sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Um punhado de imagens de Angoulême 2015



Como não podia deixar de ser, o Festival de Angoulême deste ano, ficou marcado pelo massacre do Charlie Hebdo, com cartazes com as capas de números emblemáticos do jornal, espalhadas pelas paredes da cidade e com o Museu de Banda Desenhada a substituir a sua exposição permanente por uma mostra temporária dedicada ao famoso jornal, e às publicações que o antecederam, como a Hara Kiri e o Charlie Mensuel. Naturalmente, as distribuidoras aproveitaram para redistribuir o famoso número pós-massacre, que chegou aos sete milhões de exemplares de tiragem, e esse último número encontrava-se facilmente em qualquer quiosque de Angoulême.
 Os tempos agitados que se vivem em França na sequência do atentado que decapitou a redacção do Charlie Hebdo, faziam-se notar também nos controles de segurança à entrada dos stands e das exposições e no facto de haver mais polícias na cidade do que autores de BD. Só nas traseiras do edifício da Mairie (a Câmara Municipal, onde funciona o secretariado do Festival) contei 15 carrinhas da policia estacionadas...
Mas o Festival não foi só Charie Hebdo e Bill Waterson, o presidente desta edição, que como se esperava, não pôs os pés em Angoulême durante o Festival, teve direito a uma bela exposição retrospectiva no Espaço Franquin, concebida pelo Billy Ireland Cartoon Library and Museum, da Universidade de Columbus, no Ohio, a quem Waterson doou o seu espólio de originais. Uma bela exposição, acompanhada de um belíssimo catálogo, com uma grande entrevista que o criador de Calvin e Hobbes concedeu a Jenny E. Rob, a conservadora do Museu e comissária desta exposição. 
Também Lewis Trondheim disfarçou o seu Fauve, o gato que funciona como mascote do Festival, de Hobbes, numa imagem que podemos ver aqui ao lado e que surgiu também nos pins produzidos pela organização.
Outro nome em grande destaque, foi o japonês Jiro Taniguchi, que antecedeu o seu compatriota Katshuiro Otomo, o criador de Akira, vencedor do Grande Prémio deste ano, como o autor que teve direito a ver o seu trabalho exposto no Festival de Angoulême, uma honra que para o ano, por inerência do Grande Prémio, caberá a Otomo. Autor cujas ligações a França são bem conhecidas, Taniguchi foi o autor em destaque no Vaiseau Moebius, o antigo Museu da BD de Angoulême, com uma retrospectiva bastante exaustiva da sua carreira, onde brilhavam as aguarelas que fez para o luxuoso caderno de viagens de Veneza editado pela Louis Vuitton.
Outro nome em destaque no Festival, com direito também a uma bela exposição foi Jack Kirby, o King dos comics, cuja obra tem vindo a ser editada em França pela Urban, a linha da Dargaud para o material americano, que prima pelas edições geralmente superiores às originais.

No caso da muito instrutiva e bem documentada exposição de Kirby, o maior senão era a total ausência de originais, substituídos por reproduções facsimiladas das pranchas, digitalizadas pela Jack & Roz Kirby Fondation,
Também o argumentista Fabien Nury teve direito a uma exposição no espaço Franquin, que deu para perceber a quantidade de séries que este argumentista já escreveu e apreciar os magníficos originais de Christian Rossi para a série W.E.S.T.
E para quem gosta de ver pranchas originais (comprar já é mais complicado...) havia muita oferta no stand Para BD, na praça junto ao bar Le Chat Noir, que é o ponto de encontro obrigatório para beber um copo mal o Festival fecha as portas, e na Galeria da Glenat, que todos os anos se muda para Angoulême durante o Festival e onde era possível apreciar originais de Franquin, Boucq, Bilal, Alberto Breccia, George Bess e Druillet, entre outros, geralmente a preços proibitivos.
Quanto a exposições, para além do prazer de rever a mostra dedicada ao Jim Curioso, de Mathias Picard, que já tinha estado na Amadora, o meu último destaque vai para a exposição que estava no Teatro de Angoulême, Le Demon du Blues que, a propósito do lançamento do álbum Love in Vain, de Mezzo e Dupont, sobre o Músico de blues Robert Johnson, reúne exemplos de várias BDs que abordam o tema, com destaque para o trabalho de Robert Crumb.
Mas Angoulême não é só as exposições e há muito boa gente que passa 2 ou 3 dias no Festival sem ver uma única exposição, ocupados que estão com as sessões de autógrafos, ou tentar descobrir as inúmeras novidades lançadas por ocasião do Festival, ou vasculhando os stands dos alfarrabistas em busca de alguma novidade.
De acordo com a imprensa especializada, este ano o Festival teve menos visitantes do que nos anos anteriores, talvez porque algumas pessoas, com medo dos atentados, tenham preferido ficar em casa. Mas para quem tentasse entrar nos stands, visitar exposições, ou simplesmente andar nas ruas, durante o dia de sábado, a diminuição do número de visitantes não era nada perceptível.
A verdade é que continua a haver muita gente que não quer perder uma edição do maior Festival europeu de BD. Eu cá, se tudo correr bem, conto voltar em 2016, para ver a exposição dedicada a Katshuiro Otomo e os mais que o Festival tiver para mostrar.
      O Museu de Banda Desenhada onde estava a Homenagem ao Charlie Hebdo

             Geluck e os perigos do humor na homenagem ao Charlie Hebdo
                       Calvin e Hobbes ao lado dos originais de Bill Waterson

            Auto-retrato de Bill Waterson nos seus tempos de cartoonista político
                           A entrada da exposição dedicada a Fabien Nury
                        Trabalhos da fase inicial de Taniguchi
                                                O título diz tudo...
                                       A força do traço de Jack Kirby
               A exposição dedicada aos Blues no Teatro de Angoulême
             Pormenor da exposição, com os originais de Mezzo em destaque
                               Sábado à tarde nas ruas de Angoulême

domingo, 1 de fevereiro de 2015

75 Anos de Batman 2 - Batman: Asilo Arkham


BATMAN DO OUTRO LADO DO ESPELHO

Um dos mais importantes edifícios de Gotham City, o Asilo Arkham, um hospital-prisão, que acolhe os mais perturbados inimigos do Batman, surge pela primeira vez numa aventura do Cavaleiro das Trevas, numa história escrita por Denny O’Neil e desenhada por Irv Novick, publicada em 1974 no nº 258 da revista Batman, mas seria Len Wein o primeiro a explorar mais a fundo a sua história no nº1 da revista Who’s Who, de 1985.
Neil Gaiman, o criador de Sandman, define perfeitamente a importância do Asilo Arkham na mitologia da DC, ao referir que “o que torna o Asilo Arkham interessante é ser aquilo que está debaixo da pedra da DC. Tens uma bela pedra com todos esses heróis, mas se levantarmos essa pedra descobrimos uma série de pequenos insectos e vermes a estrebuchar. O Asilo Arkham é a terra onde esses vermes repousavam.”
Na história que podem ler nas páginas seguintes, essa pedra é levantada e o Batman é atirado para essa terra remexida e rodeado pelos vermes, numa viagem, tanto física como mental, pelo lado mais sombrio do Universo DC, que põe em risco a sua própria sanidade. Publicado originalmente em 1989, Asilo Arkham para além de ser a história definitiva sobre o Asilo Arkham, foi o título que atirou os seus autores, o escocês Grant Morrison e o inglês Dave McKean, para o estrelato, muito pelo modo como o excepcional trabalho gráfico de McKean se articula com o texto cheio de referências literárias de Morrison, que explora aqui pela primeira vez o universo do Cavaleiro das Trevas, iniciando um percurso brilhante como escritor do Batman, de que pudemos acompanhar alguns dos principais momentos nas anteriores colecções que a Levoir dedicou à DC Comics.
No entanto, esta bem-sucedida dupla nasceu de um acaso. Grant Morrison escreveu Asilo Arkham sem ter nenhum desenhador específico em mente e a decisão de entregar a arte da história a Dave McKean partiu da editora da DC, Karen Berger, que esteve ligada ao recrutamento de alguns dos maiores criadores ingleses, de Alan Moore a Neil Gaiman, passando por Brian Bolland e Dave Gibbons, pela DC. Na altura Mckean estava a desenhar a mini-série Black Orchid, escrita pelo seu amigo Neil Gaiman, mas Berger achou que era muito arriscado lançar dois jovens autores ingleses completamente desconhecidos do público americano, num título também desconhecido. Por isso, decidiu pôr McKean numa aventura de Batman que Grant Morrison estava a escrever, e dar um título mensal a Neil Gaiman. E foi assim que McKean conseguiu Asilo Arkham, e Gaiman conseguiu Sandman, embora, na prática, Black Orchid acabasse por ser editado antes do Asilo Arkham, pois a DC acabou por atrasar o lançamento do livro, de modo a não interferir com a estreia do filme Batman, de Tim Burton, então prestes a chegar às salas.
Com um nome que traduz uma clara homenagem ao escritor H.P. Lovecraft (cujas histórias tinham normalmente por cenário uma cidade fictícia chamada... Arkham) o Asilo Arkham é um hospício onde está aprisionada a vasta galeria de inimigos de Batman. Uma casa de loucos, fundada por um louco, o professor Amadeus Arkham, cuja história se cruza com a de Batman na complexa narrativa criada por Morrison. O escritor escocês, em 2005, no texto incluído na edição do 15º aniversário da publicação do Asilo Arkham define a sua história como “uma narrativa sobre a psicologia humana em que Batman e os seus inimigos são usados como símbolos. A Casa, o Asilo, não é um lugar físico, mas o cérebro de alguém.
A construção da história foi influenciada pela arquitectura da casa - o passado e o conto de Amadeus Arkham formam a cave. As passagens secretas ligam ideias e segmentos do livro. As histórias que se passam nos pisos superiores, estão cheias de simbolismos e de metáforas. Temos também referências à geometria sagrada, pois a planta do Asilo Arkham é inspirada pela Abadia de Glastonbury e pela Catedral de Chartres. O percurso ao longo do livro é como uma travessia pelos vários pisos da casa. A casa e o cérebro são um só.”
Não por acaso, o livro abre e fecha com citações da Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol e, tal como a heroína de Carrol, também Batman passa para o outro lado do espelho ao entrar no Asilo Arkham. Tal como acontece no filme O Feiticeiro de Oz, de Victor Fleming, também aqui essa passagem do mundo real para um universo fantástico é dada pela cor, que está ausente das sequências iniciais com Batman em Gotham City e que McKean trabalha como ninguém, numa espectacular mistura de técnicas, nas cenas passadas no interior do Asilo Arkham.
Também a opção de o Batman ser uma figura mais sugerida que mostrada, que deu uma aura de mistério ao livro, tem segundo Neil Gaiman uma explicação bastante prosaica, como se percebe pelo excerto da entrevista conduzida por Whitley O’Donnell, publicada em 1991, no nº 103 da revista Comics Interview em que refere: “As pessoas estão sempre a perguntar ao Dave onde é que ele foi buscar a ideia de representar o Batman como essa figura negra e misteriosa que o leitor nunca chega a ver bem, mas a verdade é que ele não gosta de desenhar o Batman. Por isso, passou o livro todo a tentar mostrar o menos possível do Batman!”
Muito mais uma história de terror psicológico carregada de simbolismos do que uma simples aventura de Batman, Asilo Arkham, para além de ser o resultado de uma feliz sucessão de acasos, é, acima de tudo, um deslumbrante catálogo das notáveis possibilidades estéticas  da arte de Dave McKean, um dos mais talentosos e versáteis artistas (e designer) que já passaram pelo mundo dos comics que, tal como Morrison faz em relação às referências literárias, vai buscar elementos da pintura simbolista, do impressionismo e do surrealismo, numa mistura de técnicas, em que o desenho se articula com a pintura, com a fotografia e as colagens, num todo visualmente deslumbrante e, até então, nunca visto numa história de super-heróis.
Considerado pelo site IGN como uma das cinco melhores histórias do Batman de sempre, Asilo Arkham está também na origem de uma série de jogos de computador de sucesso, iniciada em 2009, com o jogo escrito por Paul Dini - um dos responsáveis pela série de animação Batman Adventures e argumentista responsável por Batman: Detective, um dos próximos volumes desta colecção - que veio alargar a imensa popularidade de Batman a um público que não se restringe aos leitores de comics. Mas foi nesta viagem perturbadora ao outro lado do espelho que tudo começou!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

domingo, 18 de janeiro de 2015

75 Anos de Batman 1 - Batman: O Longo Halloween Vol 1


Como tem sido habitual, aqui deixarei os textos editoriais que escrevi para a colecção dedicada aos 75 Anos do Batman, que a Levoir está a lançar com o jornal Sol. O primeiro foi precisamente este, dedicado a um dos meus livros favoritos da dupla Jeph Loeb/Tim Sale.

BATMAN ANO DOIS

Se o leitor for um fã de cinema, encontrará certamente algo de familiar nas primeiras páginas deste livro. Com efeito, a imagem de Bruce Wayne, envolto nas sombras a dizer a Carmine Falcone, o Padrinho da principal família mafiosa de Gotham, que acredita na sua cidade, na página inicial desta história, não pode deixar de evocar no leitor cinéfilo, a cena de abertura do filme O Padrinho, de Francis Ford Coppola, que começa precisamente com a frase “acredito na América” dirigida a Vito Corleone, o Padrinho do romance de Mario Puzo, que inspirou o filme de Coppola.
Para além do Carmine Falcone desenhado por Tim Sale ter parecenças físicas com o Vito Corleone superiormente interpretado por Marlon Brando, o facto de ambas as cenas terem lugar durante a festa de casamento de um parente do chefe mafioso, não deixa dúvidas sobre a óbvia homenagem que Loeb e Sale quiseram prestar ao filme de Coppola. Uma homenagem tão merecida como arriscada, pois pode levar a inevitáveis comparações entre o clássico do cinema e a BD de Loeb e Sale. Mas a verdade é que, tal como O Padrinho tem um lugar de destaque no cânone do cinema americano do século XX, também The Long Halloween é presença indiscutível na lista das 10 melhores histórias do Batman de sempre.
Na anterior coleção da Levoir dedicada à DC, pudemos apreciar o trabalho de Tim Sale com o Batman, numa série de histórias soltas escritas por diferentes argumentistas, mas isso foi apenas um aperitivo para a "piece de resistance" que se vai seguir: o primeiro trabalho de grande fôlego da dupla Loeb/Sale protagonizado pelo Cavaleiro das Trevas. Um marco na história dos Comics americanos cuja influência é evidente na trilogia cinematográfica de Christopher Nolan.
Mas não negando os méritos do trabalho de uma dupla de criadores em perfeita sintonia, convém não esquecer o papel fundamental do editor Archie Goddwin em The Long Halloween, que Loeb é o primeiro a salientar, na entrevista que lhe fez o cineasta Kevin Smith para o programa de rádio Fatman on Batman. Aí Loeb refere que foi o mítico editor e argumentista a ir buscar a dupla para as revistas do Batman, numa fase em que o trabalho dos dois criadores para a DC se limitava à sua passagem pela série Chalengers of the Unknow, convidando-os a criar uma história de Halloween para a revista Legends of the Dark Knight, de que Godwin era o editor. Essa história foi Fears e a DC gostou tanto do resultado que resolveu lançar à história num número especial em "prestige format" (formato mais luxuoso, com papel de gramagem superior, lombada e capa cartonada, usado pela primeira no The Dark Knight Returns de Frank Miller), em vez de a espalhar por três Comics, como era habitual.
Uma aposta arriscada, tento em conta que tanto Loeb como Sale eram ainda relativamente desconhecidos, mas que se revelou ganhadora, tanto em termos críticos como comerciais. Seguiram-se mais dois especiais de Halloween nos anos seguintes (Madness e Ghosts, posteriormente reunidos, com Fears, no livro Haunted Knights), até que Goodwin, enquanto tomava o pequeno-almoço com Loeb, durante a Comic Con de San Diego, de 1995, se lembrou que podia ser interessante aplicar esta lógica a uma história que durasse o ano inteiro, sugerindo ainda o nome The Long Halloween, para essa história.
Para Loeb, que naquela época, além do seu trabalho no cinema e na televisão, estava também a escrever a série Cable para uma editora rival, não era fácil ter disponibilidade para aceitar o desafio, mas quando Goodwin lhe disse que tinha falado com Frank Miller e que este não se opunha a que alguém usasse os Falcone e os Maroni, as duas famílias mafiosas que Miller tinha criado em Ano Um, Loeb percebeu que não podia perder a oportunidade de explorar os primeiros anos de actividade de Batman, numa história que homenageasse simultaneamente o trabalho de Miller e os clássicos do filme noir.
Nascia assim The Long Halloween, uma história em 13 partes, pensada para funcionar simultaneamente como uma intriga policial clássica e como a continuação do Ano Um de Miller e Mazzucchelli, com a acção a decorrer seis meses depois dos acontecimentos de Batman: Ano Um. E se em Ano Um é Jim Gordon quem assume o principal protagonismo, agora, seguindo uma sugestão de Mark Waid, Loeb e Sale vão contar o processo de transformação de Harvey Dent no Duas Caras.
O resultado é uma história que mistura ingredientes do romance policial clássico, com o Film Noir e os filmes de gangsters, sem esquecer a mitologia do Cavaleiro das Trevas e a colorida galeria de vilões do Batman, que Sale teve carta-branca para reformular graficamente. A esse nível a mudança mais notável é a do Calendar Men, um dos mais obscuros (e também dos mais ridículos) vilões do Batman, que Sale já tinha tido oportunidade de desenhar numa história de Alan Grant - publicada em Portugal em Contos do Batman, volume pertencente à segunda colecção que a Levoir dedicou à DC Comics - e que aqui surge completamente transformado. Um personagem muito mais misterioso e sombrio, que da sua cela no Asilo Arkham vai dando pistas a Batman que o ajudem a descobrir a identidade do misterioso Holliday, o assassino dos Feriados. No fundo, um papel muito semelhante ao de Hannibal Lecter em relação à agente Clarice Sterling no filme The Silence of the Lambs, de Jonathan Demme.
Articulando de forma muito equilibrada o mistério e o suspense das boas histórias policiais, com a acção e as personagens hiperbólicas das histórias de super-heróis clássicas e o ambiente sombrio das histórias de gangsters, O Longo Halloween conquista o leitor de forma inapelável, tanto pela história como pela arte, com Tim Sale a aproveitar muito bem a grande quantidade de páginas disponíveis para brilhar nas sequências de acção e nas belas páginas duplas.

Terminado este primeiro volume, todos dados estão lançados e a intriga está em marcha. Agora só resta ao leitor esperar uma semana pela conclusão desta história épica, para conhecer finalmente a identidade do misterioso Halloween.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Je Suis Charlie

É a notícia do dia, o ataque à sede do jornal satírico francês Charlie Hebdo, esta manhã em Paris, que provocou 12 mortos, entre os quais Charb, o director do jornal e os cartoonistas Cabu, Tignoux e Wolinski, decano da caricatura francesa e Grande Prémio de Angoulême em 2005. As paródias que o jornal e os seus cartoonistas faziam com todas as religiões valeram-lhes vários processos e um atentado à bomba em 2011, como represália de terem publicado em França as caricaturas de Maomé. Mas hoje os extremistas religiosos foram ainda mais longe e dois ou três homens armados entraram no jornal e abateram a sangue frio 10 jornalistas e cartoonistas e dois polícias, tendo provocado mais de uma dezena de feridos.
Não vai ser fácil ao Charlie Hebdo, privado do seu director e dos seus principais ilustradores, sobreviver a este duro golpe, mas é importante que o faça em nome da liberdade de expressão e para mostrar ao mundo que o terror desta vez não venceu. E a verdade é que neste momento, todos somos Charlie Hebdo, como o demonstram este punhado de cartoons feitos por autores de Banda Desenhada, que escolhi entre as várias dezenas que circulam na Net, demonstrando a solidariedade da classe artística para com estes mártires da liberdade de expressão.

                                                             Zep

                                             Geluck

                                              Boulet

                                                        Baudoin

                                             Joann Sfar

                                              Falcato

                                               Benjamin Lacombe