Depois de ter reeditado os primeiros álbuns com jornal Público a editora Asa regressa à série Alix com a edição de “O Ibero”, vigésimo sexto título da série e um dos álbuns produzidos já depois da morte de Jacques Martin, embora tendo por base uma sinopse do criador de Alix, que deixou vários argumentos escritos para que os desenhadores possam continuar as séries após a sua morte, que ocorreu em Janeiro de 2010.
Narrando as aventuras de um jovem gaulês adoptado por Roma, Alix foi uma das séries fundadoras da revista Tintin Belga, em 1948, tendo sido abundantemente publicada em Portugal na versão portuguesa da revista “Tintin” e em álbum pelas Edições 70 que, durante os anos 80, lançaram 19 títulos da série em pouco menos de 10 anos, cabendo à Asa, pegar no facho a partir de 2002, primeiro de forma pouco consequente, reeditando alguns volumes de forma mais ou menos alietória, ao sabor das co-edições. Isso parece estar a mudar recentemente, pois, para além de ter reeditado os primeiros 16 álbuns da série, numa edição conjunta com o Jornal Público, em meados de 2010, em finais de 2011, chega às livrarias este “O Ibero”, em que uma equipa constituída por Christophe Simon, François Maingoval e Patrick Weber, dá continuidade às aventuras do jovem gaulês protegido de Júlio César.
Misturando a intriga política com elementos dramáticos que vão conduzir a uma tragédia, “O Ibero” está ao nível dos melhores álbuns escritos por Jacques Martin, que aliam o rigor documental a uma intriga complexa, em que os jogos de poder provocam sempre vítimas. Neste caso, Alix recebe de César uma propriedade na Hispania, para se instalar como um colono, embora o verdadeiro objectivo deste presente de César seja dar a Alix as condições de acompanhar no local os contactos entre as tropas de Pompeu e os chefes iberos, como Tarago, o ibero que dá nome ao livro, que tudo vai sacrificar (até a família) à causa do seu povo.
Em termos gráficos, a máquina revela-se bem oleada, embora a dimensão industrial esteja bem patente no facto de as cores terem sido feitas por cinco pessoas diferentes… Ainda assim, a dupla Cristophe Simon e Patrick Weber dá bem conta do recado, conseguindo um bom equilíbrio entre o rigor documental dos cenários e o dinamismo das cenas de acção. A nível do tratamento das feições das personagens nota-se um afastamento da estética imposta por Jacques Martin, mesmo assim, menos evidente do que em “La Cité Engloutie”, o álbum seguinte da série (ainda inédito em português), em que o desenho é assegurado apenas por Patrick Weber.
(“Alix: O Ibero”, de Jacques Martin, Simon, Maingoval e Weber, Edições Asa, 48 pags, 12,90 €)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 18/02/2012
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sábado, 18 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 22 de março de 2010
Asa e Público Recuperam as Primeiras Aventuras de Alix

Depois de "Os Passageiros do Vento" a Asa e o jornal "Público recuperam mais um clássico da Banda Desenhada franco belga, a série "Alix" de Jacques Martin. Uma série de que a Asa já tinha publicado 4 álbuns, mas que, só agora, passados quase vinte anos depois da publicação pelas Edições 70, que, durante os anos 80, lançaram 19 títulos da série, volta a ter os primeiros volumes novamente disponíveis em português.
E são precisamente os álbuns já editados pelas Edições 70, alguns dos quais já tinham saído antes na versão portuguesa da revista “Tintin”, que vão ser distribuídos com o jornal “Público”. Ou seja, com a excepção de “O Príncipe do Nilo” e “O Filho de Espártaco”, já editados pela Asa de forma autónoma, estão nesta colecção todos os álbuns escritos e desenhados por Jacques Martin entre 1948 e 1988, antes deste, afectado por graves problemas de visão, passar inteiramente o desenho da série para as mãos dos seus assistentes, como Rafael Morales, ou Cristophe Simon.
Publicado originalmente no "Tintin" belga, em 1949, "Alix, o Intrépido" mostra um Jacques Martin ainda a apalpar terreno, à medida que vai estabelecendo as bases da série. Não só em termos gráficos, com a estrutura demasiado carregada de 4 tiras por página a dar lugar nos álbuns posteriores a uma planificação mais arejada, mas sobretudo em termos do argumento, que Martin confessa que foi inventando à medida que a história ia sendo publicada.

Uma das influências perceptíveis (e assumida por Martin) é a do livro "Ben Hur", de Lewis Wallace, onde Martin foi buscar a cena inicial em que Alix, ao apoiar-se num muro faz cair um pedra sobre um general romano, cujo nome "Marsalla" evoca imediatamente o de "Messala", um dos personagens principais de Ben Hur... Se a isso juntarmos a cena da corrida de quadrigas, também decalcada de Ben Hur, percebemos o peso que o romance de Wallace, que o filme de 1959 com Charlton Heston imortalizou, teve nesta primeira aventura de Alix.
Outro aspecto interessante deste álbum, em que Enak, o eterno companheiro de Alix, não está ainda presente, é a personagem ambígua de Arbacés, um indivíduo tão pérfido como inteligente, que não esconde o seu fascínio por Alix e que vai adquirir uma tal popularidade junto dos leitores que o próprio Martin, se vê obrigado a matá-lo no final de “A Ilha Maldita”, 3º álbum da série, para que ele não roubasse o protagonismo a Alix.

Paradigma da BD histórica bem escrita e desenhada e melhor documentada, a série “Alix” merece ser descoberta por quem se interessa pela história da Antiguidade, tanto mais que alguns destes álbuns, como “As Legiões Perdidas”, O Espectro de Cartago”, ou “Iorix, o Grande”, são excelentes. Só resta saber se, para além dos leitores que cresceram com a revista “Tintin” e que provavelmente já terão a edição anterior das Edições 70, haverá, entre as novas gerações, leitores suficientes para garantir o sucesso desta nova colecção Público/Asa…
("Alix, o Intrépido”, de Jacques Martin, Edições Asa/Público, 64 pags, 4,95 €
Todas as quartas-feiras, de 17 de Março a 30 de Junho de 2010, em venda conjunta com o jornal "Público")
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 20/03/2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Jacques Martin, morreu o criador de Alix

Depois de Tibet no dia 3 este primeiro mês de 2010 vê também partir Jacques Martin, o criador de Alix e Lefranc, falecido esta quinta-feira, 21 de Janeiro, numa clínica suíça, aos 88 anos de idade. Último sobrevivente da chamada “escola de Bruxelas”, ligada à revista “Tintin” onde esteve desde a primeira hora, ao lado de Hergé e Edgar Pierre Jacobs, Jacques Martin que, tal como Jacobs também trabalhou nos estúdios Hergé, é considerado como o grande mestre da Banda Desenhada histórica, género a que consagrou a maioria da sua produção, com a excepção de Lefranc, um jornalista aventureiro cujas aventuras com um toque de fantástico e de ficção científica, passadas nos anos 50, se aproximavam (até no carisma do mau da fita, Axel Borg) da série “Blake e Mortimer”, de Jacobs.
Nascido em Estrasburgo, em 1921, Martin estreou-se na Banda Desenhada em 1946 na revista belga “Bravo”, por onde também passou Jacobs, a quem se juntaria mais tarde na revista “Tintin”, em cujas páginas nasceu Alix, um jovem gaulês adoptado pelos romanos que, ao lado do seu amigo Enak, um órfão de origem egípcia, percorre o Império romano, na época de Júlio César. Paradigma da ficção histórica cuidadosamente documentada, a série “Alix” rapidamente conquistou os leitores, abrindo caminho a uma carreira de sucesso, que contou com mais de 15 milhões de álbuns vendidos ao longo de 60 e poucos anos de actividade.

Para além de Alix e Lefranc, Martin criou vários outros heróis, cujas aventuras decorriam em épocas históricas concretas, personagens cujas histórias apenas escrevia deixando o desenho para outros autores. É o caso de Jhen, cujas aventuras decorrem durante a Guerra dos Cem anos, desenhado por Jean Pleyers; de Arno, contemporâneo das guerras napoleónicas, cujos primeiros álbuns foram desenhados por André Juillard; das séries “Orion” e “Keos”, ambientadas respectivamente na Grécia antiga e no Egipto faraónico; e da série “Lois”, desenhada por Olivier Pâques, passada na França de Luís XIV.
Jacques Martin, que progressivamente se foi afirmando mais como argumentista do que desenhador (além das séries que criou, escreveu ainda um episódio de Corentin, de Paul Cuvelier, que este não chegou a desenhar e que Martin adaptaria para o álbum de Alix, “Les proies du volcan”) acabaria por abandonar de vez o desenho nos finais dos anos 80, na sequência de sérios problemas de visão que o deixaram quase cego.
Coube então a uma equipa de colaboradores, como Gilles Chaillet, Rafael Moralles, Christophe Simon, André Taymans, ou Thierry Cayman, assegurar o desenho das séries criadas por Martin, com resultados relativamente desiguais. Actualmente, Martin apenas supervisionava as séries, que já nem sequer escrevia e que, por isso lhe irão naturalmente sobreviver, como era sua vontade.
Em Portugal, “Alix” foi presença constante nas páginas da edição nacional da revista Tintin, tendo as Edições 70 editado mais de uma dezena de álbuns da série, durante as décadas de 70 e 80. Posteriormente a Asa reeditou alguns desses álbuns ao mesmo tempo que editou outros (poucos) títulos mais recentes, mas a grande maioria da série não está actualmente disponível em português, situação que se deverá alterar com a colecção que as Edições Asa vão lançar em Março com o jornal Público e que inclui 16 álbuns de “Alix”, escritos e desenhados por Jacques Martin.
Texto originalmente publicado no Diário as Beiras de 23/01/2010
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