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sábado, 23 de março de 2019

Batman 80 Anos 4 - Gothtopia

DAS TREVAS PARA A LUZ

80 Anos de Batman Vol 4
Batman:Gothtopia
Argumento – John Layman
Desenhos – Jason Fabok e Aaron Lopresti
Quinta, 14 de Março
Por + 11,90 €
Depois de nos três primeiros números ter explorado a etapa final de Scott Snyder e Greg Capullo na revista principal do Batman, a colecção 80 Anos Batman prossegue com a apresentação de outro marco da era Novos 52: a etapa de John Layman na revista Detective Comics, que concluiu precisamente com este Gothtopia.
História em três partes, iniciada em finais de 2013 no mítico nº 27 da revista Detective Comics (recordemos que foi no nº 27 da primeira série desta revista que deu o nome à editora DC, que o Batman surgiu pela primeira vez, em 1939), um número especial de 96 páginas que contou com a presença de autores como Scott Snyder, Sean Murphy, Paul Dini, Neal Adams e Frank Miller, que ilustrou uma das capas alternativas, para além, claro, do argumentista John Layman e o artista Jason Fabok que assinaram o primeiro capítulo da estranha e inquietante história do Batman que dá nome ao volume. Nessa história, Gotham é uma utopia, livre de crime, e em que os heróis são celebrados por toda a população. O Batman é um vigilante universalmente adorado, vestido com o seu brilhante fato de Cavaleiro da Luz, e a sua companheira – e amante – não é outra senão Selina Kyle, a Catwoman, que aqui veste um uniforme novo, que é um compromisso entre o traje do Robin e o da própria Catwoman, e dá pelo nome de Asa Felina.
Uma premissa habitual na linha Elseworlds, que explora histórias alternativas do Batman e dos outros heróis do universo DC, mas que, neste caso, está perfeitamente integrada na continuidade da série.
Layman, que os leitores portugueses bem conhecem da série Tony Chu, explora, invertendo-a, a dualidade luz/trevas que marca o universo DC, bem patente na oposição entre as cidades de Superman e do Batman: a luminosa Metropolis e a sombria Gotham. Como o próprio refere numa entrevista: “Os vilões do Batman são sempre um estudo da dualidade, reflexos distorcidos do próprio Batman. E se fizéssemos o mesmo com a cidade de Gotham City? Gotham é tradicionalmente sombria e assolada pelo crime. Como seria o universo do Batman se assim não fosse, e como é que o Batman iria funcionar numa cidade como essa, onde ele está tão obviamente fora de seu elemento?
A cidade de Gotham é um personagem vivo. E como qualquer  personagem, precisa ser explorado, ajustado e atormentado. Gotham é definitivamente uma entidade dentro de Batman, tão digna de atenção quanto o resto do elenco de apoio.”
Nesta Gotham luminosa e utópica, os heróis e os vilões que conhecemos surgem em versões ligeiramente diferentes, o que possibilitou ao desenhador Jason Fabok exercitar a sua criatividade, na criação da versão luminosa da bat-família e da sua galeria de vilões, com destaque para a Hera Venenosa e o Espantalho, que estão no centro da histórias e cuja densidade psicológica é bem explorado pelo escritor.
Mais uma vez, demos a palavra a Layman: “Eu acho que todas as histórias do Batman são psicológicas, até certo ponto, porque os vilões do Batman são tão psicologicamente complexos... assim como o próprio Batman. É claro que se pode dizer que o Espantalho é um dos mais psicologicamente complexos, num elenco já muito diverso e perturbado de vilões do Batman.”!
Caberá ao leitor decidir se prefere o Cavaleiro da Luz desta Gotham utópica, ou o velho Cavaleiro das Trevas da velha cidade sombria. Mas levar o leitor a questionar-se é um dos objectivos de John Layman, como o próprio refere: “fundamentalmente, esta história é uma exploração do que faz o Batman funcionar e o que faz dele o Batman. Nesse caso, ele recebe algo que raramente tem, um grau de felicidade e um mundo que não é sombrio e feio, nem está conspurcado pela corrupção. Como ele reage? Batman funciona melhor nas sombras e na escuridão de Gotham. Como ele é sem as sombras e a escuridão?”
Mas embora seja o fulcro deste volume, Gothtopia não é a única história que o preenche. Há ainda espaço para três outras histórias, Memórias de um Delator, centrada no Comissário Gordon, Águas Agitadas em que Jason Fabok cede o lugar a Jorge Lucas como desenhador principal e Coroa do Medo, em que Kirk Langstrom, o cientista que criou a fórmula que lhe permite transformar-se no Morcego Humano se alia ao Batman para combater a ameaça da sua mulher, também ela vítima da fórmula criada por Langstron. Uma história em que Jason Fabok é substituído por Aaron Lopestri no desenho a lápis e por Art Thibert na passagem a tinta.
Publicado originalmente no jornal Público de 09/03/2019

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Liga da Justiça 5 - A Guerra de Darkseid 2

O FIM DE UMA ERA 

Liga da Justiça: A Guerra de Darkseid Vol. 2
Argumento – Geoff Johns
Desenhos – Jason Fabok, Francis Manapul e Ivan Reis
Quinta, 07 de Dezembro, Por + 10,90 €
Com a publicação da segunda e última parte de A Guerra de Darkseid, chega ao fim a colecção que o Público e a Levoir dedicaram à Liga da Justiça, por ocasião da estreia dos maiores heróis da DC no cinema. Uma colecção que, com a excepção de clássicos como Nova Ordem Mundial e O Prego: Teoria do Caos se centrou no trabalho incontornável de Geoff Johns com a Liga. Um trabalho que leva o conceito de épico a níveis poucas vezes vistos e que os leitores portugueses tiveram o privilégio de poder acompanhar na íntegra, através das diversas colecções dedicadas aos heróis da DC que foram saindo nos últimos quatro anos.
O primeiro volume de A Guerra de Darkseid tinha terminado com alguns dos membros da Liga da Justiça transformados em Deuses. Assim, Batman, que conquistou a Metron a cadeira de Mobius, tornou-se o Deus do Conhecimento; o Super-Homem, o Deus da Força; o Flash, O Deus da Morte; o Shazam, o Deus dos Deuses; o Lanterna Verde, o Deus da Luz; e Lex Luthor, o Deus de Apokolips. Mas, se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente e o novo estatuto de divindade vai transformar profundamente os maiores heróis da DC, fazendo-os perder a sua dimensão humana. Para os fazer reencontrar a humanidade perdida e combater os planos de Graal, a filha de Darkseid que, depois de matar o pai, tomou posse da sua mais poderosa arma, a equação antivida, os restantes membros da Liga, a que se juntou Barda, a mulher de Scott Free, o Sr. Milagre, vão precisar de aliados. Mesmo que sejam aliados improváveis como os membros do Sindicato do Crime, Ultra-Homem, Supermulher e Coruja, Reflexos distorcidos dos maiores heróis do mundo, vindos de um mundo paralelo destruído pelo Antimonitor, os membros do Sindicato do Crime combateram a Liga da Justiça em histórias como Terra Dois, de Grant Morrison e Frank Quitely, o clássico que inaugurou a primeira colecção que o Público e a Levoir dedicaram à DC, em 2013.
Uma das características das histórias de super-heróis passa pelo eterno recomeço das histórias e dos confrontos, em que nada é definitivo, muito menos a morte, fazendo jus à velha máxima do Príncipe de Falconeri no livro O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (que muitos conhecem graças ao fabuloso filme de Visconti), que diz que “é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma”.  Mas, no caso desta história, as mudanças, mesmo que temporárias vão afectar profundamente o Universo DC, pondo fim à era dos Novos 52, que tem estado em destaque nestas colecções, para dar lugar à mais recente versão do Universo DC, a DC Rebirth.
Mas ao abrir as portas do futuro do universo DC, de que é um dos principais arquitectos, Geoff Johns não esquece o seu passado e os grandes autores que contribuíram para ele, como Grant Morrison e, sobretudo, o “Rei”Jack Kirby. O universo que o King criou na Saga do Quarto Mundo (de que pudemos ter um vislumbre numa anterior colecção), com o eterno conflito entre Nova Génese e Apokolips, onde nasceram personagem incontornáveis como Orion, Metron, o Sr. Milagre e Barda, Steppenwolf, Desaad, Kalibak e a encarnação suprema do mal que é Darkseid, estão na génese desta Guerra de Darkseid e de todo o (inesquecível) percurso de Johns como escritor da Liga da Justiça.
 Publicado originalmente no jornal Público de 02/12/2017

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Liga da Justiça 4 - A Guerra de Darkseid 1

O REGRESSO (E A MORTE) DE DARKSEID

Liga da Justiça: A Guerra de Darkseid
Argumento – Geoff Johns
Desenhos – Jason Fabok e Francis Manapul
Quinta, 30 de Novembro, Por + 10,90 €
Com a publicação de A Guerra de Darkseid, saga que vai ocupar os dois últimos volumes desta colecção dedicada à Liga da Justiça, fica bem evidente a magnitude do trabalho levado a cabo por Geoff Johns com a Liga, que os leitores portugueses puderam acompanhar nas últimas colecções dedicadas ao Universo DC. Um trabalho que, partindo de um profundo conhecimento da história da DC, procura ir mais além, de modo a surpreender o leitor. Como refere Johns. “As coisas que mais gozo me dão fazer, são aquelas que mal posso acreditar como é que ainda ninguém se lembrou de as fazer antes. Como é que ninguém se lembrou de meter o Lex Luthor na Liga da Justiça? Ou, como que ninguém se lembrou de colocar o Darkseid a combater o Anti-Monitor?”
A Guerra de Darkseid é o culminar do percurso de Johns como escritor da Liga, com todos as peças a convergirem para o local onde o escritor as queria. Nas palavras do próprio: “Quando comecei a escrever o Liga da Justiça nº 1, sabia que, pelo menos por um ano, queria que a equipa fosse apenas os sete maiores heróis da DC, mas, em última instância, quem é que eu poderia trazer para essa equipa que fosse capaz de a agitar no final do ano dois? Qual é o maior personagem do Universo DC que toda a gente conhece, alguém que até a minha mãe sabe quem é, mas que seria incrivelmente interessante para a dinâmica da equipa? E esse alguém é o Lex Luthor.
Então tentei perceber o que é que seria necessário para fazer evoluir uma personagem como esse, de modo a transformá-lo num potencial membro da Liga, tanto na sua mente como na de todos os outros, e foi assim que a história Mal Eterno surgiu. Eu sempre soube que queria apresentar o Anti-Monitor de uma maneira nova para que, quando Darkseid voltasse, não fosse apenas Darkseid Segundo Round. Foram esses dois gigantes, grandes vilões loucos, que foram as pedras angulares da minha passagem pela Liga. Darkseid foi uma grande força no começo, e em Mal Eterno, o Anti-Monitor era uma grande força que estava algo escondida. Agora, trouxemos esses dois para a primeira fila em A Guerra de Darkseid.”
Mas neste primeiro volume, que assinala o regresso de Scott Free, o Sr. Milagre, ao Universo DC, o confronto entre o Anti-Monitor e Darkseid não é o único grande conflito deste primeiro volume, em que ficamos a conhecer Graal, a filha de Darkseid e de uma amazona, que vai ser responsável pela morte do seu pai.
Graficamente, Jason Fabok revela-se perfeitamente à altura da dimensão épica da história, superando com distinção o teste de desenhar os maiores heróis da DC. Como o próprio refere: “Eu sempre fiz livros de personagens únicos, mas sempre fui atraído por livros que eram grandes, enormes livros de equipa, onde tenho oportunidade de desenhar cenas delirantes. Eu não estaria preparado para fazer isso há alguns anos atrás, mas com a experiência acumulada e com o que fui aprendendo nesta indústria, sinto-me pronto para o próximo desafio. Estou pronto para fazer a melhor arte de que sou capaz e, espero, a melhor arte que já viram na Liga da Justiça. Esse é o meu objetivo, e Geoff está a dar-me coisas para desenhar que são um verdadeiro sonho, como  o Sr. Milagre. Era uma personagem que sempre quis desenhar!”
Com Darkseid morto e alguns heróis como Batman e o Flash a deixarem-se corromper pelo poder absoluto, o Universo DC como o conhecemos está em profunda transformação, mas será preciso esperar pela 2ª parte, para ver o resultado dessa transformação.
Publicado originalmente no jornal Público de 25/11/2017

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Liga da Justiça 2 - O Vírus Amazo

INFECÇÃO MORTAL

Liga da Justiça: O Vírus Amazo
Argumento -  Geoff Johns
Desenhos – Jason Fabok
Quinta, 16 de Novembro, Por + 10,90 €
A colecção dedicada à Liga da Justiça prossegue com o regresso da fase de Geoff Johns que serve de inspiração à estreia cinematográfica da Liga da Justiça, num filme dirigido por Zack Snyder, com a colaboração de Joss Whedon, que chega às salas de cinema portuguesas no mesmo preciso dia em que este livro chega aos quiosques nacionais.
Director Criativo- Chefe da DC desde 2010, escritor para televisão e proprietário de uma loja de comics, Geoff Johns começou a sua carreira como assistente de Richard Donner, o realizador do primeiro filme do Super-Homem, com Christopher Reeves. Este escritor nascido em Detroit em 1973 é um dos mais populares argumentistas da actualidade, muito por via do seu trabalho para a DC, cujas últimas grandes sagas escreveu e desde 2016, co-responsável da DC Extended Universe e administrador da DC Films, responsável pela coordenação das adaptações dos heróis da DC ao cinema.
O trabalho de Johns na Linha Novos 52, e em especial na série da Liga da Justiça, tem estado em destaque nas anteriores colecções que o Público e a Levoir têm dedicado à editora de Batman e Super-Homem. Assim, depois da colecção Super-Heróis DC, ter aberto com o volume Origem, em que o escritor reinventa a origem da Liga da Justiça para o século XXI, ao lado do desenhador Jim Lee, e da colecção No Coração das Trevas DC ter encerrado com os dois volumes da saga Mal Eterno, em que Johns colabora com David Finch, a publicação da etapa incontornável de Geoff Johns prossegue com este Vírus Amazo, bem revelador da capacidade de Geoff Johns de conciliar tradição e modernidade.
Com efeito, na base desta história, está um inimigo clássico da Liga da Justiça, Amazo, um andróide criado pelo Professor Anthony Ivo, capaz de replicar os poderes dos diferentes membros da Liga da Justiça, que apareceu pela primeira vez em Junho de 1960, no nº 30 da revista The Brave and the Bold, numa história assinada por Gardner Fox e Murphy Anderson, tornando-se uma presença recorrente, como um dos mais poderosos adversários da Liga.
São precisamente as experiências do Professor Anthony Ivo, que vão servir de fonte de inspiração para um vírus sintético criado por Lex Luthor, com o objectivo de suprimir os poderes dos criminosos meta-humanos. Embora o vírus nunca tenha sido produzido em série, pois a Casa Branca achou a ideia demasiado arriscada e controversa, Luthor chegou a usá-lo para infectar o Super-Homem, para acabar por descobrir que o vírus não tinha qualquer efeito no organismo kryptoniano. E assim, o vírus Amazo foi arquivado, no meio de outros inventos sem grande utilidade, nos laboratórios da LexCorp, onde permaneceu até ser acidentalmente libertado por Neutrão, um assassino superpoderoso, contratado para matar Luthor. Ao entrar em contacto com o corpo humano, o vírus sofreu uma mutação, passando a ser transmitido por via aérea, como o vírus da gripe e dando super-poderes aos infectados, que morrem inevitavelmente ao fim de 24 horas.
Com a Liga da Justiça toda infectada, com excepção do Super-Homem e da Mulher-Maravilha, que não são humanos, os heróis sobreviventes vão ter de se aliar a Lex Luthor para descobrir o paciente zero e assim encontrar uma cura para a epidemia.
Johns, que sabe escolher como ninguém os desenhadores com quem trabalha, conta desta vez com Jason Fabok, um jovem desenhador canadiano, que começou como assistente de David Finch, mas que aqui revela estar perfeitamente à altura do seu mestre, contribuindo com o seu traço dinâmico para fazer de O Vírus Amazo, uma história verdadeiramente espectacular.
Publicado originalmente no jornal Público de 11/11/2017