integral deste texto aqui no blog ou para o meu e-mail? Pfacarvalho@gmail.com ,estive a procurar no site "Diario as Beiras" e infelizmente não tive sorte em o encontrar, obrigado.

JML disse...

Caro Pedro Carvalho,
A versão que está no blog é a versão integral! A versão que sai no Diário As Beiras é uma versão resumida. Como o espaço actual da minha coluna de BD no Diário As Beiras tem um limite máximo de 1500 caracteres, eu escrevo o texto normalmente e depois corto até caber nos 1500 caracteres. É essa versão cortada que sai no jornal. no blog, onde não há limitações de espaço, os textos saem sempre na integra.