Mostrar mensagens com a etiqueta Bonelli. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bonelli. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Dylan Dog regressa a Portugal em dose dupla
Depois do lançamento no Coimbra BD, na presença do autor Fábio Celoni, chegou finalmente esta quarta-feira às bancas O Velho que Lê, primeiro volume de uma Colecção regular dedicada a Dylan Dog, o herói de culto criado por Tiziano Sclavi. Infelizmente, ao contrário do que estava previsto, na quarta-feira anterior já tinha sido distribuído Até que a Morte vos Separe, o segundo volume desta colecção, cujo lançamento oficial vai ter lugar apenas no último fim-de-semana de Abril, nas Jornadas do Clube Tex Portugal, na presença do desenhador Bruno Brindisi e cuja distribuição em bancas estava prevista apenas para a segunda semana de Maio.
Ou seja, os nossos planos originais de distribuir O Velho que Lê na segunda semana de Março, logo após ao seu lançamento no Coimbra BD e Até que A Morte vos Separe dois meses depois, foram irremediavelmente alterados, primeiro por um atraso na gráfica, que só conseguiu entregar menos de 100 exemplares de cada volume a tempo do Coimbra BD e depois por um erro da VASP que distribuiu o volume 2 antes do volume 1...
A razão porque vos estou a contar estes pormenores, é porque, mesmo tendo traduzido e prefaciado a maioria das anteriores edições nacionais do detective do pesadelo, publicada pela Levoir, estas edições da G Floy que inauguram a nova Colecção Aleph, dedicada à BD europeia, têm para mim um significado especial, pois é um projecto em que, tanto eu, como o José de Freitas e o Mário João Marques, que traduziu O Velho que Lê, investimos pessoalmente a vários níveis.
A escolha de uma história do Fábio Celoni para abrir a Colecção prendeu-se com a possibilidade de o podermos ter presente para o lançamento, o que é sempre útil em termos de divulgação e de vendas, mas a qualidade do trabalho de Celoni, um dos raros desenhadores de Dylan Dog que escreve as histórias que desenha, faziam com que ele estivesse na short-list dos autores a publicar. Uma lista onde estão também obviamente Corrado Roi, Giampiero Casertano, Angelo Stano e Giovanni Freghieri.
Tivemos a sorte de, além de um grande autor, o Fábio Celoni ser também uma pessoa adorável, de quem podemos dizer que ficámos amigos. Com um traço barroco, em que são visíveis as influências de Alberto Breccia (vejam-se as semelhanças fisionómicas entre Ozra, o velho que dá nome ao livro e Ezra Wiston, o narrador de Mort Cinder de Breccia e Oesterheld) Celoni constrói uma belíssima história sobre o amor à literatura e o drama da solidão na terceira idade, onde não faltam referências a clássicos literários como Moby Dick, O Feiticeiro de Oz, ou Alice no País das Maravilhas, na melhor tradição do próprio Tiziano Sclavi, que nunca se coibiu de encher as suas histórias de referências, sejam literárias ou cinematográficas.
O mesmo Sclavi que assina a par com o desenhador Angelo Stano, a história que completa este volume, A Pequena Biblioteca de Babel, um pequeno divertimento borgesiano de apenas 16 páginas, tão simples quanto genial, sobre os estranhos acontecimentos que afectam uma pequena aldeia na Cornualha, onde Dylan Dog se encontrava de férias com uma amiga.
Se O Velho que Lê é uma historia em que o fantástico está presente, já Até que a Morte vos Separe é uma história em que os elementos fantásticos estão praticamente ausentes, podendo os poucos que existem ter uma explicação científica, ou não passarem de um sonho de Dylan. Uma característica comum a outra grande história de Dylan Dog, Johnny Freak, assinada pelos mesmos autores - Mauro Marcheselli na ideia original e Tiziano Sclavi no desenvolvimento - que assinaram também outra das minhas histórias preferidas do investigador do pesadelo, Un Lungo Addio, que espero ter oportunidade de publicar em Portugal.
Episódio especial, publicado por ocasião do décimo aniversário da série, Até que a Morte vos Separe é uma história de amor trágico (como são as melhores histórias de amor) que nos desvenda um pouco do passado de Dylan Dog, enquanto era agente da Scotland Yard, ilustrada por Bruno Brindisi, no seu estilo extraordinariamente legível e eficaz, de uma elegância insuperável. Publicada originalmente a cores, optámos por publicá-la a preto e branco, não só por razões económicas, mas também por acharmos que o preto e branco permite apreciar melhor o traço de Brindisi.
Dois livros com características bem diferentes, mas de grande qualidade, que dão bem ideia da diversidade da série Dylan Dog, um clássico de culto italiano, que, aos poucos, começa ter a devida divulgação em Portugal.
domingo, 20 de janeiro de 2019
As Melhores BDs que li em 2018 - Parte 2
E aqui fica a segunda e última parte da minha lista de melhores leituras de 2018.Uma lista que não foi nada fácil de fechar, pois houve vários títulos que estiveram muito perto de entrar. Títulos como Infidel, de Pornsak Pichetshote e Aaaron Campbell; Gideon Falls, de Jeff Lemire e Andrea Sorentino, Murderabilia, de Alvaro Ortiz, e Watchers, que assinalou o regresso de Luís Louro a solo, com um dos melhores trabalhos da sua carreira. Mas só podiam ser 10 e estes acabaram por ficar de fora...
6 - La Mort Vivante, de Olivier Vatine e Alberto Varanda, ComixBuro/Glenat
Alberto Varanda regressa em grande com à BD com esta adaptação, feita a meias com Olivier Vatine que assina as (magníficas) cores, de um conto de Stefan Wul, nome grande da ficção científica francesa. Obra atípica no percurso de Wul, este La Mort Vivante é tratado por Varanda num registo próxima das gravuras de Gustave Doré, com um trabalho de achuras impressionante, superior até ao de François Schuiten e que se adequa perfeitamente ao ambiente gótico da história. Consta que Varanda, que estará no Festival de Beja em Maio, demorou sete anos a desenhar esta história. O mínimo que se pode dizer é que foi tempo bem empregue!
7 - Le Storie: Sangue e Gelo, de Tito Faraci e Pasquale Frisenda, Levoir
A grande surpresa da Colecção Bonelli, de que já tive oportunidade de falar aqui. Uma excelente história de Faraci, a que o traço e a utilização narrativa e dramática da cor feitos por Frisenda dão uma dimensão superlativa.
8 - Mister Miracle, de Tom King e Mitch Gerads, DC Comics
Tom King tem sido presença recorrente nas minhas listas nos últimos anos, mas o mérito é todo dele e das histórias que conta. Neste caso, King refaz a parceria com Mitch Gerads, com quem tinha feito o magnífico Xerife da Babilónia, para conciliar a dimensão épica com a realidade familiar, na sua peculiar versão de Mister Miracle, personagem criado por Jack Kirby na sua saga do Quarto Mundo. História profundamente humana sobre a família, protagonizada por personagens bem mais do que humanas, Mister Miracle é também uma bela homenagem a Jack Kirby, o criador de Scott Free, o ;Mr. Miracle, mas também a Stan Lee, que Kirby parodiou através da personagem de Funky Flashman.
9 - My Favorite Things is Monsters, de Emil Ferris, Fantagraphics
Obra de estreia na BD de Emil Ferris, uma ilustradora de Chicago, My Favourite Thing Is Monsters é um livro tão fascinante como surpreendente, a meio caminho entre a Banda Desenhada e a ilustração. Diário de de Karen Reyes, uma rapariguinha de 10 anos, obcecada por filmes e revistas de terror e que se vê a si própria como um lobisomem, esta novela gráfica apresenta-se como um diário, totalmente escrito/desenhado a esferográfica, em folhas pautadas de um caderno de argolas. Mais do que na vida de Karen, o fulcro do livro são as memórias de Anka Silverberg, a vizinha, sobrevivente do Holocausto que se suicidou, deixando uma série de cassetes em que relata a sua vida e que Emil Ferris transpõe em imagens, de forma extremamente imaginativa e reveladora de uma grande versatilidade. Para mim, a maior surpresa de 2018.
10- My Heroes Have Always Been Junkies, de Ed Brubaker e Sean Phillips, Image
Outra presença regular nestas listas, a dupla Ed Brubaker e Sean Phillips continuam a produzir as melhores histórias policiais em BD que tenho lido. Este My Heroes Have Always Been Junkies, primeira novela gráfica ambientada no universo da série Criminal, dá-nos a descobrir mais uma personagem fascinante, mas que se revela um perigo para os outros. História muitíssimo bem escrita e desenhada com a extraordinária eficácia a que Phillips nos habituou, My Heroes...tem uma diferença em relação aos últimos trabalhos da dupla: a substituição da colorista Elisabeth Breitweiser, que tão boa conta tinha dado de si em Fatale e Fade Out, por Jacob Phillips, o filho do desenhador.
Embora pareça um claro exemplo de nepotismo, a verdade é que as cores de Jacobs, que tal como no slogan do Poeta, "primeiro estranham-se e depois entranham-se", acabam por se adequar perfeitamente ao livro.
sexta-feira, 15 de junho de 2018
Colecção Bonelli 10 - Dylan Dog: Os Inquilinos Arcanos
No caso deste último volume da colecção Bonelli, o texto que saiu no jornal Público é apenas uma versão reduzida, a menos de metade, do texto que tinha escrito originalmente. Como felizmente na Net não existem problemas de espaço, deixo-vos com a versão integral do último texto da colecção da Levoir que me deu mais gozo co-coordenar. Uma colecção que dificilmente teria sido possível sem o apoio do José Carlos Francisco, Mário João Marques e (em menor escala) do Pedro Bouça e Pedro Cleto, a quem agradeço.
DYLAN DOG ENCERRA COLECÇÃO BONELLI
Colecção Bonelli - Vol 10
Dylan Dog – Os Inquilinos Arcanos
Argumento – Sclavi, Mignaco e Baraldi
Desenhos – Roi, Breccia e Manara
Quinta-feira, 14 de Junho
Por + 10,90€
Depois de ter protagonizado o terceiro volume, com o clássico Johnny Freak, Dylan Dog regressa para encerrar esta colecção dedicada à editora Bonelli, num volume com prefácio do argumentista/pianista/compositor/realizador Filipe Melo - cuja série de culto, Dog Mendonça é uma assumida homenagem a Dylan Dog - que recolhe três histórias curtas a cores. A primeira, Os Inquilinos Arcanos, é uma história em três capítulos autónomos, mas que se completam, publicada originalmente na revista Comic Art, entre 1990 e 1991. Assinada por Tiziano Sclavi, o seu criador e por Corrado Roi, um dos melhores desenhadores da série Dylan Dog, Os Inquilinos Arcanos centra-se nos estranhos fenómenos que afectam um edifício em Londres, o condomínio Castevet, e que Dylan Dog vai investigar.
Apesar do número reduzido de páginas - para os padrões da Bonelli, em que as histórias têm normalmente 96 páginas - de cada capítulo, todos os elementos que caracterizam o trabalho de Sclavi estão presentes de forma concentrada, começando pelo humor negro, o toque surreal e as homenagens e citações. Na primeira história, O Fantasma do Terceiro Andar, cujo clima de paranóia vai beber muito ao filme O Apartamento, de Roman Polanski, as referências ao realizador são evidentes, começando na citação de Polanski que abre a história e terminando no nome, Trelkovski - que é o apelido do personagem interpretado pelo próprio Polanski em O Apartamento - que o porteiro dá a um inquilino que se chama… Kowalski, O mesmo sucede em O Apartamento nº 13, onde Sclavi homenageia simultaneamente o escritor Cornell Woolrich e o cineasta Frank Capra, cujo filme, Do Céu Caiu uma Estrela, os personagens vão ver ao cinema, numa história sobre um homem que descobre que não existe. Comic Art, que lhe permite encaixar quatro tiras por prancha, em vez das três habituais nas revistas da editora italiana.
Ilustrada por Corrado Roi, que assegura também as belas e inesperadas cores, esta história em três partes tem também a singularidade de ser umas das raras aventuras de Dylan Dog em que este troca a habitual camisa vermelha, que se tornou a sua imagem de marca, por uma simples camisa branca. Em termos gráficos, o trabalho de Roi é fabuloso, perfeito na criação do ambiente opressivo das histórias e aproveitando muito bem o formato maior (do que o habitual formato Bonelli) da revista
As outras duas histórias que completam esta edição, foram publicadas na revista Dylan Dog Color Fest, um título mais experimental, que possibilita a autores que normalmente não colaboram com a Bonelli, a oportunidade de assinar histórias de Dylan Dog.
È o que acontece em O Grande Nevão, história que assinala a estreia do argentino Enrique Breccia (A Vida do Che, Tex: Capitan Jack) na Bonelli, aproveitada pelo argumentista Luigi Mignaco para fazer uma bela homenagem à mais importante BD argentina, El Eternauta, de Oesterheld e Solano Lopez, a história de um ataque extraterrestre a Buenos Aires, que começa precisamente com um nevão que mata todos aqueles que são tocados pelos flocos de neve.
Finalmente, em Bailando com um Desconhecido, Nives Manara ilustra uma história de fantasmas escrita por Barbara Baraldi. Uma história com uma sensibilidade bem feminina, escrita por uma leitura e fã de Dylan Dog que, tal como aconteceu com Paola Barbato, se tornou uma das principais argumentistas da série e ilustrada com uma delicadeza também feminina, mas que não esconde as claras influências do irmão, por Nives Manara, a irmã mais nova do mestre do erotismo, Milo Manara.
Três abordagens bem diferentes, que demonstram as infinitas possibilidades que uma personagem com Dylan Dog permite, tal como aconteceu com Tex no volume que abriu esta colecção. Uma bela colecção, que nos deu a conhecer um pouco melhor, a melhor editora italiana.
Versão integral do texto publicado no jornal Público de 09/06/2018
DYLAN DOG ENCERRA COLECÇÃO BONELLI
Colecção Bonelli - Vol 10
Dylan Dog – Os Inquilinos Arcanos
Argumento – Sclavi, Mignaco e Baraldi
Desenhos – Roi, Breccia e Manara
Quinta-feira, 14 de Junho
Por + 10,90€
Depois de ter protagonizado o terceiro volume, com o clássico Johnny Freak, Dylan Dog regressa para encerrar esta colecção dedicada à editora Bonelli, num volume com prefácio do argumentista/pianista/compositor/realizador Filipe Melo - cuja série de culto, Dog Mendonça é uma assumida homenagem a Dylan Dog - que recolhe três histórias curtas a cores. A primeira, Os Inquilinos Arcanos, é uma história em três capítulos autónomos, mas que se completam, publicada originalmente na revista Comic Art, entre 1990 e 1991. Assinada por Tiziano Sclavi, o seu criador e por Corrado Roi, um dos melhores desenhadores da série Dylan Dog, Os Inquilinos Arcanos centra-se nos estranhos fenómenos que afectam um edifício em Londres, o condomínio Castevet, e que Dylan Dog vai investigar.
Apesar do número reduzido de páginas - para os padrões da Bonelli, em que as histórias têm normalmente 96 páginas - de cada capítulo, todos os elementos que caracterizam o trabalho de Sclavi estão presentes de forma concentrada, começando pelo humor negro, o toque surreal e as homenagens e citações. Na primeira história, O Fantasma do Terceiro Andar, cujo clima de paranóia vai beber muito ao filme O Apartamento, de Roman Polanski, as referências ao realizador são evidentes, começando na citação de Polanski que abre a história e terminando no nome, Trelkovski - que é o apelido do personagem interpretado pelo próprio Polanski em O Apartamento - que o porteiro dá a um inquilino que se chama… Kowalski, O mesmo sucede em O Apartamento nº 13, onde Sclavi homenageia simultaneamente o escritor Cornell Woolrich e o cineasta Frank Capra, cujo filme, Do Céu Caiu uma Estrela, os personagens vão ver ao cinema, numa história sobre um homem que descobre que não existe. Comic Art, que lhe permite encaixar quatro tiras por prancha, em vez das três habituais nas revistas da editora italiana.
Ilustrada por Corrado Roi, que assegura também as belas e inesperadas cores, esta história em três partes tem também a singularidade de ser umas das raras aventuras de Dylan Dog em que este troca a habitual camisa vermelha, que se tornou a sua imagem de marca, por uma simples camisa branca. Em termos gráficos, o trabalho de Roi é fabuloso, perfeito na criação do ambiente opressivo das histórias e aproveitando muito bem o formato maior (do que o habitual formato Bonelli) da revista
As outras duas histórias que completam esta edição, foram publicadas na revista Dylan Dog Color Fest, um título mais experimental, que possibilita a autores que normalmente não colaboram com a Bonelli, a oportunidade de assinar histórias de Dylan Dog.
È o que acontece em O Grande Nevão, história que assinala a estreia do argentino Enrique Breccia (A Vida do Che, Tex: Capitan Jack) na Bonelli, aproveitada pelo argumentista Luigi Mignaco para fazer uma bela homenagem à mais importante BD argentina, El Eternauta, de Oesterheld e Solano Lopez, a história de um ataque extraterrestre a Buenos Aires, que começa precisamente com um nevão que mata todos aqueles que são tocados pelos flocos de neve.
Finalmente, em Bailando com um Desconhecido, Nives Manara ilustra uma história de fantasmas escrita por Barbara Baraldi. Uma história com uma sensibilidade bem feminina, escrita por uma leitura e fã de Dylan Dog que, tal como aconteceu com Paola Barbato, se tornou uma das principais argumentistas da série e ilustrada com uma delicadeza também feminina, mas que não esconde as claras influências do irmão, por Nives Manara, a irmã mais nova do mestre do erotismo, Milo Manara.
Três abordagens bem diferentes, que demonstram as infinitas possibilidades que uma personagem com Dylan Dog permite, tal como aconteceu com Tex no volume que abriu esta colecção. Uma bela colecção, que nos deu a conhecer um pouco melhor, a melhor editora italiana.
Versão integral do texto publicado no jornal Público de 09/06/2018
Etiquetas:
Alberto Breccia,
Bonelli,
Dylan Dog,
Levoir,
Manara,
Público,
Tiziano Sclavi
sábado, 9 de junho de 2018
Colecção Bonelli 9 - Mister No: OVNIs na Amzónia
O EXPLORADOR E O ASTRONAUTA
Colecção Bonelli - Vol 9
Mister No – OVNIs na Amazónia
Argumento – Tiziano Sclavi e Guido Nolitta
Desenhos – Fábio Civitelli e Roberto Diso
Quinta-feira, 7 de Junho
Por + 10,90€
O último herói da Bonelli a quem esta colecção possibilita a estreia em Portugal, já na próxima quinta-feira, foi também um dos primeiros: Mister No. Criado por Guido Nolitta (pseudónimo que Sergio Bonelli usava para assinar os argumentos que escrevia) em 1975, a partir de duas personagens reais que Sergio conheceu nas suas viagens pelo continente americano, Mister No é um aventureiro radicado na selva amazónica. Nascido Jerry Drake, Mister No - alcunha que nasceu devido à sua teimosia, que o leva a dizer facilmente “Não!” (No) aos seus clientes - é um antigo piloto de guerra americano que, depois da Guerra da Coreia, incapaz de se readaptar à vida civil, decide deixar os Estados Unidos e ir viver para Manaus, no Brasil, onde ganha a vida como guia na selva amazónica, o que, por vezes, o leva a envolver-se em situações que o obrigam a fazer apelo à sua experiência militar. O seu melhor amigo é outro estrangeiro, Otto Kruger, vulgo “Esse-Esse”, um alemão que, como Drake, é um veterano da Segunda Guerra Mundial. Não dos SS, como a alcunha pode levar a supor, mas do Afrika Korps, o célebre corpo expedicionário comandado pelo Marechal Rommel.
Com uma capa inédita de Fabio Civitelli realizada em exclusivo para esta edição, colorida pelo desenhador português Ricardo Venâncio, o livro que apresenta Mister No aos leitores portugueses, comporta duas histórias. A primeira, OVNI, escrita por Tiziano Sclavi (o criador de Dylan Dog) e ilustrada por Civitelli, e publicada originalmente em 1984 no nº 108 da revista mensal de Mister No, coloca o americano Mister No e um cosmonauta russo a terem de unir esforços em plena Guerra Fria, para conseguirem sobreviver a uma tribo de indígenas que os quer sacrificar aos seus Deuses. Um encontro inesperado, que ocorre na sequência da queda de um satélite russo em plena selva amazónica, provocando a destruição do avião de Mister No e motivando a hostilidade dos indígenas, que vêm no estranho fenómeno um sinal de desagrado divino. A história de uma amizade improvável que floresce, independentemente das bandeiras e das ideologias, como sucede com No e Arkady, o cosmonauta russo, escrita um ano antes de Gorbachov subir ao poder, é um tema grato a Sergio Bonelli, mas Sclavi não deixa de juntar o seu toque pessoal, introduzindo, de forma ambígua, alguns elementos fantásticos na narrativa. Uma história muitíssimo bem ilustrada pelo traço de grande detalhe e legibilidade de Fabio Civitelli, que se revela senhor de um apuradíssimo jogo de sombras, bem evidente nas cenas nocturnas e nos pesadelos de Mister No e de um óptimo sentido de mise-en-scène, de que a entrada em cena de Arkady, com o seu traje espacial, é um exemplo perfeito.
Para além desta história, em que Sclavi aborda pela primeira vez os OVNIs, tema a que regressará com alguma frequência em Dylan Dog, este volume traz também Garimpeiros, uma história curta escrita pelo próprio Sergio Bonelli e desenhada por Roberto Diso, que começou a desenhar Mister No logo na edição nº 5 e que, com o tempo, acabou por se tornar o mais importante desenhador da série, ocupando-se também das capas da revista a partir do nº 116. Bem representativa da colaboração da dupla, Garimpeiros coloca Mister No em confronto com diferentes aspectos da ganância humana, quando é obrigado a transportar os cunhados de um garimpeiro brasileiro, até ao local onde este supostamente encontrou a jazida que o tornou um homem rico.
Publicado originalmente no jornal Público de 02/06/2018
Etiquetas:
BD,
Bonelli,
Fabio Civitelli,
fumetti,
Levoir,
Mister No,
Público,
Sergio Bonelli,
Tiziano Sclavi
sexta-feira, 1 de junho de 2018
Colecção Bonelli 8 - Dragonero: A primeira Missão
O EXPLORADOR, O OGRE E O GRIMÓRIO
Colecção Bonelli - Vol 8
Dragonero – A Primeira Missão
Argumento – Luca Enoch e Stefano Vietti
Desenhos – Manuel Morrone e Cristiano Cucina
Quinta-feira, 31 de Maio
Por + 10,90€
No oitavo volume da colecção dedicada à Editora Bonelli, o destaque vai para aquela que é uma das apostas recentes de maior sucesso da editora milanesa: a série Dragonero. Uma série de fantasia heróica, género já aflorado em outras publicações da Bonelli, mas que em Dragonero é tratado pela primeira vez de forma mais pura, através da criação de um universo de fantasia, cuja complexidade e coerência estão à altura da herança de autores como Robert E. Howard, Tolkien e George R. R. Martin.
Criada em 2007 por Luca Enoch e Stefano Vietti como uma história única para a série Romanzi a Fumetti Bonelli, Dragonero acabaria por se converter numa revista mensal em 2013. O protagonista desta série é Ian Arànil, explorador do Império Erondariano e herdeiro da nobre e antiga casa dos Varliedàrto, os caçadores de dragões. Acompanhado por Gmor Burpen, um ogre com um invulgar gosto pela leitura e com hábitos gastronómicos bastante mais requintados do que o habitual na sua espécie, e pela ninfa Sera – que nesta edição aparece apenas no fim da história - Ian vive as mais incríveis aventuras no vasto universo criado por Enochi e Vietti, que compreende vários continentes, habitados por diferentes raças.
Publicada originalmente em 2014, no Speciale Dragonero nº 1, A Primeira Missão, a história escolhida para dar a conhecer Dragonero aos leitores portugueses, que foi também a primeira da série a ser publicada a cores em Itália, é uma boa porta de entrada na série, pois recorda um episódio do passado de Ian Arànil, o Dragonero, quando este decidiu abandonar o exército do Império e incorporar o corpo dos exploradores. Ian procura o seu amigo Gmor, entretanto retirado num mosteiro, para o acompanhar, mas antes de se puderem juntar ao corpo de exploradores, vão ter de partir em auxílio de um grupo de monges que se encontra preso no interior de uma biblioteca antiga, ameaçados por um Elementar - um tipo de dríade particularmente potente, com um corpo formado por ramos de espinhos e que, para se proteger, evoca servos menores directamente do mundo dos abismos, como os Familiares - que guardava o grimório, um antigo livro de feitiços, escondido nessa biblioteca.
Por ser narrada em dois tempos distintos - o presente, em que, numa taberna em Solian, Iam e Gmor contam a um grupo de amigos aquela que foi a sua primeira missão antes de se juntarem ao corpo de exploradores, e o passado, a história do reencontro entre Iam e Gmor e a sua primeira missão conjunta – os diferentes momentos temporais estão cargo de dois desenhadores distintos, com Manuel Morrone a ilustrar as cenas na taberna, enquanto Cristiano Cucina se ocupa da história principal, narrada em flash-back, contribuindo as cores de Paolo Francescutto, do estúdio Golem, para harmonizar o conjunto.
Colecção Bonelli - Vol 8
Dragonero – A Primeira Missão
Argumento – Luca Enoch e Stefano Vietti
Desenhos – Manuel Morrone e Cristiano Cucina
Quinta-feira, 31 de Maio
Por + 10,90€
No oitavo volume da colecção dedicada à Editora Bonelli, o destaque vai para aquela que é uma das apostas recentes de maior sucesso da editora milanesa: a série Dragonero. Uma série de fantasia heróica, género já aflorado em outras publicações da Bonelli, mas que em Dragonero é tratado pela primeira vez de forma mais pura, através da criação de um universo de fantasia, cuja complexidade e coerência estão à altura da herança de autores como Robert E. Howard, Tolkien e George R. R. Martin.
Criada em 2007 por Luca Enoch e Stefano Vietti como uma história única para a série Romanzi a Fumetti Bonelli, Dragonero acabaria por se converter numa revista mensal em 2013. O protagonista desta série é Ian Arànil, explorador do Império Erondariano e herdeiro da nobre e antiga casa dos Varliedàrto, os caçadores de dragões. Acompanhado por Gmor Burpen, um ogre com um invulgar gosto pela leitura e com hábitos gastronómicos bastante mais requintados do que o habitual na sua espécie, e pela ninfa Sera – que nesta edição aparece apenas no fim da história - Ian vive as mais incríveis aventuras no vasto universo criado por Enochi e Vietti, que compreende vários continentes, habitados por diferentes raças.
Publicada originalmente em 2014, no Speciale Dragonero nº 1, A Primeira Missão, a história escolhida para dar a conhecer Dragonero aos leitores portugueses, que foi também a primeira da série a ser publicada a cores em Itália, é uma boa porta de entrada na série, pois recorda um episódio do passado de Ian Arànil, o Dragonero, quando este decidiu abandonar o exército do Império e incorporar o corpo dos exploradores. Ian procura o seu amigo Gmor, entretanto retirado num mosteiro, para o acompanhar, mas antes de se puderem juntar ao corpo de exploradores, vão ter de partir em auxílio de um grupo de monges que se encontra preso no interior de uma biblioteca antiga, ameaçados por um Elementar - um tipo de dríade particularmente potente, com um corpo formado por ramos de espinhos e que, para se proteger, evoca servos menores directamente do mundo dos abismos, como os Familiares - que guardava o grimório, um antigo livro de feitiços, escondido nessa biblioteca.
Publicado originalmente no jornal Público de 26/05/2018
Etiquetas:
BD,
Bonelli,
Dragonero,
fumetti,
Heroic Fantasy,
Levoir,
Luca Enoch,
Público
quinta-feira, 24 de maio de 2018
Colecção Bonelli 7 - Martin Mystère: O Destino da Atlântida
MARTIN MYSTÈRE INVESTIGA O MISTÉRIO DA ATLÂNTIDA
Colecção Bonelli - Vol 7
Martin Mystere – O Destino da Atlântida
Argumento – Alfredo Castelli
Desenhos – Cardinale, Orlandi e Toppi
Quinta-feira, 24 de Maio
Por + 10,90€
Depois de Tex, Dampyr, Dylan Dog e Julia, chega a vez de Martin Mystère se estrear nesta colecção dedicada à editora Bonelli. Criado em 1982 por Alfredo Castelli, Martin Mystère, o “detective do impossível”, é um verdadeiro “Homem do Renascimento”. Antropólogo, arqueólogo, especialista em História da Arte, Línguas e Cibernética, investigador, apresentador do programa de televisão Os Mistérios de Mystère, escritor, aventureiro e iniciado nos cultos esotéricos, Mystère utiliza a sua vastíssima cultura para desvendar os mais variados enigmas, apoiado pelo seu fiel Java, um corpulento Homem de Neanderthal.
Nascido em Milão em 1947, Castelli, o criador de Martin Mystère, é um prolífico escritor, investigador, argumentista e especialista em Banda Desenhada, que a essa actividade, junta também a escrita de guiões para séries televisivas da RAI e para desenhos animados. Para a revista Il Corriere dei Ragazzi, criou inúmeras histórias e personagens, como Gli Aristocratici (onde colabora pela primeira vez com Tiziano Sclavi, o criador de Dylan Dog) e Allan Quatermain, em 1975, personagem que irá servir de modelo para a criação de Martin Mystère, em que já é bem evidente o gosto do escritor por histórias muito bem documentadas que misturam o género fantástico e as teorias da conspiração, com a aventura e a História. Allan Quatermain, vai servir de base a uma nova personagem, aprovada por Sergio Bonelli, já com o nome Martin Mystère, nome esse que é uma homenagem a Tiziano Sclavi que nos anos 70 escreveu uma série de contos com um detective francês chamado Jacques Mystère. Jacques, que ficou precisamente como o nome do meio de Martin Mystère, cujo nome completo é Martin Jacques Mystère.
Este volume traz duas histórias bem distintas de Martin Mystère. A primeira dessas histórias, O Destino da Atlântida cuja acção se inicia nos Açores, está bem integrada na continuidade da série, remetendo para episódios anteriores, especialmente para o primeiro volume da série, publicado em 1982, em que Mistère descobre nos mares dos Açores, vestígios arqueológicos que provam a existência da Atlântida. Desta vez Martin Mystère tem de se aliar ao seu eterno inimigo, Orloff para trazer de volta à nossa era o satélite militar que provocou a destruição da Atlântida e de Mu, 10 mil anos antes. Uma história complexa, em que os principais elementos da série estão presentes, ilustrada num estilo realista, em que é notório o uso de fotografias, por Roberto Cardinale e Alfredo Orlandi.
O volume termina com Assunto de Família, uma história curta de 22 páginas, publicada originalmente no Almanaque Martin Mystére nº 16, de 1999, e posteriormente adaptada a um CD-Rom. Essa história, ilustrada por Sergio Toppi, em que a descoberta de uma gravação vídeo traz revelações sobre a presença de extraterrestres no nosso planeta, é mais um exemplo da colaboração de Toppi com a editora de Sérgio Bonelli, em que o desenhador adapta a narrativa e a planificação às características habituais das publicações da editora, sem abdicar do seu estilo mais pessoal e inconfundível, bem evidente nas máscaras africanas que ornamentam o escritório de Mystère.
Publicado originalmente no jornal Público de 19/05/2018
Etiquetas:
Alfredo Castelli,
Atlântida,
BD,
Bonelli,
fumetti,
Levoir,
Martin Mystère,
Público,
Tiziano Sclavi
quinta-feira, 17 de maio de 2018
Colecção Bonelli 6 - Tex: A Pista dos Fora-da-Lei
TEX E OS ÍNDIOS
Colecção Bonelli - Vol 6
Tex – A pista dos Fora-da-Lei
Argumento – Mauro Boselli e Claudio Nizzi
Desenhos – Carlos Gomez e Andrea Venturi
Quinta-feira, 17 de Maio
Por + 10,90€
Depois de um volume inaugural a cores, marcado pela diversidade de abordagens estéticas e narrativas, Tex regressa a esta colecção para um segundo volume, com duas histórias a preto e branco, de maior fôlego e cheias de acção, bem representativas da dimensão mais épica da personagem, escritas pelos principais argumentistas da série na actualidade, Mauro Boselli (que é também o editor) e Claudio Nizzi.
A primeira, A Pista dos Fora-da-lei, escrita por Mauro Boselli, com desenhos espectaculares do argentino Carlos Gomez, leva Tex, Kit Carson e Jack Tigre a seguir a pista de um bando de assaltantes de bancos, capitaneado por Ozzie Johnson, pelos Montes Gila, até Clifton, uma pequena povoação mineira. Aí, o confronto entre Tex e os seus pards e a quadrilha de Johnson (que tinha aproveitado para assaltar o Banco de Clifton) passa para segundo plano, face à ameaça de um bando de Apaches rebeldes, que decide atacar a povoação. Uma situação inesperada, que vem revelar uma nobreza de carácter por parte de Johnson e dos seus homens, que arriscam a vida para salvar as mulheres de Clifton, pouco habitual nas histórias mais antigas de Tex, marcadas por uma visão mais maniqueísta da realidade, onde os “maus da fita” não costumam ter redenção possível.
Mas, apesar das qualidades do argumento de Boselli, que remete Tex para um papel mais de observador, de modo a ter espaço para dar maior densidade psicológica às personagens secundárias, o ponto alto desta história é mesmo o trabalho superlativo de Carlos Gomez no desenho. Verdadeira estrela em Itália, graças à série Dago, onde substituiu, com grandes vantagens, Alberto Salinas (o filho do mítico desenhador de Cisco Kid, José Luís Salinas), Carlos Gomez - que já tinha brilhado em Na Trilha do Oregon, um Tex Gigante (os famosos Texones) que foi distribuído em Portugal em versão brasileira há 6 ou 7 anos - mostra mais uma vez que é um desenhador de mão cheia, com um traço tão dinâmico como pormenorizado, que dá aos rostos uma grande expressividade. Com um traço de um realismo impressionante e uma notável capacidade de planificar as cenas de acção, Gomez é também um mestre na criação de ambientes. Veja-se a sequência inicial à chuva, marcada por um espectacular trabalho de preto e branco.
Se na primeira história, os índios são a principal ameaça, na segunda história, O Assassino de Índios, eles são as vítimas de um misterioso assassino que aterroriza uma tribo de apaches Jicarilla, ao assassinar e escalpar mais de vinte indígenas. Uma ameaça misteriosa que só Tex e Kit Carson serão capazes de deter. Publicada originalmente no Almanaque Tex de 1996, esta história escrita por Claudio Nizzi, assinala a estreia de Andrea Venturi - o desenhador de Johnny Freak, a inesquecível história de Dylan Dog que pudemos ler no terceiro volume desta colecção - na série Tex.
E Venturi, que tão bem se saia a desenhar Dylan Dog, revela-se bastante à vontade na passagem para um género mais codificado como é o Western, confirmando as suas qualidades artísticas, ao serviço de uma história com contornos de inquérito policial, em que Tex descobre, ao mesmo tempo que o leitor, os motivos que levaram o misterioso assassino de índios a executar a sua vingança.
Publicado originalmente no jornal Público de 12/05/2018
Colecção Bonelli - Vol 6
Tex – A pista dos Fora-da-Lei
Argumento – Mauro Boselli e Claudio Nizzi
Desenhos – Carlos Gomez e Andrea Venturi
Quinta-feira, 17 de Maio
Por + 10,90€
Depois de um volume inaugural a cores, marcado pela diversidade de abordagens estéticas e narrativas, Tex regressa a esta colecção para um segundo volume, com duas histórias a preto e branco, de maior fôlego e cheias de acção, bem representativas da dimensão mais épica da personagem, escritas pelos principais argumentistas da série na actualidade, Mauro Boselli (que é também o editor) e Claudio Nizzi.
A primeira, A Pista dos Fora-da-lei, escrita por Mauro Boselli, com desenhos espectaculares do argentino Carlos Gomez, leva Tex, Kit Carson e Jack Tigre a seguir a pista de um bando de assaltantes de bancos, capitaneado por Ozzie Johnson, pelos Montes Gila, até Clifton, uma pequena povoação mineira. Aí, o confronto entre Tex e os seus pards e a quadrilha de Johnson (que tinha aproveitado para assaltar o Banco de Clifton) passa para segundo plano, face à ameaça de um bando de Apaches rebeldes, que decide atacar a povoação. Uma situação inesperada, que vem revelar uma nobreza de carácter por parte de Johnson e dos seus homens, que arriscam a vida para salvar as mulheres de Clifton, pouco habitual nas histórias mais antigas de Tex, marcadas por uma visão mais maniqueísta da realidade, onde os “maus da fita” não costumam ter redenção possível.
Mas, apesar das qualidades do argumento de Boselli, que remete Tex para um papel mais de observador, de modo a ter espaço para dar maior densidade psicológica às personagens secundárias, o ponto alto desta história é mesmo o trabalho superlativo de Carlos Gomez no desenho. Verdadeira estrela em Itália, graças à série Dago, onde substituiu, com grandes vantagens, Alberto Salinas (o filho do mítico desenhador de Cisco Kid, José Luís Salinas), Carlos Gomez - que já tinha brilhado em Na Trilha do Oregon, um Tex Gigante (os famosos Texones) que foi distribuído em Portugal em versão brasileira há 6 ou 7 anos - mostra mais uma vez que é um desenhador de mão cheia, com um traço tão dinâmico como pormenorizado, que dá aos rostos uma grande expressividade. Com um traço de um realismo impressionante e uma notável capacidade de planificar as cenas de acção, Gomez é também um mestre na criação de ambientes. Veja-se a sequência inicial à chuva, marcada por um espectacular trabalho de preto e branco.
Se na primeira história, os índios são a principal ameaça, na segunda história, O Assassino de Índios, eles são as vítimas de um misterioso assassino que aterroriza uma tribo de apaches Jicarilla, ao assassinar e escalpar mais de vinte indígenas. Uma ameaça misteriosa que só Tex e Kit Carson serão capazes de deter. Publicada originalmente no Almanaque Tex de 1996, esta história escrita por Claudio Nizzi, assinala a estreia de Andrea Venturi - o desenhador de Johnny Freak, a inesquecível história de Dylan Dog que pudemos ler no terceiro volume desta colecção - na série Tex.
E Venturi, que tão bem se saia a desenhar Dylan Dog, revela-se bastante à vontade na passagem para um género mais codificado como é o Western, confirmando as suas qualidades artísticas, ao serviço de uma história com contornos de inquérito policial, em que Tex descobre, ao mesmo tempo que o leitor, os motivos que levaram o misterioso assassino de índios a executar a sua vingança.
Publicado originalmente no jornal Público de 12/05/2018
Etiquetas:
Andrea Venturi,
BD,
Bonelli,
Carlos Gomez,
Levoir,
Público,
Tex
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Colecção Bonelli 5 - Le Storie: Sangue e Gelo
O VERMELHO E O BRANCO
Colecção Bonelli - Vol 5
Le Storie – Sangue e Gelo
Argumento – Tito Faraci
Desenhos – Pasquale Frisenda
Quinta-feira, 10 de Maio
Por + 10,90€
Embora muita da sua popularidade derive do carisma das suas personagens famosas, como Tex, Dylan Dog, Júlia, ou Dampyr, para falar apenas das que os leitores portugueses tiveram oportunidade de descobrir nas semanas anteriores, a aposta da Bonelli não se limita às séries com personagens recorrentes. Basta ver Sangue e Gelo, o volume da série Le Storie, que preenche a quinta entrega desta Colecção dedicada à editora milanesa.
Uma nova série, sem personagens fixos, que recupera o conceito da mítica colecção Un Uomo, un’Avventura, uma das experiências editoriais mais prestigiadas da Bonelli, por onde passaram os maiores nomes da BD italiana, como Pratt, Manara, Crepax e Toppi, a quem foi dada total liberdade para escreverem e desenharem histórias sem heróis. É esse mesmo espírito que está presente em Le Storie, título criado em 2012 para acolher histórias complexas, bem contadas e melhor desenhadas, libertas dos constrangimentos habituais nas publicações clássicas da editora, tendo geralmente como pano de fundo um acontecimento histórico concreto. Um título por onde já passaram alguns dos melhores escritores e desenhadores italianos, como Claudio Nizzi, Mauro Boselli, Gianfranco Manfredi, Corrado Mastantuono, Paolo Bacilieri, Roberto Recchioni, Giovanni Freghieri, Bruno Brindisi ou Gampiero Casertano, sem esquecer Aldo di Gennaro, o ilustrador responsável pelas capas da série.
Ambientada em finais de 1812, na Rússia do Czar Alexandre I, Sangue e Gelo tem como ponto de partida a retirada do exército napoleónico, desgastado pela estratégia russa da “terra queimada”, deixando atrás de si centenas de milhar de homens à fome, que lutam pela mera sobrevivência num ambiente de gelo e horror. Contrários à ideia de se renderem a um destino aparentemente inelutável, os homens do capitão Lozère partem em busca de um pouco de pão e de um abrigo quente, na esperança de uma improvável salvação, acabando por ir ao encontro de um destino imprevisto, que mostra que há horrores ancestrais ainda piores do que os da guerra...
Escrita por Tito Faraci, que os leitores portugueses conhecem de Daredevil & Capitão América: Segunda Morte, álbum desenhado por Claudio Villa, um dos mais prestigiados Ilustradores da Bonelli e integrado na linha Marvel Transatlantico, Sangue e Gelo conta com arte de Pasquale Frisenda, o desenhador de Patagónia e O Segredo do Juiz Bean, duas aventuras de Tex publicadas recentemente em Portugal pela Polvo. Se essas duas histórias já deixavam perceber todo o talento gráfico e narrativo de Frisenda, aqui o trabalho do desenhador milanês é absolutamente superlativo e um perfeito exemplo de como o traço e a cor podem ser usados em termos tanto psicológicos como narrativos.
Assim, o branco da neve que cobre os campos gelados da Rússia é rasgado pelo vermelho do sangue e do fogo, cuja presença se vai tornando cada vez mais importante à medida que a história resvala para um horror sobrenatural. Uma descida ao coração das trevas magistralmente ilustrada por Frisenda que, de acordo com as necessidades da história, alterna entre o preto e branco de alto contraste, uma aguada de guache cinzento que mancha o branco da página e da neve e o vermelho que vai invadindo as páginas, numa perfeita articulação entre texto, imagem e cor.
Publicado originalmente no jornal de Publico de 05/05/2018
Colecção Bonelli - Vol 5
Le Storie – Sangue e Gelo
Argumento – Tito Faraci
Desenhos – Pasquale Frisenda
Quinta-feira, 10 de Maio
Por + 10,90€
Embora muita da sua popularidade derive do carisma das suas personagens famosas, como Tex, Dylan Dog, Júlia, ou Dampyr, para falar apenas das que os leitores portugueses tiveram oportunidade de descobrir nas semanas anteriores, a aposta da Bonelli não se limita às séries com personagens recorrentes. Basta ver Sangue e Gelo, o volume da série Le Storie, que preenche a quinta entrega desta Colecção dedicada à editora milanesa.
Uma nova série, sem personagens fixos, que recupera o conceito da mítica colecção Un Uomo, un’Avventura, uma das experiências editoriais mais prestigiadas da Bonelli, por onde passaram os maiores nomes da BD italiana, como Pratt, Manara, Crepax e Toppi, a quem foi dada total liberdade para escreverem e desenharem histórias sem heróis. É esse mesmo espírito que está presente em Le Storie, título criado em 2012 para acolher histórias complexas, bem contadas e melhor desenhadas, libertas dos constrangimentos habituais nas publicações clássicas da editora, tendo geralmente como pano de fundo um acontecimento histórico concreto. Um título por onde já passaram alguns dos melhores escritores e desenhadores italianos, como Claudio Nizzi, Mauro Boselli, Gianfranco Manfredi, Corrado Mastantuono, Paolo Bacilieri, Roberto Recchioni, Giovanni Freghieri, Bruno Brindisi ou Gampiero Casertano, sem esquecer Aldo di Gennaro, o ilustrador responsável pelas capas da série.
Ambientada em finais de 1812, na Rússia do Czar Alexandre I, Sangue e Gelo tem como ponto de partida a retirada do exército napoleónico, desgastado pela estratégia russa da “terra queimada”, deixando atrás de si centenas de milhar de homens à fome, que lutam pela mera sobrevivência num ambiente de gelo e horror. Contrários à ideia de se renderem a um destino aparentemente inelutável, os homens do capitão Lozère partem em busca de um pouco de pão e de um abrigo quente, na esperança de uma improvável salvação, acabando por ir ao encontro de um destino imprevisto, que mostra que há horrores ancestrais ainda piores do que os da guerra...
Escrita por Tito Faraci, que os leitores portugueses conhecem de Daredevil & Capitão América: Segunda Morte, álbum desenhado por Claudio Villa, um dos mais prestigiados Ilustradores da Bonelli e integrado na linha Marvel Transatlantico, Sangue e Gelo conta com arte de Pasquale Frisenda, o desenhador de Patagónia e O Segredo do Juiz Bean, duas aventuras de Tex publicadas recentemente em Portugal pela Polvo. Se essas duas histórias já deixavam perceber todo o talento gráfico e narrativo de Frisenda, aqui o trabalho do desenhador milanês é absolutamente superlativo e um perfeito exemplo de como o traço e a cor podem ser usados em termos tanto psicológicos como narrativos.
Assim, o branco da neve que cobre os campos gelados da Rússia é rasgado pelo vermelho do sangue e do fogo, cuja presença se vai tornando cada vez mais importante à medida que a história resvala para um horror sobrenatural. Uma descida ao coração das trevas magistralmente ilustrada por Frisenda que, de acordo com as necessidades da história, alterna entre o preto e branco de alto contraste, uma aguada de guache cinzento que mancha o branco da página e da neve e o vermelho que vai invadindo as páginas, numa perfeita articulação entre texto, imagem e cor.
Publicado originalmente no jornal de Publico de 05/05/2018
Etiquetas:
Bonelli,
Le Storie,
Levoir,
Pasquale Frisenda,
Público,
Tito Faraci
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Colecção Bonelli 4 - Julia: O Eterno Repouso
JULIA ESTREIA-SE EM PORTUGAL COM ARTE DE SERGIO TOPPI
Colecção Bonelli - Vol 4
Julia – O Eterno Repouso
Argumento – Giancarlo Berardi
Desenhos – Sergio Toppi
Quinta-feira, 3 de Maio
Por + 10,90€
A protagonista do quarto volume da colecção dedicada à editora Bonelli é Julia Kendall, uma criminóloga e professora universitária, que colabora com a polícia de Garden City – a cidade fictícia onde vive – utilizando os seus vastos conhecimentos para investigar os mais diversos casos de homicídio.
Criada em 1998 por Giancarlo Beradi – o criador do magnífico Western Ken Parker - com a colaboração de Luca Vannini na parte gráfica, a série tem um elemento que é comum a outros títulos da Bonelli: a utilização da imagem de actores de cinema famoso como ponto de partida para a criação gráfica dos heróis. Se no caso de Dylan Dog, o próprio Tiziano Sclavi indicou ao desenhador Claudio Villa o actor Rupert Everett como modelo para Dylan Dog, já Berardi vai bastante mais longe, com praticamente todas as personagens recorrentes da série a serem baseadas fisicamente em actores de Hollywood, começando logo pela própria Julia, cuja imagem é inspirada na actriz Audrey Hepburn, e por Emily, a sua empregada doméstica que tem as feições de outra actriz famosa, Whoopi Goldberg.
Mas além da estreia de Julia, este livro assinala também o regresso de Sergio Toppi ao mercado nacional, depois do sublime Sharaz’De, publicado na primeira colecção dedicada à Novela Gráfica.
Sergio Bonelli e Toppi eram bons amigos e o desenhador colaborou por diversas vezes com o editor milanês. Uma colaboração que se iniciou em 1974, quando Bonelli contratou Toppi para este acabar de desenhar um Western que a morte de Rino Albertarelli deixara incompleta. Seguir-se-ia a participação na mítica colecção Un Uomo, un’Avventura, onde Bonelli conseguiu a proeza de juntar os mais prestigiados nomes dos fumetti italianos, de Hugo Pratt a Milo Manara, passando por Crepax, Buzzelli, Battaglia, e claro, Toppi, que entre 1976 e 1978 ilustrou os volumes, L’Uomo del Nilo, L’Uomo del Messico e L’Uomo del Paludi.
E se os interesses de Toppi estavam algo afastados das grandes séries da Bonelli, a sua amizade com o editor milanês fez com que colaborasse ocasionalmente com a editora da Via Buonarrotti, desenhando histórias para a Ken Parker Magazine, para dois números de Nick Rayder, em 1997 e 2001, uma história curta de Martin Mistère, que poderemos ler no volume 7 desta colecção, e esta história de Giancarlo Berardi para o nº 11 da revista Julia.
Uma história publicada originalmente em Agosto de 1999 e que chega finalmente aos leitores portugueses, numa cuidada edição, cujo formato e qualidade de impressão fazem justiça ao trabalho gráfico de Toppi, por oposição à edição brasileira da Mythos, em formato reduzido e papel de jornal, que passou de forma discreta pelos quiosques portugueses em 2006.
Dave McKean escreveu um dia que Toppi era “capaz de desenhar qualquer coisa e dar-lhe uma solidez e um sentido de movimento que a tornam ideal para contar histórias no formato da Banda Desenhada” e esta história de Julia vem dar-lhe razão. Ilustrando uma história sobre um misterioso assassinato num lar da terceira idade, Toppi segue fielmente o argumento de Berardi e a planificação habitual das séries da Bonelli, sem abdicar do seu estilo próprio, algo que é bem evidente na fabulosa sequência do pesadelo de Julia, que ocupa as páginas 48 a 53 do livro.
Colecção Bonelli - Vol 4
Julia – O Eterno Repouso
Argumento – Giancarlo Berardi
Desenhos – Sergio Toppi
Quinta-feira, 3 de Maio
Por + 10,90€
A protagonista do quarto volume da colecção dedicada à editora Bonelli é Julia Kendall, uma criminóloga e professora universitária, que colabora com a polícia de Garden City – a cidade fictícia onde vive – utilizando os seus vastos conhecimentos para investigar os mais diversos casos de homicídio.
Criada em 1998 por Giancarlo Beradi – o criador do magnífico Western Ken Parker - com a colaboração de Luca Vannini na parte gráfica, a série tem um elemento que é comum a outros títulos da Bonelli: a utilização da imagem de actores de cinema famoso como ponto de partida para a criação gráfica dos heróis. Se no caso de Dylan Dog, o próprio Tiziano Sclavi indicou ao desenhador Claudio Villa o actor Rupert Everett como modelo para Dylan Dog, já Berardi vai bastante mais longe, com praticamente todas as personagens recorrentes da série a serem baseadas fisicamente em actores de Hollywood, começando logo pela própria Julia, cuja imagem é inspirada na actriz Audrey Hepburn, e por Emily, a sua empregada doméstica que tem as feições de outra actriz famosa, Whoopi Goldberg.
Mas além da estreia de Julia, este livro assinala também o regresso de Sergio Toppi ao mercado nacional, depois do sublime Sharaz’De, publicado na primeira colecção dedicada à Novela Gráfica.
Sergio Bonelli e Toppi eram bons amigos e o desenhador colaborou por diversas vezes com o editor milanês. Uma colaboração que se iniciou em 1974, quando Bonelli contratou Toppi para este acabar de desenhar um Western que a morte de Rino Albertarelli deixara incompleta. Seguir-se-ia a participação na mítica colecção Un Uomo, un’Avventura, onde Bonelli conseguiu a proeza de juntar os mais prestigiados nomes dos fumetti italianos, de Hugo Pratt a Milo Manara, passando por Crepax, Buzzelli, Battaglia, e claro, Toppi, que entre 1976 e 1978 ilustrou os volumes, L’Uomo del Nilo, L’Uomo del Messico e L’Uomo del Paludi.
E se os interesses de Toppi estavam algo afastados das grandes séries da Bonelli, a sua amizade com o editor milanês fez com que colaborasse ocasionalmente com a editora da Via Buonarrotti, desenhando histórias para a Ken Parker Magazine, para dois números de Nick Rayder, em 1997 e 2001, uma história curta de Martin Mistère, que poderemos ler no volume 7 desta colecção, e esta história de Giancarlo Berardi para o nº 11 da revista Julia.
Uma história publicada originalmente em Agosto de 1999 e que chega finalmente aos leitores portugueses, numa cuidada edição, cujo formato e qualidade de impressão fazem justiça ao trabalho gráfico de Toppi, por oposição à edição brasileira da Mythos, em formato reduzido e papel de jornal, que passou de forma discreta pelos quiosques portugueses em 2006.
Dave McKean escreveu um dia que Toppi era “capaz de desenhar qualquer coisa e dar-lhe uma solidez e um sentido de movimento que a tornam ideal para contar histórias no formato da Banda Desenhada” e esta história de Julia vem dar-lhe razão. Ilustrando uma história sobre um misterioso assassinato num lar da terceira idade, Toppi segue fielmente o argumento de Berardi e a planificação habitual das séries da Bonelli, sem abdicar do seu estilo próprio, algo que é bem evidente na fabulosa sequência do pesadelo de Julia, que ocupa as páginas 48 a 53 do livro.
Publicado originalmente no jornal Público de 28/04/2018
quinta-feira, 26 de abril de 2018
Colecção Bonelli 3 - Dylan Dog: A Saga de Johnny Freak
Tal como no volume anterior, o prefácio deste primeiro volume dedicado a Dylan Dog também é meu. Depois de Mater Morbi, é sempre um prazer voltar a escrever com espaço sobre um dos meus personagens de BD favoritos. Aqui vos deixo com o prefácio e com o texto que escrevi para o Público sobre este volume e que poderão ler clicando na imagem.
UM FREAK CHAMADO JOHNNY
Qualquer História da Banda Desenhada que o leitor consulte, assinala o ano de 1986 como um ano-charneira em termos da evolução da arte sequencial. Basta lembrar que foi nesse mesmo ano que foram publicadas obras absolutamente seminais como Maus, de Art Spiegelman, Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons e O Regresso do Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.
Mas não foi só nos EUA que 1986 foi um ano marcante no que à BD diz respeito. Também em Itália as coisas estavam a mudar, com a publicação, em Setembro de 1986, de uma nova série da editora Bonelli. Uma série escrita por um escritor ainda à procura do seu primeiro sucesso, Tiziano Sclavi, e protagonizada por um detective vegetariano, com um passado de alcoolismo, que sofre de claustrofobia e vertigens e investiga casos sobrenaturais, Dylan Dog. Conforme escreveu o próprio Sclavi trinta anos depois, o primeiro número de Dylan Dog foi recebido com uma “enorme explosão de total indiferença”, ficando, em termos de vendas, no limite do cancelamento. Mas pouco a pouco, a série soube conquistar um público cada vez mais vasto, até se tornar um verdadeiro fenómeno, não só de vendas, mas também cultural. O grande trunfo de Dylan Dog foi conseguir chegar a um público bem mais abrangente do que os tradicionais fãs de BD (ou no caso italiano, dos fumetti) e conquistar leitores junto dos cinéfilos, dos intelectuais como Umberto Eco, dos cultores da literatura e do cinema de terror e, sobretudo, junto do público feminino, conquistando milhares de jovens leitoras - que não conseguiram resistir ao charme e às fragilidades, que aumentam esse charme, de Dylan Dog - algumas das quais, como Paola Barbato, Barbara Baraldi, Rita Porretto e Silvia Mericone, iriam passar décadas depois, de leitoras a escritoras das aventuras do detective do oculto.
Em Portugal, Dylan Dog fez a sua estreia só em 2017, na terceira série da colecção Novela Gráfica, com Mater Morbi, uma história assinada por Roberto Recchioni, o actual responsável editorial da série, bem representativa dos diferentes caminhos trilhados recentemente pela personagem. Para a estreia de Dylan Dog nesta colecção dedicada à editora Bonelli, que vai também encerrar, a opção recaiu em Johnny Freak, uma história mais clássica, onde não falta o dedo do seu criador, Tiziano Sclavi.
Invariavelmente presente na lista das melhores histórias de Dylan Dog de todos os tempos, Johnny Freak foi publicado originalmente em 1993, no número 81 da revista mensal do detective do pesadelo. Contrariamente ao que era habitual nesta época, em que normalmente Tiziano Sclavi lançava a ideia-base para a história, que depois era desenvolvida por outros escritores, no caso de Johnny Freak, o processo foi o inverso. A ideia da história partiu do editor Mauro Marcheselli e coube a Sclavi desenvolver o argumento e os diálogos. Mas essa não é a única particularidade desta história, onde, por uma vez, os horrores sobrenaturais dão lugar a um horror bem real, de uma criança muda a quem são removidas cirurgicamente as pernas, um rim e um pulmão. Inspirada por um artigo sobre tráfico de órgão humanos no Brasil, que Marcheselli tinha lido numa revista, esta história de ficção teria confirmação na realidade mais de uma década depois, em 2005, com o célebre caso de James Whitaker, que foi gerado e nasceu expressamente com o objectivo de ser dador de medula para o seu irmão Charlie, afectado por uma doença degenerativa mortal.
Numa das raras entrevistas que deu, Sclavi, quando lhe perguntaram se se identificava com Dylan Dog, respondeu: “Nem com Dylan, nem com Groucho. Eu sou os monstros.” E essa identificação é bem evidente nesta história, em que o verdadeiro mal se esconde nas pessoas de boa aparência e o corpo deformado de Johnny esconde uma alma de artista e um coração de ouro. Tal como os leitores, que não conseguiram resistir à fragilidade e à ternura de Johnny, o próprio Sclavi também não resistiu a alterar o final mais duro imaginado por Marcheselli, criando um novo final que, segundo o próprio, “foi escrito enquanto as lágrimas caiam sobre o teclado do computador”.
Essa emoção que Sclavi conseguiu transmitir à história, ajudou a que esta se tornasse um dos episódios mais inesquecíveis da série, mas seria injusto não referir o contributo decisivo do desenhador Andrea Venturi, cujo traço elegante e realista, a fazer lembrar Neal Adams, serve de forma admirável as diferentes nuances da narrativa.
Alternando um realismo dinâmico, com um traço mais onírico e expressionista quando reproduz os desenhos de Johnny, Venturi revela-se perfeito, tanto em termos gráficos como narrativos, para uma história com esta importância. Tratando-se de uma história escrita por Sclavi, não podiam falar as referências cinematográficas, sendo a mais óbvia, até pela alcunha que a imprensa dá a Johnny, ao filme Freaks, de Todd Browning, um clássico de 1932 cuja cassete vídeo o escritor emprestou a Andrea Venturi para que este o visse com atenção antes de começar a desenhar a história.
Se o sucesso de Johnny Freak tornava a sua continuação uma opção óbvia em termos comerciais, a forma como a história acabava, não deixava propriamente grande espaço para continuações… Daí que o trabalho de Marcheselli e Sclavi não fosse nada óbvio, nem fácil, o que só vem confirmar a grande capacidade, narrativa e criativa, destes dois grandes profissionais da escrita. Publicada originalmente em 1997, no número 127 da revista mensal, O Coração de Johnny reúne a mesma equipa de Johnny Freak, com a excepção do desenhador, pois Andrea Venturi tinha passado a desenhar a série Tex. Para o substituir, Sclavi escolheu um dos seus desenhadores favoritos; Giampiero Casertano, cuja cumplicidade com Sclavi é bem evidente na carta do escritor que reproduzimos no fim deste volume e que, não por acaso, seria também escolhido para desenhar Doppo un Lungo Silenzio, o regresso do escritor aos argumentos da série em 2016, por ocasião do trigésimo aniversário de Dylan Dog.
Senhor de um traço mais sombrio e caricatural do que Venturi, Casertano tinha um duplo desafio pela frente, pois tinha de se aproximar graficamente do desenho de Venturi nas várias cenas de flash-back que enchem a história, sem abdicar do seu estilo próprio e inconfundível, marcado por um muito conseguido jogo de sombras. A verdade é que o artista milanês, que para os desenhos de Johnny vai beber inspiração em Picasso e Bosch, conseguiu superar com distinção os dois desafios, conseguindo que, pelo menos em termos gráficos, esta continuação esteja perfeitamente à altura do original.
UM FREAK CHAMADO JOHNNY
Qualquer História da Banda Desenhada que o leitor consulte, assinala o ano de 1986 como um ano-charneira em termos da evolução da arte sequencial. Basta lembrar que foi nesse mesmo ano que foram publicadas obras absolutamente seminais como Maus, de Art Spiegelman, Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons e O Regresso do Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.
Mas não foi só nos EUA que 1986 foi um ano marcante no que à BD diz respeito. Também em Itália as coisas estavam a mudar, com a publicação, em Setembro de 1986, de uma nova série da editora Bonelli. Uma série escrita por um escritor ainda à procura do seu primeiro sucesso, Tiziano Sclavi, e protagonizada por um detective vegetariano, com um passado de alcoolismo, que sofre de claustrofobia e vertigens e investiga casos sobrenaturais, Dylan Dog. Conforme escreveu o próprio Sclavi trinta anos depois, o primeiro número de Dylan Dog foi recebido com uma “enorme explosão de total indiferença”, ficando, em termos de vendas, no limite do cancelamento. Mas pouco a pouco, a série soube conquistar um público cada vez mais vasto, até se tornar um verdadeiro fenómeno, não só de vendas, mas também cultural. O grande trunfo de Dylan Dog foi conseguir chegar a um público bem mais abrangente do que os tradicionais fãs de BD (ou no caso italiano, dos fumetti) e conquistar leitores junto dos cinéfilos, dos intelectuais como Umberto Eco, dos cultores da literatura e do cinema de terror e, sobretudo, junto do público feminino, conquistando milhares de jovens leitoras - que não conseguiram resistir ao charme e às fragilidades, que aumentam esse charme, de Dylan Dog - algumas das quais, como Paola Barbato, Barbara Baraldi, Rita Porretto e Silvia Mericone, iriam passar décadas depois, de leitoras a escritoras das aventuras do detective do oculto.
Em Portugal, Dylan Dog fez a sua estreia só em 2017, na terceira série da colecção Novela Gráfica, com Mater Morbi, uma história assinada por Roberto Recchioni, o actual responsável editorial da série, bem representativa dos diferentes caminhos trilhados recentemente pela personagem. Para a estreia de Dylan Dog nesta colecção dedicada à editora Bonelli, que vai também encerrar, a opção recaiu em Johnny Freak, uma história mais clássica, onde não falta o dedo do seu criador, Tiziano Sclavi.
Invariavelmente presente na lista das melhores histórias de Dylan Dog de todos os tempos, Johnny Freak foi publicado originalmente em 1993, no número 81 da revista mensal do detective do pesadelo. Contrariamente ao que era habitual nesta época, em que normalmente Tiziano Sclavi lançava a ideia-base para a história, que depois era desenvolvida por outros escritores, no caso de Johnny Freak, o processo foi o inverso. A ideia da história partiu do editor Mauro Marcheselli e coube a Sclavi desenvolver o argumento e os diálogos. Mas essa não é a única particularidade desta história, onde, por uma vez, os horrores sobrenaturais dão lugar a um horror bem real, de uma criança muda a quem são removidas cirurgicamente as pernas, um rim e um pulmão. Inspirada por um artigo sobre tráfico de órgão humanos no Brasil, que Marcheselli tinha lido numa revista, esta história de ficção teria confirmação na realidade mais de uma década depois, em 2005, com o célebre caso de James Whitaker, que foi gerado e nasceu expressamente com o objectivo de ser dador de medula para o seu irmão Charlie, afectado por uma doença degenerativa mortal.
Numa das raras entrevistas que deu, Sclavi, quando lhe perguntaram se se identificava com Dylan Dog, respondeu: “Nem com Dylan, nem com Groucho. Eu sou os monstros.” E essa identificação é bem evidente nesta história, em que o verdadeiro mal se esconde nas pessoas de boa aparência e o corpo deformado de Johnny esconde uma alma de artista e um coração de ouro. Tal como os leitores, que não conseguiram resistir à fragilidade e à ternura de Johnny, o próprio Sclavi também não resistiu a alterar o final mais duro imaginado por Marcheselli, criando um novo final que, segundo o próprio, “foi escrito enquanto as lágrimas caiam sobre o teclado do computador”.
Essa emoção que Sclavi conseguiu transmitir à história, ajudou a que esta se tornasse um dos episódios mais inesquecíveis da série, mas seria injusto não referir o contributo decisivo do desenhador Andrea Venturi, cujo traço elegante e realista, a fazer lembrar Neal Adams, serve de forma admirável as diferentes nuances da narrativa.
Alternando um realismo dinâmico, com um traço mais onírico e expressionista quando reproduz os desenhos de Johnny, Venturi revela-se perfeito, tanto em termos gráficos como narrativos, para uma história com esta importância. Tratando-se de uma história escrita por Sclavi, não podiam falar as referências cinematográficas, sendo a mais óbvia, até pela alcunha que a imprensa dá a Johnny, ao filme Freaks, de Todd Browning, um clássico de 1932 cuja cassete vídeo o escritor emprestou a Andrea Venturi para que este o visse com atenção antes de começar a desenhar a história.
Se o sucesso de Johnny Freak tornava a sua continuação uma opção óbvia em termos comerciais, a forma como a história acabava, não deixava propriamente grande espaço para continuações… Daí que o trabalho de Marcheselli e Sclavi não fosse nada óbvio, nem fácil, o que só vem confirmar a grande capacidade, narrativa e criativa, destes dois grandes profissionais da escrita. Publicada originalmente em 1997, no número 127 da revista mensal, O Coração de Johnny reúne a mesma equipa de Johnny Freak, com a excepção do desenhador, pois Andrea Venturi tinha passado a desenhar a série Tex. Para o substituir, Sclavi escolheu um dos seus desenhadores favoritos; Giampiero Casertano, cuja cumplicidade com Sclavi é bem evidente na carta do escritor que reproduzimos no fim deste volume e que, não por acaso, seria também escolhido para desenhar Doppo un Lungo Silenzio, o regresso do escritor aos argumentos da série em 2016, por ocasião do trigésimo aniversário de Dylan Dog.
Senhor de um traço mais sombrio e caricatural do que Venturi, Casertano tinha um duplo desafio pela frente, pois tinha de se aproximar graficamente do desenho de Venturi nas várias cenas de flash-back que enchem a história, sem abdicar do seu estilo próprio e inconfundível, marcado por um muito conseguido jogo de sombras. A verdade é que o artista milanês, que para os desenhos de Johnny vai beber inspiração em Picasso e Bosch, conseguiu superar com distinção os dois desafios, conseguindo que, pelo menos em termos gráficos, esta continuação esteja perfeitamente à altura do original.
Etiquetas:
Andrea Venturi,
BD,
Bonelli,
Dylan Dog,
fumetti,
Giampero Casertano,
Johnny Freak,
Levoir,
Público,
Tiziano Sclavi
sexta-feira, 20 de abril de 2018
Colecção Bonelli 2 - Dampyr: Aventuras em Portugal
Colecção Bonelli - Vol 2
Dampyr – Aventuras em Portugal
Quinta-feira, 19 de Abril
Argumento – Mauro Boselli e Giovanni Eccher
Desenhos – Alessandro Bocci e Maurizio Dotti
Por + 10,90€
Dampyr – Aventuras em Portugal
Quinta-feira, 19 de Abril
Argumento – Mauro Boselli e Giovanni Eccher
Desenhos – Alessandro Bocci e Maurizio Dotti
Por + 10,90€
Como geralmente acontece quando sou eu a autor da introdução do volume, deixo-vos com essa mesma introdução. Quanto ao texto de apresentação que escrevi para o jornal Público, basta carregar na respectiva imagem, aqui ao lado, para o poder ler.
UM CAÇADOR DE VAMPIROS EM PORTUGAL
Seja através do cinema, da literatura, ou da BD, a figura do vampiro está cada vez mais enraizada no imaginário da cultura de massas, tanto no Ocidente, como no Oriente. Um sucesso natural, a que não é alheia a grande carga erótica inerente ao conceito de um ser imortal, que suga a vida às suas presas. Um fascínio que tem sido devidamente aproveitado pelo cinema, mas também pela BD, que ao longo de décadas tem sabido reinventar esse arquétipo das mais variadas formas.
Foi o que aconteceu também com Mauro Boselli e Maurizio Colombo, dois argumentistas habituais da casa Bonelli ao criarem em 2000 a série Dampyr, a quem este volume é dedicado. De acordo com o folclore das Balcãs, o Dampyr é fruto da união de um vampiro com uma mulher mortal, sendo por isso alguém que está entre dois mundos e cujo sangue pode destruir os vampiros. O herói involuntário desta série é Harlan Draka, um Dampyr que no início não tem consciência dos seus extraordinários poderes, nem sabe bem como usá-los, mas que acaba por descobrir que, embora tenha conseguido não se envolver na guerra que assola a sua região, não vai poder deixar de tomar partido na guerra contra os vampiros, como Gorka, o mais poderoso vampiro da região, contando como aliados com um militar, Kurjak, e com Tesla, uma vampira que se quer libertar da influência do seu senhor, Gorka.
Boselli e Colombo escolheram como cenário inicial para a aparição do mal simbólico (os vampiros) um espaço martirizado pela guerra, onde o mal é bem real: os Balcãs. Mas os países que formavam a antiga Jugoslávia são apenas a primeira etapa no eterno combate entre o Dampyr e os vampiros. Um combate que vai levar Harlan Draka a diversos países, incluindo Portugal, cenário das duas aventuras que este volume recolhe.
A primeira, O Esposo da Vampira, assinada por Mauro Boselli e Alessandro Bocci, publicada originalmente em Itália no nº 75 da série mensal, leva Harlan Draka e o seu amigo Kurjak até Trás-os-Montes, investigar a lenda do Castelo de Monforte da Estrela, que dizem estar assombrado por uma vampira.
E, se os autores mostram grande cuidado na descrição da aldeia fictícia de Riba Preta, ou no Castelo de Monforte da Estrela, já em termos históricos, a coisa resvala um pouco, quando Mauro Boselli põe uma das personagens a dizer que o Castelo tinha a forma actual desde o reinado de D. Dinis, que o erigiu para manter os mouros longe. O problema é que Dom Dinis, que nasceu em 1261 e só se tornou Rei em 1279, nunca teve propriamente que se preocupar com os Mouros, que tinham abandonado o território português antes de ele nascer, em 1249, ano em que a conquista de Faro, Albufeira e Silves, por Dom Afonso III, pai de Dom Dinis, põe oficialmente fim à reconquista portuguesa, pelo que a preocupação de Dom Dinis seriam os castelhanos, nunca os mouros... De qualquer modo, estamos perante uma obra de ficção, não um tratado de História, em que Bocci desenha de forma perfeita os cenários transmontanos e tanto os nomes portugueses, como algumas expressões coloquiais, aparecem correctamente escritos. Apesar desse rigor, habitual na casa Bonelli Portugal aqui pouco mais faz do que ceder as suas paisagens para cenário de uma história que gira em torno do cinema, homenageando, de forma mais ou menos directa, os grandes clássicos do cinema de terror, mas também da BD (veja-se o mordomo Osgood, a quem Bocci dá as feições inconfundíveis do Uncle Creepy, o anfitrião das revistas de terror da editora Warren).
A cena inicial do livro, que acaba por se revelar como uma sequência de um filme de terror, na linha das produções da Hammer, ou das adaptações dos contos de Edgar Poe produzidos por Roger Corman, dá logo o tom, acentuado pelos diálogos. Roland Kirby, assume que pretende ser o Roger Corman do século XXI e transformar a sua actriz na reencarnação de Barbara Steele (a actriz de La Maschera del Demónio, um clássico do mestre do terror italiano, Mário Bava, que já tinha servido de base a uma aventura de Dylan Dog), enquanto que o actor Eddie Chapman evoca Dário Argento, para além de Corman e Bava.
Mas a maior citação cinéfila acontece na cena em que Lucy é fechada dentro de um caixão. Cena que não pode deixar de evocar a mais célebre sequência do filme La Paura de Lúcio Fulci, que Tarantino também homenageou no seu Kill Bill. E, prosseguindo com as metáforas cinematográficas, não é demais salientar o trabalho de Alessandro Bocci como director de fotografias deste filme de terror em papel, com o extraordinário desenhador italiano, que tem trabalhado sobretudo na série Tex, a mostrar um traço clássico, de grande pormenor e legibilidade, muito bem servido por um excelente uso de tramas.
Harlan regressa a Portugal em Tributo de Sangue, história de Giovanni Eccher e Maurizio Dotti, publicada em Itália no Dampyr 147, em 2012, desta vez para fazer a rota do Vinho do Porto. Como refere Echer: “A história começa no Porto mas depois desloca-se para todo o vale do Douro: parte das construções de Vila Nova de Gaia e chega a Miranda do Douro, para depois voltar para os vinhedos dos produtores do Porto no meio dos quais se imagina que há um mosteiro que, embora inventado, é graficamente inspirado em vários conventos e mosteiros portugueses, como o Convento de Cristo em Tomar e o Mosteiro de Santa Maria em Alcobaça.”
Se na primeira história, Boselli tinha inventado a trama sem nunca ter posto os pés em Portugal, no caso de Eccher foram precisamente umas férias em Portugal a estar na origem do episódio. Como refere o escritor: “O motivo por que a trama é ambientada nesses lugares é muito simples: eu fiquei impressionado durante uma belíssima viagem a Portugal. Além disso, como a minha namorada é dona de uma enoteca em Milão, ela foi a minha guia entre os exportadores de Vila Nova de Gaia, que nos acolheram com muita cortesia e nos permitiram visitar as suas caves e provar os seus produtos.”
E aqui, mais do que cenário, o Porto e Portugal influenciaram a evolução da própria história, pois como refere Eccher: “na história também há um fantasma que se manifesta num trajo típico mirandense, um traje que achei realmente inquietante. E há ainda uma cena de acção que acontece na ponte D. Luís I, que eu imaginei no local e depois inseri no roteiro quando regressei a Itália.”
Já Dotti, que nunca tinha estado no Porto, reconstitui os cenários portugueses com grande rigor, tendo por base as fotografias que Eccher tirou durante as férias, confirmando que não é só um excelente desenhador de cenas de acção.
São estas duas belas aventuras de Dampyr, ambientadas no nosso país, que os leitores portugueses vão finalmente poder ler nas páginas seguintes deste segundo volume da colecção dedicada à editora Bonelli e aos seus mais carismáticos personagens.
Etiquetas:
Alessandro Bocci,
BD,
Bonelli,
Dampyr,
fumetti,
Levoir,
Maurizio Dotti,
Mauro Boselli,
Mostra Clube Tex Portugal,
Portugal,
Público
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















































