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quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Universo Marvel 7 - Marvels
MARVELS, A OBRA-PRIMA DE ROSS E BUSIEK
REGRESSA EM EDIÇÃO DEFINITIVA
Universo Marvel – Vol. 7 Marvels
Argumento – Kurt Busiek Desenho – Alex Ross
Quinta, 21 de Agosto Por + 8,90 €
O próximo volume da colecção Universo Marvel é o único desta série que não é inédito em Portugal, mas tratando-se de um clássico absolutamente incontornável, que conquistou três Prémios Eisner (os Óscars da BD americana) e afirmou Alex Ross como um dos maiores nomes dos comics, fazia todo o sentido incluí-lo nesta colecção. Até porque a anterior edição teve uma tiragem bastante reduzida e distribuição comercial muito limitada. Por isso, Marvels regressa agora ao mercado nacional numa nova edição, com uma nova e mais cuidada tradução e com uma série de extras, como os esboços de Alex Ross e as fotografias que este usou como modelo para a sua versão hiper-realista dos super-heróis, inexistentes na edição anterior. Escrita por Kurt Busiek e pintada por Alex Ross, Marvels analisa as implicações inerentes à existência dos super-heróis num mundo real.
O tema em si não é inovador. Alan Moore, em Watchmen tinha partido de uma premissa semelhante para concluir da impossibilidade da coexistência entre os super-heróis e o resto da humanidade. Isto é, ao humanizar os super-heróis, pôs em causa a sua própria razão de ser. Busiek opta por uma abordagem diferente e, embora integre os super-heróis na nossa realidade quotidiana de forma realista, não os pretende humanizar. Pelo contrário. Em Marvels, os super-heróis são vistos como deuses que desceram à terra, com os cidadãos de Nova Iorque apenas a assistirem à distância, sem poderem intervir, aos momentos decisivos em que a história do universo Marvel está a ser escrita. Uma história que nos é apresentada do ponto de vista do homem comum, que assiste impotente à chegada dos novos deuses que caminham sobre a Terra. Esse homem é Phil Sheldon, um repórter fotográfico do Daily Bugle, o mesmo jornal onde também trabalha Peter Parker, o Homem-Aranha, que vai ser testemunha da maioria dos acontecimentos que, desde 1939 até aos anos 70, marcaram a vida de milhões de leitores das revistas da Marvel. Um ponto de vista tanto mais curioso quanto é exactamente o inverso do utilizado por Stan Lee no início da década de 60, no que se convencionou chamar a “revolução Marvel”, em que, pela primeira vez, os super-heróis foram apresentados como indivíduos atormentados pelos mesmos problemas do cidadão comum, capazes dos mesmos tipos de sentimentos e emoções.
Exercício nostálgico de inegável fascínio, principalmente para quem acompanhou mês a mês os acontecimentos retratados, Marvels consegue aliar a dimensão mítica a um grande realismo, o que não é fácil de compatibilizar. Grande parte do mérito vai para Alex Ross, um artista de grande talento, cujas imagens pintadas de forma hiper-realista dão vida e consistência aos heróis da Marvel, sem abdicar da dimensão épica que os caracteriza.
Publicado originalmente no jornal Público de 15/08/2014
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Universo Marvel 6 - Homem de Ferro: Demónios
HOMEM DE FERRO ENFRENTA O SEU MAIOR INIMIGO: ELE PRÓPRIO
Homem de Ferro: Demónios
Argumento – David Michelinie e Bob Layton
Desenho - John Romita Jr, Bob Layton
Quinta, 14 de Agosto Por + 8,90 €
O Homem de Ferro regressa ao Público, com aquela que é unanimemente considerada como uma das melhores sagas de super-heróis dos anos 70, em que pela primeira vez o problema do alcoolismo é abordado de forma realista numa história de super-heróis.
Se em termos de Banda Desenhada franco-belga o tema não é propriamente novidade, nem tabu – basta pensar no combate que o Capitão Hadock trava (e geralmente perde) com a bebida, em diversos álbuns da série Tintin – já os principais super-heróis mostravam-se superiores aos vícios mais mundanos e temas como a droga e o alcoolismo estavam mais ou menos interditos pelo Comics Code, mecanismo de autocensura criado pela própria indústria nos anos 50. Daí a importância desta história, que vem na linha do esforço feito por Denny O’Neil e Neal Adams na revista do Arqueiro Verde e Lanterna Verde, na história publicada na colecção que o Público e a Levoir dedicaram à DC. Uma importância de que os próprios autores nem se aperceberam na altura, pois como refere Bob Layton: “nunca foi nossa intenção fazer uma história que fosse socialmente relevante. Fomos pagos, basicamente, para escrever a próxima aventura do Homem de Ferro. Acontece que, naquela história concreta, o alcoolismo é o mau da fita. Em vez do Doutor Destino, ou de outro vilão qualquer, era a bebida. Era o nosso vilão do mês e foi desse modo que tratamos o alcoolismo.”
Publicada originalmente em 1979, nos nºs 120 a 28 da revista Iron Man, a saga Demónios (no original Demon in a Bottle) é uma história movimentada, centrada na disputa entre Tonny Stark e o milionário Justin Hammer que pretende ficar com a empresa de Stark, usando para isso um bando de super-vilões contratados como mercenários, mas que envolve também combates com Namor e a presença do Capitão América. Apesar de todos estes elementos na intriga, o fulcro da história está, como já vimos, na luta interna de Tony Stark contra a adição que o controla e que o afasta daqueles que o amam. Para contar esta história marcante, Bob Layton, que além do argumento, é responsável pela passagem a tinta dos desenhos, conta com a colaboração do argumentista David Michelinie no argumento e de John Romita Jr. e do veterano Carmine Infantino, o mítico criador e editor da DC, responsável pelo relançamento do Flash, então a trabalhar como ilustrador freelancer, depois de se ter despedido da DC em 1976.
Mas o destaque em termos gráficos, vai naturalmente para John Romita Jr., então no início de uma carreira épica de mais de três décadas ao serviço da Marvel, interrompida apenas este ano, quando aceitou trocar a “Casa das Ideias” pela DC, onde é o actual desenhador do Super-Homem. Nascido em 1956, filho de John Romita, um dos mais importantes e elegantes desenhadores da Marvel, Romita Jr. publicou o seu primeiro trabalho numa revista da Marvel aos 13 anos, mas foi a sua colaboração com Bob Layton e David Michelinie nas histórias do Homem de Ferro que o tornou conhecido junto dos leitores das revistas da "Casa das Ideias".
Publicado originalmente no jornal Público de 08/08/2014
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Universo Marvel 4 - Guardiões da Galáxia: Legado
AINDA ANTES DAS SALAS DE CINEMA, OS GUARDIÕES DA GALÁXIA CHEGAM AO PÚBLICO
Universo Marvel – Vol. 4
Guardiões da Galáxia: Legado
Argumento – Dan Abnett e Andy Lanning
Desenhos – Paul Pelletier
Quinta, 31 de Julho + 8,90 €
Ainda antes de chegarem às salas de cinema nacionais, o que acontecerá no dia 7 de Agosto, uma semana depois da estreia nos EUA, os Guardiões da Galáxia, o mais recente grupo de heróis da Marvel a ter honras de adaptação cinematográfica, têm encontro marcado com os leitores do Público, no quarto volume da colecção Universo Marvel, que chega às bancas no próximo dia 31 de Julho. Volume que recolhe a história Legado, saga escrita por Dan Abnett e Andy Lanning, com arte de Paul Pelletier, que relançou a popularidade da equipa dos Guardiões da Galáxia e deu origem ao filme de James Gunn que, a avaliar pelas críticas e comentários de quem já viu, tem tudo para ser o próximo grande sucesso da Marvel no cinema.
Criados originalmente em 1969, por Arnold Drake e Gene Colan, no nº 18 da revista Marvel Super-Heroes, os Guardiões da Galáxia eram um grupo de super-heróis do século XXI, últimos sobreviventes das respectivas espécies, que se uniram para combater a Irmandade Badoon, uma raça alienígena que pretendia conquistar o universo. Depois desta primeira saga, os Guardiões tiveram encontros ocasionais com os outros heróis da Marvel em aparições episódicas nas diferentes revistas da “Casa das Ideias” ao longo das décadas seguintes, com destaque para o encontro com os Vingadores na famosa Saga de Korvack, em que os Guardiões se aliam aos Vingadores, para derrotar Michael Korvack, um vilão proveniente do mesmo futuro de que são originários os Guardiões da Galáxia. Seria preciso esperar até 1990, para que o grupo conquistasse finalmente o direito a uma revista própria, inicialmente escrita e ilustrada por Jim Valentino, que durou 62 números, até ser cancelada em 1995.
Depois disso, seria necessário esperar um pouco mais de uma década para que os Guardiões regressassem ao Universo Marvel em 2008, na história que podem ler nesta colecção e que apresenta uma nova formação dos Guardiões da Galáxia, composta por Peter Quill, o Senhor das Estrelas, Adam Warlock, Drax o Destruidor, Gamora, a nova Quasar, Rocket Raccoon, Groot e Mantis. Um grupo muito heterogéneo de heróis, comandado pelo Senhor das Estrelas, e que inclui membros como Gamora, filha adoptiva de Thanos e a mulher mais letal do universo, Rocket, um guaxinim com mau feitio e pontaria afinada e Groot, uma criatura vegetal com um vocabulário bastante limitado.
Os responsáveis pelo regresso dos Guardiões da Galáxia, os escritores Dan Abnett e Andy Lanning, cuja actividade conjunta lhes valeu a alcunha de DnA, têm uma larga experiência de sagas cósmicas como esta, que exploram a vastidão do Universo Marvel, desde a sua passagem pela revista da Legião dos Super-Heróis, da DC Comics, em 2000, onde foram responsáveis pela série Legion Lost, que relançou a Legião. Já na Marvel vão estar ligados às sagas Aniquilação e Aniquilação: Conquista, em que a maioria dos membros que irão formar os Guardiões da Galáxia têm participação activa.
Conciliando uma dimensão épica, com um lado cómico, evidente nos divertidos diálogos e nas personagens invulgares, como Rocket Raccoon e Groot, Abnett e Lanning, contando com o traço eficaz do desenhador americano Paul Pelletier, criam em Legado uma história bem conseguida, que alarga os horizontes do (já de si vasto) Universo Marvel, ao mesmo tempo que prepara o caminho para outra saga que vamos poder ler já no próximo volume desta colecção, a Invasão Secreta.
Publicado originalmente no jornal Público de 25/07/2014
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sexta-feira, 25 de julho de 2014
Universo Marvel 3 - Homem-Aranha: A Última Caçada de Kraven
Tal como aconteceu com o 1º volume, no caso deste A Última Caçada de Kraven, também o editorial é da minha autoria. Daí que, em vez do texto que saiu no Público, tenha optado por publicar o editorial que escrevi para o livro, que desenvolve alguns aspectos que estão apenas aflorados no texto do jornal. Aqui está ele!
A SOMBRA DO CAÇADOR
Se pegássemos na vastíssima galeria de vilões que passaram pelas aventuras do Homem-Aranha e fizéssemos um Top Ten dos seus principais inimigos, dificilmente Kraven, o Caçador entraria nos três primeiros, mas a verdade é que uma história por ele protagonizada foi muito justamente considerada pelos visitantes do prestigiado site Comic Book Resources, como a melhor história do Homem-Aranha de todos os tempos.
E é precisamente essa história, A Última Caçada de Kraven, que publicamos neste volume. Uma história sombria, que reúne os talentos do escritor J. M. Dematteis e dos desenhadores Mike Zeck e Bob McLeod ao serviço de uma intriga perturbadora, em que Kraven, o Caçador, alveja o Homem-Aranha, enterra-o numa campa e assume temporariamente o seu lugar. Ou seja, uma história muito perturbadora (até pelo controverso final, que tanta polémica causou junto dos leitores) que mostra o lado mais negro do Homem-Aranha, que aqui não é o “simpático amigo da vizinhança” da série de animação.
Publicada originalmente entre Outubro e Novembro de 1987, esta história em 6 capítulos deveria ter sido publicada apenas na revista Spectacular Spider-Man, mas o editor Jim Salicrup lembrou-se de a espalhar pelas outras duas revistas do Homem-Aranha (Amazing Spider-Man e Web of Spider-Man) cujas páginas ocupou durante dois meses. Uma decisão ditada por motivos comerciais, pois obrigava os leitores a comprar as três revistas para conseguir ler a história, mas também por questões de lógica editorial, pois se Kraven mata o Homem-Aranha e ocupa o seu lugar, seria naturalmente confuso para os leitores que a vida de Peter Parker seguisse o seu percurso normal nos outros títulos, enquanto o herói estava debaixo de seis palmos de terra nas páginas de Spectacular Spider-Man…
Se a premissa-base da história, em que um vilão mata o Homem-Aranha e passa a vestir o seu uniforme e a fazer o seu trabalho, tem, para os leitores actuais, grandes semelhanças com a história que Dan Slott criou para o Homem-Aranha Superior, trocando apenas Kraven pelo Dr. Octopus, o que mostra a influência do trabalho de De Matteis, quase trinta nos depois, a verdade é que A Última Caçada de Kraven não foi a primeira vez que o escritor tentou contar a história de um vilão que mata o herói e assume o seu lugar. Longe disso.
Reza a lenda que, já em meados da década de 80, De Matteis tinha proposto à Marvel uma mini-série doWonder Man, em que este era enterrade e acabava por conseguir abandonar a campa, mas o editor Tom DeFalco rejeitou a proposta, o que, anos mais tarde, levou o escritor a reformular a história e levá-la à DC, transformada numa aventura do Batman, em que o Joker mata o Batman, o que o deixa curado… Mais uma vez, a proposta seria rejeitada, neste caso, por ter alguns pontos de contacto com A Piada Mortal, que Alan Moore estava a preparar na altura. Só quando John Marc De Matteis reformulou outra vez o conceito e o levou à Marvel, transformado numa aventura do Homem-Aranha, é que a história foi finalmente aceite, com o sucesso que hoje se conhece.
Com um tom muito mais sombrio do que o habitual e referências literárias pouco habituais numa história de super-heróis, esta história é filha do seu tempo, reflectindo a alteração dos comics de super-heróis para um registo mais violento e realista, destinado a um público mais adulto, fazendo por isso mais sentido fora da continuidade normal do herói. O próprio De Matteis é aliás o primeiro a reconhece-lo, quando diz: “não estou a pensar para além destes seis números. Esta história não entra muito na continuidade dos outros livros. Na verdade, acho que se podiam pegar nestes seis capítulos e publicá-los separados, como uma mini-série, ou uma novela gráfica”.
Nascido em Nova Iorque em 1953, John Marc De Matteis queria ser músico rock, ou desenhador de BD, mas seria como argumentista que construiria uma carreira tão prolífica como bem-sucedida. Tendo começado a trabalhar para a DC em finais dos anos 70, De Matteis chegaria à Marvel em 1980, graças ao mítico editor Jim Shooter, que depois de alguns trabalhos menores, lhe confiou a escrita da revista do Capitão América, no que seria sua primeira colaboração com o desenhador Mike Zeck. Mas, mais do que as histórias de super-heróis, seriam os projectos mais artísticos que ajudaram a construir a fama de De Matteis. Mini-séries de luxo, ilustradas em cor directa, como Moonshadow, que escreveu para Jon J. Muth, ou Blood: A Tale, uma poética história de vampiros, pensada para o traço de Kent Williams.
Num registo bem diferente, mas igualmente memorável, estão as divertidas histórias da Liga da Justiça Internacional, que escreveu a meias com Keith Giffen, que contrapõem ao registo sombrio que dominava os comics da época, um humor absolutamente delirante. Humor que está ausente de A Última Caçada de Kraven, história que dá uma dimensão trágica e uma dignidade insuspeitada a um vilão menor do Homem-Aranha, Kraven, dá o merecido destaque a Ratus, uma espécie de ratazana humana, que Zeck e Matteis tinham criado durante a sua passagem comum pela revista do Capitão América e utiliza de forma eficaz o aspecto mais sombrio do novo fato que o Homem-Aranha ganhou durante as Guerras Secretas.
Muito bem construída em termos narrativos, com uma versão do famoso poema The Tyger, de William Blake (que Alan Moore já tinha utilizado no capítulo 5 da série Watchmen) em que o tigre (tyger) dá lugar à aranha (spyder), a funcionar quase como um mantra, pontuando os momentos mais importantes da narrativa, A Última Caçada de Kraven é o exemplo perfeito de uma boa história a que a cumplicidade e colaboração entre o argumentista e o desenhador, dá uma dimensão extra.
A parte gráfica foi assegurada por Mike Zeck, prolífico e talentoso desenhador que os leitores portugueses já conhecem dos dois volumes da saga Guerras Secretas, publicada na primeira colecção que a Levoir dedicou à Marvel e que aqui, apoiado na inspirada arte-final de Bob McLeod, assina um dos seus melhores trabalhos de sempre, marcado por um realismo sombrio, muito típico da segunda metade da década de 80, em que a influência de obras seminais como The Dark Knight Returns, de Frank Miller e Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, se fazia sentir fortemente.
O sucesso de A Última Caçada… foi tal que o próprio De Matteis voltaria pegar na história, novamente com Mike Zeck, em 1992, na novela gráfica Soul of the Hunter. E as coisas não ficaram por aqui, pois, regularmente, a relação entre Kraven, O Caçador e o Homem-Aranha volta ser abordada em mini-séries como Grim Hunt e Kraven First Hunt, em que descobrimos que Kraven deixou uma filha, que está pronta para acabar o trabalho do pai. Mas essas continuações, apesar de bem conseguidas, não fazem esquecer a história original. Uma história que, graças a esta colecção, os leitores nacionais vão poder ler finalmente em português de Portugal, numa edição que faz justiça à importância da obra.
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quinta-feira, 17 de julho de 2014
Universo Marvel 2 - Capitão América: O Soldado do Inverno 2
O COMBATE FINAL ENTRE O CAPITÃO AMÉRICA E O SOLDADO DE INVERNO
Universo Marvel - Vol 2
Capitão américa: O Soldado do Inverno, Parte 2
Argumento - Ed Brubaker Desenhos - Steve Epting, Michael Lark, Lee Weeks e Stefano Guaudiano
Quinta, 18 de Julho + 8,90 €
Conclui no segundo volume, que chega às bancas e quiosque de todo o país na próxima quinta-feira, a história épica que assinalou a estreia de Ed Brubaker como escritor do Capitão América e o regresso de Bucky Barnes ao Universo Marvel, como o Soldado do Inverno. A mesma história que serviu de base para o último filme do Capitão América, estreado em finais de Março com enorme sucesso em todo o mundo, incluindo Portugal.
Criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby, correspondendo ao gosto da época, que preconizava que os heróis deviam contar com o apoio de um sidekick, um ajudante juvenil, com o qual os jovens leitores se pudessem mais facilmente identificar, tal como acontecia em relação ao Batman e ao Robin, Bucky foi o fiel companheiro do Capitão América durante a Segunda Guerra Mundial acompanhando o herói na sua luta contra os inimigos da nação americana. Mesmo com o fim da guerra, e a consequente perda de popularidade do Capitão América, que levou ao cancelamento da revista que lhe era dedicada, Bucky manteve-se ao seu lado, quando os dois regressaram à BD em finais de 1953, no auge da Guerra Fria E em pleno macarthismo, como caçadores de comunistas, num curto regresso quase sem história e completamente sem glória, de que Simon e Kirby não têm qualquer responsabilidade.
Quando em 1964, já em plena era Marvel, Stan Lee e Jack Kirby decidem recuperar o Capitão América na revista dos Vingadores, Bucky já não o acompanha, pois Stan Lee, que nunca foi muito entusiasta dos jovens sidekicks, achava que só um super-herói completamente irresponsável é que iria colocar em risco a vida de um menor, obrigando-o a combater criminosos adultos e impiedosos. Assim, ficou estabelecido que Bucky perdeu a vida no final da Segunda Guerra Mundial, na sequência do acidente que deixou o Capitão América em estado de hibernação suspensa num bloco de gelo durante décadas, e assim se manteve morto durante largas décadas.
Se nas histórias de super-heróis a morte raramente é permanente, a persistência com que Bucky se manteve ausente das histórias do Capitão América, excepto nas cenas de flashbacks passadas na Segunda Guerra Mundial, mostrou ser tão notável, que até deu origem a um aforismo, célebre entre os leitores de histórias de super-heróis, que ficou conhecido como a Cláusula Bucky. Segundo essa cláusula, nos comics de super-heróis “ninguém permanece morto, excepto o Bucky, Jason Todd e o Tio Ben”. A verdade, é que, até ver, apenas o Tio Ben, cuja morte levou Peter Parker a transformar-se no Homem-Aranha, se mantém morto, pois Jason Todd, que tinha combatido ao lado do Batman como o segundo Robin, também vai sofrer um processo muito semelhante ao de Bucky, regressando ao mundo dos vivos como inimigo do homem que foi o seu mentor.
É esse confronto entre o Capitão América e o homem que foi o seu maior amigo durante a Segunda Guerra Mundial, que está no centro deste segundo volume, em que descobrimos como o exército soviético resgatou Bucky dos braços da morte e manipulou o seu corpo e a sua mente, até o transformar numa fria e eficiente máquina de matar, o Soldado do Inverno. Mas esse é apenas um dos elementos de uma complexa história de espionagem, em que Steve Rogers, o Capitão América, descobre ser um mero pião de uma conspiração mais vasta, urdida de forma maquiavélica por um velho inimigo que todos julgavam morto.
Publicado originalmente no jornal Público de 11/07/2014
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domingo, 6 de julho de 2014
Apresentação da colecção Universo Marvel
Saiu na edição de hoje do jornal Público o destacável de apresentação da terceira colecção que a Levoir e o Público dedicam à Marvel, que chega às bancas e quiosques a partir da próxima quinta-feira, 10 de Julho. Como de costume, os textos do destacável são da minha autoria e aqui os recupero para os leitores do blog que não compraram o Público.
EXPLORANDO O UNIVERSO MARVEL
Os maiores heróis
da Marvel aliam-se para combater o crime por toda a Galáxia na nova colecção
que o Público dedica à maior editora de super-heróis do mundo, a Marvel. Uma
colecção de histórias a não perder, que exploram a imensidão do Universo
Marvel, através das sagas épicas que marcaram a sua evolução.
Face ao sucesso das anteriores
colecções, os super-heróis regressam ao Público, numa nova colecção de 20
volumes, que a partir de 3 de Julho, vão chegar às bancas, todas as 5as feiras
com o seu jornal.
Uma nova colecção dedicada aos heróis
da Marvel, a mais popular editora americana do género, mas que obedece a uma
filosofia diferente da das colecções anteriores, mais centradas nas aventuras
individuais dos principais heróis. Desta vez, o destaque vai para o Universo
Marvel, entendido como um todo, ancorando-se a colecção nas grandes sagas que
vão colocar lado a lado, e muitas vezes em confronto, os principais heróis da
“Casa das Ideias”.
Desde a sua criação em inícios da
década de 60, por Stan Lee e Jack Kirby, que o universo Marvel se
destacou pela sua unidade e coerência, que fez com que o que acontecia a um
herói numa revista, se reflectisse naturalmente na realidade dos outros heróis
que povoavam o mesmo universo ficcional e o mesmo espaço real - a cidade de
Nova Iorque.
Perante o estrondoso sucesso da
primeira saga global, as Guerras Secretas,
que os leitores do Público tiveram oportunidade de ler nos volumes 12 e 13 da
primeira colecção dedicada à Marvel, estas sagas épicas, ou crossovers, nome dado pelos americanos a
estas história que juntam vários heróis, cujas consequências afectam a
globalidade do universo Marvel, têm-se multiplicado com uma frequência cada vez
maior, servindo para matar alguns heróis e vilões e introduzir novas
personagens. A abrir e a fechar a segunda série dedicada à Marvel, tivemos
precisamente duas dessas sagas: Dinastia
de M e Guerra Civil, e agora, na
terceira colecção que o Público e a Levoir dedicam à Casa das Ideias, estas grandes
sagas vão servir precisamente de principal eixo condutor da nova colecção.
Sagas como a Invasão Secreta, o Cerco, A Essência do
Medo, ou Vingadores Versus X-Men. Histórias
épicas cujas consequências alteraram profundamente o universo Marvel e que o
leitor português vai poder ler pela primeira vez, em cuidadas edições, na sua
esmagadora maioria inéditas em Portugal, com a qualidade a que estas colecções
já o habituaram. Mas este não é o único motivo de interesse desta nova colecção,
que recupera grandes clássicos, como o incontornável Marvels, de Kurt Busiek e
Alex Ross, Homem-Aranha: A Última Caçada de Kraven, Homem de Ferro: Demónios, Hulk:
Cinzento, de Jeph Loeb e Tim Sale, Capitão América: Soldado do Inverno, de Ed Brubaker, Guardiões da
Galáxia: Legado e o clássico dos clássicos, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, de John Byrne e Chris Claremont,
com estes três últimos títulos a servirem de base aos mais recentes sucessos da
Marvel no cinema.
E, confirmando a diversidade de
abordagens que o Universo Marvel possibilita, temos um volume que recolhe as
principais histórias que Mike Mignola,
o criador de Hellboy ilustrou para a Marvel, uma série de contos de fadas
tradicionais adaptados ao universo Marvel por C. B. Cebulsky, num volume ilustrado maioritariamente por
desenhadores portugueses, como João
Lemos, Nuno Plati e Ricardo Tércio,
ou a estreia na Marvel de um dos monstros sagrados da BD europeia, o
italiano Milo Manara, ilustrando
como só ele sabe, um volume dedicado, naturalmente, às Mulheres da Marvel, onde também brilha o traço dos portugueses Filipe Andrade e Nuno Plati,
Agora, resta o leitor esperar pelas
próximas quintas-feiras, para juntar à sua coleção quase duas dezenas de
grandes histórias, com os maiores heróis da Marvel, protagonizando as mais
épicas sagas que o Universo Marvel já viu.
CINCO MOTIVOS PARA NÃO PERDER
A NOVA COLECÇÃO UNIVERSO MARVEL
Para além do prazer de (re)encontrar os principais heróis da Marvel, em histórias emocionantes, escritas e ilustradas pelos maiores autores mundais a trabalhar no mercado americano, esta nova colecção tem características próprias, que a distinguém das anteriores e a tornam ainda mais imperdível.
A NOVA COLECÇÃO UNIVERSO MARVEL
Para além do prazer de (re)encontrar os principais heróis da Marvel, em histórias emocionantes, escritas e ilustradas pelos maiores autores mundais a trabalhar no mercado americano, esta nova colecção tem características próprias, que a distinguém das anteriores e a tornam ainda mais imperdível.
1 – Grandes Sagas
As histórias épicas, que reuném diferentes heróis e vilões e que exploram em profundidade a dimensão cósmica do Universo Marvel, vão servir de fio condutor a esta colecção, começando com a Invasão Secreta, uma história escrita por Brian Michael Bendis, em que os principais heróis da Marvel têm que deter uma invasão dos Skrulls, uma raça alienigena com uma capacidade mimética que lhes permite assumir assumir a aparência e os poderes dos super-heróis terrestres e assim inflitrarem-se no meio deles. Segue-se Cerco, em que Asgard, a mítica terra dos Deuses Nórdicos, transportada para os céus da América profunda, é atacada pela H.A.M.M.E.R., a mais poderosa força de segurança do mundo, comandada por Norman Osborn, que substitui a S.H.I.E.L.D., depois desta ter sido dissolvida na sequência dos acontecimentos da Invasão secreta. Uma história épica, que opõe os heróis da Terra aos Deuses de Asgard e que funciona como capítulo final de uma saga mais vasta, iniciada com a Guerra Civil, já publicada numa anterior colecção. Do mesmo modo, os acontecimentos de Cerco, vão estar na origem de A Essência do Medo, em que Thor e o Capitão América tem que se aliar contra Odin, que pretende destruir a Terra para salvar Asgard.
Finalmente, a fechar a colecção, teremos Vingadores Vs X-Men, história que coloca de lados diferentes da barricada os dois principais grupos de super-heróis da Marvel, num combate do qual depende o futuro do Universo Marvel.
2 – Clássicos Incontornáveis
Do mítico Marvels, que reúne os talentos de Kurt Busiek e Alex Ross, para contar a história dos primeiros anos do Universo Marvel, na perspectiva do cidadão comum, até ao Hulk: Cinzento, da premiada dupla Jeph Loeb e Tim Sale, não faltam clássicos nesta colecção. Clássicos como A última Caçada de Kraven, considerada pela crítica como a melhor história do Homem-Aranha de sempre, ou Demónios, história em que o Homem de Ferro tem que enfrentar um inimigo invulnerável aos seus vastos recursos, o alcoolismo, ou Vingadores para Sempre, história tão épica que são precisos dois volumes para contar e que reúne os talentos de Kurt Busiek e do espanhol Carlos Pacheco, para não falar do clássico dos clássicos, os Dias de um Futuro Esquecido, uma das mais conhecidas e populares aventuras dos X-Men, que nos leva a outra razão para não perder esta colecção...
3 – Da BD para o cinema
Os mais recentes filmes da Marvel estreados, ou a estrear neste Verão, têm por base histórias que estão incluídas nesta colecção. É o caso, logo a abrir, de O Soldado do Inverno, história do Capitão América escrita por Ed Brubaker, que serve de ponto de partida para o segundo filme do Capitão América, dirigido por Anthony e Joe Russo, que desde a sua estreia em fins de Março, tem conquistado as bilheteiras de todo o mundo. Também o filme dos Guardiões da Galáxia, dirigido por James Gunn e que chega aos cinemas de todo o mundo em 1 de Agosto, tem por base Legado, a mini-série de Andy Lanning, Dan Abnett e Paul Pelletier, que chega aos quiosques no preciso dia em que o filme estreia. E há ainda o clássico incontornável dos X-Men de Chris Claremont e John Byrne, Dias de um Futuro Esquecido, que para além de ter influenciado o filme Terminator, de James Cameron está na origem do mais recente filme de Bryan Singer, que reúne duas gerações diferentes de mutantes numa história épica.
4 – Made in Portugal
Se os desenhadores portugueses já tinham dado um primeiro ar da sua graça na anterior colecção, com duas histórias curtas assinadas por Filipe Andrade e Nuno Plati, no volume dedicado ao Homem de Ferro, nesta nova colecção eles são o destaque principal do volume dedicado aos Contos de Fadas Marvel, em que contos de fadas tradicionais, como Peter Pan, O Capuchinho Vermelho, ou Pinóquio são transpostos para o Universo Marvel. Um volume, escrito por C. B. Cebulsky, que inclui quatro histórias ilustradas pelos desenhadores portugueses, Ricardo Tércio (que ilustra duas histórias), João Lemos e Nuno Plati. Mas os ilustradores nacionais estão também presentes no volume dedicado ás Mulheres da Marvel, onde Nuno Plati e Filipe Andrade, brilham ao lado de uma super-estrela como Milo Manara.
5 – Autores a descobrir
Milo Manara, o mestre europeu do erotismo na BD, que colabora com Chris Claremont numa história protagonizada pelas heroínas do grupo X-Men, não é o unico grande autor que aparece pela primeira vez a trabalhar numa história da Marvel nesta colecção. Desenhadores como o popular Alex Ross, que conquistou o mundo dos comics com o seu realismo épico em Marvels; Mike Mignola, o criador de Hellboy, que ilustra o improvável encontro entre o Doutor Estranho e o Dr. Destino; o virtuoso italiano Simone Bianchi, que colabora com Jeph Loeb numa espectacular aventura de Wolverine; a premiada dupla Jeph Loeb e Tim Sale, que dão o seu toque pessoal aos primeiros anos do Hulk, ou o grande argumentista J. M. De Matteis, responsável, com o desenhador Mike Zeck, por uma das melhores histórias do Homem-Aranha de todos os tempos, todos emprestam o seu talento às histórias inesquecíveis que vão poder ler com o jornal Público nas próximas vinte semanas.
Textos originalmente publicados no jornal Público de 06/07/2014
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