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domingo, 22 de setembro de 2019

Balada para Sophie - Novo livro de Melo e Cavia em 2020

Quem acompanha este Blog, sabe que não costumo fazer divulgação. Mas neste caso decidi abrir uma excepção para divulgar a primeira imagem/teaser de Balada para Sophie, o próximo livro de Filipe Melo e Juan Cavia. Um livro que tem tudo para ser o melhor livro de autores portugueses (não é erro, pois apesar de ser Argentino, o Juan Cavia adquiriu recentemente nacionalidade portuguesa) publicado em 2020.
O mais ambicioso trabalho da dupla, com quase 300 páginas (a última versão que li tinha 277 e o Filipe é conhecido por ir acrescentando coisas à história) deverá estar pronto em meados do próximo ano e a versão que li, com a planificação e diálogos terminados e bem mais de 100 páginas completamente desenhadas e uma meia centena já com as cores planas, não me deixa dúvidas de que estamos perante o melhor trabalho de Filipe Melo e Juan Cavia, o que tendo em conta o alto nível de Os Vampiros e de Comer/Beber, não é coisa pouca!
Centrada na rivalidade entre dois pianistas, Balada para Sophie é uma história simultaneamente épica e intimista. Uma grande história sobre música, escolhas e o mais que os leitores verão em 2020.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Um Punhado de Imagens do Coimbra BD 2019

Uma semana após o final do evento, aqui vos deixo um punhado de imagens desta quarta edição do Coimbra BD, um Festival que, apesar das limitações de orçamento e de espaço, tem sabido crescer paulatinamente e atrair cada vez mais público. Publico esse quem pelo que ouvi e  tenho lido, saiu satisfeito. Para isso muito contribuíram os convidados, tantos os portugueses como os estrangeiros. Desde a mostra colectiva dedicada às Mulheres na BD Contemporânea Nacional, à mostra de Daniel Henriques, que não pôde estar presente mas foi (bem) substituído por Jorge Coelho,  e do livro Segredos de Loulé, até à revelação de Fábio Veras, cujo trabalho surpreendeu os autores estrangeiros presentes.
Falando dos estrangeiros, Etienne Schréder, que expôs pela terceira vez em Coimbra, confirmou a sua ligação à nossa cidade, enquanto Fabio Celoni, depois de uma passagem relâmpago pelo Festival de Beja em 2018, confirmou em Coimbra toda a sua enorme simpatia, ao nível do seu imenso talento. Em conversa com amigos, comentámos que temos tido imensa sorte com os convidados estrangeiros do Coimbra BD e este ano não foi excepção. 
Também em termos comerciais, o Coimbra BD correu muito bem, pois havia novidades editoriais ligadas às exposições e, quem descobria o trabalho dos autores nas exposições, podia comprar os livros deles na área comercial. Algo lógico, mas que, por exemplo nas últimas edições do Amadora BD não tem acontecido...
Outro evento bem sucedido, foi a participação do Salão 40, com a sempre concorrida sessão de desenho ao vivo com modelo ao vivo, a que este ano se juntou uma pequena, mas bem conseguida exposição de trabalhos realizados noutras actividades do Salão. Finalmente, outro momento alto foi a sessão de cinema, com as curtas-metragens realizadas por Filipe Melo e Paulo Monteiro, a que se seguiu uma interessante conversa, moderada por Bruno Caetano. Também as conversas, este ano em menor número para não sobrecarregar o programa, foram bastante concorridas
Uma das novidades desta edição foi a extensão do MOTELX, integrada no Coimbra BD, mas num local diferente, o Convento de São Francisco, o que dificultou a vida a quem quis acompanhar as actividades nos dois espaços... Vamos a ver se em futuras edições, esta sobreposição se mantém, ou se o MOTELX Coimbra ganha um calendário autónomo.
Das diversas referências que li ao Coimbra BD 2019, a mais certeira foi a do Pedro Cleto no seu blog, que podem ler aqui. Mas antes disso, vejam algumas fotografias da Sónia Lopes, a nossa assistente de produção, tirou neste Coimbra BD.
 


Imagens da zona comercial

As concorridas sessões de autógrafos
As exposições
Outros momentos do Coimbra BD

quarta-feira, 4 de abril de 2018

As 10 Melhores BDs que li em 2017 - Parte 1

Este ano com um enorme atraso, motivado por diversos afazeres, cá está finalmente a minha listagem das melhores Bandas Desenhadas que li pela primeira vez em 2017. Tal como no ano passado, há escritores que podiam estar presentes com mais do que um título, como é o caso de Brian Wood,  Zidrou e Tom King. Do mesmo modo, há títulos que poderiam estar aqui pela parte gráfica, mas cujo argumento não está à altura da excelência do trabalho dos desenhadores. É o caso de Corrado Roi em UT e de Gigi Cavenago em Mater Dolorosa, curiosamente duas edições da Bonelli. Mas deixo-vos com a primeira parte da lista, organizada por ordem alfabética, ficando a segunda parte prometida para a próxima semana.


1 - Batman: The War of Jokes and Riddles, Tom King e Mikel Janin, DC
No caso do Batman de Tom King, a dificuldade estava na escolha da história, ou do arco de história, pois King tem conseguido fazer esquecer Scott Snyder, assinando algumas das melhores histórias do batman de sempre.. Neste caso, optei por este The War of Jokes and Riddles graças ao trabalho gráfico superlativo de  Mikel Janin. O desenhador basco, além da qualidade do seu traço tem um sentido de composição notável, criando páginas belíssimas, que lembra o melhor de Gianni de Luca.
2 - Comer/Beber, de Filipe Melo e Juan Cavia, Tinta da China
Mesmo que não seja grande fã do formato escolhido para esta edição e de achar que a primeira história necessitava de "respirar" um pouco mais, não há dúvidas sobre a qualidade deste trabalho que confirma uma dupla criativa em total sintonia. Se quiserem saber mais sobre este livro, cuja segunda história já foi adaptada ao cinema, podem ler aqui
3 - Comissario Spada, de Gianluigi Conano e Gianni de Luca, Oscar/Mondadori
Publicadas originalmente entre 1970 e 1982 no semanário católico Il Giornalino, as aventuras do comissário milanês Eugenio Spada foram finalmente recolhidas num único volume, que permite apreciar a evolução da série dos seus criadores, que acompanham os grandes acontecimentos da sociedade italiana da época, marcada pela guerra contra a Máfia e pelo terrorismo das Brigadas Vermelhas.Visualmente, a evolução de De Luca é espantosa e a forma como ele joga com a página em termos de planificação mantém-se ainda hoje dificilmente alcançável, mesmo que Mikel Janin se tente aproximar.
4 - Cuadernos Japoneses, Igort, Salamandra Graphic
Diário de viagem, BD autobiográfica e reflexão sobre a sociedade e a arte japonesa, este livro do italiano Igort, é isso tudo e muito mais.Relato das suas diversas estadias no Japão, na época em que trabalhou para o mercado japonês, Cuadernos Japoneses é uma viagem fascinante ao país do sol Nascente e à industria do manga, bem demonstrativo da versatilidade do traço de Igort que utiliza diferentes registos gráficos ao longo da história.
5 - El Libro de los Insectos Humanos, Osamu Tezuka, Astiberri
Uma fascinante viagem pela mente de uma "mulher fatal" pelo Deus da BD japonesa, Osamu Tezuka. Publicado originalmente entre 1970 e 1971 este livro demonstra toda a espantosa modernidade do trabalho de Tezuka, bem visível na ambiguidade da história  e na forma como consegue transmitir graficamente a perturbação psicológica das personagens.
CONTINUA...

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Comer/Beber, de Filipe Melo e Juan Cavia



Depois da pièce de resistance que foi Os Vampiros, Filipe Melo e Juan Cavia regressam à BD com dois belos aperitivos, Majowski e Sleepwalk, reunidos no livro Comer/Beber, lançado em meados deste mês na Comic Con Portugal, onde a dupla de criadores tem sido uma presença regular.
Na origem deste projecto, diferente até no formato de histórias (mais ou menos) curtas, por oposição aos relatos de maior fôlego, como a trilogia de Dog Mendonça e, sobretudo, Os Vampiros, está um convite de Carlos Vaz Marques para que Melo e Cavia produzissem uma BD para o nº 9 da revista Granta, que tinha precisamente como tema Comer e Beber. Embora a pretensão dos autores fosse fazer, não uma, mas duas histórias para a Granta, os condicionamentos dos prazos de produção da própria revista limitaram (temporariamente) a ambição dos autores e apenas Sleepwalk, a primeira das duas histórias previstas, foi publicada na revista, completando-se o projecto meses depois, com a publicação do mini-livro que motiva este texto e que reúne, embora numa ordem diferente à que o próprio título faria esperar, Majowski e Sleepwalk, as duas histórias profundamente humanas dedicadas à comida e à bebida, ou mais exactamente a uma tarte de maçã e a uma garrafa de champanhe.
Passada na Alemanha nazi, durante a Segunda Guerra Mundial, Majowski parte de uma história real, contada por Beatrice Schilling, a avó de arquitecta e cantora (e amiga do Filipe) Nádia Schilling, sobre uma garrafa de champanhe que o seu avô, proprietário de um dos melhores restaurantes de Berlim, guardou para beber numa noite especial. Já Sleepwalk é uma história de ficção, que podia muito bem ser um filme de série B americano, ou a letra de uma canção de Bruce Springsteen, sobre um homem que faz uma longa viagem pelos Estados Unidos para levar uma tarte de maçã a um amigo.
Para mim, a mais conseguida das duas histórias, é Sleepwalk, cujo ritmo lento e contemplativo e a utilização de uma música como título, tem paralelismo com Os Vampiros. Muito bem contada e magnificamente desenhada, Sleepwalk sugere mais do que mostra, obrigando o leitor a pensar e tirar as suas próprias conclusões, um pouco à semelhança do que também acontecia em Os Vampiros. Além disso, toda a estética da história remete-nos para uma América cinematográfica, que vai de David Lynch a Wim Wenders, que nos leva a pensar que, mais até do que alguns projectos anteriores de Melo e Cavia, pensados originalmente para o cinema, também esta BD daria uma belíssima curta-metragem. Algo que, tendo em conta as ligações da dupla ao cinema, quem sabe se não se virá um dia a concretizar…
Majowski, usando uma metáfora apropriada ao tema, é uma bebida que precisava de mais tempo de maturação e também de mais páginas para ser contada, de modo a que a história pudesse respirar melhor. Se os horrores sofridos pelos judeus em território alemão são bem conhecidos, em Majowski surgem demasiado em pano de fundo, o que, provavelmente, não teria acontecido se os autores tivessem tido mais tempo e mais espaço para a história. Do mesmo modo, o momento surreal (mas que aconteceu na realidade) do elefante que deambulava por entre os destroços da Berlim bombardeada, teria outro impacto se a sua presença não se limitasse apenas a dois quadrados. Também em termos de planificação há diferenças entre as duas histórias. Se Sleepwalk tem um fôlego cinematográfico, já Majowski está mais próximo de uma série televisiva, com panorâmicas pontuais que permitem ao leitor identificar os locais, passando-se o resto da história em estúdio, em interiores filmados em planos médios e grandes planos.
Finalmente, a opção por um formato inferior ao A5, e até ao da revista Granta original, não deixa que o desenho respire devidamente, algo mais evidente até em Majowski, pelo que me parece que o livro só teria a ganhar em ser impresso num formato superior - antes de o receber em papel, já tinha tido oportunidade de ler o livro num Tablet com um ecrã de doze polegadas e a arte não só aguentou perfeitamente essa ampliação, como até beneficiou dela) - até porque o facto de se tratar de uma edição com tiragem limitada, encareceu bastante o produto final, o que, acredito que mesmo assim não irá afastar os muitos leitores fiéis da dupla.
Em conclusão, e voltando às metáforas culinárias, Comer/Beber é como aqueles pratos de nouvelle cuisine: requintado, extremamente saboroso e bem apresentado, mas a exiguidade da dose (neste caso, do tamanho do livro) faz com que o preço que o cliente vai pagar por ele pareça demasiado elevado…
Comer/Beber, de Filipe Melo e Juan Cavia, Tinta da China, 72 págs, 15€

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

As 10 Melhores BDs que li em 2016 - Parte 2


Como prometido, aqui vos deixo a segunda e última parte das minhas Melhores Leituras de 2016, relativa aos livros que li pela primeira vez no ano passado. A primeira parte da lista pode ser lida aqui


6 - Os Vampiros, de Filipe Melo e Juan Cavia, Tinta da China
Já tive ocasião de escrever sobre os Vampiros aqui, pelo que não há muito mais a acrescentar sobre este ambicioso livro, que revela um dupla de autores em plena sintonia, ao serviço de uma história muito bem contada, a cavalo entre dois géneros (o relato de guerra e o terror) que procura e consegue transcender. Tanto em termos de edição e produção, como de conteúdo, Os Vampiros é um claro passo em frente na produção nacional.



7 - Presas Fáceis, de Miguelanxo Prado, Levoir
O regresso à BD de Miguelanxo Prado com um policial negro (em todos os sentidos) que tem a crise económica e a situação a que chegou a banca, como pano de fundo. Um grito de revolta face a uma realidade que se passa em Espanha, mas que se podia perfeitamente passar em Portugal. Trocando a cor de que é mestre, por um preto e branco tão sombrio como a realidade que descreve, Prado assina mais uma obra incontornável, estranhamente ignorada pelos Prémios Profissionais de BD, atribuídos pela Comic Con...


 8- Spirou: La Lumiére de Borneo, de Frank e Zidrou, Dupuis
A série Spirou vu par... já proporcionou algumas pérolas, como Le Journal d'un Ingenu, de Emile Bravo, ou as colaborações entre Yann e Schwartz e este La Lumière de Borneo, magnificamente ilustrado por um Frank Pé em estado de graça, é uma dessas pérolas. Contando com a colaboração de Zidrou, um versátil argumentista cuja série Les Beaux Etés esteve quase entrar nesta lista, e que constrói uma história à medida do universo estético de Frank Pé, La Lumière de Bornéo é a prova que ainda há histórias para contar usando os heróis clássicos, desde qu ea fidelidade ao cânone não tolha a criatividade, como acontece na série Blake e Mortimer.


9 - The Goddamned, de Jason Aaron e R. M. Guera, Image
Jason Aaron esteve para entrar nesta lista através da série Southern Bastards, mas acabei por escolher outra série para o representar, muito por força do desenho de R.M. Guera, que está num campeonato diferente de Jason Latour, cujo trabalho é, ainda assim bastante eficaz e adequado à história de Southern Bastards. Mas The Goddamned tem um fôlego épico que está naturalmente ausente de Southern Bastards, propondo uma abordagem inesperada da Bíblia, em que se percebe perfeitamente as razões de Deus para destruir a humanidade através do dilúvio. Uma história para estômagos fortes, num universo de total decadência a que Guera transmite credibilidade graças ao seu traço espectacular, que faz uma curiosa síntese de influências tão diversas, como as histórias pós-apocalípticas de Victor De La Fuente, ou o Conan de Barry Windsor-Smith.




10 - The Vision, de Tom King e Gabriel Hernandez Walta, Marvel
Tom King foi para mim o argumentista-revelação de 2016. Este antigo agente da C.I.A. que é actualmente o responsável pela principal revista do Batman, onde consegue estar à altura do pesado legado de Scott Snyder, esteve para entrar nesta lista através The Sheriff of Babylon, uma série da Vertigo inspirada na experiência pessoal de King no Iraque após a queda de Sadam Hussein, mas The Vision está num patamar superior. Pegando num personagem de segundo plano da Marvel, que ganhou outra visibilidade graças ao último filme dos Vingadores, King e Walta constroem uma história profundamente sensível sobre a essência do ser humano, que é, de longe, das melhores coisas que a Marvel publicou nos últimos anos.


sexta-feira, 27 de maio de 2016

A caminho de Beja, para o XII Festival Internacional de BD


Se há evento ligado à BD que faço questão de não falhar, é o Festival de BD de Beja, que começa precisamente esta noite e dura até 12 de Junho. Como sempre, o primeiro fim-de-semana é o mais importante, pois é aquele em que estão todos os autores convidados, entre portugueses e estrangeiros. É também a altura dos lançamentos e apresentações de livros e de programas editoriais.
Eu, para além de estar por lá durante o fim-de-semana, a conviver e a aproveitar a gastronomia e os vinhos alentejanos, vou também estar à conversa com dois autores de que gosto particularmente. Edmond Baudoin, no sábado, entre as 17h e as 17h30m, e Eduardo Risso, entre as 21h e as 21h30m. Neste caso, para os resistentes que preferirem ouvir falar de BD a ver a Final da Champions.
O Programa completo do Festival, organizado com a simpatia e eficácia do costume por Paulo Monteiro e a sua equipa, que este ano troca a Casa da Cultura, pelo Teatro Pax Júlia, bem no centro histórico, pode ser consultado aqui. Mas há desde logo destaques que se impõem, como a exposição e o lançamento dos Vampiros de Filipe Melo e Juan Cavia e as presenças de Paco Roca, um dos mais interessantes autores espanhóis da actualidade, que se estreia num Festival português, Eduardo Risso, Edmond Baudoin, Henrique Magalhães e Marcelo D' Salete, entre os autores estrangeiros
Quanto a mim, se o tempo o permitir, conto aqui deixar um punhado de imagens de mais uma edição do mais simpático  Festival de BD nacional.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Os Vampiros - Texto de antevisão para o blog galego Metrópoles Delirantes


Este ano, a propósito do Dia das Letras Galegas, o blog galego Metrópoles Delirantes convidou uma série de críticos de BD a escolherem um livro para destacar no Blog. Este ano, para além dos críticos e bloguers galegos, o convite foi estendido a dois críticos portugueses.
O Pedro Cleto, que escreveu sobre O Poema Morre, de David Soares e Sandra Oliveira, e eu, que escrevi sobre Os Vampiros, o novo livro de Filipe Melo e Juan Cavia, que vai ser lançado no sábado no Festival de BD de Beja.
Com um limite bastante rígido de 200 palavras, o texto que podem ler a seguir é apenas uma primeira abordagem , sem spoilers , a um livro cujo processo acompanhei de perto e que merece um destaque bem maior, pelo que voltarei a ele depois do Festival de Beja.
Aqui fica o texto escrito para as Metrópoles Delirantes:

Os Vampiros, de Filipe Melo e Juan Cavia

Conhecidos graças à série Dog Mendonça e Pizzaboy, o maior sucesso da BD portuguesa dos últimos cinco anos, a dupla Filipe Melo e Juan Cavia regressa à Banda Desenhada com Os Vampiros, uma novela gráfica de grande fôlego que será lançada no final de Maio no Festival de BD de Beja.
Centrada no destino de um grupo de comandos portugueses destacados na Guiné, enviado para uma missão secreta no Senegal, que se revelará uma viagem ao coração das trevas, Os Vampiros é claramente um passo em frente no percurso dos dois autores. Apesar do título poder evocar o universo sobrenatural das aventuras de Dog Mendonça, essa evocação é enganadora.
Este livro é algo completamente diferente, onde o terror é agora sobretudo psicológico e tremendamente humano, sem o humor presente em Dog Mendonça. Se quisermos estabelecer um paralelo com o cinema, área em Filipe Melo também dá cartas (tal como Dog Mendonça, Os Vampiros também começou por ser um guião para cinema) podemos dizer que, se Dog Mendonça estava mais próximo de um Indiana Jones, ou das Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim, Os Vampiros é o Platoon, ou talvez até mais, o Apocalipse Now de Melo e Cavia.
Uma obra tremendamente ambiciosa e perturbadora, sobre o horror da guerra e os demónios que existem dentro de cada homem, muitíssimo bem contada e maravilhosamente desenhada por um Juan Cavia que se revela igualmente um colorista de excepção. O ano ainda agora vai a meio, mas não tenho grandes dúvidas que Os Vampiros é a melhor BD portuguesa de 2016.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A última aventura de Dog Mendonça?


Lançado durante o último Festival da Amadora, com o mais que previsível sucesso comercial a ser confirmado pela tournée nacional que se seguiu e que passou também pela Livraria Dr. Kartoon, “Requiem”, o 3º volume das aventuras de Dog Mendonça, está desde o final do ano nas livrarias de todo o país, isto se a primeira edição não tiver esgotado entretanto…
Indiscutivelmente a mais popular criação da BD portuguesa das últimas décadas, o carismático detective/lobisomem criado por Filipe Melo, tem desta vez de defrontar um inimigo oriundo do seu passado, ao mesmo tempo que se confronta com um adversário muito mais concreto e difícil de vencer, o sistema fiscal português.Com efeito, embora a temática fantástica seja dominante, o nosso herói não escapa à crise bem real que nos oprime. Muito menos ao longo braço do Ministério das Finanças, vendo a sua mansão confiscada por fuga ao fisco e sendo despejado do seu escritório por não ter pago o IMI…

É pois um Dog Mendonça transformado em sem-abrigo, que vai ter de apelar à caridade do seu amigo Eurico, o Pizza Boy, que vai ter que o alojar a ele e à Pazuul, o que permite uma divertida homenagem ao filme “The Big Lebowsky”, dos irmãos Coen. No que já é uma imagem de marca da série, as piscadelas de olho ao cinema e à Banda Desenhada não se ficam por aí, havendo referências, mais ou menos óbvias, ao “Kill Bill” de Tarantino, ao “Marte Ataca” de Tim Burton (numa sequência em que o Dr. Aranha faz ao Primeiro Ministro, Passos Coelho o mesmo que muitos portugueses lhe gostariam de fazer…) ao filme “Iron Sky” e ao “Sin City” de Frank Miller, embora a sequência inicial do filme dentro do livro, que nos mostra o primeiro encontro de Dog Mendonça com Pazuul, se cole, não ao traço de Frank Miller, mas ao do mestre argentino Domingo “Cacho” Mandrafina, colaborador habitual do saudoso Carlos Trillo. O que tem a sua lógica, tendo em conta que Juan Cavia e Santiago Villa, os responsáveis pela parte gráfica de Dog Mendonça, são argentinos.
Com um tom mais sombrio do que os volumes anteriores, em que são patentes os sinais de um ciclo que se fecha, este “Requiem” concilia essa dimensão mais melancólica, com momentos de humor e cenas de acção espectaculares. Isto para além de continuar a explorar muito bem os cenários de Lisboa e arredores, com o poço iniciático da Quinta da Regaleira, em Sintra, a ver finalmente exploradas todas as suas extraordinárias potencialidades cenográficas.
Em termos gráficos, são cada vez mais evidentes os progressos, tanto no traço de Juan Cavia, como nas cores de Santiago Villa, que assinam algumas páginas verdadeiramente espectaculares, desta vez acompanhada por uma impressão finalmente à altura da altíssima qualidade de produção deste trabalho que, não sendo para mim a melhor história de Dog Mendonça (continuo a preferir os episódios publicados na revista Dark Horse Presents) não deixa de ser uma história muito bem construída e um final perfeitamente adequado para a aventura iniciada no primeiro álbum.

É importante referir ainda a muito bem orquestrada campanha de divulgação, aproveitando o dinheiro angariado numa muito frutuosa campanha de crownd funding, que provou, se dúvidas ainda houvesse, a popularidade do projecto. Uma campanha que incluiu um vídeo de um falso noticiário no You Tube que rapidamente se tornou viral e provocou alguma controvérsia (desajustada) e que ajudou a dar ainda maior visibilidade à mais popular série da BD nacional que, ao que tudo indica, agora chega ao fim.
Embora, como todos sabemos, na BD e do cinema, o regresso dos heróis, mesmo dos que estão mortos, é sempre uma possibilidade em aberto, Filipe Melo e os seus amigos argentinos consideram que a história de Dog Mendonça já está contada. Esperemos que descubram rapidamente outras histórias para contar, com ou sem Dog Mendonça, pois como já tive ocasião de escrever neste mesmo espaço: “pelo entusiasmo contagiante que trouxe a este projecto e por ter provado que é possível fazer BD comercial de qualidade no nosso país, Filipe Melo foi, muito provavelmente, das melhores coisas que aconteceram à BD portuguesa nos últimos anos!”.
(As extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy III: Requiem”, de Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa,, Tinta da China, 112 pags, 16,90 €)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 11/01/2014

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL!


Este Natal, escolhi como postal para o tradicional post natalício, esta imagem da mais popular e divertida trilogia da BD portuguesa, As Aventuras de Dog Mendonça, desenhadas por Juan Cavia e Santiago Villa e escritas pelo meu amigo Filipe Melo, de cujo Facebook pirateei esta imagem. Para todos os visitantes deste blog, aqui ficam os meus votos de um Feliz Natal e de um ano de 2014 melhor do que este!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Sábado, eles vão estar no Dr. Kartoon!


Como não podia deixar de ser, a Livraria Dr. Kartoon é um ponto de passagem obrigatório da tournée de lançamento do 3º volume da série Dog Mendonça, que Filipe Melo e sus muchachos, andam a fazer pelo país.
Assim, no sábado, 16 de Novembro, a partir das 18h30m, lá vos esperamos na Dr. Kartoon. para dois dedos de conversa e um autógrafo, com o Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa. Para o pessoal que fôr de Lisboa, fica o encontro marcado para o dia seguinte, no Fórum Fantástico, a decorrer desde esta sexta-feira, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras. Apareçam!.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Dog Mendonça: capa da edição americana e novo trailler - ACTUALIZADO

Julgo que não será grande novidade que o 1º volume das aventuras de Dog Mendonça, de Filipe Melo e Juan Cavia vai ser editado nos EUA pela Dark horse em 2012. O que é novidade é a capa da edição americana, que vai ser lançada em 23 de Maio de 2012. A capa, que vai ser usada também na edição brasileira da Devir, a editar em Setembro de 2012, começou a ser pensada em minha casa, depois das sessões de autógrafos que Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa deram em Coimbra no dia 9 de Novembro, pelo que é com especial prazer que aqui divulgo a versão final.
Também já está on-line o trailler que João Alves, o premiado realizador de Bats on the Bellfry, criou para o 2º volume da série e que conta com Nicolau Breyner (que esteve para fazer de Dog Mendonça quando Filipe Melo ainda pensava contar a história em filme) a dar finalmente a voz a Dog Mendonça, num divertido vídeo, que deve ser visto até ao fim (a não ser que se goste de tunas..)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dia 9, pelas 18h30m, eles vão estar na Dr Kartoon

Tal como aconteceu com o lançamento do 1º volume, Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa regressam à Livraria Dr Kartoon para uma sessão de autógrafos e lançamento do 2º volume das Aventuras de dog Mendonça e Pizzaboy. Se estiverem por Coimbra, apareçam! Vai ser uma tarde bem passada.
No dia seguinte, às 11h da manhã, os autores de Dog Mendonça vão estar em Guimarães, na ESAP, para uma aula/conferência dirigida aos alunos da Licenciatura de Banda Desenhada e Ilustração, mas aberta ao público em geral, interessado em perceber como se faz BD.