Mostrar mensagens com a etiqueta José Carlos Fernandes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Carlos Fernandes. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Desvendando os Segredos de Loulé

Agora que já foi oficialmente divulgado, posso finalmente falar sobre este projecto que me deu grande gozo - mas também bastante stress - fazer. Uma segunda incursão, minha e do João Ramalho pela BD histórica - a primeira tinha sido A Revolução Interior: à Procura do 25 de Abril, em que tivemos o privilégio de ter o José Carlos Fernandes a ilustrar um argumento nosso - em que, ao lado do André Caetano, procurámos ter uma abordagem diferente a um género com grande tradição na BD portuguesa, como é a Banda Desenhada histórica, optando por um registo menos habitual de ficção científica e  por nos apoiarmos nos diálogos em vez da narração “em off”, como é costume nas obras desta temática. A excepção, assumida, é a parte dedicada à lenda da Moura Cássima, que homenageia a BD histórica clássica e autores como Eduardo Teixeira Coelho e Artur Correia, uma história dentro da História em que o André ensaiou um registo gráfico diferente, que ficou muito giro.
Como referi na nota de imprensa distribuída pela G Floy, este projecto nasceu de um convite do Presidente da Câmara Municipal de Loulé, por sugestão de José Carlos Fernandes – que se não estivesse retirado da BD seria a escolha óbvia e natural para fazer este livro – para fazermos uma história de Loulé em Banda Desenhada. Esse convite foi feito em finais de Janeiro de 2016, estava eu em França no Festival de Angoulême e, logo ali contactei o João Ramalho Santos, meu parceiro habitual nestas ocasionais incursões pela escrita de Banda Desenhada e ambos pensámos no André Caetano, um desenhador também de Coimbra, como nós, com quem o João Ramalho já tinha trabalhado em Uma Aventura Estaminal, um livro sobre as células estaminais, produzido pelo Centro de Neurociências e distribuído com o jornal Público.
O ponto de partida da história também nasceu logo ali, na viagem de regresso a Portugal, quando o Luís Taklin - um antigo aluno meu do Mestrado da ESAP em Guimarães, que se tornou um bom amigo - que viajava comigo, me falou das Minas de Sal de Loulé e de como locais como esse tinham sido usados nos Estados Unidos para armazenar arquivos.
Se o processo inicial foi extremamente rápido, já o desenvolvimento e execução foi bastante mais lento do que o previsto, o que fez com que, só quase três anos depois, o livro veja finalmente a luz do dia. Mas esses atrasos, para os quais a Câmara de Loulé teve a maior compreensão, acabaram por beneficiar o produto final, pois assim a informação revelada pela exposição Loulé: Territórios, memórias, identidades, que inaugurou em 2017 no Museu Nacional de Arqueologia, pode ser incorporada no livro.
Um dos desafios deste livro foi harmonizar os desenhos de André Caetano com as imagens reais da história de Loulé, seja objectos como o Foral de Loulé, ou usar o padrão dos mosaicos encontrados no Cerro da Vila, em Vilamoura como moldura das páginas dedicadas ao período romano, até fotografias de jornais  da época. Não faltam também as referências à BD, seja através das  Bandas Desenhadas que antes de Os Segredos de Loulé, destacaram a região de Loulé e as suas figuras históricas, como Mendes Cabeçadas, seja em homenagens mais ou menos evidentes, em termos de desenho e planificação, a autores como Hergé, Sergio Toppi e Alberto Breccia, que caberá ao leitor descobrir.
O livro que será apresentado oficialmente no AmadoraBD no sábado, dia 10 de Novembro, pelas 16h30m, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, estará à venda no Festival a partir de dia 1 de Novembro e terá distribuição comercial pela G Floy, além de uma versão em inglês, o que só foi possível devido à forma entusiástica como a Câmara Municipal de Loulé correspondeu à nossa vontade de fazer com que este livro chegasse também aos fãs da Banda Desenhada.
Ainda este ano haverá certamente uma apresentação oficial em Loulé em data a anunciar, mas para 2019 já está prevista uma exposição de Os Segredos de Loulé, de que darei mais pormenores  brevemente.
Até lá, fica o convite para aparecerem no AmadoraBD e embarcarem com os Verificadores nesta viagem à descoberta de Os Segredos de Loulé.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Lembrando Carlos Paredes, 10 anos depois


Passam hoje exactamente 10 anos sobre o falecimento de Carlos Paredes, artista genial e verdadeiro mago da guitarra. Para evocar a data, lembrei-me de recuperar um punhado de imagens do livro Movimentos Perpétuos: BD para Carlos Paredes, lançado em 2004 com o jornal Público e que reúne grandes nomes da BD e da literatura nacionais. a colaborarem em histórias curtas de homenagem a Paredes.
Assim, o escritor de canções Sérgio Godinho escreveu uma história para Daniel Lima ilustrar, Gonçalo M. Tavares assinou um argumento para o traço único de João Fazenda, Adolfo Luxuria Canibal assina um conto ilustrado por Carlos Zíngaro, José Viale Moutinho junta-se a José Manuel Saraiva e Mário de Carvalho assina o argumento para uma BD de Nuno Saraiva.
As únicas excepções à regra de juntar um escritor a um autor de BD, são um cartoon de Luís Afonso e Variações em Sal, a BD de José Carlos Fernandes que podem ler a seguir. Uma belíssima história que, agora que o criador da Pior Banda do Mundo abandonou a Banda Desenhada, faz ainda mais sentido recuperar. Escusado será dizer que para ver melhor as imagens e ler a história, basta clickar nelas...











segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Exposição de José Carlos Fernandes em Angoulême


Chegou ao fim este dia 2 de Janeiro a exposição dedicada ao autor português que desde 19 de Outubro ocupava o piso 1 do edificio Castro, o antigo Centre National de la Bande Dessinée et de l'Image, actualmente integrado no conjunto museológico da Cité Internationale de la Bande Dessinée. Se a Livraria e a exposição permanente estão no novo edifício do Musée de la Bande Dessinée, na outra margem do rio Charente, inaugurado durante a edição de 2010 do Festival de Angoulême, a Biblioteca e a galeria de exposições temporárias mantém-se no edifício antigo que durante muitos anos acolheu as principais exposições do Festival.

E foi ai que, pela primeira vez, um autor português teve direito a uma exposição individual em Angoulême. Em termos colectivos, houve mais presenças portuguesas, começando logo em 1998, ano em que Portugal foi país convidado, embora dessa vez a exposição tenha sido deslocada para um espaço mais periférico. Também a mostra principal do Festival de Angoulême de 2010, "Cent Pour Cent", contou com a presença dos portugueses Filipe Abranches, Luís Henriques e António Jorge Gonçalves, conforme podem ver aqui, mas integrando um colectivo de autores dos 4 cantos do mundo.
O caso de José Carlos Fernandes é diferente e só foi possível por a série "A Pior Banda do Mundo" estar editada em França pela Cambourakis, com óptimo acolhimento da crítica, tendo o 2º volume sido incluído na lista das 50 melhores BDs publicadas em França, divulgada pela ACBD (a Associação dos Críticos de BD franceses) no seu relatório anual, e resultados comerciais suficientemente interessantes para que a editora tenha lançado o segundo volume por ocasião da inauguração da exposição, tendo José Carlos Fernandes aproveitado a deslocação a França para a inauguração da exposição, para dar algumas sessões de autógrafos em livrarias de Paris. Aliás, 2 meses depois de ter sido editado, o livro encontra-se com facilidade nas livrarias francesas, o que, face à quantidade de novidades que saem todos os meses em França, não é pequena proeza. Além da excelente livraria do Museu da BD de Angoulême(obviamente), encontrei-o facilmente na secção de BD da FNAC do Fórum des Halles e, em maior destaque, na Livraria Super Herós, em Paris.

Mas falemos da exposição, que tive ocasião de visitar numas curtas férias em França, em Dezembro, e que tem por base a exposição "Intuições", organizada pelo CNBDI da Amadora (actualmente o único parceiro internacional credível em termos da BD nacional, face ao apagamento da Bedeteca de Lisboa). Actualizada e rebaptizada "Areias Movediças", a exposição, possível graças aos esforços conjuntos do Instituto Camões, do Museu de Angoulême e do CNBDI da Amadora, centra-se nos trabalhos de JCF publicados (ou a publicar) em álbum deste 1997, excluindo os trabalhos da fase inicial.Embora estivessem previstos entrar na exposição, os trabalhos institucionais incluídos num núcleo sintomaticamente intitulado "Como Pagar as Contas", acabaram por ficar de fora da mostra apresentada em Angoulême, tal como de fora ficaram os textos que José Carlos Fernandes escreveu para acompanhar cada núcleo e que não chegaram a tempo de serem traduzidos... Assim, além de um curto texto introdutório, a única informação era das legendas que acompanhavam cada prancha e que, tirando algum excesso de zelo, como traduzir o nome da editora Tinta da China, estavam correctas.

Com um natural peso maior na série "A Pior Banda do Mundo", a exposição tinha originais de "As Aventuras do Barão Wrangel", "O que está Escrito nas Estrelas", "A Última obra-prima de Aaron Slobodj", Cross Roads", "Pessoas que Usam Bonés com Hélice", "A Agência de Viagens Leming", "Black Box Stories e "Terra Incógnita". Estes 2 últimos títulos, com desenhos de Luís Henriques e Roberto Gomes (que desenhou o 2º volume das "Black Box Stories" que embora esteja pronto, nunca chegou a ser publicado por divergências entre JCF e a Devir).
Uma das razões que me levou a fazer a viagem entre Paris e Angoulême para ver a exposição, foi precisamente o núcleo dedicado a "Cross Roads", em que as imagens de José Carlos Fernandes aparecem associadas a textos meus e do João Ramalho Santos, tal como aconteceu com "A Revolução Interior", um trabalho institucional sobre o 25 de Abril em que o JCF ilustrou um argumento nosso e que estava no tal núcleo que ficou de fora. E confesso que me deu um certo prazer ver o meu nome nas legendas das ilustrações do "Cross Roads"...

Depois de Angoulême, há interesse em levar a exposição de José Carlos Fernandes a Paris,à Residência Maria Helena Vieira da Silva, mas ainda antes disso, JCF vai ter uma exposição dedicada à "Pior Banda do Mundo" no Centro Belga da BD em Bruxelas, que inaugura a 18 de Janeiro.
Se nos lembrarmos que José Carlos Fernandes é também um dos autores representados na mostra colectiva de BD portuguesa que inaugura já no próximo dia 10 de Janeiro, no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém, não há dúvida que José Carlos Fernandes está em alta. Não deixa é de ser irónico que isso aconteça numa altura em que o criador da Pior Banda do Mundo está praticamente afastado da BD...
E, para terminar deixo-vos algumas imagens do novo Museu da BD de Angoulême e da exposição de José Carlos Fernandes.

Estátua de Corto Maltese na ponte sobre o rio Charente que liga o velho ao novo Museu da BD

o novo Museu da BD de Angoulême

Pormenor da exposição permanente

Vista geral da exposição de José Carlos Fernandes

Originais de "A Pior Banda do Mundo"

Vista geral da mezzanine onde estava a segunda parte da exposição

Originais da "Agência de Viagens Leming"

Originais de Luís Henriques

Originais de Roberto Gomes