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domingo, 31 de agosto de 2014

Universo Marvel 8 - Thor: Renascido

THOR REGRESSA AO UNIVERSO MARVEL

Universo Marvel – Vol. 8
Thor: Renascido
Argumento – J. M. Straczynski
Desenho – Olivier Coipel
Quinta, 28 de Agosto, Por + 8,90 €

Thor, o poderoso Deus do trovão da Marvel tem sido notícia nos últimos tempos, graças à decisão da editora de o transformar numa mulher a partir do próximo mês de Outubro. Mas enquanto esse momento não chega, os leitores podem descobrir o bom e velho Thor que sempre conheceram, na inspirada versão de J. M. Straczynski, que vai estar em destaque no próximo volume da colecção Universo Marvel.

Criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1962, no nº 83 da revista Journey into Mystery, Thor vai beber inspiração directa à mitologia nórdica, misturando-a com intrigas e diálogos shakespereanos, numa mistura improvável, mas bem-sucedida, que revela o talento de Lee e Kirby. Armado com o seu martelo Mjolnir, Thor é o Deus do Trovão da mitologia nórdica que, por castigo do seu pai, o todo-poderoso Odin, é aprisionado no corpo frágil de um mortal, o Dr. Donald Blake. E é precisamente nessa oposição entre o divino e o humano, entre Asgard, o lar dos Deuses Nórdicos e Midgard, o planeta Terra, que oscila a dinâmica da série.
Na anterior presença de Thor numa colecção dedicada à Marvel, o volume As Idades do Trovão, da primeira série dos Heróis Marvel inteiramente passado em Asgard, a dimensão épica da saga dos deuses nórdicos estava em natural destaque. Nesta nova etapa da personagem, da responsabilidade de Straczynski, é a articulação dos Deuses nórdicos com os humanos que está no centro da acção, pois na sequência do Ragnarok, o Crepúsculo dos Deuses, Odin morreu, Asgard deixou de existir do outro lado da Ponte do Arco-íris e o Poderoso Thor viu-se obrigado a reconstruir o lar dos Deuses nórdicos. Nasceu assim uma nova Asgard flutuante, pairando sobre o Estado de Oklahoma, cuja existência irá ter consequências profundas no equilíbrio do Universo Marvel, que serão abordadas em Cerco, um dos próximos volumes desta colecção.
Escritor de cinema, televisão e Banda Desenhada, Straczynski estreou-se como argumentista na série de animação He-Man, no início da década de 80, dando assim início a uma carreira bem-sucedida como escritor para televisão, que tem o seu ponto mais alto em 1994, com a série de ficção científica Babilon 5, que Straczynskyi criou, escreveu, produziu e realizou durante 5 temporadas. Terminada essa primeira etapa, o autor conciliou a sua actividade no cinema e na TV com o seu amor de infância, os comics, criando para a Top Cow as séries Rising Stars e Midnight Nation. A qualidade do trabalho de Straczynski chamou a atenção de Joe Quesada, editor-chefe da Marvel que o convidou para escrever as aventuras do Homem-Aranha, oferecendo-lhe um contrato de exclusividade. O trabalho de Straczynski com o Homem-Aranha ao longo de seis anos, em que colaborou sobretudo com o desenhador John Romita Jr., valeu-lhe inúmeras distinções e teve edição nacional pela Devir, tanto em revista, como em livro.
Seguiu-se a nova série do Poderoso Thor, cujo primeiro capítulo podem ler no volume que chega na próxima quinta-feira às bancas, em que contou com a colaboração do desenhador francês Olivier Coipel, que os leitores já conhecem do volume Dinastia de M, publicado na segunda série que a o Público e a Levoir dedicaram à “Casa das Ideias”. Um dos ilustradores mais em destaque na Marvel nos últimos anos, Coipel confirma a qualidade do traço que já era evidente em Dinastia de M, articulando a dimensão épica dos Deuses nórdicos com um registo mais intimista da América profunda, cuja tranquilidade a presença dos Deuses de Asgard veio perturbar.
Publicado originalmente no jornal Público de 22/08/2014

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Lá Fora - Before Watchmen


Se houve um projecto editorial recente no mercado americano rodeado pela polémica mal foi anunciado, esse projecto foi Before Watchmen. Um conjunto de prequelas ao clássico Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, publicadas contra a vontade expressa de Moore. O mesmo Alan Moore que estava de relações cortadas com a editora há muitos anos, precisamente por causa dos direitos de Watchmen, que aquando da publicação original da míni-série, em 1986, tinha ficado acordado que reverteriam para os seus autores, quando a série deixasse de estar disponível nas livrarias. Mas o problema é que a série nunca deixou de estar disponível  nas livrarias, sucedendo-se as reedições ao longo dos anos, que tornaram Watchmen a graphic novel mais vendida de todos os tempos. Um sucesso comercial que o filme de Zack Snider a partir da graphic novel, que muitos, incluindo o próprio Moore, consideravam impossível de adaptar ao cinema, só veio aumentar de forma exponencial.

Perante um sucesso comercial tão grande e tão dilatado no tempo, era só uma questão de tempo até que a editora DC decidisse explorar o universo de Watchmen em histórias originais. Tendo em conta que o final de Watchmen não deixava grande espaço para continuações, uma prequela era o caminho mais lógico e foi esse que a DC seguiu, envolvendo no projecto alguns dos maiores nomes dos Comics americanos.
Se Dave Gibbons deu a sua benção mais ou menos envergonhada ao projecto, já Moore fez questão de gritar bem alto a sua oposição, apelando ao boicote da série e a controvérsia não se fez esperar, pois se houve autores que apoiaram Moore, houve também quem lembrasse que Moore não tinha grande autoridade moral para criticar os autores que iam utilizar as suas personagens, quando ele próprio construiu grande parte da sua carreira a trabalhar com personagens que não foram criadas por si, e em casos como Lost Girls e The League of Extraordinary Gentlemen, utilizando-as de uma forma que certamente não agradaria muito aos criadores originais.
Mas este texto não é sobre a polémica, mas sim sobre os livros e, num momento em que falta apenas publicar o último número da míni-série Comedian e os volumes encadernados já estão anunciados para Junho, já se pode fazer um balanço deste projecto. Embora nenhuma das seis míni-séries principais atinja o nível do original (o que seria muito difícil, uma vez que estamos a falar de uma das melhores histórias de super-heróis de sempre), a verdade é que estamos perante livros sólidos, com alto nível de produção escritos e desenhados de forma no mínimo eficaz por grandes autores que encararam este projecto como uma forma de homenagear a série original.
Embora o trabalho gráfico seja do melhor que os diferentes desenhadores já fizeram, a verdade é que este é um projecto, acima de tudo, de argumentistas.

Darwyn Cooke além de escrever e desenhar a míni-série Minutemen, respeitando a planificação habitual de Dave Gibbons, de 3 tiras de 3 quadrados por página, assina também a míni-série Silk Spectre, maravilhosamente desenhada por Amanda Conner.Dois trabalhos com ambições diferentes, mas muito conseguidos.
Brian Azzarello escreveu as míni-séries dedicadas ao Comendian e a Rorschach, os dois personagens mais sombrios de Watchmen. Se Comedian, com desenhos de Gerard Jones, mostra a ligação do Comediante à família Kennedy, e a sua participação na morte de Marillyn Monroe, a mando de Jacqueline Kennedy, já Comedian, com desenhos espectaculares de Lee Bermejo, mostra o lado negro de Nova Iorque dos anos 70, em que Roschach se cruza com Travis Bickle, o Taxi Driver do filme de Martin Scorcese. Se Roscharch é uma história policial simples, que tem lugar antes dos acontecimentos
de Watchmen, já Comedian tem um âmbito mais vasto, fazendo a ligação entre a história pessoal do Comediante e a história da América, num percurso que vai do fim do sonho americano, com a morte  de Kennedy (em que o Comediante não está envolvido, ao contrário do que insinua Moore na série original), até ao pesadelo da guerra do Vietnam.
J. M. Straczynski assina o argumento de outras duas mini-séries, Nite Owl e Dr. Manhattan. A primeira, ilustrada por Andy Kubert, com arte final do seu pai, Joe Kubert, que faleceu durante a publicação da série e teve que ser substituido por Bill Sienkiewicz, é talvez a menos interessante de todas as mini-séries, esperando-se mais dos nomes envolvidos. Já em Dr. Manhattam, Straczynski vai mais longe do que Alan Moore, jogando com as imensas possibilidades de uma personagem como o Dr. Manhattan, numa história inteligente, que joga com os paradoxos do espaço e do tempo, muito bem ilustrada por Adam Huges.
Por último, Len Wein, que tinha sido editor de Alan Moore na série Watchmen e na sua passagem pela série Swamp Thing, assina a mini-série dedicada a Ozymandias que, mais do que pela história, vale pela forma como Jae Lee trabalha as páginas, em composições magníficas. Também é de Wein o argumento da história Crimson Corsair, a história de piratas que os personagens de Watchmen liam nas revistas e que aqui corre paralela às várias mini-séries, em capítulos de 2 páginas em continuação. Como decidi esperar pelo volume encadernado para ler a história toda de seguida, apenas me posso referir ao desenho de John Higgins, que tinha sido o colorista original de Watchmen e que aqui se revela um desenhador bastante competente.
Face ao sucesso de vendas, já com as séries em publicação, foram anunciadas mais duas revistas. Moloch, uma mini-série em 2 números dedicada ao principal vilão de Watchmen, escrita por Straczynski para o traço inimitável de Eduardo Risso, o desenhador de Chicanos e 100 Bullets, e Dollar Bill, um one-shot dedicado ao malogrado super-herói, escrito por Len Wein, com desenhos cheios de elegância e de glamour de Steve Rude.  
Se qualquer um dos argumentistas envolvidos já fez melhor do que mostra na sua participação neste projecto, já em termos de desenho não se pode dizer o mesmo, pois desenhadores como Amanda Conner, Jae Lee e Lee Bermejo assinam aqui dos seus melhores trabalhos, muito bem servidos por excelentes trabalhos de cor.
Em suma, mesmo que Before Watchmen não vá ficar na história como ficou a BD que lhe deu origem, este é um projecto que mostra um grande respeito pela BD original, esmiuçando de forma eficaz e coerente, o passado das personagens que Moore e Gibbons apenas tinham esboçado.