quarta-feira, 25 de junho de 2014

Le Transperceneige em destaque na revista Bang!


Já está disponível nas lojas FNAC de todo o país o nº 16 da revista Bang!, a excelente revista gratuita de informação sobre fantasia, ficção científica e terror, editada pela editora Saída de Emergência. Como de costume, este número conta com um texto meu sobre Banda Desenhada. Neste caso sobre Le Transperceneige, a mítica BD de Jacques Lob e Jean-MarcRochette, publicada no início dos anos 80 na revista (A Suivre) e recentemente adaptada ao cinema, com excelentes resultados, no filme Snowpiercer, do coreano Bong Joon-Ho. E enquanto não coloco aqui o texto deste número (o que acontecerá no início de Julho), deixo-vos com um punhado de imagens que não couberam nas páginas da Bang! e com o trailler do filme
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domingo, 22 de junho de 2014

Maus finalmente reeditado em português



Depois de uma primeira edição em 2 volumes, lançada pela Difel durante a década de 90 e há muito esgotada, Maus, a obra-prima de Art Spiegelman volta a estar finalmente disponível em português, numa edição integral da Bertrand, que junta mais um título de peso ao seu catálogo de novelas gráficas.
Professor na Scholl of Visual Arts de Nova Iorque (por onde passou também Will Eisner), vencedor do Grande Prémio de Angoulême, colaborador da prestigiada revista New Yorker (cuja directora de arte é a sua mulher, Francoise Moully) e editor da revista Raw, a mais célebre revista alternativa de BD americana, onde Maus foi pré-publicado e onde se estrearam no mercado americano nomes como Jacques Tardi, ou Joost Swarte, Art Spiegelman é um nome incontornável da BD, mas apesar da importância da sua obra global, é Maus que lhe garante um lugar de destaque no panteão da BD.
Obra singular e dificilmente classificável (como constatou o júri do Prémio Pulitzer, que não sabia se havia de o incluir na categoria "ficção", ou "reportagem", optando por lhe atribuir um Pulitzer especial...), Maus reúne de forma nunca antes vista dois géneros de BD antagónicos, mas com grandes tradições nos E.U.A.: os "funny animals", em que personagens animais antropomorfizadas se comportam como seres humanos, de que as criações da Disney são o exemplo mais evidente e popular, e a BD de cariz autobiográfico, que de Robert Crumb a Will Eisner, passando por Harvey Pekar, esteve na origem de alguns dos mais interessantes comics e graphic novels publicados nos E.U.A. nas últimas décadas.

A opção de Spiegelman, oriundo de uma família de judeus polacos, de utilizar animais para relatar a dramática história dos seus pais, desde o gueto de Varsóvia até ao pesadelo de Auschwitz, permite resolver de forma eficaz a dificuldade de transmitir o horror inimaginável de que se revestiu a "solução final". Ao substituir seres humanos (completamente despojados da sua humanidade e reduzidos a fantasmas que apenas tentam sobreviver) por ratos, gatos, ou porcos, vai permitir um certo distanciamento do leitor, que facilita a leitura e a apreensão de um dos maiores horrores da história da humanidade.
A opção por animais e o estilo minimalista do desenho, são bem sintomáticos do talento narrativo de Spiegelman, que soube encontrar a linguagem mais ajustada para contar a história de um sobrevivente e a sua complexa relação com o passado e com a sua família. O traço de Spiegelman, apesar de simples, revela-se quase expressionista nas situações de maior intensidade dramática, numa perfeita sintonia com as necessidades do argumento. Do mesmo modo, o autor mistura de forma equilibrada as recordações do seu pai, Vladeck Spiegelman, com a sua relação com ele, não hesitando em julgar, de uma forma que pode parecer demasiado dura,  o actual comportamento do seu pai, marcado pela amargura, desconfiança e uma profunda avareza. E não deixa de ser algo incómodo para o leitor a forma extremamente sincera e até despudorada, como são desvendadas todas as angústias e inseguranças que minaram a relação familiar entre Vladeck e a sua mulher, Anja, e a forma como isso se vai reflectir na difícil relação de Art Spiegelman com o seu pai, que apesar de ter sobrevivido, ficou inevitavelmente marcado pela experiência traumática de Auschwitz.
Embora faça todo o sentido num único volume, Maus foi publicado originalmente em dois volumes e há uma clara separação entre eles, com a primeira parte da história centrada no advento do nazismo e na dramática situação do gueto de Varsóvia, enquanto que a segunda parte nos leva até ao coração das trevas, o campo de concentração de Auschwitz onde, com o Vladeck sublinha ironicamente, os seus problemas começaram. E o humor não está ausente deste dramático relato, com Spiegelman a revelar grande ironia na forma como lidou com o sucesso do primeiro livro, com umas cenas de crise existencial que recordam Woody Allen, outro autor de origem judaica, o que parece vir confirmar que a ironia desencantada é uma característica genética dos judeus.
Belíssimo e doloroso exorcismo do tenebroso e incompreensível  genocídio de um povo, Maus é também uma forma singular de psicoterapia da complexas relação entre o autor e o seu pai.  Prova definitiva das potencialidades da Banda Desenhada como linguagem narrativa autónoma, ao mesmo nível da literatura, Maus é uma obra obrigatória e incontornável pelas suas qualidades artísticas e pela importância do seu testemunho sobre o Holocausto. Uma obra-prima que finalmente, volta a estar novamente disponível para os leitores portugueses.
Maus de Art Spiegleman, Bertrand Editora, 296 pags, 17,70 €

terça-feira, 10 de junho de 2014

O (duplo) regresso de Bill Waterson



Quase vinte anos depois de ter terminado a série Calvin and Hobbes e de se ter retirado da Banda Desenhada, Bill Waterson, que este ano foi galardoado com o Grande Prémio do Festival de BD de Angoulême, vai dando alguns ténues sinais que um eventual regresso ao activo não é tão impossível como se pensava...
Primeiro foi a ilustração que fez para o cartaz do documentário Stripped, de David Kellet, dedicado precisamente às comic strips, as tiras de BD publicadas na imprensa, de que Waterson é um mestre incontestado. Documentário em que Waterson foi (naturalmente) um dos entrevistados, embora não apareça na imagem...
 Mais recentemente, já neste mês de Junho, o cartoonista Stephan Pastis, criador da divertida série Pérolas a Porcos, publicada em Portugal pela Bizâncio, revelou que três tiras recentes da série tinham sido desenhadas a meias com Bill Waterson.
Ele conta a história toda aqui , mas mesmo assim, vou resumir o que se passou. Tudo resultou de uma troca de mails entre Pastis e Waterson, depois do primeiro ter mandado ao criador de Calvin & Hobbes, uma tira em que usava o seu nome...

O facto de Waterson ter achado piada e ter respondido ao mail, levou Pastis a ir mais longe e tentar a sua sorte. E a verdade é que conseguiu que Waterson colaborasse na série desenhando parcialmente três tiras e escrevendo os respectivos diálogos. Todo o processo foi feito por mail, pois Waterson, que é extremamente cioso da sua privacidade, nunca deu o seu número de telefone a Pastis e só permitiu que a sua participação na série só fosse divulgada após a publicação das tiras.
Para permitir esta colaboração, Pastis introduziu na série uma nova personagem, Libby, uma rapariguinha que queria entrevistar Pastis para um trabalho da escola e que acaba por o ajudar a desenhar a série. São precisamente os desenhos atribuídos a Libby (nome que é um anagrama de Bill) que Waterson  desenhou e a saída de Libby da série também evoca a famosa última tira de Calvin.
Aqui ficam as famosas tiras que a presença de Waterson torna históricas:






















E para terminar, o momento em que Libby abandona a série tal como Calvin, para explorar o mundo.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Textos Editoriais MARVEL NOW! 3 - X-Men: Dias de um Futuro Esquecido


Num ano marcado pelo regresso dos principais heróis da Marvel ao cinema, que se iniciou com o segundo filme do Capitão América, nenhum regresso é tão aguardado como o dos X-Men, os populares mutantes, que estão de volta num filme que, além de assinalar o retorno do realizador Bryan Singer à franquia que ajudou a lançar, reúne no mesmo ecrã os principais actores da trilogia inicial, com os da prequela dirigida por Matthew Vaughn, que relançou a série no cinema.
Para juntar num mesmo filme duas distintas versões temporais dos mesmos personagens, era preciso encontrar primeiro uma história que o possibilitasse. História essa que já existia e que tinha sido publicada em 1981, nos # 141 e 142 da revista The Uncanny X-Men. Refiro-me, como já terão percebido os leitores mais atentos, ao clássico Days of the Future Past, de Chris Claremont e John Byrne, uma história inesquecível que voltará a estar disponível em português este Outono, na nova colecção da Marvel que a Levoir vai lançar com o jornal Público.
Apesar de durar apenas dois números, está é uma das histórias mais míticas da incontornável passagem de Claremont e Byrne pelos mutantes da Marvel, tendo tido diversas continuações e uma influência visível noutras áreas, incluindo no cinema, onde é possível detectar ecos evidentes do Days of the Future Past no filme Terminator, de James Cameron. A história em causa tem por cenário um futuro distópico, com Nova Iorque destruída e o mundo à beira de um ataque nuclear, em que os mutantes são perseguidos pelos Sentinelas, robôs gigantes criados para detectar e eliminar mutantes, e abatidos, ou encerrados em campos de concentração.
É esse futuro, passado no então distante ano de 2013, que os raros sobreviventes dos X-Men tentam evitar, enviando Kitty Pryde para os anos 80, de modo a impedir o assassinato do Senador Robert Kelly por um mutante, acontecimento fulcral, que a concretizar-se, irá desencadear esse futuro negro em que os mutante deixam apenas de ser olhados com desconfiança, para passarem a ser caçados e abatidos como cães raivosos. Lauren Shuler Donner, responsável pela produção de todos os filmes da série é a primeira a reconhecer a importância desta história incontornável. Como a própria refere " sempre adorei Days of the Future Past e sempre quis fazê-la no cinema. Desde o primeiro X-Men que fomos roubando a história, pedaço a pedaço. Agora que já a saqueamos, podemos finalmente adaptá-la".
Mas essa nem sempre foi a ideia para este filme. Face ao sucesso de X-Men: O Início, a vontade do Estúdio ia para uma sequela com os mesmos actores, passada pouco depois do filme anterior, cuja acção decorre no início dos anos 60, mais concretamente em 1962, com a crise dos Mísseis de Cuba em primeiro plano. A ideia inicial explorava a participação de Magneto no assassinato do Presidente Kennedy, mas Mathew Vaughn preferia antes transferir a acção para os anos 70, sendo escolhido o ano de 1973 por assinalar a fase final da guerra do Vietname e ser também o ano em que foram assinados os acordos de paz de Paris.
Foi então que Tom Rothman, um director dos Estúdios Fox se lembrou que o filme podia começar e terminar com Patrick Stewart e Ian McKelen, os actores que interpretaram O Professor X e Magneto nos primeiros filmes, de modo a juntar os dois universos. Claro que, para isso ser possível era preciso que alguém viajasse no tempo até ao passado e ficou logo óbvio para todos que a história de Claremont e Byrne seria o ponto de partida ideal para isso.
Naturalmente que o filme que chega aos cinemas este mês de Maio, não adapta directamente a história clássica da BD, mas usa o conceito de forma inteligente para juntar no mesmo filme um leque impressionante de actores, representando duas gerações de X-Men unidas para mudar o futuro. As diferenças são várias, começando logo na data em que se passa a sequência no futuro, que de 2013 passa para 2023, e no membro dos X-Men que regressa ao passado, que no filme não é Kitty Pryde, mas o Wolverine. Uma mudança lógica, pois nos anos 70 A mutante ainda não era sequer nascida, enquanto que Wolverine, graças ao seu factor de cura, praticamente não envelhece. Além disso, está solução permite dar mais tempo de ecrã ao mais popular dos mutantes, que na BD original é rapidamente pulverizado pelos Sentinelas, permitindo a Hugh Jackman regressar pela sétima vez à personagem que o tornou famoso.
Quando Matthew Vaughn, que tinha escrito o argumento do filme, em colaboração com Jane Goldman e Simon Kinberg, decide abandonar a realização de Dias de um Futuro Esquecido, para se dedicar à adaptação ao cinema de The Secret Service, o novo projecto do Argumentista Mark Millar, com quem Vaughn já tinha trabalhado em Kick-Ass, foi necessário encontrar um substituto. Um contratempo que acabou por criar as condições ideais para Bryan Synger, que tinha saído em litígio com os Estúdios Fox quando decidiu abandonar o terceiro filme dos X-Men para dirigir O Regresso de Superman, regressar em glória à franquia que ajudou a lançar. Um regresso que permitiu a Singer, que conversou longamente com James Cameron sobre viagens no tempo e universos paralelos, dirigir actores do calibre de Michael Fassbender, Ian McKelen, James McAvoy, Hale Berry, Jennifer Lawrence, Hugh Jackman, Ellen Page e Anna Paquin, mesmo que no caso da actriz que faz de Rogue, a sua participação no filme tenha acabado por ser cortada na montagem final e só possa ser vista mais tarde nos extras da edição em DVD.

Mas se Rogue está fora do filme, há outros mutantes novos que aparecem aqui pela primeira vez, como Blink, Sunspot, Warpath, QuickSilver e Bishop, tal como o vilão Bolívar Trask, o inventor dos sentinelas, interpretado por Peter Dinklage, o tão pequeno quanto carismático actor que faz de Tyrion Lannister na série televisiva Game of Thrones.
Depois daquele que tem tudo para ser o maior filme dos X-Men e um dos maiores filmes de super-heróis de sempre, Bryan Singer já trabalha em X-Men: Apocalipse, o próximo filme da saga, com estreia marcada para 2016. Um ano que promete para os fãs dos filmes de super-heróis, pois para além dos X-Men, estreia também o terceiro filme do Capitão América e tão aguardado encontro entre Batman e Superman.
Texto publicado originalmente na revista X-Men nº 4, de Maio de 2014

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Fernando Relvas e a revista Tintin em destaque no CNBDI da Amadora


É já na sexta-feira, dia 16 de Maio, que inaugura a exposição Fernando Relvas e a revista Tintin, que tive o prazer de comissariar, aproveitando o espólio de originais de Relvas que a Câmara Municipal da Amadora adquiriu em 2013. Vão estar expostos originais do Espião Acácio, Viagem ao Centro da Terra, Rosa Delta sem Saída, L123, Cevadilha Speed e Slow Motion, que permitem perceber a evolução do traço de Relvas e recordar histórias e personagens inesquecíveis. Se estiverem por aqueles lados, apareçam!