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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Y o Último Homem 8 - Dragões de Kimono

NO JAPÃO, À PROCURA DE AMPERSAND

Y, O último Homem
Vol. 8: Dragões de Kimono
Quinta-feira, 14 de Fevereiro
Argumento – Brian K. Vaughan
Desenhos – Goran Sudzuka e José Marzan, Jr.
Por + 12,90€
A publicação da série Y, o último Homem prossegue na próxima quinta-feira com o oitavo dos dez volumes que contam a história de Yorick Brown, o último homem sobre a Terra e do seu macaco Ampersand.
No volume anterior vimos como Hero, a irmã de Yorick entrou em contacto com Beth,  acabando por descobrir que esta estava grávida do seu irmão. Mas como o potencial filho do último homem, ao nascer acabou por  se revelar uma filha, ficamos ainda sem saber se os efeitos da epidemia que matou todos os machos portadores do cromossoma Y se mantém ou não activos.
Revelando-se um exímio gestor do suspense da intriga, Brian K Vaugham vai introduzindo pequenas revelações, ao mesmo tempo que cria novos mistérios, fazendo progredir a intriga do mesmo modo que deixa o leitor cada vez mais preso a uma história absolutamente viciante. Mesmo que a tentativa de Yorick encontrar a sua namorada - que entretanto tinha abandonado a Austrália e partido para Paris - em Sidney não tenha tido qualquer resultado prático em termos do evoluir da história principal, há outros elementos que vão adquirir uma importância fundamental em termos da história que Vaugham quer contar. Nesta fase quase final, em que a intriga se aproxima a passos largos de um desenlace, bem mais do que Yorick, é precisamente Ampersand que se revelar principal motor da história. Depois de, no final do volume anterior, ter conseguido escapar da guarda da misteriosa Ninja que o raptou, Ampersand o macaco que representa a última esperança de uma cura para a humanidade, está desaparecido no Japão, sendo procurado pelos principais intervenientes desta história que convergiram todos para o país do sol nascente onde Yorick e a agente 355 vão tentar resgatar Ampersand das mãos de uma antiga cantora de J Pop transformada em dona de um bordel controlado pela Yakuza, a Máfia japonesa.
É precisamente no Japão que se dá o encontro entre a Dra. Mann e a sua mãe, uma cientista cujas experiências estão na origem da epidemia. Um bom pretexto para Vaugham explorar as ligações entre Alison Mann e a sua mãe, através de uma série de flashbacks que dão a conhecer um pouco do passado da cientista e da forma como esse passado marcou a sua maneira de ser. Uma forma encontrada pelo Argumentista para humanizar ainda mais as personagens, ao mesmo tempo que cria uma motivação para o seu comportamento e aumenta a empatia do leitor com essa personagem.
Tal como já aconteceu com outras séries de culto da Vertigo, como Preacher, de Garth Ennis e Steve Dillon, também Y, o Último Homem vai ser transformada numa série de televisão, com uma primeira temporada já confirmada, depois do episódio piloto ter sido aprovado pelo canal de televisão FX, culminando assim um longo processo feito de avanços e recuos, que começou com um projecto de um filme protagonizado por Shia LaBeouf, até chegar ao formato - bastante mais adequado a uma história com o tamanho e a complexidade de Y o Último Homem - da série televisiva.
Se a primeira temporada da série da FX só tem estreia marcada para 2020, os leitores portugueses não terão de esperar tanto para conhecer o final das aventuras de Yorick, pois o Público e a Levoir vão editar ainda durante este ano de 2019, os dois volumes que faltam desta série espectacular.
Publicado originalmente no jornal Público de 09/0272019

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Y o Último Homem 7: Bonecas de Papel

(DES)ENCONTROS NA AUSTRÁLIA

Y, O último Homem
Vol. 7: Bonecas de Papel
Quinta-feira, 7 de Fevereiro
Argumento – Brian K. Vaughan
Desenhos – Pia Guerra, Goran Sudzuka e José Marzan, Jr.
Por + 12,90€
Depois de dois volumes publicados em 2017, a que se seguiram mais quatro volumes em 2018, a publicação da série Y, o Último Homem vai finalmente ficar concluída neste ano de 2019, com o lançamento dos quatro últimos volumes dedicados às aventuras de Yorick Brown, o último homem num mundo em todos os mamíferos portadores do cromossoma Y foram aniquilados por uma misteriosa praga. Este último ciclo de publicação inicia-se já na próxima quinta-feira, dia 7, com a publicação precisamente do volume 7, a que seguirá, uma semana depois, o volume 8, ficando a publicação dos dois volumes finais agendada lá mais para o final de 2019.
Como vimos nos volumes anteriores, depois de uma arriscada travessia do Pacífico, primeiro no The Whale, um navio cargueiro convertido para o tráfico de heroína, e depois num submarino na marinha australiana comandado pela Capitã Belleville, os nossos heróis prossegue a sua viagem em direcção ao Japão, na peugada da misteriosa mercenária japonesa que raptou Ampersand, o macaco-capuchinho de Yorick, cujo sangue pode conter o segredo para a cura da epidemia que apagou o género masculino da face da Terra.
Para além do núcleo duro da série, o grupo constituído por Yorick, pela agente secreta 355 e pela especialista em genética Dra. Allison Mann, a que se juntou Rose Copen, uma agente secreta da marinha australiana, infiltrada no The Whale, este volume assinala o regresso de velhas conhecidas dos leitores, como é o caso de Hero Brown, a irmã de Yorick, que se conseguiu libertar da influência nefasta das Filhas da Amazona, e de Beth, a única mulher a quem Yorick se entregou desde o começo da praga e que, não por acaso, tem o mesmo nome da namorada de Yorick, que estava na Austrália quando a pandemia começou.
E é precisamente, em Sidney, na Austrália, que o submarino da marinha australiana que vai levar o grupo para Yokogata, a terra natal da Dra. Mann, faz uma escala técnica. Uma paragem que se revela um pretexto irrecusável para Yorick, desafiando todas as regras de segurança e do bom senso, procurar a mulher da sua vida, mesmo que isso coloque em sério risco o segredo da existência do último homem.
Se o facto de se descobrir que existe um homem que sobreviveu à pandemia é um furo jornalístico sensacional, pelo qual muitos jornalistas seriam capazes de dar - ou tirar – a vida, a pressão da imprensa sensacionalista não é o único problema que aflige Yorick, como veremos neste volume. Um volume em que voltam os flash-backs, que dão a descobrir aos leitores aspectos importantes do passado da agente 355 e a forma como Ampersand entrou na vida de Yorick.
Em termos gráficos, o desenhos a lápis desde volume alterna entre Pia Guerra - a desenhadora principal e co-criadora, com Brian K. Vaugham, da série - e o croata Goran Sudzuka, que já tinha assegurado o desenho a lápis do volume anterior. Mas graças à mestria da passagem a tinta do veterano José Marzan, Jr., que assegurou a arte-final de toda a série, as mudanças de desenhador principal entre dois números, são apenas perceptíveis ao olhar dos leitores mais atentos.
Tal como Ampersand, também os restantes protagonistas desta série completamente viciante, chegam ao Japão. E é o país do sol nascente que vai servir de cenário ao próximo acto daquela que é uma das mais populares e mais prestigiadas séries incluídas no riquíssimo catálogo da editora Vertigo, que o Público e a Levoir têm vindo a dar a descobrir aos leitores portugueses.
Publicado originalmente no jornal Público de 02/02/2019

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Colecção Novela Gráfica IV 11 - O Último Recreio

UM MUNDO SEM ADULTOS

Novela Gráfica IV – Vol. 11
O Último Recreio
Argumento – Carlos Trillo 
Desenhos – Horacio Altuna
Quarta-feira, 15 de Agosto
Por + 10,90€
No seu penúltimo volume, a série IV da Colecção Novela Gráfica acolhe O Último Recreio, um clássico da Banda Desenhada Argentina que, mais de 30 anos apoios a sua publicação original, mantém toda a sua frescura e pertinência. Penúltima colaboração da dupla Carlos Trillo/Horácio Altuna, dois criadores argentinos que tinham começado a trabalhar juntos em 1975, na série El Loco Chavéz, e que aqui atingem o seu ponto mais alto da sua carreira comum.
Nascido em Buenos Aires em 1943, e falecido em Londres em 2011, Trillo é um nome incontornável da BD mundial, não só pelo seu trabalho como argumentista (incontornável, tanto em termos de quantidade como de qualidade,) mas por toda uma vida ligada à BD, como argumentista, historiador e director de revistas.
Embora em Portugal apenas tenha saído uma pequena parcela da sua obra, ela é vastíssima, e incluí colaborações com os maiores desenhadores desse inesgotável filão que é a Argentina: de Alberto e Enrique Breccia, a Altuna e Juan Gimenez, passando por Carlos Meglia, Mandrafina, Eduardo Risso, Juan Bobillo, Lucas Varela e pelos espanhóis Fernando Fernandez e Jordi Bernet. Digno sucessor de Oesterheld, no exigente cargo de melhor argumentista argentino, Trillo conta aqui com um Altuna em verdadeiro estado de graça, bem patente na elegância e sensualidade do seu traço, na expressividade que dá aos rostos das crianças e na eficácia da sua planificação, ao serviço de uma distopia, que reflecte bem a época em que a história foi originalmente publicada, uma década de 80 em que a ameaça de uma guerra nuclear estava bem presente.
Publicado originalmente por capítulos em 1982 e 1983, nas páginas da revista 1984, da Toutain editor, O Último Recreio revela a capacidade de Trillo em se adaptar às necessidades do suporte (neste caso, uma revista mensal) construindo uma história complexa, em treze capítulos fechados, que podem ser lidos de forma separada, mas que formam uma história mais vasta. Algo a que estava bastante habituado, pois tanto na Argentina, como na Europa, a maioria das histórias que publicou, foram concebidas para serem publicadas inicialmente em revistas, sendo a posterior publicação em livro da história completa, um luxo que nem sempre se concretizava (no caso de O Último Recreio, os autores tiveram de esperar mais de seis anos até o editor Josep Toutain decidir lançar a história completa num livro. Livro esse que, ainda por cima, saiu com páginas trocadas...)
A história de O Último Recreio é fácil de resumir: Num mundo pós-apocalíptico, em que foi detonada uma bomba cujos efeitos devastadores atinge apenas aqueles que atingiram a maturidade sexual, os adultos desapareceram e os únicos sobreviventes são as crianças. Nesse ambiente sem outras regras para além das que se possam impor pela força e violência, aos sobreviventes resta apenas escolher se querem ser vítimas, ou executores.
Uma história bastante dura, que evoca o Senhor das Moscas, de William Golding, pela forma como as crianças são obrigadas a se comportar como adultos, mas que revela grande humanismo e sensibilidade na forma como trata um tema tão delicado, e que até termina com um final aberto, que deixa margem ao leitor para alguma esperança. Algo que está ausente em outros clássicos pós-apocalípticos da época, como Hombre, de Segura e Ortiz e Kraken, de Segura e Bernet.
Publicado originalmente no jornal Público de 11/08/2018