terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Apresentação da colecção Super-Heróis DC


É já na próxima quinta-feira, 4 de Fevereiro, que começa a nova colecção que o Público e a Levoir dedicam à  DC. Como de costume, aqui vos deixarei no dia de saída de cada livro, o texto que escrevi sobre ele para o jornal Público, excepto quando sou o autor do editorial. Caso em que publicarei aqui o editorial, limitando o texto do Público à imagem do jornal. Mas por agora, aqui fica o destacável de 4 páginas de apresentação da colecção distribuído no último domingo  e redistribuído esta terça-feira.


AINDA ANTES DE CHEGAREM AO CINEMA, 
OS SUPER-HERÓIS DA DC REGRESSAM AO PÚBLICO

Ainda antes de chegarem às salas de cinema, em Março, no filme Batman V Super-Homem: O Despertar da Justiça, que abre caminho ao filme da Liga da Justiça, os principais Super-Heróis da DC, a editora do Super-Homem, do Batman, da Mulher-Maravilha e da Liga da Justiça, regressam aos quiosques nacionais com o Público, já no início de Fevereiro.
Fundada em 1934 como National Allied Publications, a DC Comics, editora responsável pela publicação dos primeiros e mais icónicos Super-Heróis, tem uma história rica de mais de oitenta anos, mas que ao longo das décadas tem sabido adaptar os seus heróis às diversas mudanças que afectaram a sociedade americana e o mundo.
Na anterior colecção dedicada à DC, pudemos ler a Crise Das Terras Infinitas, uma daquelas sagas épicas, envolvendo a grande maioria dos heróis da editora, que ajudou a reformular o universo da DC e resolver algumas incoerências que uma continuidade de algumas décadas necessariamente acarreta, apagando o passado e criando uma nova era, em que surgem novos heróis, alguns heróis ficam pelo caminho e outros vêm a sua história (mais ou menos) alterada.
E é precisamente a mais recente dessas reformulações, a linha Novos 52 - que em 2011 veio transformar o universo DC para o século XXI, relançando a totalidade da sua linha editorial, num total de 52 títulos, incluindo títulos como Action Comics e Detective Comics, que se mantinham em publicação há mais de 70 anos - que está no centro desta colecção. Uma colecção que acompanha as mais recentes fases das aventuras do Batman, do Super-Homem, da Mulher-Maravilha e do Aquaman, que ocupam sensivelmente metade dos volumes. Não por acaso, é precisamente o volume da Liga da Justiça a abrir a colecção, pois a nova fase do grupo que reúne os maiores heróis do Panteão da DC, cuja acção decorre cinco anos antes dos restantes títulos dos Novos 52, mostra precisamente como todos esses heróis se encontraram pela primeira vez no Universo Novos 52 e decidiram juntar-se para combater grandes ameaças.
Outro destaque natural, também da Linha Novos 52, vai para a nova fase do Batman, de Scott Snyder e Greg Capullo, que tem sido um estrondoso sucesso, tanto crítico como comercial. Uma fase espectacular, que podemos acompanhar em três volumes, preenchidos com algumas das melhores histórias do Cavaleiro das Trevas das últimas décadas.
Numa colecção que traz de volta heróis como Lanterna Verde e Flash, recupera clássicos como O Contrato de Judas e Saga das Trevas Eternas e, como veremos mais à frente, assinala ainda a estreia em Portugal de novos heróis, estando também atenta à presença dos heróis da DC no cinema, há um título e um autor que não podem deixar de merecer uma referência muito especial. Refiro-me naturalmente a Jack (King) Kirby e ao seu Quarto Mundo.

Nome maior da história dos comics, responsável, ao lado de Joe Simon e de Stan Lee, pela criação dos maiores heróis da Marvel, do Capitão América, ao Quarteto Fantástico, passando pelo Hulk, Thor e o Surfista Prateado, Kirby, a quem chamavam o Rei dos comics, trocou na década de 70 a Marvel pela DC. Aí, em total liberdade, criou há precisamente 45 anos, que se completam este mês de Fevereiro, uma saga cósmica de uma dimensão épica nunca antes vista e, até agora, raramente igualada, cuja acção se espalhava por quatro títulos diferentes. É dessa saga, que ficou conhecida como O Quarto Mundo, onde nasceram personagens como Darkseid - a encarnação suprema do mal no Universo DC que é o adversário da Liga da Justiça no volume que abre esta colecção e da Legião dos Super-Heróis no volume 10 - que os leitores podem ler uma selecção de histórias, bem demonstrativas do talento visionário e do sopro épico da fase mais criativa da longa carreira do King.

1 – Liga da Justiça: Origem
04 de Fevereiro
Argumento – Geoff Johns 
Desenhos – Jim Lee e Scott Williams
Eles são os maiores super-heróis do planeta, a última linha de defesa da Terra contra as piores ameaças cósmicas. Mas houve um tempo em que Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha Flash, Lanterna Verde, Aquaman e Ciborgue ainda não eram a Liga da Justiça. Poderão eles esquecer as suas diferenças e unir-se para salvar o mundo? Ou irão destruir-se uns aos outros antes?
Geoff Johns e Jim Lee assinam a primeira aventura da Liga no universo dos Novos 52, uma história que relança o universo DC para toda uma nova geração.

2  – Super-Homem: Contra o Mundo
11 de Fevereiro
Argumento – Grant Morrison 
Desenhos – Rags Morales e Andy Kubert
Ele é superpoderoso, imprevisível, determinado... e completamente impossível de controlar. O mundo divide-se entre aqueles que temem o Super-Homem, e os que o vêem como defensor dos oprimidos. Mas, quando uma estranha ameaça vinda do espaço faz com que o mundo precise do herói que perseguiu e tentou matar, estará ele ainda disposto a ajudar?
O maior dos super-heróis é aqui reinventado pelo génio de Grant Morrison e pelo traço de Rags Morales, que criam uma nova origem para o Homem de Aço, catapultando o Super-Homem para uma nova e excitante era.

3  – Batman: Corte das Corujas
18 de Fevereiro
Argumento - Scott Snyder 
Desenhos – Greg Capullo
Uma série de homicídios brutais abalam a cidade de Gotham, e o Batman começa a suspeitar de que estes crimes vão bem mais fundo do que as aparências sugerem. No rasto de uma misteriosa conspiração, que todos pensavam não passar de uma lenda urbana, Batman terá de enfrentar a Corte das Corujas, uma sociedade secreta que governa nas sombras o destino de Gotham, numa batalha que pode pôr em causa a sua própria sanidade.
Com argumento de Scott Snyder e arte de Greg Capullo, Corte das Corujas é a primeira história do Batman no universo DC dos Novos 52 e o início de uma etapa incontornável na história do Cavaleiro das Trevas.

4  – Batman: Cidade das Corujas
25 de Fevereiro
Argumento - Scott Snyder
Desenhos –  Greg Capullo
Durante mais de um século, a Corte das Corujas dominou a cidade Gotham no mais completo segredo, até que o Batman descobriu a sua existência. O Cavaleiro das Trevas sobreviveu a custo à primeira batalha contra o seu inimigo, mas a guerra está longe de terminada. O Batman era apenas o principal obstáculo ao objectivo maior da Corte das Corujas: a própria cidade de Gotham.
Scott Snyder e Greg Capullo, uma das mais célebres duplas de criadores de comics, assinam esta conclusão à saga da luta entre Batman e as forças mais antigas e sombrias da cidade que ele jurou proteger.

5  – Arqueiro Verde: Ano Um
3  de Março
Argumento – Andy Diggle
Desenhos – Jock
A vida do jovem milionário Oliver Queen muda radicalmente quando naufraga numa ilha perdida no Pacífico. Neste cenário hostil, onde as ameaças não são apenas naturais, terá de combater os traficantes que controlam a ilha, armado apenas com um arco improvisado. É então que a luta pela sobrevivência se transforma numa luta pela justiça e o playboy egoísta e irresponsável dá lugar ao Arqueiro Verde.
Andy Diggle e Jock criam a origem definitiva do Arqueiro Verde, numa história emocionante que redefine uma das mais icónicas personagens da DC e influenciou a série televisiva Arrow. 

6  – Aquaman: O Abismo
10 de Março
Argumento –  Geoff Johns
Desenho – Ivan Reis e Joe Prado
Na sua estreia numa colecção de super-heróis do Público, Aquaman é confrontado com uma estranha e terrível ameaça que surge das profundezas oceânicas e ameaça destruir todo o Planeta. Uma ameaça que é também a oportunidade perfeita para o Rei dos Sete Mares provar a um mundo, que o desdenha e o vê como uma piada, que é um dos grandes super-heróis com que a Terra pode contar.
O relançamento do Senhor dos Sete Mares pela mão de Geoff Johns e de Ivan Reis, que ajudou a afirmar uma das mais antigas personagens da DC no firmamento do Universo DC Novos 52.

7  – Antologia Super-Homem/Batman
17 de Março
Argumento - Jeff Lemire
Desenho – Karl Kerschl e Scott Hepburn
O Super-Homem e o Batman são os maiores super-heróis de todos, os Melhores do Mundo, e a dupla mais icónica de sempre. Homem de Aço e Cavaleiro das Trevas uniram-se incontáveis vezes para combater o crime, e neste volume poderemos redescobrir por ordem cronológica algumas das suas maiores aventuras conjuntas.
Contando com histórias de várias épocas e de criadores tão diversos quanto Neal Adams, Brad Meltzer, Greg Pak e Curt Swan, esta antologia inclui também a história em que os dois se juntaram pela primeira vez, contada de duas perspectivas diferentes.

8  – O Quarto Mundo: Genesis e Apocalipse
24 de Março
Argumento e Desenho – Jack Kirby
Após inúmeras batalhas para lá do universo conhecido, o confronto cósmico entre os deuses de Nova Génesis e Apokolips chegou à Terra, onde o temível Darkseid busca a Equação Antivida. O poder do Quarto Mundo é então desencadeado em toda a sua fúria, e apenas heróis como Órion e o Povo Eterno poderão salvar o nosso planeta.
Jack Kirby, foi o criador daquela que é talvez a mais portentosa criação de toda a história dos comics: o Quarto Mundo. Um marco que se tornou num elemento fundamental do Universo DC. Uma saga cósmica, de uma complexidade e uma dimensão épica bem à frente do seu tempo, que esta antologia permite descobrir.

9  – Lex Luthor: Preconceito e Orgulho
31 de Março
Argumento – Brian Azzarello
Desenhos – Lee Bermejo
Um simples humano é o maior inimigo do mais poderoso de todos os super-heróis. O orgulho permitiu-lhe atingir a grandeza, mas o preconceito faz com que a deite constantemente a perder. Porque odeia Lex Luthor tanto assim o Homem de Aço, e o que faz dele simultaneamente o pináculo do potencial humano e o mais torpe dos vilões?
Depois de Joker, Brian Azzarello e Lee Bermejo provam, uma vez mais, que poucos autores compreendem os vilões DC como eles, e que menos ainda são capazes de os retratar de forma tão tragicamente humana.

10  – Legião dos Super-Heróis: Saga das Trevas Eternas 
07 de Abril
Argumento – Paul Levitz
Desenhos – Keith Giffen e Larry Mahlstedt
Despercebidas a meio da paz do séc. XXX, as trevas agitam-se pela vastidão do espaço sideral, anunciando a vinda iminente do seu senhor. Nem o universo, nem os seus maiores defensores, a Legião dos Super-Heróis, estão minimamente preparados para o que aí vem, e nem mesmo a presença do jovem Super-Homem, de visita do séc. XX, os poderá salvar. Porque as Trevas Eternas vêm aí.
Paul Levitz e Keith Giffen são os nomes que deram aos comics de super-heróis, uma das suas maiores sagas de sempre, aqui compilada pela primeira vez para o público português.

11  – Flash/Lanterna Verde: O Audaz e o Destemido  
14 de Abril
Argumento – Mark Waid
Desenhos – Barry Kitson, Tom Peyer e Tom Grindberg
O Super-Homem e o Batman podem ser os Melhores do Mundo, mas o Audaz e o Destemido sempre foram o Flash e o Lanterna Verde. Seja a combaterem invasores alienígenas, a lutarem pela admiração de outros ou a provarem-se perante os seus predecessores, o Corredor Carmesim e o Gladiador Esmeralda mostram aqui porque são duas das mais emblemáticas personagens da DC.
Mark Waid e Barry Kitson são os criadores desta história intemporal, que cobre todas as facetas da riquíssima história do Flash e do Lanterna Verde, e da amizade única que os une.

12  – Batman: O Regresso do Joker 
21 de Abril
Argumento – Scott Snyder
Desenhos – Greg Capullo
Depois de ter perdido literalmente a face, quando o seu rosto é removido cirurgicamente, o Joker desaparece durante mais de um ano. Aqueles que pensavam que o Arlequim do Crime estava escondido num canto, a lamber as feridas, enganaram-se, pois ele aproveitou esse tempo para urdir um complexo plano e agora está de regresso, mais sanguinário que nunca e disposto a destruir o Batman e todos os que lhe são próximos.
Scott Snyder e Greg Capullo prosseguem a sua passagem triunfante pela principal revista do Batman, com uma espectacular história de terror psicológico, que é uma das melhores histórias do Joker de sempre.

13  – Novos Titãs: O Contrato de Judas  
28 de Abril
Argumento –  Marv Wolfman
Desenhos – George Pérez 
Slade Wilson, o Exterminador, o mais mortífero dos mercenários, foi contratado pela C.O.L.M.E.I.A., uma organização secreta criminosa, para eliminar os Novos Titãs. Uma missão difícil de levar a cabo, mas o Exterminador conta com a preciosa ajuda de um traidor infiltrado no grupo de jovens heróis chefiados por Robin, para concretizar o seu mortífero objectivo.
Marv Wolfman e George Pérez têm aqui o ponto mais alto da sua passagem pela revista dos Novos Titãs, nesta saga épica, que se tornou um clássico incontornável da história da DC. 

14  –  Super-Homem/Mulher Maravilha: Par Perfeito
 05 de Maio
Argumento –  Charles Soule
Desenhos – Tonny S. Daniel
O Super-Homem e a Mulher-Maravilha são oficialmente um casal, e o mundo não sabe bem como reagir ao ver juntos os dois mais poderosos seres do planeta. Entre o fascínio exercido pelo “casal perfeito” e o medo de quem acha que, juntos, os dois seriam imparáveis, acaba por se formar uma tempestade perfeita quando se combinam os díspares mundos de ambos.
Charles Soule e Tony Daniel foram incumbidos de retratar a primeira relação romântica “oficial” entre o Super-Homem e a Mulher-Maravilha, e Par Perfeito foi o primeiro capítulo de grande sucesso dessa empreitada.

15  – Esquadrão Suicida: Nós que Vamos Morrer  
12 de Maio
Argumento – John Ostrander
Desenhos – Luke McDonnell, Karl Kesel, Luke McDonnell, Dave Humt e Bob Lewis
Pistoleiro, Encantadora, Beladona, Capitão Bumerangue, Tigre de Bronze. Estes são os vilões que, sob a coordenação do Coronel Rick Flagg Jr., formam o Esquadrão Suicida. Um grupo secreto do Governo Americano, formado por criminosos, recrutados por Amanda Waller em troca da redução das suas penas, para missões suicidas, de cuja existência em caso de fracasso, o governo podia facilmente negar ter conhecimento.
 John Ostrander e Luke McDonnell mostram-nos três missões do Esquadrão Suicida no tempo da Guerra Fria, dando a conhecer ao leitor português o primeiro super-grupo da DC a chegar ao cinema.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Hermann - Grande Prémio em Angoulême


Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, este ano, o Grande prémio de Angoulême foi anunciado ainda antes do Festival começar. Da lista final de três autores, Alan Moore, Claire Wendling e Hermann, a escolha dos autores de BD votantes acabou por cair em Hermann, que vemos na imagem acima, a receber o troféu das mãos de Katshuiro Otomo, o anterior vencedor.
Independentemente de ser grande admirador do desenhador belga, esta parece-me a escolha óbvia, pois Wendling, apesar de ser uma extraordinária ilustradora, não tem uma carreira na BD que justifique uma distinção destas e Moore já declarou por diversas vezes que não estava interessado em receber o Prémio.
Autor de Jeremiah e das Torres de Bois Maury, para além de dezenas de histórias soltas, ilustrador de Comanche e de Bernard Prince - série cuja colecção, distribuída com o jornal Público, chega ao fim no mesmo dia em que lhe é atribuido o Grande Prémio de Angoulême - Hermann  é um vencedor mais do que merecido e esta distinção só peca por tardia. E o facto de só agora ter acontecido, justifica-se pelos anti-corpos que Hermann, pela sua frontalidade, tinha junto do colégio dos anteriores vencedores, que durante muitos anos escolheu o vencedor do Grande Prémio.
Grande desenhador, notável aguarelista e extraordinário contador de histórias, Hermann, aos 77 anos, permanece em grande forma e extremamente activo, tendo acabado de lançar um novo álbum, Old Pa Anderson que, diz quem já leu, está ao nível dos seus melhores trabalhos.
Felicitando Hermann que, como pôde constatar quem com ele contactou no Festival de Beja, até é uma pessoa de trato bem agradável, deixo-vos com as declarações do próprio sobre o merecido prémio que consagra uma carreira de mais de quarenta anos ao mais alto nível.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A Caminho de Angoulême

Mantendo a tradição que, neste caso, felizmente que ainda é o que era, lá vou mais mais uma vez ao Festival de Angoulême. Num ano marcado pela polémica em torno da ausência de mulheres nos candidatos ao Grande prémio, que a organização resolveu de forma canhestra, juntando Claire Wendling, uma excelente ilustradora, mas que já não faz BD há mais de 20 anos, à lista final de candidatos, não faltam motivos de interesse para o visitante.
Desde logo a presença, rara, de Katshuiro Otomo, o criador de Akira e autor do magnífico cartaz, cheio de pormenores deliciosos, Mas também não faltam grandes exposições, como a dedicada a Morris, o criador de Lucky Luke, a Hugo Pratt e ao seu Corto Maltese, para além evidentemente, da mostra dedicada a Otomo.
No início de Fevereiro, podem contar com a habitual reportagem fotográfica aqui no blog, mas como este ano, por razões de trabalho, vou ter de ir com o computador atrás, contém também com algumas notícias em directo, durante o Festival.
Vemo-nos por aqui.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

As 10 Melhores BDs que li em 2015 - Parte 2


Aqui está finalmente a segunda e última parte desta lista. Estive indeciso entre a série Undertaker e Sykes, dois excelentes Westerns, mas acabei por optar por Sykes, pela descoberta de um grande desenhador, Dimitri Armand. A nova série de Jason Aaron e R. M. Gera, The Goddamned, também esteve quase a entrar nesta shortlist, mas ainda apenas saíram dois números desta nova série e algumas séries não cumprem as expectativas cridas pelos primeiros números. Basta pensar  na série Sex Criminals, que começou de forma espectacular, mas decaiu muitíssimo nos últimos tempos...


6 - Pepe, Vols 1 a 5, Carlos Giménez, Panini
Embora seja conhecido principalmente como o melhor desenhador de sempre da Vampirella, José (Pepe) Gonzalez foi muito mais do que isso. Foi um fabuloso ilustrador, com uma capacidade única para desenhar mulheres e uma personagem fascinante, com uma vida de boémia e um lado sombrio que os seus desenhos não revelavam. Seu companheiro na agência Selecciones Ilustradas de Josep Toutain, Carlos Giménez que já tinha contado esses tempos em BD na série Los Professionales, volta ao tema, socorrendo-se das suas memórias, dos depoimentos de quem conheceu Pepe ao longo da vida e de um exaustivo trabalho de investigação, para criar este biografia monumental de Pepe Gonzalés. O artista, mas sobretudo o homem.



7 - Sykes, Dubois e Armand, Signé/Lombard
Decididamente, o Western na BD franco-belga vive uma nova época de ouro. Basta pensar nas séries Bouncer e Undertaker e, sobretudo, neste Sykes. Escrito por  Pierre Dubois, um escritor mais conotado com a fantasia, graças às dúzias de livros e BDs que dedicou ao tema, este belíssimo Western parte de uma história clássica de vingança  a que o soberbo traço de Dimitri Armand, um artista tão talentoso como versátil (é o desenhador da nova versão de Bob Morane) dá uma dimensão superlativa. Em suma, uma boa história, muito bem contada e melhor desenhada.


8 - The Sandman: Overture, Neil Gaiman e J. H. Williams III, DC/Vertigo 
Muito aguardado pelos fãs, este regresso de Neil Gaiman a Sandman, cumpre as altíssimas expectativas criadas. Gaiman fecha o ciclo, com grande eficácia e elegância, contando uma história que nos mostra como Morfeus foi parar na situação difícil em que se encontra no início da série, mas quem mais brilha é a arte de J.H.Williams III, um fabuloso ilustrador, que consegue superar o seu extraordinário trabalho gráfico em Promethea e Batwoman. Tão talentoso como versátil e criativo, Williams tem aqui um trabalho absolutamente sublime, de uma beleza avassaladora.


9 - The Sculptor, Scott McCloud, SelfMadeHero
O regresso de Scott McCloud à BD, depois de três livros sobre BD, entre os quais o incontornável Understanding Comics, faz-se com este The Sculptor. Um belo romance gráfico com quase quinhentas páginas, que, apesar de por vezes resvalar para a lamechice, é uma muito bem construída reflexão sobre o amor, a morte e a criação artística, marcada por algumas soluções narrativas, tão interessantes como inovadoras



10 - Tungsténio/ Talco de Vidro, Marcelo Quintanilha, Polvo 
Marcelo Quintanilha é um dos mais interessantes autores brasileiros da actualidade e os dois livros, que juntei numa única entrada, por os ter lido de seguida e terem vários pontos de contacto, confirmam-no. Tungsténio é um policial negro passado na Baía e Talco de Vidro é um drama psicológico, mas em ambos os casos, a qualidade dos diálogos e da voz off, que me lembrou a escrita de Rubem Fonseca, e o talento narrativo, com algumas soluções gráficas muito interessantes para mostrar a perturbação da personagem de Talco de Vidro, mostram um autor completo, com um perfeito domínio da linguagem da BD.  

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

As 10 Melhores BDs que li em 2015 - Parte 1


Ao contrário do ano passado, em 2016 consegui que esta lista das melhores Bandas Desenhadas que li pela primeira vez em 2015, ficasse disponível logo no início de Janeiro.
Num ano tão recheado, tanto em quantidade como em qualidade, de grandes livros, não foi fácil escolher dez títulos. Acabei por optar por estes dez, mas quase podia ter escolhido outros tantos.
Aqui fica a primeira parte da lista, ordenada por ordem alfabética. Para a semana, fica prometida a segunda, e última, parte.

1 - Alias: A.K.A. Jessica Jones, Bendis e Gaydos, Marve/Max
Confesso que, na altura em que saiu, não senti grande interesse em ler esta série. Só este ano, graças à excelente série Jessica Jones, da Netflix, decidi corrigir o erro.O traço de Michael Gaydos, que me parecia demasiado estático e pouco atraente, funciona perfeitamente nesta série, articulando-se harmoniosamente com os diálogos de Brian Michael Bendis, aqui ao seu melhor nível.
Embora mantendo um nível geral muito alto, a série tem momentos geniais, como o episódio, inteiramente pintado por Gaydos, em que Jessica é contratada por J. Jonah Jameson para investigar o Homem-Aranha para o Daily Bugle, ou o último arco de histórias, que serviu de base à série da Netflix.
2 - DKIII: The Master Race, Miller, Azzarello, Kubert e Janson, DC Comics
Tendo em conta os últimos trabalhos de Frank Miller, havia fundados receios quanto a este terceiro Dark Knight. Mas Miller, que parece ter vencido a doença que o afectou nos últimos anos, regressou à BD cheio de energia e em grande forma. Rodeado de uma equipa de luxo, onde se destaca o argumentista Brian Azzarello, que assina a história ao lado de Miller, e o arte-finalista Klaus Janson, que volta a trabalhar com Miller 30 anos depois, DKIII mostra, por enquanto (apenas saíram 2 dos 8 capítulos da série) estar à altura da história original, criando uma continuação que não esquece o Dark Knight Strykes Again, actualizando o universo criado por Miller para o século XXI. Bem escrito, bem desenhado (por um Andy Kubert que faz uma síntese bem interessante entre o Miller do Dark Knight e o Miller do Sin City, sem abdicar do seu estilo próprio) melhor narrado e superiormente produzido, DKIII, não podendo ter o impacto da história original, não desmerece em nada em nada o recheado currículo dos autores envolvidos.
3 - Kong, the King, Osvaldo Medina, Kingpin Books
Osvaldo Medina já tinha mostrado ser um dos mais produtivos e versáteis desenhadores nacionais, mas neste Kong, the King afirma-se como autor completo, contando uma história de mais de cem páginas inteiramente sem palavras, recorrendo apenas ao desenho.
Variação sobre o filme King Kong, com o gorila gigante a ser substituído por um guerreiro selvagem, Kong é uma história tão simples como eficaz, com eventuais laivos autobiográficos, contada com a mestria narrativa ímpar, que revela um autor com um perfeito domínio da linguagem da Banda Desenhada.
4 - La Casa: Crónica de una Conquista, Daniel Torres, Norma Editorial
Fruto de seis anos de trabalho, entre a pesquisa, concepção e o desenho final, La Casa é um projecto tão ambicioso como conseguido, de tratar a evolução dos edifícios como espaço de vivência ao longo da história, recorrendo ao texto, à ilustração e à Banda Desenhada, que marca o regresso em grande de Daniel Torres às Livrarias.
Obra monumental, de quase 600 páginas, divididas por 26 capítulos, La Casa reúne uma série de relatos, em que o grafismo, a planificação e o ritmo narrativo se vão alterando conforme as épocas, tendo como protagonista a casa, enquanto um espaço interior habitado por personagens . Um espaço de memória que, nas palavras do autor, surge como "teatro da vida privada, cenário de paixões, marco de ruídos e silêncios e lugar de aprendizagem  e de recordação". O resultado é um livro extraordinário e inclassificável
5 - Le Rapport de Brodeck Vol 1, Manu Larcenet e P. Claudel, Dargaud
Depois de Blast!, Manu Larcenet volta a surpreender os leitores com esta adaptação de um romance de Philippe Claudel, vencedor do Prémio Goncourt em 2007.Escritor e cineasta, Claudel que recusou diversas propostas de adaptação cinematográfica do seu livro, não hesitou a dar luz verde a Larcenet, para adaptar o seu livro à BD. E o resultado é espectacular. Usando um preto e branco de alto contraste, Larcenet constrói uma história sombria, de grande tensão psicológica, revelando um extraordinário talento gráfico que o seu registo caricatural, em obras como Le Combat Ordinaire, ou Le Retour à la Terre não deixavam antever.Um livro tão belo como perturbador, que mostra um Larcenet cada vez melhor desenhador e um verdadeiro mestre do preto e branco.
Continua...