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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Je Suis Charlie

É a notícia do dia, o ataque à sede do jornal satírico francês Charlie Hebdo, esta manhã em Paris, que provocou 12 mortos, entre os quais Charb, o director do jornal e os cartoonistas Cabu, Tignoux e Wolinski, decano da caricatura francesa e Grande Prémio de Angoulême em 2005. As paródias que o jornal e os seus cartoonistas faziam com todas as religiões valeram-lhes vários processos e um atentado à bomba em 2011, como represália de terem publicado em França as caricaturas de Maomé. Mas hoje os extremistas religiosos foram ainda mais longe e dois ou três homens armados entraram no jornal e abateram a sangue frio 10 jornalistas e cartoonistas e dois polícias, tendo provocado mais de uma dezena de feridos.
Não vai ser fácil ao Charlie Hebdo, privado do seu director e dos seus principais ilustradores, sobreviver a este duro golpe, mas é importante que o faça em nome da liberdade de expressão e para mostrar ao mundo que o terror desta vez não venceu. E a verdade é que neste momento, todos somos Charlie Hebdo, como o demonstram este punhado de cartoons feitos por autores de Banda Desenhada, que escolhi entre as várias dezenas que circulam na Net, demonstrando a solidariedade da classe artística para com estes mártires da liberdade de expressão.

                                                             Zep

                                             Geluck

                                              Boulet

                                                        Baudoin

                                             Joann Sfar

                                              Falcato

                                               Benjamin Lacombe

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Happy Sex, de Zep


Depois de ter publicado em português quatro álbuns da série “Titeuf”, a Asa dá a descobrir uma faceta mais adulta de Zep, o seu criador, com "Happy Sex", um álbum de histórias de uma a duas páginas, com o sexo como tema central, um pouco na linha do que o autor já tinha feito com a música rock e pop no álbum “O Inferno dos Concertos”, mas desta vez com um tema muito mais abrangente e universal.
Nascido Philippe Chappuis em 1967, Zep escolheu o seu nome artístico a partir do grupo Led Zeppelin e iniciou-se na BD em 1985 na revista “Spirou”, depois de ter frequentado a Escola de Artes Decorativas de Genebra. Zep é conhecido sobretudo como o criador de "Titeuf", a popular série infantil que, em 10 anos e 9 álbuns, passou da mera promessa para um sucesso espectacular, sustentado pela popularidade de Titeuf junto do público infantil, que naturalmente foi reforçada com a série de animação inspirada na BD, que já passou na RTP. Mas, por mais que a televisão “puxe” pela série, só isso não chega para explicar uma tiragem de um milhão e quinhentos mil exemplares, rapidamente esgotados, tal como a 2ª edição de 100 mil, alcançada por “La Loi du Préau”, o 9º álbum da série.
Daí que se possa pensar que a principal razão para o fenómeno “Titeuf” resida na capacidade de Zep de captar de forma hilariante o mundo infantil, conseguindo chegar da mesma forma aos leitores de 8 a 12 anos, como Titeuf e ao público adulto, que ainda não perdeu o sentido de humor, abordando com grande humor e sensibilidade, temas como a deficiência, o racismo, o desemprego, ou o sexo.
Neste álbum, destinado a um público (naturalmente) mais adulto do que os leitores habituais de Titeuf, o sexo volta a estar bem presente, mas aqui, as personagens, em vez de imaginarem como será, como acontecia com Titeuf e os seus colegas, praticam-no sem grandes tabús. Ou seja, pegando no título de um álbum especial de Titeuf, que a Asa também editou em Portugal, em vez de um "Guia Sexual da Malta Nova", temos um guia sexual para adultos heterossexuais com sentido de humor.
Apesar do conteúdo muito explícito, o grafismo caricatural e delicado de Zep, permite tratar de forma divertida e que não choca, situações que retratadas num estilo mais realista, seriam bastante mais difíceis de aceitar. Muito mais do que excitar o leitor, Zep quer diverti-lo e "Happy Sex" (que devia chamar-se antes "Funny Sex", pois muitas das situações descritas não têm nada de alegre para os protagonistas e é precisamente aí que reside a piada) consegue-o plenamente e de forma brilhante!
(“Happy Sex”, de Zep, Edições Asa, 64 pags, 17,11 €)
Versão integral do texto publicado no "Diário As Beiras" de 11/09/2010