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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Textos Editoriais Marvel NOW! 5 - Homem-Aranha Superior 9

Na semana em que chegou às bancas a última edição mensal da Marvel publicada pela Panini Espanha no mercado português, aqui deixo o quinto e último texto que escrevi para essas revistas, sem saber na altura que seria o último. 
Esta não foi a primeira aventura da Panini Espanha na edição da Marvel em Portugal, pois em meados da década de 2000 tinham lançado dois ou três livros, entre os quais Os Eternos de Neil Gaiman e Romita Jr, em edições produzidas pela equipa da BD Mania e que apenas tiveram distribuição nas lojas FNAC.
Esta segunda tentativa não teve vida muito mais longa e acabou pelos mesmos motivos: fracas vendas, motivadas por uma escassa divulgação e por uma distribuição deficiente, que nem sequer previa a distribuição nas livrarias, ou a encomenda de números atrasados. Extinguiram-se assim, de forma ainda mais discreta do que começaram, as revistas que davam a conhecer aos leitores portugueses com uma qualidade muito superior à das edições brasileiras, a fase mais recente do Universo Marvel, deixando várias histórias por terminar. 
O futuro (próximo) dirá se alguém vai voltar a pegar na Marvel em Portugal em termos de publicações mensais, mas a fase Marvel Now! em português de Portugal, acabou agora. 
Resta-me agradecer ao José de Freitas, meu antigo patrão na Devir e amigo de sempre, o convite para colaborar neste projecto, escrevendo rigorosamente sobre o que me apeteceu e quando me apeteceu.   


ASSUSTADORA SIMETRIA

Tyger Tyger, burning bright, 
In the forests of the night; 
What immortal hand or eye, 
Could frame thy fearful symmetry?

Assim começa Tyger, o famoso poema de William Blake que, para além de ser o mais conhecido trabalho do poeta inglês, foi sendo objecto de citação e homenagem em diversos media, desde a música - servindo por exemplo de letra a uma canção dos Tangerine Dream - até ao cinema e televisão, e principalmente, a Banda Desenhada. Aqui, além de ser citado ao longo do 5º capítulo de Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons intitulado precisamente Fearful Simetry, está também em grande destaque no clássico A Ultima Caçada de Kraven, uma história do Homem-Aranha, de J. M. De Matteis e Mike Zeck, recentemente editada em Portugal pela Levoir, numa colecção distribuída com o jornal Público. A história, que teve precisamente como título de trabalho Fearful Simetry, usa abundantemente o poema de Blake, numa versão ligeiramente modificada, em que o tigre (tyger) dá lugar à aranha (spyder), que funciona como uma espécie de mantra, que pontua e ilumina os momentos mais importantes da narrativa,
E foi precisamente a (re)leitura de A Última Caçada de Kraven para escrever o editorial desse volume, que me chamou a atenção para os grandes pontos de contacto entre o clássico de De Matteis e Zeck e a saga do Homem-Aranha Superior, criada por Dan Slott, que podem ler nesta revista. Comparando as duas histórias, há diversos elementos em comum  que revelam essa simetria. Uma simetria que, não sendo propriamente assustadora, não deixa de ser, no mínimo, curiosa…
A verdade é que a história de um vilão que mata o herói e assume o seu lugar, está longe de ser propriamente original. O próprio De Matteis já em meados da década de 80, tinha proposto à Marvel uma mini-série de Wonder Man, em que este era enterrado e acabava por conseguir libertar-se da campa, mas o editor Tom De Falco rejeitou a proposta, o que levou o escritor a reformular a história e e levá-la à DC, transformada numa aventura do Batman, em que o Joker mata o Batman, o que o deixa curado… Mais uma vez, a proposta seria rejeitada, neste caso, por ter alguns pontos de contacto com A Piada Mortal, que Alan Moore estava a preparar na altura. Só quando De Matteis reformulou novamente o conceito e o levou outra vez à Marvel, transformado numa aventura do Homem-Aranha, é que a história foi finalmente aceite, com o sucesso que conhecemos.
Outro exemplo é dado por Mark Millar em Wolverine: O velho Logan, também editado em Portugal pela Levoir, em que o Caveira Vermelha, depois de matar o Capitão América, não só assume o seu lugar, mas passa a usar o uniforme do Capitão, como símbolo da vitória final sobre o seu maior adversário
Mas, no caso da história de Dan Slott, há mais do que um ponto de partida semelhante, até porque o Kraven de De Matteis é o primeiro a considerar-se “superior” ao Homem-Aranha original, quando refere “Massacrei a Aranha. Transformei-me nela. Cacei como a aranha caça… consumi as suas presas. Provei que sou superior a ela em todas maneiras.” Ou seja, tanto Kraven, como o Dr. Octopus não se contentam em vencer e matar o Homem-Aranha. Decidem ocupar o seu lugar e desempenhar a sua missão, mas de uma forma mais eficiente, sem as restrições morais que afectam Peter Parker, e que por isso, eles consideram superior. Algo que os resultados iniciais da actuação de ambos, parece confirmar.
A grande diferença está na motivação de ambos e na forma como se relacionam com Peter Parker, o homem por trás da máscara do Homem-Aranha. Kraven vê o Homem-Aranha como um símbolo, não tendo qualquer interesse em descobrir a identidade secreta do herói. Apenas pretende derrotá-lo e tomar o seu lugar, o que consegue, mas a vitória deixa-o de tal forma vazio que considera que já não tem mais nenhum motivo para viver…
 Já o Dr. Octopus quer ocupar literalmente o lugar de Peter Parker, em todos os sentidos (mesmo que resista à tentação de se envolver com Mary Jane…) e a sua actuação é bastante mais linear e lógica do que a do emotivo Kraven, tal como o seu empenho em cumprir as funções do Homem-aranha de uma forma superior é bem mais acentuado. Esta diferença é natural, pois se Peter Parker e Sergei Kravinoff pouco têm em comum, já Parker e Otto Octavius são personalidades simétricas que optaram por caminhos diferentes (o caminho do mal, no caso do Dr. Octopus), mas ambas têm bem a noção de que grandes poderes implicam grandes responsabilidades. Responsabilidades que Otto Octavius não tem enjeitado, usando o corpo e os poderes de Peter Parker com os mesmos objectivos, mas com uma eficácia superior.
Texto originalmente publicado no nº 9 da revista Homem-Aranha Superior, de Ourtubro de 2014.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Textos editoriais Marvel NOW! 5 - Homem-Aranha Superior 06


O HÁBITO E O MONGE

Diz um conhecido ditado popular que “o hábito não faz o monge”. E, se como geralmente acontece, estes ditados têm um fundo de verdade, não é menos certo de que a realidade, ou no caso da Banda Desenhada, a ficção criada pela mente dos autores, acaba por ser bem mais complexa do que a sabedoria popular simplisticamente a apresenta.
A saga que temos acompanhado nesta revista é um bom exemplo de uma realidade demasiado complexa para se encaixar completamente neste ditado, mas a verdade é que as histórias de super-heróis, pela forma como exploram a ligação entre o herói e o uniforme que se torna a sua segunda pele, permitem facilmente uma aproximação a este provérbio.
Curiosamente, um dos pioneiros do género superheróico, o Fantasma, de Lee Falk, criado em 1936, ou seja, ainda antes do aparecimento do Super-Homem, é uma das raras excepções a esta regra, pois o homem por trás da máscara é apenas o mais recente membro de uma linhagem de vinte e uma gerações de combatentes do crime. Uma tradição nascida em 1536, quando o sobrevivente de um ataque de piratas em que morreu o seu pai, fez um juramento solene de combater o crime como o Fantasma até ser substituído pelo seu filho, quando a sua hora chegar. Assim o misterioso vingador aparentemente imortal conhecido como o “Espírito que Caminha” é apenas o mais recente elo de uma cadeia familiar, que o inconfundível uniforme justo, concebido por Lee Falk para ter cor cinzenta, mas que acabou por sair roxo devido a um erro da gráfica, ajuda a perpetuar.
Mas como bem sabem os leitores, a regra é encontrarmos sempre o mesmo homem dentro do uniforme. Steve Rogers é e será o Capitão América, Peter Parker, o Homem-Aranha, Matt Murdock, o Demolidor e Bruce Wayne, o Batman. Mesmo que Bucky Barnes já tenha sido o Capitão América, depois da morte de Rogers durante a Guerra Civil, e que o próprio Steve Rogers tenha assumido outras identidades, como Nomad, a seguir ao escândalo de Watergate, ou The Captain, ou que durante as décadas em que permaneceu em animação suspensa nos gelos do Ártico, outros homens, como William Naslund, Jeffrey Mace e William Burnside tenham também vestido o uniforme inspirado na bandeira americana.
Também Peter Parker tem assumido ao longo dos anos a grande responsabilidade de combater o crime como o Homem-Aranha, mesmo que a mente que ocupa o seu corpo seja a do Dr. Octopus, como acontece actualmente, ou como aconteceu na tristemente célebre saga do Clone, Ben Rilley, o Scarlet Spider, que se pensava ser um clone de Peter Parker, revelou ser o original e que o verdadeiro clone era o Peter Parker que os leitores conheciam desde sempre. Mas a mais interessante variação deste ditado, em que o hábito deu origem a um novo monge de uma ordem diferente, é mesmo a que sucedeu com o uniforme negro que Peter Parker arranjou durante as Guerras Secretas, e que cedo assumiu vida própria, revelando ser um simbiote alienígena que passou a infernizar a vida do Homem-Aranha como Venom.
Mais recentemente, face ao sucesso das personagens da Marvel no cinema, houve a necessidade de alterar os uniformes de alguns heróis, aproximando-os do aspecto com que aparecem no grande ecrã, e aqui o Gavião Arqueiro saiu claramente a ganhar, trocando o bastante ridículo uniforme original, pelo mais discreto e cinematográfico uniforme actual.
Quem leu o seminal Demolidor Renascido de Frank Miller e David Mazzucchelli, em que Matt Murdock passa a maioria da história sem uniforme, percebe que um herói continua a sê-lo, mesmo sem o fato vestido, mas isso não apaga a grande importância simbólica dos uniformes dos Super-Heróis. Mais do que um disfarce que protege a identidade de quem o usa, o uniforme do super-herói é um símbolo, uma ideia e, como bem lembra Alan Moore em V for Vendetta, “ as ideias são à prova de bala”, mesmo que os homens dentro do fato não o sejam.
Texto originalmente publicado em Homem-Aranha Superior nº 06, de Julho de 2014

domingo, 29 de junho de 2014

Textos Editoriais Marvel NOW! 4 - Capitão América: Perdido na Dimensão Z


UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA

O livro que vão ler a seguir, assinala a estreia do Capitão América na linha Marvel NOW, iniciativa que marcou um novo ponto de partida para muitos heróis da Marvel e uma porta de entrada para novos leitores.
No caso do Capitão América, coube a Rick Remender a ingrata tarefa de suceder à marcante etapa de Ed Brubaker como argumentista do Sentinela da Liberdade. Uma fase incontornável e impossível de superar no mesmo registo, razão porque Remender optou por uma abordagem completamente diferente, que troca as histórias de espionagem e a intriga política que marcaram a fase de Brubaker por uma abordagem diferente, que explora a fundo a dimensão fantástica do Universo Marvel, retirando o Capitão América dos cenários habituais, para o enviar para um mundo inóspito e surreal. Um mundo em que Steve Rogers não é visto como o símbolo do ideal americano, mas como um estranho a tentar sobreviver numa terra tão estranha como perigosa, um mundo desolado, repleto de ameaças mortíferas.
 Como muitas vezes tem acontecido ao longo da história da Marvel, é Jack Kirby que indica o caminho a seguir. Não a fase inicial de criação da personagem com Joe Simon, nos anos 40, mas o regresso do King às histórias do Capitão América, nos anos 70. É essa fase, tão imaginativa, como delirante que Remender vai usar para ponto de partida da sua aproximação ao Sentinela da Liberdade. Como o próprio refere: “havia um tom muito próprio no que Jack fazia nos anos 70. Uma estranha mistura de espionagem, ficção científica e uma pura imaginação psicadélica. Decidi tentar fazer algo similar, juntando-lhe naturalmente o meu toque pessoal”.
Com uma carreira que se iniciou na animação, trabalhando em filmes como The Iron Giant e Titan A. E., Rick Remender começou por ser mais um artista do que um escritor, desenhando diversas séries para editoras tão diferentes como a Dark Horse, Dynamite, Image, IDW e Radical Comics, antes da Marvel lhe propor um contrato exclusivo como escritor. Na linha Marvel NOW, começou por assinar o argumento de Uncanny Avengers, antes de se ocupar também da revista do Capitão América.
Nesta nova viagem, Remender conta com a companhia de John Romita Jr. e Klaus Janson, duas lendas vivas da Marvel que voltam a trabalhar com ele, depois de terem colaborado na série Punisher. E o argumentista não poupa nos elogios a Romita, dizendo que, trabalhar com ele “é como trabalhar com Jack Kirby. (…) o seu trabalho é espantoso. Diria que está muito próximo do que ele fez com Frank Miller em Daredevil: Man Without Fear. Nesse sentido, decidi ir beber aos tempos do Capitão América de Kirby, quando personagens como Arnim Zola foram criados. Todas essas ideias gigantescas, esse tom de ficção científica. É um prazer ver o Johnny a desenhar todas essas coisas fantásticas. Não há ninguém capaz de desenhar Kirby e continuar a ser ele próprio, como o Johnny”.
É esse prazer de ver John Romita Jr. a desenhar uma história épica, ao melhor nível de Jack Kirby, alternando entre os mundos futuristas da Dimensão Z e os ecos da infância de Steve Rogers durante a Grande Depressão, que os leitores poderão desfrutar de seguida. Um prazer que não termina já no fim deste livro, pois as aventuras do Capitão américa na Dimensão Z, continuam no próximo volume.
Texto originalmente publicado em Capitão América: Perdido na Dimensão Z, Vol. 1, de Junho de 2014.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Textos Editoriais MARVEL NOW! 3 - X-Men: Dias de um Futuro Esquecido


Num ano marcado pelo regresso dos principais heróis da Marvel ao cinema, que se iniciou com o segundo filme do Capitão América, nenhum regresso é tão aguardado como o dos X-Men, os populares mutantes, que estão de volta num filme que, além de assinalar o retorno do realizador Bryan Singer à franquia que ajudou a lançar, reúne no mesmo ecrã os principais actores da trilogia inicial, com os da prequela dirigida por Matthew Vaughn, que relançou a série no cinema.
Para juntar num mesmo filme duas distintas versões temporais dos mesmos personagens, era preciso encontrar primeiro uma história que o possibilitasse. História essa que já existia e que tinha sido publicada em 1981, nos # 141 e 142 da revista The Uncanny X-Men. Refiro-me, como já terão percebido os leitores mais atentos, ao clássico Days of the Future Past, de Chris Claremont e John Byrne, uma história inesquecível que voltará a estar disponível em português este Outono, na nova colecção da Marvel que a Levoir vai lançar com o jornal Público.
Apesar de durar apenas dois números, está é uma das histórias mais míticas da incontornável passagem de Claremont e Byrne pelos mutantes da Marvel, tendo tido diversas continuações e uma influência visível noutras áreas, incluindo no cinema, onde é possível detectar ecos evidentes do Days of the Future Past no filme Terminator, de James Cameron. A história em causa tem por cenário um futuro distópico, com Nova Iorque destruída e o mundo à beira de um ataque nuclear, em que os mutantes são perseguidos pelos Sentinelas, robôs gigantes criados para detectar e eliminar mutantes, e abatidos, ou encerrados em campos de concentração.
É esse futuro, passado no então distante ano de 2013, que os raros sobreviventes dos X-Men tentam evitar, enviando Kitty Pryde para os anos 80, de modo a impedir o assassinato do Senador Robert Kelly por um mutante, acontecimento fulcral, que a concretizar-se, irá desencadear esse futuro negro em que os mutante deixam apenas de ser olhados com desconfiança, para passarem a ser caçados e abatidos como cães raivosos. Lauren Shuler Donner, responsável pela produção de todos os filmes da série é a primeira a reconhecer a importância desta história incontornável. Como a própria refere " sempre adorei Days of the Future Past e sempre quis fazê-la no cinema. Desde o primeiro X-Men que fomos roubando a história, pedaço a pedaço. Agora que já a saqueamos, podemos finalmente adaptá-la".
Mas essa nem sempre foi a ideia para este filme. Face ao sucesso de X-Men: O Início, a vontade do Estúdio ia para uma sequela com os mesmos actores, passada pouco depois do filme anterior, cuja acção decorre no início dos anos 60, mais concretamente em 1962, com a crise dos Mísseis de Cuba em primeiro plano. A ideia inicial explorava a participação de Magneto no assassinato do Presidente Kennedy, mas Mathew Vaughn preferia antes transferir a acção para os anos 70, sendo escolhido o ano de 1973 por assinalar a fase final da guerra do Vietname e ser também o ano em que foram assinados os acordos de paz de Paris.
Foi então que Tom Rothman, um director dos Estúdios Fox se lembrou que o filme podia começar e terminar com Patrick Stewart e Ian McKelen, os actores que interpretaram O Professor X e Magneto nos primeiros filmes, de modo a juntar os dois universos. Claro que, para isso ser possível era preciso que alguém viajasse no tempo até ao passado e ficou logo óbvio para todos que a história de Claremont e Byrne seria o ponto de partida ideal para isso.
Naturalmente que o filme que chega aos cinemas este mês de Maio, não adapta directamente a história clássica da BD, mas usa o conceito de forma inteligente para juntar no mesmo filme um leque impressionante de actores, representando duas gerações de X-Men unidas para mudar o futuro. As diferenças são várias, começando logo na data em que se passa a sequência no futuro, que de 2013 passa para 2023, e no membro dos X-Men que regressa ao passado, que no filme não é Kitty Pryde, mas o Wolverine. Uma mudança lógica, pois nos anos 70 A mutante ainda não era sequer nascida, enquanto que Wolverine, graças ao seu factor de cura, praticamente não envelhece. Além disso, está solução permite dar mais tempo de ecrã ao mais popular dos mutantes, que na BD original é rapidamente pulverizado pelos Sentinelas, permitindo a Hugh Jackman regressar pela sétima vez à personagem que o tornou famoso.
Quando Matthew Vaughn, que tinha escrito o argumento do filme, em colaboração com Jane Goldman e Simon Kinberg, decide abandonar a realização de Dias de um Futuro Esquecido, para se dedicar à adaptação ao cinema de The Secret Service, o novo projecto do Argumentista Mark Millar, com quem Vaughn já tinha trabalhado em Kick-Ass, foi necessário encontrar um substituto. Um contratempo que acabou por criar as condições ideais para Bryan Synger, que tinha saído em litígio com os Estúdios Fox quando decidiu abandonar o terceiro filme dos X-Men para dirigir O Regresso de Superman, regressar em glória à franquia que ajudou a lançar. Um regresso que permitiu a Singer, que conversou longamente com James Cameron sobre viagens no tempo e universos paralelos, dirigir actores do calibre de Michael Fassbender, Ian McKelen, James McAvoy, Hale Berry, Jennifer Lawrence, Hugh Jackman, Ellen Page e Anna Paquin, mesmo que no caso da actriz que faz de Rogue, a sua participação no filme tenha acabado por ser cortada na montagem final e só possa ser vista mais tarde nos extras da edição em DVD.

Mas se Rogue está fora do filme, há outros mutantes novos que aparecem aqui pela primeira vez, como Blink, Sunspot, Warpath, QuickSilver e Bishop, tal como o vilão Bolívar Trask, o inventor dos sentinelas, interpretado por Peter Dinklage, o tão pequeno quanto carismático actor que faz de Tyrion Lannister na série televisiva Game of Thrones.
Depois daquele que tem tudo para ser o maior filme dos X-Men e um dos maiores filmes de super-heróis de sempre, Bryan Singer já trabalha em X-Men: Apocalipse, o próximo filme da saga, com estreia marcada para 2016. Um ano que promete para os fãs dos filmes de super-heróis, pois para além dos X-Men, estreia também o terceiro filme do Capitão América e tão aguardado encontro entre Batman e Superman.
Texto publicado originalmente na revista X-Men nº 4, de Maio de 2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

Textos editoriais Marvel NOW! 2 - O Soldado do Inverno



Aqui está o meu segundo texto para as revistas da série Marvel NOW!, neste caso dedicado ao Soldado de Inverno, a propósito da estreia do segundo filme do Capitão América, que adapta a história de Ed Brubaker onde surge pela primeira vez o Soldado do Inverno.
Inicialmente previsto para sair no nº 3 da revista dos Vingadores, por uma questão de espaço, este texto acabou por sair na revista dos X-Men. Um título que eu nem sequer costumo seguir, mas a que vou ter que estar mais atento, pois o meu próximo texto sairá também nesse título, como verão em Maio...

O ESPIÃO QUE VEIO DO FRIO

Como bem sabem os leitores de histórias de super-heróis, para os personagens das suas histórias favoritas, a morte está longe de ter um caracter definitivo. Esta é uma realidade que atinge tanto heróis como vilões e que, é tão válida para a DC como para o universo Marvel, onde personagens como Elektra, Professor Xavier, Capitão América e Jean Grey, entre muitas outras, conseguiram voltar da última viagem. Esta situação é tão evidente que existe um aforismo, partilhado por muitos fãs dos comics de super-heróis e conhecido como a Cláusula Bucky, que diz que, nos comics “ninguém permanece morto, excepto o Bucky, Jason Todd e o Tio Ben”.
Na realidade, o tio Ben, que lembrou a Peter Parker que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” e cuja morte serviu como motivação ao seu sobrinho para assumir essas mesmas responsabilidades e combater o crime como o Homem-Aranha, mantém-se a única excepção a essa cláusula (até ver…), pois Jason Todd, o segundo Robin, morto pelo Joker, acabou por regressar anos depois como o Capuz Vermelho, o mesmo sucedendo com Bucky, como veremos a seguir.
 Mesmo assim, Bucky Barnes está entre as personagens da Marvel que mais tempo se mantiveram mortas. O jovem ajudante (ou "sidekick") do Capitão América, que perdeu a vida no final da Segunda Guerra Mundial na sequência do acidente que deixou o Capitão América em estado de hibernação suspensa num bloco de gelo durante décadas, até ser descoberto pelos Vingadores, só foi ressuscitado em 2005 por Ed Brubaker no decorrer da sua memorável passagem pela série do Capitão América acabando até, na sequência da morte de Steve Rogers durante a Guerra Civil (uma saga publicada em Portugal pela Levoir/Público em 2012) por assumir as funções de Capitão América com um sucesso tal, que quase fez esquecer o original.
O personagem de Bucky Barnes apareceu pela primeira vez em 1941 na revista Captain America Comics, criado por Joe Simon e Jack Kirby, correspondendo ao gosto da época que preconizava que os heróis deviam ter um apoio de um pequeno ajudante, um sidekick, com o qual os jovens leitores se pudessem mais facilmente identificar e que, à semelhança de Robin em relação a Batman, acompanha o Capitão América na luta contra os inimigos da nação americana. Com o fim da guerra, a popularidade do Capitão América e de Bucky foi-se lentamente apagando, até a revista ser cancelada. Voltariam com a Guerra Fria em finais de 1953, mas seria um regresso sem glória, que não durou mais de 3 números, e ao qual não estiveram ligados Simon e Kirby. O Capitão América acabaria por regressar em 1964, já em plena era Marvel, graças ao esforço conjunto de Stan Lee e Jack Kirby, que souberam adaptar o herói dos anos 40 à realidade da década de 60.
Esse regresso dá-se nas páginas da revista Avengers # 4, com o grupo de super-heróis a descobrir o Capitão América dentro de um iceberg, onde jazia congelado desde o final da II Guerra Mundial, na sequência da explosão de uma bomba voadora criada pelo Barão Zemo, que custaria a vida a Bucky e atiraria o Capitão América para as águas geladas do Atlântico norte. Uma ideia engenhosa de Stan Lee, que permitiu recuperar o Capitão América para os anos 60, fazendo tábua rasa do caçador de comunistas dos anos da Guerra Fria, transformando o símbolo da América em guerra, numa figura mais frágil, afectada pelos problemas e as neuroses habituais no universo Marvel. Um indivíduo fora do seu tempo, a ter que aprender a viver numa época que não é a sua, atormentado pela morte do seu companheiro Bucky, cujas histórias vão reflectir as mudanças de uma América que vai passar pelos traumas do Vietname, pelo escândalo Watergate, pelo triunfalismo da era Reagan e pelo choque dos atentados de 11 de Setembro.
Ao longo desse percurso, o Capitão América contou com diversos aliados, com destaque para o Falcão, mas nenhum deles era menor de idade, pois Stan Lee, que nunca foi muito fã dos jovens sidekicks, achava que um super-herói que colocasse em perigo a vida de um menor, seria completamente irresponsável. Assim, a presença de Bucky nas aventuras do Capitão América ficou limitada aos flash-backs dos tempos da 2ª Guerra Mundial, até Ed Brubaker decidir romper a Cláusula Bucky, em O Soldado de Inverno, o arco inaugural da sua passagem pela revista do Capitão América. Nascido em 1966, Ed Brubaker começou a sua carreira a escrever e desenhar histórias policiais para editoras independentes, antes da Vertigo publicar algumas séries que assinou como argumentista e que lhe abriram as portas da DC e da Marvel.

Embora tenha escrito os principais heróis das duas editoras, o gosto pelo policial negro e pela espionagem estão sempre presentes nos seus trabalhos e o Soldado de Inverno introduz no universo do Capitão América elementos característicos das histórias de espionagem ambientadas na Guerra Fria. Com efeito, nas histórias escritas por Ed Brubaker e ilustradas por Steve Epting, descobrimos que o corpo congelado de Bucky foi descoberto por um submarino soviético e que os serviços secretos soviéticos que o vão conseguir fazer regressar à vida, lhe fizeram uma lavagem cerebral e o programaram para ser um assassino frio e extraordinariamente eficiente, sem qualquer lembrança do seu passado.
É precisamente esse arco de histórias que está na base do novo filme do Capitão América que, quando esta revista chegar às bancas, já estará em exibição nos cinemas de todo o país.
Dirigido por Anthony e Joe Russo, Capitão América: O Soldado do Inverno conta com argumento de Christopher Marcus e Stephen Mcfeely, que já tinham escrito o anterior filme do Capitão América e que prosseguem com a adaptação do herói ao mundo actual, colocando-o no centro de uma história de espionagem que vai abalar as convicções de Steve Rogers.
Mais do que uma história de super-heróis, este parece ser um filme de espionagem, que presta homenagem aos trillers políticos dos anos 70, aspecto reforçado pela presença de Robert Redford, actor que nos anos 70 esteve presente em Os Três Dias do Condor e Os Homens do Presidente, os dois mais importantes filmes desta tendência e que em Capitão América: O soldado de Inverno, veste a pele de Alexander Pierce, um director da S.H.I.E.L.D.
Brubaker, que leu o argumento e acompanhou as filmagens, não hesita em afirmar que “este vai ser o maior filme de super-heróis jamais feito.
Não me consigo lembrar de nenhum melhor e estou a contar com a trilogia do Cavaleiro das Trevas, do Christopher Nolan. É acima de tudo um triller e o facto de se tratar de um filme de super-heróis parece acessório. Está mais próximo de filmes como Os Três Dias do Condor, ou Missão Impossível, do que do filme dos Vingadores. Tem uma atmosfera fantástica e a forma como são filmadas as cenas de acção é muito excitante”.
No momento em que este texto foi originalmente escrito, não é possível ainda confirmar a opinião de Ed Brubaker, mas a avaliar pelo espectacular trailer, acredito que o prestigiado argumentista não estará a exagerar nos elogios.
Publicado originalmente na revista X-Men nº 3, de Abril de 2014.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Textos editoriais Marvel NOW! 1 - Homem-Aranha Superior



Na altura em que já chegou às bancas o nº 3 da revista dos X-Men, com o meu segundo texto para as revistas da linha Marvel Now!, que a Panini Espanha está a publicar directamente em Portugal, parece-me boa altura para recuperar o primeiro texto que escrevi para as publicações que assinalam o regresso das revistas mensais da Marvel, em bom português, aos quiosques nacionais.
Estes textos partiram de um convite do José de Freitas, editor assistente da Panini e responsável pela coordenação das edições portuguesas da Panini, à semelhança do que tem feito com as colecções da Marvel e da DC que a Levoir tem lançado com os jornais, quemais uma vez, me deu o prazer de trabalharmos juntos.
Embora o espaço aqui seja muito mais reduzido do que era nos editoriais da DC, a liberdade é bastante maior. Mesmo assim, confesso que, quando recebi o convite para escrever sobre o Homem-Aranha Superior, pensei duas vezes, pois a premissa base da série parecia-me perfeitamente idiota. Mas ainda bem que decidi ler as histórias, pois foram uma muito agradável surpresa e esta é, provavelmente, a melhor saga do Homem-Aranha que já li, desde a fase inicial do J. M. Strackzinsky que a Devir lançou em Portugal há uns bons 10 anos.


NA PELE DO INIMIGO

Um dos mais populares argumentistas da actualidade, Dan Slott é também um dos mais controversos, muito por força deste Homem-Aranha Superior, cuja premissa base causou tal agitação junto dos fãs do “cabeça de teia”, que Slott chegou até a receber ameaças de morte de leitores mais indignados. Com efeito, a ideia de fazer com que a mente do Dr. Octopus moribundo ocupasse o corpo de Peter Parker, com o vilão a assumir os poderes e as responsabilidades do Homem-Aranha, é tão controversa como arriscada. Mas a verdade é que estamos perante uma das melhores histórias do Homem-Aranha das últimas décadas, mesmo que este Homem-Aranha não seja o que nos habituámos a conhecer. Este é um Homem-aranha diferente e, em muitos aspectos, um Homem-Aranha superior, pois aos poderes que permitiram Parker a tornar-se um super-herói, alia uma capacidade estratégica e científica que o anterior Homem-Aranha não possuía.
Todos vimos, no nº 1 desta revista, a facilidade com que derrotou o novo Sexteto Sinistro, descobrindo os seus pontos fracos e atacando-os com a precisão de um cirurgião. Ou como soube jogar com os media dando ao Homem-aranha, que sempre foi um herói incompreendido, a popularidade que muitas vezes lhe faltou, conseguindo até conquistar o seu crítico mais feroz, J. Jonah Jameson, que trocou o quarto poder pelo segundo, tornando-se Mayor de Nova Iorque. E, pela forma como constrói a sua teia pela cidade, usando os drones-aranha para recolher informação, este Homem-Aranha Superior está mais próximo do insecto que lhe deu o nome os poderes, do que Peter Parker alguma vez esteve. 
Slott passou os primeiros anos da sua carreira escrevendo histórias dirigidas a um público mais infantil, como as adaptações à BD das séries de animação Ren And Stimpy, Scooby Doo, Looney Tunes e Powerpuff Girls, mas rapidamente provou ser capaz de tratar com igual eficácia temas bem mais adultos e sombrios, na mini-série Arkham Asylum: Living Hell, ilustrada por Ryan Sook. Esta mini-série, de 2003, foi o seu último trabalho para a DC, antes de regressar à Marvel (que editava a revista do Ren e Stimpy) para escrever a nova revista da Mulher-Hulk, antes de se tornar o principal argumentista da revista Amazing Spider-Man. Actualmente, um dos principais argumentistas da Marvel, Slott não esquece a “Distinta Concorrência” e, como vimos no nº anterior, goza com o Batsinal, numa divertida cena em que faz ver a Jameson que um sinal luminoso gigante que permita aos inimigos do Homem-Aranha saber exactamente onde ele se encontra, é capaz de não ser uma grande ideia, mesmo que o dito sinal acabe por se revelar de grande utilidade para derrotar o abutre… 
Nas histórias que vão poder ler a seguir, Dan Slott prossegue com a humanização de Otto Octavius, fazendo com que o leitor se vá identificando gradualmente com o antigo vilão, desenvolvendo de forma hábil a relação dele com Anna Maria Marconi, uma anã com quem tem grandes afinidades intelectuais. Mas mesmo que, à sua maneira, Octavius aproveite esta oportunidade de se tornar literalmente um homem novo, a agressividade e o desprezo pela vida humana que caraterizavam o Dr. Octopus estão ainda presentes na forma impiedosa com que o Homem-aranha Superior trata o Massacre, o Polichinelo e a Croma, os vilões que vai defrontar neste número. 
Se nas histórias anteriores a arte tinha sido assegurada por Ryan Stegman, neste número Dan Slott mostra que continua a saber escolher muito bem os desenhadores com quem colabora. O italiano Giuseppe Camuncoli, que alia uma bem-sucedida carreira nos comics americanos, iniciada na Vertigo, com uma série bem eclética de trabalhos na sua Itália natal, que além de romances gráficos com Matteo Casali, inclui histórias de Dylan Dog e a continuação dos Escorpiões do Deserto, de Hugo Pratt, encarrega-se de ilustrar num estilo realista o confronto com o Massacre, enquanto que o traço mais caricatural, que primeiro se estranha e depois se entranha, do mexicano Humberto Ramos se revela perfeito para a história em que o Polichinelo e a Croma põem à prova a (pouca) paciência do novo Homem-Aranha.
Publicado originalmente na revista Homem-Aranha Superior nº 2, de Março de 2014. 

domingo, 7 de abril de 2013

Daytripper: As Memórias Póstumas de Outro Brás



Já está nos quiosques portugueses, a edição brasileira de Daytripper, o premiado título dos irmãos gémeos Fábio Moon e Gabriel Bá, dois brasileiros nascidos em São Paulo, em 1976, que dão cartas no mercado americano. Senhores de uma apurada técnica de preto e branco e com um universo pessoal extremamente poético, que não passou despercebido a Frank Miller, que os escolheu pessoalmente para participarem na colectânea “Autobiographix” da Dark Horse, o trabalho dos gémeos, que estiveram no Festival de Beja, em 2010, tem chegado a Portugal, via Brasil, através das edições da Devir, da série “10 Pãezinhos”, mas este é o seu primeiro trabalho feito directamente para o mercado americano, a chegar a Portugal.
Conforme refere Gabriel Bá, no Blog da dupla, o processo de internacionalização da obra dos dois gémeos foi acontecendo de modo natural: “ um trabalho chama o outro (no caso, um quadrinho independente que fizemos, o “ROCK'n'ROLL”, chamou a atenção do editor da Image, que nos colocou em contato com o Matt Fraction, e desse contato fizemos o “CASANOVA”, que chamou a atenção do Scott Allie, editor da Dark Horse, que nos colocou em contato com o Gerard Way, e daí veio o “Umbrella Academy”, que foi o primeiro trabalho de Quadrinhos que pagava nossas contas).”

Mas a melhor maneira de descobrir o universo de Gabriel Bá e Fábio Moon, para além das edições brasileiras de “10 Pãezinhos” que a Devir distribuiu em Portugal (“Fanzine”, “Crítica” e “Mesa para Dois”) é através deste “Daytripper”, uma série da Vertigo, publicada originalmente em 10 capítulos, que este volume recolhe. Definida muito simplesmente pelos seus autores como “uma história sobre a vida”, Cada capítulo de “Daytripper” incide sobre um momento específico, um dia, da vida de Brás de Oliva Domingos, o filho de um escritor famoso que ser ele próprio também escritor, personagem vagamente inspirada no músico e escritor Chico Buarque, e sobre a forma como as escolhas que faz podem modificar a sua vida, e a sua morte. E a morte é um elemento muito importante nesta história, não só porque, como diz uma das personagens: “a morte é parte da vida”, e o próprio Brás, um escritor que “queria escrever sobre a vida”, ganha a vida a escrever obituários para um jornal, ou seja a escrever “sobre a morte”, mas principalmente, porque cada um dos capítulos termina com a morte de Brás de Oliva, num toque de realismo mágico, que mostra os diferentes caminhos (e finais) que a sua vida podia ter tido.
Intimista e surpreendente, Daytripper mostra a dupla ao seu melhor nível, numa história profundamente brasileira nos cenários e nas personagens, mas que lida com questões universais, como a vida, a morte e as escolhas que se fazem. Ao contrário de outras duplas de autores, em que há uma divisão clara entre desenhador e argumentista, Moon e Bá tanto escrevem, como desenham. Neste caso, a história foi escrita a meias e o desenho entregue a Fábio Moon, enquanto Gabriel Bá se encarregou das capas, sendo o americano Dave Stewart, colaborador habitual de Mignola, o responsável pela cor. Numa entrevista sobre as influências literárias por trás de “Daytripper”, a dupla fala de Jorge Amado, Will Eisner, Fernando Pessoa, João Guimarães Rosa e Machado de Assis. De todas estas influências, a de Machado de Assis, escritor brasileiro do século XIX, contemporâneo do nosso Eça de Queirós, é a mais evidente e a mais constante em toda a obra da dupla, que adaptou à BD o conto “O Alienista”, de Machado de Assis. Não só Brás, o protagonista de “Daytripper” tem o mesmo nome que outro Brás, o das “Memórias Póstumas de Brás de Cubas”, um dos mais célebres romances de Assis, mas também pela forma como termina cada capítulo, “Daytripper” podia perfeitamente ter como sub-título, As “Memórias Póstumas de Brás de Oliva Domingos”. Daí, o título que escolhi para este texto… >br> Trata-se, como já deverão ter percebido, de um livro excelente, de leitura imprescindível, que tem arrebatado prémios um pouco por todo o lado, com destaque para os Eisners, na San Diego Comic Con. A edição da Panini, que já está nos quiosques nacionais, tem ainda a vantagem do preço extremamente convidativo, de 12 Euros, para um livro de mais de 250 páginas a cores, bem impresso, em bom papel.
(“Daytripper”, de Fábio Moon e Gabriel Bá, Panini Books, 258 pags,12 €)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 6 de Abril de 2013