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domingo, 20 de janeiro de 2019

As Melhores BDs que li em 2018 - Parte 2


E aqui fica a segunda e última parte da minha lista de melhores leituras de 2018.Uma lista que não foi nada fácil de fechar, pois houve vários títulos que estiveram muito perto de entrar. Títulos como Infidel, de Pornsak Pichetshote e Aaaron Campbell; Gideon Falls, de Jeff Lemire e Andrea Sorentino, Murderabilia, de Alvaro Ortiz, e Watchers, que assinalou o regresso de Luís Louro a solo, com um dos melhores trabalhos da sua carreira. Mas só podiam ser 10 e estes acabaram por ficar de fora...

6 - La Mort Vivante, de Olivier Vatine e Alberto Varanda, ComixBuro/Glenat
Alberto Varanda regressa em grande com à BD com esta adaptação, feita a meias com Olivier Vatine que assina as (magníficas) cores, de um conto de Stefan Wul, nome grande da ficção científica francesa. Obra atípica no percurso de Wul, este La Mort Vivante é tratado por Varanda num registo próxima das gravuras de Gustave Doré, com um trabalho de achuras impressionante, superior até ao de François Schuiten e que se adequa perfeitamente ao ambiente gótico da história.  Consta que Varanda, que estará no Festival de Beja em Maio, demorou sete anos a desenhar esta história. O mínimo que se pode dizer é que foi tempo bem empregue!



7 - Le Storie: Sangue e Gelo, de Tito Faraci e Pasquale Frisenda, Levoir
A grande surpresa da Colecção Bonelli, de que já tive oportunidade de falar aqui. Uma excelente história de Faraci, a que o traço e a utilização  narrativa e dramática da cor feitos por Frisenda dão uma dimensão superlativa.


8 - Mister Miracle, de Tom King e Mitch Gerads, DC Comics
Tom King tem sido presença recorrente nas minhas listas nos últimos anos, mas o mérito é todo dele e das histórias que conta. Neste caso, King refaz a parceria com Mitch Gerads, com quem tinha feito o magnífico Xerife da Babilónia, para conciliar a dimensão épica com a realidade familiar, na sua peculiar versão de Mister Miracle, personagem criado por Jack Kirby na sua saga do Quarto Mundo. História profundamente humana sobre a família, protagonizada por personagens bem mais do que humanas, Mister Miracle é também uma bela homenagem a Jack Kirby, o criador de Scott Free, o ;Mr. Miracle, mas também a Stan Lee, que Kirby parodiou através da personagem de Funky Flashman.


9 - My Favorite Things is Monsters, de Emil Ferris, Fantagraphics
Obra de estreia na BD de Emil Ferris, uma ilustradora de Chicago, My Favourite Thing Is Monsters é um livro tão fascinante como surpreendente, a meio caminho entre a Banda Desenhada e a ilustração. Diário de de Karen Reyes, uma rapariguinha de 10 anos, obcecada por filmes e revistas de terror e que se vê a si própria como um lobisomem, esta novela gráfica apresenta-se como um diário, totalmente escrito/desenhado a esferográfica, em folhas pautadas de um caderno de argolas. Mais do que na vida de Karen, o fulcro do livro são as memórias de Anka Silverberg, a vizinha, sobrevivente do Holocausto que se suicidou, deixando uma série de cassetes em que relata  a sua vida e que Emil Ferris transpõe em imagens, de forma extremamente imaginativa e reveladora de uma grande versatilidade. Para mim, a maior surpresa de 2018.

10- My Heroes Have Always Been Junkies, de Ed Brubaker e Sean Phillips, Image
Outra presença regular nestas listas, a dupla Ed Brubaker e Sean Phillips continuam a produzir as melhores histórias policiais em BD que tenho lido. Este My Heroes Have Always Been Junkies, primeira novela gráfica ambientada no universo da série Criminal, dá-nos a descobrir mais uma personagem fascinante, mas que se revela um perigo para os outros. História muitíssimo bem escrita e desenhada com a extraordinária eficácia a que Phillips nos habituou, My Heroes...tem uma diferença em relação aos últimos trabalhos da dupla: a substituição da colorista Elisabeth Breitweiser, que tão boa conta tinha dado de si em Fatale e Fade Out, por Jacob Phillips, o filho do desenhador. 
Embora pareça um claro exemplo de nepotismo, a verdade é que as cores de Jacobs, que tal como no slogan do Poeta, "primeiro estranham-se e depois entranham-se", acabam por se adequar perfeitamente ao livro.

quarta-feira, 15 de março de 2017

No Coração das Trevas DC 1 - Joker: O Príncipe Palhaço do Crime


O JOKER ABRE DESCIDA AO CORAÇÃO DAS TREVAS DA DC

No Coração das Trevas DC Vol 1
Joker: O Príncipe Palhaço do Crime
Argumento – Bill Finger, Denny O’Neil, Ed Brubaker e Andy Kubert
Desenhos – Bob Kane, Neal Adams, Dough Mahnke e Andy Clark
Quinta, 09 de Março, Por + 9,90 €
Depois de duas colecções dedicadas aos principais heróis da editora de Batman e Super-Homem, o Universo DC regressa a Portugal já na próxima quinta-feira com uma colecção de 10 volumes dedicados ao lado sombrio desse universo, com os vilões a ganharem o protagonismo que raramente lhes está reservado. Vilões como Sinestro, o Lanterna Verde renegado que se revolta contra aqueles que jurou servir, numa saga épica que é um momento fulcral da memorável ligação de Geoff Johns às séries protagonizadas pelo Gladiador Esmeralda; o Esquadrão Suicida, que regressa com uma formação mais próxima daquela que conhecemos no cinema; Apocalipse, a única criatura capaz de matar o Super-Homem e que volta a defrontá-lo para tentar repetir o feito; culminando com a tão épica como inesperada união de todos os vilões em torno de Lex Luthor, para impedir a destruição da nossa Terra pelos heróis de outra dimensão, em Mal Eterno, a história em duas partes, magnificamente ilustrada por David Finch, que fecha esta colecção.
Mas no centro desta colecção estão os vilões de Gotham. Vilãs como a Harley Quinn, a Hera Venenosa, ou a Catwoman e vilões como o Pinguim e Duas-Caras, para além naturalmente do Joker, que está presente em três dos volumes desta colecção, que começa precisamente com uma antologia dedicada ao Jogral do Genocídio, que acompanha a sua carreira de décadas, reflectindo as alterações que acompanharam a própria evolução do género.
No início, o Joker não passava de um assassino, que os próprios criminosos de Gotham temiam e queriam eliminar. Foi sob essa forma que surgiu em 1940, nas páginas do nº 1 da revista Batman como arqui-inimigo do Cavaleiro das Trevas. Surge na primeira história da revista, e reaparece logo na última, mostrando bem a sua resiliência e o seu futuro como vilão. Ao longo dos anos 50 e 60, o seu carácter mudou, talvez influenciado pelo Comics Code Authority, que pretendia suavizar a violência nos comics, ou talvez sob influência da série de TV com o seu toque algo burlesco. Caído algo em desgraça, ressurgiria finalmente em 1973, nas páginas da revista Batman nº 251, o segundo capítulo deste volume, pelas mãos de Denny O'Neil e de Neal Adams, em As Cinco Vinganças do Joker, sob a forma do homicida louco e psicopático que nos habituámos a adorar.
Em O Homem que Ri, a principal história desta antologia, é o Joker e (o então Tenente) Gordon quem vão estar no centro da acção, numa história que faz a ponte com dois títulos clássicos da bibliografia do Cavaleiro das Trevas: Batman Ano Um de Frank Miller e David Mazzucchelli e Piada Mortal, de Alan Moore e Brian Bolland, com Ed Brubaker a mostrar-se um digno sucessor do trabalho desenvolvido por Miller e Moore.
Começando imediatamente após Batman Ano Um, O Homem que Ri reinventa o primeiro confronto entre Batman e o Joker, desenvolvendo a personalidade dos diversos intervenientes, através do mesmo recurso usado em Ano Um de pôr o Batman e Gordon a narrarem a história alternadamente, um mecanismo característico da literatura policial, género que Brubaker domina perfeitamente.
Finalmente, e a encerrar, uma pequena história mais moderna, assinada por Andy Kubert, aqui surpreendentemente como argumentista, com desenho de Andy Clarke, em que vemos um relance do passado e infância do Joker.
Uma excelente antologia dedicada ao mais popular e carismático vilão da DC, assinada por grandes autores, que serve de ponto de partida ideal para esta viagem de dez semanas ao coração das trevas do Universo DC.
Publicado originalmente no jornal Público de 03/03/2017

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Poderosos Heróis Marvel 9 - Capitão América: Sonhadores Americanos

Neste volume, o editorial também é da minha autoria. Por isso, aqui o deixo, em vez do texto do Público, que surge apenas em imagem, mas que pode facilmente ser lido, por quem carregar na imagem.
O REGRESSO DO HERÓI


Depois de termos assistido ao início do percurso de oito anos de Ed Brubaker como argumentista da série Captain America, em O Soldado de Inverno - a saga em dois volumes que abriu a colecção Universo Marvel - este volume da colecção Poderosos Heróis Marvel permite-nos acompanhar o início daquele que foi o capítulo final desse percurso inesquecível, que marcou profundamente a história de Steve Rogers, bem como os leitores. Um percurso iniciado em Janeiro de 2005, quando Brubaker substituiu Robert Kirkman, o criador de The Walking Dead, como argumentista do Capitão América, no número um da quinta série da revista do Sentinela da Liberdade.

Nascido em 1966, nos EUA, Ed Brubaker começou a sua carreira como autor completo, escrevendo e desenhando histórias policiais para editoras independentes, como a Dark Horse, antes da Vertigo, a linha mais adulta e alternativa da DC, publicar algumas séries que assinou como argumentista e que lhe abriram as portas da DC, editora com que assinou um contrato de exclusividade em 2000. Brubaker teve então a oportunidade de explorar a fundo o universo do Batman, em aventuras bem mais próximas do policial negro do que das tradicionais histórias de super-heróis, mantendo uma tendência de reinvenção do género noir, já patente nos seus trabalhos anteriores de menor visibilidade.
O seu primeiro trabalho para a Marvel foi precisamente a série do Capitão América, onde, para além de ter introduzido elementos característicos das histórias de espionagem, trouxe de volta ao Universo Marvel James Buchanan Barnes, o jovem pupilo do Capitão, mais conhecido por Bucky - que os leitores julgavam morto desde o final da Segunda Guerra Mundial, na sequência dos eventos que colocaram Steve Rogers em estado de animação suspensa, congelado no meio do Árctico, até ser descoberto pelos Vingadores. Mas a verdade é que Bucky não só não tinha morrido, como tinha sido salvo pelo exército soviético, que lhe fez uma lavagem cerebral e o transformou numa verdadeira máquina de matar, o Soldado do Inverno.

De um anacrónico “sidekick”, Bucky vai tornar-se numa personagem fulcral da série, que acaba mesmo por substituir Steve Rogers no papel de Capitão América, depois do Sentinela da Liberdade original ser morto na sequência dos acontecimentos da Guerra Civil, a saga publicada numa anterior colecção da Levoir, que colocou em confronto directo os principais heróis da Marvel. Bucky mostrou ser digno de usar o uniforme e o escudo do Capitão América, honrando a herança de Steve Rogers, mas, como o leitor bem sabe, a morte raramente é definitiva nas histórias de super-heróis e o (esperado) regresso de Steve Rogers ao mundo dos vivos acabou naturalmente por acontecer na mini-série Captain America: Reborn, escrita também por Brubaker. Mas isso não impediu Bucky de continuar a ser o Capitão América, até ser aparentemente morto durante a saga A Essência do Medo, também já publicada pela Levoir, e Steve Rogers se ver forçado a pegar novamente no escudo e voltar a vestir o uniforme listrado. Um regresso natural, sobretudo tendo em conta a estreia nesse ano do filme do Capitão América, realizado por Joe Johnston, que levou ao relançamento da revista do Capitão América, em Julho de 2011, com um sexto volume, cujos primeiros cinco números são ocupados precisamente por Sonhadores Americanos, a história que poderão ler nas páginas seguintes.

Mantendo o toque inconfundível de Brubaker, este regresso não deixa de ter características muito próprias, com o clima das histórias de espionagem a dar lugar a um registo de aventura em estado mais puro, com dimensões paralelas, um adolescente capaz de abrir portais para outras dimensões, robots gigantes e muita acção. Mas o que se mantém constante é a importância do passado na vida de Steve Rogers: mesmo que o funeral de Peggy Carter logo no início da história pareça indicar o fim de um ciclo, o passado de Steve Rogers durante a Segunda Guerra Mundial vai voltar para o atormentar na figura de Richard Bravo, um espião americano submetido nos anos vinte a um tratamento experimental semelhante ao programa do super soldado - que criou o Capitão América - que passou os últimos sessenta anos preso numa dimensão paralela, de onde saiu para descobrir que o sonho americano imaginado durante a Segunda Guerra Mundial tinha dado origem a uma realidade bem mais próxima do pesadelo.
A dar vida a esta história de Brubaker está um nome bem conhecido dos leitores das colecções que a Levoir dedicou à Casa das Ideias: Steve McNiven, O desenhador de origem canadiana, que se estreou na BD no início da década de 2000, desenhando a série Meridian e outros trabalhos para a editora CrossGen, rapidamente passou para a Marvel, onde se tornou um dos desenhadores mais populares da editora, graças ao seu espectacular trabalho em livros como Wolverine: Velho Logan e Guerra Civil, já publicados em Portugal pela Levoir. McNiven mostra aqui mais uma vez todo o seu virtuosismo, em páginas com uma planificação extremamente dinâmica e variada, que ajuda ao ritmo infernal de uma história movimentada e visualmente espectacular.
No último número da série, o desenhador canadiano conta com a ajuda de Giuseppe Camuncoli, desenhador italiano extremamente versátil, que tem dividido o seu talento entre o mercado americano, onde trabalhou tanto para a Marvel como para a DC, e o mercado europeu, onde também deixou a sua marca, seja a desenhar a série Dylan Dog ou a continuação da série Os Escorpiões do Deserto, de Hugo Pratt, o criador de Corto Maltese.
A completar este volume, temos três histórias curtas, extraídas da revista Captain America #616, número especial comemorativo dos setenta anos da criação, por Jack Kirby e Joe Simon, do Capitão. Um número cronologicamente anterior à história que o antecede, cuja acção decorre numa fase em que Steve Rogers, já regressado ao Universo Marvel, ainda não tinha decidido reassumir as funções de Capitão América e em que Bucky Barnes, o Soldado do Inverno, estava preso numa prisão russa. Duas dessas histórias recapitulam, cada uma à sua maneira, a carreira do Capitão América, o que, no caso da história ilustrada por Travis Charest, que tem aqui um breve regresso à BD, é feito em apenas uma página. A terminar, temos A Exposição, a única história deste volume que não é escrita por Brubaker. Uma história tão peculiar como curiosa, escrita por Franklin Tieri e ilustrada por Paul Azaceta, em que Steve Rogers investiga um marchand de arte que tem um segredo que o próprio desconhece…

sábado, 22 de novembro de 2014

Universo Marvel 19 - Vingadores Vs X-Men Vol1: O dia da Fénix


VINGADORES E X-MEN NUM CONFRONTO 
QUE VAI MUDAR A FACE DO UNIVERSO MARVEL


UNIVERSO MARVEL VOL 19
Vingadores Vs X-Men  Vol 1 – O Dia da Fénix
Argumento – Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman e Matt Fraction
Desenhos – John Romita Jr., Olivier Copiel e Andy Kubert

 A colecção Universo Marvel aproxima-se do fim com a publicação da primeira parte da saga que concretiza o sonho de milhares de fãs da Marvel que sempre imaginaram como seria um confronto entre os Vingadores e os X-Men, os dois maiores grupos de heróis da Casa das Ideias.
 Este confronto, muitas vezes imaginado mas só agora concretizado é a consequência lógica dos acontecimentos que os leitores do Público poderam acompanhar em sagas como Dinastia de M, que reduziu drasticamente a população de mutantes, ou Vingadores, o fim de uma Era. Sagas inesquecíveis que alteraram profundamente o equilíbrio de forças do Universo Marvel, levando a uma profunda reorganização de que o Argumentista Brian Michael Bendis foi o principal arquitecto e que se concretiza finalmente nesta história, em que o regresso da Força Fénix, que levou à morte de Jean Grey na sequência do clássico A Saga da Fénix Negra, publicada numa anterior colecção dedicada à Marvel, vai levar ao confronto entre os X-Men, liderados por Scott Summers, o Ciclope e por Emma Frost, após a morte do Professor Xavier e os Vingadores, em cujas fileiras está Wolverine que durante décadas foi o mais popular dos X-Men e que agora se vê forçado a defrontar os seus antigos companheiros
E se esta saga, cuja primeira parte poderemos ler na próxima quinta-feira, reúne os maiores heróis da Marvel, em termos de talento criativo a situação não é muito diferente, pois é difícil reunir numa mesma história argumentistas do calibre de Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman e Matt Fraction. Nomes que estão indiscutivelmente entre os maiores escritores a trabalhar no mercado americano de BD, com um trabalho de altíssima qualidade que não se restringe às histórias de super-heróis.
Em termos gráficos, o talento também está à altura da importância do acontecimento, como o atesta a presença de um dos maiores Ilustradores da Marvel das últimas décadas: John Romita Jr., desenhador que ao longo de uma carreira de mais de 40 anos já passou pelas principais séries da Marvel e que aqui tem mais uma oportunidade de voltar a desenhar os principais heróis da Casa das Ideias, reunidos numa história épica. Mas Romita Jr. não é o único desenhador a ilustrar este confronto entre os Vingadores e os X-Men, contando com a companhia inspirada de Olivier Coipel, nome bem conhecido dos leitores destas colecções graças ao seu trabalho em Dinastia de M, Thor renascido e Cerco, e ainda de Adam Kubert, filho do lendário Joe Kubert, que mais uma vez prova estar à altura do legado do pai.
Em suma, um elenco de luxo para uma história à altura, que encerra com chave de ouro esta movimentada viagem pelo Universo Marvel.
Texto publicado no jornal Público de 07/11/2014

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Universo Marvel 2 - Capitão América: O Soldado do Inverno 2



O COMBATE FINAL ENTRE O CAPITÃO AMÉRICA E O SOLDADO DE INVERNO

Universo Marvel - Vol 2 
Capitão américa: O Soldado do Inverno, Parte 2 
Argumento - Ed Brubaker Desenhos - Steve Epting, Michael Lark, Lee Weeks e Stefano Guaudiano 
Quinta, 18 de Julho + 8,90 €
Conclui no segundo volume, que chega às bancas e quiosque de todo o país na próxima quinta-feira, a história épica que assinalou a estreia de Ed Brubaker como escritor do Capitão América e o regresso de Bucky Barnes ao Universo Marvel, como o Soldado do Inverno. A mesma história que serviu de base para o último filme do Capitão América, estreado em finais de Março com enorme sucesso em todo o mundo, incluindo Portugal.
 Criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby, correspondendo ao gosto da época, que preconizava que os heróis deviam contar com o apoio de um sidekick, um ajudante juvenil, com o qual os jovens leitores se pudessem mais facilmente identificar, tal como acontecia em relação ao Batman e ao Robin, Bucky foi o fiel companheiro do Capitão América durante a Segunda Guerra Mundial acompanhando o herói na sua luta contra os inimigos da nação americana. Mesmo com o fim da guerra, e a consequente perda de popularidade do Capitão América, que levou ao cancelamento da revista que lhe era dedicada, Bucky manteve-se ao seu lado, quando os dois regressaram à BD em finais de 1953, no auge da Guerra Fria E em pleno macarthismo, como caçadores de comunistas, num curto regresso quase sem história e completamente sem glória, de que Simon e Kirby não têm qualquer responsabilidade.
Quando em 1964, já em plena era Marvel, Stan Lee e Jack Kirby decidem recuperar o Capitão América na revista dos Vingadores, Bucky já não o acompanha, pois Stan Lee, que nunca foi muito entusiasta dos jovens sidekicks, achava que só um super-herói completamente irresponsável é que iria colocar em risco a vida de um menor, obrigando-o a combater criminosos adultos e impiedosos. Assim, ficou estabelecido que Bucky perdeu a vida no final da Segunda Guerra Mundial, na sequência do acidente que deixou o Capitão América em estado de hibernação suspensa num bloco de gelo durante décadas, e assim se manteve morto durante largas décadas.
Se nas histórias de super-heróis a morte raramente é permanente, a persistência com que Bucky se manteve ausente das histórias do Capitão América, excepto nas cenas de flashbacks passadas na Segunda Guerra Mundial, mostrou ser tão notável, que até deu origem a um aforismo, célebre entre os leitores de histórias de super-heróis, que ficou conhecido como a Cláusula Bucky. Segundo essa cláusula, nos comics de super-heróis “ninguém permanece morto, excepto o Bucky, Jason Todd e o Tio Ben”. A verdade, é que, até ver, apenas o Tio Ben, cuja morte levou Peter Parker a transformar-se no Homem-Aranha, se mantém morto, pois Jason Todd, que tinha combatido ao lado do Batman como o segundo Robin, também vai sofrer um processo muito semelhante ao de Bucky, regressando ao mundo dos vivos como inimigo do homem que foi o seu mentor.
É esse confronto entre o Capitão América e o homem que foi o seu maior amigo durante a Segunda Guerra Mundial, que está no centro deste segundo volume, em que descobrimos como o exército soviético resgatou Bucky dos braços da morte e manipulou o seu corpo e a sua mente, até o transformar numa fria e eficiente máquina de matar, o Soldado do Inverno. Mas esse é apenas um dos elementos de uma complexa história de espionagem, em que Steve Rogers, o Capitão América, descobre ser um mero pião de uma conspiração mais vasta, urdida de forma maquiavélica por um velho inimigo que todos julgavam morto.
Publicado originalmente no jornal Público de 11/07/2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

Textos editoriais Marvel NOW! 2 - O Soldado do Inverno



Aqui está o meu segundo texto para as revistas da série Marvel NOW!, neste caso dedicado ao Soldado de Inverno, a propósito da estreia do segundo filme do Capitão América, que adapta a história de Ed Brubaker onde surge pela primeira vez o Soldado do Inverno.
Inicialmente previsto para sair no nº 3 da revista dos Vingadores, por uma questão de espaço, este texto acabou por sair na revista dos X-Men. Um título que eu nem sequer costumo seguir, mas a que vou ter que estar mais atento, pois o meu próximo texto sairá também nesse título, como verão em Maio...

O ESPIÃO QUE VEIO DO FRIO

Como bem sabem os leitores de histórias de super-heróis, para os personagens das suas histórias favoritas, a morte está longe de ter um caracter definitivo. Esta é uma realidade que atinge tanto heróis como vilões e que, é tão válida para a DC como para o universo Marvel, onde personagens como Elektra, Professor Xavier, Capitão América e Jean Grey, entre muitas outras, conseguiram voltar da última viagem. Esta situação é tão evidente que existe um aforismo, partilhado por muitos fãs dos comics de super-heróis e conhecido como a Cláusula Bucky, que diz que, nos comics “ninguém permanece morto, excepto o Bucky, Jason Todd e o Tio Ben”.
Na realidade, o tio Ben, que lembrou a Peter Parker que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” e cuja morte serviu como motivação ao seu sobrinho para assumir essas mesmas responsabilidades e combater o crime como o Homem-Aranha, mantém-se a única excepção a essa cláusula (até ver…), pois Jason Todd, o segundo Robin, morto pelo Joker, acabou por regressar anos depois como o Capuz Vermelho, o mesmo sucedendo com Bucky, como veremos a seguir.
 Mesmo assim, Bucky Barnes está entre as personagens da Marvel que mais tempo se mantiveram mortas. O jovem ajudante (ou "sidekick") do Capitão América, que perdeu a vida no final da Segunda Guerra Mundial na sequência do acidente que deixou o Capitão América em estado de hibernação suspensa num bloco de gelo durante décadas, até ser descoberto pelos Vingadores, só foi ressuscitado em 2005 por Ed Brubaker no decorrer da sua memorável passagem pela série do Capitão América acabando até, na sequência da morte de Steve Rogers durante a Guerra Civil (uma saga publicada em Portugal pela Levoir/Público em 2012) por assumir as funções de Capitão América com um sucesso tal, que quase fez esquecer o original.
O personagem de Bucky Barnes apareceu pela primeira vez em 1941 na revista Captain America Comics, criado por Joe Simon e Jack Kirby, correspondendo ao gosto da época que preconizava que os heróis deviam ter um apoio de um pequeno ajudante, um sidekick, com o qual os jovens leitores se pudessem mais facilmente identificar e que, à semelhança de Robin em relação a Batman, acompanha o Capitão América na luta contra os inimigos da nação americana. Com o fim da guerra, a popularidade do Capitão América e de Bucky foi-se lentamente apagando, até a revista ser cancelada. Voltariam com a Guerra Fria em finais de 1953, mas seria um regresso sem glória, que não durou mais de 3 números, e ao qual não estiveram ligados Simon e Kirby. O Capitão América acabaria por regressar em 1964, já em plena era Marvel, graças ao esforço conjunto de Stan Lee e Jack Kirby, que souberam adaptar o herói dos anos 40 à realidade da década de 60.
Esse regresso dá-se nas páginas da revista Avengers # 4, com o grupo de super-heróis a descobrir o Capitão América dentro de um iceberg, onde jazia congelado desde o final da II Guerra Mundial, na sequência da explosão de uma bomba voadora criada pelo Barão Zemo, que custaria a vida a Bucky e atiraria o Capitão América para as águas geladas do Atlântico norte. Uma ideia engenhosa de Stan Lee, que permitiu recuperar o Capitão América para os anos 60, fazendo tábua rasa do caçador de comunistas dos anos da Guerra Fria, transformando o símbolo da América em guerra, numa figura mais frágil, afectada pelos problemas e as neuroses habituais no universo Marvel. Um indivíduo fora do seu tempo, a ter que aprender a viver numa época que não é a sua, atormentado pela morte do seu companheiro Bucky, cujas histórias vão reflectir as mudanças de uma América que vai passar pelos traumas do Vietname, pelo escândalo Watergate, pelo triunfalismo da era Reagan e pelo choque dos atentados de 11 de Setembro.
Ao longo desse percurso, o Capitão América contou com diversos aliados, com destaque para o Falcão, mas nenhum deles era menor de idade, pois Stan Lee, que nunca foi muito fã dos jovens sidekicks, achava que um super-herói que colocasse em perigo a vida de um menor, seria completamente irresponsável. Assim, a presença de Bucky nas aventuras do Capitão América ficou limitada aos flash-backs dos tempos da 2ª Guerra Mundial, até Ed Brubaker decidir romper a Cláusula Bucky, em O Soldado de Inverno, o arco inaugural da sua passagem pela revista do Capitão América. Nascido em 1966, Ed Brubaker começou a sua carreira a escrever e desenhar histórias policiais para editoras independentes, antes da Vertigo publicar algumas séries que assinou como argumentista e que lhe abriram as portas da DC e da Marvel.

Embora tenha escrito os principais heróis das duas editoras, o gosto pelo policial negro e pela espionagem estão sempre presentes nos seus trabalhos e o Soldado de Inverno introduz no universo do Capitão América elementos característicos das histórias de espionagem ambientadas na Guerra Fria. Com efeito, nas histórias escritas por Ed Brubaker e ilustradas por Steve Epting, descobrimos que o corpo congelado de Bucky foi descoberto por um submarino soviético e que os serviços secretos soviéticos que o vão conseguir fazer regressar à vida, lhe fizeram uma lavagem cerebral e o programaram para ser um assassino frio e extraordinariamente eficiente, sem qualquer lembrança do seu passado.
É precisamente esse arco de histórias que está na base do novo filme do Capitão América que, quando esta revista chegar às bancas, já estará em exibição nos cinemas de todo o país.
Dirigido por Anthony e Joe Russo, Capitão América: O Soldado do Inverno conta com argumento de Christopher Marcus e Stephen Mcfeely, que já tinham escrito o anterior filme do Capitão América e que prosseguem com a adaptação do herói ao mundo actual, colocando-o no centro de uma história de espionagem que vai abalar as convicções de Steve Rogers.
Mais do que uma história de super-heróis, este parece ser um filme de espionagem, que presta homenagem aos trillers políticos dos anos 70, aspecto reforçado pela presença de Robert Redford, actor que nos anos 70 esteve presente em Os Três Dias do Condor e Os Homens do Presidente, os dois mais importantes filmes desta tendência e que em Capitão América: O soldado de Inverno, veste a pele de Alexander Pierce, um director da S.H.I.E.L.D.
Brubaker, que leu o argumento e acompanhou as filmagens, não hesita em afirmar que “este vai ser o maior filme de super-heróis jamais feito.
Não me consigo lembrar de nenhum melhor e estou a contar com a trilogia do Cavaleiro das Trevas, do Christopher Nolan. É acima de tudo um triller e o facto de se tratar de um filme de super-heróis parece acessório. Está mais próximo de filmes como Os Três Dias do Condor, ou Missão Impossível, do que do filme dos Vingadores. Tem uma atmosfera fantástica e a forma como são filmadas as cenas de acção é muito excitante”.
No momento em que este texto foi originalmente escrito, não é possível ainda confirmar a opinião de Ed Brubaker, mas a avaliar pelo espectacular trailer, acredito que o prestigiado argumentista não estará a exagerar nos elogios.
Publicado originalmente na revista X-Men nº 3, de Abril de 2014.

sábado, 5 de abril de 2014

Capitão América regressa ao cinema em clima de conspiração


Já está nas salas de cinema nacionais desde quinta-feira, dia 27 de Março, o novo filme da Marvel, que traz de volta o Capitão América, para combater uma conspiração bem no coração dos serviços secretos americanos, que ameaça a liberdade do mundo ocidental.
Depois de um primeiro filme de ambiente mais “retro”, que explora as origens do Capitão América, durante a II Guerra Mundial, este 2º filme do Capitão América está mais próximo do ambiente de paranóia dos trillers de espionagem dos anos 70, que cruza com a recuperação de uma das histórias recentes, das mais importantes do personagem na BD, escrita por Ed Brubaker. Essa história, em que Brubaker introduz no universo do Capitão América elementos característicos das histórias de espionagem ambientadas na Guerra Fria, chama-se O Soldado de Inverno e assinala o regresso à BD de Bucky, o jovem ajudante do Capitão América, que estava oficialmente morto desde a II Guerra Mundial.
Com efeito, nessa história escrita por Ed Brubaker e ilustradas por Steve Epting, descobrimos que o corpo congelado de Bucky foi descoberto por um submarino soviético e que os serviços secretos soviéticos que o vão conseguir fazer regressar à vida, lhe fizeram uma lavagem cerebral e o programaram para ser um assassino frio e extraordinariamente eficiente, sem qualquer lembrança do seu passado, o Soldado do Inverno.
É precisamente esse o ponto de partida do filme Capitão América: O Soldado do Inverno dirigido por Anthony e Joe Russo, com argumento de Christopher Marcus e Stephen Mcfeely, que já tinham escrito o anterior filme do Capitão América e que prosseguem com a adaptação do herói ao mundo actual, colocando-o no centro de uma história de espionagem, que reflecte acontecimentos recentes como as acções de espionagem da NSA denunciadas por Edward Snowden, que vão abalar as convicções de Steve Rogers na política de segurança do país que jurou defender.

 Mais do que uma história de super-heróis (com a excepção da Viuva Negra, os outros membros dos Vingadores brilham pela ausência), ou sequer uma adaptação literal da BD de Brubaker, este é sobretudo um filme de espionagem, que presta homenagem aos filmes políticos dos anos 70, aspecto reforçado pela presença de Robert Redford, actor que nos anos 70 esteve presente em Os Três Dias do Condor e Os Homens do Presidente, os dois mais importantes filmes desta tendência e que em Capitão América: O soldado de Inverno, veste a pele de Alexander Pierce, um director da S.H.I.E.L.D que vai ter um papel muito importante na história.
Ed Brubaker, que leu o argumento e acompanhou as filmagens, não hesita em afirmar que “este vai ser o maior filme de super-heróis jamais feito. Não me consigo lembrar de nenhum melhor e estou a contar com a trilogia do Cavaleiro das Trevas, do Christopher Nolan. É acima de tudo um triller e o facto de se tratar de um filme de super-heróis parece acessório. Está mais próximo de filmes como Os Três Dias do Condor, ou Missão Impossível, do que do filme dos Vingadores. Tem uma atmosfera fantástica e a forma como são filmadas as cenas de acção é muito excitante”.

Visto o filme, a verdade é que Brubaker não exagera e este é, quanto a mim, o mais conseguido filme da Marvel até agora, com excelentes cenas de acção, uma intriga bem construída, um pouco menos de humor que os filmes do Homem de Ferro, ou dos Vingadores e excelentes interpretações, especialmente de Chris Evans, que está cada vez mais à vontade na pele do herói-símbolo da América. O maior senão talvez seja o facto da personagem do Soldado do Inverno não ser tão explorada como podia, nem ser explicado, como é que ele, sendo “criado” pelo KGB, acaba a trabalhar para a HIDRA… Mas alguns desses aspectos poderão vir a ser desenvolvidos em próximos filmes, até porque o contrato de Sebastian Stan, o actor que fez primeiro de Bucky e agora de Soldado do Inverno, contempla 6 filmes da Marvel.
O mais adulto dos filmes da Marvel, Capitão América: O Soldado do Inverno é claramente um passo em frente na consolidação do universo da Marvel no cinema, tão recomendável para os fãs do super-herói, como para quem gosta de uma boa história de espionagem.
A terminar, um aviso. Como é habitual nos filmes da Marvel, convém não sair do cinema mal acaba o filme e acompanhar a ficha técnica até ao fim, pois há, não uma, mas duas cenas extras, que preparam o caminho para os próximos filmes da “Casa das Ideias”.
 (“Capitão América: o Soldado do Inverno”, de Anthony e Joe Russo, com Chris Evans, Sebastian Stan, Scarlett Johansson e Samuel L. Jasckson, Marvel Studios, 2014. Em exibição em Coimbra nos cinemas Zon Lusomundo Dolce Vita e Fórum Coimbra) 
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 05/04/2014

quarta-feira, 12 de março de 2014

As 10 Melhores BDs que li em 2013 - Parte 1




Ao contrário do ano passado, em que consegui colocar a minha lista online logo no início de Janeiro, desta vez foi preciso esperar quase três meses... Mas, mesmo  com grande atraso, pelo qual peço desculpa aos leitores (se os houver...) deste blog, aqui esta ela!.
Como sempre, a lista refere-se a livros que li em 2013, independentemente da data original de publicação. Também como habitualmente, a lista é apresentada por ordem alfabética, não estabelecendo qualquer hierarquia entre os títulos que a integram.
Mantendo a tradição, aqui ficam os cinco primeiros títulos. Os restantes serão postados durante a próxima semana.



















1 - Ardalén, de Miguelanxo Prado, Asa

No regresso à BD após anos de ausência, Miguelanxo Prado assina um dos melhores e mais ambiciosos trabalhos da sua carreira. Complexa e poética reflexão sobre a memória, repleta de imagens belíssimas, como é habitual no autor, Ardalén fecha com chave de ouro a trilogia marítima de Prado, iniciada com Traço de Giz e prosseguida com De Profundis. Imperdível!



















2 - Billy Bat, de Naoki Urasawa e Takashi Nagasaki, Pika

 Decididamente, Naoki Urasawa é um dos mais fascinantes criadores a trabalhar no campo da BD. Seja no Ocidente, ou no Oriente. Desta vez, Urasawa, que volta a contar com Takashi Nagasaki, que já tinha trabalhado com ele em Pluto, como co-argumentista, conta a história de Kevin Yamagata, um desenhador americano de origem japonesa, que descobre que a sua mais popular criação, um morcego detective chamado Billy Bat, pode ter sido inconscientemente copiada de um desenho que viu no Japão, enquanto lá esteve a cumprir o serviço militar. No seu regresso ao Japão, para encontrar o criador original de Billy Bat, Yamagata vê-se envolvido numa complexa conspiração que lhe pode custar a vida e descobre que o símbolo de Billy Bat estava presente em momentos-chave da história da humanidade, marcando a vida de personagens como Judas Iscariotes, São Francisco Xavier, Lee Harvey Oswald e até Neil Amstrong, que ao chegar à Lua descobre traçado numa cratera lunar o símbolo de Billy Bat. Ainda em curso de publicação no Japão, este parece ser o projecto mais ambicioso de Urasawa e, até agora, tão viciante quanto Monster, ou Pluto. 




















3 - Chew, de John Layman e Rob Guillory, Image 

Apesar dos vários prémios e das excelentes críticas, confesso que só no ano passado, quando Chew já tinha passado os 30 fascículos, dos 60 previstos, é que decidi prestar a devida atenção a esta divertida série da Image. O motivo da demora foi o traço caricatural de Rob Guillory, que devo confessar, não me entusiasmou nada...
Mas a verdade é que o desenho funciona bem no contexto desta história policial, tão divertida como delirante, protagonizada por Tony Chu, o detective cibopata, cuja capacidade de sentir a vida inteira daquilo que ingere, se revela muito útil no seu trabalho. Passada num futuro próximo, em que uma estirpe especialmente potente da gripe das aves provocou milhões de mortes e a proibição da venda e consumo de carne de frango, Chew é uma das séries mais originais em publicação no mercado americano.



















4 - El Heroe, de David Rubin, Astiberri

Depois de obras mais intimistas como El Circo del Desaliento, o autor galego David Rubin lançou-se no ambicioso projecto de transpôr a lenda de Hércules para a BD. Só que conta as façanhas do herói da mitologia grega como se fosse um comic de super-heróis desenhado por Jack Kirby, com resultados tão inesperados como estimulantes, muito por força do grande talento narrativo de Rubin que, terminados os dois volumes de El Héroe, já usou o mesmo processo noutro clássico da mitologia. a saga de Beowulf, desta vez em parceria com Santiago Garcia, que adaptou o poema épico.


















Fatale, de Ed Brubaker e Sean Phillips, Image

Depois de terem revolucionado o policial negro com Criminal, Brubaker e Phillips regressam às histórias policiais num registo bastante menos clássico, em que a intriga policial se articula com o terror, num ambiente inspirado pelos contos de H. P. Lovecraft. A protagonista desta história, inicialmente prevista para 12 episódios, mas que afinal, vai ter 24, é Josephine, ou Jo, a "femme fatale", cuja capacidade de sedução sobrenatural acaba por se revelar uma maldição. O grande truque de Brubaker nesta série consiste em alternar a perspectiva e contar a história do ponto de vista da mulher fatal, que só o é porque precisa de sobreviver. Exemplo perfeito da total empatia de dois grandes criadores no auge das suas capacidades, Fatale tem tudo para agradar aos fãs do policial como do fantástico.