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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Um punhado de imagens de Angoulême 2017 - Parte 1: de Hermann a Will Eisner

Depois de alguns tempos parado, este blog volta a dar sinais de vida, com a reportagem da minha ida ao Festival de Angoulême, que decorreu no final do mês passado.
Festival que nesta 44ª edição homenageou Hermann, o desenhador de Bernard Prince e Comanche e criador daS Torres de Bois-Maury e viu regressar a editora Dupuis, que há vários anos que não estava presente no Festival, mas que depois da experiência deste ano, já prometeu regressar em 2018, ano em que o autor em destaque será Cosey, o vencedor do Grande Prémio de 2017 que tem vários livros publicados na Dupuis.
A exposição de Hermann, com mais de uma centena de originais, faz jus ao excelente trabalho gráfico do veterano desenhador belga e foi acompanhada por um excelente catálogo, que esteve à venda apenas durante o Festival.
Outro destaque, natural no ano em que chega ao cinema pela mão de Luc Besson, foi para a série Valerian, de Christin e Meziéres, com uma exposição num novo espaço da cidade, a Mediatheque Alpha, situada perto da estação de comboios de Angoulême, onde foi inaugurado um obelisco de homenagem a Renée Goscinny. Para além da parte dedicada à BD, onde era referida a influência que Valerian teve na Guerra das Estrelas de George Lucas, a exposição de Valerian continha também muita coisa relacionada com o filme de Luc Besson, desde maquetes, figurinos e desenhos de produção, para além da exibição de um making off do filme feito especialmente para Angoulême, mas disso não tenho imagens pois era rigorosamente proibido tirar fotografias dessa parte da exposição e os seguranças asseguravam que essas instruções eram rigorosamente cumpridas...



                         

                       Pormenores da exposição Hermann, Le Naturaliste de la BD




Mas, para mim, a melhor exposição deste ano, foi a dedicada ao centenário do nascimento de Will Eisner, o criador do Spirit e "pai" da novela gráfica. Uma espectacular mostra que o Festival da Amadora pretende trazer a Portugal durante o Festival deste ano, aproveitando a presença na Europa de tantos originais de Eisner, quase todos provenientes   de colecções particulares.

Uma mostra que recupera as cenografias cuidadas que fizeram a fama de Angoulême (a concepção é do atelier de Marc Antoine Mathieu, que é também um excelente autor de BD), aliada a uma espantosa selecção de material de grande qualidade, desde originais, com várias história completas do Spirit em exposição, até material de época, como os jornais ou as revistas do exército com que Eisner colaborou.





             Pormenores da exposição dedicada a Will Eisner


Para terminar este primeiro post sobre o Festival de Angoulême, deixo-vos com uma imagem da zona da estação, onde é possível ver o obelisco dedicado a Goscinny, o criador de Astérix, a estátua de Lucien, personagem de Frank Margerin, deitado por cima do edifício da estação e,  em segundo plano, por trás do Obelisco, o renovado  edifício dos Arquivos Municipais, que agora está revestido com uma estrutura metálica que reproduz em formato gigante um desenho de François Schuiten.

CONTINUA...

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Novela Gráfica II 8 - Fax de Sarajevo


CERCADO EM SARAJEVO

Novela Gráfica II – Vol. 8
Fax de Sarajevo
Argumento e Desenho – Joe Kubert
Quinta, 04 de Agosto
Por + 9,90€
Depois da Guerra do Líbano, em A Dança das Andorinhas, de Zeina Abirached, a segunda série da colecção Novela Gráfica volta dar destaque à guerra vista na perspectiva de quem a sofreu na pele, neste caso com Fax de Sarajevo, a adaptação à BD feita por Joe Kubert da experiência real de Ervin Rustemagic, durante o cerco de Sarajevo, no início da década de 90 do século XX.
Nascido em 1926 (no seio de uma família de emigrantes judeus polacos, que imigrou para os Estados Unidos pouco depois do seu nascimento) e falecido em 2012, Kubert começou a trabalhar como arte-finalista para a MLJ Publications aos 12 anos de idade, tendo publicado a sua primeira BD, Voltron, em 1942. Senhor de uma carreira muito preenchida, em que abordou os mais diversos géneros, com destaque para as histórias de guerra, em Sgt Rock, Enemy Ace e Tales of the Green Berets, Kubert, além da sua actividade como autor de BD, foi também professor na Joe Kubert School of Cartoon and Graphics, uma escola de BD fundada por si e por onde passaram grandes talentos, como Stephen Bissette, Amanda Conner, Tom Mandrake e Adam e Andy Kubert, os dois filhos de Joe Kubert, que optaram por seguir as pisadas do pai com grande sucesso.
Na altura em que rebentou a guerra na ex-Jugoslávia, Kubert estava a trabalhar num álbum gigante da série Tex para a editora italiana Bonelli, trabalho que tinha sido intermediado pelo seu editor Ervin Rustemagic, que negociava os direitos das séries da Bonelli fora de Itália, mas optou por interromper esse Tex para escrever e desenhar Fax de Srajevo, sobre o drama bem real de Ervin Rustemagic.
Fundador e proprietário da editora Strip Art Features (SAF), Rustemagic lançou-se no mercado editorial de banda desenhada em 1972, com apenas 19 anos, quando começou a publicar uma revista de BD, distribuída por toda a Jugoslávia. Durante os anos 80, Rustemagic consolidou a sua posição como agente de direitos, representando no mercado editorial internacional grandes nomes, como Hugo Pratt, Carlos Trillo, Hermann, o desenhador de Bernard Prince e, claro, Joe Kubert.
Instalado nos arredores de Sarajevo, Rustemagic, assistiu impotente ao agudizar de um conflito latente desde a morte do General Tito, na década de 80, cujo punho de ferro mantinha artificialmente unida a então República Federal Socialista da Jugoslávia, que acabaria por se dividir numa série de pequenas repúblicas, correspondentes às diferentes comunidades étnicas e religiosas, de croatas, sérvios e muçulmanos. Com a proclamação de independência da Bósnia-Herzegovina, os sérvios da Bósnia, com o apoio de Belgrado, iniciam em Abril de 1992 o bombardeamento e cerco de Sarajevo, a capital da Bósnia-Herzegovina. Um cerco que se prolongará, durante mais de três anos, até Setembro de 1995.
Rustemagic e a sua família vêm a casa ser destruída pelos bombardeamentos sérvios, que não pouparam também os escritórios da sua editora, destruindo um espólio único de mais de 14.000 pranchas originais de BD. Refugiado na cave de um edifício, numa cidade sobre bombardeamentos constantes, em que a existência de electricidade e água canalizada eram luxos raros, e os tiros dos snipers eram uma ameaça constante, Rustemagic tinha como único contacto com o mundo exterior, uma linha telefónica (que nem, sempre funcionava) e um aparelho de fax, através do qual relatava aos seus amigos, como Joe Kubert, a sua luta para sobreviver. São precisamente esses faxes que serviram de base a Kubert para transformar em imagens o inferno vivido pelo seu editor e pela sua família, num livro fortíssimo.
Pode dizer-se, sem exagero, que foi a BD que salvou a vida de Rustemagic, pois para além de usar revistas de BD e placas de metal para forrar o carro, diminuindo assim o impacto das balas dos snipers que o alvejavam sempre que tinha que se deslocar ao consulado francês, o editor apenas conseguiu sair de Sarajevo graças ao esforço conjunto de uma série de autores que representava, como Joe Kubert, Hermann e Hugo Pratt.
Publicado originalmente em 1996, Fax de Sarajevo foi considerada a melhor Novela Gráfica do ano pelo New York Times, ganhou os Prémios Eisner e Harvey no ano seguinte e o Prémio de Melhor Livro Estrangeiro no Festival de Angoulême de 1998. Vinte anos depois, aqui está finalmente a edição portuguesa!
Publicado originalmente no jornal Público de 29/07/2016

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Hermann - Grande Prémio em Angoulême


Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, este ano, o Grande prémio de Angoulême foi anunciado ainda antes do Festival começar. Da lista final de três autores, Alan Moore, Claire Wendling e Hermann, a escolha dos autores de BD votantes acabou por cair em Hermann, que vemos na imagem acima, a receber o troféu das mãos de Katshuiro Otomo, o anterior vencedor.
Independentemente de ser grande admirador do desenhador belga, esta parece-me a escolha óbvia, pois Wendling, apesar de ser uma extraordinária ilustradora, não tem uma carreira na BD que justifique uma distinção destas e Moore já declarou por diversas vezes que não estava interessado em receber o Prémio.
Autor de Jeremiah e das Torres de Bois Maury, para além de dezenas de histórias soltas, ilustrador de Comanche e de Bernard Prince - série cuja colecção, distribuída com o jornal Público, chega ao fim no mesmo dia em que lhe é atribuido o Grande Prémio de Angoulême - Hermann  é um vencedor mais do que merecido e esta distinção só peca por tardia. E o facto de só agora ter acontecido, justifica-se pelos anti-corpos que Hermann, pela sua frontalidade, tinha junto do colégio dos anteriores vencedores, que durante muitos anos escolheu o vencedor do Grande Prémio.
Grande desenhador, notável aguarelista e extraordinário contador de histórias, Hermann, aos 77 anos, permanece em grande forma e extremamente activo, tendo acabado de lançar um novo álbum, Old Pa Anderson que, diz quem já leu, está ao nível dos seus melhores trabalhos.
Felicitando Hermann que, como pôde constatar quem com ele contactou no Festival de Beja, até é uma pessoa de trato bem agradável, deixo-vos com as declarações do próprio sobre o merecido prémio que consagra uma carreira de mais de quarenta anos ao mais alto nível.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Depois de Billie Holiday, Bernard Prince: A BD no Público todas as semanas

Embora só nesta quinta-feira termine a colecção Poderosos Heróis Marvel, com a publicação de Marvels: Por Trás da Objectiva, de Kurt Busiek e Jay Anacleto, já são conhecidas as próximas edições de BD a sair com o jornal Público, que até ao fim do ano,terá  Banda Desenhada todas as semanas.
No dia 5 de Novembro será lançado Billie Holiday, a biografia em BD da cantora de jazz Billie Holiday, cujo centenário de nascimento se comemora em 2015, assinada por dois mestres da BD argentina, José Muñoz e Carlos Sampayo, os criadores de Alack Sinner.
Na quarta-feira, dia 11 de Novembro, arranca mais uma colecção em parceria com a Asa, dedicada ao um dos grandes clássicos da BD franco-belga de aventuras: Bernard Prince, de Hermann e Greg. A série, que revelou o desenhador Hermann, vai ter direito a uma selecção de 12 títulos, que cobrem a maioria das histórias desenhadas por Hermann e ainda tem espaço para A Cilada dos Cem Mil Dardos, desenhada por Dany, o artista que teve a espinhosa missão de suceder a Hermann..

De fora, ara além de A Fortaleza das Brumas e Objectivo Cormoran, já publicados numa anterior colecção Público/Asa ficam Ameaça sobre o Rio, o álbum que assinala o regresso de Hermann a Bernard Prince, mais de trinta anos depois, Bernard Prince d'Hier e d'Aujourd'hui, uma recolha de histórias curtas desenhadas por Hermann, Orage sur le Cormoran, o segundo álbum desenhado por Dany e  La Dinamitera e Poison Vert, os dois álbuns finais desenhada por E. Aidans
Dois grandes lançamentos, que terão o merecido destaque neste blog.

domingo, 1 de março de 2015

Revoir Paris 2 - No Atelier de Baudoin e Herman em Versailles


No que à Banda Desenhada diz respeito, esta estadia em Paris a seguir ao Festival de Angoulême, não se ficou pelas exposições de Schuiten e Peeters e Miyazaki, ou pela visita às Livrarias. do Quartier Latin. Um dos momentos mais importantes, de que não pude falar na altura em que fiz o primeiro post, por ainda não ser pública a colecção Novela Gráfica, que a Levoir está a editar com o jornal Público, foi a vista ao apartamento/atelier de Baudoin em Paris. Baudoin, um dos autores presentes na colecção Novela Gráfica, com o livro A Viagem, que traduzi durante a viagem e de que assinei o prefácio que poderão ler dentro de duas semanas, é um velho conhecido e uma pessoa extremamente simpática.
Conhecemo-nos em 2000 em Angoulême e, depois disso, cruzámo-nos algumas vezes tanto em Angoulême, como em Portugal, nos Festivais de Lisboa e da Amadora, onde ele esteve ainda em 2014, quando falámos pela primeira vez da edição de A Viagem em Portugal.
Daí que tenha aproveitado a oportunidade para lhe fazer uma visita em Paris e conversar sobre A Viagem e sobre os seus projectos actuais. Para além de me ter oferecido uma prancha original de Le Voyage, que podemos ver a assinar na foto aqui ao lado, Baudoin mostrou-me também algumas páginas do seu próximo trabalho, um livro desenhado a duas mãos com Craig Thompson, o autor de Blankets e de Habibi. Um projecto que não deverá sair antes de 2016 e que reúne dois mestres do desenho e que é ainda mais curioso, pois nem Baudoin fala inglês, nem Thompson fala francês, pelo que a comunicação entre eles foi feita através do desenho.
No final deste post podem ver duas pranchas deste magnífico projecto, que promete! Peço desculpa pela qualidade das imagens, fotografadas com o meu telemóvel, mas achei que mesmo assim, era importante mostrá-las!
Na viagem de regresso de Paris, ficámos um dia em Versailles, destino turístico por excelência, graças ao seu magnífico Palácio e Jardins, mas que neste caso tinha para nós um motivo de interesse acrescido, graças à exposição que a Câmara de Versailles dedicou ao desenhador belga Herman Huppen, nome bem conhecido dos leitores portugueses, graças a séries como Bernard Prince, Comanche, ou As Torres de Bois-Maury. Um mostra bastante sóbria, mas com muitos originais e algumas coisas menos conhecidas, como as ilustrações que Hermann fez para o filme Piratas de Roman Polansky, que mais tarde serviram de inspiração ao seu filho e argumentista, Yves H. para o argumento de O Diabo dos Sete Mares. Uma bela iniciativa da Câmara de Versailles que, descobri na altura, tem como tradição anual promover uma exposição dedicada a um autor de Banda Desenhada, logo a seguir ao Festival de Angoulême, em inícios de Fevereiro. Assim, antes de Hermann passaram pela Câmara de Versailles, autores como William Vance, André Juillard, Patrice Pellerin, Philippe Francq e Rosinsky. Ou seja, há que estar atento à programação da Câmara de Versailles, pois pode valer a pena fazer um desvio até Versailles, para quem se deslocar a França para o Festival de Angoulême, até porque não faltam pontos de interesse turístico pelo caminho.

Storyboard de Herman para o filme de Polansky
    Cartaz da exposição de Hermann nas escadarias da Câmara de Versailles
                                Pormenor da exposição
                                  Baudoin no seu apartamento/atellier
Prancha desenhada por Craig Thompson para o livro conjunto com Baudoin 
                          Página feita a duas mãos por Craig Thompson e Baudoin

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Entrevista ao Diário As Beiras


Curiosamente, tendo terminado recentemente a coluna de Banda Desenhada que mantinha no Diário As Beiras há exactamente 20 anos, não esperava voltar tão cedo às páginas do jornal. Mas esse regresso aconteceu na passada sexta-feira, no renovado suplemento "Gente", onde também saia a minha coluna, quando a minha disponibilidade e o espaço disponível no jornal o permitiam.
A entrevista, profusamente ilustrada com fotografias de Luís Carregã, foi feita pela Patrícia Cruz Almeida e teve lugar na Livraria Dr. Kartoon. Foi uma conversa muito agradável, que me deu também a oportunidade indirecta de me despedir dos leitores do jornal, pois a minha coluna foi interrompida sem qualquer aviso aos leitores, que me acompanharam  desde Maio de 1994, quando o então director Joaquim Rosa de Carvalho, me convidou a escrever para o Diário As Beiras que tinha ainda poucos meses de vida, até Maio de 2014.
Foram vinte anos de publicação regular dos meus textos, que durante grande parte desse tempo foram  pagos  (mesmo que mal..), que chegaram ao fim de forma natural, face à minha menor disponibilidade e às sucessivas remodelações gráficas do jornal, que resultavam invariavelmente em menos espaço para a minha coluna, nos últimos tempos reduzida a um máximo de 1.200 caracteres.
Longe vão os anos em que cheguei a dispor de uma página completa do jornal, para publicar textos que ultrapassavam os 5.000 caracteres. Ficam as recordações, o Prémio de Imprensa do Festival da Amadora em 1996, para um texto publicado nas Beiras sobre a Balada do Mar Salgado de Hugo Pratt e entrevistas a grandes nomes da BD europeia, como François Bourgeon,  Miguelanxo Prado, Hermann, André Juillard e Milo Manara.
E fica já a saudade dos amigos que fiz no jornal, como a Lídia Pereira e o Paulo Marques e, sobretudo, dos leitores, que me podem continuar a acompanhar neste blog, sem limites de espaço, ou quaisquer constrangimentos editoriais.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Da Vida das Imagens I - Nighthawks, de Edward Hopper

Pintado em 1942, Nighthawks é um dos mais célebres quadros de Edward Hopper. Retrato perfeito da solidão da grande cidade, esta pintura tem sido alvo das mais diversas homenagens e citações. Desde uma música de Tom Waits que deu nome ao disco Nighthawks at the Dinner, a uma versão em Lego, passando por um episódio dos Simpsons e o cartaz do filme End of Violence, de Win Wenders, a diversas outras paródias mais ou menos inspiradas, não falta quem tente recriar a icónica imagem de Hopper. Naturalmente, os autores de Banda Desenhada não são excepção e por isso, aqui vos deixo um punhado de homenagens feitas por autores de Banda Desenhada ao emblemático quadro de Hopper.
A mais fiel é a de Hermann no álbum Laços de Sangue, em que as homenagens não se ficam por aqui, pois Hermann utiliza as feições de vários actores célebres, de Marlon Brando a Bogart. Mas desde David Mazuchelli em Batman: Ano Um, em que o nome do dinner não deixa dúvidas, até às homenagens de Gabrion, em Primal Zone e de Colman e Desberg no 5º álbum da série Billy the Cat, até à capa de Rodolfo Migliari para o nº 4 da revista Common Grounds, da Top Cow, não faltam exemplos. O mais recente é a imagem final do painel Domingo à Noite, que Marco Mendes fez para a exposição Cartografias da Memória e do Quotidiano, da Capital da Cultura Guimarães 2012, em que, se a imagem não tívesse saído tão escura no catálogo, era possível ver o Corto Maltese de costas ao balcão do dinner. Nota - As imagens de Gabrion e de Colman foram respeitosamente pilhadas do excelente blog KiCswiLA?, cuja visita recomendo.
Hermann
David Mazuchelli
Colman
Gabrion
Marco Mendes

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Bernard Prince: Ameaça sobre o Rio


Com poucos meses de atraso sobre a edição original francesa, a Vitamina BD acaba de lançar "Ameaça sobre o Rio", álbum que assinala o regresso de Hermann à série Bernard Prince, trinta e dois anos depois de ter desenhado "Le Port des Fous", o seu último álbum para esta série.
Após Herman ter decidido abandonar as aventuras de Bernard Prince para se dedicar às suas próprias criações, Greg prosseguiu a série com outros desenhadores, Danny e E. Aidans, mas a etapa de Hermann é única e inultrapassável, tanto mais que os argumentos de Greg na fase final da sua carreira, ficam bem longe dos tempos áureos da série.

Daí que este regresso de Hermann a "Bernard Prince", ilustrando em cores directas, uma história escrita pelo seu filho, Yves H. fosse muito aguardado. Para esta nova aventura, cuja acção decorre num país fictício da América Latina, Yves foi buscar os principais elementos que fizeram o sucesso da série: a aventura em cenários exóticos, a fúria da natureza como grande obstáculo (nesta caso, uma chuvada diluviana), o Cormoran, e personagens recorrentes ao longo da série, como El Lobo, personagem que aparece nos álbuns "Tormenta sobre o Coronado" e "O Refúgio da Moreia" e Kurt Bronzen, o mau da fita de "A Fronteira do Inferno" e "Tormenta sobre o Coronado", a quem os anos trataram bastante pior do que a El Lobo que, tal como Bernard Prince e Barney Jordan, pouco envelheceu.

E a questão do passar do tempo é um dos aspectos mais curiosos deste álbum, pois se há uma actualização a nível da tecnologia (todos têm telemóveis e o Cormoran tem computador e GPS)e dos costumes (o topless algo gratuito da filha de Bronzen não teria sido possível nas páginas da revista Tintin, onde os primeiros episódios foram publicados), as únicas personagens em quem é visível o passar do tempo, são Bronzen, que ficou careca, e Djinn, que parece ter mais 4 ou 5 anos do que na fase áurea da série, mesmo que a nível de comportamento se revele muito menos expedito do que nos bons velhos tempos. Mas essa é mesmo a maior falha do argumento de Yves H., que no resto se revela um discípulo aplicado de Greg, com a grande vantagem de contar a seu lado com um Herman ao seu melhor nível, tanto em termos de desenho como na cor.
(“Bernard Prince: Ameaça sobre o Rio”, de Hermann e Yves H., Vitamina BD, 56 pags, 13,50 €)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 18/12/2010

sábado, 8 de maio de 2010

O Regresso de Bernard Prince II


aqui falei do novo álbum de Bernard Prince, o 18º da série, em que Hermann está a trabalhar com o seu filho Yves H. como argumentista. Agora surge finalmente a capa do novo livro, "Menaces sur le Fleuve", que tem data de saída em França anunciada para Julho de 2010. E o próprio Yves revelou num fórum de discussão que, se este álbum vender bem, há projectos para continuar a série, mas numa versão mais actual e mais liberta da influência de Greg, ficando este 18º álbum como o último do ciclo gregiano. O que podem ser boas notícias, ou não. Vamos esperar para ver o que Yves consegue fazer com as personagens neste "Menaces sur le Fleuve"...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Regresso de Bernard Prince


Uma das novidades mais interessantes para 2010, em termos de BD franco-belga, é o regresso de Hermann à série Bernard Prince, trinta e dois anos depois de ter desenhado Le Port des Fous", o seu último álbum para esta série.
Após Herman ter decidido abandonar as aventuras de Bernard Prince para se dedicar à série "Jeremiah", Greg prosseguiu a série com outros desenhadores, Danny e E. Aidans, mas a etapa de Hermann é única e inultrapassável, tanto mais que os argumentos de Greg na fase final da sua carreira, ficam bem longe dos tempos áureos da série.
Daí que este regresso de Hermann a "Bernard Prince", ilustrando em cores directas, uma história escrita pelo seu filho, Yves H. seja aguardada com grande expectativa.
Se os herdeiros de Greg aceitaram de bom grado este regresso, até porque, financeiramente, só têm a ganhar com isso, a editora Lombard ainda ficou mais satisfeita, tanto mais que este regresso coincide com o lançamento de uma edição integral em 3 volumes dos álbuns de Bernard Prince desenhados por Hermann, cujo primeiro volume tem lançamento anunciado já para Março.
Embora ainda não se saiba o título da nova aventura de Bernard Prince, cujo lançamento está previsto para finais de 2010, uma preview com as primeiras oito páginas, que está disponível no site do autor, permite ver que a acção decorre num país fictício da América Latina e que El Lobo, personagem que aparece nos álbuns "Tormenta sobre o Coronado" e "O Refúgio da Moreia" está de volta.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Herança de Bois-Maury: Vassya


Depois das histórias de piratas em “O Diabo dos 7 Mares”, Hermann regressa à aventura histórica com “Vassya”, mais um volume de “A Herança de Bois-Maury”, escrito pelo seu filho Yves H. e que a Vitamina BD lançou em Portugal em finais de 2009.
Nascida em 1984 nas páginas da revista Circus, a série “As Torres de Bois-Maury” compreende um ciclo inicial de 10 álbuns (dos quais apenas 3 foram publicados em Portugal pela Meribérica) dedicados à gesta de Aymar de Bois Maury, cavaleiro sem terra que parte para as Cruzadas para conseguir os meios que lhe possibilitem reconquistar as terras que lhe foram roubadas e recuperar as Torres de Bois-Maury, que considera como “as mais belas da cristandade”. Terminado o primeiro ciclo com a morte de Aymar, Hermann resolveu voltar à Idade Média, para contar, em histórias autónomas, passadas em diferentes épocas, o destino de outros membros da linhagem de Bois Maury, também chamados Aymar, na série “A Herança de Bois-Maury, de que este “Vassya” é o 4º volume e o 3º publicado em Portugal (o 1º título deste novo ciclo, “Assunta”, nunca teve edição portuguesa).
Tendo como cenário as estepes da Rússia meridional, em meados do Século XVII, o argumento de “Vassya” tem como pano de fundo um episódio pouco conhecido da história da Rússia, envolvendo Grigori Otrepiev, um impostor que se vai fazer passar por Dimitri, o filho de Ivan, o Terrível, que tinha sido assassinado, e que, com o auxílio dos cossacos e do exército polaco, onde milita um descendente de Aymar de Bois-Maury, vai conseguir conquistar o poder e ser coroado Czar, entrando para a história como o “falso Dimitri”.
Mas esses acontecimentos históricos são apenas o mero pretexto para uma história de amor contrariado entre Aymar e Douniachka, uma bela russa que irá pagar caro a relação com Aymar. Mais uma vez, o argumento de Yves H., embora eficaz, está longe de entusiasmar, ou surpreender, ficando uns bons furos abaixo do que assinou para “Rodrigo”, primeiro álbum da “Herança de Bois-Maury” que escreveu.
Resta, como sempre, o notável trabalho gráfico de Hermann, igual a si próprio, em termos estéticos e narrativos, para salvar o livro. Veja-se a sequência inicial muda, em que acompanhamos um insecto pela aldeia destruída, ou a forma como contorna a monotonia da paisagem, com o tratamento espectacular dos céus, ou as pinceladas de cor que as flores silvestres dão aos campos. Mas até a esse nível, dá a ideia que a impressão do livro, demasiado escura, não faz inteira justiça ao trabalho de Hermann, sobretudo quando comparado com as páginas de apresentação do livro reproduzidas no site do autor,
“A Herança de Bois-Maury: Vassya”, de Hermann e Yves H., Vitamina BD, 48 pags, 12,50 €)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 20/02/2010