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domingo, 20 de janeiro de 2013

Editoriais para a Colecção Heróis Marvel II - Parte 4: Wolverine: Arma X


E aqui está finalmente o último editorial que escrevi para a série II da Colecção Heróis Marvel. Trabalho que me deu grande prazer e o orgulho de ter o meu nome na ficha de três grandes livros (e um interessante) cuja edição fazia falta em Portugal.
BARRY WINDSOR-SMITH E AS GARRAS SELVAGENS DE WOLVERINE
DE TODOS OS AUTORES QUE TRABALHARAM COM A PERSONAGEM WOLVERINE, BARRY WINDSOR-SMITH FOI AQUELE QUE CONSEGUIU UM IMPACTO MAIOR COM UMA LIGAÇÃO MAIS CURTA AO MAIS POPULAR DOS MUTANTES DA MARVEL. ARMA X, A HISTÓRIA QUE DÁ TÍTULO A ESTE VOLUME, É DAS QUE TEVE MAIS INFLUÊNCIA, TANTO NO PASSADO COMO NO FUTURO DA PERSONAGEM.


Nascido em Inglaterra em 1949, Windsor-Smith estreou-se na Marvel no Verão de 1968, desenhando a capa e a história da revista X-Men # 53, publicada em Fevereiro de 1969. Embora tenham sido maioritariamente desenhadas em bancos de jardim, pois o artista - que acabaria por ser deportado para Inglaterra pouco depois por não ter autorização de residência -, tinha sido despejado do hotel onde vivia, dado não ter dinheiro para pagar a conta, o resultado final, em que eram notórias as influências de Jack Kirby, impressionou suficientemente o editor Roy Thomas, que lhe tinha arranjado esse trabalho. Ele escolheu Windsor-Smith, que na época assinava apenas Barry Smith, como desenhador da adaptação em Banda Desenhada das aventuras de Conan, o guerreiro bárbaro criado por Robert E. Howard na literatura. Embora mais elegante e felino do que o guerreiro selvagem e ameaçador que as ilustrações de Frank Frazetta para as reedições dos romances de Howard tinham definido junto do público, o Conan de Barry Smith foi muito bem recebido pelos leitores e, entre 1990 e 1993, Thomas e Smith tiveram oportunidade de adaptar a maioria dos contos de Howard em versões verdadeiramente memoráveis, onde é visível a rápida evolução do estilo de Smith, que se foi gradualmente libertando da influência do “King” Kirby, cujo trabalho o tinha levado a tornar-se autor de comics.
Tendo ganho outro estatuto graças ao seu trabalho com Conan, Smith, cada vez mais desiludido pela forma como a Marvel o tratava, acabou por se afastar aos poucos do mundo da Banda Desenhada, voltando-se mais para a ilustração e para a pintura, ao mesmo tempo que ilustradores como Arthur Rackham, Aubrey Beardsley e os pintores da Irmandade Pré-Rafaelita, como Edward Burne-Jones, John Everett Millais, ou Dante Gabriel Rossetti, substituíram Kirby como a principal influência. Se o seu trabalho em Conan já revela esta evolução estética, a incorporação do apelido da mãe, passando a assinar Barry Windsor-Smith (um apelido composto, como os da maioria dos membros da Irmandade Pré-Rafaelita) revela que essa influência, mais do que estética, era também filosófica. Mas Windsor-Smith não estava sozinho nesta tentativa de conciliar a Banda Desenhada com as Belas Artes. Tratava-se de um interesse partilhado por outros criadores, como Jeff Jones, Mike W. Kaluta e Bernie Wrightson, com quem Windsor-Smith formou o Studio, nome dado ao apartamento/atelier que os quatro artistas partilharam em Manhattan entre 1975 e 1979, e que serviu de título ao livro-catálogo que em 1979 recolheu os principais trabalhos produzidos pelos quatro autores durante esses anos e que incluía verdadeiras obras de arte, como as serigrafias de Windsor-Smith com Conan e as ilustrações de Bernie Wrightson para o Frankenstein de Mary W. Shelley.
Durante este período, Windsor-Smith afastou-se temporariamente dos comics, tendo criado a sua própria editora, a Gorblimey Press, para editar posters e serigrafias com ilustrações suas e de outros artistas. Mas o amor à Banda Desenhada acabou por falar mais forte e o regresso à Marvel far-se-ia em 1983, nas páginas da revista Epic Illustrated , seguindo-se durante o resto da década uma mini-série protagonizada pelo Machine Man e colaborações esporádicas nas revistas Marvel Fanfare, Daredevil e Uncanny X-Men . Foi no # 205 dessa última publicação, em 1986, que Windsor-Smith ilustrou e coloriu Lobo Ferido, a história de Chris Claremont protagonizada pelo Wolverine que completa este volume e que, não tendo directamente a ver com a história de Arma X, aborda temas como os implantes de Adamantium, o metal mais resistente do mundo, que revestem o esqueleto de Wolverine e que irão ser desenvolvidos em Arma X , a história incontornável com que Windsor-Smith vai deixar a sua marca na mitologia da personagem.
Ao contrário do que é habitual nos comics da Marvel, em que há uma rígida divisão de tarefas criativas, Arma X é uma história inteiramente criada por Windsor-Smith, que assegurou o argumento, o desenho a lápis, a passagem a tinta, as cores (pensadas tendo em conta os problemas de reprodução postos pelo tipo de papel usado nas revistas da época) e até parte da legendagem. O resultado é um trabalho que, embora tenha crescido de forma orgânica (o primeiro episódio que o artista inglês desenhou foi o que actualmente corresponde ao capítulo 5) é perfeitamente coerente e mostra um autor no perfeito domínio das suas capacidades. Se em termos narrativos e de planificação, o trabalho de Windsor-Smith está próximo do de Frank Miller na série Demolidor e no Regresso do Cavaleiro das Trevas, em termos estéticos consegue aliar a graça e elegância da pintura Pré-Rafaelita, com a visceralidade das mais sanguinárias aventuras de Conan, em páginas visualmente arrebatadoras e de uma beleza selvagem.
Publicada em treze capítulos, nos # 72 a 84 da revista Marvel Comics Presents, Arma X revela pela primeira vez aos leitores o processo de implantação do Adamantium no corpo de Wolverine e a sua transformação numa verdadeira arma viva, às mãos de um grupo de cientistas a trabalhar para o exército. Esses cientistas incluem um misterioso Professor, que retira um prazer sádico das experiências a que Wolverine é submetido e que, pela sua aparência pode ser visto como uma versão maléfica do Professor Xavier dos X Men e o Dr. Cornelius, numa provável homenagem à famosa personagem de Michael Moorcock que Moebius também homenageou na série A Garagem Hermética. Mas, deliberadamente, Windsor-Smith nunca explica quem está por trás das experiências que procuram transformar Logan na Arma X e a história levanta mais questões do que aquelas a que responde, tendo sido inúmeros os autores que nas décadas seguintes vão explorar os caminhos abertos por esta história, incluindo o próprio Barry Windsor-Smith.
Por exemplo, Grant Morrison, na série Novos X Men , publicada em Portugal pela Devir, irá estabelecer que a experiência que transformou Wolverine na Arma X, foi a décima num programa de criação de super-soldados, conhecido como o projecto Arma Mais e que foi iniciado nos anos 40 com a experiência que transformou Steve Rogers no Capitão América e que, assim, o X de Arma X, corresponde ao numeral romano que simboliza o número dez.
Mas o objectivo deste volume não é desvendar os mistérios da origem de Wolverine, que tanto contribuem para o fascínio da personagem, mas dar a descobrir aos leitores portugueses, pela primeira vez e em boas condições, o trabalho de Barry Windsor-Smith com o Wolverine, que das histórias, às capas e ilustrações este livro recolhe na íntegra.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Editorias para a Colecção Heróis Marvel II - Parte 3: Demolidor Renascido


De todos os livros publicados nesta série II da colecção Heróis Marvel, este é o meu favorito. Não só é, para mim, a melhor história de sempre do Demolidor, como é dos melhores argumentos de Frank Miller, então no auge das suas capacidades. Por isso, além do editorial, fiz questão também de traduzir o livro. Mais uma vez, há pequenas diferenças entre o texto impresso e a versão que aqui publico. Além de ter suprimido o primeiro parágrafo, que me parece dispensável neste contexto, aproveitei para corrigir um erro, que me foi assinalado pelo André Azevedo, em relação à estreia de Frank Miller na Marvel e que já tinha sido cometido também por Julian M. Clemente no 1º volume da série 1.
De todos os criadores que trabalharam com o Demolidor, aquele que mais influenciou a evolução do herói foi Frank Miller. Depois de uma passagem memorável pela série, Miller regressou em 1986 para aquela que é muito justamente considerada como a melhor história de sempre do Demolidor. De Jerry Siegel a Jack Kirby, passando por Joe Schuster, Stan Lee, Gil Kane, Will Eisner ou Joe Kubert, os principais autores que inventaram, ou reinventaram as histórias de super-heróis têm um elemento em comum: a ascendência judia. Num excelente romance, As Espantosas Aventuras de Kavalier & Clay, o escritor Michael Chabon, também ele de ascendência judia, recria de forma ficcionada a Idade de Ouro dos comics americanos, acentuando a importância da cultura e da mitologia judaicas na criação dos primeiros super-heróis.

Ao contrário dos autores acima referidos, Frank Miller é de ascendência irlandesa e formação católica. Um aspecto que, dos títulos dos capítulos à própria história, passando pela iconografia religiosa, está muito presente em Renascido, história que publicamos neste volume e que assinalou o seu regresso em força ao Demolidor, personagem que ajudou a lançar o seu nome como um dos mais importantes autores de comics do século XX.
Nascido em 1957, Frank Miller estreou-se na Marvel em 1978, desenhando o nº 18 de John Carter Warlord of Mars para no ano seguinte se estrear como desenhador do Homem-Aranha, em histórias já publicadas no primeiro volume da primeira série desta colecção, e ainda em 1979, como desenhador das aventuras do Demolidor, antes de assumir no ano seguinte também o argumento da série que, quando Miller lhe pegou, estava prestes a ser cancelada por vendas muito baixas. Na sua primeira passagem de quase quatro anos pela série Daredevil, entre os #158 e 191, Miller revolucionou completamente a série, juntando-lhe elementos do policial negro e dos filmes orientais, numa mistura tão inesperada como eficaz, servida por uma planificação revolucionária e pelo uso da narração em off, que muitos imitaram, mas poucos superaram. Para além da criação de personagens originais inesquecíveis, como a ninja Elektra, Miller pegou no Rei do Crime, um vilão secundário nas histórias do Homem-Aranha, transformando-o no todo-poderoso Senhor do Crime de Nova Iorque.

É precisamente Wilson Fisk, o Rei do Crime, o motor que faz avançar a intriga da história que vão poder ler em seguida. Ao descobrir a identidade secreta do Demolidor, Fisk vai destruir-lhe carreira, finanças, casa, credibilidade e sanidade, arrastando Murdock para um calvário que deveria culminar com a sua morte, mas do qual ele emerge como um novo homem, um homem renascido, espiritualmente mais forte e desprendido das coisas supérfluas da vida. Essa aplicação da máxima de Nietzche de que “o que não nos mata, torna-nos mais fortes” vai tornar-se recorrente na obra de Miller, que vai impor o mesmo tratamento a Elektra, ao Batman em O Regresso do Cavaleiro das Trevas e Ano Um, e a alguns habitantes de Sin City, como Dwight ou Hartigan, mas em nenhum dos casos com a profundidade com que é feito nesta história. Uma história desenhada por David Mazzucchelli, na época o desenhador regular da série, que acabou por desenhar a história porque Miller estava muito ocupado com os desenhos de O Regresso do Cavaleiro das Trevas, a crepuscular saga de Batman que revolucionou a personagem. Mas se a participação de Mazzucchelli foi consequência da falta de tempo de Miller, o seu contributo foi absolutamente fundamental, sendo o produto final o resultado de um estreito processo de colaboração em que as fronteiras habituais entre desenhador e argumentista se esbateram, como reflecte a ficha técnica, ao não distinguir entre desenhador e argumentista, com Mazzucchelli a contribuir de forma decisiva para a evolução da história, que cresceu de forma quase orgânica, fruto das constantes trocas de ideias entre os dois autores. Por exemplo, a personagem de Maggie, a freira que o leitor descobre ser a mãe que Matt julgava morta, não estava prevista no argumento inicial, resultando de uma epifania de Miller, durante uma conversa com o desenhador. Mazzucchelli é também responsável pela importância da iconografia cristã ao longo da história, desde o recriar da Pietá de Miguel Ângelo, na cena em que Maggie segura Matt moribundo no colo, na penúltima página do 3º capítulo, dando ao leitor a confirmação de que Maggie é realmente a mãe de Matt Murdock, passando ao repetido uso da composição triangular, típica da pintura renascentista, com olhar do leitor a ser conduzido para o vértice do triângulo, onde está um cruxifixo, ou pela página de título do capítulo 4, em que a cama onde jaz Matt e a parede encimada por um crucifixo, formam uma cruz, até à profusão de símbolos religiosos, de crucifixos a campanários de igrejas, ao longo do livro.
Mas as influências estéticas de Mazzucchelli ao longo deste livro, em que é visível a rápida evolução do seu traço, de um realismo influenciado por Miller, para um traço mais solto, próximo do expressionismo, não se ficam pela pintura religiosa. Veja-se a óbvia homenagem a O Grito, de Eduard Munch, na notável sequência em que Urich ouve pelo telefone o tenente Manolis a ser estrangulado, acentuado pelo trabalho de cores de Max Schelle.
Embora à superfície seja uma história de super-heróis, Renascido, mais do que uma aventura do Demolidor é antes de mais uma história de Matt Murdock. Um relato kafkiano da lenta queda de um homem no abismo, uma história policial sobre a corrupção na grande cidade e uma obra coral, narrada sob três pontos de vista diferentes (o de Matt Murdock, o de Wilson Fisk e o do jornalista Ben Urich) que se completam, numa narrativa estética e literariamente poderosa. E, embora Matt Murdock passe a maior parte do tempo sem uniforme, não deixa de ser uma história de super-heróis, em que Miller ainda consegue introduzir o Capitão América e os Vingadores no final da história, graças à personagem Nuke, que mostra como os políticos e os militares conseguiram perverter o sonho americano de que o Capitão América é o símbolo vivo. >br> A completar este volume, temos a história E o Nevoeiro sussurrou… morte, escrita por Dennis O’Neil (com a participação de Miller, que tem direito a agradecimentos especiais na ficha técnica) e ilustrada por Mazzucchelli, publicada originalmente em Daredevil #220 (USA 1985). Embora cronologicamente seja anterior à saga Renascido, optou-se por apresentá-la no fim do livro para não retirar o natural e merecido destaque à história principal que assinalou o efectivo regresso de Frank Miller ao Demolidor.
A escolha de Nevoeiro de entre dezenas de histórias do Demolidor ilustradas por Mazzucchelli, fez-se por dois motivos. Antes de mais, porque é uma excelente história, que o próprio desenhador considera como um dos seus melhores trabalhos e a primeira história em que o seu traço se libertou dos pormenores e assentou no uso das sombras para criar ambientes, com o nevoeiro que invade Nova Iorque a assumir-se como uma personagem de corpo inteiro. O outro motivo foi porque o suicídio nessa história de Heather, a antiga namorada do Demolidor, vem contribuir para o estado depressivo de Matt Murdock, ao mesmo tempo que abre caminho para o regresso de Karen Page, antiga secretária e primeira namorada de Matt Murdock, à série. Karen que, como veremos, vai desempenhar um papel fundamental na trama de Renascido.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Editoriais para a Colecção Heróis Marvel II - Parte 2: Surfista Prateado



SURFISTA PRATEADO: DE SUPER-HERÓI INCOMPREENDIDO A ÍCONE DA CULTURA POP
No filme Crimson Tide (Maré Vermelha, nos cinemas portugueses), realizado por Tony Scott em 1995, há uma cena em que o tenente do submarino, interpretado por Denzel Washington, tem que interromper uma violenta discussão entre dois marinheiros. O motivo dessa acesa discussão consistia em decidir qual o maior desenhador do Surfista Prateado. Se Jack Kirby, o seu criador, se o francês Moebius. Patrioticamente, Washington resolveu a discussão decretando que "qualquer fã de comics sabe que o melhor Surfista é o de Jack Kirby". Esta cena, escrita por Quentin Tarantino, para além da injustiça feita a John Buscema, o desenhador que mais páginas ilustrou com a personagem, é reveladora do impacto que Moebius conseguiu com a sua curta ligação à série, enquanto desenhador de Parábola, uma história em duas partes escrita por Stan Lee. Curiosamente, apesar de emblemática, esta não é a primeira referência importante ao Surfista Prateado no cinema. Anos antes, em 1983, no filme Breathless, o remake que o americano Jim McBride fez de À Bout de Souffle de Jean-Luc Godard, com Richard Gere a substituir Belmondo como protagonista, as revistas do Surfista Prateado que a personagem traz sempre consigo, funcionam quase como um guia espiritual, com as histórias do Surfista a reflectirem e comentarem a vida de Jesse, o anti-herói do filme.
Dois exemplos do apelo do Surfista Prateado fora do mundo da BD, a que podemos juntar o disco de Joe Satriani, Surfing With the Alien, que tem precisamente como ilustração de capa uma ilustração do Surfista, feita por John Byrne. Grande fã do Surfista Prateado, Satriani tem também noutro disco uma canção chamada Back to Shalla Bal, sendo Shalla Bal a mulher que o Surfista teve de deixar, quando aceitou acompanhar Galactus pelo Espaço sideral.
Apesar deste seu estatuto de ícone da cultura Pop, o Surfista Prateado nunca foi dos mais populares heróis da Marvel e pode dizer-se que surgiu quase por acidente. Visto pela primeira vez em 1966, nas páginas dos números 48 a 50 da revista Fantastic Four, numa história que ficou conhecida como a Trilogia de Galactus, o Surfista Prateado nasceu da iniciativa espontânea de Jack Kirby. O desenhador achou que uma criatura tão poderosa como Galactus, o devorador de mundos, necessitava de um arauto que o antecedesse, anunciando a sua chegada, ou fazendo um paralelo com a mitologia judaico-cristã, de um anjo que, à semelhança do anjo Gabriel que anuncia à Virgem Maria que esta vai ser mãe do filho de Deus, avisasse a humanidade da chegada iminente do Deus Galactus. Essa criatura de pele brilhante como prata, descobriu-a Stan Lee quando Kirby lhe passou as páginas desenhadas da saga de Galactus para ele escrever os diálogos, e o argumentista teve a surpresa de descobrir “um surfista de pele prateada cavalgando os céus em cima de uma veloz prancha”, prancha essa, de que Kirby se lembrou, por ser muito mais fácil e rápida de desenhar do que uma nave espacial...
Nascido como Norrin Radd, um jovem astrónomo do Planeta Zenn-La, o Surfista, para salvar o seu planeta da destruição, vai oferecer-se como arauto do poderoso Galactus, deixando para trás a mulher que ama, a bela Shalla Bal, para acompanhar o Devorador de Mundos na sua busca por planetas que lhe permitam saciar a sua necessidade inesgotável de energia. E se Galactus é uma figura que está para além do bem e do mal, já o Surfista está bastante mais próximo da Humanidade, através da sua dimensão trágica e do carácter filosófico das suas reflexões sobre a Humanidade pela qual se sacrificou, colocando-se ao lado do Quarteto Fantástico contra Galactus, que pretendia destruir o planeta Terra para aplacar uma fome insaciável. Tendo abdicado das estrelas para salvar os homens, qual Prometeu, o Surfista Prateado vai-se tornar uma das personagens favoritas de Stan Lee, que embora não a tenha criado, cedo percebeu como o Surfista se enquadrava no espírito de uma época, em que a música dos Beach Boys veio dar outra popularidade ao Surf.

Assim, em 1968, o Surfista Prateado passa a sulcar os céus na sua própria revista mensal, em histórias escritas por Stan Lee e desenhadas, não já pelo seu criador, Jack Kirby, mas pelo traço mais clássico de John Buscema, desenhador cujo trabalho podemos acompanhar neste volume em três episódios da revista mensal, em que o Surfista Prateado enfrenta o Homem-Aranha, participa numa revolução na América Latina e reencontra a sua amada Shalla Bal, para a voltar a perder logo de seguida… Ainda com arte de Buscema, este volume traz a novela gráfica Juízo Final, de 1988, uma curiosa experiência gráfica contada quase inteiramente com recurso a imagens de página inteira, com excepção de uma página dividida em três quadrados, cedência rapidamente compensada com uma dupla página. Para além desta pouca habitual escolha de paginação, mas que vem de encontro à tendência que Buscema tinha de usar imagens de grandes dimensões, para assim conseguir mais espaço em cada quadrado de modo a dar a cada vinheta a escala grandiosa que a saga cósmica do Surfista Prateado merece - o que o levou a optar por uma divisão preferencial da página em duas tiras na revista mensal do Surfista por oposição à planificação habitual em Kirby de três tiras por página - a forma como a história foi escrita, levando o “método Marvel” ao extremo, não deixa de ser curiosa. A história foi imaginada por Tom De Falco e pelo próprio John Buscema, com Stan Lee a limitar-se a escrever os diálogos, depois da história, que coloca o Surfista e Galactus lado a lado contra Mefisto, já estar toda desenhada.

Não obstante a qualidade e a importância do trabalho de John Buscema com o Surfista Prateado, o ponto alto deste volume é a colaboração, tão fugaz como conseguida, entre Stan Lee e Moebius, que permitiu a um dos poucos génios incontestados da BD franco-belga desenhar uma história de super-heróis. Tudo começou durante uma refeição que os dois autores partilharam, num Festival americano (embora as declarações de Stan Lee e Moebius não sejam coincidentes em relação ao ano, ao Festival, ou sequer se foi a um almoço ou a um jantar, em que esse encontro aconteceu). Mas, mais importante do que a data ou o local do encontro, foi o resultado, que confirma o génio de Jean Moebius Giraud, que soube jogar a fundo o jogo dos comics americanos, seguindo todas as suas regras e códigos, sem abdicar do seu universo pessoal. Veja-se o último quadrado da página 9, com a multidão a fugir, cheio de deliciosos pormenores, que são puro Moebius, ou a leveza etérea do seu Surfista, que parece esculpido num cristal de Aedena. Um ser de luz, que Moebius descreve assim: “o meu Surfista é imbuído de graça. Vejo-o como alguém elegante, altivo. Ele faz Tai-Chi, como eu!” Também o argumento de Stan Lee parece aqui em estado de graça, com uma interessante abordagem do fanatismo religioso, que deve ter calado fundo a Moebius, acabado de sair de uma experiência semelhante, depois de ter vivido em comunidade no Taiti com a seita de Jean-Paul Appel-Guerry, que tem grandes pontos de contacto com L. Ron Hubard, o criador da Cientologia. Perante este encontro feliz entre dois mestres da Banda Desenhada dos dois lados do Atlântico e as diferentes facetas do Surfista de John Buscema, que este volume dá a descobrir, caberá ao leitor decidir quem é o melhor desenhador do Surfista Prateado.
Os leitores mais atentos, poderão detectar algumas diferenças entre a versão impressa e o meu texto original, desde o título a alguns pormenores. Também por isso, pareceu-me interessante colocar as duas versões. Naturalmente, este é o meu último texto de 2012. Espero ver-vos por aqui em 2013, ano em que procurarei actualizar este blog com maior frequência. Bom Ano!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Editoriais para a Colecção Heróis Marvel II - Parte 1: Homem de Ferro


No dia em que chegou às bancas o último volume desta segunda série da colecção Heróis Marvel, pareceu-me interessante recuperar aqui os textos que fiz para a mesma. Para começar, aqui fica o dossier dedicado a Filipe Andrade que encerra o volume do Homem de Ferro. Volume esse, que para além da mini-série Extremis, traz também a história com que o Filipe se estreou na Marvel, Hack, uma história curta do Homem de Ferro, com argumento de Tim Fish.
Antes de mais, e com um pedido de desculpas ao Filipe, aqui fica o story board da história dele, que no livro saiu de pernas para o ar, reproduzido finalmente de forma correcta. Para além do texto original, incluo as páginas do dossier tal como saíram no livro, para poderem ver as diferenças, para a versão final.

FILIPE ANDRADE: UM PORTUGUÊS NA MARVEL
Licenciado em Escultura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, e com um curso de pre-produção da Gnomon Schoool of Visual Efects, da Califórnia, Filipe Andrade estreou-se profissionalmente na BD em Portugal, com a série BRK, escrita por Filipe Pina e pré-publicada no BD Jornal entre 2006 e 2008, antes de ser recolhida em álbum pelas Edições Asa em 2009. Desde 2009, ano em que venceu o ChesterQuest International Talent Search, um programa da Marvel de descoberta de novos talentos, coordenado pelo editor C. B. Cebulsky, Filipe Andrade tem trabalhado essencialmente para a Marvel. Para a Casa das Ideias, desenhou uma história para a revista Iron Man: Titanium e o comic X-23, escrito por Marjorie Liu e posteriormente recolhido na colectânea The Mighty Woman of Marvel, que traz também uma história de Shana, the She-Devil, desenhada por Nuno Plati. De seguida, assinou também os desenhos de Wellcome Home e Underneath the Skin, duas aventuras de Nomad, publicadas em complemento da história principal da revista Captain America #608 e #614), e duas mini-séries: Onslaught Unleashed, escrita por Sean McKever, que contou com a cor de outro português, Ricardo Tércio, e John Carter: The Princess of Mars, uma mini-série em cinco partes, com argumento de Robert Landridge que serviu para relançar a personagem criada por Edgar Rice Burroughs no mercado americano, preparando o caminho para o filme John Carter of Mars. Apesar do fracasso do filme nas bilheteiras ter afectado o sucesso do livro, que teve muito pouca divulgação por parte da Marvel, o desenhador português, que fez aqui um excelente trabalho, não viu a sua carreira internacional afectada. A prova disso é que, actualmente, tem mais dois trabalhos prontos a sair na Marvel: o nº 63 da revista Deadpool e o Ultimate Comics X-Men 18.1
Hack, a história que Andrade desenhou para Iron Man: Titanium, foi o seu primeiro trabalho para a Marvel. Uma oportunidade que, conforme refere o desenhador português: “surgiu depois de ter feito dois testes para a Marvel. O primeiro foi uma história de 5 páginas feita a meias com o João Lemos (outro desenhador português a trabalhar para a Marvel), que me levou a desenhar outras 5, desta vez com argumento original de Brian K.Vaughn, para o titulo Runaways. Enviei-as ao Cb.Cebulski (editor da Marvel, responsável pela série Avengers Fairy Tales, em que participaram os desenhadores portugueses, João Lemos, Ricardo Venâncio e Nuno Plati) e passada uma semana tinha a proposta para desenhar esta história do Homem de Ferro no email.”
Uma revista em que participou também outro português, Nuno Plati. Algo que Andrade descreve como: “uma feliz coincidência Ligávamo-nos com alguma frequência, o que acabou por ser muito positivo para mim porque o Nuno já tinha alguma experiência na Marvel o que acabou por tonar tudo bem mais simples. Isto apesar do trabalho de um e doutro ser independente neste comic.” Algo que não aconteceu em X-23, o trabalho seguinte de Andrade para a Marvel, cujo desenho foi feito a meias com Nuno Plati. O facto de ter tido seis semanas para desenhar as 11 páginas de Hack, permitiu a Filipe Andrade fazer um trabalho de grande detalhe a nível de cenários, nomeadamente nas vistas aéreas da cidade de Boston, onde decorre a acção, o que, para Filipe Andrade, que gosta de desenhar cidades, permitiu juntar “o útil ao agradável.” Mesmo que, como podemos constatar pelos originais aqui reproduzidos, a arte-final de Rick Ketcham nem sempre faça inteira justiça ao traço de Andrade, que em trabalhos posteriores assegurou também a arte-final dos seus desenhos.

Ao incluir neste volume a revista Titanium, damos finalmente oportunidade aos leitores portugueses de descobrirem em português, o trabalho para a Marvel de dois desenhadores nacionais, contribuindo também para a visibilidade internas desses mesmos autores. O que dá a este volume uma importância que Filipe Andrade define nestes termos: “A verdade é que o mercado nacional é preenchido mais por banda desenhada de autor, que apesar de ser de grande qualidade não tem facilidade em criar novos leitores, o nosso maior problema. Temos vários exemplos de autores que publicaram no mercado internacional, nomeadamente americano que mereciam ter destaque e acabaram, não se sabe muito bem porquê, por nunca ter a justa visibilidade/reconhecimento em Portugal. Por isso, apesar de ter feito esta BD há 3 anos, acho este tipo de iniciativas importantes para dinamizar o mercado nacional e através do peso do nome Marvel, trazer mais leitores para o nosso mercado.”

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Colecção Heróis Marvel Série II - as Capas Definitivas


Embora desde Domingo que esta informação foi disponibilizada com o jornal Público, quis esperar pela capa definitiva do volume dedicado ao Surfista Prateado, desta vez com uma ilustração de Moebius, autor em destaque nesse volume, para aqui revelar as capas finais dos volumes desta série II da Colecção Heróis Marvel. Como o primeiro volume estará nas bancas já amanhã de manhã e o seu conteúdo já foi suficientemente divulgado, optei não o incluir neste Post. Aqui ficam pois as capas e o conteúdo dos 9 volumes que faltam publicar nesta série II, que espero que tenha o mesmo sucesso da primeira.


2 – X-Men: A Saga da Fénix Negra (25 de Outubro)
Argumento – Chris Claremont Desenhos – John Byrne e Terry Austin

Ciclope, Tempestade, Banshee, Nocturno, Wolverine, Colossus, Fénix: os Filhos do Átomo, os alunos de Charles Xavier. Mutantes temidos e odiados por um mundo que juraram proteger. Eles são os mais estranhos heróis jamais nascidos. Eles são... Os X-men! Criados por Stan Lee e Jack Kirby no início dos anos sessenta, os X-Men tiveram de esperar mais de uma década para conquistarem finalmente o favor do público. O que só aconteceu em meados dos anos setenta, graças a Chris Claremont, um argumentista genial, que juntando forças primeiro com Dave Cockrum, e depois com o talentoso John Byrne, e reinventou os mutantes da Marvel, inaugurando um período espectacular, que haveria de culminar com esta inesquecível "Saga da Fénix Negra".

3 – Homem de Ferro: Extremis (1 de Novembro) Argumento: Warren Ellis, Adam Warren, Mark Haven Britt, Matteo Casali e Tim Fish Desenhos – Adi Granov, Salva Espin, Nuno Plati, Steve Kurth e Filipe Andrade
Tony Stark começou como um homem aprisionado numa armadura, mas acabou libertado por essa mesma armadura, tornando-se no Homem de Ferro, personagem central do Universo Marvel. Mas quando se vê confrontado pelo seu passado, e por o pedido de ajuda de uma amiga desesperada, o Homem de Ferro é obrigado a questionar toda a sua carreira! Warren Ellis, relançou com esta saga a série do Homem de Ferro, contando com o talento gráfico de Adi Granov, cujo estilo futurista, que foi uma das fontes de inspiração visuais para os filmes. Em complemento, um punhado de histórias curtas, duas delas ilustradas pelos portugueses Filipe Andrade e Nuno Plati.

4 – Surfista Prateado: Parábola (8 de Novembro) Argumento – Stan Lee Desenhos – Moebius e John Buscema
Nascido nas páginas do Quarteto Fantástico, no âmbito da mítica Trilogia de Galactus, o Surfista Prateado é uma das mais carismáticas personagens da Marvel. Aráuto de Galactus, o devorador de mundos, o Surfista Prateado sacrificou-se para defender a humanidade do apetite destruidor do seu amo, perdendo a capacidade de voar livremente pelos abismos do espaço sideral. Neste volume, além de um punhado de episódios da revista mensal, temos dois momentos únicos da história do navegante das estrelas: Parábola, a inesquecível história desenhada por Moebius, a única história de super-heróis ilustrada por esta estrela da BD francesa e Dia do Julgamento, uma novela gráfica de Lee e Buscema, contada inteiramente com recurso a imagens de página inteira.
5 – Wolverine: O velho Logan (15 de Novembro) Argumento – Mark Millar Desenhos – Steve McNiven e Dexter Vines
Nunca ninguém soube o que se passou na noite em que os heróis caíram. O mal triunfou, e reina sobre o mundo desde então. Há mais de meio-século que ninguém vê o homem anteriormente conhecido como Wolverine. Mas agora, o seu amigo Gavião Arqueiro precisa de percorrer milhares de quilómetros para salvar a sua família e Wolverine prepara-se para a viagem da sua vida...~ Wolverine: O Velho Logan é um comic único, passado num futuro onde os vilões se apoderaram da América. Mark Millar, , e Steve McNiven, criaram esta saga monumental que explora a alma e os demónios interiores que atormentam Wolverine, o mais popular dos mutantes dos X-Men, apresentando-nos ao mesmo tempo um Universo Marvel que foi reduzido às cinzas, mas que no meio das ruinas mantém a sua identidade única.

6 – Dr. Estranho: o Juramento (22 de Novembro) Argumento – Brian K. Vaughan e Stan Lee Desenho – Marcos Martin e Steve Ditko
Em tempos foi um homem como tantos outros, obcecado pelo dinheiro, pela fama e pelo mundo material. Mas um dia descobriu uma realidade muito diferente, uma dimensão de magia que dava forma a forças que controlam as nossas vidas. Nesse dia, Stephen Strange renasceu, para se converter num homem como nenhum outro: Doutor Estranho, o Mestre das Artes Místicas! Este volume serve de introdução ao mundo do Feiticeiro Supremo do Universo Marvel, juntando uma série de histórias fundamentais criadas por Stan Lee e Steve Ditko nos anos sessenta, incluindo o relato da sua origem, com uma história moderna, assinada por Brian K. Vaughn, que veio revitalizar profundamente a personagem no novo século, e que dá o nome a esta antologia.

7 – Homem-Aranha: O Reino (29 de Novembro) Argumento – Kaare Andrews e Peter Milligan Desenho - Kaare Andrews e Duncan Fegredo
Nesta saga sombria visitamos um futuro alternativo em que Peter Parker pendurou há mais de trinta anos o seu fato de Homem-Aranha, abandonando a carreira de super-herói, e vive perturbado por visões da sua mulher, Mary Jane Watson, há muito falecida. Mas numa Nova Iorque dominada por um presidente da câmara autoritário e uma polícia especial de contornos fascistas, Peter Parker terá de reassumir o seu papel e voltar a relembrar-se que, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades! Kaare Andrews é um jovem autor que alia o talento de desenhador com o de argumentista, sendo ainda um ilustrador notável. Assina nesta saga o seu primeiro trabalho de grande fôlego para a Marvel, uma história original e complexa, que é também um marco para a editora, que faz pelo Homem-Aranha o que The Dark Knight Returns fez pelo Batman.
Em complemento, a histórias Flores para Rhino, publicada originalmente nos nºs 5 e 6 da revista Spiderman's Tangled Web, com desenhos de Duncan (Hellboy) Fegredo

8 – Demolidor: Renascido (6 de Dezembro) Argumento – Frank Miller Desenho – David Mazzucchelli
Cego desde a infância, Matt Murdock viu os seus restantes sentidos ampliados de forma exponencial. Agora, ele combate o crime em Nova Iorque, como advogado durante o dia, e como Demolidor durante a noite! Quando o Rei do Crime descobre a identidade secreta do Demolidor, a vida de Matt Murdock vai ser completamente destruída e ele vê-se sem casa, sem trabalho sem dinheiro, sem amigos, sem esperança. Mas aquilo com que o Rei do Crime não contava é que um homem sem esperança… é um Homem Sem Medo! Considerada por muitos como a melhor história do Demolidor de sempre, Demolidor: Renascido, é uma saga clássica que assinalou o regresso de Frank Miller à personagem que o tornou famoso, desta vez apenas como argumentista, contando com o traço notável de David Mazzucchelli para ilustrar esta história memorável. Em complemento, E o nevoeiro sussurou...morte, mais um clássico do Demolidor, com o traço único de Mazzucchelli

9 – Wolverine: Arma X (13 de Dezembro) Argumento – Barry Windsor-Smith e Chris Claremont Desenhos – Barry Windsor-Smith
O passado de Wolverine continua envolto em mistério. Caçador implacável, com instinto animal apurado, um extraordinário factor de cura e garras retrácteis, Wolverine tem também os ossos revestidos por Adamantium, o metal mais duro que jamais existiu. A memorável saga Arma X desvenda, pela primeira vez, um momento-chave da história do famoso mutante, em que é levado a cabo o terrível processo que transforma Wolverine numa arma mortal. Para além da clássica saga Arma X narrada por Barry Windsor-Smith, este volume inclui também Lobo Ferido, um episódio dos X-Men em que Wolverine tem um papel fulcral, publicado em Portugal pela primeira vez no seu formato original, bem como todas as ilustrações que Windsor-Smith desenhou com Wolverine, constituindo uma edição integral do trabalho do genial artista inglês com o mais famoso mutante da Marvel.

10 – Guerra Civil (20 de Dezembro) Argumento – Mark Millar Desenhos – Steve McNiven e Dexter Vines
Herói contra herói. Vilão contra vilão. A guerra civil chegou aos super-heróis, e irmão luta contra irmão nesta saga cataclísmica que irá revolucionar para sempre o Universo Marvel! Na sequência da passagem de uma controversa lei que obriga os indivíduos com super-poderes a revelar a sua identidade secreta e a registarem-se, todos os super-heróis terão de escolher um lado neste conflito, a mais ambiciosa das sagas modernas da Marvel. Uma das maiores sagas da história recente da Marvel, Guerra Civil conta com argumento de Mark Millar, bem conhecido do público em geral como o criador de Wanted e Kickass, ambos adaptados ao cinema, e com arte do talentoso Steve McNiven, uma dupla cujo trabalho já pudemos ver em Velho Logan.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Artistas Portugueses na Colecção Heróis Marvel - Série II


Além das já divulgadas, a Série II da Colecção Heróis Marvel traz outra novidade de peso. A presença no volume dedicado ao Homem de Ferro, de duas histórias ilustradas por desenhadores portugueses: Filipe Andrade e Nuno Plati. A complementar o volume que chega às bancas no dia 1 de Novembro, como a mini-série Extremis, de Warren Ellis e Adi Granov, vem o comic Iron Man: Titanium, editado nos EUA em Dezembro de 2010, que reúne quatro histórias curtas, duas delas desenhadas pelos portugueses.
A assinalar este momento histórico, pois é a primeira que uma história desenhada por um português para a Marvel é editada no nosso país, o volume vai incluir um dossier final, com estudos, storyboards, uma entrevista e reprodução de pranchas originais de Filipe Andrade, autor para quem esta revista tem um significado especial, pois traz a primeira história que publicou na Marvel. Aqui fica uma página de cada uma das histórias dos autores tugas que participam neste volume:


Killer Commute, ilustrada por Nuno Plati

Hack, ilustrada por Filipe Andrade

domingo, 7 de outubro de 2012

Colecção Heróis Marvel: Série II - As primeiras novidades

Apesar de alguns comentários negativos na Internet, a colecção Heróis Marvel que a Levoir lançou com o jornal Público, está a ser um sucesso de vendas, o que justifica o lançamento de uma Série II, logo após o fim da primeira. Assim, a partir de 18 de Outubro e durante mais 10 semanas, a Série II vai estar nos quiosques. Enquanto não tenho autorização para revelar a lista completa dos livros, posso já falar de alguma coisa que este teaser, publicado hoje, na edição de domingo do jornal Público, já desvenda.
A colecção vai abrir com Dinastia de M, uma mega-saga de Brian Michael Bendis e Olivier Copiel e fechar com outra saga ainda maior, a Guerra Civil, de Mark Millar e Steve McNiven (a imagem do teaser é tirada de uma das capas de Civil War), autores que assinam outro volume desta Série II. Além do regresso dos Heróis mais populares, como Homem-Aranha, Wolverine, ou X-Men, novos heróis que nã tiveram lugar na série I, vão estar presentes. Heróis como o Surfista Prateado, na versão de Moebius (mas não só) ou o Homem de Ferro, na versão de Adi Granov (como muitos terão certamente reconhecido, era dele a imagem do primeiro teaser que o Público tem publicado desde a passada quinta-feira), o Demolidor e o Dr. Estranho.
Outra novidade importante, é que, ao contrário da colecção anterior, em que todos os volumes seguiam fielmente a colecção espanhola, da Panini, desta vez vai haver volumes feitos de origem para Portugal, com selecção de histórias e textos introdutórios a pensar especificamente nos leitores portugueses.
Por agora, esta é a informação possível. Fiquem atentos ao blog pois, durante a próxima semana, mal tenha luz verde para isso, aqui revelarei a lista e todos os detalhes relativos a esta Série II.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Colecção Heróis Marvel IV: Crítica ao 2º Volume

X-Men: Filhos do Átomo
Heróis Marvel (Volume 2)
Nas Bancas a partir de 12 de Julho

Este volume recolhe os seis números da mini-série X-Men: Filhos do Átomo, escrita por Joe Casey, com desenhos de Steve Rude, Michael Ryan, Paul Smith e Esad Ribic e arte-final de Andrew Pepoy e cores de Paul Mounts. Inclui também as histórias X-Men, narrativa fundadora escrita por Stan Lee e desenhada por Jack Kirby e ainda Um Homem Chamado…X e Chamem-lhe Ciclope, duas histórias de Roy Thomas, desenhadas por Werner Roth, com arte-final de John Veerpoorten.

Quando Stan Lee e Jack Kirby criaram os X-Men, em 1963, a história começa numa altura em que os alunos de Charles Xavier já faziam parte do grupo e da sua surpreendente escola. Mas como se conheceram e se reuniram? O que levou o Professor Xavier a criar os X-Men? São essas perguntas a que Joe Casey, prolífico argumentista americano, profundo conhecedor do universo mutante, pelo seu trabalho nas séries Cable e X-Men, responde de forma inteligente, desenvolvendo a origem dos X-Men, para os leitores do século XXI, na mini-série X-Men: Filhos do Átomo. Uma história que mostra como o Professor X recrutou os membros originais dos X-Men e os treinou para se protegerem e protegerem o mundo.
A revisitação da origem dos heróis através de uma narrativa muito menos comprimida do que a da versão original é algo a que os comics de super-heróis já nos habituaram, na sequência do sucesso do Batman: Ano Um de Frank Miller e David Mazzucchelli. Mas é a outro trabalho de Miller, o seminal Batman: The Dark Knight Returns, que Casey vai buscar inspiração para o uso da comunicação social (os extractos de noticiários e programas de televisão) como coro grego que comenta a acção e ajuda o leitor a entrar no ambiente da época, com grande humor e maior eficácia narrativa. Em termos gráficos, coube ao veterano Steve Rude, desenhador de grande elegância, conhecido sobretudo pela série de ficção científica Nexus, que criou com Mike Baron, conciliar a leveza natural do seu traço com o dinamismo e a corporalidade da arte de Jack Kirby, o criador gráfico dos X-Men originais, que Rude homenageia. Face à dificuldade de Rude em cumprir os apertados prazos, o desenhador acabou substituído por Michael Ryan, Paul Smith e Esad Ribic, (este último, ainda longe do trabalho em cor directa que o tornou famoso), cabendo à arte-final de Andrew Pepoy harmonizar os diferentes traços numa história graficamente coerente.
Texto originalmente publicado no jornal Público de 06/07/2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Colecção Heróis Marvel III - Crítica ao 1º Volume

Heróis Marvel – Volume 1
Homem-Aranha: Integral Frank Miller
Argumento – Denny O’Neil, Chris Claremont e Bill Mantlo Desenhos – Frank Miller e Herb Trimpe

De Spirou a Blueberry, de Thorgal aos Passageiros do Vento, o Público tem feito chegar aos quiosques nacionais, o melhor da Banda Desenhada franco-belga. Mas como a linguagem da Banda Desenhada é universal, apesar das especificidades que distinguem o mangá e os comics da BD franco-belga, chegou a vez dos comics de super-heróis regressarem aos quiosques, em bom português, na nova coleção Heróis Marvel. Mais uma parceria Público/Levoir que, durante 15 semanas vai trazer o melhor da Marvel, numa coleção que, com a excepção da primeira história dos X-Men, de Lee e Kirby, publica exclusivamente material inédito em Portugal.
A abrir a coleção, que chega às bancas no preciso dia em que estreia o novo filme do Homem-Aranha, está um volume dedicado a esse herói, que recolhe as histórias do personagem feitas por Frank Miller. Um dos mais importantes nomes dos comics americanos das últimas décadas, Frank Miller lançou-se nos inícios dos anos 80, com pouco mais de 20 anos, nas páginas da revista Daredevil, da Marvel, reformulando de forma brilhante o super-herói cego em histórias notáveis. Mas seria na DC que Miller iria revolucionar os comics americanos, primeiro com Ronin, e depois com Dark Knight Returns e Batman Year One, duas obras-primas, em que Miller redefine o futuro e a origem de Batman. Entre as suas criações mais recentes, destacam-se 300 e a série que redefiniu o policial negro na BD, Sin City, ambas adaptadas ao cinema com sucesso e Holy Terror, uma controversa reflexão sobre o terrorismo islâmico, motivada pelo 11 de Setembro.
Mas se Miller (quase que) dispensa apresentações, o mesmo não se pode dizer do seu trabalho na série Homem-Aranha, que este volume recolhe e que é bastante menos conhecido do que, por exemplo, as suas histórias do Demolidor. Publicado originalmente entre 1979 e 1980, este material permite constatar a extraordinária evolução do jovem autor em pouco menos de uma ano. Nesse aspecto, é interessante comparar Em Terra de Cegos e Das Cinzas às Cinzas, as histórias em que Miller desenhou pela primeira vez o Demolidor, com Retorno Sinistro e Spiderman: Perigo ou Ameaça, duas histórias de 1980, desenhadas numa fase em que Miller já era o desenhador da revista do Demolidor. E, mais do que no desenho é a nível da planificação que a evolução é mais gritante, com Miller a alternar aqui, de forma tão eficaz como harmoniosa, as vinhetas horizontais e verticais. Efeito que se iria tornar uma imagem de marca da primeira fase da sua carreira.
Os momentos mais interessantes deste livro, são duas histórias escritas por Denny O'Neil, que anos mais tarde, vai ser o editor de Miller em Batman: The Dark Knight Returns. A primeira é O Retorno Sinistro, em que o Homem-aranha se associa ao Dr. Estranho para combater umas ameaça mística, com Miller a prestar uma bela homenagem ao Dr. Estranho de Steve Ditko, para alem de usar muito bem a dupla página, em imagens cheias de pormenores. A 2ª é uma pequena pérola, que lembra os melhores episódios do Spirit de Will Eisner. Spiderman: Perigo ou Ameaça, que mais do que o Homem-Aranha tem como protagonista principal o jornal Clarim Diário e os homens que nele trabalham, utilizando de forma bastante divertida a primeira página do jornal, que vai mudando ao longo da história.
Versão integral do texto publicado no jornal Público de 29/06/2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Colecção Heróis Marvel II - Destacável e Biografias dos Heróis em versao integral


Depois de ter saído na edição de sábado do jornal Público, o destacável de apresentação da colecção Heróis Marvel, voltará a ser distribuído com o jornal trazendo toda a informação necessária sobre a colecção que inicia sua publicação esta quinta-feira, 5 de Julho. Como, por uma questão de espaço, algumas das biografias dos heróis, tiveram o último parágrafo cortado, aqui ficam elas em versão integral.

Homem-Aranha
Ao ser mordido por uma aranha radioactiva, o jovem Peter Parker ganha superpoderes. Mas como “grandes poderes trazem grande responsabilidade”, Parker vai usar os seus poderes para combater o crime como o Homem-Aranha, ao mesmo tempo que, como Peter Parker tem que conseguir conciliar a sua vida de adolescente, com todos os pequenos dramas e alegrias, com as responsabilidades e os perigos que lhe trazem a sua identidade secreta. Nascido da imaginação fértil de Stan Lee e Steve Ditko em 1962, o Homem-Aranha imediatamente conquistou os leitores adolescentes que se identificavam com os problemas do dia-a-dia do herói, tornando-o um dos mais populares super-heróis de todos os tempos, símbolo máximo da “Casa das Ideias”.
X-Men
Homens de amanhã, filhos do Átomo, os mutantes representam um passo em frente na evolução humana. Temidos e odiados por um mundo que juraram proteger, os mutantes necessitam de alguém que os proteja e os ensine a defenderem-se. Alguém como o Professor Charles Xavier, que os vai treinar para proteger o mundo e a si mesmos. Criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1963, os X-Men vão ter dificuldades em alcançar o sucesso de outras criações da Marvel, de tal modo que a série é suspensa entre 1970 e 175. Regressariam, pelas mãos de Len Wein, Chris Claremont e Dave Cockrum, com uma nova formação que incluía o Wolverine, conquistando definitivamente o público, que se identifica com o direito à diferença que os X-Men simbolizam.
Capitão América
Criado por Joe Simon e Jack Kirby em 1940, o Capitão América reflectia o espírito da época e a vontade do povo americano de ajudar a combater Hitler. Com o fim da II Guerra Mundial, a popularidade do Capitão América foi-se lentamente apagando, até a revista ser cancelada. Voltaria em força em 1964, já em plena era Marvel, graças a Stan Lee e Jack Kirby que o souberam adaptar a uma nova era. Um regresso tornado possível por uma ideia engenhosa de Lee, que pôs os Vingadores a descobrirem o Capitão América dentro de um iceberg, onde jazia congelado desde o final da II Guerra Mundial, transformando o símbolo da América em guerra, num indivíduo fora do seu tempo, a ter que aprender a viver numa época que não é a sua.
Thor Filho de Odin, herdeiro do trono lendário de Asgard, Thor, o poderoso deus do trovão armado com o Mjolnir, o martelo mágico forjado com o mítico metal Uru, nasceu na mitologia nórdica, onde Stan Lee o foi buscar para o panteão de heróis da Marvel, colocando-o no corpo frágil de um mortal, o Dr. Donald Blake, como castigo de Odin à arrogância do seu filho. Tendo feito a sua primeira aparição no nº 83 da revista Journey into Mistery, de 1962, Thor é rapidamente integrado nos Vingadores, defendendo a Terra ao lado dos outros super-heróis. Mas o seu verdadeiro lar é em Asgard, e é em Asgard que decorrem as aventuras escritas por Matt Fraction, aventuras que misturam a mitologia escandinava com o drama shakespereano.
Os Vingadores
Numa resposta da Marvel ao sucesso da Liga da Justiça da DC, os Vingadores estreiam-se na BD em 1963, com a publicação do nº 1 da revista The Avengers. Reunindo personagens criados por Stan Lee e Jack Kirby, a formação inicial do grupo constituída pelo Hulk, Homem de Ferro, Thor, Homem-Formiga e Vespa, rapidamente se desfaz com a saída do Hulk, substituído com vantagem pelo Capitão América, cujo corpo congelado é descoberto na Antártida pelos Vingadores no nº 3 da revista. Desde então, com diferentes formações ao longo dos tempos, os Vingadores continuam a ser os mais poderosos heróis da Terra… e também os mais populares, como o prova o extraordinário sucesso do filme de Joss Wedhon, ainda em exibição.
Hulk
Apanhado pela radiação de uma bomba de Raios Gama, o Dr. Bruce Banner sobrevive à explosão à explosão, mas algo mudou dentro de si. Os seus demónios interiores materializam-se na forma de um monstro verde, tão irascível como poderoso, chamado Hulk. Criado em 1962, por Stan Lee e Jack Kirby, tendo como inspiração (óbvia e assumida) o romance O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, o Hulk tornou-se um dos mais populares super-heróis da Marvel e um dos primeiros a chegar tanto à televisão, como ao cinema. Na Banda Desenhada, foram inúmeros os escritores que criaram histórias para o Hulk, mas Peter David, que se ocupou do gigante verde durante mais de doze anos é, naturalmente, um nome incontornável.
Wolverine
Nascido com sentidos extremamente apurados, garras retrácteis e um poder de regeneração incomparável, o mutante chamado Logan foi submetido a um terrível e doloroso processo que lhe apagou a memória e cobriu os seus ossos com adamantium, um metal inquebrável, tornando-o no mais formidável dos guerreiros. Um guerreiro tão mortífero como o animal que lhe dá nome: Wolverine. Criado por Len Wein e John Romita em 1974, como personagem secundário da revista Hulk, Wolverine alcançaria a fama ao lado dos X-Men e, depois de protagonizar uma mini-série desenhada por Frank Miller, rapidamente ganhou revista própria. Actualmente, Wolverine é sem dúvida a mais importante personagem contemporânea da Marvel.
Justiceiro
Depois de ver toda a sua família assassinada por um bando de mafiosos, Frank Castle, um veterano do Vietname inicia uma guerra sem quartel contra o crime, fazendo justiça pelas próprias mãos. Nascia assim o Justiceiro. Nascido como personagem secundário na revista Amazing Spider-Man, em 1974, o vigilante criado por Gerry Conway, Russ Andru e John Romita, cujo comportamento correspondia aos dos protagonistas das séries Death Wish e Dirty Harry, interpretados no cinema por Charles Bronson e Clint Eastwood, conquistou definitivamente os leitores na década de 80. Depois de uma mini-série de Steven Grant e Mike Zeck, o Justiceiro rapidamente ganhou uma revista própria, tendo sido adaptado ao cinema por três vezes.
Guerras Secretas
Se hoje em dia, as sagas cósmicas reunindo dezenas de super-heróis e vilões, não são propriamente novidade, o evento Guerras Secretas, criado por Jim Shooter e ilustrado por Mike Zeck e Bob Layton, foi a primeira a conseguir juntar tantas personagens numa mesma história, numa série em 12 números, publicada entre 1984 e 1985. Transportados pelo Beyonder para um planeta deserto, criado para ser um campo de batalha, os principais heróis da Marvel, dos Vingadores, aos X-Men, passando pelo Homem-Aranha e pelo Quarteto Fantástico, tem que enfrentar os seus maiores inimigos numa luta sem quartel, que irá provocar mudanças irreversíveis no universo Marvel.
Quarteto Fantástico
Criado em 1961 por Stan Lee e Jack Kirby, o Quarteto Fantástico é composto por Reed Richards, um brilhante cientista, Susan Storm e o seu irmão Johnny Storm e Bem Grimm. Quatro amigos que durante uma viagem espacial, são afectados pelos raios cósmicos de diferente maneira, ganhando diversos superpoderes. Assim Reed Richards, o Senhor Fantástico, ganha o poder de esticar o corpo, Susan Storm, transforma-se na mulher invisível, Johnny Storm, o Tocha Humana, tem a capacidade de incendiar o seu corpo e Bem Grimm perde os traços humanos e transforma-se definitivamente no Coisa, uma poderosa criatura com o corpo coberto de placas de pedra. Um grupo de heróis que mudou a história da BD americana e deu início à Silver Age.
Nick Fury
Criado inicialmente como um herói da Segunda Guerra Mundial, na revista Sgt. Fury and his Howling Commandos, em 1963, Nick Fury seria rapidamente reinventado pelos seus criadores, Stan Lee e Jack Kirby, como um super-espião, ao serviço da S.H.I.E.L.D., uma organização secreta do governo norte-americano, na revista Strange Tales, de 1965, numa óbvia resposta ao sucesso dos filmes de James Bond e da serie televisiva Man from Uncle. Presença regular nas histórias do Capitão América e dos Vingadores, Nick Fury, haveria de crescer pelas mãos de muitos autores, mas cedo encontrou em Jim Steranko o criador capaz de transformar as suas aventuras em obras-primas, num punhado de histórias memoráveis, de grande inovação estética e narrativa.
Este post é dedicado à memória da minha mãe que, tendo ficado muito feliz quando soube que eu ia escrever para o Público, infelizmente, já não teve tempo de ver nenhum dos meus textos publicados.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Colecção Heróis Marvel I - os 5 primeiros volumes


A notícia já corre há uns dias pela blogosfera e os cartazes a anunciar a colecção já estão espalhadas um pouco por todo o país. Os super-heróis da Marvel vão voltar aos quiosques nacionais em português de Portugal, já na próxima 5ª-feira, 5 de Julho, numa colecção editada pela Levoir, em colaboração com o jornal Público, que a distribui.
A produção é assegurada pela antiga equipa editorial da Devir e eu tenho estado a fazer a revisão e irei traduzir um volume, além de assegurar os textos para o Público sobre a colecção. Tem sido essa a razão porque este blog tem estado mais parado, mas nos próximos tempos, entre os textos para o Público e para As Beiras e outros conteúdos feitos de propósito para o blog, não vão faltar aqui actualizações. Por hoje deixo-vos com a lista dos cinco primeiros volumes da colecção, acompanhados por imagens dos mesmos e pelas biografias dos respectivos autores, escritas para o destacável que o Público vai distribuir no sábado, mas que por questões de espaço, acabaram por não entrar.

Homem-Aranha: Integral Frank Miller
Volume 1 (5 de Julho)

Um dos mais importantes nomes dos comics americanos das últimas décadas, Frank Miller lançou-se nos inícios dos anos 80 nas páginas da revista Daredevil, da Marvel, reformulando de forma brilhante o super-herói cego em histórias notáveis. Mas seria na DC que Miller iria revolucionar os comics americanos, primeiro com Ronin, e depois com Dark Knight Returns e Batman Year One, duas obras-primas, em que Miller redefine o futuro e a origem de Batman. Entre as suas criações mais recentes, destacam-se 300 e a série que redefiniu o policial negro na BD, Sin City, ambas adaptadas ao cinema com sucesso e Holy Terror, uma controversa reflexão sobre o terrorismo islâmico, motivada pelo 11 de Setembro.
X-Men: Filhos do Átomo
Volume 2 (12 de Julho)

Prolífico argumentista norte-americano, Joe Casey trabalhou para as principais editoras americanas, como a Marvel, DC e Image, escrevendo histórias para alguns dos melhores desenhadores do mercado. É o caso dos seus colaboradores neste volume, que além do veterano Steve Rude, desenhador de grande elegância, conhecido sobretudo pela série de ficção científica Nexus, que criou com Mike Baron, incluem o americano Paul Smith, que trocou a animação pelos comics, trabalhando na Marvel desde os anos 80 e o croata Esad Ribic, extraordinário ilustrador que aqui estava a dar os primeiros passos na Marvel, bem conhecido dos leitores portugueses graças às mini-séries Loki e Silver Surfer: Requiem.

Capitão América: A Lenda Viva
Volume 3 (19 de Julho)

Um dos mais prolíficos e famosos desenhadores de super-heróis desde a década de 80, o desenhador americano (apesar de ter nascido em Inglaterra) John Byrne assinou passagens memoráveis pelas séries X-Men e Quarteto Fantástico, tendo sido igualmente responsável pela reformulação do Superman em meados da década de 80. Mas, para muitos leitores é impossível esquecer a sua breve colaboração com Roger Stern na revista do Capitão América, no início dos anos 80. Stern, que tem uma carreira de mais de 30 anos como editor, e sobretudo argumentista, tanto na Marvel como na DC, que inclui Hulk vs Superman, uma das primeiras crossovers (histórias reunindo personagens de diferentes editoras) entre DC e Marvel.
Thor: As Idades do Trovão
Volume 4 (26 de Julho)

Tendo-se estreado na BD nos inícios do século XXI, em editoras independentes, Matt Fraction cedo atraiu a atenção da Marvel que o contratou em 2005. Para além da série Invencible Iron Man, que lhe valeu um Prémio Eisner e o cargo de consultor no segundo filme do Homem de Ferro, Fraction é também o actual argumentista de Thor, responsável pela série mensal e pelas edições especiais como as que este volume reúne. Edições ilustradas por novos talentos, como Patrick Zircher, Clay Mann e Kaare Evans e veteranos, como Dan Bereton e Mike Allred. Um lote impressionante de artistas, a que se junta Cary Nord, desenhador responsável pela renovação de Conan, numa história assinada por Peter Milligan.
Homem-Aranha. A Morte dos Stacy
Volume 5 (2 de Agosto)

Argumentista de BD e de televisão Gerry Conway publicou a sua primeira história aos 16 anos, tendo trabalhado tanto para a Marvel como para a DC ao longo de uma vasta carreira. Com uma carreira de mais de 50 anos, em que trabalhou para as principais editoras americanas e até para o Tintin belga, Gil Kane (1926-2000) foi um dos mais importantes desenhadores de comics e um notável ilustrador, responsável por centenas de capas memoráveis para a Marvel e DC. Referência ainda para a arte-final de uma lenda viva da Marvel, o veterano John Romita, desenhador do Homem-Aranha durante décadas, que aqui passa a tinta com grande elegância, o traço dinâmico de Gil Kane.