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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Harley Quinn 3 - O Fim da Macacada

Com este post, chega ao fim a mini-colecção da Harley Quinn e também os meus posts de 2017. Um ano em que, mais uma vez, acabei por escrever menos do que contava neste Blog. Vemo-nos em 2018!

DE CONEY ISLAND A SAN DIEGO

Harley Quinn: O Fim da Macacada
Argumento – Jimmy Palmiotti e Amanda Conner
Desenhos – Chad Hardin, Marco Failla e vários
Quinta, 28 de Dezembro, Por + 10,90 €
Depois de dois volumes passados em Coney Island, Nova Iorque, os horizontes da Harley Quinn alargam-se consideravelmente neste terceiro e último volume da mini-colecção que o Público e a Levoir lhe dedicaram.
Com efeito, a aterragem da Poderosa, como se de um meteorito se tratasse, na praia de Coney Island vem introduzir a dimensão mais super-heróica do Universo DC que tem estado praticamente arredada da série, com a excepção da presença da Hera Venenosa, cuja relação ambígua com a Harley foi finalmente clarificada por Palmiotti e Conner. A presença da Poderosa permite aos autores gozar com os clichés habituais das histórias de super-heróis, desde os uniformes nada práticos e demasiado reveladores, as anatomias quase impossíveis e as identidades secretas, numa história em que a Harley se aproveita da amnésia da Poderosa para a convencer de que são uma dupla de super-heroínas. E é a combater o crime ao lado da Poderosa, que Harley vai parar a um Planeta desconhecido, governado pela Rainha Eidijamon, que não aceita muito bem o facto de Harley lhe matar o seu amante terrestre. Mas as aventuras espaciais de Harley e da Poderosa, desenhadas por Marco Failla de modo a permitir a Chad Hardin manter o ritmo de publicação mensal, não se ficam por aqui, pois a dupla tem ainda que enfrentar o Lorde Manos, um ditador cósmico que conta no seu exército com uma criatura que parece uma fatia de pizza com cogumelos… Esta delirante aventura serve para os autores parodiarem as sagas cósmicas da DC e Marvel, escritas por autores como Jack Kirby e Jim Starlin, sendo fácil ver no Lorde Manos uma homenagem ao Thanos de Jim Starlin, que surgiu como a resposta da Marvel ao Darkseid de Jack Kirby, que os leitores bem conhecem de anteriores colecções da DC.
Terminada a breve parceria com a Poderosa, o resto do livro prossegue com histórias afastadas da cronologia habitual da revista, como é o caso de Infelizes para Sempre, história pertencente ao evento Future’s End, que nos mostra o Universo dos Novos 52, cinco anos depois do seu início. Uma realidade alternativa, em que Harley vai parar a uma ilha misteriosa depois de um desastre de avião. Uma ilha onde o Joker é adorado como um Deus pelos nativos, o que possibilita aos autores concretizarem o sonho de muitos leitores, com o casamento da Harley com o Joker, que assim faz a sua espectacular estreia na série. Mas, como não podia deixar de ser, o casamento de sonho da Harley acaba por se transformar num pesadelo, quando descobre que os nativos a querem sacrificar num vulcão…
Finalmente, para encerrar em beleza esta colecção, Harley volta a derrubar a “quarta parede” de forma espectacular, numa história onde decide ir à Comic Con de San Diego para falar com um editor que publique o seu comic (desenhado na realidade por Amanda Conner) e encontrar os seus editores e criadores. Um final tão divertido quanto épico, que para além da participação especial de autores como Jim Lee, Paul Dini e Bruce Timm como personagens, conta com a arte de inúmeros artistas convidados, como Paul Pope, Javier Garrón, Damion Scott, Amanda Conner, John Timms, Marco Failla e Dave Johnson.

Publicado originalmente no jornal Público de 23/12/2017

quinta-feira, 27 de abril de 2017

No Coração das Trevas DC 8 - O Asilo do Joker

OS MAIORES INIMIGOS DO BATMAN ESTÃO NO ASILO DO JOKER

No Coração das Trevas DC Vol 8
Joker: O Asilo do Joker
Argumento – Arvid Nelson, Jason Aaron, JT Krul e James Patrick
Desenho – Alex Sanchez, Jason Pearson, Guillem March e Joe Quinones
Quinta, 27 de Abril
Por + 9,90 €
Um dos locais mais emblemáticos do Universo DC, o Asilo Arkham está em destaque no 8º volume da colecção No Coração das Trevas, em que o seu mais famoso paciente, o Joker dá a descobrir aos leitores um pouco do passado e das motivações dos principais vilões de Gotham City. Vilões como o Pinguim, Hera Venenosa, Duas Caras, Harley Quinn e, claro… o próprio Joker.
O Asilo do Joker é um volume antológico que recupera a melhor tradição das revistas de terror da editora EC, como a Tales from the Crypt ou a The Vault of Horror, em que as histórias eram apresentadas por um anfitrião de aspecto tenebroso (o Crypt Keeper na Tales from the Crypt, e o Vault Keeper no caso da revista The Vault of Horror), com o Joker a assumir com entusiasmo esse mesmo papel.
Para além de apresentar cada história deste volume, o Joker começa por ser apresentador de um peculiar concurso televisivo, que mostra como as televisões estão dispostas a tudo na guerra das audiências. Uma história cruelmente realista, escrita por Arvid Nelson para o traço perturbador de Alex Sanchez. A seguir, em O Último a Rir, Jason Aaron (o argumentista de Scalped e Southern Bastards, numa rara colaboração com a DC) analisa os problemas sentimentais do Pinguim, numa história a que o traço caricatural de Jason Pearson assenta como uma luva. Segue-se a origem da Hera Venenosa, numa história escrita por JT Krull, a que o traço sensual do espanhol Guillem March dá vida, enquanto David Hine e Andy Clarke jogam com a dualidade do Duas Caras num conto moral com final em aberto. Para terminar, nada melhor do que festejar o Dia dos Namorados com a Harley Quinn, numa história de James Patrick, magnificamente ilustrada por Joe Quinones.
Publicado originalmente no jornal Público de 21/04/2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

No Coração das Trevas DC 6 - Joker e Harley Quinn: Amor Louco


HARLEY QUINN, DA ANIMAÇÃO PARA A BD

No Coração das Trevas DC Vol 6
Joker & Harley Quinn: Amor Louco
Argumento –  Paul Dini e Bruce Timm
Desenho – Bruce Timm, Glen Murakami e Ronnie Del Carmen
Quinta, 13 de Abril
Por + 9,90 €
Depois de dividir o protagonismo com os restantes membros do Esquadrão Suicida no volume que chegou às bancas na semana anterior, chegou a vez de Harley Quinn roubar o protagonismo ao Joker e ocupar o palco em Amor Louco, a premiada história de Paul Dini e Bruce Timm, que assinalou a sua estreia na BD.
Criada por Dini e Timm em 1992, na série de desenhos animados Batman Adventures, no que estava inicialmente previsto como uma aparição esporádica, Harley Quinn revelou-se extremamente popular desde o início, transformando-se numa presença regular da série. Como refere Bruce Timm: “Quando o Paul (Dini) me falou em criar uma namorada para o Joker, eu achei que era boa ideia, por isso metemo-la no episódio Joker’s Favor. Mas foi só quando a vimos, já animada, no ecrã, que toda a gente se apaixonou instantaneamente por ela. Era uma combinação da personalidade, da voz – a voz da actriz Arleen Sorkin – e do visual. É uma personagem fantástica. Apercebemo-nos logo que tínhamos acertado em cheio. Por mais que eu não quisesse usá-la muito, pois o seu lado mais divertido interferia com o nosso objectivo de tornar o Joker mais sinistro, a verdade é que todos adorávamos a personagem e por isso o Paul enfiou-a em todos os episódios do Joker.”
A passagem da animação para a BD dá-se em 1994 neste Batman: Amor, Louco, história que abre o sexto volume desta colecção, que estará à venda em todo o país a partir do próximo dia 13 de Abril. Tudo começou com um convite de Denny O’Neil, um dos melhores escritores do Batman de sempre e então editor das revistas do Cavaleiro das Trevas, feito durante um almoço no San Diego Comic Con, para que Timm e Dini apresentassem uma proposta à DC para uma BD. Foi então que Paul Dini se lembrou de explorar a origem da Harley Quinn, que nunca tinha sido abordada na série de animação, revelando que Harley era inicialmente a Dra. Harleen Quinzel, uma Psiquiatra do Asilo Arkham, que acaba por se apaixonar pelo Joker, sendo arrastada por ele para o mundo da loucura, acabando por se transformar em Harley Quinn, a Arlequina, a sua namorada e cúmplice.
O resultado é esta história que Frank Miller considera das melhores histórias do Batman que já leu e que ganhou os Prémios Harvey e Eisner para a Melhor História Completa.
Para além de Amor Louco, este volume contempla mais duas histórias. Demónios, uma belíssima homenagem a Jack Kirby que, por questões de tempo, foi realizada usando o velho método Marvel, com Timm e Murakami a desenharem a história a partir de uma sinopse bastante curta e vaga e Dini a escrever posteriormente os textos e diálogos nas páginas já desenhadas. A outra história é A Harley e a Hera, publicada no premiado Batman Adventures Annual # 1, em que o realizador filipino Ronnie Del Carmen, que era um dos responsáveis pelos storyboards da série de animação, mostra toda a elegância do seu traço, numa divertida história em que a Harley e a Hera Venenosa vão fazer compras de Natal com… Bruce Wayne.
Publicado originalmente no jornal Público de 07/04/2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

No Coração das Trevas DC 1 - Joker: O Príncipe Palhaço do Crime


O JOKER ABRE DESCIDA AO CORAÇÃO DAS TREVAS DA DC

No Coração das Trevas DC Vol 1
Joker: O Príncipe Palhaço do Crime
Argumento – Bill Finger, Denny O’Neil, Ed Brubaker e Andy Kubert
Desenhos – Bob Kane, Neal Adams, Dough Mahnke e Andy Clark
Quinta, 09 de Março, Por + 9,90 €
Depois de duas colecções dedicadas aos principais heróis da editora de Batman e Super-Homem, o Universo DC regressa a Portugal já na próxima quinta-feira com uma colecção de 10 volumes dedicados ao lado sombrio desse universo, com os vilões a ganharem o protagonismo que raramente lhes está reservado. Vilões como Sinestro, o Lanterna Verde renegado que se revolta contra aqueles que jurou servir, numa saga épica que é um momento fulcral da memorável ligação de Geoff Johns às séries protagonizadas pelo Gladiador Esmeralda; o Esquadrão Suicida, que regressa com uma formação mais próxima daquela que conhecemos no cinema; Apocalipse, a única criatura capaz de matar o Super-Homem e que volta a defrontá-lo para tentar repetir o feito; culminando com a tão épica como inesperada união de todos os vilões em torno de Lex Luthor, para impedir a destruição da nossa Terra pelos heróis de outra dimensão, em Mal Eterno, a história em duas partes, magnificamente ilustrada por David Finch, que fecha esta colecção.
Mas no centro desta colecção estão os vilões de Gotham. Vilãs como a Harley Quinn, a Hera Venenosa, ou a Catwoman e vilões como o Pinguim e Duas-Caras, para além naturalmente do Joker, que está presente em três dos volumes desta colecção, que começa precisamente com uma antologia dedicada ao Jogral do Genocídio, que acompanha a sua carreira de décadas, reflectindo as alterações que acompanharam a própria evolução do género.
No início, o Joker não passava de um assassino, que os próprios criminosos de Gotham temiam e queriam eliminar. Foi sob essa forma que surgiu em 1940, nas páginas do nº 1 da revista Batman como arqui-inimigo do Cavaleiro das Trevas. Surge na primeira história da revista, e reaparece logo na última, mostrando bem a sua resiliência e o seu futuro como vilão. Ao longo dos anos 50 e 60, o seu carácter mudou, talvez influenciado pelo Comics Code Authority, que pretendia suavizar a violência nos comics, ou talvez sob influência da série de TV com o seu toque algo burlesco. Caído algo em desgraça, ressurgiria finalmente em 1973, nas páginas da revista Batman nº 251, o segundo capítulo deste volume, pelas mãos de Denny O'Neil e de Neal Adams, em As Cinco Vinganças do Joker, sob a forma do homicida louco e psicopático que nos habituámos a adorar.
Em O Homem que Ri, a principal história desta antologia, é o Joker e (o então Tenente) Gordon quem vão estar no centro da acção, numa história que faz a ponte com dois títulos clássicos da bibliografia do Cavaleiro das Trevas: Batman Ano Um de Frank Miller e David Mazzucchelli e Piada Mortal, de Alan Moore e Brian Bolland, com Ed Brubaker a mostrar-se um digno sucessor do trabalho desenvolvido por Miller e Moore.
Começando imediatamente após Batman Ano Um, O Homem que Ri reinventa o primeiro confronto entre Batman e o Joker, desenvolvendo a personalidade dos diversos intervenientes, através do mesmo recurso usado em Ano Um de pôr o Batman e Gordon a narrarem a história alternadamente, um mecanismo característico da literatura policial, género que Brubaker domina perfeitamente.
Finalmente, e a encerrar, uma pequena história mais moderna, assinada por Andy Kubert, aqui surpreendentemente como argumentista, com desenho de Andy Clarke, em que vemos um relance do passado e infância do Joker.
Uma excelente antologia dedicada ao mais popular e carismático vilão da DC, assinada por grandes autores, que serve de ponto de partida ideal para esta viagem de dez semanas ao coração das trevas do Universo DC.
Publicado originalmente no jornal Público de 03/03/2017

segunda-feira, 6 de março de 2017

Apresentação da Colecção No coração das Trevas DC


É já na próxima quinta-feira, 9 de Março, que começa a 3º colecção do Público e da Levoir dedicada à DC Comics e a primeira completamente dedicada aos vilões da Editora de Batman e Super-Homem. Como de costume, aqui vos deixarei, no dia da saída de cada livro, o texto que escrevi sobre ele para o jornal Público. Mas antes disso, aqui fica o destacável de 4 páginas de apresentação da colecção, que foi distribuído ontem com o  jornal de sábado e será redistribuído na próxima terça-feira.

NO CORAÇÃO DAS TREVAS

Já dizia Alfred Hitchock que quanto mais conseguido fosse o “mau da fita”, maiores eram as probabilidades de um filme ter sucesso. Uma afirmação que se aplica com toda a propriedade às histórias da DC Comics, cuja galeria de vilões é incomparável, conforme o leitor poderá comprovar durante as próximas dez semanas. É certo e sabido que todos os heróis precisam de um inimigo, alguém que os defina pelo seu oposto. Desde os heróis da mitologia até aos ícones da cultura popular, seja na BD ou no cinema, todos tiveram um inimigo à sua altura. E, se os heróis míticos do passado tiveram esses inimigos, também os mitos modernos que são os super-heróis da DC os têm. Todos os conhecemos, Lex Luthor tem o Super-Homem, Joker, o Batman, Sinestro, o Lanterna Verde, só para falar nos que estão presentes nesta colecção. É esse o desafio que esta nova colecção DC, a primeira dedicada ao lado sombrio da editora de Batam e Super-Homem coloca aos leitores do Público: assistir aos maiores confrontos entre heróis e vilões, voltar a encontrar - ou conhecer pela primeira vez - os mais terríveis dos supervilões, e mergulhar no coração das trevas do universo DC!

Naturalmente, o vilão perfeito para começar uma colecção como esta, é o Joker. O Príncipe Palhaço do Crime, encarnação perfeita do Mal e do Caos no universo DC, que já tinha tido direito a um volume próprio numa anterior colecção e que aqui está mais uma vez em destaque, quer em nome próprio, quer partilhando o palco com outros vilões do universo de Batman, universo esse que, como o demonstra a série televisiva Gotham, é suficientemente rico para justificar uma colecção própria.
Mas a colecção não se constrói apenas com o Joker, embora ele seja possivelmente o mais carismático dos vilões que aqui encontramos. Há também um espaço reservado para a sua namorada, e uma das mais populares personagens da DC, a Dra. Harleen Quinzel, transformada em Harley Quinn, a Arlequina. Psiquiatra no Asilo Arkham, que se apaixona pelo Joker e acaba por trocar uma carreira de sucesso por uma vida de crime e um amor nem sempre correspondido, a carreira de Harley foi marcada pelo cinema e animação: surgiu nos desenhos animados de Batman em 1992, e acaba de se tornar numa das mais conhecidas personagens do Universo DC graças à excepcional interpretação da actriz Margot Robbie no filme do Esquadrão Suicida. Apresentamos no quinto volume desta colecção, Louco Amor, um dos grandes clássicos da DC escrito por Paul Dini (que também a tinha criado para os desenhos animados) e desenhada por Bruce Timm, no seu inconfundível visual inspirado na animação. Uma história premiada que é complementada por mais duas histórias dos mesmos autores com o mesmo estilo, uma delas, Demónios, uma maravilhosa homenagem a Jack Kirby e ao seu Etrigan, que os leitores mais atentos puderam descobrir no primeiro volume da série Sandman.
E Harley Quinn brilha pela sua presença noutros volumes da colecção, começando pelo do Esquadrão Suicida. Com argumento de Ales Kot, esta selecção de histórias apresenta uma fase bastante próxima do visual e ambiente do filme, e inclui dois capítulos independentes, que focam respectivamente a própria Harley Quinn, e Deadshot, o Pistoleiro. E também no volume 8, O Asilo do Joker, ela tem a sua própria história, num volume em que encontramos histórias auto conclusivas, inspiradas nos grandes clássicos da EC Comics, que nos mostram alguns dos mais conhecidos vilões de Gotham: Pinguim, Hera Venenosa, Duas-Caras, Harley Quinn, e o próprio Joker, que serve de verdadeiro “apresentador” de histórias loucas saídas das sombras das celas do mais terrível asilo do Universo DC, na melhor tradição da revista Tales From The Crypt. Juntando estes dois volumes, os fãs têm uma verdadeira legião de vilões: os anti-heróis do Esquadrão e alguns dos maiores inimigos do Batman. E, por falar de inimigos do Batman, temos também um belíssimo volume da Catwoman, que tem oscilado entre inimiga e amiga (e amante) do Cavaleiro das Trevas. O Grande Golpe de Selina, uma saga assinada pelo recentemente falecido Darwyn Cooke, e que nos apresenta a nossa anti-heroína numa aventura com ambiente de suspense noir, que assinalou o seu regresso às páginas das revistas da DC, numa premiada colaboração entre Brubaker e Cooke.
Mas nenhuma colecção ficaria completa sem o Super-Homem, o mais antigo e mais poderoso dos heróis da DC. E que melhor inimigo apresentar do que o próprio... Apocalipse! Caçador/Presa é uma emblemática história do Super-Homem, que veio na sequência da saga da sua morte, e que coloca em cena o mais épico confronto entre o herói e Apocalipse, numa história em que nos é também contada a origem deste supervilão, proveniente de Krypton, como o próprio Homem de Aço.
Pra além da saga da Guerra do Corpo Sinestro, temos também uma das sagas mais recentes da DC, Mal Eterno, em que a realidade é subvertida, e são os heróis que se transformam em vilões. Na verdade, os vilões da Terra 3, que são a contra-parte dos heróis da Terra normal, vão tomar conta do planeta. Depois da Liga da Justiça ter aparentemente desaparecido, será Lex Luthor, a juntar um conjunto de vilões e formar uma “Liga da Injustiça” para salvar o mundo. Escrita por Geoff Johns, e com a arte magnífica de David Finch, Mal Eterno foi uma das últimas grandes sagas globais da fase dos Novos 52, e um dos grandes sucessos da recentes da DC, que fecha com chave de ouro uma colecção que seria um crime perder!

Os volumes da colecção

1 – Joker: O Príncipe Palhaço do Crime
09 de Março
Argumento – Bill Finger, Denny O’Neil, Ed Brubaker e Andy Kubert
Desenhos – Bob Kane, Neal Adams, Dough Mahnke e Andy Clark
O Príncipe Palhaço do Crime, o Jogral do Genocídio, o Arlequim da Anarquia, a encarnação perfeita do Caos no universo DC: o Joker! Toda a genial loucura do Joker está aqui posta a nu, numa selecção de cinco histórias assinadas pelos maiores nomes dos comics americanos, que nos revelam a evolução da sua carreira maníaca e excêntrica, incluindo a sua primeira aparição no mítico Batman # 1.
Alguns dos maiores autores de comics de sempre estão representados nesta antologia, incluindo Bob Kane e Bill Finger, Neal Adams, Ed Brubaker, Doug Mahnke e muitos outros. Um volume ideal para mergulhar no coração das trevas do Universo DC!
2  – Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 1
16 de Março
Argumento – Geoff Johns e Dave Gibbons
Desenhos – Ethan Van Sciver e Patrick Gleason 
Em A Guerra do Corpo Sinestro, o maior inimigo do Lanterna Verde recebe por fim o seu há muito merecido destaque. Outrora o maior do Corpo dos Lanternas Verdes, Sinestro tornou-se no seu mais implacável inimigo, movido apenas pelo rancor e desejo de vingança. Mas, agora, revelará o seu novo e terrível propósito, numa saga épica que fez de Green Lantern o título de referência da DC Comics no final dos anos 2000.
Geoff Johns e Ivan Reis são os dois nomes maiores que agraciam este volume, que conta com um verdadeiro quem-é-quem de talento da DC, como Ethan van Sciver, Dave Gibbons (o desenhador de Watchmen, que aqui surge como argumentista) e Patrick Gleason.
3  –Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 2
23  de Março
Argumento – Geoff Jhons e Dave Gibbons
Desenhos – Patrick Gleason e Ivan Reis
A batalha contra o Corpo Sinestro atinge o seu clímax na Terra, com o destino do próprio Multiverso em jogo. E a parada está mais alta que nunca, pois Sinestro luta numa frente unida ao lado das maiores ameaças que o Universo DC alguma vez conheceu: Superboy Primal, Parallax, o Super-Homem Ciborgue e o temível Antimonitor, visto pela última vez em Crise nas Terras Infinitas.
A Guerra do Corpo Sinestro deu início a um sucesso crítico e comercial sustentado sem precedentes para o Lanterna Verde, e consolidou a reputação de Geoff Johns como o homem com o toque de Midas na DC e o mais importante escritor de sempre das aventuras do gladiador esmeralda.
4  – Mulher-Gato: O Grande Golpe de Selina
30 de Março
Argumento e Desenhos –  Darwin Cooke
Quando decide abandonar a vida do crime, Selina Kyle, a Mulher-Gato apercebe-se que vai precisar de dinheiro para sobreviver honestamente. A solução é efectuar um último grande golpe, tendo por um alvo um comboio carregado de dinheiro da Máfia. Mas quando descobre que um grupo de criminosos profissionais tem o mesmo objectivo, Selina apercebe-se que o golpe perfeito pode afinal terminar com a sua morte.
Darwyn Cooke, o premiado ilustrador, escritor e animador canadiano, recentemente falecido, que já tinha sido responsável por uma das melhores fases da Mulher-Gato, ao lado do escritor Ed Brubaker, assina aqui um excelente policial negro, na linha das premiadas adaptações que fez dos romances de Richard Stark.
5  –Esquadrão Suicida: Disciplina e Castigo
06 de Abril
Argumento – Ales Kot, Matt Kindt
Desenhos – Patrick Zircher, Rick Leonardi, Neil Goose, Sam Barsi e Keith Champagne
O Esquadrão Suicida é uma das mais famosas equipas de vilões da DC, um grupo de criminosos que aceitam missões impossíveis a troco da redução das suas penas. E neste volume temos novos membros da equipa e um novo líder que vai tornar esta equipa no mais eficiente grupo de assassinos e ladrões de sempre! Este volume conta também com duas histórias completas que exploram o passado e as motivações de Deadshot e Harley Quinn. 
Ales Kot é um dos mais originais e inovadores argumentistas da actualidade, cujas histórias granjearam grande sucesso crítico, com o seu misto de irreverência e crítica social. É acompanhado neste volume pelo escritor Matt Kindt e pelo artista Patrick Zircher.
6  – Joker & Harley Quinn: Amor Louco
13 de Abril
Argumento –  Paul Dinie Bruce Timm
Desenho – Bruce Timm, Glen Murakami
O Joker conta um novo aliado na luta sem fim que o opõe ao Batman. Harley Quinn, a psiquiatra que se vai tornar sua amante e cúmplice, numa relação perturbada, em que o amo, a violência e a loucura se misturam. 
Nascida na série televisiva Batman Adventures, Harley Quinn, a vistosa companheira do Joker, rapidamente se tornou uma das mais populares personagens da série, acabando por passar para os quadradinhos em Amor Louco, história premiada com um prémio Eisner e que Frank Miller considera como uma das melhores histórias do Batman que já leu.  
Essa e outras duas histórias assinadas pelo argumentista e produtor televisivo Paul Dini e o ilustrador e animador Bruce Timm, criadores da premiada série televisiva Batman Adventures estão reunidas neste volume que traz o Batman da animação para a BD, com resultados notáveis.
7  –Super-Homem  & Apocalipse: Caçador e Presa
20 de Abril
Argumento – Dan Jurgens
Desenho – Brett Brending
O Super-Homem tem de percorrer a galáxia para o conseguir caçar Apocalipse, um dos mais temíveis vilões cósmicos do Universo DC, o responsável pela sua morte, Mas à medida que o Super-Homem se aproxima do seu objectivo, vai descobrir que será o caçador a transformar-se na presa! A história que revela a origem surpreendente de Apocalipse e a sua ligação ao planeta-natal do Homem de Aço.
Dan Jurgens é um dos grandes veteranos dos comics, e um dos poucos a escrever e desenhar simultaneamente as suas histórias. Foi o criador da saga da Morte de Super-Homem, uma das mais mediáticas histórias de sempre da DC, e voltou a colocar o Super-Homem e Apocalipse em confronto neste volume.
8  – Joker: O Asilo do Joker
27 de Abril
Argumento – Arvid Nelson, Jason Aaron e Andy Kubert
Desenho – Alex Sanchez, Andy Clarke, Juan Doe, Jason Pearson
O Joker será o nosso anfitrião nesta antologia na melhor tradição das revistas de terror da editora EC, em que o protagonismo está entregue aos principais vilões de Gotham City: Hera Venenosa, Pinguim, Duas Caras, Harley Quinn... e o próprio Joker, o Príncipe Palhaço do Crime! Cinco histórias completas que nos mergulham na mente louca dos maiores adversários do Batman.
Uma antologia que conta com os talentos de alguns dos maiores nomes dos comics, entre os quais destacamos Jason Aaron, Jason Pearson, Juan Doe ou Andy Clarke.
9  – Universo DC: Mal Eterno 1
04 de Maio
Argumento – Geoff Johns
Desenhos – David Finch e Richard Friend
Lex Luthor é dos mais complexos vilões da DC, o mais humano e talvez mais contemporâneo inimigo dos super-heróis, e, em Mal Eterno, terá ocasião de mostrar ao mundo uma faceta sua que raramente demonstra: a de anti-herói. Quando a Liga da Justiça é tida como morta e o poderoso Sindicato do Crime decide conquistar o mundo, Luthor terá de reunir um grupo de supervilões para salvar a Terra de uma ameaça maior que todos eles.
Geoff Johns e David Finch são os nomes que deram protagonismo ao lado negro da DC, nesta mini-série de grande sucesso que marcou o universo dos Novos 52, trazendo os vilões das sombras em que estavam escondidos, para as luzes da ribalta.
10  – Universo DC: Mal Eterno 2
11 de Maio
Argumento – Geoff Johns
Desenhos – David Finch Doug Mahnke e Ivan Reis
Herói, vilão, ou algo de inteiramente diferente? Lex Luthor, a mente mais brilhante da Terra, tem ele próprio dificuldade em dar resposta a essa questão, agora que se vê com o destino do mundo nas mãos, num momento em que os seus maiores heróis não lhe podem valer. Numa hora em que mesmo os mais terríveis vilões se mostram capazes de heroísmo e sacrifício, o lugar de Lex Luthor no panteão dos grandes ícones da DC poderá mudar para sempre.
Geoff Johns, David Finch, Doug Mahnke e Ivan Reis trazem-nos esta surpreendente história de redenção, que representa uma etapa inédita na história do mais famoso arqui-inimigo do Super-Homem
Textos publicados originalmente no jornal Público de 03/03/2017

terça-feira, 10 de maio de 2016

Super-Heróis DC 12 - Batman: O Regresso do Joker

Como prometido, prossegue a publicação diária dos textos para a Colecção Super-Heróis DC que faltava colocar no blog, com O Regresso do Joker, um dos melhores livros desta colecção que não teve o espaço que merecia no texto do Público. neste caso, não é grave, pois o editorial também é meu. Um editorial que, curiosamente, foi escrito para a primeira colecção da Levoir dedicada à DC e que na altura acabou por não sair, pois o livro foi vetado pela Panini, por na altura estarem a ser distribuidas nas bancas as sobras das edições brasileiras que traziam as histórias do Batman do Snyder e do Capullo. Mais de um ano depois, o texto foi finalmente publicado, mas com pequenos cortes impostos pela DC.

JOGO DE MÁSCARAS

No mais conseguido dos filmes que fez para Hollywood, John Woo, o mestre do cinema de Hong Kong que revolucionou os filmes de gangsters, com obras como The Killer, ou A Better Tomorrow, filma uma intriga em que Nicolas Cage, no papel de um criminoso e John Travolta, como o polícia que o persegue, trocam literalmente de cara, e assumem a vida um do outro, transformando na sua máscara, o rosto do seu inimigo. Esse filme chama-se Face Off e esse título encaixaria como uma luva à história do Batman que vão ler de seguida, pois se no filme de Woo o rosto do rival se transforma na máscara de cada um dos protagonistas, o que permite a Travolta e a Cage jogar com os tiques de representação do parceiro, o Joker aqui vai ainda mais longe e transforma o seu próprio rosto na sua máscara.
Na sequência da reformulação das revistas do universo DC com o lançamento da linha Novos 52, o maior dos vilões desse universo, o Joker, esteve ausente das páginas da principal revista do Batman durante um ano, enquanto, como já vimos nesta colecção, Scott Snyder e Greg Capullo enriqueciam a mitologia do Cavaleiro das Trevas, introduzindo a Corte das Corujas, uma sociedade secreta que controlava os destinos de Gotham há mais de uma centena de anos. Apenas terminada essa saga, o Joker regressou pelas mãos de Snyder e Capullo, numa das mais perturbadoras histórias do Batman de sempre, em que a tensão psicológica e o terror atingem níveis muito elevados.
Como o próprio Snyder refere numa entrevista, “o que aconteceu foi que a DC queria afastar o Joker para dar espaço a novos vilões que estavam a ser criados no âmbito da linha Novos 52, e eu disse-lhes que tinha uma ideia para uma história do Joker mais à frente. Tony (S. Daniel, o escritor da revista Detective Comics) tinha-se lembrado de um par de maneiras de fazer o Joker desaparecer por uns tempos. Falámos sobre essas diferentes hipóteses, de que ambos gostávamos e chegámos à conclusão que a história que mais lhe interessava contar, podia encaixar muito, muito bem na minha história”.
E foi assim que, no nº 1 da nova revista Detective Comics, em Novembro de 2011, o Joker se deixa capturar pelo Batman e é levado para o Asilo Arkham, onde convence o Dollmaker a remover-lhe cirurgicamente o rosto. Rosto que é deixado pregado como uma relíquia na parede da sela, enquanto o Joker, tal como uma serpente que deixa para traz a antiga pele, desaparece deixando o que resta da sua face na mão das autoridades.
Só no nº 12 da revista Detective Comics, numa história curta de James Tynion IV, um jovem escritor lançado por Snyder no mundo dos comics, ilustrada por Szymon Kudranski, cujo título The Tell Tale Face, remete para The Tell Tale Heart o conto de terror de Edgar Alan Poe, o peso da presença da cara do Joker na esquadra de Gotham é evocado, numa história que prepara o leitor para o eminente regresso do sorridente vilão, cujo rosto descarnado é escondido pelas sombras e que, por isso foi escolhida para abrir este volume.
Assim, depois de um ano desaparecido, planeando o seu regresso, o Joker está de volta, para atacar o Batman através daqueles que lhe são queridos, mas primeiro vai recuperar o seu rosto, numa impressionante sequência, em que, jogando com as sombras e sugerindo muito mais do que mostram, Snyder e Capullo criam momentos de puro terror. Momentos que culminam, no final do primeiro capítulo, com a revelação da nova imagem do Joker, em que o rosto que perdeu se transforma na sua máscara, uma máscara presa à carne viva por correias de couro. Uma imagem fortíssima, que não consegue deixar de evocar um ícone do terror cinematográfico, o personagem Leatherface do filme Texas Chain Saw Massacre, de Tobe Hopper.
E se virmos bem, mais do que uma saga de super-heróis, este O regresso do Joker, é uma história de terror psicológico, o que acaba por ser natural, pois tanto Scott Snyder como Greg Capullo têm grandes ligações ao género. Capullo estreou-se na BD ilustrando Gore Shriek, um comic de terror para adultos, enquanto Snyder, ainda antes de se dedicar à BD, se estreou como escritor em 2006 com Voodoo Heart, uma recolha de contos de terror, dois dos quais foram selecionados por Stephen King para a antologia The Best American Short Stories, de 2007. O mesmo Stephen King que vai colaborar com Snyder em American Vampire, a série que este último lançou na Vertigo em 2010 e que o tornou um nome popular e prestigiado junto dos leitores de comics.
Mas, embora crie uma história que acentua o lado negro do Cavaleiro das Trevas, Snyder não esquece o contributo dos autores que o antecederam para a mitologia da personagem e do seu maior inimigo. Assim, se o título original desta saga, Death of the Family, remete para o clássico Death in the Family, de Jim Starlin e Jim Aparo, em que o Joker mata Jason Todd, o segundo Robin, essa não é a única das grandes histórias com o Joker a ser evocada. Ao colocar o Joker a reencenar alguns dos seus crimes mais famosos, Snyder homenageia histórias clássicas, como The Killing Joke, de Alan Moore e Brian Bolland, já publicado na 1ª série dedicada ao Universo DC, The Man who Laughs, de Ed Brubaker e Doug Mahnke e o incontornável Asilo Arkham de Grant Morrison e Dave McKean, também já editado pela Levoir. O que não impede que este Regresso do Joker, pela forma como explora a relação do Batman com os seus amigos e aliados mais próximos e como estes, ao tornarem-se alvos preferenciais do Joker, se revelam a sua maior vulnerabilidade, se aproxime até mais de outro título publicado já publicado pela Levoir, em que a participação do Batman é bastante limitada. Refiro-me à Crise de Identidade, de Brad Meltzer e Rags Morales, que mostrava que a maior fragilidade dos super-heróis residia na incapacidade de proteger aqueles que amam e lhes são próximos, dos ataques dos seus inimigos.
Se o talento de Snyder para escrever histórias do Batman inesquecíveis, já não é surpresa para ninguém desde o magnífico Black Mirror, a escolha de Greg Capullo para ilustrar o Batman na principal revista da linha Novos 52, foi recebida com surpresa, pois o desenhador, cuja carreira está sobretudo associada à sua colaboração com Todd McFarlane na série Spawn, durante perto de vinte anos, estava longe de ser uma escolha óbvia para desenhador do Cavaleiro das Trevas.
Mas a verdade é que Capullo revelou-se um dos melhores desenhadores do Batman deste século, adaptando o seu estilo, bastante mais legível sem a arte-final de McFarlane, às necessidades da personagem e influenciando a própria narração de Snyder. Um escritor que, embora habituado a escrever argumentos extremamente detalhados, em que nada é deixado ao acaso, foi gradualmente dando maior autonomia a Capullo, que nesta história assume a principal responsabilidade pela planificação e colabora também na própria evolução da história. Como refere Snyder, “no fim de contas, o que Greg (Capullo) traz para a história não é só o que está na página, em termos artísticos. De um ponto de vista visual, ele discute a história comigo e contribui com ideias. Ele é realmente o co-autor, o co-criador das histórias. Quem gosta deste Batman devia agradecer ao Greg Capullo, porque ele é fundamental em fazer do Batman aquilo que é aqui.”
O efusivo endosso de Snyder não ficou por aqui: “O Greg Capullo é um mestre da expressão. Ele é mesmo, mesmo bom a fazer com que as personagens contem a história através de expressões faciais e gestos, e também é mesmo, mesmo bom tanto em sequências de acção como em cenas estáticas. Com o Greg, em vez de ter personagens a conversar longe do leitor, tento sempre mantê-las próximas, porque sei que ele é óptimo a acrescentar subtilezas às expressões delas”.
Conciliando tradição e modernidade, Scott Snyder e Greg Capullo construíram uma das melhores histórias do Batman da última década, trazendo uma dimensão ainda mais icónica ao mais carismático dos vilões do Universo DC. Uma história única, tão sombria como espectacular, que os leitores portugueses também vão poder descobrir já a seguir.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

DC Comics Uncut 25 - Batman: O regresso do Joker




E aqui está finalmente o último post desta secção, desta vez com um texto que não chegou a ser impresso de todo.Na nossa selecção inicial  para a II série dedicada à DC Comics, estavam alguns títulos da Linha New 52 que, depois de aprovados, tiveram posteriormente que ser substituídos, quando alguém da Panini se lembrou que estavam a distribuir as revistas brasileiras com as histórias dos Novos 52 e que assim, acabavam por fazer concorrência a si próprios...
Por isso, a não ser que haja uma terceira série dedicada à DC, com títulos dos Novos 52, esta história vai continuar inédita no português de Portugal. Felizmente, graças a este blog, o mesmo não acontece com o texto que escrevi para este volume.Espero que gostem.

JOGO DE MÁSCARAS

No mais conseguido dos filmes que fez para Hollywood, John Woo, o mestre do cinema de Hong Kong que revolucionou os filmes de gangsters, com obras como The Killer, ou A Better Tomorrow, filma uma intriga em que Nicolas Cage, no papel de um criminoso e John Travolta, como o polícia que o persegue, trocam literalmente de cara, e assumem a vida um do outro, transformando na sua máscara, o rosto do seu inimigo. Esse filme chama-se Face Off e esse título encaixaria como uma luva à história do Batman que vão ler de seguida, pois se no filme de Woo o rosto do rival se transforma na máscara de cada um dos protagonistas, o que permite a Travolta e a Cage jogar com os tiques de representação do parceiro, o Joker aqui vai ainda mais longe e transforma o seu próprio rosto na sua máscara.

Na sequência da reformulação das revistas do universo DC com o lançamento da linha Novos 52, o maior dos vilões desse universo, o Joker, esteve ausente das páginas da principal revista do Batman durante um ano, enquanto Scott Snyder e Greg Capullo enriqueciam a mitologia do Cavaleiro das Trevas, introduzindo a Corte das Corujas, uma sociedade secreta que controlava os destinos de Gotham há mais de uma centena de anos.
Apenas terminada essa saga, o Joker regressou pelas mãos de Snyder e Capullo, numa das mais perturbadoras histórias do Batman de sempre, em que a tensão psicológica e o terror atingem níveis muito elevados. Como o próprio Snyder refere numa entrevista, “o que aconteceu foi que a DC queria afastar o Joker para dar espaço a novos vilões que estavam a ser criados no âmbito da linha Novos 52, e eu disse-lhes que tinha uma ideia para uma história do Joker mais à frente. Tony (S. Daniel, o escritor da revista Detective Comics) tinha-se lembrado de um par de maneiras de fazer o Joker desaparecer por uns tempos. Falámos sobre essas diferentes hipóteses, de que ambos gostávamos e chegámos à conclusão que a história que mais lhe interessava contar, podia encaixar muito, muito bem na minha história”.

E foi assim que, no nº 1 da nova revista Detective Comics, em Novembro de 2011, o Joker se deixa capturar pelo Batman e é levado para o Asilo Arkham, onde convence o Dollmaker a remover-lhe cirurgicamente o rosto. Rosto que é deixado pregado como uma relíquia na parede da sela, enquanto o Joker, tal como uma serpente que deixa para traz a antiga pele, desaparece deixando o que resta da sua face na mão das autoridades. Só no nº 12 da revista Detective Comics, numa história curta de James Tynion IV, um jovem escritor lançado por Snyder no mundo dos comics, ilustrada por Szymon Kudranski, cujo título The Tell Tale Face, remete para The Tell Tale Heart o conto de terror de Edgar Alan Poe, o peso da presença da cara do Joker na esquadra de Gotham é evocado, numa história que prepara o leitor para o eminente regresso do sorridente vilão, cujo rosto descarnado é escondido pelas sombras.
Assim, depois de um ano desaparecido, planeando o seu regresso, o Joker está de volta, para atacar o Batman através daqueles que lhe são queridos, mas primeiro vai recuperar o seu rosto, numa impressionante sequência, em que, jogando com as sombras e sugerindo muito mais do que mostram, Snyder e Capullo criam momentos de puro terror. Momentos que culminam, no final do primeiro capítulo, com a revelação da nova imagem do Joker, em que o rosto que perdeu se transforma na sua máscara, uma máscara presa à carne viva por correias de couro.

Uma imagem fortíssima, que não consegue deixar de evocar um ícone do terror cinematográfico, o personagem Leatherface do filme Texas Chain Saw Massacre, de Tobe Hopper. E se virmos bem, mais do que uma saga de super-heróis, este O regresso do Joker, é uma história de terror psicológico, o que acaba por ser natural, pois tanto Scott Snyder como Greg Capullo têm grandes ligações ao género. Capullo estreou-se na BD ilustrando Gore Shriek, um comic de terror para adultos, enquanto Snyder, ainda antes de se dedicar à BD, se estreou como escritor em 2006 com Voodoo Heart, uma recolha de contos de terror, dois dos quais foram selecionados por Stephen King para a antologia The Best American Short Stories, de 2007. O mesmo Stephen King que vai colaborar com Snyder em American Vampire, a série que este último lançou na Vertigo em 2010 e que o tornou um nome popular e prestigiado junto dos leitores de comics.
Mas, embora crie uma história que acentua o lado negro do Cavaleiro das Trevas, Snyder não esquece o contributo dos autores que o antecederam para a mitologia da personagem e do seu maior inimigo. Assim, se o título original desta saga, Death of the Family, remete para o clássico Death in the Family, de Jim Starlin e Jim Aparo, em que o Joker mata Jason Todd, o segundo Robin, essa não é a única das grandes histórias com o Joker a ser evocada. Ao colocar o Joker a reencenar alguns dos seus crimes mais famosos, Snyder homenageia histórias clássicas, como The Killing Joke, de Alan Moore e Brian Bolland, já publicado na 1ª série dedicada ao Universo DC, The Man who Laughs, de Ed Brubaker e Doug Mahnke e o incontornável Arkham Asylum de Grant Morrison e Dave McKean.

O que não impede que este Regresso do Joker, pela forma como explora a relação do Batman com os seus amigos e aliados mais próximos e como estes, ao tornarem-se alvos preferenciais do Joker, se revelam a sua maior vulnerabilidade, se aproxime até mais de outro título publicado na 1ª série desta coleção, em que a participação do Batman é bastante limitada. Refiro-me à Crise de Identidade, de Brad Meltzer e Rags Morales, que mostrava que a maior fragilidade dos super-heróis residia na incapacidade de proteger aqueles que amam e lhes são próximos, dos ataques dos seus inimigos. Se o talento de Snyder para escrever histórias do Batman inesquecíveis, já não é surpresa para ninguém desde o magnífico Black Mirror, a escolha de Greg Capullo para ilustrar o Batman na principal revista da linha Novos 52, foi recebida com surpresa, pois o desenhador, cuja carreira está sobretudo associada à sua colaboração com Todd McFarlane na série Spawn, durante perto de vinte anos, estava longe de ser uma escolha óbvia para desenhador do Cavaleiro das Trevas.
Mas a verdade é que Capullo revelou-se um dos melhores desenhadores do Batman deste século, adaptando o seu estilo, bastante mais legível sem a arte-final de McFarlane, às necessidades da personagem e influenciando a própria narração de Snyder. Um escritor que, embora habituado a escrever argumentos extremamente detalhados, em que nada é deixado ao acaso, foi gradualmente dando maior autonomia a Capullo, que nesta história assume a principal responsabilidade pela planificação e colabora também na própria evolução da história.

Como refere Snyder, “no fim de contas, o que Greg (Capullo) traz para a história não é só o que está na página, em termos artísticos. De um ponto de vista visual, ele discute a história comigo e contribui com ideias. Ele é realmente o co-autor, o co-criador das histórias. Quem gosta deste Batman devia agradecer ao Greg Capullo, porque ele é fundamental em fazer do Batman aquilo que é aqui.” O efusivo endosso de Snyder não ficou por aqui: “O Greg é um mestre da expressão. Ele é mesmo, mesmo bom a fazer com que as personagens contem a história através de expressões faciais e gestos, e também é mesmo, mesmo bom tanto em sequências de acção como em cenas estáticas. Com o Greg, em vez de ter personagens a conversar longe do leitor, tento sempre mantê-las próximas, porque sei que ele é óptimo a acrescentar subtilezas às expressões delas”.
Conciliando tradição e modernidade, Scott Snyder e Greg Capullo construíram uma das melhores histórias do Batman da última década, trazendo uma dimensão ainda mais icónica ao mais carismático dos vilões do Universo DC. Uma história única, tão sombria como espectacular, que os leitores portugueses também vão finalmente poder descobrir neste segundo volume da 2ª série da Coleção Heróis DC.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

DC Comics UNCUT 5: Joker: O Último a Rir


No caso da introdução ao volume do Joker, também da minha autoria, as alterações em relação à versão inicial, têm a ver com a questão da criação do Batman, que oficialmente só foi criado por Bob Kane, e com uma referência ao litígio de Alan Moore com a DC na sequência de Watchmen. Ou seja, pouca coisa, quando comparado com outros textos... Curiosamente, esta versão publicada nem é mais politicamente correcta, pois cheguei a escrever uma terceira versão, mas que não chegou a ser mandada para a DC, porque não foi preciso, uma vez que esta segunda acabou por ser aprovada sem quaisquer cortes.

O HOMEM QUE RI


JÁ DIZIA HITCHOCK QUE O SUCESSO DE UM FILME DEPENDIA, E MUITO, DO CARISMA DO VILÃO. E NA BEM RECHEADA GALERIA DE INIMIGOS DE BATMAN, NÃO HÁ VILÃO MAIS CARISMÁTICO DO QUE O JOKER. O IMPREVISÍVEL ARLEQUIM TEM SIDO O PRINCIPAL ANTAGONISTA DO BATMAN AO LONGO DE MAIS DE SETENTA ANOS, MAS NAS DUAS HISTÓRIAS QUE COMPÕEM ESTE VOLUME, O PROTAGONISMO VAI TODO PARA O JOKER, QUE SE ASSUME AQUI COMO A PERSONAGEM PRINCIPAL, ECLIPSANDO O CAVALEIRO DAS TREVAS COM O BRILHO DA SUA LOUCURA.

Criado por Bob Kane, Jerry Robinson e Bill Finger em 1940, o Joker foi o antagonista do Batman na primeira aventura na sua própria revista, Batman # 1, título que surgiu na sequência do sucesso das aparições do Cavaleiro das Trevas na revista Detective Comics, a partir do hoje mítico nº 27. Embora os relatos divirjam quanto à importância de cada um dos autores na criação do personagem, com Bob Kane e Jerry Robinson a disputarem entre si o mérito da criação da imagem do Joker, ambos reconhecem a importância de Bill Finger como argumentista e o contributo decisivo de uma fotografia do actor Corand Veidt no filme The Man Who Laughs, de 1928, baseado no romance homónico de Victor Hugo, para o sorriso rasgado que torna o Joker imediatamente reconhecível.
Presença constante nas aventuras de Batman ao longo de décadas, o Joker chegou a ter direito à sua própria série, em meados dos anos 70. Uma série que durou apenas nove números e na qual defrontou os mais variados adversários, incluindo... Sherlock Holmes. Foi também durante a década de 70 que o Joker voltou às origens em termos de comportamento, deixando de ser apenas um comic relief para se transformar num personagem ameaçador e mortífero, nas histórias de Denny O’Neil e Neal Adams que depois dos delírios kitsch dos anos 50 e 60, trouxeram o Batman e os seus adversários para um caminho mais realista, que possibilitou histórias como as assinadas por Frank Miller na década de 80, ou A Piada Mortal, a novela gráfica de Alan Moore e Brian Bolland que abre este volume, dedicado não a um herói, mas ao principal vilão do Universo DC.

Última história escrita por Alan Moore para a DC, em 1988, pouco antes de cortar relações com a editora devido a divergências sobre os royalties de Watchmen, A Piada Mortal é descrita por Moore, como “apenas uma história de Batman”, mas tanto o desenhador, Brian Bolland, como os leitores, sabem que não é bem assim. A Piada Mortal é uma das mais importantes histórias de Batman de sempre, até pelas consequências que teve na vida de Barbara Gordon, que uma bala do Joker deixa paralisada numa cadeira de rodas, pondo fim à sua carreira como Batgirl, durante mais de 20 anos. Situação que só se alterou em 2011, quando na sequência do relançar das principais revistas da DC, no âmbito da iniciativa conhecida como “Novos 52”, Barbara voltou a andar e pode voltar a vestir a fato de Batgirl.
Exemplo perfeito da articulação harmoniosa entre texto e imagem, com Bolland, que agora se dedica sobretudo à ilustração de capas, a brilhar a grande altura no seu último trabalho de grande folego como desenhador, A Piada Mortal explora a relação entre Batman e o Joker e a forma como funcionam como reflexo um do outro, dando-nos a conhecer os acontecimentos que levaram o Joker à loucura.
Numa sequência de flahbacks magistralmente executados, Moore dá-nos a sua versão da origem do Joker, apresentado como um comediante falhado que se envolve com um grupo de criminosos para ganhar dinheiro que lhe permitam sustentar a mulher e o filho prestes a nascer e que perde a sanidade, na sequência de um dia que lhe corre extremamente mal. Um dia que o deixa viúvo, sem filho e deformado. Um passado trágico que justificaria a sua actuação, mas que o próprio Joker não sabe se é real, pois, como o próprio refere: "as minhas memórias nem sempre são as mesmas... Já que tenho que ter um passado, que seja de escolha múltipla!"
Embora Brian Bolland, por falta de tempo, não tenha podido na altura colorir a história, como pretendia, tendo esse trabalho ficado a cargo de John Higgins, que já tinha colaborado com Moore em Watchmen, em 2008, por ocasião do 20º aniversário da publicação de The Killing Joke, o livro foi reeditado numa edição de luxo, como novas cores digitais de Bolland, mais próximas da sua intenção original e que o leitor português pode apreciar pela primeira vez, pois a anterior edição portuguesa da Devir utilizava as cores originais de John Higgins.
Separadas por mais de 20 anos, as duas histórias que compõem este volume, têm em comum o facto de atribuírem o principal protagonismo ao Joker, que surge sorridente e destacado em ambas as capas. Capas essas em que Batman prima pela ausência. Mas a principal diferença entre a Piada Mortal e Joker, é uma diferença de ponto de vista do narrador. Enquanto Moore nos dava a conhecer as recordações do Joker, o que nos permitia perceber as suas motivações, em Joker, Azzarello opta por ter como narrador um pequeno criminoso, Jonny Frost, que vai servir como motorista do alucinado vilão, transmitindo por isso ao leitor uma perspectiva externa.
Depois da mini-série Broken City, publicada em Portugal pela Devir com o título Batman: Cidade Destroçada, Joker assinala o regresso de Azzarello a Gotham City e ao universo do Batman. Um universo onde, curiosamente, se aventurou pela primeira vez ao lado de Bermejo, na mini-série Batman/Deathblow: after the Fire, que juntava o Cavaleiro das Trevas ao mercenário criado por Jim Lee e Brandon Choi. Desta vez, Batman está muito menos presente (embora a sua sombra paire por todo o livro) mas mantém-se a aproximação realista, mais próxima do film noir do que das histórias de super-heróis, que faz do Croc não um mutante com genes de crocodilo, mas apenas um brutamontes com um sério problema de pele. Do mesmo modo, Harley Quinn a companheira do Joker que tinha surgido inicialmente na série de animação do Batman, num episódio escrito por Paul Dini e Bruce Timm, surge aqui numa versão muito realista e sensual, mesmo que, coisa rara numa personagem de Azzarello, que trabalha os diálogos como poucos autores, não a ouçamos dizer uma palavra… Também o Enigma nos aparece modernizado, trocando o uniforme de licra por um vestuário bastante mais urbano. O próprio Joker, acabado de sair do Asilo Arkham, comporta-se mais como um Senhor do Crime que pretende recuperar o seu território, do que como um simples louco, sem um objectivo lógico perceptível. O que não impede que a sua loucura se manifeste de forma assustadoramente inesquecível, sobretudo na violência exacerbada, que Bermejo traduz em imagens hiper-realistas capazes de perturbar os estômagos mais sensíveis.  
Talvez por o livro ter saído muito próximo da estreia de The Dark Knight, o segundo filme da trilogia cinematográfica que Cristopher Nolan dedicou ao Homem Morcego, houve quem visse no Joker de Azzarello e Bermejo, uma versão em papel do Joker magistralmente interpretado por Heath Ledger no cinema, mas as semelhanças entre o livro e o filme são apenas coincidência, pois Azzarello escreveu a história em 1986, dois anos antes do filme estrear, sem ter tido acesso ao argumento, o que não impede que um desenho que Bermejo fez para o site Batman on Film, em 2006, quando começou a trabalhar no livro, possa ter servido de inspiração aos responsáveis pela concepção visual do filme de Nolan.
  Se Azzarello constrói com grande eficácia uma história extremamente violenta de luta pelo poder, o maior responsável pela visão perturbadora que esta história transmite ao leitor é Lee Bermejo. O desenhador passou quase dois anos a desenhar as mais de cem páginas desta história, mas o resultado valeu a pena, mesmo que em alguns casos seja evidente o uso de referências fotográficas, como numa imagem em que o Joker aparece em contrapicado a apontar um revolver que apresenta grandes semelhanças com um dos mais emblemáticos planos do filme brasileiro Cidade de Deus.
 Alternando na mesma páginas imagens desenhadas a traço, com ilustrações em cor directa, Bermejo, contando com a arte-final de Mick Gray consegue imagens espectaculares, de um realismo perturbador, acentuado pelas cores sombrias de Patrícia Mulvihill, que já tinha sido a colorista de 100 Bullets. E, num livro cheio de pormenores, que justificam sucessivas leituras, não falta mesmo uma homenagem à Piada Mortal, na cena no restaurante italiano, em que o Joker a comer camarões numa mesa rodeado de bandidos, nos remete para uma cena idêntica num dos flash backs da Piada Mortal, só com a grande diferença que, em vez de um jovem inseguro, pressionado por um grupo de criminosos a participar no assalto que vai mudar a sua vida, desta vez é o Joker quem comanda o jogo.    

sábado, 6 de julho de 2013

Apresentação da Colecção DC Comics

Já não será novidade para (quase) ninguém que a partir da próxima quinta-feira, 11 de Julho, o Jornal Público e a editora Levoir lançam mais uma colecção dedicada aos super-heróis, desta vez  da DC Comics, a editora de Batman e Super-Homem. A preparar a saída da colecção, o jornal Público lançou na edição de hoje um destacável de 4 páginas de apresentação da colecção, com textos deste vosso criado, que aqui se reproduz. A última página do destacável traz a lista dos títulos, com data de saída e respectivas capas, bastando clickar na imagem para ver as capas mais em pormenor. Como, por questões de espaço, os textos dedicados aos autores e aos heróis tiveram que sofrer cortes, aqui vos deixo a versão integral dos mesmos.

LIGA DA JUSTIÇA
A Liga da Justiça surgiu pela primeira vez em 1960, nas páginas da revista The Brave and the Bold, funcionando como sucessora da Sociedade da Justiça da América, criada nos anos 40 por Gardner Fox e pelo editor Sheldon Mayer, como montra para os super-heróis menos conhecidos da editora. O próprio Fox foi encarregue pelo editor Julius Schwartz de criar esta nova versão da Sociedade da Justiça, que mudou o nome para Liga, aproveitando o sucesso da recém-criada Liga Nacional de Baseball e, que ao contrário da sua antecessora, contava com os principais heróis como o Batman, ou Super-Homem. O sucesso da Liga foi um elemento fundamental no relançar das histórias de super-heróis durante os anos 60.
Embora a sua formação vá sofrendo alterações, com a entrada e saída de alguns membros, os maiores heróis da DC estão sempre na Liga de Justiça.

BATMAN
Quando os seus pais são assassinados à sua frente, o jovem Bruce Wayne decide dedicar a sua vida a combater o crime, usando a sua herança para concretizar esse objectivo. Mas cedo concluirá que precisa de algo mais para instilar o medo no coração dos criminosos. Precisa de um disfarce e de um símbolo e o morcego vai servir-lhe de inspiração.
Criado por Bob Kane e Bill Finger em 1939, o Batman é um herói sombrio, próximo da tradição policial dos heróis da literatura Pulp, como o Shadow, sem qualquer poder especial para além de um treino rigoroso, uma vontade indómita e um arsenal de equipamento sofisticado. Mas essa ausência de poderes nunca o impediu de se tornar o mais carismático de todos os super-heróis, não só nos comics mas também no cinema.

SUPER-HOMEM
Perante a destruição iminente do Planeta Krypton, o cientista Jor-El decide tentar salvar o seu filho ainda bebé, lançando-o para o espaço numa nave espacial. Essa nave vai aterrar na Terra, no estado norte-americano do Kansas, onde a criança é recolhida por Jonathan e Martha Kent, um casal de agricultores, que o vão criar como seu filho, dando-lhe o nome de Clark e incutindo-lhe os valores tradicionais da América. As características diferentes do nosso sol em comparação com o que banhava o planeta Krypton, deram ao jovem Clark poderes quase ilimitados. Super-poderes de invulnerabilidade, visão de calor e de raios-X, força e velocidade, que lhe permitem voar e que, como Super-Homem, vai usar para combater o crime e ajudar a humanidade.

JOKER
Numa coleção com os principais heróis da DC, também há lugar para vilões. Com o seu cabelo verde, pele branca e eterno sorriso, o Joker é o maior vilão do Universo DC.
Criado por Bob Kane, Jerry Robinson e Bill Finger em 1940, o Joker foi o antagonista do Batman logo na primeira aventura na sua própria revista e cedo ganhou uma tremenda popularidade, como o mais carismático de todos os vilões que povoam a vasta galeria de inimigos do Batman. Um louco perigoso, com um sentido de humor tão peculiar como mortal, que vem rasgar com as cores berrantes da loucura o universo sombrio do Cavaleiro das Trevas, a sua ligação ao Batman é um dos grandes elementos da dinâmica da série.

ARQUEIRO VERDE
Ao naufragar numa ilha deserta, o milionário Oliver Queen aprende a usar um arco, para poder caçar e se alimentar. Ao regressar à civilização, a destreza conseguida com esta arma, vai permitir-lhe combater o crime como o Arqueiro Verde. Criado em 1941 por Mort Weisinger e George Papp, o Arqueiro Verde inicialmente era uma espécie de cruzamento entre o Batman e Robin Hood, pois Oliver Queen, tal como Bruce Wayne, também era milionário, combatia o crime sob uma identidade secreta e tinha um jovem ajudante, Speedy.
O personagem adquiriria uma nova imagem e uma voz própria nos anos 70, através de Denny O’Neil e Neal Adams, numa série de histórias clássicas que podemos acompanhar nesta coleção, tal como a reformulação efectuada por Mike Grell nos anos 80, com a história Os Caçadores.

LANTERNA VERDE
Ao descobrir nos destroços de uma nave espacial, um extraterrestre moribundo, o piloto de testes Hal Jordan percebe que foi escolhido para substituir Abin-Sur, esse extra-terrrestre, como membro da Tropa dos Lanternas Verdes, uma espécie de polícia intergaláctica que zela pela paz no espaço sideral, tendo como única arma um anel que permite materializar através de energia tudo o que o seu portador imaginar.
Criado por John Broome e Gil Kane, em 1959, por indicação do editor Julius Schwartz, Hal Jordan não foi o primeiro e muito menos o único personagem a usar o anel, mas é de longe o mais popular dos Lanternas Verdes e o protagonista das histórias que pudemos ler nesta coleção.

FLASH
Tal como o Lanterna Verde, o Flash foi outro dos super-heróis criado nos anos 40 que foi reformulado na década de 60, ganhando uma nova origem e uma outra identidade secreta. A Jay Garrick, o Flash original criado por Gardner Fox e Harry Lampert em 1940, sucedeu em 1956, Barry Allen, um cientista que ganhou super-velocidade ao ser atingido por um raio enquanto manipulava produtos químicos no laboratório da polícia. O mais popular de todos os Flash, Barry Allen, criado por Bob Kanigher e Carmine Infantino, está em destaque nesta coleção, onde podemos acompanhar a sua morte em Crise das Terras Infinitas e o seu regresso, vinte anos depois, em Flash: Renascer.

MULHER-MARAVILHA
Filha de Hipólita, a Rainha das Amazonas, a Princesa Diana abandona a ilha Paraíso onde a sua tribo vive, para acompanhar Steve Trevor, um piloto americano cujo avião se despenhou na ilha, de volta ao “mundo dos homens” e combater a seu lado contra a ameaça nazi. Terminada a guerra, Diana continua na América e torna-se membro da Sociedade da Justiça da América, tornando-se como o Super-Homem, uma filha adoptiva da América, cujas cores estão presentes no seu uniforme.
Principal heroína do universo DC, a Mulher-Maravilha foi criada em 1940 pelo psiquiatra William Moulton Marston, inventor do poligrafo e pioneiro dos estudos feministas, como exemplo de um novo tipo de super-herói, capaz de triunfar não através da força, mas do amor.

BATWOMAN
Criada por Bob Kane, Sheldon Moldoff e Edmond Hamilton em 1956, numa tentativa de criar uma família de personagens à volta do Batman, como o Super-Homem já tinha, Batwoman é Kathy Kane, uma rica herdeira que, inspirada pelo exemplo do Batman, decide combater o crime como uma super-heroína. Uma heroína com uma vida bastante curta, pois o editor Julius Schwartz, ao reformular as revistas do Batman decide acabar com a personagem em 1964, por a considerar redundante face à existência da Batgirl.
Mas a Batwoman regressaria em 2006, como a primeira personagem lésbica importante do Universo DC. É essa nova fase, magnificamente ilustrada por J. H. Williams, que podemos acompanhar nesta colecção.

SUPERGIRL
Ao contrário do que o próprio pensava, o Super-Homem não foi o único kryptoniano a escapar à destruição do seu planeta natal. Também a sua prima, Kara Zor-El foi enviada para a Terra, onde adquiriu super-poderes semelhante ao do primo, cujo exemplo vai seguir, assumindo também ela uma carreira de super-heroína, como Supergirl.
Criada por Otto Binder e Al Plastino em 1959, a Supergirl vai ser uma das vítimas da Crise nas Terras Infinitas, onde é morta. Mas, como nas histórias de super-heróis a morte nem sempre é definitiva, acabará por regressar em 2004, pelas mãos de Jeph Loeb e Michael Turner, na história A Rapariga de Krypton, que encerra esta colecção.


SETE AUTORES EM DESTAQUE

Das largas dezenas de autores que participam nos vinte volumes desta colecção, o nosso destaque vai para um grupo de sete magníficos, que na realidade são oito (tal como os Três Mosqueteiros eram quatro…). Quatro desenhadores e quatro argumentistas, com a particularidade da dupla Denny O’Neil e Neal Adams, que formam equipa em dois dos volumes desta coleção, serem aqui tratados como um só.


GRANT MORRISON
Nascido na Escócia, Grant Morrison fez parte da célebre "invasão britânica" dos comics americanos, que levou inúmeros argumentistas da Grã-Bretanha a atravessar o Atlântico e a estabelecer-se nos EUA, onde vieram revolucionar o género. Os seus trabalhos com um toque surreal e pós-moderno, nas séries Animal Man e Doom Patrol, para a Vertigo, tornaram-no conhecido, mas a fama chegaria com a novela gráfica do Batman, Arkham Asylum, magistralmente ilustrada por Dave McKean.
Desde então Morrison tem sido responsável por algumas das mais importantes histórias protagonizadas por Batman, Super-Homem e a Liga da Justiça. Nesta coleção podemos apreciar o seu trabalho com a Liga da Justiça, em Terra 2, volume inaugural desta coleção, e com Batman, em Herança Maldita, o 2º volume.

JIM LEE
Verdadeira estrela dos comics e um dos directores criativos da DC, Lee estreou-se como desenhador na Marvel em 1987, com as histórias do Justiceiro que publicámos na 1ª série da Coleccção Heróis Marvel. Depois do grande sucesso como desenhador da nova série dos X-Men, Lee juntamente com outros desenhadores deixou a Marvel para fundar a Image, publicando as suas histórias através do Estúdio Wildstorm. Quando a DC comprou a Wildstorm em 1998, Lee teve finalmente a oportunidade de desenhar os maiores heróis da DC, como o Super-Homem, Batman e Liga da Justiça. Nesta coleção podemos vê-lo a desenhar o Super-Homem, numa história em 2 volumes, em que conta com a colaboração habitual de Scott Williams na arte final e as cores de Alex Sinclair.

BRIAN AZZARELLO
Argumentista de BD desde meados dos anos 90, Azzarello é conhecido principalmente pela sua parceria com Eduardo Risso na premiada série 100 Bullets, editada pela Vertigo, onde foi também publicada a sua etapa na série Hellblazer, em que colaborou com Richard Corben e com Marcelo Frusin.
Embora o seu trabalho esteja mais associado ao “policial negro” do que aos super-heróis, Azzarello colaborou com Jim Lee na revista Superman, numa mediática história em 12 números que publicamos nos volumes 3 e 4 desta coleção e, entre outras incursões pelo universo do Batman, escreveu também a novela gráfica Joker, ilustrada pelo traço único de Lee Bermejo, que publicamos no volume dedicado ao maior inimigo do Batman.

DENNY O’NEIL E NEAL ADAMS
Editor e argumentista na Marvel e na DC durante mais de três décadas, o escritor Denny O’Neil foi responsável, durante a década de 70 por memoráveis colaborações com o desenhador Neal Adams nas séries Batman e Lanterna Verde/Arqueiro Verde, em histórias adultas, desenhadas com grande realismo que redefiniram a imagem dos heróis e que abriram caminho para a revolução realizada na década seguinte, por autores como Frank Miller e Alan Moore. São essas histórias, verdadeiros clássicos incontornáveis, que vamos acompanhar nos volumes 9 e 10 desta coleção.
Se O’Neil já está reformado, Adams que se estreou na BD em 1960, na Archie Comics, mantém-se activo ainda hoje, alternando a Banda Desenhada com a publicidade e continuando a desenhar páginas espectaculares.

GEOFF JOHNS
Director Criativo da DC, escritor para televisão e proprietário de uma loja de comics, Geoff Johns começou a sua carreira como assistente de Richard Donner, o realizador do primeiro filme do Super-Homem, com Christopher Reeve. Este escritor nascido em Detroit em 1973 é um dos mais populares argumentistas da actualidade, muito por via do seu trabalho para a DC, cujas últimas grandes sagas escreveu. Tendo escrito a maioria dos heróis da DC, com destaque para o seu trabalho incontornável com o Lanterna Verde, personagem pela qual foi responsável durante nove anos, Johns é, naturalmente, o escritor mais presente nesta coleção, onde assegura o argumento dos volumes dedicados ao Flash, Lanterna Verde e Super-Homem e a Legião dos Super-Heróis.

GEORGE PEREZ
Nascido em Nova Iorque em 1954, George Perez estreou-se na BD em 1973, como assistente do desenhador Rick Buckler, mas um ano depois já trabalhava regularmente para a Marvel. Apesar de ter trabalhado em séries como os Avengers e Fantastic Four, da Marvel, os trabalhos mais importantes da sua carreira foram publicados na DC, onde teve passagens memoráveis por séries como Teen Titans e Mulher-Maravilha, destacando-se pela extraordinária elegância e detalhe do seu traço. Nesta colecção podemos apreciar o seu trabalho nos dois volumes da saga cósmica Crise das Terras Infinitas, que revolucionou profundamente o universo da DC e no volume dedicado à Mulher-Maravilha.

J. H. WILLIAMS III
Tendo-se estreado na BD como desenhador da série Deathwish, da Milestone, em 1994 J. H. Williams III assinou o seu primeiro trabalho para a DC com a série Chase, em 1997, mas foi a sua memorável colaboração com Alan Moore nos 32 números da série Promethea, onde surpreendeu com as suas planificações complexas e páginas notáveis de beleza, reveladoras de um estilo camaleónico, capaz de citar as mais díspares referências artísticas, que o tornou uma verdadeira estrela dos comics.
Nesta coleção, vamos poder apreciar a sua colaboração com o escritor Greg Rucka na recuperação da Batwoman, numa história espectacularmente desenhada e planificada, que lhe valeu os principais galardões artísticos da indústria