sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Universo Marvel 6 - Homem de Ferro: Demónios
HOMEM DE FERRO ENFRENTA O SEU MAIOR INIMIGO: ELE PRÓPRIO
Homem de Ferro: Demónios
Argumento – David Michelinie e Bob Layton
Desenho - John Romita Jr, Bob Layton
Quinta, 14 de Agosto Por + 8,90 €
O Homem de Ferro regressa ao Público, com aquela que é unanimemente considerada como uma das melhores sagas de super-heróis dos anos 70, em que pela primeira vez o problema do alcoolismo é abordado de forma realista numa história de super-heróis.
Se em termos de Banda Desenhada franco-belga o tema não é propriamente novidade, nem tabu – basta pensar no combate que o Capitão Hadock trava (e geralmente perde) com a bebida, em diversos álbuns da série Tintin – já os principais super-heróis mostravam-se superiores aos vícios mais mundanos e temas como a droga e o alcoolismo estavam mais ou menos interditos pelo Comics Code, mecanismo de autocensura criado pela própria indústria nos anos 50. Daí a importância desta história, que vem na linha do esforço feito por Denny O’Neil e Neal Adams na revista do Arqueiro Verde e Lanterna Verde, na história publicada na colecção que o Público e a Levoir dedicaram à DC. Uma importância de que os próprios autores nem se aperceberam na altura, pois como refere Bob Layton: “nunca foi nossa intenção fazer uma história que fosse socialmente relevante. Fomos pagos, basicamente, para escrever a próxima aventura do Homem de Ferro. Acontece que, naquela história concreta, o alcoolismo é o mau da fita. Em vez do Doutor Destino, ou de outro vilão qualquer, era a bebida. Era o nosso vilão do mês e foi desse modo que tratamos o alcoolismo.”
Publicada originalmente em 1979, nos nºs 120 a 28 da revista Iron Man, a saga Demónios (no original Demon in a Bottle) é uma história movimentada, centrada na disputa entre Tonny Stark e o milionário Justin Hammer que pretende ficar com a empresa de Stark, usando para isso um bando de super-vilões contratados como mercenários, mas que envolve também combates com Namor e a presença do Capitão América. Apesar de todos estes elementos na intriga, o fulcro da história está, como já vimos, na luta interna de Tony Stark contra a adição que o controla e que o afasta daqueles que o amam. Para contar esta história marcante, Bob Layton, que além do argumento, é responsável pela passagem a tinta dos desenhos, conta com a colaboração do argumentista David Michelinie no argumento e de John Romita Jr. e do veterano Carmine Infantino, o mítico criador e editor da DC, responsável pelo relançamento do Flash, então a trabalhar como ilustrador freelancer, depois de se ter despedido da DC em 1976.
Mas o destaque em termos gráficos, vai naturalmente para John Romita Jr., então no início de uma carreira épica de mais de três décadas ao serviço da Marvel, interrompida apenas este ano, quando aceitou trocar a “Casa das Ideias” pela DC, onde é o actual desenhador do Super-Homem. Nascido em 1956, filho de John Romita, um dos mais importantes e elegantes desenhadores da Marvel, Romita Jr. publicou o seu primeiro trabalho numa revista da Marvel aos 13 anos, mas foi a sua colaboração com Bob Layton e David Michelinie nas histórias do Homem de Ferro que o tornou conhecido junto dos leitores das revistas da "Casa das Ideias".
Publicado originalmente no jornal Público de 08/08/2014
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terça-feira, 12 de agosto de 2014
Tex e a Lenda do Cavaleiro sem Cabeça
Já está disponível nas bancas de todo o país, onde se manterá até ao final de Agosto, o mais recente Tex Gigante (ou Texone, como são conhecidas em Itália estas edições) que conta com desenhos do italiano Fabio Civitelli, autor bem conhecido dos fãs nacionais do ranger da casa Bonelli, até pela suas diversas vindas ao nosso país, para conviver com os fãs locais.
Quem costuma acompanhar este blog sabe bem que a minha ligação à série Tex fez-se muito mais pelos desenhadores que a ilustram do que pelo carisma da personagem, daí que siga com especial atenção os Texones, que já me fizeram descobrir desenhadores do calibre de um Pasquale Frisenda, ou de um Carlos Gomez. No caso de Civitelli, cujo trabalho conhecia das revistas mensais, devo confessar que, embora reconheça a qualidade e a extraordinária minúcia do seu traço clássico, está longe de ser dos meus desenhadores do Tex preferidos, muito por força do tratamento fisionómico muito suave e quase idealizado que dá às personagens principais, longe dos rostos marcados e “vividos”, habituais nos desenhos de José Ortiz, Guido Buzzelli, Victor De La Fuente ou Carlos Gomez, que claramente prefiro.
Desenhador regular da série, Civitelli tem aqui outras condições para fazer brilhar o seu traço, aproveitando o formato maior, próximo do A4, destes Tex Gigantes e a verdade é que as aproveita muito bem, realizando um trabalho de sombras notável nas cenas nocturnas, graças a uma apurada técnica pontilhista, na melhor tradição do Mestre Franco Caprioli. O trabalho gráfico de Civitelli resulta excelente em termos da criação de uma atmosfera fantástica e a forma como o suspense é gerido ao longo de toda a história tem momentos brilhantes, tanto nas cenas dos ataques nocturnos do Hombre Muerto, como na sequência na necrópole índia, já para não falar do clima quase daliniano do pesadelo de Eusébio, em que as sombras da noite dão lugar à luz crua do deserto.
Tendo como principal fonte de inspiração o conto clássico de Washington Irving, The Legend of Sleepy Hollow (publicada em Portugal como A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça) que já deu origem a um filme de Tim Burton e a uma série de televisão recente, que transpõe a história para a actualidade, Mauro Boselli transpõe a história de Irving para o México, associa-a a personagens com existência histórica real e partir daí constrói uma boa história de terror, com um toque fantástico, que só peca por um final apressado, sobretudo tendo em conta o tempo que a história propriamente dita demora a arrancar. Mas, para compensar, há algumas sequências brilhantes em termos de criação de ambiente, que poderiam dar um belíssimo filme. Por exemplo, as cenas em que o som da flauta precede o ataque do Hombre Muerto, fizeram-me lembrar a forma absolutamente brilhante como Sérgio Leone usava a música de Enio Morricone nas cenas fulcrais dos seus filmes.
Em suma, mais um Texone a não perder, que me fez apreciar a arte de Fabio Civitelli com outros olhos.
(Tex Gigante nº 27: A Cavalgada do Morto, de Mauro Boselli e Fabio Civitelli, Mythos Editora, 242 pags, p/b, 10 €)
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sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Universo Marvel 5 - Vingadores e Quarteto Fantástico: Invasão Secreta
VINGADORES E QUARTETO FANTÁSTICO ENFRENTAM A INVASÃO SECRETA DOS SKRULLS
Universo Marvel – Vol. 5
Vingadores e Quarteto Fantástico: Invasão Secreta
Argumento – Brian Michael Bendis
Desenhos – Leinyl Francis Yu
Quinta, 7 de Agosto, Por + 8,90 €
Neste volume, os Skrulls, uma raça alienígena capaz de assumir a forma e os poderes dos heróis do universo Marvel, infiltrou-se nos principais grupos de super-heróis, dando o passo decisivo para o sucesso do seu plano de conquista da Terra.
Um plano complexo e maquiavélico, que os Vingadores e o Quarteto Fantástico vão tentar travar, mesmo sabendo que o herói que combate ao seu lado pode afinal ser um Skrull.
Umas das mais antigas raças alienígenas do universo Marvel, os Skrulls fizeram a sua primeira aparição logo no nº 2 da revista do Quarteto Fantástico, em 1962, numa história em que faziam uso das suas capacidades miméticas para se fazerem passar pelo Quarteto Fantástico e desde então têm sido presença habitual nas sagas galácticas do Universo Marvel, estando na origem de histórias memoráveis como The Kree – Skrull War, uma saga épica dos Vingadores assinada por Roy Thomas e Neal Adams nos anos 70. Com o seu aspecto reptiliano, a meio caminho entre os duendes da mitologia céltica e os extraterrestres dos filmes dos anos 50, os poderes dos Skrulls que lhes permitem infiltrar-se no meio dos heróis, remetem para o clima de paranóia da Guerra Fria, evidente em clássicos do cinema de ficção científica, como The Invasion of the Body Snatchers, de Don Siegel, de 1956, ou o mais recente They Live, de John Carpenter, de 1988.
Nome conceituado da segunda vaga de autores filipinos que conquistaram o mercado americano a partir da década de 90, Leynil Francis Yu, depois de uma curta passagem pela Image, chegou à Marvel, onde começou por desenhar o Wolverine, dando início a uma ligação com a editora que ao longo da última década lhe permitiu desenhar os maiores heróis da “Casa das Ideias”. E a verdade é que Yu tem em Invasão Secreta um dos seus melhores trabalhos de sempre, brilhando a grande altura, especialmente nas páginas duplas cheias de personagens, em que o seu apurado sentido de composição lhe permite conciliar legibilidade e espectacularidade.
Título incontornável entre aqueles que formam o eixo condutor desta colecção Universo Marvel, esta Invasão Secreta vai ter consequências profundas, que se vão reflectir nos volumes posteriores desta colecção, Thor Renascido, Cerco e A Essência do Medo, sendo também por isso um volume a não perder.
Publicado originalmente no jornal Público de 01/08/2014
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Textos editoriais Marvel NOW! 5 - Homem-Aranha Superior 06
O HÁBITO E O MONGE
Diz um conhecido ditado popular que “o hábito não faz o monge”. E, se como geralmente acontece, estes ditados têm um fundo de verdade, não é menos certo de que a realidade, ou no caso da Banda Desenhada, a ficção criada pela mente dos autores, acaba por ser bem mais complexa do que a sabedoria popular simplisticamente a apresenta.
A saga que temos acompanhado nesta revista é um bom exemplo de uma realidade demasiado complexa para se encaixar completamente neste ditado, mas a verdade é que as histórias de super-heróis, pela forma como exploram a ligação entre o herói e o uniforme que se torna a sua segunda pele, permitem facilmente uma aproximação a este provérbio.
Curiosamente, um dos pioneiros do género superheróico, o Fantasma, de Lee Falk, criado em 1936, ou seja, ainda antes do aparecimento do Super-Homem, é uma das raras excepções a esta regra, pois o homem por trás da máscara é apenas o mais recente membro de uma linhagem de vinte e uma gerações de combatentes do crime. Uma tradição nascida em 1536, quando o sobrevivente de um ataque de piratas em que morreu o seu pai, fez um juramento solene de combater o crime como o Fantasma até ser substituído pelo seu filho, quando a sua hora chegar. Assim o misterioso vingador aparentemente imortal conhecido como o “Espírito que Caminha” é apenas o mais recente elo de uma cadeia familiar, que o inconfundível uniforme justo, concebido por Lee Falk para ter cor cinzenta, mas que acabou por sair roxo devido a um erro da gráfica, ajuda a perpetuar.
Mas como bem sabem os leitores, a regra é encontrarmos sempre o mesmo homem dentro do uniforme. Steve Rogers é e será o Capitão América, Peter Parker, o Homem-Aranha, Matt Murdock, o Demolidor e Bruce Wayne, o Batman. Mesmo que Bucky Barnes já tenha sido o Capitão América, depois da morte de Rogers durante a Guerra Civil, e que o próprio Steve Rogers tenha assumido outras identidades, como Nomad, a seguir ao escândalo de Watergate, ou The Captain, ou que durante as décadas em que permaneceu em animação suspensa nos gelos do Ártico, outros homens, como William Naslund, Jeffrey Mace e William Burnside tenham também vestido o uniforme inspirado na bandeira americana.
Também Peter Parker tem assumido ao longo dos anos a grande responsabilidade de combater o crime como o Homem-Aranha, mesmo que a mente que ocupa o seu corpo seja a do Dr. Octopus, como acontece actualmente, ou como aconteceu na tristemente célebre saga do Clone, Ben Rilley, o Scarlet Spider, que se pensava ser um clone de Peter Parker, revelou ser o original e que o verdadeiro clone era o Peter Parker que os leitores conheciam desde sempre. Mas a mais interessante variação deste ditado, em que o hábito deu origem a um novo monge de uma ordem diferente, é mesmo a que sucedeu com o uniforme negro que Peter Parker arranjou durante as Guerras Secretas, e que cedo assumiu vida própria, revelando ser um simbiote alienígena que passou a infernizar a vida do Homem-Aranha como Venom.
Mais recentemente, face ao sucesso das personagens da Marvel no cinema, houve a necessidade de alterar os uniformes de alguns heróis, aproximando-os do aspecto com que aparecem no grande ecrã, e aqui o Gavião Arqueiro saiu claramente a ganhar, trocando o bastante ridículo uniforme original, pelo mais discreto e cinematográfico uniforme actual.
Quem leu o seminal Demolidor Renascido de Frank Miller e David Mazzucchelli, em que Matt Murdock passa a maioria da história sem uniforme, percebe que um herói continua a sê-lo, mesmo sem o fato vestido, mas isso não apaga a grande importância simbólica dos uniformes dos Super-Heróis. Mais do que um disfarce que protege a identidade de quem o usa, o uniforme do super-herói é um símbolo, uma ideia e, como bem lembra Alan Moore em V for Vendetta, “ as ideias são à prova de bala”, mesmo que os homens dentro do fato não o sejam.
Texto originalmente publicado em Homem-Aranha Superior nº 06, de Julho de 2014
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Universo Marvel 4 - Guardiões da Galáxia: Legado
AINDA ANTES DAS SALAS DE CINEMA, OS GUARDIÕES DA GALÁXIA CHEGAM AO PÚBLICO
Universo Marvel – Vol. 4
Guardiões da Galáxia: Legado
Argumento – Dan Abnett e Andy Lanning
Desenhos – Paul Pelletier
Quinta, 31 de Julho + 8,90 €
Ainda antes de chegarem às salas de cinema nacionais, o que acontecerá no dia 7 de Agosto, uma semana depois da estreia nos EUA, os Guardiões da Galáxia, o mais recente grupo de heróis da Marvel a ter honras de adaptação cinematográfica, têm encontro marcado com os leitores do Público, no quarto volume da colecção Universo Marvel, que chega às bancas no próximo dia 31 de Julho. Volume que recolhe a história Legado, saga escrita por Dan Abnett e Andy Lanning, com arte de Paul Pelletier, que relançou a popularidade da equipa dos Guardiões da Galáxia e deu origem ao filme de James Gunn que, a avaliar pelas críticas e comentários de quem já viu, tem tudo para ser o próximo grande sucesso da Marvel no cinema.
Criados originalmente em 1969, por Arnold Drake e Gene Colan, no nº 18 da revista Marvel Super-Heroes, os Guardiões da Galáxia eram um grupo de super-heróis do século XXI, últimos sobreviventes das respectivas espécies, que se uniram para combater a Irmandade Badoon, uma raça alienígena que pretendia conquistar o universo. Depois desta primeira saga, os Guardiões tiveram encontros ocasionais com os outros heróis da Marvel em aparições episódicas nas diferentes revistas da “Casa das Ideias” ao longo das décadas seguintes, com destaque para o encontro com os Vingadores na famosa Saga de Korvack, em que os Guardiões se aliam aos Vingadores, para derrotar Michael Korvack, um vilão proveniente do mesmo futuro de que são originários os Guardiões da Galáxia. Seria preciso esperar até 1990, para que o grupo conquistasse finalmente o direito a uma revista própria, inicialmente escrita e ilustrada por Jim Valentino, que durou 62 números, até ser cancelada em 1995.
Depois disso, seria necessário esperar um pouco mais de uma década para que os Guardiões regressassem ao Universo Marvel em 2008, na história que podem ler nesta colecção e que apresenta uma nova formação dos Guardiões da Galáxia, composta por Peter Quill, o Senhor das Estrelas, Adam Warlock, Drax o Destruidor, Gamora, a nova Quasar, Rocket Raccoon, Groot e Mantis. Um grupo muito heterogéneo de heróis, comandado pelo Senhor das Estrelas, e que inclui membros como Gamora, filha adoptiva de Thanos e a mulher mais letal do universo, Rocket, um guaxinim com mau feitio e pontaria afinada e Groot, uma criatura vegetal com um vocabulário bastante limitado.
Os responsáveis pelo regresso dos Guardiões da Galáxia, os escritores Dan Abnett e Andy Lanning, cuja actividade conjunta lhes valeu a alcunha de DnA, têm uma larga experiência de sagas cósmicas como esta, que exploram a vastidão do Universo Marvel, desde a sua passagem pela revista da Legião dos Super-Heróis, da DC Comics, em 2000, onde foram responsáveis pela série Legion Lost, que relançou a Legião. Já na Marvel vão estar ligados às sagas Aniquilação e Aniquilação: Conquista, em que a maioria dos membros que irão formar os Guardiões da Galáxia têm participação activa.
Conciliando uma dimensão épica, com um lado cómico, evidente nos divertidos diálogos e nas personagens invulgares, como Rocket Raccoon e Groot, Abnett e Lanning, contando com o traço eficaz do desenhador americano Paul Pelletier, criam em Legado uma história bem conseguida, que alarga os horizontes do (já de si vasto) Universo Marvel, ao mesmo tempo que prepara o caminho para outra saga que vamos poder ler já no próximo volume desta colecção, a Invasão Secreta.
Publicado originalmente no jornal Público de 25/07/2014
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