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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Tex e a Lenda do Cavaleiro sem Cabeça



Já está disponível nas bancas de todo o país, onde se manterá até ao final de Agosto, o mais recente Tex Gigante (ou Texone, como são conhecidas em Itália estas edições) que conta com desenhos do italiano Fabio Civitelli, autor bem conhecido dos fãs nacionais do ranger da casa Bonelli, até pela suas diversas vindas ao nosso país, para conviver com os fãs locais.
Quem costuma acompanhar este blog sabe bem que a minha ligação à série Tex fez-se muito mais pelos desenhadores que a ilustram do que pelo carisma da personagem, daí que siga com especial atenção os Texones, que já me fizeram descobrir desenhadores do calibre de um Pasquale Frisenda, ou de um Carlos Gomez. No caso de Civitelli, cujo trabalho conhecia das revistas mensais, devo confessar que, embora reconheça a qualidade e a extraordinária minúcia do seu traço clássico, está longe de ser dos meus desenhadores do Tex preferidos, muito por força do tratamento fisionómico muito suave e quase idealizado que dá às personagens principais, longe dos rostos marcados e “vividos”, habituais nos desenhos de José Ortiz, Guido Buzzelli, Victor De La Fuente ou Carlos Gomez, que claramente prefiro.
Desenhador regular da série, Civitelli tem aqui outras condições para fazer brilhar o seu traço, aproveitando o formato maior, próximo do A4, destes Tex Gigantes e a verdade é que as aproveita muito bem, realizando um trabalho de sombras notável nas cenas nocturnas, graças a uma apurada técnica pontilhista, na melhor tradição do Mestre Franco Caprioli. O trabalho gráfico de Civitelli resulta excelente em termos da criação de uma atmosfera fantástica e a forma como o suspense é gerido ao longo de toda a história tem momentos brilhantes, tanto nas cenas dos ataques nocturnos do Hombre Muerto, como na sequência na necrópole índia, já para não falar do clima quase daliniano do pesadelo de Eusébio, em que as sombras da noite dão lugar à luz crua do deserto.
Tendo como principal fonte de inspiração o conto clássico de Washington Irving, The Legend of Sleepy Hollow (publicada em Portugal como A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça) que já deu origem a um filme de Tim Burton e a uma série de televisão recente, que transpõe a história para a actualidade, Mauro Boselli transpõe a história de Irving para o México, associa-a a personagens com existência histórica real e partir daí constrói uma boa história de terror, com um toque fantástico, que só peca por um final apressado, sobretudo tendo em conta o tempo que a história propriamente dita demora a arrancar. Mas, para compensar, há algumas sequências brilhantes em termos de criação de ambiente, que poderiam dar um belíssimo filme. Por exemplo, as cenas em que o som da flauta precede o ataque do Hombre Muerto, fizeram-me lembrar a forma absolutamente brilhante como Sérgio Leone usava a música de Enio Morricone nas cenas fulcrais dos seus filmes.
Em suma, mais um Texone a não perder, que me fez apreciar a arte de Fabio Civitelli com outros olhos.
(Tex Gigante nº 27: A Cavalgada do Morto, de Mauro Boselli e Fabio Civitelli, Mythos Editora, 242 pags, p/b, 10 €)

domingo, 1 de dezembro de 2013

O "Texone perdido" de Nizzi e Seijas chega a Portugal


Já está nas bancas portuguesas “As Hienas de Lamont”, o Tex Gigante nº 26,  ilustrado pelo argentino Ernesto Garcia Seijas. Depois de Carlos Goméz, no (magnífico) volume anterior, este é o 2º Tex Gigante (ou Texone, como lhe chamam os italianos) seguido, a contar com ilustrações de um mestre argentino que os leitores italianos conhecem das revistas da Eura Editoriale, a grande rival da Bonelli nos quiosques de Itália.
Mas isso é apenas uma mera coincidência, pois este livro, em que o desenhador começou a trabalhar em 2000, estava na gaveta do editor há quase uma década, havendo até quem duvidasse que alguma vez viesse a sair… Ao que parece, o motivo seria a quantidade (e a sensualidade) das mulheres que Seijas desenhou nesta aventura de Tex. A prova-lo está o facto de Garcia Seijas ter tido que redesenhar 11 páginas, mas mesmo com estas alterações, o livro, que chegou a estar anunciado para 2003, ficou guardado numa gaveta desde 2005 e só acabaria por ver a luz do dia em Novembro de 2011, já após a morte de Bonelli, falecido em Setembro desse ano.
Agora que o livro está ai, fica a dúvida quando à decisão de Bonelli. Sendo claramente uma história atípica em relação ao habitual na série, seja pelo facto de não acontecer grande coisa ao longo das quase duzentas páginas, seja pela sensualidade das figuras femininas de Seijas, seja ainda pelo facto de a maioria da história se passar num ambiente urbano, não me parece que “As Hienas de Lamont” seja um mau livro do Tex. É apenas um livro do Tex diferente, o que poderá ser encarado como negativo pelos fãs mais puristas, mas que, para mim, que continuo a seguir a série pela qualidade dos desenhadores, este “Texone” não desilude.
O mérito é todo de Seijas, um veterano da BD argentina, que já trabalhou com os maiores argumentistas do seu país, de Oesterheld a Trillo, passando por Robin Wood, e que aqui demonstra toda a elegância e sensualidade do seu traço, marcado pela clareza e legibilidade, na linha de outros mestres argentinos, como Horacio Altuna.
Se o argumento de Nizzi, um dos últimos que assinou para a editora Bonelli, mostra um escritor longe do seu melhor nível, numa história em que a presença dos companheiros de Tex não é devidamente aproveitada, a história tem o mérito de fazer brilhar os pontos fortes da arte de Seijas, um desenhador de grande elegância e com grande capacidade no tratamento fisionómico das personagens, evidente tanto nas personagens secundárias, como nas duas belas protagonistas femininas.
Embora longe do nível do volume anterior, este “Texone” é ainda assim bastante recomendável, sobretudo para quem quiser descobrir a belíssima arte de Ernesto Garcia Seijas, mais um mestre argentino que chega a Portugal graças à série Tex Gigante.
(“Tex Gigante nº 26: As Hienas de Lamont”, de Cláudio Nizzi e Ernesto Garcia Seijas, Mythos Editora, 242 pags, 10,00 €)
Versão integral do texto que devia ter sido publicado no Diário As Beiras de 30/10/2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ainda está nas bancas um dos melhores Tex Gigante de sempre


Por regra, os meus textos destinados ao Diário As Beiras, saem primeiro no jornal, antes de serem publicados em versão alargada neste blog. Mas no caso do texto desta semana, dedicado ao Tex Gigante nº 25, que termina o seu percurso nas bancas no início da próxima semana, decidi abrir uma excepção para evitar que muitos dos meus leitores só se apercebam da saída deste belíssimo livro, quando ele já não estiver à venda.
E a verdade é que é mesmo um crime perder o melhor Tex Gigante que já li e que, por isso mesmo, já tinha feito parte da lista das minhas Melhores Leituras de 2011, apresentada neste blog em Janeiro de 2012.

Escrito por Gianfranco Manfredi, o argumentista do excelente Western “Mágico Vento”, outra bela série da Bonelli que também chegou a Portugal via edição brasileira da Mythos, o argumento de “Na Trilha do Oregon” surpreende pelo destaque pouco habitual dado às personagens femininas. Personagens essas que, por regra, brilham pela ausência no universo do ranger criado por G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini, mas que aqui estão no centro da bem urdida intriga, centrada no percurso de uma caravana de mulheres, que se dirige para o Oregon, onde as esperam os futuros maridos e que se cruzam com Tex e Kit Carson, que seguem o mesmo caminho, em perseguição de um assassino fugitivo.  E, ao contrário do que seria de esperar, estas mulheres não são meras figurantes, mas personagens bem definidas, tal como o assassino que os heróis perseguem e que se revela uma figura trágica, por quem o leitor acaba por sentir alguma piedade.
Mas, apesar do belo argumento de Manfredi, o melhor deste Texone é o desenho do argentino Carlos Gomez. Numa coleção por onde já passaram grandes nomes da BD mundial, como Magnus, Joe Kubert, Jordi Bernett, Victor De La Fuente, Manfred Sommer, Guido Buzelli, ou José Ortiz, o traço elegante e pormenorizado de Gomez destaca-se ainda assim, confirmando o extraordinário talento do desenhador argentino, praticamente desconhecido em Portugal, mas muito popular em Itália graças à série “Dago”, que desenhou entre 1997 e 2008. Série que narra as aventuras de um nobre veneziano do século XVI que se torna mercenário, “Dago” foi o maior sucesso da Eura Editoriale, a grande concorrente da Bonelli nos quiosques italianos, muito por força do desenho de Gomez.

Tendo começado a sua carreira como assistente dos desenhadores argentinos Lito Fernandez e Horacio Lalia, Gomez saltou para a ribalta em 1997, quando substituiu Alberto Salinas, o filho do mítico José Luis Salinas, o desenhador de Cisco Kid, na série “Dago”, escrita pelo prolífico argumentista Robin Wood. Habituado a desenhar cavalos na série “Dago”, Gomez revelou-se uma escolha inspirada para desenhar um Western como Tex. Mas não é só nos cavalos que o desenhador argentino brilha, pois o desenhador argentino revela-se exuberante no tratamento dos cenários, notável na expressividade dos rostos e extraordinariamente eficaz nas cenas de acção. Com um traço de raiz clássica, que alia a visceralidade e o dinamismo à elegância, Gomez revela-se à altura dos grandes desenhadores do seu país, como Solano Lopez, José Muñoz, Alberto Breccia, Enrique Breccia, Eduardo Risso ou Horacio Altuna.
  Em resumo, se a coleção Tex Gigante merece sempre atenção, este “Na Trilha do Oregon” é mesmo a não perder, para quem gosta de uma história bem contada, servida por um excelente desenho realista de um artista argentino que se revelou um mestre dos fumetti, a BD italiana.
(“Tex Gigante nº 25: Na Trilha do Oregon”, de Gianfranco Manfredi e Carlos Gomez, Mythos Editora, 242 pags, 10,00 €)
Versão integral do texto a publicar no Diário As Beiras de 7 de Setembro de 2013

sábado, 8 de dezembro de 2012

Tex em Cuba



Com o regresso das publicações da Mythos aos quiosques nacionais, regressou também um título que tem tido presença regular neste espaço. O Tex Gigante. Os Tex Gigantes, ou Texones, como saberão os leitores habituais desta coluna, são edições anuais em formato maior e com uma produção mais cuidada, em que autores de renome na Banda Desenhada mundial, têm a oportunidade de imprimir a sua marca pessoal ao mais popular cowboy da BD italiana, em histórias de longo fôlego, com mais de 200 páginas de acção.
No caso deste “Tex Gigante”, publicado originalmente em Itália em 2010, Tex vai até à Ilha de Cuba, acompanhado do seu amigo Montales, para tentar resgatar uma criança raptada por um poderoso feiticeiro, que se dedica à “Santeria”, um rito mágico próximo do Vodu haitiano. Um mero pretexto para levar Tex até um cenário exótico, com bons resultados, embora não tão bons como os conseguidos no “Texone” anterior, um dos melhores títulos da série, já referido neste espaço, também escrito por Mauro Boselli, em que o cowboy Tex foi até à Patagónia.

Neste caso, Tex troca temporariamente as pradarias do velho Oeste, pela Ilha de Cuba, onde dá apoio aos “mambises”, os guerrilheiros que combatem o domínio espanhol, numa história concebida pelo próprio Sérgio Bonelli, na sequência de uma viagem a Cuba, para participar num Festival de Banda Desenhada e desenvolvida por Mauro Boselli, para o traço de Orestes Suarez, um dos raros (se não mesmo o único) desenhadores profissionais cubano.
A escolha de Suarez, para além de lógica, face à sua origem, resulta bem, pois o desenhador cubano é possuidor de um traço realista extremamente detalhado e não poupa nos pormenores dos cenários e mesmo alguns problemas de movimento, patentes em algumas cenas iniciais (por exemplo, as cenas em alguém lança uma faca, funcionam mal) são resolvidos ao longo da história, em que é visível a evolução do seu traço e uma maior confiança do desenhador. Por exemplo, o duelo final à chuva entre Don Rafael e o Coronel espanhol é notável em termos de movimento e de planificação. Resumindo, não sendo dos melhores “Texones” que já li, este “Rebeldes de Cuba” é uma obra muito sólida e de grande competência, servida pelo traço rigoroso e dinâmico de um desenhador, para mim, perfeitamente desconhecido, mas que mostra qualidade mais do que suficiente, para assinar um Tex Gigante. A mais prestigiada das publicações da Bonelli, por onde já passaram alguns dos maiores nomes da BD mundial, como Jordi Bernett, Guido Buzzelli, Magnus, Carlos Gomez, Manfred Sommer, Joe Kubert, José Ortiz, entre outros e que continua a ser obrigatória para quem aprecia a aventura clássica e as possibilidades estéticas da Banda Desenhada a preto e branco.
(“Tex Gigante nº 24: Rebeldes em Cuba”, de Guido Nolitta, Mauro Boselli e Orestes Suarez, Mythos Editora, 242 pags, 9,00 €)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 07/12/2012

domingo, 4 de setembro de 2011

Tex na Patagónia

Mais uma vez, a série “Tex”, verdadeiro fenómeno de popularidade em Itália, volta a ser objecto de referência nesta coluna, por via de um novo “Texone”, edições anuais em formato maior e com uma produção mais cuidada, que a Mythos Editora fez chegar aos quiosques portugueses na passada semana.
No caso deste “Tex Gigante” nº 23, escrito por Mauro Boselli e ilustrado pelo italiano Pasquale Frisenda, Tex e o seu filho Kit viajam até à Patagónia, nos confins da Argentina, para mediar um conflito entre o exército argentino e as tribos locais, naquela que é, de muito longe, a melhor história de Tex que já li.
Larga e justamente premiado em Itália, este “Patagónia” alia o exotismo de um cenário pouco habitual para um Western, como as Pampas argentinas, a um argumento muito bem construído por Mauro Boselli, o criador da série “Dampyr”, também já referida nesta coluna.
Uma história movimentada e cheia de acção, que aborda com realismo o genocídio das tribos índias, protagonizada por personagens caracterizadas com profundidade (a esse nível, a excepção acaba por ser o próprio Tex…), com destaque para o Coronel Ricardo Mendoza, um militar dividido entre a honra e o dever, cuja personalidade vai evoluindo ao longo da história.
Outro ponto muito forte deste “Patagónia” é o excelente trabalho de sombras de Frisenda, desenhador habitual da série “Mágico Vento”, que se revela aqui um verdadeiro mestre do preto e branco. Sem ser um virtuoso do desenho, Frisenda é um bom desenhador em geral e mesmo muito bom em termos narrativos e de planificação: veja-se a cena inicial do ataque dos índios Tehuelches a Três Arroyos, ou o sangrento combate final no desfiladeiro.
Para quem nunca leu uma história de Tex, este “Patagónia” pode ser um óptimo ponto de partida, pela grande qualidade da história e eficácia dos desenhos (ao contrário do que é habitual nestes “Texones”, onde o ênfase maior é geralmente para o trabalho superlativo do desenhador convidado, ao serviço de um argumento que muitas vezes é apenas funcional).
Além disso, estas edições gigantes têm uma óptima relação qualidade/preço, com uma história de 242 páginas em grande formato, por apenas nove euros, a justificar bem o trabalho de procurar este “Tex: Patagónia” no meio das revistas e das colecções de livros e DVDs que invadem os quiosques nacionais, deixando um espaço cada vez mais reduzido para a Banda Desenhada.
(“Tex Gigante nº 23: Patagónia”, de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda, Mythos Editora, 242 pags, 9,00 €)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 3/09/2011

segunda-feira, 1 de março de 2010

Recordando Manfred Sommer, a propósito de Tex


Já está disponível nos quiosques portugueses, o nº 452 da revista “Tex”, que recolhe a primeira parte da última história completa desenhada pelo espanhol Manfred Sommer, falecido a 3 de Outubro de 2007, com 74 anos de idade. Um bom pretexto para voltar a evocar Sommer neste jornal, depois de já lhe ter dedicado um texto, a propósito do Tex Gigante nº 12 que deu início à sua colaboração com a editora Bonelli.
Nome grande da BD realista espanhola que, tal como os seus colegas, José Ortiz, Alfonso Font, Esteban Maroto e Victor De La Fuente, continuou a trabalhar em Banda Desenhada, graças à editora Bonelli, findo o boom das revistas de BD em Espanha nos anos 90, Manfred Sommer é conhecido em Portugal graças ao jornalista e correspondente de guerra Frank Cappa, interessante e carismática personagem publicada em Portugal em finais da década de 80, primeiro na revista “O Mosquito” e mais tarde em álbum pela Meribérica. Em inícios dos anos 90, Sommer tinha trocado a Banda Desenhada pela pintura, até que a persistência de Sérgio Bonelli o convenceu a regressar à BD para desenhar o ranger “Tex”, primeiro num Tex Gigante e, posteriormente, na revista mensal do ranger da Editora Bonelli.
Uma colaboração a que a morte pôs fim, mas que deu origem a alguns dos seus melhores trabalhos, em termos gráficos. Mesmo que esta não seja a última vez que Manfred Sommer desenhou o Tex, pois antes falecer já tinha desenhado mais de 90 páginas de uma nova história, que foi finalmente publicada no Almanaque italiano de 2009 (e que a Mythos publicou no Brasil no Almanaque Tex nº 37, ainda não distribuído em Portugal) depois de concluída pelo desenhador Massimiliano Leonardo, mais conhecido por Leomacs, “A Última Diligência” foi o seu derradeiro trabalho finalizado.
A história, escrita por Mauro Boselli, que termina apenas no nº 453 da revista “Tex”, coloca Tex em confronto com Scott Dunson, um ladrão de bancos inteligente e cuidadoso e apela bastante à versatilidade de Sommer, tão à vontade a desenhar as cenas nocturnas na cidade mineira abandonada de Silver Lodge, em que joga muito bem com as sombras para efeitos dramáticos, como as sequências em espaço aberto no deserto do Arizona, plenas de dinamismo e detalhe rigoroso. Igualmente competente nas cenas de acção, como no tratamento fisionómico das personagens, Sommer tinha também uma excelente técnica narrativa, bem visível na forma como, através da alternância de planos e de enquadramentos, torna mais agradável a leitura das cenas expositivas, em que o argumentista tenta passar o máximo de informação através dos diálogos, como acontece, por exemplo, entre as páginas 70 e 75. Pena que a sua morte tenha privado a Bonelli de um dos seus melhores desenhadores, privando-nos a nós leitores, do prazer de (re)ver um grande desenhador, que conseguiu manter intacto até ao fim da vida, todo o seu talento gráfico.
(“Tex nº 452: A Última Diligência”, de Boselli e Sommer, Mythos Editora, 114 pags, 2,90 €)
Versão alargada do texto publicado no Diário As Beiras de 27/02/2010