sexta-feira, 27 de maio de 2016
A caminho de Beja, para o XII Festival Internacional de BD
Se há evento ligado à BD que faço questão de não falhar, é o Festival de BD de Beja, que começa precisamente esta noite e dura até 12 de Junho. Como sempre, o primeiro fim-de-semana é o mais importante, pois é aquele em que estão todos os autores convidados, entre portugueses e estrangeiros. É também a altura dos lançamentos e apresentações de livros e de programas editoriais.
Eu, para além de estar por lá durante o fim-de-semana, a conviver e a aproveitar a gastronomia e os vinhos alentejanos, vou também estar à conversa com dois autores de que gosto particularmente. Edmond Baudoin, no sábado, entre as 17h e as 17h30m, e Eduardo Risso, entre as 21h e as 21h30m. Neste caso, para os resistentes que preferirem ouvir falar de BD a ver a Final da Champions.
O Programa completo do Festival, organizado com a simpatia e eficácia do costume por Paulo Monteiro e a sua equipa, que este ano troca a Casa da Cultura, pelo Teatro Pax Júlia, bem no centro histórico, pode ser consultado aqui. Mas há desde logo destaques que se impõem, como a exposição e o lançamento dos Vampiros de Filipe Melo e Juan Cavia e as presenças de Paco Roca, um dos mais interessantes autores espanhóis da actualidade, que se estreia num Festival português, Eduardo Risso, Edmond Baudoin, Henrique Magalhães e Marcelo D' Salete, entre os autores estrangeiros
Quanto a mim, se o tempo o permitir, conto aqui deixar um punhado de imagens de mais uma edição do mais simpático Festival de BD nacional.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Os Vampiros - Texto de antevisão para o blog galego Metrópoles Delirantes
Este ano, a propósito do Dia das Letras Galegas, o blog galego Metrópoles Delirantes convidou uma série de críticos de BD a escolherem um livro para destacar no Blog. Este ano, para além dos críticos e bloguers galegos, o convite foi estendido a dois críticos portugueses.
O Pedro Cleto, que escreveu sobre O Poema Morre, de David Soares e Sandra Oliveira, e eu, que escrevi sobre Os Vampiros, o novo livro de Filipe Melo e Juan Cavia, que vai ser lançado no sábado no Festival de BD de Beja.
Com um limite bastante rígido de 200 palavras, o texto que podem ler a seguir é apenas uma primeira abordagem , sem spoilers , a um livro cujo processo acompanhei de perto e que merece um destaque bem maior, pelo que voltarei a ele depois do Festival de Beja.
Aqui fica o texto escrito para as Metrópoles Delirantes:
Os Vampiros, de Filipe Melo e Juan Cavia
Conhecidos graças à série Dog Mendonça e Pizzaboy, o maior sucesso da BD portuguesa dos últimos cinco anos, a dupla Filipe Melo e Juan Cavia regressa à Banda Desenhada com Os Vampiros, uma novela gráfica de grande fôlego que será lançada no final de Maio no Festival de BD de Beja.
Centrada no destino de um grupo de comandos portugueses destacados na Guiné, enviado para uma missão secreta no Senegal, que se revelará uma viagem ao coração das trevas, Os Vampiros é claramente um passo em frente no percurso dos dois autores. Apesar do título poder evocar o universo sobrenatural das aventuras de Dog Mendonça, essa evocação é enganadora.
Este livro é algo completamente diferente, onde o terror é agora sobretudo psicológico e tremendamente humano, sem o humor presente em Dog Mendonça. Se quisermos estabelecer um paralelo com o cinema, área em Filipe Melo também dá cartas (tal como Dog Mendonça, Os Vampiros também começou por ser um guião para cinema) podemos dizer que, se Dog Mendonça estava mais próximo de um Indiana Jones, ou das Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim, Os Vampiros é o Platoon, ou talvez até mais, o Apocalipse Now de Melo e Cavia.
Uma obra tremendamente ambiciosa e perturbadora, sobre o horror da guerra e os demónios que existem dentro de cada homem, muitíssimo bem contada e maravilhosamente desenhada por um Juan Cavia que se revela igualmente um colorista de excepção. O ano ainda agora vai a meio, mas não tenho grandes dúvidas que Os Vampiros é a melhor BD portuguesa de 2016.
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Tinta da China
domingo, 15 de maio de 2016
Darwyn Cooke (1962-2016)
Vão-se os melhores! No caso de Darwyn Cooke, a notícia foi tão brutal como inesperada... Na sexta-feira, a mulher de Cooke anunciou no blog do autor que ele estava a receber cuidados paliativos, para uma forma muito agressiva de cancro e, cerca de 24 horas depois, anunciava o seu falecimento.
Com uma carreira que se iniciou na animação, Cooke era um dos mais talentosos desenhadores da actualidade e um extraordinário narrador, com um estilo de uma elegância nostálgica e um aspecto "vintage" inconfundíveis.
De uma obra vasta e muito conseguida, destacam-se as adaptações dos romances de Richard Stark, da série Parker, o primeiro dos quais a Devir editou em Portugal, e o magnífico The New Frontier, uma revisitação nostálgica da origem da Liga da Justiça, que o próprio adaptou para um excelente filme de animação, mas não podemos esquecer também a sua colaboração com Ed Brubaker na série Catwoman, a sua releitura do Spirit, de Will Eisner (a única a estar à altura do trabalho de Eisner), as colaborações com Justin Gray e Jimmy Palmiotti na série Jonah Hex e a sua participação decisiva na série Before Watchmen.
O seu último trabalho, a mini-série Twilight Children, em que colabora com Gilbert Hernandez, embora interessante e muito bem ilustrado, não está entre o melhor dos dois autores, mas Cooke estava a trabalhar numa mini-série para a Image, chamada Revengeance, que não se sabe ainda em que estado de adiantamento estava e se chegará alguma vez a sair.
O que está disponível, e é indispensável, é o livro Graphic Ink: The DC Comics Art of Darwyn Coooke, uma artbook, magnificamente ilustrado, que mostra bem a qualidade estética, a elegância e o sentido de composição do malogrado autor. Um dos nomes maiores dos comics americanos de quem, o punhado de imagens que vou postar a seguir, fazem uma pálida justiça.
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sexta-feira, 13 de maio de 2016
Super-Heróis DC 15 - Esquadrão Suicida: Nós que Vamos Morrer
E, a fechar a semana, aqui vai o texto do volume que fechou esta segunda colecção dedicada à DC. Seguem-se a segunda edição das Novelas Gráficas e a edição portuguesa de Watchmen. Ou seja, muita coisa sobre a qual irei escrever e que aqui publicarei.
ANTES DE CHEGAR AO CINEMA,
O ESQUADRÃO SUICIDA FECHA A COLECÇÃO SUPER-HERÓIS DC
Super-Heróis DC Vol 15
Esquadrão Suicida: Nós que Vamos Morrer
Argumento – John Ostrander
Desenhos – Luke McDonnell
Quinta, 12 de Maio
Por + 9,90 €
A três meses de chegar às salas de cinema, num dos filmes mais aguardados do ano, o Esquadrão Suicida é o protagonista do volume final da colecção que o Público e a Levoir dedicaram aos Super-heróis da DC Comics.
Mostrando como as diferenças entre os heróis e os vilões são cada vez mais difusas, os membros do Esquadrão Suicida são, na sua maioria, criminosos que aceitam missões arriscadas, em troca de uma redução da pena. O conceito de grupo secreto do Governo Americano, formado por criminosos, para levar a cabo missões suicidas, de cuja existência em caso de fracasso, o governo podia facilmente negar ter conhecimento, não é propriamente novo, tendo sido explorado em filmes como Doze Indomáveis Patifes, de Robert Aldrich, ou Sacanas Sem Lei, de Quentin Tarantino, mas é cheio de potencialidades.
E é precisamente esse potencial que John Ostrander vai explorar na segunda versão do Esquadrão Suicida (a primeira versão, de 1959, era constituída apenas por heróis que combatiam monstros), cujo primeiro arco de histórias este volume recolhe. Esta novo Esquadrão Suicida, nasceu durante a mini-série Legends, de 1986 (também escrita por Ostrander) e ganhou rapidamente um título próprio no ano seguinte, que Ostrander escreveu durante 67 números, até ao seu cancelamento, em 1992, contando com a colaboração de Luke McDonnell nos desenhos da maioria dessas histórias.
Embora a formação do grupo vá variando, fruto das necessidades específicas de cada missão e dos elementos que vão caindo em combate, o Pistoleiro, Encantadora, Beladona, Capitão Bumerangue e Tigre de Bronze, são os vilões que, sob a coordenação do Coronel Rick Flagg Jr., formam o núcleo duro do Esquadrão Suicida nas histórias incluídas neste volume. Uma formação que apresenta algumas variações de elenco em relação ao Esquadrão do cinema, com destaque para a ausência da Arlequina, a namorada do Joker, criada por Paul Dini e Bruce Timm para a série de animação do Batman.
Antes de ver o filme, aqui fica o convite ao leitor para acompanhar o Esquadrão Suicida em três missões mortais, que passam por atacar um grupo terrorista islâmico na sua própria fortaleza, deter uma invasão de Apokolips e libertar uma escritora dissidente soviética de um hospital-prisão, na Rússia de Gorbatchov.
Texto publicado originalmente no jornal Público de 06/05/2016
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Super-Heróis DC
quinta-feira, 12 de maio de 2016
Super-Heróis DC 14 - Super-Homem e Mulher-Maravilha: O Par Perfeito
O CASAL MAIS PODEROSO DO MUNDO
Super-Heróis DC Vol 14
Super-Homem & Mulher-Maravilha: O Par Perfeito
Argumento – Charles Soule
Desenhos – Tony S. Daniel
Quinta, 5 de Maio
Por + 9,90 €
Uma das mudanças mais importantes que a linha Novos 52 veio introduzir na história do Super-Homem, foi apagar a relação do Homem de Aço com Lois Lane, da continuidade oficial da personagem, fazendo com que um namoro que se prolongou por mais de 50 anos e que até deu em casamento, desaparecesse da cronologia oficial do Universo DC da Era Novos 52.
Já em 1969, o escritor de ficção científica Larry Niven, no seu famoso ensaio Man of Steel, Woman of Kleenex, provava a impossibilidade física de uma mulher normal resistir a uma relação sexual com um ser superpoderoso como o Super-Homem, pelo que um romance entre o Super-Homem e a Mulher-Maravilha, nesse aspecto, surge como mais lógico e natural. E a verdade é que, embora nunca antes concretizada na cronologia oficial, essa ligação entre os dois mais poderosos heróis do Universo do Universo DC foi explorada em histórias alternativas, como Kingdom Come, ou no Dark Knight Strykes Again, de Frank Miller, onde os dois têm uma filha.
Já na linha Novos 52, essa relação foi evocada por Geoff Johns, logo nas páginas da revista da Liga da Justiça, na história que abriu esta colecção, para em 2013 sair finalmente uma nova revista, Superman/Wonder Woman, protagonizada pelo casal mais poderoso do mundo. Calhou ao argumentista Charles Soule e ao desenhador Tony S. Daniel a honra de retratar a primeira relação romântica “oficial” entre os dois heróis. Uma relação que se torna pública precisamente em Par Perfeito, a história que preenche o penúltimo volume da colecção Super-Heróis DC
Assim, para além de terem de enfrentar ameaças à altura dos seus poderes, como o Apocalipse e o General Zod, o Super-Homem e a Mulher-Maravilha, têm que gerir o impacto que a revelação do romance deles tem junto da opinião pública, dividida entre o fascínio exercido pelo “casal perfeito” e o medo de quem acha que, juntos, os dois seriam incontroláveis.
Uma complicada equação, que as origens dos dois heróis (extraterrestre e divina) e o seu passado, tornam ainda mais complexa,
As relações amorosas nunca são fáceis, sobretudo entre seres todo-poderosos que encaram de maneira diferente a sua dimensão humana, mas são precisamente essas dificuldades que trazem interesse à história. Ou não acabassem todos os contos precisamente na parte em que os amantes “viveram felizes para sempre”…
Texto publicado originalmente no jornal Público de 29/04/2016
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