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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Apresentação colecção Watchmen/ Doomsday Clock

Como os visitantes mais regulares devem ter notado este blogue tem estado parado desde Outubro do ano passado. Regressa agora com a apresentação do nova colecção Público/Levoir dedicada ao Watchmen e a Doomsday Clock, história que integra as personagens criadas por Alan Moore e Dave Gibbons no universo dos super-heróis da DC. 
Aqui vos deixo o destacável que escrevi para o Público, na sua versão integral, pois o texto sobre as adaptações ao cinema e à televisão acabou por não entrar no destacável por falta de espaço.

DE WATCHMEN A DOOMSDAY CLOCK

Há obras que marcam profundamente um género, tornando-se um marco incontornável da sua história. É indiscutivelmente o caso de Watchmen, a obra-prima de Alan Moore e Dave Gibbons, não por acaso, a única BD incluída pela revista Time na sua lista dos 100 Melhores Livros de Todos os Tempos. Watchmen, que está no centro desta nova colecção do Público e da Levoir. Uma colecção que inclui ainda Renascer e Doomsday Clock, de Geoff Johns e Gary Frank, saga que revisita o mundo de Watchmen integrando-o no resto do universo DC.
Nascido em Northampton em 1953, Alan Moore é uma lenda viva da BD, até pela excentricidade da imagem que cultiva e pelo afastamento total das grandes manifestações públicas, como os Festivais e as Convenções de BD, trocados pelo exílio voluntário da sua casa de Northampton, uma pequena cidade do interior de Inglaterra. A sua longa carreira, recheada de prémios e sucessos comerciais, iniciou-se em Inglaterra, nas páginas das revistas 2000 AD e Warrior (onde começou a ser publicado o notável V de Vingança) mas seria em 1984, ao passar a trabalhar para o mercado americano, que o mundo pode finalmente apreciar todo o talento de Moore e a sua capacidade de insuflar uma nova vida a personagens cansados, provando que a BD também pode ser literatura. Como refere Barbara Kessel, editora da DC na altura em que Watchmen foi publicado, “Alan mudou o papel do argumentista nos comics. Os seus argumentos contêm mais do que uma história completa. Podes ler um argumento dele e ter o mesmo impacto de um comic completo. Com a maioria dos escritores, o argumento é uma mera descrição para o desenhador. No caso de Alan Moore ele descreve cada porção da cena com um detalhe tal, que tu acabas por visualizá-la de uma forma tão completa que ler o comic é como ver Shakespeare outra vez”.
A dar vida aos argumentos incrivelmente densos e detalhados de Moore, está Dave Gibbons. Desenhador inglês nascido em 1949 com uma carreira iniciada em Inglaterra na série Dan Dare e na revista 2000 AD, Gibbons estreou-se nos EUA trablhando nas revistas Green Lantern e Flash e, além de Moore, colaboraria ainda com Frank Miller na série Martha Washington e com Mark Millar em Kingsman, para além de escrever argumentos para Mike Mignola, Steve Rude (Batman e Super-Homem: Os Melhores do Mundo, já editado pelo Público e Levoir) e Adam e Andy Kubert, entre outros.
Pegando num grupo original de super-heróis inspirados em personagens da editora Charlton, cujos direitos a DC tinha adquirido, Moore constrói uma obra complexa, que além de fazer a autópsia do universo de super-heróis, explora de uma forma nunca antes vista as extraordinárias potencialidades narrativas da linguagem da BD. Como o próprio refere: “É muito fácil deduzir as nossas intenções, quando nos sentámos para produzir o primeiro número de Watchmen: queríamos fazer uma banda desenhada de super-heróis nova e inusitada, que nos desse a oportunidade de experimentar algumas ideias narrativas novas pelo caminho. Mas acabámos por obter algo substancialmente maior do que isso.
Nalgum ponto ao longo desse caminho, entre o material com o qual estávamos a trabalhar e as novas técnicas narrativas que estávamos a experimentar, começou a acontecer uma coisa que não tínhamos antecipado. Quanto mais olhávamos para a história, mais profundidade ela mostrava ter. Quanto maior a nossa compreensão dos detalhes subliminares que serviam de pano de fundo que estávamos a usar, mais esses detalhes se tornavam parte integrante da linha da história, agindo como uma espécie de meta continuidade que acabou por igualar-se ao guião em termos de importância para a obra acabada.”
Tentar dar continuidade a uma obra com esta complexidade e importância é algo a que poucos se atreveriam, mas Geoff Johns, um dos principais arquitectos do actual Universo DC, cujo trabalho os leitores portugueses têm podido apreciar nas colecções que o Público dedicou à editora do Batman e Super-Homem, saiu-se com distinção de tão espinhosa missão, muito bem secundado pelo belíssimo traço de Gary Frank. Pegando em muitos dos elementos narrativos de Watchmen, desde a grelha de nove quadrados por página, a narração em voz off e os dossiers no final do capítulo; Johns cria uma história excitante e original, que homenageia a obra de Mooore e Gibbons e a história da DC, sem se sentir aprisionada por elas.


QUEM SÃO OS WATCHMEN?

HOMENS-MINUTO – Primeiro grupo de super-heróis, activo entre 1939 e 1949, os Homens-minuto eram constituídos por Silhueta, Espectral, Comediante, Justiça Encapuçada, Capitão Metrópole, Coruja, Traça e Dólar. Embora a acção principal de Watchmen se passe na década de 80, a história dos Homens-Minuto é-nos contada através de flash-backs e principalmente do livro Sob o Capuz, escrito por Hollis Manson, o primeiro Coruja.

COMEDIANTE – Inspirado no Pacificador, um dos heróis da Charlton cujos direitos foram comprados pela DC, com elementos de Nick Fury, Edward Blake é um psicopata cínico e violento, ao serviço do governo americano. Um homem que reconhece o horror presente nas relações humanas e se refugia no humor. A sua morte espoleta a trama de Watchmen.

RORSCHACH - Baseado nos personagens Questão e Mr. A, da Charlton Comics, Walter Kovacs, o Rorschach, é um sociopata, considerado o terror do submundo e um fugitivo da justiça. É ele quem move o enredo e todos os personagens desde o começo da saga, ao tentar descobrir quem matou o Comediante. Em Doomsday Clock, já não é Walter Kovacs, mas sim um seu seguidor, quem faz da máscara de Rorschach o seu verdadeiro rosto.

DR. MANHATTAN – Jonathan Osterman era um cientista nuclear, acidentalmente desintegrado numa experiência. Aos poucos, a sua força de vontade faz com que os seus átomos se unam novamente e volta à vida, mas como um ser capaz de manipular a matéria, viajar no espaço, estar em vários lugares ao mesmo tempo e ver o seu, mas apenas o seu, passado e futuro simultaneamente. Inspirado no Capitão Átomo, o Dr. Manhattan é um homem-Deus, que vê a vida como apenas mais um fenómeno do cosmos, e o único herói dotado de superpoderes. Na história torna-se o grande trunfo dos Estados Unidos na área militar e tecnológica.

ESPECTRAL - Laurie Jupiter, é uma mulher forçada a viver à sombra do pragmatismo da sua mãe, Sally Jupiter, a primeira Espectral, que foi a primeira vigilante a explorar comercialmente a sua actividade. É ex-mulher do Dr. Manhattan e mantém com ele uma certa cumplicidade. Adaptada da Sombra da Noite, com elementos de Lady Fantasma e Canário Negro.

CORUJA – Inspirado no primeiro Besouro Azul (Dan Garret) o primeiro Coruja foi Hollis Mason, um polícia que se tornou um vigilante, inspirado na BD e na literatura pulp. As suas memórias estão reunidas no livro Sob o Capuz. O segundo Coruja é Dan Dreiberg, um intelectual rico, solitário e retraído. Adaptado do segundo Besouro Azul (Ted Kord) com elementos do Batman, o novo Coruja é um especialista em tecnologia avançada, muito bem equipado para combater o crime.

OZYMANDIAS - Adrian Veidt é um milionário excêntrico, considerado o homem mais inteligente do mundo. Exímio atleta e lutador, cientista genial e homem de negócios extraordinário, Veidt reformou-se três anos antes da lei Kenee que proibiu os vigilantes, dedicando-se à gestão das suas empresas.

TRAÇA – Um dos homens-Minuto originais cuja carreira de combatente do crime terminou devido a problemas mentais e ao alcoolismo, Byron Lewis tem uma participação apenas episódica em Watchmen, mas em Doomsday Clock, Geoff Johns dá-lhe um maior destaque.


MÍMICO E MARIONETA – Únicos personagens criados de raiz por Johns e Frank para Doomsday Clock, Marcos Maez e Erika Manson são um casal de super-vilões capturados pelo Dr. Manhattan, que se vão revelar centrais no plano de Adrian Veldt para voltar a impedir o apocalipse nuclear.


O RELÓGIO DO APOCALIPSE, OU 
COMO CONTINUAMOS A VIVER SOBRE A AMEAÇA DA BOMBA

Publicado originalmente em 1986, num momento em que as tensões entre os EUA e a União Soviética estavam no seu ponto mais crítico, Watchmen reflecte o zeitgeist da época, em que a ameaça de um conflito nuclear entre as duas superpotências era um perigo bem real.
Naturalmente, essa situação acaba por se reflectir também na ficção da época, tanto na Banda Desenhada, como no cinema. Veja-se O Regresso do Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, também de 1986, em que os EUA e a URRS quase entram em guerra pelo domínio da Ilha de Corto Maltese (uma óbvia homenagem de Miller a Hugo Pratt), ou em séries europeias como Simon du Fleuve, de Auclair, Jeremiah de Hermann, Armalite 15, de Michel Crespin, ou Hombre de Segura e Ortiz, todas ambientadas num futuro pós-apocalíptico. No cinema, basta pensar na saga Mad Max, ou em filmes como O Planeta dos Macacos, cuja imagem final, poderosíssima, inspirou a série Kamandi, de Jack Kirby.
Um elemento que traduz bem o peso dessa ameaça de um conflito nuclear em Watchmen, é a presença do Relógio do Apocalipse, cujo avançar dos ponteiros em direcção à meia-noite, avisa para o momento que corresponderia à destruição da humanidade. Em Watchmen o que leva o Relógio do Apocalipse a aproximar-se perigosamente da meia-noite é a forma como a presença do Dr. Manhattan, que tinha permitido aos americanos vencer a guerra do Vietname, vem perturbar o equilíbrio estratégico entre as duas superpotências, levando o bloco de Leste a uma reacção desesperada, invadindo o Afeganistão (algo que aconteceria anos depois no mundo real) e o Paquistão. É precisamente para evitar que o relógio chegasse à meia-noite, que Adrian Veldt, o Ozymandias, criou um elaborado plano.
É esse mesmo Relógio do Apocalipse que dá título a Doomsday Clock (um título cujas iniciais são as mesmas da editora DC, numa aliteração óbvia que inevitavelmente se perderia na tradução) e que, no passado dia 23 de Janeiro foi acertado para os 100 minutos para a meia-noite, assinalando o momento em que a humanidade se aproximou mais da destruição total, desde que o Relógio foi criado, em 1947. Um avançar para o abismo ditado pelas alterações climáticas e pelo risco de um conflito nuclear.
Em Doomsday Clock tanto a dimensão onde estão os Watchmen, como a Terra onde vivem o Batman e os outros super-heróis da DC estão à beira de um conflito nuclear. E se em Doomsday Clock, o plano de Ozymandias e as contribuições do Dr. Manhattan e do Super-Homem chegaram para evitar o Apocalipse, no nosso mundo pode ser bem mais complicado.


SABIA QUE?

A primeira presença dos personagens de Watchmen no Universo DC não aconteceu apenas com o especial de DC Rebirth, incluído nesta Colecção. Muito antes, em 1988, Rorschach faz uma participação espacial no nº 17 da revista Question, numa história intitulada A Dream of Rorschach, em que o herói adormece a ler o Watchmen num avião e sonha com o Rorschach. Uma homenagem, feita com o conhecimento e aprovação de Moore e Gibbons, que têm direito a um agradecimento especial na ficha técnica e que tem uma dimensão simbólica, pois Alan Moore inspirou-se precisamente no Questão para criar Rorschach.

Todas as pranchas originais de Watchmen foram vendidas ainda antes de serem publicadas. O desenhador Dave Gibbons tinha à época, um acordo com uma livraria especializada inglesa, que lhe deu um adiantamento pelas pranchas originais, em troca de ficar com todas as páginas dos doze números para venda à medida que o desenhador as fosse desenhando. Um acordo que, face à popularidade que a série acabou por adquirir, se revelou muito mais vantajoso para o comprador do que para o autor.

Entre o inúmero merchandising a que Watchmen deu origem, está uma torradeira que faz torradas com as manchas de Rorschach. Esse processo passa por uma placa de metal com as manchas de Rorschach recortadas colocada entre a resistência e o espaço onde entram as fatias de pão, de modo a que o calor passe pelos espaços recortados, deixando a marca nas torradas.

Os autores tinham um acordo com a DC que lhes permitia recuperar para si todos os direitos de Watchmen um ano depois da série estar esgotada. Algo que a DC contornou facilmente, reimprimindo Watchmen de cada vez que estava perto de esgotar, mantendo-a sempre disponível no mercado. Essa impossibilidade de conseguir os direitos da série que tinha criado, foi um dos motivos que levou Alan Moore a cortar relações com a DC e a exigir que o seu nome não aparecesse nas adaptações cinematográficas das obras que escreveu para a editora americana.

Alan Moore teve uma participação especial na série de animação The Simpsons. No sétimo episódio da temporada 19, Husbands and Knives, Moore, que dá voz à sua própria personagem, participa numa sessão de autógrafos em Coolsville, a nova livraria de BD de Springfield juntamente com Art Spiegelman e Daniel Clowes, em que Millhouse lhe pede para autografar um livro dos Watchmen Babies, chamado V for Vacation, numa paródia aos dois mais populares títulos que Moore fez para a DC, Watchmen e V de Vingança.

TEXTO INÉDITO - DA BD PARA O CINEMA… E TELEVISÃO


A vontade de adaptar Watchmen ao cinema vem de longe. Logo a seguir à publicação da mini-série original, em 1986, os produtores Lawrence Gordon e Joel Silver compraram os direitos da novela gráfica para a 20th Century Fox, encarregando Sam Hamm (argumentista do primeiro Batman de Tim Burton) da adaptação, depois de Moore ter recusado adaptar o livro que tinha escrito. Em 1991 a Fox deixou cair o projecto que passou para a Warner Bros (proprietária da DC) que escolheu o cineasta Terry Gilliam, um dos Monty Python e o director do filme Brazil para levar em frente o projecto. Um dos primeiros passos de Gilliam foi perguntar a Alan Moore como se adaptava Watchmen ao cinema. A resposta de Mooore foi simples: “não se adapta.” E Gilliam viu-se obrigado a concordar, acabando por se afastar do projecto, por considerar que Watchmen “não era filmável.”
O projecto passou depois por diversas mãos, como David Hayter, Paul Greengrass, Michael Bay e Darren Aronofsky, até que Warner, impressionada com o trabalho de Zack Snyder em 300, outra adaptação de uma BD, neste caso de Frank Miller, o escolheu para levar Watchmen ao grande ecrã, num filme que chegou às salas de cinema em 2009.  
Snyder disse que já ficaria contente se o seu filme funcionasse como um trailler de 2h30m que levasse as pessoas a comprar o livro de Moore e Gibbons. E, se esse objectivo foi amplamente cumprido, com as vendas do livro a dispararem, não foi o único. Apesar das mudanças no final, o filme demonstra grande respeito e admiração pela obra original e é um bom filme de acção, com cenas espectaculares e um genérico notável.   
Mesmo que o Director’s Cut lançado apenas em DVD e BluRay, com mais meia hora de filme, a animação de Contos do Cargueiro Negro, (a história de piratas que um dos personagens lê no livro e que funciona como contraponto e comentário à acção principal) e o documentário Sob o Capuz, que conta a origem dos Minutemen, permita uma experiência imersiva ainda mais próxima da BD original, tal como chegou às salas de cinema, o Watchmen de Zack Snyder não desiludiu os fãs da novela gráfica
Em 2019, a HBO lançou uma série televisiva, dirigida por Damon Lindelof que prossegue a história de Watchmen de uma forma tão surpreendente como conseguida. Fiel ao original, mas sem medo de ir mais além, Watchmen, a série de TV, viu o seu último episódio ir para o ar na mesma semana em que chegou às lojas o último capítulo de Doomsday Clock. Uma simples coincidência, mas que une duas excelentes histórias que mostram que Watchmen, sendo uma obra notável, não é intocável.
Textos publicados originalmente no jornal Público de 13/02/2019

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Batman 80 Anos 10 - Batman: 80 Anos de Aventuras

DE BOB KANE A TOM KING: 80 ANOS EM 8 HISTÓRIAS

80 Anos de Batman Vol 10
Batman: 80 Anos de Aventuras
Argumento – Vários Autores
Desenhos – Vários Autores
Quinta, 25 de Abril
Por + 11,90 €
A terminar com chave de ouro a colecção dedicada aos 80 anos de aventuras do Cavaleiro das Trevas, temos um volume antológico criado em exclusivo para esta colecção, que chega aos quiosques de todo o país no próximo dia 25 de Abril. Uma data simbólica para uma edição também simbólica, pelo modo como cobre o passado, presente e futuro do Homem-Morcego, em oito histórias representativas de diferentes fases da personagem.
Uma viagem no tempo, que começa com a origem do Batman pelos seus criadores originais, Bob Kane e Bill Finger, publicada em 1940 no nº 1 da revista Batman e prossegue pela fase de Sheldon Moldoff, através de Robin Morre ao Amanhecer, uma história escrita por Bill Finger, bem representativa do Batman dos anos 50 e 60, com intrigas mais próximas da ficção científica do que do policial e o alargar da Batfamília, aqui representada por Ace, o Batcão. A antologia continua com o regresso à dimensão mais sombria do Cavaleiro das Trevas nos anos 70, representada por duas histórias ilustradas por Neal Adams e Jim Aparo. A primeira, A Casa que Assombrou Batman, é escrita por Len Wein, o criador do Monstro do Pântano, apresentando um clima sobrenatural para uma intriga que tem uma explicação racional, mas que assenta como uma luva ao realismo heróico de Neal Adams, aqui contando com o veterano Dick Giordano na arte-final. Já O Cadáver que se Recusava a Morrer, traz-nos um dos melhores momentos da dupla Bob Haney/Jim Aparo na revista The Brave and the Bold, numa história em que um Batman em morte cerebral conta com a ajuda do Átomo para salvar uma mulher em perigo.
A Noite não tão Silenciosa da Harley Quinn é um pequeno divertimento de Natal escrito por Paul Dini, o criador da Harley Quinn e (muito bem) ilustrado por Neal Adams, que assim está presente nesta antologia com duas histórias separadas por mais de 40 anos.
Quem também repete a dose é Tom King, o actual escritor da principal revista do Cavaleiro das Trevas. Antes de se tornar um escritor premiado, com romances na lista de best-sellers do New York Times, Tom King trabalhou como agente da CIA, como oficial de operações de contra terrorismo, tendo estado destacado no Iraque após a queda de Saddam Hussein, experiência que lhe serviu de inspiração para o livro O Xerife da Babilónia, já publicado em Portugal pela Levoir. Tendo tido a ingrata missão de substituir Scott Snyder como escritor da revista principal do Batman, King tem-se saído com distinção desse desafio, conquistando tanto o público como a crítica, através de histórias plenas de humanidade, como as duas que fecham o último volume desta colecção. Alguns Desses Dias, em que King conta com a arte de Lee Weeks e Michael Lark, é uma belíssima história de amor. O amor entre Batman e a Catwoman, desde o seu primeiro até ao último beijo. Já em Força Verdadeira, uma pequena pérola de apenas três páginas, King conta com o basco Mikel Janin, um dos desenhadores habituais da série mensal, para explicar ao leitor o que realmente faz de Batman um herói.
Publicado originalmente no jornal Público de 20/04/2019

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Batman 80 Anos 9 - O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar Vol 2

QUANDO A VIDA IMITA A ARTE

80 Anos de Batman Vol 9
Batman: O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar Vol 2
Argumento e Desenhos – Frank Miller
Quinta, 18 de Abril
Por + 11,90 €
A conclusão do regresso do Batman crepuscular de Frank Miller, concretiza-se neste segundo volume que chega aos quiosques de todo o país na próxima quinta-feira, 18 de Abril. Um volume final, em que a complexa intriga que envolve a maioria dos membros da Liga da Justiça e outros personagens bem mais obscuros da DC se cruza com a dura realidade do ataque terrorista às Torres Gémeas em 11 de Setembro de 2001, que chocou a América e o mundo. Um acontecimento real, que Frank Miller que tinha acabado de regressar a Nova Iorque acompanhou do seu estúdio em Manhattan e que acabou por influenciar decisivamente a evolução desta história. Uma história que começou como uma homenagem de Miller aos heróis e vilões do universo DC, para se tornar, tal como aconteceu com O Regresso do Cavaleiro das Trevas - que espelha o clima dos anos da Guerra Fria, o medo da guerra nuclear e a presidência de Reagan - um reflexo da época em que a história foi feita.
Como o próprio Miller refere numa entrevista à revista The Comics Journal, o que começou como uma paródia, acabou por se transformar numa tragédia, pelo modo como a vida imitou a arte: “este foi um livro que foi seriamente perturbado, bem a meio da história. Começou como uma brincadeira. Uma coisa do género, “vamos pegar em todos esses personagens do universo DC e construir uma paródia bem divertida”. E então aconteceu o 11 de Setembro e eu tinha acabado de desenhar uma cena em que um Batmóvel voador atravessa um arranha-céus e rebenta com a baixa de Metrópolis. Foi um choque! Não podia continuar a história sem abordar o tema. Por isso, tive de parar e recomeçar adoptando um tom mais sombrio. Não sei bem como, mas apercebi-me que, de certa maneira, em termos dramáticos, quanto mais negra é a história, mais divertida se torna, porque ao fim de algum tempo tens de te rir. Um riso nervoso, mas que não deixa de ser riso, pois é impossível analisar o horror que vivemos de uma forma racional. Então, as ideias visuais começaram a brotar, como a ideia do Batman com as orelhas da máscara partidas e só três dentes. Não resisti a fazer isso.”
Um dos contributos de Frank Miller neste livro para o universo DC foi a criação de Lana, a filha superpoderosa do Super-Homem e da Mulher-Maravilha. Resultado da união entre os dois mais poderosos heróis da DC, relação essa que se tornará canónica durante a fase dos Novos 52, a personagem de Lana irá ser uma das protagonista de DKIII.: The Master Race a continuação, ainda inédita em Portugal, deste O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar, que assinalou o regresso de Frank Miller após alguns anos afastamento de afastamento, motivado por doença.
Obra tão controversa como incontornável, O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar confirma a vontade de arriscar, por parte de um autor que nunca descansou à sombra dos louros conquistados - e obras como Ronin, 300, O Regresso do Cavaleiro das Trevas, Batman: Ano Um, Sin City e Demolidor: Renascido já seriam mais do que suficientes para lhe assegurar um lugar no panteão dos melhores autores de comics de todos tempos - e que procurou explorar novos caminhos, mesmo que esses caminhos não sejam necessariamente aqueles que a maioria dos seus leitores esperava que ele seguisse.
Publicado originalmente no jornal Público de 13/04/2019

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Batman 80 Anos 8 - O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar Vol 1

O CAVALEIRO DAS TREVAS DE FRANK MILLER REGRESSA 

80 Anos de Batman Vol 8
Batman: O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar Vol 1
Argumento e Desenhos – Frank Miller
Quinta, 11 de Abril
Por + 11,90 €
Nos próximos dois volumes da colecção dedicada aos 80 anos de Batman, que se cumpriram precisamente no passado dia 30 de Março, vai estar em grande destaque o autor que mais contribuiu para a popularidade do Cavaleiro das Trevas, através de duas histórias absolutamente seminais, publicadas na década de 80, mas que ainda hoje se mantém como clássicos incontornáveis. Essas histórias são O Regresso do Cavaleiro das Trevas e Batman: Ano Um e o seu autor é, como já terão adivinhado, Frank Miller.
Depois de ter publicado esses dois clássicos na colecção dedicada aos 75 anos do Homem Morcego, a Levoir lança agora em dois volumes O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar, a inesperada sequela que assinala o regresso de Frank Miller ao universo distópico e futurista de um Batman envelhecido, que regressa ao activo para combater o crime.
Publicada originalmente entre 2001 e 2002, quinze anos após a publicação da saga original, como uma mini-série em três edições de luxo, O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar surpreendeu aqueles que esperavam uma continuação linear do primeiro Cavaleiro das Trevas. Embora a acção desta sequela decorra apenas três anos depois da aparente morte de Bruce Wayne, no mundo real passaram-se quinze anos. Quinze anos em que o mundo mudou e Frank Miller também, algo que é bem evidente no traço estilizado de Miller, cada vez mais longe do realismo do início da sua carreira, mas sobretudo nas cores de Lynn Varley, habitual colorista - e à época, casada com Frank Miller - que aqui troca as cores a aguarela, que tão bem usou em Ronin, O Regresso do Cavaleiro das Trevas e 300, pelas cores digitais do Photoshop. Cores propositadamente artificiais, que acentuam a dimensão artificial desse mundo aparentemente perfeito, onde reina a paz e a harmonia, mas onde até o próprio Presidente dos Estados Unidos da América não passa de um holograma. É essa utopia de fachada que vai ser destruída por um regressado Batman, que vai reunir todos os seus aliados para combater a ameaça de Lex Luthor.
Outra diferença fundamental de O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar para o seu antecessor, é a presença alargada do panteão da DC, com personagens como Jimmy Olsen, Brainiac, Lex Luthor, Shazam, o Flash, Lanterna Verde, o Átomo, o Questão e Diana, a Mulher-Maravilha, que estiveram ausentes em O Regresso do Cavaleiro das Trevas, a serem fulcrais no evoluir da intriga desta história, em que a Trindade dos maiores Heróis da DC, constituída pelo Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha, brilha a grande altura, tal como Carrie Kelley, a Robin de O Regresso do Cavaleiro das Trevas, que se mantém como braço direito do Batman, mas agora enquanto Catgirl.
Se em termos gráficos, o registo escolhido pode não ser consensual, em termos narrativos, não há dúvidas quanto ao virtuosismo de Miller. Basta ver a forma como gere a presença do Batman, que permanece nas sombras durante bastante tempo, para surgir finalmente em toda a sua glória apenas no final do primeiro livro, para voltar a enfrentar o Super-Homem.
Publicado originalmente no jornal Público de 06/04/2019

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Batman 80 Anos 7 - Batman Black & White: Os melhores Contos Noir

Desde que comecei a trabalhar na Devir, em inícios da década de 2000, que me tenho batido pela edição desta série em Portugal, o que esteve quase a acontecer em 2003, no nº 6 da revista Comix, de que era director editorial... se esse número tivesse chegado a sair... Quase vinte anos depois, ele aqui está e eu deixo-vos com o texto que escrevi para o Público a apresentá-lo.

UM HERÓI A PRETO E BRANCO

80 Anos de Batman Vol 7
Batman Black & White – Os Melhores Contos Noir
Argumento – Vários Autores
Desenhos – Vários Autores
Quinta, 4 de Abril
Por + 11,90 €
A colecção dedicada aos 80 anos do Cavaleiro das Trevas prossegue com a publicação, na próxima quinta-feira, dia 4 de Abril, de um volume mítico, Batman Black & White, título perfeitamente elucidativo do conteúdo desta premiada antologia que convidou os melhores desenhadores do mundo dos comics (e não só) a explorarem as imensas possibilidades estéticas e narrativas do preto e branco em histórias de oito páginas.
A ideia, tão brilhante quanto arriscada, pois à época era ponto assente no mundo da edição de comics que o preto e branco não vendia, apesar de honrosas excepções como o Sin City, de Frank Miller, partiu do editor Mark Chiarello que, para além de ter sido editor e director de Arte da DC até há bem pouco tempo, é também colorista e desenhador de BD, tendo assinado títulos como Batman/Houdini: The Devil’s Workshop, uma história da linha Elseworlds escrita por Howard Chaykin. Chiarello, que trabalhou durante 26 anos na DC, antes de ser afastado já em 2019, lembrou-se de criar uma antologia de histórias do Batman a preto e branco, inspirada em revistas como a Creepy e a Eerie. Estas revistas da editora Warren, que recuperaram a herança da E.C Comics, de Bill Gaines, publicaram durante a década de 70 alguns dos melhores trabalhos de sempre de autores como Frank Frazetta, Bernie Wrightson, Ricard Corben e Steve Ditko. Histórias incontornáveis, na sua maioria escritas e editadas pelo mítico Archie Goodwin, de quem Chiarello tinha sido assistente na Marvel, antes de vir trabalhar para a DC, e que assina igualmente alguma das histórias de Batman Black & White.
Para estar à altura dos títulos da editora de James Warren e conquistar os leitores, a antologia editada por Chiarello tinha uma estratégia simples: chamar os maiores nomes da BD de todas as latitudes, muitos dos quais nunca tido qualquer contacto com o Batman, ou com qualquer outro super-herói, para criarem a sua própria versão do Batman.
O resultado foi uma mini-série de 4 números, publicados entre Junho e Setembro de 1996, recolhendo vinte contos noir de oito páginas cada, que inclui no argumento veteranos como Dennis O’Neil, Archie Goodwin, Jan Strnad, Chuck Dixon e Neil Gaiman, para além de grandes nomes da BD mundial que escrevem as próprias histórias, histórias essas que lhes dão a possibilidade de explorar, cada um à sua maneira, os diversos registos possibilitados pelo preto e branco. Em termos gráficos, o elenco é absolutamente de luxo, incluindo desenhadores habituados ao mundo dos comics de super-heróis, como Joe Kubert, Bruce Timm, Howard Chaykin, Walt Simonson, Simon Bisley, Klaus Janson, Matt Wagner, Bill Sienkiewicz, Kevin Nowlan, e Brian Stelfreeze. Artistas com um percurso mais autoral, como Ted McKeever, Kent Williams, Jorge Zaffino, Ted Kristiansen, Gary Gianni e Richard Corben, o mestre da BD underground e figura de proa da revista Metal Hurlant, que teve aqui a oportunidade de relançar a sua carreira, trabalhando com personagens que não criou, mas a que deu o seu toque pessoal, como o Batman.
Mas a grande surpresa desta antologia é a presença de autores de outras latitudes, como o japonês Katshuiro Otomo, o mestre da BD e animação japonesa, criador do mítico Akira, o italiano Tanino Liberatore, desenhador de RanXerox e o argentino José Muñoz, criador, com o seu compatriota Carlos Sampayo do detective Alack Sinner e da biografia em BD da cantora Billie Holiday, também já publicada em Portugal numa parceria Público/Levoir. Mas vejamos o que o prório Muñoz disse sobre essa história, numa entrevista que lhe fiz em 2001: “fui contactado por um editor da DC, Marc Chiarello, um tipo muito simpático, que me convidou a escrever e desenhar uma história curta com o Batman. Como não tinha vontade de escrever a história, disse-lhe que falassem com Archie Goodwin, que é um escritor cujo trabalho admiro, para ser ele a escrever a história. Goodwin aceitou e fez-me uma história verdadeiramente por medida! Nunca falei com ele, mas vê-se que estudou o meu trabalho. É uma história de jazz, em que Batman aparece apenas um segundo, na última vinheta.”
Além dessas vinte histórias curtas, a edição inclui ainda ilustrações de estrelas como Moebius – que escreveu e desenhou uma divertidíssima história, em que fazia uma análise psicanalítica do Batman, que a DC não se atreveu a publicar, tendo acabado por só sair anos depois na revista Penthouse Comix - Frank Miller, Neal Adams, P. Craig Russel, Jim Lee, Alex Toth e Barry Windsor-Smith.
A arriscada aposta de Chiarello acabou por se revelar um sucesso tremendo, ganhando dois prémios Eisner e um prémio Harvey e dando origem a mais três antologias com o mesmo título, publicadas em 2001, 2004 e 2013 e diversas vezes reeditadas. Finalmente, em 2019, os leitores portugueses vão poder descobrir este marco incontornável nas oito décadas de história do Cavaleiro das Trevas.
Publicado originalmente no jornal Publico de 30/03/2019

sexta-feira, 29 de março de 2019

Batman 80 Anos 6 - Icaro

CONFRONTO DE DETECTIVES

80 Anos de Batman Vol 6
Batman: Ícaro
Argumento – Francis Manapul e Brian Bucellato
Desenhos – Francis Manapul
Quinta, 28 de Março
Por + 11,90 €
Depois de Gothópia no volume 4, a revista Detective Comics da era Novos 52 volta a estar em destaque na colecção 80 Anos de Batman, com a publicação no próximo dia 28 de Ícaro, o primeiro arco de histórias da dupla Francis Manapul/Brian Bucellato na mais antiga revista do Cavaleiro das Trevas.
Publicado originalmente em 2011, nos números 30 a 34 da revista Detective Comics, Ícaro volta a reunir o desenhador Francis Manapul e o colorista Brian Bucellato depois da sua passagem pela revista do Flash onde colaboraram pela primeira vez na escrita das histórias que Manapul desenhava e Bucellato coloria. De origem filipina e a residir em Toronto, no Canadá, Manapul não é propriamente um desconhecido do público português, pois em 2016 foi um dos convidados de honra da Comic Con Portugal, mas só agora vê o seu trabalho finalmente publicado no nosso país, com uma história de detectives perfeitamente adequada a uma revista que tem o termo “Detective” no seu nome.
Desta vez  o Batman tem de usar os seus atributos detectivescos para investigar um caso que envolve uma nova, letal e misteriosa droga que está a devastar as ruas de Gotham. Uma droga chamada Ícaro que, tal como o personagem mitológico que lhe dá nome, que morreu por se aproximar demasiado do Sol, tem o desagradável efeito secundário de provocar a combustão espontânea de quem a consome. Mas essa droga não é o único desafio que o Batman tem de enfrentar, pois entre os seus opositores nesta história, estão vários políticos corruptos, grupos criminosos rivais e… uma lula gigante. Mas grande confronto desta história acaba por ser entre dois detectives: o Batman e o Tenente Harvey Bullock que, com o Comissário Gordon na prisão - na sequência dos eventos da série Batman: Eternal, que envolveu todas as personagens do universo da série Batman – assume aqui um protagonismo pouco habitual, sendo a sua interacção com o Batman um dos pontos altos da história.
Em termos gráficos, o trabalho de Francis Manapul revela-se um dos mais originais e brilhantes da actualidade, tanto em termos de planificação e composição, como de ilustração, com destaque para articulação entre o desenho de Manapul e as cores espectaculares e inesperadas de Bucellato. Mas o aspecto em que esta dupla se revela mais forte, é precisamente na planificação, em que, alternando as duplas páginas, ou imagens de página inteira, com outras páginas que metem em diálogo  quadrados horizontais e verticais e imagens de grandes dimensões, que a divisão em quadrados transforma em planos-sequência - como acontece, por exemplo, na sequência no caís da página 53, ou com a dupla página em que Harvey Bullock trata dos seus gatos, nas páginas 58 e 59 - os autores conseguem criar imagens de grande impacto visual, mas que contribuem decisivamente para o fluir harmonioso da narrativa, que é o mais importante na Banda Desenhada, em que as imagens devem estar ao serviço da história que o autor quer contar.
Publicado originalmente no jornal Público de 23/03/2019

terça-feira, 26 de março de 2019

Batman 80 Anos 5 - Noel

O NATAL DO CAVALEIRO DAS TREVAS 

80 Anos de Batman Vol 5
Batman: Noel - Um Conto de Natal
Argumento  e Desenhos – Lee Bermejo
Quinta, 21 de Março
Por + 11,90 €
Depois de quatro volumes dedicados ao Batman da era Novos 52, o quinto volume desta Colecção, que chegará às bancas de todo o país no próximo dia 21 de Março, é uma história intemporal, liberta de qualquer cronologia, que homenageia um clássico da literatura mundial, o Conto de Natal (A Christmas Carol, no original) de Charles Dickens, aqui adaptado ao universo do Cavaleiro das Trevas.
Obra que assinala a estreia de Lee Bermejo, o desenhador de Joker e Lex Luthor: Preconceito e Orgulho - para falar apenas de títulos já publicados pelo Público e pela Levoir em anteriores colecções dedicadas à DC Comics - como autor completo, esta peculiar versão do conto de Dickens, é uma bem conseguida homenagem à história de Batman, onde para além de Batman e do Joker, não faltam aliados como Robin, o Comissário Gordon, Catwoman e o Super-Homem e a evocação de etapas marcantes da história da personagem.
O Scrooge desta história narrada por Bob, um pequeno criminoso que cometeu o erro de trabalhar para o Joker, ao seu filho Tim, é o próprio Batman, mas, como o próprio Bermejo refere numa entrevista: “não estamos perante uma adaptação literal. A história segue a estrutura do Conto de Natal de Dickens e temos um narrador que nos está a contar essa história, na perspectiva dele, que é aberta a interpretações. Mas, visualmente, é uma história autónoma, sobre um homem bom, mas fraco, que comete o erro de se associar ao Joker e que vai pagar por isso.”
Não obstante esse carácter autónomo, a colagem ao texto clássico de Dickens, é óbvia e perfeitamente assumida. Jason Todd, o antigo Robin morto pelo Joker, desempenha um papel semelhante ao de Jacob Marley, o falecido sócio de Scrooge. O papel que os três fantasmas das diferentes épocas representam no Conto de Natal de Charles Dickens, está aqui a cargo de três figuras icónicas do universo DC: A Catwoman simboliza o fantasma do Natal Passado; o Super-Homem, o fantasma do Natal Presente,; e o Joker, o fantasma do Natal Futuro.
Conhecido pelo seu estilo sombrio e hiper-realista, o norte-americano Lee Bermejo opta aqui por um registo mais luminoso, que se adequa melhor à história que pretende contar, que é, apesar de tudo, bem mais esperançosa na bondade intrínseca do ser humano, do que o pessimismo quase niilista que encontramos nos argumentos de Brian Azzarello, com quem Bermejo colaborou em todas as suas anteriores incursões no universo do Batman e do Super-Homem.
Publicado originalmente em Novembro de 2011, bem a tempo para o Natal, como uma Novela Gráfica em capa dura, Batman: Noel foi concebido como um conto infantil, mesmo que a mulher de Lee Bermejo goze com ele a esse respeito, dizendo: “se achas que esta é uma história do Batman para crianças, claramente não conheces as crianças e torna-se perfeitamente óbvio que nós não temos filhos...”
Mas essa dimensão de fábula está patente no uso de um narrador que nos conta a história na sua perspectiva - um mecanismo narrativo semelhante ao usado por Azzarello em Joker - o que reduz bastante o número de diálogos, e no tratamento da cor, bastante mais luminosa do que o habitual em Bermejo. Para além da presença da neve, cujo manto branco ajuda a esconder a dimensão sombria de Gotham, também a colorista Barbara Ciardo - com quem Bermejo volta a trabalhar depois da história curta do Super-Homem para a revista Wednesday Comics - acentua esse lado mais luminoso de conto de fadas, através de uma paleta de cores mais clara e mais alegre, que não interfere com o estilo gráfico inconfundível que já se tornou uma imagem de marca de Bermejo. Um belo clássico, graficamente deslumbrante, que mostra que, mesmo em Gotham City, o Natal é “sempre que um homem quiser”.
Publicado originalmente no Jornal Público de 16/03/2019

sábado, 23 de março de 2019

Batman 80 Anos 4 - Gothtopia

DAS TREVAS PARA A LUZ

80 Anos de Batman Vol 4
Batman:Gothtopia
Argumento – John Layman
Desenhos – Jason Fabok e Aaron Lopresti
Quinta, 14 de Março
Por + 11,90 €
Depois de nos três primeiros números ter explorado a etapa final de Scott Snyder e Greg Capullo na revista principal do Batman, a colecção 80 Anos Batman prossegue com a apresentação de outro marco da era Novos 52: a etapa de John Layman na revista Detective Comics, que concluiu precisamente com este Gothtopia.
História em três partes, iniciada em finais de 2013 no mítico nº 27 da revista Detective Comics (recordemos que foi no nº 27 da primeira série desta revista que deu o nome à editora DC, que o Batman surgiu pela primeira vez, em 1939), um número especial de 96 páginas que contou com a presença de autores como Scott Snyder, Sean Murphy, Paul Dini, Neal Adams e Frank Miller, que ilustrou uma das capas alternativas, para além, claro, do argumentista John Layman e o artista Jason Fabok que assinaram o primeiro capítulo da estranha e inquietante história do Batman que dá nome ao volume. Nessa história, Gotham é uma utopia, livre de crime, e em que os heróis são celebrados por toda a população. O Batman é um vigilante universalmente adorado, vestido com o seu brilhante fato de Cavaleiro da Luz, e a sua companheira – e amante – não é outra senão Selina Kyle, a Catwoman, que aqui veste um uniforme novo, que é um compromisso entre o traje do Robin e o da própria Catwoman, e dá pelo nome de Asa Felina.
Uma premissa habitual na linha Elseworlds, que explora histórias alternativas do Batman e dos outros heróis do universo DC, mas que, neste caso, está perfeitamente integrada na continuidade da série.
Layman, que os leitores portugueses bem conhecem da série Tony Chu, explora, invertendo-a, a dualidade luz/trevas que marca o universo DC, bem patente na oposição entre as cidades de Superman e do Batman: a luminosa Metropolis e a sombria Gotham. Como o próprio refere numa entrevista: “Os vilões do Batman são sempre um estudo da dualidade, reflexos distorcidos do próprio Batman. E se fizéssemos o mesmo com a cidade de Gotham City? Gotham é tradicionalmente sombria e assolada pelo crime. Como seria o universo do Batman se assim não fosse, e como é que o Batman iria funcionar numa cidade como essa, onde ele está tão obviamente fora de seu elemento?
A cidade de Gotham é um personagem vivo. E como qualquer  personagem, precisa ser explorado, ajustado e atormentado. Gotham é definitivamente uma entidade dentro de Batman, tão digna de atenção quanto o resto do elenco de apoio.”
Nesta Gotham luminosa e utópica, os heróis e os vilões que conhecemos surgem em versões ligeiramente diferentes, o que possibilitou ao desenhador Jason Fabok exercitar a sua criatividade, na criação da versão luminosa da bat-família e da sua galeria de vilões, com destaque para a Hera Venenosa e o Espantalho, que estão no centro da histórias e cuja densidade psicológica é bem explorado pelo escritor.
Mais uma vez, demos a palavra a Layman: “Eu acho que todas as histórias do Batman são psicológicas, até certo ponto, porque os vilões do Batman são tão psicologicamente complexos... assim como o próprio Batman. É claro que se pode dizer que o Espantalho é um dos mais psicologicamente complexos, num elenco já muito diverso e perturbado de vilões do Batman.”!
Caberá ao leitor decidir se prefere o Cavaleiro da Luz desta Gotham utópica, ou o velho Cavaleiro das Trevas da velha cidade sombria. Mas levar o leitor a questionar-se é um dos objectivos de John Layman, como o próprio refere: “fundamentalmente, esta história é uma exploração do que faz o Batman funcionar e o que faz dele o Batman. Nesse caso, ele recebe algo que raramente tem, um grau de felicidade e um mundo que não é sombrio e feio, nem está conspurcado pela corrupção. Como ele reage? Batman funciona melhor nas sombras e na escuridão de Gotham. Como ele é sem as sombras e a escuridão?”
Mas embora seja o fulcro deste volume, Gothtopia não é a única história que o preenche. Há ainda espaço para três outras histórias, Memórias de um Delator, centrada no Comissário Gordon, Águas Agitadas em que Jason Fabok cede o lugar a Jorge Lucas como desenhador principal e Coroa do Medo, em que Kirk Langstrom, o cientista que criou a fórmula que lhe permite transformar-se no Morcego Humano se alia ao Batman para combater a ameaça da sua mulher, também ela vítima da fórmula criada por Langstron. Uma história em que Jason Fabok é substituído por Aaron Lopestri no desenho a lápis e por Art Thibert na passagem a tinta.
Publicado originalmente no jornal Público de 09/03/2019

quinta-feira, 21 de março de 2019

Batman 80 Anos 3 - Bloom

O CAPÍTULO FINAL DO BATMAN DE SNYDER E CAPULLO 

80 Anos de Batman Vol 3
Batman: Bloom
Argumento – Scott Snyder 
Desenhos – Greg Capullo, Danny Miki e Yanick Paquette
Quinta, 07 de Março
Por + 11,90 €
Com este terceiro volume, chega ao fim a etapa de Scott Snyder na revista principal do Batman, cujos capítulos anteriores os leitores puderam acompanhar na colecção dedicada ao Universo DC em 2016 e nos dois primeiros volumes desta colecção que celebra os oitenta anos do Batman.
Neste capítulo final, Bruce Wayne, que não tem memória da sua vida anterior, encontrou a mulher dos seus sonhos e trabalha num dos centros para jovens de Gotham, onde ajuda as crianças da cidade que ele adora, vai ter de escolher entre a vida feliz que entretanto construiu e a sua responsabilidade enquanto Batman, o defensor de Gotham City. Um dilema provocado pela ameaça imparável do misterioso Sr. Bloom, um vilão tão poderoso que Gordon, o novo Batman, se revela incapaz de derrotar.
O tão poderoso quanto misterioso Bloom é um dos grandes contributos de Snyder, que já nos tinha dado o mais assustador Joker de sempre, para a mitologia do Cavaleiro das Trevas. Mas deixemos que seja o próprio Snyder a explicar-nos quem é este novo e espectacular vilão e qual a sua relação com o Comissário Gordon:
“Para mim, o que é divertido no Bloom e o distingue do Joker, é que ele é quase um inverso. O Joker é uma espécie de figura mitológica, maior que a vida e icónico. Para mim, ele é tão malvado que nenhuma origem seria suficiente, e essa é uma das razões pelas quais ele não tem uma origem definida. E o mesmo se passa com o Batman. Ele tem uma origem mas é tão larger than life e icónica, que não é uma pessoa real. Tal como não há como alguém realmente ser o Batman, da mesma forma, ninguém pode ser tão vicioso e cruel quanto o Joker.
Então, de certa forma, Bloom é o Joker de Gordon, que é um Batman de uniforme negro, enquanto Joker é branco em termos de esquema de cores. E realmente, enquanto ninguém seria suficientemente cruel para ser o Joker, ninguém poderia ser suficientemente heróico e suficientemente poderoso para ser o Batman. Jim Gordon está a usar o uniforme do Batman, mas é uma pessoa real tentando ser um super-herói. Para Bloom, embora ele se torne grande e poderoso, a ideia é que qualquer pessoa pode ter um lado suficientemente sombrio para se transformar nele. Qualquer um com uma sensação de desespero e perda de fé nos seus vizinhos e em si mesmo, no governo local e na polícia e todas essas coisas, pode acabar por se transformar no Bloom. Ele pode crescer em qualquer lugar. Vem dos corpos esquecidos, das pessoas que ninguém cuidou e ninguém ouviu. Para mim, ele é a erva daninha que cresce entre as rachas duma cidade, onde tem havido sempre fossos entre comunidades e bairros e autoridades e todas essas facções.”
Terminada esta história épica, Snyder deixou a revista mensal do Batman nas mãos mais do que competentes de Tom King, para escrever outras histórias do Cavaleiro das Trevas com outros desenhadores, enquanto Capullo iniciava uma colaboração com Mark Millar na mini-série Reborn. Mas esta não foi a última colaboração da dupla Snyder/Capullo, que voltaria a pegar no Batman e nos restantes heróis da DC na saga Dark Nights: Metal. Mais do que colaboradores em perfeita sintonia, Snyder e Capullo são dois grandes amigos, pois como refere o escritor: “acho que a coisa da qual mais me orgulho, honestamente, em todo o nosso tempo no Batman, é a nossa amizade. O Greg tornou-se um irmão para mim.”
Publicado originalmente no jornal Público de 02/03/2019

terça-feira, 5 de março de 2019

Batman 80 Anos 2 - Peso Pesado

COMISSÁRIO GORDON É O NOVO BATMAN 

80 Anos de Batman Vol 2
Batman: Peso Pesado
Argumento – Scott Snyder 
Desenhos – Greg Capullo e Dany Miki
Quinta, 28 de Fevereiro
Por + 11,90 €
Depois do confronto épico com a Liga da Justiça e com o Joker, numa história que aprofunda a mitologia do personagem e lhe dá uma dimensão quase imortal, o percurso de Scott Snyder e Greg Capullo prossegue com Peso Pesado. Uma história mais leve do que a anterior, em que o Comissário Gordon se transforma num novo Batman, um Batman com uma armadura cibernética e com um camião TIR a substituir o Batmóvel. O volume anterior terminava com a desaparição e aparente morte do Cavaleiro das Trevas, soterrado, junto com o Joker, debaixo de toneladas de destroços, na sequência de uma batalha que obrigou o Batman a juntar aliados e inimigos numa frente comum contra a população enlouquecida pelo vírus do Joker.

Como o próprio título sugere, Jogo Final esteve para ser o derradeiro capítulo do Batman de Scott Snyder e foi planeado como tal, pois essa era a história que o escritor queria contar. Uma história iniciada com a saga de A Corte das Corujas, história publicada na colecção da DC que o Público e a Levoir publicaram em 2016 e que conclui com o derradeiro confronto entre o Batman e o seu maior inimigo. Mas entretanto, teve a ideia para o que viria a ser Peso Pesado. Como refere o próprio Snyder: “ Peso Pesado é uma história autónoma. É uma investigação profunda sobre o Batman como símbolo da justiça, quer ele esteja dentro da lei, ou fora e da lei e também é uma história profunda sobre Bruce Wayne. Se for bem aceite pelas fãs permitir-nos-á seguir um novo caminho no final.”
Claro que esta história em que o ex-comissário da polícia patrulha as ruas de Gotham City, slotmachines e fazer uma história da Hera Venenosa, ou uma história em duas partes do Clayface, prefere uma jogada de risco.” A razão é simples: “as personagens merecem uma aposta de risco e os fãs também. E também é isso que nos interessa como equipa, arriscar tudo numa história que nos interesse contar.”
envergando uma nova e poderosa armadura robotizada, tinha tudo para agradar aos fãs do Cavaleiro das Trevas, até porque introduz um novo e carismático vilão, o misterioso Sr. Bloom, que o novo Batman se mostra incapaz de derrotar, pelo menos neste volume. Mais uma vez, a aposta de Snyder deu certo, o que leva o escritor a dizer: “Por vezes, sinto-me como um viciado no jogo. Alguém que vai ao casino, aposta tudo e ganha, volta a apostar tudo e volta a ganhar e a seguir, em vez de gastar umas moedas nas slot machines e fazer uma história da Hera Venenosa, ou uma história em duas partes do Clayface, prefere uma jogada de risco.” A razão é simples: “as personagens merecem uma aposta de risco e os fãs também. E também é isso que nos interessa como equipa, arriscar tudo numa história que nos interesse contar.”

Para a equipa artística, o desenhador Greg Capullo, o arte-finalista Dany Miki e a colorista Flo Pasciencia, este novo desafio também foi bem-vindo, depois do desgaste que foi Jogo Final, uma história que testou os limites da capacidade do desenhador, algo de que Snyder só se apercebeu a posteriori, como confessa numa entrevista: “descobri que há coisas em que o desenhador vai passar muito tempo e que eu pensava que eram fáceis de desenhar e depois apercebo-me que é óbvio que não eram fáceis. Vejam as páginas com diálogos, em que por não haver acção, me parece que vão ser fáceis desenhar, mas que se revelam incrivelmente trabalhosas para o artista. É verdadeiramente fascinante porque, em conversa com o Greg Capullo, aprendi que o que me parece fácil, ou difícil não corresponde à realidade. O importante é perceber aquilo que o artista com quem trabalhas quer, o que é que ele gosta mesmo de desenhar e aquilo que lhe dá realmente trabalho. Devia ter-lhe perguntado muito antes, mas fomos acertando agulhas e a nossa colaboração melhorou graças a esse melhor conhecimento mútuo.”
Assim, Snyder criou uma história espectacular, que permitiu a Capullo desenhar armaduras, robots e cenas épicas, em que o gozo que o desenhador teve ao fazê-las, passa imediatamente para o público, com os resultados que estão à vista.
Publicado originalmente no jornal Público de 23/07/2019

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Batman 80 Anos 1 - Jogo Final


O BATMAN DE SNYDER E CAPULLO ABRE COLECÇÃO 
DEDICADA AOS 80 ANOS DO CAVALEIRO DAS TREVAS

80 Anos de Batman Vol 1
Batman: Jogo Final
Argumento – Scott Snyder 
Desenhos – Greg Capullo e Dany Miki
Quinta, 21 de Fevereiro
Por + 11,90 €
Comemorando os 80 anos de aventuras do Batman, que se estreou no nº 27 da revista Detective Comics, que embora com data de Maio na capa, chegou aos quiosques em 30 de Março de 1939, o Homem Morcego regressa ao Público para uma colecção de dez volumes inéditos e em capa dura.
Assim, até 25 de Abril, os leitores poderão acompanhar uma dezena de títulos especialmente seleccionados para esta colecção onde, sem esquecer os clássicos, o Batman da Linha Novos 52 assume destaque, com metade dos títulos. Reformulação do Universo DC para o século XXI, levada a cabo nos E.U.A. em 2011, a Linha Novos 52 teve uma presença central e incontornável na colecção Super-Heróis DC que o Público e a Levoir publicaram em 2016, com ênfase na saga do Batman escrita por Scott Snyder e ilustrada por Greg Capullo, cujos três primeiros volumes foram publicados na colecção de 2016.
E é precisamente o Batman de Snyder e Capullo que abre esta colecção, com Jogo Final, em que Batman volta a enfrentar o seu maior inimigo, depois dos acontecimentos de O Regresso do Joker, o 12º volume da colecção de 2016, que terminava com a (aparente) morte do Joker. Mas a verdade é que o Joker está de volta, mais perigoso do que nunca e com aliados de peso, a própria Liga da Justiça, que foi contaminada por um vírus que os colocou sob o controle do Joker e ameaça as suas vidas. Será necessário ler este volume para perceber como o Batman conseguirá derrotar adversários tão poderosos como o Super-homem, o Flash e Mulher-Maravilha, para além do próprio Joker, num combate sem tréguas, nem regras, que lhe poderá custar a própria vida. Snyder cria aqui uma história épica, que explora de forma espectacular o traço único e cada vez mais depurado de Greg Capullo, que assina algumas páginas absolutamente fabulosas em termos de dinamismo e de planificação.
A colecção prossegue com Peso Pesado e Bloom, os dois volumes finais da etapa de Snyder e Capullo na revista principal do Batman. Uma etapa tão popular como memorável, que teve continuação na mini-série Dark Knights: Metal, que esperamos ver um dia publicada em Portugal.
 Os três volumes seguintes também estão integrados na era Novos 52, mas neste caso recolhem histórias publicadas em outros títulos, como a revista Detective Comics: Gothtopia é, como o próprio título indica, uma utopia imaginada por John Layman, o criador de Tony Chu e ilustrada por Jason Fabok e Aaron Lopresti, enquanto Ícaro é um perfeito exemplo do alto nível atingido pelas colaborações entre Francis Manapul e e Brian Bucellato. Entre estes dois volumes surge Noel: Um conto de Natal, uma novela gráfica autónoma escrita e desenhada por Lee Bermejo (Joker, Lex Luthor: Preconceito e Orgulho), que adapta o clássico de Charles Dickens para o universo do Batman.
Seguem-se dois clássicos. Batman Black & White, uma premiada colectânea de histórias curtas a preto e branco, assinadas por um lote absolutamente estratosférico de grandes autores mundiais e O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar, a tão controversa como criativa sequela de O Regresso do Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, que será publicada em dois volumes.
A colecção termina com a antologia Batman: 80 Anos de Aventuras, uma viagem pela história do Batman que vai de Bob Kane a Tom King - o actual escritor da revista do Batman, que sucedeu a Snyder, após (mais uma) reformulação do universo DC em Rebirth – que assina duas histórias que ajudam a perceber porque é considerado o mais importante escritor de comics da actualidade.
Apresentados os volumes, fica aqui o convite ao leitor para, guiado por alguns dos melhores autores que já trabalharam com o Batman, se juntar ao Público na comemoração dos 80 anos de aventuras do Cavaleiro das Trevas.
Publicado originalmente no jornal Público de 16/02/2019