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sexta-feira, 21 de junho de 2019

À Descoberta de Richard Corben

À DESCOBERTA DE RICHARD CORBEN

Vencedor do Grande Prémio de Angoulême, o mais importante Festival europeu de Banda Desenhada, em 2018, o americano Richard Vance Corben é um nome relativamente pouco conhecido em Portugal, lacuna que este artigo pretende ajudar a corrigir.
Nascido em Anderson, Missouri, em 1940, Corben fez a sua formação em Belas Artes no Kansas City Art Institute, onde se formou em 1965. Aí entrou em contacto com a cultura underground, e apesar de fazer BD desde a infância, foi na animação que começou a sua actividade profissional, depois de uma curta-metragem que realizou, ter chamado a atenção da agência de publicidade Calvin, que o contratou em 1965. Durante os nove anos que trabalhou na Calvin, assegurando diferentes aspectos da parte gráfica, desde ilustração de cartazes, storyboards e animações, Corben aproveitou o material da empresa para criar, durante os seus tempos livres, um filme chamado Neverwhere, misturando imagem real e animação, onde surge pela primeira vez Den, a sua personagem-fetiche, que irá recuperar para a BD. Este filme, que em 1968 lhe valeu um prémio da Japan Cultural Society, acabou por ser o seu último, pois nesta altura decidiu trocar a animação pela BD, fascinado com a liberdade permitida pelos Comics Underground, onde brilhavam nomes como Robert Crumb. Para além de publicar em diversos fanzines de outros editores, Corben decide auto-editar as suas próprias histórias na revista Fantagor, título que dará o nome à sua própria editora. Apesar da edição do Comic Underground ter entrado em crise em 1975, Corben foi ainda assim o desenhador Underground mais publicado, com cerca de 400 páginas produzidas entre 1970 e 1975, algumas delas assinadas com os pseudónimos Corbou e Gore, com destaque para títulos como Rowlf, ou The Beast of Wolfton, em que o seu fascínio por lobisomens e animais antropomorfizados, para além dos homens musculados e das mulheres com grandes mamas, é bem evidente.
É nessa altura que Corben publica aquela que foi uma das primeiras Novelas Gráficas de sempre. Bloodstar, uma adaptação de um romance de Robert E. Howard, o criador de Conan, publicada em 1976 pela editora Morning Star Press. Misturando de forma judiciosa o texto de Howard com as suas espectaculares imagens, Corben cria uma excelente adaptação, marcada pela tridimensionalidade e sensualidade das personagens e pela representação crua da violência. Infelizmente, por divergências com o editor, que lhe ficou com os originais, o que impede qualquer reedição, este é um trabalho quase desconhecido da maioria dos leitores, que foi editado pela última vez na Europa em meados dos anos 80.
Felizmente, o mesmo não sucedeu com os seus trabalhos para a editora Warren, editora especializada em revistas de terror, que prosseguiu a herança da EC comics, a mítica editora que formou leitores como Bernie Wrightson e o próprio Richard Corben. Entre 1970 e 1979, num espaço de pouco mais de oito anos, Corben ilustrou quarenta histórias para as revistas Eerie, Creepy, e Vampirella, da Warren Publishing, para além de mais de uma dezena de capas. Histórias de terror, escritas por escritores como Bruce Jones e Jan Strnad, com quem Corben colaborou desde os seus tempos dos comics underground, mas que incluem também adaptações de H. P. Lovecraft e sobretudo, de Edgar Alan Poe, autores a que, como veremos, Corben regressará por diversas vezes ao longo da sua carreira.
Para além da oportunidade de publicar ao lado de grandes desenhadores como Frank Frazetta, All Williamson, ou Bernie Wrightson, as revistas da Warren permitiram a Corben introduzir a cor no seu trabalho. Impressas num papel quase de jornal, estas publicações não possibilitavam uma boa reprodução da cor, mas Corben resolveu o problema criando o seu próprio sistema de coloração, em que fazia manualmente a separação das cores em quatro chapas, cuja sobreposição dava origem à cor final. Um sistema demorado e trabalhoso, mas com resultados tão espectaculares como surpreendentes, que conquistou imediatamente os leitores, mas sobretudo os outros desenhadores.
Entre esses desenhadores, estava o francês Jean Giraud, mais conhecido por Moebius, que não foi parco nos elogios, escrevendo: “lembro-me, eu e os meus companheiros da geração do Maio de 68, do choque que todos tivemos quando a primeira prancha de Richard Corben nos apareceu literalmente diante dos olhos… Richard “Mozart” Corben, pisou no meio de nós como um obelisco extraterrestre… ele reina desde há muito tempo sobre o campo movimentado e colorido da BD planetária como a estátua do conquistador, monólito estranho, visitante sublime, enigma solitário… Além disso, adoro as heroínas de BD dotadas de grandes mamas.”
Daí que, quando em 1975, Moebius, juntamente com Druillet, Jean-Pierre Dionet e Bernard Farkas criam a editora Humanoides Associés e a revista Metal Hurlant, Corben é o único autor estrangeiro a estar presente na revista desde o nº 1, primeiro com histórias do seu período Underground e, a partir do nº3, com Den, história que se tornará um dos marcos da Metal Hurlant, estando naturalmente presente no filme de animação Heavy Metal, que adapta algumas das histórias mais emblemáticas da revista, com Corben a colaborar com o animador Jack Stokes nessa sequência do filme.
Contando a história de um rapaz que vai parar a um mundo desconhecido, Neverwhere, onde se vê no corpo - que não era o dele - de um guerreiro musculado e careca, que deambula nu por um mundo desértico, povoado por estranhas e agressivas criaturas e mulheres voluptuosas, Den é o símbolo perfeito da obra de Corben, com um estilo único e um tratamento de cor que dão um tridimensionalidade às personagens, que parecem esculpidas, o que não anda longe da verdade, pois o desenhador realiza esculturas em plasticina das principais personagens, para as poder representar melhor de qualquer ângulo e com qualquer luz. Mas melhor do que eu, o crítico espanhol Manuel Garcia Quintana, define assim o estilo de Corben: ”as figuras de Corben parecem desproporcionadas, grotescas e até infantis. Mas examinando-as de forma atenta, vemos que não é assim, que há uma assombrosa proporção entre todos os elementos manejados por Corben, que a desenvoltura de que faz gala converte num dos desenhadores mais prestigiados de sempre. Para além de tudo isto, Corben tem uma imaginação transbordante para construir ambientes e situações.”
Para além das obras publicadas em França na Metal Hurlant, nos EUA pela Heavy Metal,  em Espanha pela editora Toutain, e que o próprio Corben editou em livro nos E.U.A. na sua editora Fantagor, o estilo inconfundível de Corben começa a surgir em outros sítios, como na capa do disco Bat out of Hell, de Meat Loaf, ou no cartaz do filme Phantom of the Paradise, de Brian de Palma. E nesse tipo de imagem, tal como nas capas dos seus livros e nas ilustrações que fazia para revistas, é possível ver uma mistura de técnicas que vão desde a utilização da pintura a acrílico e a óleo e aerógrafo para os fundos, com resultados espectaculares.
Depois de um período de grande sucesso, evidente em livros como as continuações de Den, a versão das Mil e Uma Noites, com argumento de Jan Strnad, Jeremy Brood, e Mutant World, que dura toda a década de 80, as coisas começam a mudar nos anos 90 e em 1994 Corben é obrigado a fechar a sua editora Fantagor e vê-se numa situação financeira complicada, de que irá sair graças à venda das suas pranchas originais e através da colaboração com as grandes editoras como a DC e a Marvel. Tudo começa em 1996 com a série Batman Black & White, editada por Mark Chiarello, que contrata Corben e Strnad para escreverem uma história do Batman, que provavelmente quando este número da Bang! tiver chegado às lojas FNAC já terá saído em português pela Levoir na Colecção dedicada aos 80 anos do Batman.
Segue-se uma colaboração com Brian Azzarello na série Hellblazer, também já publicada em Portugal pela Levoir, continuada quando o editor Axel Alonso – que tinha juntado Corben e Azzarello em Hellblazer - troca a Vertigo pela Marvel,  volta a juntar a dupla nas mini-séries Banner e Cage, ambas já publicadas em Portugal. Também para a Marvel, Corben ilustra Punisher: The End, com argumento de Garth Ennis, mas os seus grandes projectos para a “Casa das Ideias” foram os dois volumes da série Haunt of Horror, onde volta aos seus escritores de referência, Lovecraft e Poe.
No caso de Poe, Corben cria novas versões de contos que já tinha ilustrado anteriormente, como é o caso de The Raven, optando desta vez por uma adaptação menos literal. Como o próprio refere: “gostei de adaptar os contos de Poe para as revistas da Warren, mas tenho um lado demasiado esquizofrénico. Parte de mim quer fazer uma adaptação tão fiel quanto possível ao texto original. Outra parte de mim quer descolar do texto, partindo da ideia inicial para criar uma coisa mais pessoal.”
Outra vertente do trabalho mais recente de Corben, é a sua colaboração com Mike Mignola na série Hellboy, em que ilustra mais de uma dezena de histórias do herói criado por Mignola, a partir de argumentos deste. E, como podemos ver por um original do Hellboy de Corben, aqui reproduzido, os dois mundos fundem-se de forma harmoniosa. O jogo de sombras e a própria figura do Hellboy estão próximos do desenho de Mignola, enquanto que os cenários, os monstros e a vegetação, são puro Corben.
Para além de Hellboy, Corben tem publicado recentemente outros títulos na Dark Horse, como a mini-série Rat God, Spirits of the Dead, outra revisitação da obra de Poe, que inclui uma terceira versão de The Raven, com cores digitais do próximo Corben e da sua filha Beth Corben Reed, e Ragemoor, mantendo-se bastante activo apesar de estar cada vez mais perto dos 80 anos.
Indivíduo bastante reservado, que raramente dá entrevistas, nem se desloca a Festivais de BD, Richard Corben não tem tido a projecção que a sua obra justifica. Algo que esperemos que venha a mudar, graças ao Grande Prémio de Angoulême,  atribuído por votação dos autores com livros publicados em França e à magnífica exposição que lhe foi dedicada, de que cujo catálogo saíram a maioria das ilustrações que acompanham este artigo.
Publicado originalmente na revista Bang! nº 26, em Maio de 2019

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Batman 80 Anos 7 - Batman Black & White: Os melhores Contos Noir

Desde que comecei a trabalhar na Devir, em inícios da década de 2000, que me tenho batido pela edição desta série em Portugal, o que esteve quase a acontecer em 2003, no nº 6 da revista Comix, de que era director editorial... se esse número tivesse chegado a sair... Quase vinte anos depois, ele aqui está e eu deixo-vos com o texto que escrevi para o Público a apresentá-lo.

UM HERÓI A PRETO E BRANCO

80 Anos de Batman Vol 7
Batman Black & White – Os Melhores Contos Noir
Argumento – Vários Autores
Desenhos – Vários Autores
Quinta, 4 de Abril
Por + 11,90 €
A colecção dedicada aos 80 anos do Cavaleiro das Trevas prossegue com a publicação, na próxima quinta-feira, dia 4 de Abril, de um volume mítico, Batman Black & White, título perfeitamente elucidativo do conteúdo desta premiada antologia que convidou os melhores desenhadores do mundo dos comics (e não só) a explorarem as imensas possibilidades estéticas e narrativas do preto e branco em histórias de oito páginas.
A ideia, tão brilhante quanto arriscada, pois à época era ponto assente no mundo da edição de comics que o preto e branco não vendia, apesar de honrosas excepções como o Sin City, de Frank Miller, partiu do editor Mark Chiarello que, para além de ter sido editor e director de Arte da DC até há bem pouco tempo, é também colorista e desenhador de BD, tendo assinado títulos como Batman/Houdini: The Devil’s Workshop, uma história da linha Elseworlds escrita por Howard Chaykin. Chiarello, que trabalhou durante 26 anos na DC, antes de ser afastado já em 2019, lembrou-se de criar uma antologia de histórias do Batman a preto e branco, inspirada em revistas como a Creepy e a Eerie. Estas revistas da editora Warren, que recuperaram a herança da E.C Comics, de Bill Gaines, publicaram durante a década de 70 alguns dos melhores trabalhos de sempre de autores como Frank Frazetta, Bernie Wrightson, Ricard Corben e Steve Ditko. Histórias incontornáveis, na sua maioria escritas e editadas pelo mítico Archie Goodwin, de quem Chiarello tinha sido assistente na Marvel, antes de vir trabalhar para a DC, e que assina igualmente alguma das histórias de Batman Black & White.
Para estar à altura dos títulos da editora de James Warren e conquistar os leitores, a antologia editada por Chiarello tinha uma estratégia simples: chamar os maiores nomes da BD de todas as latitudes, muitos dos quais nunca tido qualquer contacto com o Batman, ou com qualquer outro super-herói, para criarem a sua própria versão do Batman.
O resultado foi uma mini-série de 4 números, publicados entre Junho e Setembro de 1996, recolhendo vinte contos noir de oito páginas cada, que inclui no argumento veteranos como Dennis O’Neil, Archie Goodwin, Jan Strnad, Chuck Dixon e Neil Gaiman, para além de grandes nomes da BD mundial que escrevem as próprias histórias, histórias essas que lhes dão a possibilidade de explorar, cada um à sua maneira, os diversos registos possibilitados pelo preto e branco. Em termos gráficos, o elenco é absolutamente de luxo, incluindo desenhadores habituados ao mundo dos comics de super-heróis, como Joe Kubert, Bruce Timm, Howard Chaykin, Walt Simonson, Simon Bisley, Klaus Janson, Matt Wagner, Bill Sienkiewicz, Kevin Nowlan, e Brian Stelfreeze. Artistas com um percurso mais autoral, como Ted McKeever, Kent Williams, Jorge Zaffino, Ted Kristiansen, Gary Gianni e Richard Corben, o mestre da BD underground e figura de proa da revista Metal Hurlant, que teve aqui a oportunidade de relançar a sua carreira, trabalhando com personagens que não criou, mas a que deu o seu toque pessoal, como o Batman.
Mas a grande surpresa desta antologia é a presença de autores de outras latitudes, como o japonês Katshuiro Otomo, o mestre da BD e animação japonesa, criador do mítico Akira, o italiano Tanino Liberatore, desenhador de RanXerox e o argentino José Muñoz, criador, com o seu compatriota Carlos Sampayo do detective Alack Sinner e da biografia em BD da cantora Billie Holiday, também já publicada em Portugal numa parceria Público/Levoir. Mas vejamos o que o prório Muñoz disse sobre essa história, numa entrevista que lhe fiz em 2001: “fui contactado por um editor da DC, Marc Chiarello, um tipo muito simpático, que me convidou a escrever e desenhar uma história curta com o Batman. Como não tinha vontade de escrever a história, disse-lhe que falassem com Archie Goodwin, que é um escritor cujo trabalho admiro, para ser ele a escrever a história. Goodwin aceitou e fez-me uma história verdadeiramente por medida! Nunca falei com ele, mas vê-se que estudou o meu trabalho. É uma história de jazz, em que Batman aparece apenas um segundo, na última vinheta.”
Além dessas vinte histórias curtas, a edição inclui ainda ilustrações de estrelas como Moebius – que escreveu e desenhou uma divertidíssima história, em que fazia uma análise psicanalítica do Batman, que a DC não se atreveu a publicar, tendo acabado por só sair anos depois na revista Penthouse Comix - Frank Miller, Neal Adams, P. Craig Russel, Jim Lee, Alex Toth e Barry Windsor-Smith.
A arriscada aposta de Chiarello acabou por se revelar um sucesso tremendo, ganhando dois prémios Eisner e um prémio Harvey e dando origem a mais três antologias com o mesmo título, publicadas em 2001, 2004 e 2013 e diversas vezes reeditadas. Finalmente, em 2019, os leitores portugueses vão poder descobrir este marco incontornável nas oito décadas de história do Cavaleiro das Trevas.
Publicado originalmente no jornal Publico de 30/03/2019

sábado, 18 de agosto de 2018

Colecção 25 Anos Vertigo 1 - Hellblazer: Na Prisão

JOHN CONSTANTINE ABRE COLECÇÃO 
DEDICADA AOS 25 ANOS DA VERTIGO

25 Anos Vertigo - Vol 1
Hellblazer: Na Prisão 
Argumento – Brian Azzarello
Desenhos – Richard Corben
Sábado, 18 de Agosto
Por + 13,90 €
É já no próximo sábado que se inicia a colecção dedicada aos 25 anos da Vertigo, a linha mais adulta e literária da DC Comics, a editora de Batman e Super-Homem, que acolheu títulos tão diversos como Daytripper e V de Vingança, ou as séries Sandman e Y, O Último Homem. E, para abrir a colecção, a escolha óbvia é a série Hellblazer, o título de maior longevidade da Vertigo, com 300 números de publicados mensalmente entre Janeiro de 1988 e Fevereiro de 2013, protagonizado pelo mágico John Constantine.
Constantine surgiu pela primeira vez no número 37 da revista Swamp Thing, pelas mãos de Alan Moore. Moore tinha pegado nesta antiga série da DC e tinha-a relançado com um sucesso que ninguém esperava numa época totalmente dominada pelo comic de super-heróis. Mas Moore só criou Constantine devido à insistência dos desenhadores com que trabalhava em Swamp Thing, John Totleben e Steve Bissete - ambos eram fãs dos Police e apetecia-lhes desenhar uma personagem igual ao Sting.
Moore descreve da seguinte maneira o processo que levou ao surgimento de Constantine: “Tinha um bocado aquela ideia de que em geral os mágicos e místicos eram retratados como tipos de meia-idade ou velhos, muito “classe média”, que falavam bem, austeros, muito correctos e nada funcionais na rua e no dia-a-dia. Pareceu-me interessante dar cabo dos estereótipos todos e criar um mago que fosse mais espertalhão, classe operária, que falasse em calão, sempre a fumar, com um passado totalmente diferente do normal.” A personagem cedo ganhou uma vida própria, devido ao seu carisma muito particular. Quem começou com tudo foi finalmente Neil Gaiman, quando comentou com Moore que Constantine parecia uma personagem boa de mais para que ele a matasse nas páginas de Swamp Thing. Karen Berger, que era na altura a editora da série e viria a assumir a direcção editorial da Vertigo, foi uma das primeiras a ser conquistada pelo carisma de Constantine. Berger disse mais tarde: “Embora não tenha havido assim um momento especial em que tenhamos decidido dar-lhe o seu título regular, desde o início que se tinha tornado claro que ele era uma personagem capaz de ser a estrela de um comic.”

Esse comic foi Hellblazer, que se tornou ponto de passagem obrigatório para os autores britânicos (tanto escritores como desenhadores) a trabalhar no mercado americano, embora no caso da história que preenche este primeiro volume, tanto o argumentista como o desenhador são americanos e o próprio John Constantine troca a sua Inglaterra natal pelo desconforto de uma prisão americana de alta segurança.
Brian Azzzarello, nome bem conhecido dos leitores, foi o primeiro americano a escrever a série, entre 2000 e 2002, levando o mago britânico numa perigosa viagem pela América profunda, que começa com ele na prisão. Uma prisão de alta segurança, habitada pelos piores ladrões e assassinos, que vão descobrir à sua própria custa que não é John Constantine que está preso com eles. Eles é que estão presos com Constantine…
A dar vida a esta história sombria e violenta, está um nome maior dos comics americanos: Richard Corben. Vencedor do Grande Prémio de Angoulême em 2018, Corben estava à época praticamente afastado da BD, na sequência da falência da sua própria editora, Fantagor, em 1996. O seu trabalho em Na Prisão deu-o a conhecer a uma nova geração de leitores, que descobriu assim o seu estilo único.
Depois de Hellblazer, nas quatro semanas seguintes haverá espaço para o regresso de Neil Gaiman ao universo Sandman, com a Morte, a estreia de Sean Murphy, com Punk Rock Jesus e duas novas séries de culto que irão dar que falar: 100 Balas, o épico policial/conspirativo de Brian Azzarello e Eduardo Risso, e Preacher, a delirante saga de Garth Ennis e Steve Dillon, sobre um pregador texano com poderes especiais, que atravessa os EUA em busca de Deus, na companhia de uma assassina a soldo e de um vampiro irlandês, e que já virou série televisiva de sucesso.
Publicado originalmente no jornal Público de 11/08/2018

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Apresentação da Colecção 25 Anos Vertigo

VERTIGO, 25 ANOS DE GRANDES HISTÓRIAS

Há efemérides que não podem deixar de ser comemoradas e esta colecção, motivada pelos vinte cinco anos de início de publicação da linha Vertigo, em 1993, reflecte isso mesmo. Embora a linha Vertigo não seja desconhecida dos leitores portugueses, pois a Levoir e o Público tem vindo a apresentar paulatinamente alguns títulos emblemáticos dessa linha, como V de Vingança, Daytripper, Luna Park, Batman uma história verdadeira ou Livros da Magia, nas várias séries da colecção Novela Gráfica desde 2015, para além da edição das séries Sandman e Y, o Último Homem (esta última ainda em curso de publicação), esta colecção vai permitir conhecer um pouco mais daquele verdadeiro viveiro de talento e criatividade que mudou a face da banda desenhada americana das últimas décadas.
As fundações daquilo que viria a ser a Vertigo foram lançadas originalmente no final dos anos 1980 por uma editora cujo nome ficou ligado aos destinos do selo editorial, Karen Berger. Berger tinha começado a trabalhar na DC em títulos ligados ao universo de super-heróis, e começou a contratar um conjunto de escritores britânicos, que se tinham formado em revistas como a Warrior ou a 2000AD, e que se viriam a transformar na célebre “invasão britânica” dos comics americanos. Autores como Alan Moore, Neil Gaiman, Jamie Delano, Peter Milligan, ou Grant Morrison, responsáveis por séries que não pertenciam ao género super-heróico. Títulos como Swamp Thing, Animal Man, Doom Patrol, ou Black Orchid, que assinalou a estreia de Neil Gaiman e Dave McKean na DC, e o lançamento de séries novas, igualmente do género fantástico e de terror, como Sandman, Os Livros da Magia ou o seminal Hellblazer.
Criado por Alan Moore nas páginas do #37 da revista Swamp Thing, satisfazendo assim a vontade do desenhador da série, Stephen Bissette, que queria desenhar o músico Sting, John Constantine acabaria por se tornar na figura tutelar do universo de magia da DC, reunido na linha Vertigo. Depois de servir de guia ao Monstro do Pântano numa memorável viagem pelo lado negro dos EUA, Constantine rapidamente ganhou uma série própria, Hellblazer que, com 300 números publicados, foi o título de mais longa duração da Vertigo e principal porta de entrada para os autores britânicos que trabalharam na Vertigo. Escritores britânicos que, como Berger declarou naquela “tinham uma sensibilidade, uma perspectiva, que eram refrescantemente diferentes da dos seus congéneres americanos, mais experimental e inteligente”.
Mesmo que Alan Moore considerasse a Vertigo como a mera exploração de uma receita de sucesso e uma tentativa de criar clones seus (o escritor declarou numa entrevista que, com a Vertigo, “A DC tinha tentado criar um viveiro de Alan Moores, mas o problema é que toda a gente sabe que os Alan Moores não crescem em viveiros…”) a verdade é que todos estes autores oriundos das ilhas britânicas contribuíram, e muito, para a renovação dos comics americanos, sobretudo porque, para além da solidez narrativa e da imaginação patentes nos seus trabalhos, incorporam nas histórias que escrevem uma série de referência (normalmente literárias) exteriores ao mundo dos comics de super-heróis, que dão uma outra consistência e profundidade a um universo que sempre se manteve fechado sobre si próprio e que, por isso, caminhava para o esgotamento.
Correspondendo à incumbência atribuída a Berger de lançar um selo que reunisse sob a sua alçada essas séries mais sofisticadas e adultas, em Janeiro de 1993 saíam os primeiros comics com o selo da Vertigo e, embora as suas primeiras histórias incluíssem ainda personagens tiradas do universo de super-heróis da DC, cedo os títulos do novo selo se tornaram completamente independentes. As séries citadas mais acima transitaram para a nova linha, e passaram a ser editadas como séries Vertigo, mas rapidamente foram seguidas por títulos originais. As primeiras duas séries Vertigo puras foram Enigma de Peter Milligan, e a mini-série Morte: O Alto Custo da Vida, de Neil Gaiman, pertencente ao universo Sandman.
Naturalmente, essa história da Morte, a irmã de Morfeu dos Eternos, juntamente com mais histórias da personagem, está incluída nesta colecção, tal como está a série Hellblazer e o primeiro volume da série Preacher, assinado por dois autores britânicos, que já tinham colaborado anteriormente em Hellblazer.


Mas, como esta colecção bem demonstra, apesar da importância de criadores de origem britânica como Neil Gaiman, ou Garth Ennis, a Vertigo soube diversificar o seu catálogo deixando de se dedicar exclusivamente ao género fantástico, abrindo espaço a outros registos, algo bem evidente nos títulos desta linha editorial que foram saindo na colecção Novela Gráfica. Uma diversidade também geográfica, pois se a maioria dos autores – tanto argumentistas como desenhadores – da série Hellblazer provinham do Reino Unido, Na Prisão, a história de John Constantine que abre esta colecção é assinada por dois americanos, tal como é americano Sean Gordon Murphy, o autor de Punk Rock Jesus. Do mesmo modo, a série 100 Balas reúne um desenhador argentino com um escritor americano. Um bom exemplo da dimensão global da banda desenhada contemporânea, para a qual o contributo da linha Vertigo foi essencial.

REGRESSOS E ESTREIAS

Esta nova colecção Público/Levoir, comemorativa dos vinte e cinco anos da linha Vertigo, o selo de culto da editora DC Comics, está marcada por regressos e estreias. Regressos de autores e personagens, e estreias de títulos e séries de culto que o leitor português vai descobrir e poderá acompanhar a partir daqui.
A abrir a colecção temos um regresso, o de John Constantine, o mais emblemático personagem da Vertigo que, depois de ter sido apresentado aos leitores dos títulos da Levoir no primeiro volume da série Sandman e na novela gráfica Livros de Magia, ambas escritas por Neil Gaiman, regressa agora como protagonista da sua própria série. Hellblazer, que foi o título de maior duração da linha Vertigo, terminou ao fim de 300 números, para dar lugar a uma nova revista, Constantine, integrada no universo DC Novos 52, como de resto aconteceu com Animal Man e Swamp Thing, outros títulos originais da DC que tinham passado para a Vertigo em 1993.
Sendo a estreia de Hellblazer na Levoir, Na Prisão não é a estreia da série em Portugal, pois a Devir, em 2005, aproveitando a estreia em Portugal do filme Constantine, editou a adaptação oficial do filme, Todo o Seu Engenho, uma novela gráfica original de Mike Carey e Leonardo Manco e Nas Ruas de Londres, uma colectânea com algumas das melhores histórias da série. Do mesmo modo, sendo Na Prisão a primeira colaboração entre Azzarello e Corben e a primeira história de Constantine escrita por um autor americano, não é, nem de longe, a estreia do escritor em Portugal, pois o trabalho de Azzarello com os principais heróis (e vilões) da DC está todo publicado pela Levoir, tal como de resto Banner e Cage, as posteriores colaborações entre Corben e Azzarello para a Marvel - para onde foram levados pelo editor Axel Alonso, quando este trocou a Vertigo pela “Casa das Ideias” - que foram editadas no nosso país respectivamente pela Devir e G Floy.
Isso não impede que o trabalho de Corben, um veterano da BD com 77 anos, que foi um pioneiro do comic underground e da novela gráfica, o primeiro americano a publicar na revista Metal Hurlant – onde Moebius o comparou a Mozart - e um mestre da BD de terror, seja através da sua colaboração na série Hellboy, de Mike Mignola, seja nas adaptações de contos de H. P. Lovecraft e Edgar Alan Poe, com uma obra tão vasta como única, que lhe valeu merecidamente o Grande Prémio de Angoulême em 2018, não esteja devidamente publicado em Portugal. Uma lacuna que esta colecção vem ajudar a suprir.
Outro regresso nesta colecção é o de Neil Gaiman ao universo da série Sandman, com um punhado de histórias protagonizadas pela Morte, a irmã de Morfeu, que aqui volta a caminhar por entre os homens. Exemplo perfeito de que o universo de Sandman não se esgota nos 11 volumes da série principal, Morte é também um bom exemplo da qualidade literária e da sensibilidade de Gaiman, aqui em perfeita sintonia artística com o desenhador Chris Bachalo.
Embora os seus autores, Brian Azzarello e Eduardo Risso, sejam bem conhecidos dos leitores nacionais e dispensem apresentações, o terceiro volume desta colecção é uma estreia, e que estreia! Primeiro volume da série de culto 100 Balas, Primeiro Disparo, Última Rodada, é uma óptima porta de entrada na realidade sombria e sedutora criada por Azarello e Risso, naquela que é considerada uma das melhores séries de sempre da Vertigo e que o escritor e cineasta Paul Dini (Batman: Uma História Verdadeira) definiu como “uma obra-prima de caracterização psicológica brilhante e desenhos fabulosos”.
A colecção prossegue com outra estreia. A do ilustrador Sean Gordon Murphy, com Punk Rock Jesus, uma mini-série em seis partes, ilustrada num preto e branco luminoso, bem complementado por um meticuloso trabalho de tramas, sobre politica, religião e televisão. Ilustrador consagrado, habituado a trabalhar com grandes escritores, como Grant Morrison, Scott Snyder e Mark Millar, Sean Murphy mostra aqui que também é um excelente argumentista.
Finalmente, a colecção encerra com o primeiro volume de outra série. Falamos de Preacher, a mais popular colaboração entre Garth Ennis e o recentemente falecido Steve Dillon, dupla que já tinha colaborado em Hellblazer e que aqui voltou a reunir forças naquela que é uma das mais populares, divertidas, delirantes e politicamente incorrectas séries do catálogo da Vertigo.
Homenagem de dois europeus ao Western e ao sonho americano, com uma violência tão exagerada que chega a ser divertida e uma sábia alternância entre momentos assustadores, delirantes e comoventes, Preacher, que o realizador Kevin Smith considera “mais divertido do que ir ao cinema”, é exemplo perfeito de uma série de culto, que não deixa nenhum leitor indiferente. Mais um entre os inúmeros exemplos da riqueza e versatilidade do catálogo da Vertigo, que o Público e a Levoir têm vindo a divulgar de forma consistente, e que não se esgota, longe disso, nos cinco volumes desta colecção.

SABIA QUE?

- Para além de ter protagonizado o título de maior duração da linha, John Constantine é sem dúvida o personagem da Vertigo com maior presença audiovisual. Além de ter protagonizado um filme com Keanu Reeves, uma série de televisão em nome próprio e uma longa-metragem de animação, Constantine teve ainda participações especiais nas séries Arrow e DC’s Legends of Tomorrow.

- Neil Gaiman escreveu o argumento para um filme baseado na história Morte: O Alto Custo da Vida, pelo “preço de um carro utilitário”, com a condição que a Warner o deixasse realizar esse mesmo filme, mas a verdade é que, após mais de 10 anos de avanço e recuos, o filme acabou por nunca ser feito.

- Para além dos onze volumes já publicados pelo Publico e pela Levoir e de diversos especiais, como o da Morte, a série Sandman, de Neil Gaiman deu origem a diversas séries da Vertigo, como Lucifer e The Dreaming e, para comemorar os trinta anos de Sandman e os 25 anos da Vertigo vai ser lançado este mês de Agosto a linha The Sandman Universe que, para além de um número especial, inclui o relançamento de quatro revistas mensais: House of Whispers, The Books of Magic, The Dreaming e Lucifer.

- Tom King, o actual escritor do Batman e um dos mais prestigiados argumentistas da actualidade, antes de se dedicar à escrita, trabalhou para os serviços secretos americanos. A sua experiência no Iraque durante a Guerra do Golfo está na origem de O Xerife da Babilónia, a sua estreia na BD, publicada pela Vertigo.

- Constantine não foi o único filme baseado num título da Vertigo. Também Um História de Violência (de David Cronenberg) e V de Vingança (produzido pelas irmãs Wachowski) adaptam obras pertencentes ao catálogo da Vertigo, o mesmo sucedendo com o filme Loosers, de 2010, baseado na série criada por Andy Diggle e Jock e Stardust: O Mistério da Estrela Cadente, de Matthew Vaughn, a partir do romance ilustrado de Neil Gaiman e Charles Vess. Um caso um pouco diferente é o de The Fountain, uma novela gráfica do director Darren Aronofsky, ilustrada por Kent Williams, que saiu antes do filme do mesmo nome e serviu para Aronofsky divulgar o seu projecto junto dos grandes estúdios de Hollywood.

- Se a série televisiva de John Constantine apenas durou uma temporada, há outras séries baseadas em títulos da Vertigo actualmente em exibição, como IZombie, Lucifer e Preacher, estando também em diferentes estados de desenvolvimento projectos para adaptações televisivas das séries Y, O Último Homem e Scalped 


- Axel Alonso, que foi editor da Marvel durante quase vinte anos e editor-chefe entre 2011 e 2017, começou o seu percurso editorial na Vertigo, onde editou a fase final da série Preacher, a fase inicial da série 100 Balas e a etapa de Brian Azzarello na série Hellblazer, só para referir os títulos presentes nesta colecção.

A COLECÇÃO

1 – Hellblazer: Na Prisão
18 de Agosto
Argumento – Brian Azzarello 
Desenhos – Richard Corben
John Constantine é uma das mais conhecidas personagens da DC, que já inspirou filmes e séries de TV, e é o protagonista de Hellblazer, a mais longa série de banda desenhada da Vertigo, Ao longo de mais de duas décadas e 300 números, Constantine tornou-se no arquétipo do mágico urbano moderno, do detective do oculto com um toque punk, que não hesita em mergulhar no terror e no caos, e que inspirou o nascimento de uma verdadeira tendência da fantasia contemporânea.
Em Na Prisão, Constantine, que tinha trocado as ruas sombrias de Londres pelos grandes espaços americanos, perdeu a liberdade e está encarcerado numa prisão de alta segurança, onde terá de aprender todo um conjunto de novas regras para poder sobreviver. Nada a que um feiticeiro moderno, habituado a fazer as suas próprias regras não esteja já habituado, mas ninguém poderia prever o final desta luta épica pelo poder numa penitenciária. Escrita por Brian Azzarello, um dos mais conhecidos escritores americanos de BD e um dos nomes maiores da Vertigo, Na Prisão conta com a arte do mestre Richard Corben, vencedor do Grande Prémio de Angoulême em 2018.

2 – Morte
25 de Agosto
Argumento – Neil Gaiman
Desenhos –Chris Bachalo, Mark Buckingham e Dave McKean
Irmã de Morfeu e dos restantes Eternos, Morte é uma jovem rapariga gótica, pálida e simpática, mas implacável, e uma das personagens mais aclamadas e originais do escritor Neil Gaiman. Criada nas páginas da série Sandman, a sua popularidade tornou-a na heroína das suas próprias histórias a solo, a maioria das quais são recolhidas neste volume.
Um dia por século, a Morte desce à Terra para conhecer melhor os mortais para quem ela será a visita final. Em duas histórias emotivas e inteligentes, descobriremos uma mulher com 250 anos que perdeu o seu coração, um adolescente deprimido, uma jovem estrela dilacerada, e o verdadeiro “milagre da morte”, o da beleza da vida. A completar este volume, temos ainda duas histórias curtas, A Roda, também ilustrada por Bachalo, em que Gaiman presta uma bela e sentida homenagem às vítimas do 11 de Setembro, e A Morte Fala sobre a Vida, uma das raras histórias do universo Sandman desenhada por Dave McKean, o autor das fabulosas capas da série, sobre a importância do uso do preservativo na prevenção do SIDA, que conta com uma participação muito especial de John Constantine.

3 – 100 Balas vol 1: Primeiro Disparo, Última Rodada
01 de Setembro
Argumento – Brian Azzarello
Desenhos – Eduardo Risso
O misterioso agente Graves propõe a cidadãos normais a oportunidade de conseguirem a vingança que tanto desejavam contra quem lhes fez mal... e oferece-lhes uma mala que contém provas da culpabilidade dos alvos, uma pistola e cem balas impossíveis de rastrear, para além da garantia de imunidade total nessa vingança! Mas qual é o preço final da vingança e qual será o verdadeiro motivo por trás da iniciativa justiceira de Graves?
O escritor Brian Azzarello e o artista Eduardo Risso, que os leitores portugueses bem conhecem do livro Batman Noir, entre outros títulos publicados pelo Público e pela Levoir, assinam com 100 Balas, um complexo thriller de mistério que explora os temas da vingança e que subtilmente se vai transformando numa vasta história de conspiração. Premiada com seis prémios Harvey e quatro prémios Eisner, 100 Balas é uma obra-prima de ambiguidade moral e violência e uma das séries de maior sucesso da Vertigo.

4 – Punk Rock Jesus
08 de Setembro
Argumento e Desenhos – Sean Gordon Murphy
Um reality show que causa o caos nos EUA, tem como protagonista um clone de Jesus Cristo, clonado a partir do ADN encontrado no Santo Sudário de Turim, Os fanáticos religiosos amam ou odeiam o programa, os políticos enfurecidos preocupam-se com a sua influência na nação e os membros da comunidade científica temem as implicações da clonagem de um ser humano, especialmente o Filho de Deus. Thomas McKael é o guarda-costas dos clones e ex-agente do IRA que é contratado para proteger o novo Jesus - um bebé que cativa o mundo, mas cresce e torna-se um adolescente raivoso. Quando a queda das audiências forçam a estação a cortar a mãe de Jesus da série, a jovem estrela foge, renúncia a sua herança religiosa e forma uma banda de punk rock.
Publicada originalmente como uma mini-série em seis partes, entre Setembro de 2012 a Janeiro de 2013, Punk Rock Jesus foi o primeiro trabalho como autor completo para uma grande editora, do desenhador americano Sean Gordon Murphy.


5 – Preacher Vol 1: A Caminho do Texas
15 de Setembro
Argumento – Garth Ennis
Desenho – Steve Dillon
Jesse Custer, o pregador em crise de fé de Annville, uma pequena cidade texana, é acidentalmente possuído por uma criatura sobrenatural chamada Génesis, fruto do amor proibido entre um anjo e um demónio. O incidente arrasa a igreja de Custer e mata toda a sua congregação, deixando apenas Custer vivo e com um poder que pode rivalizar com o próprio Deus, fazendo de Jesse Custer, ligado a Génesis, potencialmente o ser mais poderoso do universo.
Acompanhado por Tulip, a sua antiga namorada de gatilho fácil e por Cassidy, um vampiro irlandês que gosta tanto de álcool como de sangue, Custer inicia uma viagem pelo continente americano em busca de Deus, perseguidos pelo Santo dos Assassinos, o mais implacável executor entre o céu e o Inferno.
Criada pelo escritor irlandês Garth Ennis e pelo desenhador inglês Steve Dillon, Preacher foi um dos títulos de maior sucesso da Vertigo, recentemente adaptado para a televisão, numa série da AMC, a estação responsável pela série de televisão de The Walking Dead.
Publicado originalmente no jornal Público de 11/08/2018