quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Universo Marvel 18 - Wolverine: Evolução


UNIVERSO MARVEL VOL 17
Wolverine: Evolução
Argumento - Jeph Loeb
Desenhos - Simone Bianchi

Este foi o último editorial que escrevi para a colecção Universo Marvel. Um texto que surge no blog mais tarde do que o costume, porque o Amadora BD não me deixou grande tempo para actualizações. Mas passada esta fase mais complicada, que se prolonga por este fim-de-semana graças ao Fórum Fantástico, prometo actualizar o blog com maior frequência.



DA ORIGEM DAS ESPÉCIES

Jeph Loeb, um dos criadores mais presentes nas diversas colecções que a Levoir tem dedicado aos super-heróis americanos regressa neste volume com uma história que explora mais a fundo a relação entre Wolverine e Dentes de Sabre, que têm aqui um violento e espectacular confronto final, numa história que procura ainda fazer alguma luz sobre as origens misteriosas dos dois personagens, cujos destinos parecem estar entrelaçados.
Quando Wolverine surgiu pela primeira vez na revista americana The Incredible Hulk 180, no ano de 1974, ninguém sabia o que o destino reservava a esta personagem.
Nessa história, em que Wolverine se alia ao Hulk para derrotar Wendigo, o misterioso herói já se gabava constantemente das suas habilidades, em especial das suas garras letais cobertas por adamantium, ficando célebre a frase: “ sou o melhor naquilo que faço”. A palavra mutante ainda não tinha entrado do vocabulário dos leitores e esta primeira aparição com o seu uniforme azul e amarelo não foi o suficiente para o classificar com sendo herói ou vilão. Mas foi a sua inclusão nos X-Men, pela mão de Len Wein em Giant Size X-Men # 1, e o posterior destaque que Chris Claremont lhe dá, aquando da remodelação do grupo de mutantes que o deu verdadeiramente a conhecer aos leitores. A partir desse momento, Logan, o homem misterioso que nada sabia do seu passado, rapidamente conquistou os leitores, tornando-se rapidamente o mais popular dos X-Men, estatuto que Eu, Wolverine, a mini-série de Claremont e Frank Miller ajudou a consolidar.
Já Dentes de Sabre surge pela primeira vez no nº 14 da revista Iron Fist, criado por Claremont e John Byrne, surgindo como adversário recorrente de Danny Rand, o Punho de Ferro. Só quando Claremont aproveitou a personagem como inimigo dos X-Men, na saga Massacre Mutante, de 1986, e declarou retroativamente que o Dentes de Sabre que Danny Rand enfrentou em Iron Fist # 14 era um mero clone, com capacidades inferiores ao original, é que Dentes de Sabre surge como Némesis de Wolverine. Uma relação de dois mutantes com capacidade regenerativa e com uma acentuada dimensão animal e selvagem, que Wolverine procura sublimar e controlar e que Dentes de Sabre assume sem quaisquer restrições. A forma como os dois mutantes funcionam como negativo um do outro, é acentuada numa entrevista em Claremont declara que a relação entre eles é uma relação de “pai e filho. É por isso que Dentes de Sabre sempre considerou Logan como uma fraca cópia em relação ao seu original. O outro elemento fulcral da minha abordagem da relação entre eles, foi que, em toda a vida deles, Logan nunca conseguiu derrubar Dentes de Sabre num combate sem regras”.
Esta saga explora o capítulo final do confronto entre os dois mutantes, que descobrimos ser resultado de uma guerra eterna entre diferentes ramos da evolução humana, após a descoberta de vestígios arqueológicos que provam a existência de um ramo lupino, de que Wolverine e Dentes de Sabre são descendentes e que através do misterioso Romulus pretende recuperar a posição perdida na cadeia evolutiva.
Mas o grande destaque deste volume vai para o trabalho do desenhador italiano Simone Bianchi. Nascido em 1972 na Itália, em Lucca, cidade que alberga desde 1966 o mais antigo Festival de Banda Desenhada europeu. Grande fã dos super-heróis americanos, que já desenhava ainda antes de saber ler ou escrever, Bianchi publicou a sua primeira tira cómica aos 15 anos, no jornal Il Tirreno, iniciando uma colaboração regular com a imprensa, publicando cartoons e ilustrações. Decisivo para a sua carreira na BD foi o encontro em 1994, com Claudio Castellini - famoso desenhador italiano, que para além do seu trabalho para a editora Bonelli, onde era um dos desenhadores regulares de Dylan Dog, desenhou também Conan e o Surfista Prateado para a Marvel - que se tornou seu professor e mentor, ajudando-o a arranjar trabalho na indústria em editoras como a Phoenix, Comic Art e a Bonelli. Uma estreia promissora que lhe permitiu ver o seu trabalho exposto pela primeira vez no Festival de Lucca de 1998 e desenhar uma aventura do bárbaro Conan para a Marvel Italia no ano seguinte.
Para além da BD e de uma série de ilustrações para capas de discos e de revistas e de trabalhos como consultor visual para empresas de publicidade, estúdios de animação em 3D e companhias produtoras de role play como a Fantasy Flight Games para quem trabalhou na concepção do jogo Dragonstar, Bianchi inicia também uma interessante carreira como professor, primeiro como assistente de Ivo Milazzo (o criador de Ken Parker) numa cadeira de Banda Desenhada na Academia de Belas-Artes de Carrara e mais tarde, como professor a tempo inteiro da disciplina de Anatomia na Banda Desenhada, da Scuola Internazionale di Comics de Florença.
2004 revelou ser um ano decisivo para Bianchi, pois a sua estreia em álbum dá-se em Janeiro desse ano com Ego Sum, título editado em Portugal pela Vitamina BD, que lhe valeu o prémio de melhor desenhador em Lucca e uma presença no Festival de Angoulême do mesmo ano para promover a edição francesa do seu livro, onde conheceu Sal Abbinanti, o agente de Alex Ross, que se torna também seu agente. Nesse mesmo Verão vai viver para Nova Iorque, onde conhece o desenhador Mike Bair, que o apresenta ao editor Peter Tomasi, que lhe propõe trabalhar com Grant Morrison, na mini-série Shining Knight, integrada no ambicioso projecto Seven Soldiers of Victory, em que Bianchi trabalha lado-a-lado com ilustradores como J. H. Williams III, Cameron Stewart e Frazer Irving.

Embora tenha ilustrado antes algumas capas da revista X-Men Unlimited, a sua estreia como desenhador de uma série regular da Marvel, dá-se em 2007, com a história que têm nas mãos, uma saga em seis capítulos escrita por Jeph Loeb, estreada no nº 50 da revista do Wolverine. E o próprio Leb é o primeiro a não poupar nos elogios a Bianchi, dizendo: “como fã de BD estou sempre à espera do próximo grande artista. Quando Bianchi apareceu, o seu trabalho era tão dinâmico e imaginativo. Já vi algumas páginas de Simone para o Wolverine e posso garantir que ninguém está preparado para aquilo. Vai deixar toda a gente de boca aberta. É óptimo para mim poder contribuir para o início da carreira de um artista que vai ser uma superestrela.”
Uma opinião certamente partilhada pela editora que não hesitou em lançar os números de Wolverine desenhados por Bianchi numa versão a preto e branco, que permitisse apreciar devidamente a fabulosa técnica de aguada do desenhador italiano, que revela igualmente um excelente sentido de composição, pensando a página e a dupla página com um a unidade estética autónoma, sem que com isso a narrativa perca legibilidade.

2 comentários:

Fernando Campos disse...

Confesso que estou muito surpreendido com a frase "Mas o grande destaque deste volume vai para o trabalho do desenhador italiano Simone Bianchi". Depois de ter deixado a saga da DC de Grant Morrison, o trabalho deste artista na Marvel tem sido pavoroso. Podemos dizer que enche o olho, mas também estraga qualquer guião que lhe seja colocado nas mãos - basta ver o "Ghost Box" do Warren Ellis. Bianchi não tem noção de layouts, é um mau storyteller, que tem de ter rédea curta ou vai destruir tudo à sua passagem. No caso desta história, o guião é péssimo, o Loeb pensa em blockbusters e é um grande amigalhaço dos artistas dizendo-lhes para desenharem o que quiserem ao telefone que depois ele arranja forma daquilo funcionar. Isto foi dito pelo CB Cebulski quando esteve cá e o questionámos em relação à qualidade desta história, ou monte de retalhos.
Este deve ter sido o livro mais fraco da colecção, mas compreendo que é preciso de encher o olho do comprador com pinups giros.

JML disse...

Olá Fernando. São opiniões. Eu gosto muito do trabalho do Simone Bianchi, embora concorde contigo que o trabalho do Jeph Loeb aqui é fraco.