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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Diário de Notícias celebra o Mês da Ilustração em Setubal com edição ilustrada

A ideia não é nova, nem sequer em Portugal, mas é sempre bem-vinda. A edição de terça-feira, 2 de Junho de 2015, do Diário de Notícias troca as habituais fotografias pelo trabalho dos principais ilustradores nacionais. Este tipo de iniciativa é habitual em França, onde todos os anos, por altura do Festival de Angoulême o jornal Liberation surge ilustrado pelos principais autores de BD e ilustradores francófonos. por cá, na altura do Salão Lisboa, também o Público abriu as páginas à BD e à ilustração, numa iniciativa coordenada por João Paulo Cotrim, que também está à frente deste D.N. ilustrado que hoje esteve nos quiosques.
Com um desenho de André Carrilho na capa e um cartoon de João Abel Manta na última página, esta edição conta com imagens dos principais ilustradores nacionais, como Alex Gozblau, João Fazenda, João Maio Pinto e Nuno Saraiva, entre muitos outros.
Um dos pretextos para esta iniciativa é o evento É Preciso Fazer um Desenho?, um conjunto de mostras de ilustração, comissariadas por João Paulo Cotrim e Jorge Silva. Estas exposições vão animar a cidade de Setúbal durante este mês de Junho, mas a iniciativa começou logo no dia 31 de Maio com uma exposição dedicada a André Carrilho, o mais prestigiado ilustrador português contemporâneo a nível internacional, estando previstas também mostras dedicadas a Maria Keil, Lima de Freitas, João Abel Manta e Manuel João Vieira, que irão sendo inauguradas ao longo deste mês.
Se tudo correr como previsto, conto trazer-vos aqui, lá mais para o fim do mês, um punhado de imagens desta iniciativa a não perder por quem gosta de BD e ilustração.

terça-feira, 6 de março de 2012

Finger Paintings: A Nova Iorque de Jorge Colombo

Radicado nos Estados unidos desde 1989, o ilustrador português Jorge Colombo viu recentemente ser editado nos EUA, um livro com as melhores ilustrações de Nova Iorque que fez utilizando a aplicação "brushes" do Iphone. O livro, editado em Setembro de 2011 pela Chronicle Books, recolhe 100 ilustrações de Colombo publicadas (sobretudo) na revista New Yorker, o que tem lógica, pois a primeira capa que Colombo publicou na revista New Yorker, em Junho de 2009 foi também a primeira imagem criada num smartphone a ser usada como capa de uma revista, o que fez dela notícia a nível internacional.
Embora, actualmente, o uso desta aplicação já esteja mais generalizado (o pintor David Hockney também é um utilizador habitual desta aplicação, tanto no Iphone, como no Ipad) o facto de Colombo ter sido o primeiro a usá-la em ilustrações comerciais, garantiu uma grande visibilidade ao seu trabalho, evidente no mini-blog dedicado às ilustrações de Colombo, que a New Yorker criou no seu site.
Uma das mais prestigiadas publicações culturais em língua inglesa, a New Yorker tem mostrado grande abertura em relação à Banda Desenhada, o que não será alheio ao facto de Françoise Mouly, a directora de arte da revista, que é mulher de Art Spiegelman (o criador de Maus) ser uma profunda conhecedora da BD, tendo aberto as páginas e a capa da New Yorker a autores como Mattotti, Loustal, Charles Burns, Chris Ware, Eric Drooker, Max, Adrien Tomine, Jacques Sempé e Daniel Clowes, entre outros grandes desenhadores europeus e americanos.
Antes de se mudar para os EUA em 1989, Jorge Colombo foi director de arte do jornal O Independente, crítico de Banda Desenhada na revista Tintin, no JL e no jornal Se7e e um dos mais conceituados ilustradores portugueses, responsável, entre muitas outras coisas, por uma série de capas memoráveis para editoras como a Teorema. Quando atravessou o Atlântico para ir viver com a sua namorada, a artista Amy Yoes, Colombo viveu em Chicago e São Francisco, antes de se radicarem finalmente em Nova Iorque, em 1998, cidade que tem retratado de forma metódica e apaixonada. Algumas das ilustrações que fez durante os primeiros 10 anos que passou nos Estados Unidos puderam ser vistas em 1999, numa exposição na Bedeteca de Lisboa, servida por um fantástico catálogo em formato de livro de bolso.
A imagem usada para o convite da exposição, que podem ver em cima, faz a ponte com as ilustrações digitais feitas no Iphone, com o traço linha clara e as ecolines sobre papel a darem lugar a uma abordagem mais impressionista, com um curioso efeito de sfumatto. Mas, como uma imagem vale mais do que mil palavras, em vez de vos falar do livro de Colombo, prefiro deixar-vos com um punhado de imagens do mesmo. Enjoy!


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Um punhado de imagens da exposição Cartografias da Memória e do Quotidiano

É já no próximo domingo, 4 de Março, que termina a Exposição Cartografias do Quotidiano e da Memória, mostra que marca a presença da Banda Desenhada e da Ilustração na programação da Capital Europeia da Cultura, Guimarães 2012.
Embora os outdoors com as imagens criadas pelos seis ilustradores convidados vão continuar nas ruas de Guimarães até meados de Abril, a exposição essa, termina a 4 de Março. Mas este último fim-de-semana vai ser em grande, com a presença dos autores no dia 3, na Sociedade Martins Sarmento, para uma mesa-redonda e para o lançamento do catálogo. catálogo esse coeditado pela Imprensa nacional r. KarCasa da Moeda e que terá distribuição comercial nas Livrarias, como a Dr Kartoon. Aqui fica a sugestão para aproveitarem esta última oportunidade de visitar a exposição e algumas imagens da mesma para vos abrir o apetite...



Ulli Lust




João Fazenda


Denis Deprez



Anke Feuchtenberger



Marco Mendes


Nuno Sousa

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Os Lost Buildings de Chris Ware

A partir de uma entrevista feita por Ira Glass a Chris Ware para o programa "This American Life", e de uma centena de desenhos de Ware, foi feita esta história sobre um rapazinho que gostava de prédios antigos e que eu descobri no altamente recomendável blog do Monsieur Bandit e que aqui vos deixo.

PS - Não se assustem se o ecrã aparecer negro no início. As primeiras imagens demoram algum tempo a aparecer

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Morreu Frank Frazetta


Na passada segunda-feira, dia 10 de Maio, faleceu Frank Frazetta, o mais importante ilustrador de fantasia do século XX, com uma obra consistente também em termos de Banda Desenhada e que, a par com Jack Kirby, terá sido o artista que mais influenciou a cultura popular americana em geral e o mundo dos comics em particular.
Falecido aos 82 anos, num hospital da Florida, na sequência de um ataque cardíaco, Frazetta estava já retirado e, ao que consta, num estado de saúde bastante debilitado. Aquando da morte da sua mulher, Ellie em 2009, que tinha criado um museu dedicado à obra do seu marido, numa propriedade da família, na Pensilvânia, a disputa entre os filhos pelo espólio do artista, que envolveu até a prisão de um deles, apanhado pela polícia a tentar tirar algumas das obras do pai do Museu, durante a noite, parece confirmar os rumores de que Frank Frazetta sofria de demência senil, estando incapaz de assegurar a gestão e manutenção da sua obra.
Nascido em Brooklyn em 1928, Frazetta iniciou a sua carreira como autor de Banda Desenhada aos 15 anos, trabalhando como assistente do desenhador Bernard Baily, tendo publicado diversos trabalhos em pequenas editoras, antes de colaborar com a EC Comics e com a DC, mas, com a excepção d e "Th'unda" e da série “Johnny Comet”, que escreveu e desenhou, o grosso do seu trabalho em Banda Desenhada foi feito como assistente de Al Capp em “Li’l Abner” e de Dan Barry em “Flash Gordon”.
Mas, para lá da Banda Desenhada, a que voltaria na revista “Creepy” da editora Warren, em meados da década de 60, o que tornou o nome de Frazetta inesquecível para os fãs da fantasia e da ficção científica, são as pinturas e ilustrações que fez para capas de livros, com destaque para as reedições de “Conan”, de Robert E. Howard, em que a imagem criada por Frazetta, que confessou anos mais tarde que nunca tivera paciência para ler os livros de Howard, serviu de modelo para a maioria das interpretações de Conan, na BD ou no cinema.
Frazetta foi também autor de cartazes para filmes de Roman Polansky, Clint Eastwood e até Quentin Tarantino e Robert Rodriguez (é dele o cartaz de "From Dusk Till Dawn"), actividade em que se estreou em 1965 com a ilustração para o cartaz do filme escrito por Woody Allen, “What’s New Pussycat”, trabalho que, segundo o próprio Frazetta, lhe permitiu ganhar numa tarde de trabalho, o mesmo que ganhava num ano, durante o início de carreira.
Senhor de uma técnica pictórica apuradíssima, Frazetta conciliava o rigor do traço com o equilíbrio da composição, que normalmente seguia uma estrutura triangular, para criar imagens que atraiam instantaneamente o olhar do leitor e que contavam, elas próprias, uma história muitas vezes superior ao material escrito que lhe servia de ponto de partida. Daí que a editora Image tenha lançado recentemente um punhado de revistas, com histórias tendo como ponto de partida as mais icónicas imagens de Frazetta, como “The Death Dealer”, em que, mais uma vez, o resultado final fica muito aquém das ilustrações de Frazetta que as inspiraram.
Verdadeiro virtuoso da ilustração, tanto em termos do desenho anatómico como no trabalho de cor, Frazetta era um talento em estado puro, com uma facilidade no traço espantosa, de tal forma que, depois de ter tido um AVC em 1995, que o deixou incapaz de usar a mão direita, Frazetta, que era dextro, passou a desenhar e pintar com a mão esquerda com os mesmos resultados.
Nas suas imagens, de grande dinamismo, coexistiam uma grande sensualidade, aspecto que já tive ocasião de referir aqui e aqui, e uma grande violência e dramatismo, com as cenas de combate que pintou a serem tão inesquecíveis como as princesas que e guerreiras que nelas apareciam.
Influência evidente em autores e ilustradores tão diferentes como Simon Bizzley, Mark Schultz, Mike Mignola ou Neal Adams, Frazetta tem sido sucessivamente redescoberto pelas novas gerações de leitores, criadores e coleccionadores, não admirando, por isso, que uma das ilustrações para uma capa de de Conan tenha sido vendida por um milhão de dólares, num leilão realizado em Novembro de 2009.
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 15/05/2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Combate Ilustrado


Chegou às livrarias há poucos meses o livro “O Combate Ilustrado”, obra que, apesar de não ostentar qualquer imagem na capa ocupada por um lettering rosa fluorescente sobre um fundo branco, contém no seu interior centenas de ilustrações de alguns dos maiores nomes da Banda Desenhada e ilustração nacional. Jornal publicado pelo Partido Socialista Revolucionário (PSR), uma das forças políticas que esteve na origem do Bloco de Esquerda, o “Combate” acolheu nas suas páginas um número impressionante de ilustradores e desenhadores que, por militância, ou amizade pelos editores do jornal, encheram as páginas do jornal com imagens e histórias desenhadas.
O livro que motiva este texto, recolhe uma selecção dos trabalhos de ilustração e BD publicados no “Combate”, entre 1986 e 2007, numa escolha coordenada por Jorge Silva, grande responsável pela abertura do “Combate” à ilustração, que assina também a nota de abertura e o arranjo gráfico do livro. E o trabalho de Jorge Silva como ilustrador é uma das agradáveis surpresas deste livro. Indiscutivelmente um dos melhores designers portugueses, Silva foi também um ilustrador extremamente versátil, como o provam os inúmeros trabalhos seus reproduzidos neste “Combate Ilustrado”.
A presença de Jorge Silva como Director de Arte e de João Paulo Cotrim como editor fez com que encontremos nas páginas do “Combate” vários nomes que assumirão grande importância em termos da Banda Desenhada nacional, como Nuno Saraiva (com várias ilustrações e uma deliciosa história sobre as afinidades entre Santana Lopes e Zita Seabra), Fernando Relvas (que criou a Ovelha Negra, a mítica mascote do PSR), Renato Abreu, Richard Câmara, Pedro Burgos, ou João Fazenda, de quem escolhi uma ilustração para acompanhar este texto.
Desconheço se os critérios que presidiram à escolha das ilustrações e Bandas Desenhadas presentes neste “ O Combate Ilustrado” foram apenas estéticos, ou ditados por questões mais pragmáticas, como a dificuldade de acesso a imagens com qualidade suficiente para reprodução, mas uma rápida análise à listagem de todos os ilustradores que publicaram no “Combate” entre 1986 e 2007, reproduzida no fim do livro, permite detectar as ausências neste livro de autores como Alex Gozblau, Filipe Abranches e José Carlos Fernandes.
No caso de José Carlos Fernandes, é mesmo a confirmação de uma relação complicada com o jornal “Combate”, publicação que chegou a vetar uma história sua. Mas deixemos que seja o próprio a contar esta história edificante, que mostra que, por vezes, a censura surge de onde menos se espera: “Ora aqui vai a história da vez em que fui vítima de “implacável censura política”: nos tempos (já lá vão uns 17 ou 18 anos) em que não tinha livros publicados e divulgava as minhas BDs em fanzines e revistas a título “benévolo” (como dizem os franceses), submeti material à LX Comics, que entretanto se extinguiu. O director da LX Comics, que também movia cordelinhos noutras publicações, propôs-me que publicasse antes o material no Combate, orgão informativo do então PSR. Assim aconteceu com uma primeira BD, chamada “Dessert Storm”, que misturava Rodolfo Valentino com a I Guerra do Golfo, mas o mesmo já não aconteceu com a segunda, “O dia em que o capitalismo caiu”. Foi recusada por Francisco Louçã, que não gostou que a dita BD brincasse com a figura de Lenin (esse Santo Homem!), embora a BD satirizasse também o capitalismo e o consumismo.
Espero com esta história pungente poder conquistar um lugar na Galeria dos Mártires da Liberdade de Expressão em Portugal.”
Tendo em conta que há vários autores representados por mais do que uma ilustração, a começar pelo próprio Jorge Silva, não deixa de ser pena as ausências atrás citadas. Não que isso não invalide a oportunidade e o interesse do “Combate Ilustrado”, que nos permite descobrir (ou redescobrir) trabalhos menos conhecidos de grandes nomes da ilustração e BD.
(“O Combate Ilustrado: de 1986 a 2007, Vários Autores, Edições Combate, 228 pags, 20.00 €)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 01/05/2010

sábado, 24 de abril de 2010

Capa rejeitada de Chris Ware para a revista Fortune, ou como o capitalismo não tem sentido de humor


Depois de uma série de capas para a revista New Yorker, Chris Ware, o genial criador da série "ACME Novelty Library", onde nasceu Jimmy Corrigan, the smartest (and most Depressed) Kid on Earth, foi convidado pela revista Fortune para conceber uma ilustração para a capa do nº 500 da revista. A imagem criada por Ware nunca chegou a ser publicada, pois os editores da revista não acharam graça às piadas à forma como o capitalismo desenfreado conduziu ao estado actual da economia, que Ware espalhou de forma discreta (mas bem visível a quem carregar na ilustração para ampliar)na imagem. Felizmente o The Beat , o sempre bem informado blog de Heidi MacDonald, publicou a ilustração, tornando-a vísivel para os fãs de Ware. Como eu.
UMA CORRECÇÃO E UMA ACTUALIZAÇÃO


A capa feita por Ware, não foi para o nº 500 da revista Fortune, mas sim para o nº de Maio, que todos os anos traz a lista das 500 maiores empresas americanas. Aqui fica a rectificação, bem como a capa, bastante mais inócua, de Daniel Pelavin, escolhida para substituir a ilustração rejeitada de Chris Ware e um link para o divertido texto em que Rich (Lying in the Gutters) Johnston analisa em pormenor as "inside jokes" que Ware meteu na sua ilustração.