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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Universo Marvel 16 - X-Women: Mulheres da Marvel


Nesta série Universo Marvel, este foi o meu único texto que teve de ser alterado. Assim, na versão impressa desapareceram as referências ao filme Ilsa e os comentários ao argumento de Claremont tiveram que ser suavizados. Também a galeria de capas de Manara no final do livro sofreu alterações em relação ao previsto. Das 12 capas que falam no meu texto, apenas 11 aparecem. A ausente é (naturalmente) a famosa capa de Spider-Woman # 1 que tanta polémica provocou...

UNIVERSO MARVEL VOL 16
X-Women: Mulheres da Marvel
Argumento - Chris Claremont, Marjorie Liu, Stuart Moore e Kelly Sue DeConnick
Desenhos - Milo Manara, Filipe Andrade, Nuno Plati, Mark Brooks e Ryan Stegman


O HOMEM QUE GOSTAVA DE MULHERES

O cineasta François Trufaut dizia que “o cinema é arte de fazer coisas bonitas a mulheres bonitas”. Uma definição que assenta como uma luva ao trabalho em Banda Desenhada de Milo Manara. Um autor que apresenta grandes pontos de contacto com Bertrand Morane, o protagonista do filme de Truffaut O Homem Que Gostava de Mulheres, para quem “as pernas das mulheres são compassos que medem o globo terrestre em todas as direcções dando-lhe equilíbrio e harmonia”. Tal como Morane o fazia através da escrita, também Manara, graças ao seu traço sensual, fez do corpo feminino o centro do seu mundo poético.
Nascido em Luson, Itália, a 12 de Setembro de 1945, Manara depois do liceu, onde estudou arte, inscreveu-se na Faculdade de Arquitectura de Veneza, mas cedo abandonou os estudos para seguir a sua vocação artística, trocando Veneza por Verona, onde começou a trabalhar como ajudante do escultor espanhol Miguel Ortiz Berrocal. É então que descobre que a Banda Desenhada, à qual até então nunca dera muita atenção, se estava a tornar “um formidável meio de expressão total”.
Um meio em que se estreia em 1969, desenhando histórias eróticas, como as aventuras de Jolanda de Almaviva, para as Edições Erregi, ao mesmo tempo que colabora com Il Corriere dei Ragazzi desenhando La Parola Alla Giura (A palavra ao Júri), uma série escrita por Milo Milani que em Portugal foi publicada no Mundo de Aventuras. Seguiu-se entre 1976 a 1979, a participação na colecção A Descoberta do Mundo publicada pela prestigiada editora francesa Larousse, em que o seu desenho surge ao lado de outros grandes ilustradores franceses, espanhóis e italianos e do português Eduardo Teixeira Coelho.
Apesar do sucesso de Lo Scimmiotto, uma adaptação muito livre da mesma lenda chinesa que está na origem do Dragon Ball de Akira Toriyama, escrita por  Silvério Pisu, o grande ponto de viragem da obra (e da vida) de Manara dá-se quando conhece Hugo Pratt, o criador de Corto Maltese, que além de seu mestre se torna seu grande amigo. Uma relação de respeito, amizade e cumplicidade, bem patente em H.P. e Giuseppe Bergman, a primeira aventura de Giuseppe Bergman, em que o próprio Pratt é um dos personagens, H. P., o mestre da aventura. Juntos, Pratt e Manara assinarão duas obras-primas, Verão Índio e El Gaúcho e construirão uma amizade que apenas a morte de Pratt veio interromper.

Mas os trabalhos que assinou com Hugo Pratt não são o único exemplo de colaboração entre Manara e outros importantes criadores, pois o desenhador vai trabalhar estreitamente com Pedro Almodovar, Alejandro Jodorowsky e sobretudo Federico Fellini, com quem vai transpor para a BD Viagem a Tulum e Il Viaggio di G. Mastorna detto Fernet, dois projectos cinematográficos de Fellini, nunca realizados.
Para além destas colaborações prestigiantes e das aventuras de Giuseppe Bergman o seu alter-ego em BD, ou se quisermos voltar a Trufaut, o seu Antoine Doinel, a carreira de Manara fez-se sobretudo de títulos que exploram a fundo o erotismo do corpo feminino, de que a série Clic é o exemplo mais popular e o seu maior sucesso comercial. Um sucesso que Manara não renega e que assume sem complexos, quando refere: “Não, não tenho a hipocrisia de quem mostra cús na televisão a toda a hora, para vender iogurte ou cera para pavimentos. Vendo o que desenho: exactamente aquilo que o público espera de mim”.
Perante o prestígio do seu nome, a popularidade da sua obra e, sobretudo, a qualidade do seu traço único e sensual, era só uma questão de tempo até Manara entrar no mercado americano. Essa entrada dá-se em 2003, através de Neil Gaiman, que o escolhe (naturalmente) para ilustrar o episódio protagonizado por Desire no livro Endless Nights, que assinalou o regresso do escritor inglês à série Sandman.
  Mais tarde, em Março de 2006, a Marvel anunciava que Manara estava a trabalhar com Chris Claremont numa história dos X-Men, em que seria dado natural destaque às heroínas do grupo. Como Manara tinha que conciliar este projecto com a sua colaboração com Jodorowsky na série Borgia, seria preciso esperar até ao Outono de 2008, para ver o trabalho de Manara nos X-Men, graças á edição italiana da Panini, que primeiro lançou a obra numa edição a preto e branco e formato europeu, com o título X-Men: Ragazze in Fuga. Finalmente, em Julho de 2009, chega a edição americana, numa revista de 48 páginas, com o título X-Women, em que Dave Stewart (colorista habitual de Mike Mignola e um dos mais premiados coloristas da indústria dos Comics) dá cor ao traço de Manara, substituindo Tanino Liberatore, o desenhador de Ranxerox que, conforme Manara me confidenciou em 2008, numa entrevista, era o colorista inicialmente previsto.
A história, feita por medida por Claremont para o desenho de Manara, é movimentada, tem algumas ideias interessantes, como a tribo de "cargo cultists", os adoradores de aviões, mas peca um pouco pela redundância dos textos, o que não é propriamente uma novidade em Claremont... Mas esta história, em que os elementos femininos dos X-Men vêm as suas férias na Grécia interrompidas pelo rapto de Rachel, o que as leva até Madripoor, onde têm que enfrentar uma inimiga que parece saída de um filme da série Ilsa, a Loba dos SS, é acima de tudo um pretexto para Manara fazer aquilo que faz melhor do que ninguém, desenhar mulheres elegantes e sensuais em poses provocantes e (até por vezes) gratuitas.

Tratando-se de uma história dos X-Men, não há qualquer nudez, mas o que o traço de Manara sugere é muito mais erótico do que se mostrasse tudo. E convém não esquecer que, além de saber desenhar mulheres como ninguém, Manara tem um perfeito domínio da narrativa em BD, um excelente sentido de composição da página e não poupa nos pormenores quando se trata de desenhar cenários naturais ou arquitectónicos.
Mas nem só de Manara vive este volume dedicado às Mulheres da Marvel. Temos também os portugueses Filipe Andrade e Nuno Plati, que ilustram uma história de Marjorie Liu centrada em X-23, a jovem mutante, clone de Wolverine, treinada para ser uma máquina de matar, que apenas quer viver a sua vida. A história de Marjorie Liu aproveita muito bem o talento e as características bem distintas dos dois desenhadores portugueses, como Plati a tratar num registo expressionista as cenas no mundo dos sonhos, enquanto Andrade desenha a realidade das ruas de Nova Iorque.

Também a heroína Adaga (e o seu inseparável Manto) está presente, numa história de Stuart Moore, ilustrada por Mark Brooks e Walden Wong, que explora a relação instável desta dupla inseparável de heróis, tal como Lady Sif, a companheira de Thor que, numa história escrita por Kelly Sue DeConick e ilustrada por Ryan Stegman, em que Sif se refugia em Nova Iorque para lidar com as memórias do período em que Loki assumiu o controlo do seu corpo.
E este volume termina como começou. Com o traço único e sedutor de Milo Manara a dar vida às principais heroínas da Marvel, numa dúzia de ilustrações, realizadas como capas alternativas de diversas revistas, em que Manara traz as mulheres da Marvel para o seu universo estético com excelentes resultados. Uma dúzia de imagens tão espectaculares como inesquecíveis, que aqui são recolhidas em conjunto pela primeira vez.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Universo Marvel 15 - Homem-aranha e Vingadores: Contos de Fadas Marvel


De toda a colecção Universo Marvel, este é o volume que mais me diz e aquele porque mais me bati para fosse incluído nesta colecção, apesar das reticências iniciais da Panini, que o considerava com um volume "pouco comercial". Mas, como achamos que é importante publicar em Portugal o trabalho que os artistas portugueses fazem para a Marvel, o volume fez-se e numa edição enriquecida com um dossier final que nos mostra os bastidores do trabalho de João Lemos e Nuno Plati. 
E, para que fique esclarecido, a não inclusão do Ricardo Tércio neste dossier resultou da vontade do próprio, que perdeu todo o material que tinha da história do Capuchinho Vermelho e já não se identifica com o trabalho que fez na história do Feiticeiro de Oz, preferindo que o mesmo não seja mostrado. Uma decisão que, naturalmente, aceitámos. 

UNIVERSO MARVEL VOL 15
Homem-Aranha e Vingadores: Contos de Fadas Marvel
Argumento – C. B. Cebulski
Desenhos – João Lemos, Nick Dragotta, Niko Enrichon, Nuno Plati, Ricardo Tércio

ERA UMA VEZ…  NO UNIVERSO MARVEL

Era uma vez… um desenhador português, João Lemos, que em Janeiro de 2005, no Festival de Banda Desenhada de Angoulême encontra por acaso Joe Quesada, desenhador e editor-chefe da Marvel e lhe entrega o seu portfólio. Portfólio esse que, um pouco mais tarde, acabaria por chegar às mãos de C. B. Cebulski, editor, director, principal caça-talentos e argumentista da Marvel, que ficou absolutamente fascinado com o traço único de Lemos e o contactou imediatamente.
Mas deixemos que seja o próprio Cebulski a contar como tudo aconteceu: “O primeiro autor português que conheci pessoalmente foi o João Lemos. Todo o grupo de artistas foi a Angoulême um ano em que o Joe Quesada era convidado. O Joe trouxe vários portfólios e pediu-me para lhes dar uma vista de olhos. Havia muitos artistas diferentes mas o portefólio do João era um dos mais únicos que tinha visto na vida e pensei logo que o tinha de contactar. Então a primeiro coisa que fiz foi enviar-lhe um email a dizer “Hey daqui é o C.B. Cebulski da Marvel. Recebi o teu portefólio pelo Joe Quesada. Estás interessado em trabalhar nalgumas ideias?” O email foi enviado no dia 1 de Abril, o dia das mentiras, e o que aconteceu é que ele pensou que era o Ricardo [Tércio] ou o Nuno [Plati] a pregarem-lhe uma partida, mas era mesmo eu. Ele respondeu que adorava trabalhar em algo, mas como na altura não havia nada disponível na Marvel então começámos a desenvolver um projecto para a Image e posteriormente através dele conheci os outros dois e a relação começou a crescer a partir daí.”
A ideia de Cebuslki, que além do seu trabalho como editor e director da Marvel, desenvolve uma actividade paralela como argumentista, alternando entre os trabalhos por encomenda para a Marvel e os projectos mais autorais para a Image, em que detém os direitos sobre a história e as personagens, era criar diferentes histórias de raiz com cada um dos desenhadores portugueses. O mais falado desses projectos foi Shiki, uma mini-série concebida a meias com João Lemos, que se ocupou dos desenhos. Mas o seu trabalho para a Marvel e as constantes viagens a que o mesmo obriga não lhe deixam grande tempo livre para escrever, o que fez com que, das colaborações previstas com os desenhadores portugueses, apenas tenha sido publicada uma história curta ilustrada por Nuno Plati, na antologia 24/Seven, editada pela Image.
Assim, a colaboração entre o argumentista americano e os três desenhadores portugueses que então partilhavam atelier no Estúdio da Bica, haveria por se concretizar finalmente um pouco mais tarde, no âmbito do projecto Marvel Fairy Tales, em que C. B. Cebulski pegava em contos de fadas e lendas tradicionais de diferentes países, com destaque para o Japão, de que Cebulski é um apaixonado, adaptando essas histórias ao universo Marvel.
Primeiro saiu em 2006 a mini-série X-Men Fairy Tales, em que desenhadores tão diferentes como Bill Sienkiewicz, Kyle Baker e os japoneses Sana Takeda e Kei Kobayashi ilustravam lendas japonesas e africanas e contos dos irmãos Grimm, protagonizados por membros dos X-Men. Seguir-se-ia em 2007, a mini-série Spider-Man Fairy Tales, que abre logo com uma versão da história do Capuchinho Vermelho, ilustrada por Ricardo Tércio e que inclui contos de fadas tradicionais e lendas africanas e japonesas. Finalmente em 2008, surge a mini-série Avengers Fairy Tales, centrada na transposição de clássicos da literatura, como o Peter Pan, Alice no País das Maravilhas, Pinóquio e O Feiticeiro de Oz (que antes de ser um filme com Judy Garland, já era um livro de L. Frank Baum) para o Universo Marvel, em que apenas o japonês Takeshi Miyazawa, que ilustra uma versão da Alice…, de Lewis Carol, e a francesa Claire Wendling que assegura as capas, ameaçam a hegemonia artística nacional. O facto dos desenhadores japoneses e portugueses substituírem os americanos nesta série, mostra a forma como Cebulski não olha a fronteiras para encontrar o desenhador certo para cada história. Citando mais uma vez Cebulski: “Trabalhei primeiro com o Ricardo Tércio no Spider-Man Fairy Tales, mas quando os Avengers Fairy Tales aconteceram, sabia que o João era perfeito para o Peter Pan, o Nuno para o Pinóquio e o Ricardo, com quem tive uma óptima relação a trabalhar antes, para o Feiticeiro de Oz.”
Se X-Men Fairy Tales e Spider-Man Fairy Tales foram recolhidas em livro, após a publicação inicial em revista, já Avengers Fairy Tales, apesar da excelente recepção crítica não terá vendido tanto como as mini-séries anteriores - talvez por não ter nenhum desenhador conhecido do público americano e os Vingadores não terem então a popularidade dos X-Men, ou do Homem-Aranha –   e não teve a mesma sorte, sendo apenas recolhida numa colectânea mais genérica, chamada Marvel Fairy Tales, que além das quatro histórias de Avengers Fairy Tales, recolhia também uma história de cada uma das mini-séries anteriores. Uma edição modesta, em formato digest (um formato de bolso, mais pequeno do que o formato americano tradicional) impressa num papel demasiado poroso, que não fazia justiça ao trabalho dos desenhadores, que apenas no volume que têm nas mãos vêm o seu trabalho reproduzido com a qualidade que a excelência do seu traço merece.
Um volume que recolhe pela primeira vez no seu formato original, uma selecção das melhores histórias das mini-séries Spider-Man Fairy Tales e Avengers Fairy Tales, dando natural destaque às histórias ilustradas pelos desenhadores portugueses. Assim, para além das histórias ilustradas pelos desenhadores portugueses, que analisaremos mais a seguir, temos Niko Henrichon, que os leitores portugueses conhecem de Fábula de Bagdad, uma história de Brian K. Vaughn sobre um bando de leões fugidos do jardim zoológico de Bagdad durante a guerra do Golfo, em que demonstra todo o seu talento para desenhar animais, a ilustrar uma lenda africana sobre Kwaku Anansi, o Deus Aranha e Nick Dragotta, contando com o apoio do traço inconfundível de Mike Allred na arte-final, ilustra uma variação da história da Cinderella, com uma curiosa inversão de género em que temos Gwen Stacy como a princesa e Peter Parker como Cinderello…
O primeiro ilustrador português a participar neste projecto, Ricardo Tércio, foi também o único a ilustrar duas histórias baseadas nos contos de fadas. Uma versão da história do Capuchinho Vermelho com Mary Jane no papel do Capuchinho e Venom como o lobo mau, ilustrada toda digitalmente por Tércio, que é também autor da ilustração da capa, num estilo próximo do cinema de animação. Um registo que Tércio altera na versão do Feiticeiro de Oz que ilustrou para Avengers Fairy Tales, em que desenho assistido por computador dá lugar ao mais tradicional desenho a tinta-da-china sobre papel, colorido com ecolines, mas com que o autor ficou bastante menos satisfeito do que os leitores, razão porque optou por voltar ao desenho digital nos seus trabalhos seguintes.
A menos óbvia das adaptações e, quanto a mim a mais conseguida, é a adaptação de Peter Pan de James Barrie com o Capitão América como Peter Pan e os restantes Vingadores como os Meninos Perdidos, em que o notável trabalho de pesquisa de João Lemos, que podemos apreciar mais em pormenor no dossier final, ajudou a dar maior solidez a uma belíssima história, tornada mágica pelo traço etéreo e estilizado de Lemos, muito bem servido pelas cores suaves de Christina Strain. Finalmente, Nuno Plati ilustra com grande elegância uma versão do Pinóquio de Carlo Collodi, como o Visão no papel do boneco que queria ser um menino de carne e osso.
Tem aqui o leitor seis histórias mágicas, unidas pelo argumento de Cebulski que fundem os contos de fadas, as lendas tradicionais e aos clássicos da literatura com a mitologia do Universo Marvel, dando origem a um novo género de contos de fadas. Contos pensados para os leitores do século XXI, para quem o Homem-Aranha e o Capitão América são tão ou mais familiares que o Pinóquio, ou o Peter Pan.

MAKING OF CONTOS DE FADAS MARVEL

Nas páginas que se seguem, podemos acompanhar a forma diferente, até no suporte (com o trabalho de Plati a ser inteiramente digital) como dois dos desenhadores portugueses deste volume abordaram a sua participação no projecto dos Contos de Fadas Marvel, através de exemplos do trabalho preparatório, que normalmente não chega ao leitor, que apenas tem acesso ao produto final. 

JOÃO LEMOS
  
Se, como já vimos no editorial que abre este volume, foi graças a João Lemos que Cebulski descobriu o talento e a versatilidade dos ilustradores portugueses, o desenhador luso nascido em 1977 ficará na história como o primeiro português a escrever uma história para a Marvel, pois Lemos foi o argumentista de Wolverine: The Dust from Above, uma história do mais popular mutante da Marvel, desenhada pela italiana Francesca Ciregia, para em seguida voltar a Wolverine como desenhador com The Adamantium Diaries, uma história curta, escrita por Sarah Cross para a revista Wolverine 1000. 
E o trabalho de Lemos para o mercado americano não se limitou à Marvel, pois ele foi um dos autores convidados por David Petersen para colaborar na série Tales of the Mouse Guard, editada pela Archaia Press, assinando como autor completo (argumento, desenhos cor e legendagem) a história que funciona como epílogo à edição encadernada, para além de ter trabalhado na série televisiva Once Upon a Time, da ABC, onde foi responsável pelas ilustrações do livro de contos de fadas que aparece no episódio piloto e tem um papel fundamental na série.

A grande cumplicidade existente entre Cebulski e João Lemos reflecte-se na forma quase orgânica como a história que transpõe o Peter Pan de J. M. Barrie para o Universo Marvel foi sendo construída. Nas palavras de Lemos: “O C.B. fez um guião/sinopse de guião que, como me coube a mim a pesquisa em relação à Terra do Nunca, foi sendo ampliado e remendado pelos dois ao longo do processo. Foram também feitos alguns ajustes em relação a que personagens Marvel equivaleriam a personagens da Neverland à medida que se avançava. A história foi trabalhada de um modo bastante orgânico, numa relação de ping-pong que preveniu grande parte das eventuais correcções, pois todas as partes estavam, mais do que a par dos avanços dos outros, envolvidas nos mesmos desde o início.”
Mas, para além da sintonia entre os dois criadores, outro aspecto importante deste trabalho é a pesquisa exaustiva que o desenhador efectuou e que lhe permitiu encher a história de referências à obra original J. M. Barrie, muitas delas só detectáveis pelos especialistas. Um trabalho exaustivo e por isso moroso, mas que deu grande prazer a Lemos como o próprio refere: “O ponto alto da pesquisa/imersão foi ter conseguido estabelecer contacto directo com Andrew Birkin, uma das maiores autoridades mundiais em tudo o que diz respeito a Peter Pan ou J.M. Barrie. Através da sua tremenda generosidade, tive acesso a recursos tais como scans das plantas de palco do quarto das crianças (do arquivo do Great Ormond St. Children's Hospital, que detém em perpetuidade os direitos de autor da obra). O quarto dos miúdos, nas primeiras páginas, é desenhado a partir da planta dos cenários da peça de teatro original, que o próprio J.M. Barrie traçou.  É apenas um dos vários easter eggs que couberam neste comic.”
A CONSTRUÇÃO DO JOLLY ROGER 
(OU COMO UMA MAQUETA TRIDIMENSIONAL AJUDA A CONTAR UMA HISTÓRIA EM BD)
Se a maqueta que Lemos construiu do quarto de Wendy com base nos cenários da primeira representação teatral de Peter Pan, sofreu um acidente fatal e está hoje reduzida a escombros, os leitores podem ver nesta página a outra maqueta que João Lemos usou para a sua participação no projecto Avengers Fairy Tales. A maqueta do Jolly Roger, o navio-pirata do Capitão Gancho, ou neste caso, do seu equivalente nos Contos de Fadas da Marvel, o Garra Sónica. A construção deste modelo tridimensional permitiu a Lemos estabelecer de forma mais rigorosa a diferente colocação das personagens no navio ao longo da história e ter uma noção mais exacta da coreografia a estabelecer para essas personagens.  

NUNO PLATI

De entre os três artistas lusos presentes neste livro, Nuno Plati, é indiscutivelmente o que mais histórias tem publicadas na Marvel. Nascido em Lisboa em 1975, Plati tem formação em Design Gráfico na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e como ilustrador freelancer trabalhou para os principais jornais e revistas nacionais e para empresas de dimensão global como a Marvel, a EA Games ou a Axis Animation, no design de personagens, storyboards, e livros de Banda Desenhada.
Para além da história que tivemos ocasião de ler neste livro, o trabalho de Plati para a “Casa das Ideias” disponível no nosso país inclui uma história curta para a revista Iron Man: Titanium (já publicada numa anterior colecção que a Levoir dedicou à Marvel) e um one-shot da X-23 - desenhada a meias com outro português, Filipe Andrade - que poderão ler no próximo volume desta colecção, dedicado às mais sensuais mulheres da Marvel. Ainda para a Marvel, Plati foi também responsável pelo desenho completo e cor dos comics Shanna, the She Devil e Marvel Girl, a que se seguiu mais uma história curta para a revista Amazing Spider-Man # 657, que assinala a entrada do Homem-Aranha para o Quarteto Fantástico, na sequência da morte de Johnny Storm, o Tocha Humana, pela mini-série Marvel Universe: Ultimate Spider-man e pelos números 10 e 11 da revista Superior Foes of Spider-man. Mais recentemente, desenhou a mini-série Alpha: Big Time, com argumento de Joshua Hale Fialkov e participou, com outros desenhadores no número final da revista Wolverine and the X-Men, escrita por Jason Aaron. 
Plati, que já tinha trabalhado com C. B. Cebulski numa história curta para a antologia 24/Seven, publicada pela Image, teve uma abordagem bastante mais descontraída do que João Lemos à fase da pesquisa, até porque a escolha do andróide Visão como o equivalente da Marvel do Pinóquio, era bastante evidente. 
Para além do filme da Disney, que apresenta uma versão mais asséptica e ligeira da história original de Carlo Collodi, a pesquisa de Plati incidiu mais no livro de Collodi e no trabalho dos diferentes ilustradores que ilustraram este clássico, de modo a entrar melhor no ambiente da história.
A partir daqui, a história foi crescendo de forma orgânica, através do diálogo constante com C. B. Cebulski e, com excepção de uma versão da Feiticeira Escarlate em criança, que acabaria por não entrar na história e de uma versão do Visão/Pinóquio com um colete, que acabaria por não ser usada, os estudos de personagens que podem ver nestas páginas foram aceites sem qualquer outra alteração – algo de invulgar no sistema de funcionamento habitual da indústria americana dos comics, em que o “editor” (termo que nos EUA designa não o dono da editora – o Publisher – mas sim quem faz o editing da história, sugerindo as alterações que considera necessárias aos autores) assegura a ligação entre a editora e as várias pessoas envolvidas no projecto, que não necessitam de estar fisicamente próximas e que, muitas vezes, nem sequer se conhecem pessoalmente. Neste caso, e tal como aconteceu com Lemos, deu lugar a um diálogo frutuoso entre amigos - o argumentista americano e os desenhadores portugueses - com Molly Lazer, a editora da série, a ter uma intervenção bastante menor do que é habitual.
Depois desta estreia fulgurante, com excepção do próprio Plati, que tem trabalhado com regularidade para a Marvel, os restantes artistas que se estrearam na com este projecto, acabaram por não ter as oportunidades que provavelmente esperavam de trabalhar com maior frequência para a “Casa das Ideias”, sendo o mais flagrante o caso de Tércio, que depois disso apenas coloriu a mini-série Onslaught Unleashed, desenhada pelo português Filipe Andrade. Na realidade, as características únicas e distintas do estilo personalizado dos desenhadores nacionais, que foi o que levou Cebulski a apostar neles, tornou-os difíceis de encaixar nas histórias de super-heróis mais tradicionais. João Lemos, por exemplo, teve editores que lhe disseram que o estilo dele era “demasiado mágico” para as histórias de super-heróis…
Por isso, Nuno Plati interroga-se se não teria sido melhor para as suas carreiras se os projectos para a Image se tivessem concretizado e a estreia no mercado americano não se tivesse feito através da Marvel. Sendo impossível de saber se assim seria, o que é uma verdade incontornável é que foi com os Contos de Fadas da Marvel que tudo começou. E é esse momento fundamental na carreira internacional dos três ilustradores portugueses, que está finalmente disponível em português no país que os viu nascer, numa edição que faz justiça à importância do acontecimento.   

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Artistas Portugueses na Colecção Heróis Marvel - Série II


Além das já divulgadas, a Série II da Colecção Heróis Marvel traz outra novidade de peso. A presença no volume dedicado ao Homem de Ferro, de duas histórias ilustradas por desenhadores portugueses: Filipe Andrade e Nuno Plati. A complementar o volume que chega às bancas no dia 1 de Novembro, como a mini-série Extremis, de Warren Ellis e Adi Granov, vem o comic Iron Man: Titanium, editado nos EUA em Dezembro de 2010, que reúne quatro histórias curtas, duas delas desenhadas pelos portugueses.
A assinalar este momento histórico, pois é a primeira que uma história desenhada por um português para a Marvel é editada no nosso país, o volume vai incluir um dossier final, com estudos, storyboards, uma entrevista e reprodução de pranchas originais de Filipe Andrade, autor para quem esta revista tem um significado especial, pois traz a primeira história que publicou na Marvel. Aqui fica uma página de cada uma das histórias dos autores tugas que participam neste volume:


Killer Commute, ilustrada por Nuno Plati

Hack, ilustrada por Filipe Andrade

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Sonho Americano desenha-se em Português

Como bem saberão os que o tentaram, para um autor que viva e publique em Portugal, é praticamente impossível conseguir viver exclusivamente da Banda Desenhada. A insipiência da indústria dos quadradinhos nacional, a dificuldade de encontrar jornais ou revistas onde publicar o seu trabalho (e que paguem aos colaboradores), obrigaram vários dos nossos melhores desenhadores, de E. T. Coelho a Victor Péon, passando por Carlos Roque, a imigrarem para poderem (sobre)viver da Banda Desenhada.
Actualmente, o grande sonho da maior parte dos jovens autores portugueses, que pretendem embarcar na arriscada aventura de (tentar) viver da Banda Desenhada, é conseguir fazer carreira no atraente e competitivo mercado norte-americano. E, embora tal não seja fácil, por vezes esse sonho transforma-se mesmo numa realidade, mais ou menos duradoura. Depois de uma primeira geração, composta por Eliseu Gouveia, Miguel Montenegro e Ana Freitas, que conseguiu publicar alguns trabalhos no mercado americano, em inícios da década de 2000, mas sem grande continuidade, surge agora uma nova geração de desenhadores, composta por nomes como João Lemos, Nuno Plati, Ricardo Tércio, Filipe Andrade e Jorge Coelho, com histórias publicadas regularmente em editoras como a Marvel, ou a Image.
Ao contrário dos autores das gerações anteriores, que tiveram que emigrar para conseguirem trabalho fora de Portugal, os autores referidos neste texto trabalham para o mercado americano a partir das suas casas em Portugal, beneficiando das actuais facilidades de comunicação proporcionadas pela Internet e do próprio sistema de funcionamento da indústria americana dos comics, em que o “editor” (termo que nos EUA tem um significado diferente do que lhe dado em Portugal, designando não o dono da editora – o Publisher – mas sim quem faz o editing da história, sugerindo as alterações que considera necessárias aos autores) assegura a ligação entre a Editora e as várias pessoas envolvidas no projecto, que não necessitam de estar fisicamente próximas e que, muitas vezes, nem sequer se conhecem pessoalmente.
Se alguns destes autores desenham a lápis, passam a tinta e dão cor aos trabalhos que publicam, não é assim que as coisas geralmente funcionam no mercado americano. Por via do sistema de publicação mensal e dos prazos rigorosos que isso implica em termos de produção, a indústria dos comics aposta na especialização e numa separação de tarefas em que o argumento, o desenho a lápis, a passagem a tinta (ou arte-final) e a coloração são geralmente realizados por pessoas diferentes, com o editor a servir de elo de ligação entre todas elas.
Um editor com um papel muito importante no facto de haver tantos desenhadores portugueses com trabalhos publicados na Marvel, foi C. B. Cebulski, actual vice-presidente da Marvel, argumentista e grande descobridor de talentos que depois de ter tido acesso ao port-folio de João Lemos, que este tinha entregue ao Presidente da Marvel, Joe Quesada, não hesitou em contactar Lemos, para trabalhar com ele num projecto chamado Shiki. Embora essa série, inicialmente anunciada para sair em 2007, continue a aguardar publicação, a verdade é que Cebulski ficou tão impressionado com o trabalho de Lemos, que disse numa entrevista que o desenhador português: “é um artista com um estilo nunca visto. Ele vai ser uma grande estrela dos comics e a sua arte vai ter um valor incalculável na indústria, deixando um impacto estilístico muito ao género de Mike Mignola e de Bruce Timm.”,
Tendo tomado contacto com o trabalho de outros desenhadores portugueses, via João Lemos, Cebulski usou a série Marvel Fairy Tales para os lançar. Primeiro foi Ricardo Tércio a desenhar a história de Cebulski que adapta a lenda do Capuchinho Vermelho ao Universo Marvel, seguindo-se na série Avengers Fairy Tales, os trabalhos de João Lemos, Nuno Plati e novamente Ricardo Tércio. Um conjunto de trabalhos posteriormente recolhidos no livro Marvel Fairy Tales que, nas suas 144 páginas, tem nada mais de 94 páginas feitas por desenhadores portugueses, em estilos completamente diferentes e personalizados, que vão do traço etéreo e estilizado de Lemos, ao desenho mais “cartoony” de Tércio, passando pela elegância mais europeia de Plati.
Se na versão desenhada por João Lemos da história de Peter Pan, a cor é da responsabilidade de Christina Strain, Nuno Plati na sua versão de Pinóquio, assegura também as cores e a capa, tal como Ricardo Tércio, na sua versão do Feiticeiro de Oz, embora neste último caso, a capa seja da responsabilidade da francesa Claire Wendling.
De todos estes autores, Nuno Plati é o que mais histórias tem publicado na Marvel, com uma história curta para as revista Iron Man: Titanium (tal como outro português, Filipe Andrade, que também desenha uma história curta em Iron Man Titanium e divide o desenho de X-23 com Plati) e o desenho completo dos comics Shanna, the She Devil e Marvel Girl, a que se seguiu mais uma história curta para a revista Amazing Spider-Man 657, que assinala a entrada do Homem-Aranha para o Quarteto Fantástico, na sequência da morte de Johnny Storm, o Tocha Humana.
Mas se Nuno Plati, é o português cujo nome já apareceu em mais revistas da Marvel, o português que mais páginas desenhou para a “Casa das Ideias” é, indiscutivelmente Filipe Andrade, que os leitores portugueses bem conhecem da série BRK.
Andrade, além das histórias já referidas para as revistas X-23 e Iron Man: Titanium, assinou também os desenhos de Wellcome Home e Underneath the Skin, duas aventuras de Nomad, publicadas em complemento da história principal, nos nºs 608 a 614 da revista Captain America, antes de assegurar a arte dos quatro números da mini-série Onslaught Unleashed, actualmente em publicação e que ficará na história como a primeira mini-série da Marvel desenhada e colorida por portugueses, pois além dos desenhos de Andrade, as cores são da responsabilidade de Ricardo Tércio. E já em Setembro começa a sair nos EUA a mini-série John Carter, the Princess of Mars, em que Filipe Andrade assegura o desenho e as capas alternativas da nova versão do personagem de Edgar Rice Burroughs, prestes a chegar ao cinema num filme da Disney.
Também João Lemos ficará na história, mas como o primeiro português a escrever uma história para a Marvel, pois o desenhador português foi o argumentista de Wolverine: the Dust from Above, uma história do mais popular mutante da Marvel, desenhada pela italiana Francesca Ciregia. Lemos, que voltou a Wolverine como desenhador com The Adamantium Diaries, uma história curta, escrita por Sarah Cross para a revista Wolverine 1000. E o trabalho de Lemos não se limita à Marvel, pois ele foi um dos autores convidados por David Peterson para colaborar na série Legends of the Mouse Guard, editada pela Archaia Press, assinando como autor completo (argumento, desenhos cor e legendagem) a história que funciona como epílogo à edição encadernada.
Referência ainda um novo projecto independente, ainda em fase de desenvolvimento, chamado Mia, Tales from the Lost Islands, que vai juntar Nuno Plati e João Lemos, de que esperamos voltar a ouvir falar e que, depois das colaborações entre Nuno Plati e Ricardo Tércio, confirma a tendência dos autores portugueses para trabalharem juntos.
Outro autor português que também tem publicado nos Estados Unidos, mas sem ser na Marvel, é Jorge Coelho, de quem a Image publicou Forgetless, uma mini-série escrita por Nick Spencer, em que Coelho divide os desenhos com W. Scott Forbes e Marley Zarcone. Coelho que se estreou no mercado americano como desenhador de Below the Fold, uma história curta, escrita e colorida por Eric Skillman, publicada na antologia de histórias policiais EGG, auto-editada por Skillman.
O mais recente trabalho de Coelho para a Image, The Weel Turns, uma história curta de D. K. Stockton, publicada no 2º volume de Outlaw Territory, uma antologia de histórias do Oeste, conta mais uma vez com cor de Skillman, numa parceria que se irá prolongar na novela gráfica Submerged Mary, escrita por Eric Skillman e ainda à procura de editor.
Mas estes não são os únicos portugueses a publicar BD nos EUA. Também Filipe Melo conseguiu levar o seu Dog Mendonça às páginas da revista Dark Horse Presents. Um título prestigiado, que inaugurou a actividade editorial da Dark Horse em 1986 e onde o Sin City de Frank Miller foi publicado pela primeira vez. Vinte e cinco anos depois, a editora lançou uma nova versão da revista, com 25 números previstos. Essa nova antologia, cujo primeiro número saiu em Maio nos EUA, terá participações, entre outros autores, de Frank Miller (com uma entrevista e uma preview da prequela de 300 intitulada Xerxes), Mike Mignola (Hellboy), Neal Adams, Richard Corben e Dave Gibbons (Watchmen), entre muitos outros.
É para esta revista que Filipe Melo e Juan Cavia contribuíram com uma história de 24 páginas, dividida em três capítulos de 8 páginas, que vai ser publicada nos nº 4, 5 e 6 e tem como objectivo apresentar Dog Mendonça e os restantes personagens ao público americano, preparando o terreno para a posterior publicação pela Dark Horse de As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy nos EUA.
Uma excelente oportunidade que se deveu à intervenção decisiva de John Landis. O realizador americano, que assinou o prefácio do álbum, gostou tanto do livro que fez chegar Dog Mendonça às mãos do seu amigo Mike Richardson, o editor da Dark Horse, que se mostrou interessado na série e viu na revista Dark Horse Presents o local ideal para uma primeira divulgação das personagens junto dos leitores americanos.
Se a tudo isto acrescentarmos a biografia em BD de Angelina Jolie, editada em Janeiro de 2011 pela Editora americana Blue Water, especializada em biografias em Bd de personalidades célebres, de Obama a Oprah, que tem desenhos de Nuno Nobre, um arquitecto, designer e ilustrador português, a viver e trabalhar entre Madrid, Lisboa e Nova Iorque e que assim se estreia na BD, não há dúvidas que o sonho americano dos autores de BD se desenha cada vez mais em português.
Versão actualizada do texto publicado no nº 10 da revista Bang!, em Maio de 2011