quinta-feira, 30 de abril de 2015

Colecção Novela Gráfica 10 - O Diário do meu Pai, de Jiro Taniguchi


TANIGUCHI REGRESSA AO PASSADO COM O DIÁRIO DO MEU PAI

Novela Gráfica – Vol. 10

O Diário do meu Pai
30 de Abril
Argumento e Desenho – Jiro Taniguchi
Por + 9,90€

Na próxima quinta-feira, a colecção Novela Gráfica acolhe Taniguchi, o mais ocidental dos autores japoneses, com O Diário do meu Pai, uma história intimista e plena de sensibilidade, com laivos autobiográficos, considerada como um dos mais importantes trabalhos do autor nipónico.
Nascido em 1947 em Tottori, no Japão, Jiro Taniguchi começou a sua vida profissional como empregado de escritório, até descobrir que aquilo que queria realmente fazer era desenhar. Nos inícios dos anos 70, começou a publicar os seus trabalhos em diversas revistas japonesas, dando início a uma carreira sólida e prestigiada. Grande conhecedor da BD franco-belga e admirador confesso de autores como Moebius, Schuiten e Tito, Taniguchi, que já desenhou um argumento de Moebius, colaborou com Boilet e Peeters em Tokio est mon Jardin, foi o único autor japonês a ganhar dois prémios em Angoulême, o maior Festival de BD europeu, que lhe dedicou uma grande exposição em 2015.
Em O Diário do meu Pai, Taniguchi conta-nos a história de Yoichi Yamashita um designer que vive em Tóquio e regressa a Tottori, a sua terra natal, depois de uma longa ausência, para o funeral do seu pai. Um regresso às suas raízes, que o leva a evocar a infância e a perceber finalmente o verdadeiro motivo por que o pai abandonou a família.
Taniguchi queria contar uma história que tivesse a sua terra natal, Tottori, como cenário, mas, como refere numa entrevista a Benoit Peeters: “quando me pus a reflectir na história, apercebi-me que, de facto, não sabia quase nada sobre o meu pai. Imaginei então uma personagem que regressa à sua terra natal para descobrir quem era verdadeiramente o seu pai. Comecei a fazer as pesquisas, voltei a Tottori para recolher documentação e aos poucos, a história nasceu (…) A história é inventada, mas os sentimentos e o espírito da história resultam da minha experiência pessoal. Tinha em relação ao meu pai o mesmo tipo de sentimentos que estão descritos no livro. No fundo, durante a minha juventude, tinha a ideia que não queria ser como ele. Achava que a vida do meu pai não era uma vida interessante. Mas depois, descobri que afinal não era bem assim, e é isso mesmo que tento transmitir neste livro”.
Não sendo a primeira vez que os leitores portugueses têm oportunidade de descobrir o trabalho de Taniguchi, pois O Homem que Caminha foi editado em 2005 na Série Ouro da Colecção Clássicos da Banda Desenhada, foi preciso esperar 10 anos para o poder voltar a ler novamente em português, mas desta vez numa edição em capa dura, traduzida directamente do japonês. Também por isso, valeu a pena a espera!
Publicado originalmente no jornal Público de 24/04/2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Colecção Novela Gráfica 9 - Sharaz-De: Contos das Mil e Uma Noites, de Sergio Toppi


Desta vez, o espaço que o Público me disponibilizou foi bastante mais reduzido do que o habitual, devido ao destaque (natural e compreensível) que o jornal deu à reedição facsimilidada da mítica revista Orfeu. Assim, para além do texto de apresentação, demasiado curto para a importância do livro e para a genialidade do trabalho gráfico de Sergio Toppi, deixo-vos aqui o link do texto que escrevi sobre Toppi para a revista Bang!, aquando da morte do desenhador italiano, e com um punhado de imagens do mais bonito livro desta colecção, que chega hoje aos quiosques de todo o país.

TOPPI REINVENTA AS MIL E UMA NOITES EM SHARAZ-DE

Novela Gráfica – Vol. 9
Sharaz-De: Contos das Mil e Uma Noites
23 de Abril
Argumento e Desenho – Sergio Toppi
Por + 9,90€
No próximo volume da colecção Novela Gráfica, vai estar em destaque o imenso talento de Sergio Toppi, o mestre italiano que é o autor de Sharaz-De, uma adaptação única dos contos das Mil e Uma Noites, considerada como a sua obra-prima.
Nascido em Milão, em 1932, Toppi foi um dos mais inovadores e talentosos desenhadores europeus, premiado no Festival de Lucca de 1992, com o Yellow Kid para Melhor Desenhador. Em 1979, realizou para a revista italiana Alter Alter um conjunto de oito contos inspirados pelas Mil e Uma Noites, reunidos sob o título Sharaz-De. Face ao sucesso da edição francesa de Sharaz-De, publicada em 2000, a sua editora propôs-lhe criar uma continuação, com três novas histórias.
É a edição integral deste clássico incontornável da banda desenhada que os leitores podem descobrir, já na próxima semana. Uma oportunidade única de admirar o seu desenho deslumbrante, em que as personagens parecem cristalizadas numa natureza ameaçadora, o fantástico que emerge das suas histórias e a forma única de pulverizar a estrutura clássica da página, em que a divisão tradicional em tiras e quadrados, dá lugar a uma planificação mais dinâmica e artística, que considera a página como um todo, criando composições de grande equilíbrio e dinamismo. Elementos que fazem da obra de Toppi, algo único e inesquecível.
Publicado originalmente no jornal Público de 17/04/2015

terça-feira, 21 de abril de 2015

Primeiro Teaser de Batman vs Superman já está online



Previsto para ser divulgado apenas hoje, o primeiro teaser de Batman Vs Superman: Dawn of Justice, já está disponível desde o fim-de-semana, depois de alguém no Brasil ter colocado on-line uma versão pirata.
O filme, dirigido por Zack Snyder, que já tinha dirigido Man of Steel, o último filme do Superman, só estreia no Verão de 2016, mas a expectativa é muita por se tratar do primeiro encontro dos dois maiores heróis da DC no cinema e de se saber que o filme prepara o caminho para a longa metragem da Liga da Justiça, ao introduzir pelo menos dois outros super-heróis, Wonder Woman, interpretada por Gail Gadot e Aquaman, interpretado por Jason Momoa, o Kahl Drogo da série Game of Thrones, que já tinha sido o último Conan.
A escolha de Ben Afleck para o papel de Batman causou grande agitação na Net quando foi divulgada, mas pelo teaser parece que vamos ter um Batman convincente e muito próximo do imaginado por Frank Miller em The Dark Knight Returns, história aonde este filme buscar óbvia inspiração. Um primeiro trailler só deve sair lá mais para o Verão, muito provavelmente durante a Comic Con de San Diego, mas para já temos este teaser, onde podemos ver o Batman de Ben Afleck, o novo Batmobile e o Batplane e ouvir a voz de Jeremy Irons como Alfred.
E se forem aqui, podem ver um vídeo que mostra mais em pormenor o novo fato do Batman, claramente inspirado no Batman do Dark Knight Returns e ter uma visão bastante mais detalhada do novo Batmobile
Interessantes e graficamente muito bem conseguidos, são os dois primeiros posters, que aqui vos deixo, tal como o teaser, legendado em português do Brasil. Enjoy!


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Colecção Novela Gráfica 8 - Em Busca de Peter Pan, de Cosey


NOS ALPES SUÍÇOS, À PROCURA DE PETER PAN

Novela Gráfica – Vol. 8

Em Busca de Peter Pan
16 de Abril
Argumento e Desenho – Cosey
Por + 9,90€

Na próxima quinta-feira a colecção Novela Gráfica abre as suas portas ao suíço Cosey, um autor bem conhecido dos leitores portugueses em geral e dos leitores do Público em particular, pois esteve presente com trabalhos seus nas colecções Clássicos da Revista Tintin e Os Incontornáveis de Banda Desenhada, distribuídas com este jornal.
Nascido em 1950, perto de Lausanne, na Suíça, Bernard Cosandey, que os leitores conhecem como Cosey, estreou-se na BD no início dos anos 70, pela mão do seu compatriota Derib, o criador de Yakary e Buddy Longway. Justamente conhecido e premiado pelo seu trabalho na série Jonathan, título incontornável da revista Tintin, Cosey, com Em Busca de Peter Pan, abandona pela primeira vez o seu herói e alter-ego e troca temporariamente as montanhas do Tibete onde decorrem as aventuras de Jonathan, pelos Alpes suíços, que se revelam o cenário ideal desta história de grande poesia e sensibilidade.
 Passada em 1930, a narrativa acompanha Melvin Z. Woodworth, um jovem escritor britânico que vem procurar inspiração para o seu terceiro romance na aldeia de Ardolaz, nos Alpes valesianos, onde tinha estado seu meio-irmão, Dragan Z. Zmadjevic, um músico e compositor, que ali faleceu 10 anos antes. Uma viagem ao passado, pontuada por citações do Peter Pan de James M. Barrie, em que a paisagem da montanha, que Cosey retrata como ninguém, se assume como uma personagem de pleno direito.
Obra que lhe permitiu fugir ao limite das 48 páginas do álbum tradicional, Em Busca de Peter Pan, representa um decisivo passo em frente no percurso de Cosey como criador. Como o próprio refere, Em Busca de Peter Pan foi “o meu primeiro one-shot, feito por volta de 1985, para a colecção Histoires et Légendes da Lombard. Na altura, estava profundamente empenhado na série Jonathan, que estava em grande. Os álbuns vendiam-se cada vez mais, mas sentia vontade de sair por algum tempo daquela rotina. Há muito tempo que queria fazer uma história que se passasse nos Alpes valesianos, que conheço muito bem. O meu editor estava um pouco receoso e disse-me: “O Tibete, sim, pode interessar a muita gente. Mas uma história nos Alpes valesianos, só vai interessar a três suíços…” Mas na editora perceberam que eu tinha necessidade dessa mudança, mas não estavam à espera é que o livro vendesse tão bem, ou até melhor, do que o Jonathan. E sobretudo, Em Busca de Peter Pan é um livro que teve, e tem, uma longa vida.”
Publicado inicialmente em dois volumes, Em Busca de Peter Pan juntou o sucesso comercial ao reconhecimento crítico, traduzido   no Prémio do Público na Convention de la Bande Dessinée de Paris, em 1984 e no Grand Prix da cidade de Sierre em 1985. Mais tarde o livro foi publicado num único volume e integrado na colecção Signé, a linha de prestígio da Lombard, E, confirmando essa longa vida que é a marca dos clássicos, Em Busca de Peter Pan chega finalmente a Portugal, dando a conhecer aos leitores nacionais, tanto aos que sonharam ao lado de Jonathan, como os que estão agora a descobrir o trabalho de Cosey pela primeira vez, a obra mais emblemática do autor suíço e a sua primeira novela gráfica.
Publicado originalmente no jornal Público de 10/04/2015

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Colecção Novela Gráfica 7 - O Livro do Mr. Natural. de Robert Crumb

ROBERT CRUMB CHEGA À COLECÇÃO NOVELA GRÁFICA 
COM MR. NATURAL

Novela Gráfica – Vol. 7 

O Livro de Mr. Natural
Argumento e Desenhos – Robert Crumb
Quinta, 09 de Abril
Por + 9,90€

Depois de Will Eisner a abrir, Robert Crumb, outro grande nome da novela gráfica americana, não podia faltar numa colecção como esta, que pretende dar a descobrir ao leitor português o melhor da banda desenhada de autor, a nível mundial.
Nome maior dos comix underground e um dos símbolos da contracultura americana dos anos 60, Robert Crumb está presente na colecção Novela Gráfica com uma selecção das melhores histórias de Mr. Natural, originalmente publicadas entre 1967 e meados da década de 90. Não sendo a sua personagem mais popular, distinção que pertence a Fritz, the Cat, muito por via do filme de animação que Ralph Bakshi lhe dedicou em 1972, Mr. Natural é a personagem mais constante ao longo da obra de Robert Crumb e a que melhor revela o seu humor cáustico e o seu total desprezo pelas regras do politicamente correcto, que estiveram na origem de acusações de racismo e sexismo, em relação ao seu trabalho.
Mr. Natural é um pequeno guru californiano de longas barbas e origem misteriosa, com aparentes poderes místicos, mas que se comporta de forma muito pouco condizente com eles, deixando o leitor na dúvida se estaremos perante um místico genuíno, ou perante um simples aldrabão. Para além da crítica à sociedade americana da época, a série vive muito da interacção entre Flakey Foont, o seu principal discípulo e Mr. Natural, uma relação que vai evoluindo, à medida que o próprio Flakey se vai “aburguesando”, acabando por virar as costas ao seu antigo guru, e optar por uma vida de classe média nos subúrbios.
Nascido em Filadélfia em 1943, Crumb estreou-se profissionalmente como desenhador em 1962, numa companhia de cartões de boas festas de Cleveland, mas foi no final dos anos 60 que a sua carreira na BD arrancou, graças à revista Zap Comix!, titulo escrito, desenhado e publicado pelo próprio Crumb, que rapidamente se tornou um sucesso junto da comunidade underground. Para além de uma vastíssima produção, dividida entre a Banda Desenhada e a ilustração, que inclui uma adaptação integral do Livro do Génesis e uma biografia de Franz Kafka, Crumb é também um apaixonado pela música, tocando banjo numa banda, Les Primitifs du Futur, e tendo ilustrado capas para inúmeros discos de jazz, blues e rock. Crumb está radicado em França desde 1991, país que lhe atribuiu o Grande Prémio do Festival de Angoulême em 1999 e lhe consagrou uma grande exposição no Museu de Arte Moderna, em Paris, em 2012.
Em Portugal, com excepção da biografia de Kafka que fez com David Zane Mairowitz e de uma história curta do gato Fritz, publicada em 1979 no jornal Lobo Mau, a obra de Crumb permanecia inédita. Uma lacuna que esta colecção vai ajudar a corrigir, já esta quinta-feira.
Publicado originalmente no jornal Público de 03/04/2013