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segunda-feira, 18 de março de 2019

Um Punhado de Imagens do Coimbra BD 2019

Uma semana após o final do evento, aqui vos deixo um punhado de imagens desta quarta edição do Coimbra BD, um Festival que, apesar das limitações de orçamento e de espaço, tem sabido crescer paulatinamente e atrair cada vez mais público. Publico esse quem pelo que ouvi e  tenho lido, saiu satisfeito. Para isso muito contribuíram os convidados, tantos os portugueses como os estrangeiros. Desde a mostra colectiva dedicada às Mulheres na BD Contemporânea Nacional, à mostra de Daniel Henriques, que não pôde estar presente mas foi (bem) substituído por Jorge Coelho,  e do livro Segredos de Loulé, até à revelação de Fábio Veras, cujo trabalho surpreendeu os autores estrangeiros presentes.
Falando dos estrangeiros, Etienne Schréder, que expôs pela terceira vez em Coimbra, confirmou a sua ligação à nossa cidade, enquanto Fabio Celoni, depois de uma passagem relâmpago pelo Festival de Beja em 2018, confirmou em Coimbra toda a sua enorme simpatia, ao nível do seu imenso talento. Em conversa com amigos, comentámos que temos tido imensa sorte com os convidados estrangeiros do Coimbra BD e este ano não foi excepção. 
Também em termos comerciais, o Coimbra BD correu muito bem, pois havia novidades editoriais ligadas às exposições e, quem descobria o trabalho dos autores nas exposições, podia comprar os livros deles na área comercial. Algo lógico, mas que, por exemplo nas últimas edições do Amadora BD não tem acontecido...
Outro evento bem sucedido, foi a participação do Salão 40, com a sempre concorrida sessão de desenho ao vivo com modelo ao vivo, a que este ano se juntou uma pequena, mas bem conseguida exposição de trabalhos realizados noutras actividades do Salão. Finalmente, outro momento alto foi a sessão de cinema, com as curtas-metragens realizadas por Filipe Melo e Paulo Monteiro, a que se seguiu uma interessante conversa, moderada por Bruno Caetano. Também as conversas, este ano em menor número para não sobrecarregar o programa, foram bastante concorridas
Uma das novidades desta edição foi a extensão do MOTELX, integrada no Coimbra BD, mas num local diferente, o Convento de São Francisco, o que dificultou a vida a quem quis acompanhar as actividades nos dois espaços... Vamos a ver se em futuras edições, esta sobreposição se mantém, ou se o MOTELX Coimbra ganha um calendário autónomo.
Das diversas referências que li ao Coimbra BD 2019, a mais certeira foi a do Pedro Cleto no seu blog, que podem ler aqui. Mas antes disso, vejam algumas fotografias da Sónia Lopes, a nossa assistente de produção, tirou neste Coimbra BD.
 


Imagens da zona comercial

As concorridas sessões de autógrafos
As exposições
Outros momentos do Coimbra BD

sábado, 24 de novembro de 2012

Danças com Zombies


Depois de Osvaldo Medina, com “A Fórmula da Felicidade” a Kingpin dá a descobrir mais um grande desenhador, oriundo do meio da animação, a talentosa Joana Afonso que assina aqui o seu primeiro projecto de grande fôlego na BD, em colaboração com Nuno Duarte, no argumento.

Ambientado no Portugal salazarista dos anos 60, “O Baile” acompanha a investigação de um agente da PIDE, o inspector Rui Brás, numa aldeia de pescadores perto da Nazaré, onde os mortos voltam do mar para levar consigo os vivos. Ou seja, estamos perante um conto de terror, com laivos de policial, com zombies, onde, como bem salienta Filipe Melo no prefácio, são visíveis as influências do filme “The Wicker Man” e do “Dagon”, de Lovecraft, mas que ganha um toque de portugalidade e originalidade, ao transpor a acção para o Portugal do Estado Novo.
Argumentista experiente de televisão e membro das produções Fictícias, Nuno Duarte mostra mais uma vez que sabe contar uma história em Banda Desenhada, com grande eficácia e personagens com substância, algo que “A Fórmula de Felicidade” já tinha deixado perceber. Mas o trunfo maior deste livro é a arte de Joana Afonso. Extremamente personalizados e com um toque caricatural (vejam-se os narizes à Pinóquio), os desenhos de Joana Afonso, “primeiro estranham-se e depois entranham-se”, como diria o Poeta. Neste caso, a sua arte ajuda e muito à criação de uma atmosfera surreal e de um clima de tensão, que explode em momentos de puro terror. Com uma paleta dominante de tons de terra, algo inesperada numa história em que o mar tem grande importância, Joana Afonso, revela-se para além de uma grande desenhadora e narradora, uma excelente colorista.
Em suma, uma bela estreia, de uma desenhadora cujo currículo na BD se limitava a duas ou três histórias curtas na revista Zona, numa história interessante e bem contada (e não há assim tantas quanto isso no panorama rarefeito da BD nacional), que nos faz aguardar com ansiedade pelos novos projectos destes dois criadores a seguir com atenção. (“O Baile”, de Nuno Duarte e Joana Afonso, Kingpin Books, 49 pags, 10,99 €)
Versão integral do texto publicado no Diàrio As Beiras de 23/11/2012