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quinta-feira, 2 de março de 2017
Coimbra BD 2017 - O Programa Completo
Finalmente, exactamente a uma semana do evento, aqui fica o programa completo. Lá vos esperamos!
Dia 9 de março (5ª)
11h00 – Sessão com trabalhos em Stop Motion por alunos da Escola Secundária Avelar Brotero (Sala Silva Dias)
11h00 – Workshop de banda desenhada, por André Caetano (Sala Francisco Sá de Miranda)
21h00 – Tertúlia GeekFreak: Never Ending Story – conversa sobre adaptações da BD para o Cinema (Biblioteca Municipal)
Dia 10 de março (6ª)
11h00 – Sessão com trabalhos em Stop Motion por alunos da Escola Secundária Avelar Brotero (Sala Silva Dias)
11h00 – Workshop de banda desenhada, por André Caetano (Sala Francisco Sá de Miranda)
19h00 – Levoir - Apresentação de programa editorial 2017 (Biblioteca Municipal)
21h00 – “Animação por Autores Portugueses da Banda Desenhada e Ilustração” (Sala Silva Dias)
• Fado de um Homem Crescido, de Pedro Brito, 2012
• A Fantasista, de André Ruivo, 2003
• Pássaros, de Filipe Abranches, 2009
• Stuart, de Zepe (José Pedro Cavalheiro), 2016
• Jantar em Lisboa, de André Carrilho, 2007
• Fado na Noite, de Fernando Relvas, 2012
• Algo Importante, de João Fazenda e João Paulo Cotrim, 2009
Dia 11 de março (sábado)
11h00 – “Cinema de animação para miúdos e graúdos” (Sala Silva Dias)
• Lost and Found, de Philip Hunt, 2008 (Reino Unido)
• Macropolis, de Joel Simon, 2012 (Reino Unido)
• Morning Stroll, de Grant Orchard, 2011 (Inglaterra)
• Vento, de Robert Loebel, 2013 (Alemanha)
• A Dama da Lapa, de Joana Toste, 2004 (Portugal)
• Dodu, o Rapaz de Cartão, de José Miguel Ribeiro, 2010 (Portugal)
11h00 - Workshop de livros pop-up, por Ana Oliveira (Sala Francisco Sá de Miranda)
15.00 – Desfile de Cosplay (Sala Silva Dias)
15h00 – Kingpin Books - Apresentação de programa editorial 2017 (Biblioteca Municipal)
15h30 – G Floy - Apresentação de programa editorial 2017 (Biblioteca Municipal)
16h00 – Tertúlia “Autores Portugueses no mercado Americano de Banda Desenhada”, por Jorge Coelho e Miguel Mendonça (Sala Silva Dias)
16h00/18h00 - Sessões de autógrafos de artistas convidados: Diniz Conefrey, Jorge Coelho, Miguel Mendonça, Carlos Correia, André Caetano e André Diniz (Átrio)
17h00 - Tertúlia “Os Fanzines”, por Geraldes Lino (Biblioteca Municipal)
18h00 - Apresentação do livro Judea, de Diniz Conefrey (Biblioteca Municipal)
18h30 - Apresentação da antologia Apocryphus (Biblioteca Municipal)
19h00 - Sessão de curtas metragens “Retrospectiva cinematográfica Filipe Melo” (Sala Silva Dias)
• I’ll See you in my Dreams, de Filipe Melo e Miguel Angel Vivas
• O Homem que Gostava de Zombies, de Filipe Melo
• I’ll See You in My Dreams, de Filipe Melo (videoclip para a banda Moonspell)
• Lychantrope, de Filipe Melo (videoclip para a banda Moonspell)
21h30 – Performance inspirada na BD, por Andrea Inocêncio (Átrio)
21h45 - Videolab BD - mostra de Vídeo Arte (Sala Silva Dias)
Dia 12 de março (domingo)
11h00 – “Cinema de animação para miúdos e graúdos” (Sala Silva Dias)
• Lost and Found, de Philip Hunt, 2008 (Reino Unido)
• Macropolis, de Joel Simon, 2012 (Reino Unido)
• Morning Stroll, de Grant Orchard, 2011 (Inglaterra)
• Vento, de Robert Loebel, 2013 (Alemanha)
• A Dama da Lapa, de Joana Toste, 2004 (Portugal)
• Dodu, o Rapaz de Cartão, de José Miguel Ribeiro, 2010 (Portugal)
11h00 - Workshop de livros pop-up, por Ana Oliveira (Sala Francisco Sá de Miranda)
15h00 - Sessão de desenho de modelo, por Salão 40 (Sala Francisco Sá de Miranda)
15h00 - Tertúlia - Filipe Melo “Os Vampiros” e outra colaborações com Juan Cavia (Biblioteca Municipal)
15h30 - Tertúlia “Ilustração e Banda Desenhada”, por Nuno Saraiva (Biblioteca Municipal)
16h00 - Tertúlia “Conversa com Bruno Aleixo” (Biblioteca Municipal)
16h00/18h00 - Sessões de autógrafos de artistas convidados: Nuno Saraiva, Carlos Correia, Filipe Melo e André Caetano (Átrio)
17h00 - Emissão do programa GeekFreak, da Rádio Universidade de Coimbra, da autoria de Breno Ferreira (Biblioteca Municipal)
Actividades permanentes
Venda BD, ilustração e merchandising
Apocryphus, Arte de Autor, Bruaá Editora, CLC Portugal, Comic Heart, El Pep Publisher, G Floy, Ink Tshirt Store, JAN KEN PON, Kingpin, Levoir, Livraria Dr. Kartoon, Mini-Orfeu, Planeta Tangerina, Polvo, Kurtebués
Exposições
• Colectiva - Artistas Portugueses no Mercado Americano, de vários autores (Galeria Ferrer Correia)
• Banda Desenhada e Ilustração Editorial, de Nuno Saraiva (Átrio)
• Os Vampiros- álbum ilustrado por Juan Cavia, de Filipe Melo (Galeria Ferrer Correia)
• Entre a Reportagem e a Literatura Desenhada, de André Diniz (Espaço Ferrer Correia)
• A Torre, Joe (antevisão) e Domus, de Carlos Correia (Átrio) • Heróis do Séc. XXI, de alunos de Multimédia da Escola Secundária Avelar Brotero (Espaço Ferrer Correia)
• Instalação VideolaBD (Espaço Ferrer Correia)
• O Fotógrafo não estava lá – exposição de ilustrações do Diário Popular (Biblioteca Municipal)
Mesas de artistas - desenhos ao vivo, mostra e venda de trabalhos, na sua maioria originais) (Átrio)
Jogos de tabuleiro (Restaurante BD/Cantina Sereia)
Programação paralela
• 9 de março, 5ª feira, 15h00, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Sala do Instituto de Estudos Brasileiros): Conferência André Diniz. A BD e o Brasil, hoje. Uma conversa com João Miguel Lameiras
• 11 de março, sábado, 11h00,: Urban sketchers (Partida da Casa Municipal da Cultura. Evento livre para todas as idades)
Restaurante BD/Cantina Sereia – aberto ao público
Horário
• 9 de março, 5ª feira: das 11h00 às 22h00
• 10 de março, 6ª feira: das 11h00 às 22h00
• 11 de março, sábado: das 11h00 às 22h00
• 12 de março, domingo: das 11h00 às 18h00
Colaboração
• Livraria Dr. Kartoon
• Projecto Videolab
Apoio
• Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra
• Rádio Universidade de Coimbra
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Programa completo
terça-feira, 21 de junho de 2016
O Segredo de Coimbra em livro e exposição a partir de amanhã
Uma das Bandas Desenhadas que me é mais cara, por várias razões, volta a estar disponível em Portugal, numa reedição da G Floy para a Universidade de Coimbra. Falo do Segredo de Coimbra, de Etienne Schréder, que será lançado amanhã, no Museu da Ciência, em Coimbra, onde está também uma exposição com os originais do livro, que se manterá até 12 de Outubro.
Deixo-vos com as informações sobre a exposição e com o texto que escrevi com o João Ramalho para a nova edição do Segredo... que inclui Metamorfoses, uma história curta que escrevemos para os desenhos de Schréder e que nunca tinha sido previamente publicada em álbum.
Sessão de apresentação do livro no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
22 de Junho, às 15h00, por João Ramalho Santos João Miguel Lameiras e José de Freitas (editor) com a presença do autor Étienne Schréder.
Inauguração da exposição O Segredo de Coimbra, às 16h00
Museu da Ciência
Largo Marquês de Pombal
3000-272 Coimbra
DAS ANAMORFOSES ÀS METAMORFOSES
Era uma vez uma coleção rara, preciosa e fascinante de belíssimos objetos científicos, tesouro inestimável escondido nos labirintos de uma das mais antigas universidades europeias...
Era uma vez um Gabinete de instrumentos do século XVIII, cheio de anamorfoses... Era uma vez um belga, Étienne Schréder, que juntou todos estes ingredientes em O Segredo de Coimbra, uma história de banda desenhada que, para além de uma bela homenagem ao espólio do Gabinete de Física (hoje integrado no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra), é o mais verdadeiro retrato, não só de Coimbra, como da Universidade em geral, e da própria condição portuguesa; feita de grandiosidade, potencial e ilusões.
Mas, de início, nada indicava que iria ser assim, e esta é (também) uma história de acasos e coincidências. Que começa com Laurent Busine, comissário da exposição Os Mecanismos do Génio realizada em Charleroi (Bélgica) no âmbito da Europália, dedicada a Portugal em 1991; uma mostra que colocaria em primeiro plano a coleção de instrumentos do Gabinete de Física da Universidade
de Coimbra. Preocupado com a necessidade de as legendas que acompanhariam cada instrumento terem de vir em três línguas (francês, flamengo e inglês), Busine decidiu eliminar de todo o uso de textos explicativos, propondo, ao invés, pequenas bandas desenhadas que “explicariam” o funcionamento de cada instrumento, recorrendo a imagens. Assim, a exposição apenas utilizou a linguagem universal da BD, com os textos a surgirem só no catálogo.
Para realizar os desenhos, por indicação do consagrado autor belga François Schuiten, foi escolhido Étienne Schréder, que, sem nada conhecer de Coimbra (ou de Portugal), se deslocou ao Museu para recolher documentação. E a riqueza do espólio rapidamente se impôs. Dezenas de instrumentos, centenas de esboços que inspiraram Schréder a realizar aquela que seria a sua primeira obra de grande fôlego em banda desenhada. Editado na Bélgica para acompanhar a exposição - e considerado por muitos visitantes como um relato histórico, e não ficção...
O Segredo de Coimbra conheceu finalmente edição portuguesa em 1997, por iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian. A história, à superfície simples, tem, no entanto, conotações muito profundas sobre o modo como a ilusão de progresso nos pode aprisionar, e como a ciência tem um potencial simultaneamente libertador e ilusionista, neste caso na vida do jovem Príncipe Dom Rafael, e do domínio que tem (ou pensa ter) sobre o seu reino. De resto, o fulcro da história surge, simbolicamente, nas anamorfoses que encantaram Schréder na sua primeira visita a Coimbra, e que se tornaram num elemento fundamental no livro, mostrando como a perceção que temos de uma realidade se pode modificar, neste caso quando um desenho aparentemente desconexo se revela após reflexão numa superfície espelhada curva.
Anos mais tarde, a exposição Coimbra na Banda Desenhada, organizada pela Associação Projetos Sequenciais, e comissariada por João Paiva Boléo e pelos signatários, no âmbito de Coimbra 2003, Capital Nacional da Cultura, trouxe Étienne Schréder de volta a Coimbra, e aos instrumentos que tinha incluído na sua história. Tratando-se da mais importante obra de BD tendo como cenário e personagem a cidade de Coimbra, o livro de Étienne Schréder (entretanto reeditado) teve natural e merecido destaque, com os seus desenhos e pranchas originais colocados em diálogo com os locais e os objetos que motivaram a fábula que o Segredo de Coimbra conta. Mas o retorno de Schréder a Coimbra em 2003 para a inauguração da exposição e para a reedição do livro não significou o fim da história. Conforme o autor refere, na entrevista que lhe fizemos para o catálogo da Exposição de Coimbra 2003: “Se há algo que lamento, é que O segredo de Coimbra tenha sido o meu primeiro álbum. Gostaria de poder voltar a fazê-lo hoje, e, na verdade, penso muitas vezes num álbum que se poderia intitular Regresso a Coimbra...”
Embora esse álbum nunca se tenha concretizado enquanto tal, Schréder voltaria ainda assim a desenhar a nossa cidade e a sua Universidade, com base numa ideia e texto nossos.
Metamorfoses, a história que encerra este livro, consolida esse regresso a Coimbra, aos seus segredos e anamorfoses. Uma história pensada para fazer parte de um projeto mais ambicioso, uma História de Coimbra em Banda Desenhada, que revisitaria diferentes momentos-chave na vida da cidade, projeto que acabou por não se concretizar. Mas Metamorfoses já tinha sido iniciada, e, devido a mais uma série de estranhas coincidências, acabaria por ser publicada em Abril de 2004, no nº 4 da revista Rua Larga, editada pela Universidade de Coimbra, e de cujo conselho editorial um de nós fazia parte na altura.
Inicialmente, a história foi pensada enquanto reflexão sobre a Universidade em fluxo e sobre os permanentes diálogos passado-presente e tradição-modernidade, essenciais para entender Coimbra. O pretexto seria a destruição da Alta, com a substituição de antigos colégios universitários por estruturas modernas, mas assépticas, levada a cabo pelo regime de Salazar ao longo das décadas de 1940-1960.
No entanto, Metamorfoses acabou por se transformar no efetivo (e afetivo) regresso de Schréder a Coimbra, enquanto cidade de papel e personagem de ficção. Um porto de abrigo para onde convergem personagens de outras histórias, como o Príncipe Dom Rafael, que (re)encontramos no interior da Biblioteca Joanina. Um marco da cidade que, por falta de tempo, Schréder não tinha podido visitar da primeira vez (substituíra-a, iconograficamente, pela biblioteca do castelo de Kromeriz, na República Checa). Igualmente presente está a Ponte Rainha Santa Isabel (na altura designada Ponte Europa, e cuja construção se encontrava parada), que, com os seus tabuleiros desalinhados, era então a verdadeira materialização da ponte-enquanto-ilusão imaginada por Schréder mais de uma década antes, nas páginas do Segredo de Coimbra.
Fazia, pois, todo o sentido que as duas histórias que Étienne Schréder desenhou sobre a nossa cidade se encontrassem finalmente nas páginas desta nova edição do Segredo de Coimbra. Um livro que vai possibilitar às centenas de milhares de visitantes que todos os anos descobrem o Património Mundial desta cidade e da sua Universidade, vislumbrar o segredo desta outra Coimbra. Uma cidade (também) de papel, a que o desenho de Étienne Schréder deu, e continua a dar, vida.
João Miguel Lameiras e João Ramalho Santos
Deixo-vos com as informações sobre a exposição e com o texto que escrevi com o João Ramalho para a nova edição do Segredo... que inclui Metamorfoses, uma história curta que escrevemos para os desenhos de Schréder e que nunca tinha sido previamente publicada em álbum.
Sessão de apresentação do livro no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
22 de Junho, às 15h00, por João Ramalho Santos João Miguel Lameiras e José de Freitas (editor) com a presença do autor Étienne Schréder.
Inauguração da exposição O Segredo de Coimbra, às 16h00
Museu da Ciência
Largo Marquês de Pombal
3000-272 Coimbra
DAS ANAMORFOSES ÀS METAMORFOSES
Era uma vez uma coleção rara, preciosa e fascinante de belíssimos objetos científicos, tesouro inestimável escondido nos labirintos de uma das mais antigas universidades europeias...
Era uma vez um Gabinete de instrumentos do século XVIII, cheio de anamorfoses... Era uma vez um belga, Étienne Schréder, que juntou todos estes ingredientes em O Segredo de Coimbra, uma história de banda desenhada que, para além de uma bela homenagem ao espólio do Gabinete de Física (hoje integrado no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra), é o mais verdadeiro retrato, não só de Coimbra, como da Universidade em geral, e da própria condição portuguesa; feita de grandiosidade, potencial e ilusões.
Mas, de início, nada indicava que iria ser assim, e esta é (também) uma história de acasos e coincidências. Que começa com Laurent Busine, comissário da exposição Os Mecanismos do Génio realizada em Charleroi (Bélgica) no âmbito da Europália, dedicada a Portugal em 1991; uma mostra que colocaria em primeiro plano a coleção de instrumentos do Gabinete de Física da Universidade
de Coimbra. Preocupado com a necessidade de as legendas que acompanhariam cada instrumento terem de vir em três línguas (francês, flamengo e inglês), Busine decidiu eliminar de todo o uso de textos explicativos, propondo, ao invés, pequenas bandas desenhadas que “explicariam” o funcionamento de cada instrumento, recorrendo a imagens. Assim, a exposição apenas utilizou a linguagem universal da BD, com os textos a surgirem só no catálogo.
Para realizar os desenhos, por indicação do consagrado autor belga François Schuiten, foi escolhido Étienne Schréder, que, sem nada conhecer de Coimbra (ou de Portugal), se deslocou ao Museu para recolher documentação. E a riqueza do espólio rapidamente se impôs. Dezenas de instrumentos, centenas de esboços que inspiraram Schréder a realizar aquela que seria a sua primeira obra de grande fôlego em banda desenhada. Editado na Bélgica para acompanhar a exposição - e considerado por muitos visitantes como um relato histórico, e não ficção...
O Segredo de Coimbra conheceu finalmente edição portuguesa em 1997, por iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian. A história, à superfície simples, tem, no entanto, conotações muito profundas sobre o modo como a ilusão de progresso nos pode aprisionar, e como a ciência tem um potencial simultaneamente libertador e ilusionista, neste caso na vida do jovem Príncipe Dom Rafael, e do domínio que tem (ou pensa ter) sobre o seu reino. De resto, o fulcro da história surge, simbolicamente, nas anamorfoses que encantaram Schréder na sua primeira visita a Coimbra, e que se tornaram num elemento fundamental no livro, mostrando como a perceção que temos de uma realidade se pode modificar, neste caso quando um desenho aparentemente desconexo se revela após reflexão numa superfície espelhada curva.
Anos mais tarde, a exposição Coimbra na Banda Desenhada, organizada pela Associação Projetos Sequenciais, e comissariada por João Paiva Boléo e pelos signatários, no âmbito de Coimbra 2003, Capital Nacional da Cultura, trouxe Étienne Schréder de volta a Coimbra, e aos instrumentos que tinha incluído na sua história. Tratando-se da mais importante obra de BD tendo como cenário e personagem a cidade de Coimbra, o livro de Étienne Schréder (entretanto reeditado) teve natural e merecido destaque, com os seus desenhos e pranchas originais colocados em diálogo com os locais e os objetos que motivaram a fábula que o Segredo de Coimbra conta. Mas o retorno de Schréder a Coimbra em 2003 para a inauguração da exposição e para a reedição do livro não significou o fim da história. Conforme o autor refere, na entrevista que lhe fizemos para o catálogo da Exposição de Coimbra 2003: “Se há algo que lamento, é que O segredo de Coimbra tenha sido o meu primeiro álbum. Gostaria de poder voltar a fazê-lo hoje, e, na verdade, penso muitas vezes num álbum que se poderia intitular Regresso a Coimbra...”
Embora esse álbum nunca se tenha concretizado enquanto tal, Schréder voltaria ainda assim a desenhar a nossa cidade e a sua Universidade, com base numa ideia e texto nossos.
Metamorfoses, a história que encerra este livro, consolida esse regresso a Coimbra, aos seus segredos e anamorfoses. Uma história pensada para fazer parte de um projeto mais ambicioso, uma História de Coimbra em Banda Desenhada, que revisitaria diferentes momentos-chave na vida da cidade, projeto que acabou por não se concretizar. Mas Metamorfoses já tinha sido iniciada, e, devido a mais uma série de estranhas coincidências, acabaria por ser publicada em Abril de 2004, no nº 4 da revista Rua Larga, editada pela Universidade de Coimbra, e de cujo conselho editorial um de nós fazia parte na altura.
No entanto, Metamorfoses acabou por se transformar no efetivo (e afetivo) regresso de Schréder a Coimbra, enquanto cidade de papel e personagem de ficção. Um porto de abrigo para onde convergem personagens de outras histórias, como o Príncipe Dom Rafael, que (re)encontramos no interior da Biblioteca Joanina. Um marco da cidade que, por falta de tempo, Schréder não tinha podido visitar da primeira vez (substituíra-a, iconograficamente, pela biblioteca do castelo de Kromeriz, na República Checa). Igualmente presente está a Ponte Rainha Santa Isabel (na altura designada Ponte Europa, e cuja construção se encontrava parada), que, com os seus tabuleiros desalinhados, era então a verdadeira materialização da ponte-enquanto-ilusão imaginada por Schréder mais de uma década antes, nas páginas do Segredo de Coimbra.
Fazia, pois, todo o sentido que as duas histórias que Étienne Schréder desenhou sobre a nossa cidade se encontrassem finalmente nas páginas desta nova edição do Segredo de Coimbra. Um livro que vai possibilitar às centenas de milhares de visitantes que todos os anos descobrem o Património Mundial desta cidade e da sua Universidade, vislumbrar o segredo desta outra Coimbra. Uma cidade (também) de papel, a que o desenho de Étienne Schréder deu, e continua a dar, vida.
João Miguel Lameiras e João Ramalho Santos
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domingo, 23 de junho de 2013
Coimbra é Património Cultural da Humanidade
O reconhecimento pela UNESCO da Universidade de Coimbra, incluindo a Alta da cidade e a rua da Sofia, como Património Cultural da Humanidade, tem sido bastante comentada e celebrada na Internet. Enquanto conimbricense, estou contente com a notícia, que é importante em termos da imagem da cidade e facilita o acesso a fundos que permitam recuperar esse património, que no caso da Alta de Coimbra, bem precisa!
Fazendo jus ao nome deste blog, deixo-vos com um punhado de imagens de Coimbra, criadas por autores de BD, começando naturalmente com a ilustração que François Schuiten fez em 2003 para a exposição Coimbra na Banda Desenhada e terminando com uma caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro, no Álbum das Glórias, em que representa a Universidade de Coimbra como uma velha decadente. Uma imagem com mais de 100 anos, mas que se mantém actual, pois se a Universidade é motivo de orgulho para a cidade, a sua sombra protectora também tem impedido a cidade de crescer e evoluir.
João Mascarenhas - O Menino Triste: Os Livros
Jean Graton - Michel Vaillant: Rallye em Portugal
Pedro Morais - Coimbra B...D
Fernando Bento - A minha Primeira História de Portugal
Etienne Schréder - Le Secret de Coimbra
Rafael Bordalo Pinheiro - Ábum das Glórias
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