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sábado, 9 de março de 2013

Chaillet entre a História e o Fantástico


Depois de se ter estreado no mercado português em finais de 2012, com dois títulos já analisados neste espaço, a editora espanhola NetCom2 volta a apostar no mercado nacional com mais dois lançados em Fevereiro. São eles “As Deusas da Estrada”, segundo volume da série “Margot”, de Olivier Marin e Emílio Van Der Zuiden, que explora com eficácia uma receita de sucesso (carros “vintage” e mulheres esculturais) que também parece estar a funcionar em Portugal, e “Viagem aos Infernos”, primeiro volume da série “A Última Profecia”, que assinala o regresso de Giles Chailllet às livrarias nacionais.
Título que inaugurou a coleção “Loge Noire”, dirigida por Didier Convard para a Glenat, que explorava a temática esotérica, e onde saiu, por exemplo a série “Le Triangle Secret” e as suas derivações, em que Chaillet também colaborou, esta “Última Profecia” é dos melhores trabalhos do autor formado na escola da revista Tintin, que foi colaborador próximo de Jacques Martin (figura óbvia de referência do catálogo da NEtCom2) nas séries “Lefranc” e “Les Voyages d’Alix”.
Falecido em 2011, com 65 anos, Chaillet iniciou-se na BD nos Estúdios Dargaud, em 1965, trabalhando como colorista nas séries “Blueberry, Achille Talon e Tanguy e Laverdure, tendo trabalhado mais tarde como assistente de Uderzo na série “Astérix”, desenhando anonimamente diversas ilustrações publicitárias e várias histórias curtas com Ideafix, o cão de Astérix. Em Portugal, mais do que pela sua colaboração com Martin na série “Lefranc”, Chaillet é conhecido pelas aventuras de Vasco, um jovem banqueiro na Itália do século XIV, criado em 1976 para a revista “Tintin”, de que a Edinter editou os quatro primeiros volumes em português nos finais dos anos 80. Se esses trabalhos reflectiam a vertente mais clássica da obra de Chaillet, a Última Profecia” mostra uma dimensão mais sombria, numa história claramente mais adulta, em que as teorias da conspiração e os elementos fantásticos convivem com um rigor arquitectónico impressionante.
Grande apaixonado pela cidade de Roma, que já tinha sido o palco do primeiro álbum de Vasco e dos volumes das “Viagens de Ali”x que ilustrou, Gilles Chaillet retrata agora a cidade eterna nos finais do século III, numa fase em que a decadência do Império Romano do Ocidente é bem evidente e a religião cristã dominante procura acabar de vez com os rituais pagãos. Para além de uma intriga bem oleada, que desperta no leitor a curiosidade quanto ao desenrolar da história, este primeiro volume impressiona pelos pormenores da arquitectura e pelo recurso às imagens de dupla página, para algumas cenas de combate, ou para uma impressionante reconstrução do Fórum nas páginas 14 e 15.
 
Uma série a seguir com atenção e que se revela uma muito boa aposta da NetCom2. Editora que promete mais duas novidades para Abril (o 3º álbum de “Margot” e o 2º volume de “Keos”), mostrando um ritmo de publicação sustentado a que os leitores portugueses já não estavam habituados…
(“A Última Profecia Tomo I: Viagem aos Infernos”, de Giles Chaillet, NetCom2 editorial, 48 pags, 15,00 €)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 9/03/2013

sábado, 26 de janeiro de 2013

NetCom2 e o regresso da "Linha Clara"



Mesmo que os tempos de crise em que vivemos não sejam os mais propícios a novas aventuras editoriais, a verdade é que há quem continue a apostar na edição de Banda Desenhada em português. É o caso da NetCom 2, uma editora espanhola que se lançou na edição de Banda Desenhada franco-belga no país vizinho há quatro anos, com sucesso e que no final de 2012 decidiu editar alguns dos seus títulos também em Portugal.
Com um catálogo virado essencialmente para a Banda Desenhada clássica, em que as séries criadas por Jacques Martin, o autor de Alix, têm um grande peso, a NetCom2 privilegia o estilo “Linha Clara”, ligado à revista Tintin, de que Jacques Martin, com Hergé e Edgar P. Jacobs, foi um dos pilares. Não podendo editar “Alix”, série cujos direitos pertencem à Asa, a NetCom2, escolheu outro trabalho de Martin, a série “Keos”, escrita por Martin, para os desenhos de Jean Pleyers, que nos transporta para o antigo Egipto, com o rigor documental e o detalhe que Martin sempre impôs às suas criações.
Ambientada no reinado de Ramsés II, “Keos” contém os ingredientes habituais na obra de Martin, desde o jovem protagonista, ao ambiente de intriga política em que se desenrolam mortíferos jogos de poder e o contracenar de personagens ficcionais, com figuras históricas, como Moisés, que tem uma presença importante nesta história. Quanto à edição da NetCom2, apesar das cores algo esbatidas e da legendagem demasiado mecânica, quando comparadas com a edição original francesa, está bem impressa e melhor encadernada, satisfazendo os critérios de qualidade a que o leitor tradicional de BD franco-belga está habituado.
Se Jacques Martin é um valor seguro, a outra aposta da NetCom2 foi uma agradável surpresa. “O Mistério do Tracção 22”, primeiro volume das investigações de Margot, mistura carros de colecção e um erotismo light, numa história que graficamente recupera a “linha clara” de uma forma bastante competente e eficaz e que, sendo pensada para os fanáticos dos automóveis, deixa-se ler muito bem pelo leitor comum que pouco se interessa pelo assunto.
Em resumo, duas apostas sólidas, a que se juntará em Março, Giles Chailet com a série a “Última Profecia” de uma editora que aposta na Banda Desenhada franco-belga de cariz mais clássico. Uma aposta de risco controlado, que pode apenas ser prejudicada pela pouca exposição dos títulos, que têm uma distribuição muito limitada, que no caso de Coimbra, se limita apenas à Livraria Dr. Kartoon.
(“Keos Vol 1: Osíris”, de Jacques Martin e J. Pleyers, NetCom2 editorial, 48 pags, 15 €
“As Investigações de Margot T 1: O Mistério do Traction 22”, de O. Marin e E. Van Der Zuiden, NetCom2 editorial, 48 pags, 15 €)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 26/01/2013