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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ainda está nas bancas um dos melhores Tex Gigante de sempre


Por regra, os meus textos destinados ao Diário As Beiras, saem primeiro no jornal, antes de serem publicados em versão alargada neste blog. Mas no caso do texto desta semana, dedicado ao Tex Gigante nº 25, que termina o seu percurso nas bancas no início da próxima semana, decidi abrir uma excepção para evitar que muitos dos meus leitores só se apercebam da saída deste belíssimo livro, quando ele já não estiver à venda.
E a verdade é que é mesmo um crime perder o melhor Tex Gigante que já li e que, por isso mesmo, já tinha feito parte da lista das minhas Melhores Leituras de 2011, apresentada neste blog em Janeiro de 2012.

Escrito por Gianfranco Manfredi, o argumentista do excelente Western “Mágico Vento”, outra bela série da Bonelli que também chegou a Portugal via edição brasileira da Mythos, o argumento de “Na Trilha do Oregon” surpreende pelo destaque pouco habitual dado às personagens femininas. Personagens essas que, por regra, brilham pela ausência no universo do ranger criado por G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini, mas que aqui estão no centro da bem urdida intriga, centrada no percurso de uma caravana de mulheres, que se dirige para o Oregon, onde as esperam os futuros maridos e que se cruzam com Tex e Kit Carson, que seguem o mesmo caminho, em perseguição de um assassino fugitivo.  E, ao contrário do que seria de esperar, estas mulheres não são meras figurantes, mas personagens bem definidas, tal como o assassino que os heróis perseguem e que se revela uma figura trágica, por quem o leitor acaba por sentir alguma piedade.
Mas, apesar do belo argumento de Manfredi, o melhor deste Texone é o desenho do argentino Carlos Gomez. Numa coleção por onde já passaram grandes nomes da BD mundial, como Magnus, Joe Kubert, Jordi Bernett, Victor De La Fuente, Manfred Sommer, Guido Buzelli, ou José Ortiz, o traço elegante e pormenorizado de Gomez destaca-se ainda assim, confirmando o extraordinário talento do desenhador argentino, praticamente desconhecido em Portugal, mas muito popular em Itália graças à série “Dago”, que desenhou entre 1997 e 2008. Série que narra as aventuras de um nobre veneziano do século XVI que se torna mercenário, “Dago” foi o maior sucesso da Eura Editoriale, a grande concorrente da Bonelli nos quiosques italianos, muito por força do desenho de Gomez.

Tendo começado a sua carreira como assistente dos desenhadores argentinos Lito Fernandez e Horacio Lalia, Gomez saltou para a ribalta em 1997, quando substituiu Alberto Salinas, o filho do mítico José Luis Salinas, o desenhador de Cisco Kid, na série “Dago”, escrita pelo prolífico argumentista Robin Wood. Habituado a desenhar cavalos na série “Dago”, Gomez revelou-se uma escolha inspirada para desenhar um Western como Tex. Mas não é só nos cavalos que o desenhador argentino brilha, pois o desenhador argentino revela-se exuberante no tratamento dos cenários, notável na expressividade dos rostos e extraordinariamente eficaz nas cenas de acção. Com um traço de raiz clássica, que alia a visceralidade e o dinamismo à elegância, Gomez revela-se à altura dos grandes desenhadores do seu país, como Solano Lopez, José Muñoz, Alberto Breccia, Enrique Breccia, Eduardo Risso ou Horacio Altuna.
  Em resumo, se a coleção Tex Gigante merece sempre atenção, este “Na Trilha do Oregon” é mesmo a não perder, para quem gosta de uma história bem contada, servida por um excelente desenho realista de um artista argentino que se revelou um mestre dos fumetti, a BD italiana.
(“Tex Gigante nº 25: Na Trilha do Oregon”, de Gianfranco Manfredi e Carlos Gomez, Mythos Editora, 242 pags, 10,00 €)
Versão integral do texto a publicar no Diário As Beiras de 7 de Setembro de 2013