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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Poderosos Heróis Marvel 9 - Capitão América: Sonhadores Americanos

Neste volume, o editorial também é da minha autoria. Por isso, aqui o deixo, em vez do texto do Público, que surge apenas em imagem, mas que pode facilmente ser lido, por quem carregar na imagem.
O REGRESSO DO HERÓI


Depois de termos assistido ao início do percurso de oito anos de Ed Brubaker como argumentista da série Captain America, em O Soldado de Inverno - a saga em dois volumes que abriu a colecção Universo Marvel - este volume da colecção Poderosos Heróis Marvel permite-nos acompanhar o início daquele que foi o capítulo final desse percurso inesquecível, que marcou profundamente a história de Steve Rogers, bem como os leitores. Um percurso iniciado em Janeiro de 2005, quando Brubaker substituiu Robert Kirkman, o criador de The Walking Dead, como argumentista do Capitão América, no número um da quinta série da revista do Sentinela da Liberdade.

Nascido em 1966, nos EUA, Ed Brubaker começou a sua carreira como autor completo, escrevendo e desenhando histórias policiais para editoras independentes, como a Dark Horse, antes da Vertigo, a linha mais adulta e alternativa da DC, publicar algumas séries que assinou como argumentista e que lhe abriram as portas da DC, editora com que assinou um contrato de exclusividade em 2000. Brubaker teve então a oportunidade de explorar a fundo o universo do Batman, em aventuras bem mais próximas do policial negro do que das tradicionais histórias de super-heróis, mantendo uma tendência de reinvenção do género noir, já patente nos seus trabalhos anteriores de menor visibilidade.
O seu primeiro trabalho para a Marvel foi precisamente a série do Capitão América, onde, para além de ter introduzido elementos característicos das histórias de espionagem, trouxe de volta ao Universo Marvel James Buchanan Barnes, o jovem pupilo do Capitão, mais conhecido por Bucky - que os leitores julgavam morto desde o final da Segunda Guerra Mundial, na sequência dos eventos que colocaram Steve Rogers em estado de animação suspensa, congelado no meio do Árctico, até ser descoberto pelos Vingadores. Mas a verdade é que Bucky não só não tinha morrido, como tinha sido salvo pelo exército soviético, que lhe fez uma lavagem cerebral e o transformou numa verdadeira máquina de matar, o Soldado do Inverno.

De um anacrónico “sidekick”, Bucky vai tornar-se numa personagem fulcral da série, que acaba mesmo por substituir Steve Rogers no papel de Capitão América, depois do Sentinela da Liberdade original ser morto na sequência dos acontecimentos da Guerra Civil, a saga publicada numa anterior colecção da Levoir, que colocou em confronto directo os principais heróis da Marvel. Bucky mostrou ser digno de usar o uniforme e o escudo do Capitão América, honrando a herança de Steve Rogers, mas, como o leitor bem sabe, a morte raramente é definitiva nas histórias de super-heróis e o (esperado) regresso de Steve Rogers ao mundo dos vivos acabou naturalmente por acontecer na mini-série Captain America: Reborn, escrita também por Brubaker. Mas isso não impediu Bucky de continuar a ser o Capitão América, até ser aparentemente morto durante a saga A Essência do Medo, também já publicada pela Levoir, e Steve Rogers se ver forçado a pegar novamente no escudo e voltar a vestir o uniforme listrado. Um regresso natural, sobretudo tendo em conta a estreia nesse ano do filme do Capitão América, realizado por Joe Johnston, que levou ao relançamento da revista do Capitão América, em Julho de 2011, com um sexto volume, cujos primeiros cinco números são ocupados precisamente por Sonhadores Americanos, a história que poderão ler nas páginas seguintes.

Mantendo o toque inconfundível de Brubaker, este regresso não deixa de ter características muito próprias, com o clima das histórias de espionagem a dar lugar a um registo de aventura em estado mais puro, com dimensões paralelas, um adolescente capaz de abrir portais para outras dimensões, robots gigantes e muita acção. Mas o que se mantém constante é a importância do passado na vida de Steve Rogers: mesmo que o funeral de Peggy Carter logo no início da história pareça indicar o fim de um ciclo, o passado de Steve Rogers durante a Segunda Guerra Mundial vai voltar para o atormentar na figura de Richard Bravo, um espião americano submetido nos anos vinte a um tratamento experimental semelhante ao programa do super soldado - que criou o Capitão América - que passou os últimos sessenta anos preso numa dimensão paralela, de onde saiu para descobrir que o sonho americano imaginado durante a Segunda Guerra Mundial tinha dado origem a uma realidade bem mais próxima do pesadelo.
A dar vida a esta história de Brubaker está um nome bem conhecido dos leitores das colecções que a Levoir dedicou à Casa das Ideias: Steve McNiven, O desenhador de origem canadiana, que se estreou na BD no início da década de 2000, desenhando a série Meridian e outros trabalhos para a editora CrossGen, rapidamente passou para a Marvel, onde se tornou um dos desenhadores mais populares da editora, graças ao seu espectacular trabalho em livros como Wolverine: Velho Logan e Guerra Civil, já publicados em Portugal pela Levoir. McNiven mostra aqui mais uma vez todo o seu virtuosismo, em páginas com uma planificação extremamente dinâmica e variada, que ajuda ao ritmo infernal de uma história movimentada e visualmente espectacular.
No último número da série, o desenhador canadiano conta com a ajuda de Giuseppe Camuncoli, desenhador italiano extremamente versátil, que tem dividido o seu talento entre o mercado americano, onde trabalhou tanto para a Marvel como para a DC, e o mercado europeu, onde também deixou a sua marca, seja a desenhar a série Dylan Dog ou a continuação da série Os Escorpiões do Deserto, de Hugo Pratt, o criador de Corto Maltese.
A completar este volume, temos três histórias curtas, extraídas da revista Captain America #616, número especial comemorativo dos setenta anos da criação, por Jack Kirby e Joe Simon, do Capitão. Um número cronologicamente anterior à história que o antecede, cuja acção decorre numa fase em que Steve Rogers, já regressado ao Universo Marvel, ainda não tinha decidido reassumir as funções de Capitão América e em que Bucky Barnes, o Soldado do Inverno, estava preso numa prisão russa. Duas dessas histórias recapitulam, cada uma à sua maneira, a carreira do Capitão América, o que, no caso da história ilustrada por Travis Charest, que tem aqui um breve regresso à BD, é feito em apenas uma página. A terminar, temos A Exposição, a única história deste volume que não é escrita por Brubaker. Uma história tão peculiar como curiosa, escrita por Franklin Tieri e ilustrada por Paul Azaceta, em que Steve Rogers investiga um marchand de arte que tem um segredo que o próprio desconhece…

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Universo Marvel 2 - Capitão América: O Soldado do Inverno 2



O COMBATE FINAL ENTRE O CAPITÃO AMÉRICA E O SOLDADO DE INVERNO

Universo Marvel - Vol 2 
Capitão américa: O Soldado do Inverno, Parte 2 
Argumento - Ed Brubaker Desenhos - Steve Epting, Michael Lark, Lee Weeks e Stefano Guaudiano 
Quinta, 18 de Julho + 8,90 €
Conclui no segundo volume, que chega às bancas e quiosque de todo o país na próxima quinta-feira, a história épica que assinalou a estreia de Ed Brubaker como escritor do Capitão América e o regresso de Bucky Barnes ao Universo Marvel, como o Soldado do Inverno. A mesma história que serviu de base para o último filme do Capitão América, estreado em finais de Março com enorme sucesso em todo o mundo, incluindo Portugal.
 Criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby, correspondendo ao gosto da época, que preconizava que os heróis deviam contar com o apoio de um sidekick, um ajudante juvenil, com o qual os jovens leitores se pudessem mais facilmente identificar, tal como acontecia em relação ao Batman e ao Robin, Bucky foi o fiel companheiro do Capitão América durante a Segunda Guerra Mundial acompanhando o herói na sua luta contra os inimigos da nação americana. Mesmo com o fim da guerra, e a consequente perda de popularidade do Capitão América, que levou ao cancelamento da revista que lhe era dedicada, Bucky manteve-se ao seu lado, quando os dois regressaram à BD em finais de 1953, no auge da Guerra Fria E em pleno macarthismo, como caçadores de comunistas, num curto regresso quase sem história e completamente sem glória, de que Simon e Kirby não têm qualquer responsabilidade.
Quando em 1964, já em plena era Marvel, Stan Lee e Jack Kirby decidem recuperar o Capitão América na revista dos Vingadores, Bucky já não o acompanha, pois Stan Lee, que nunca foi muito entusiasta dos jovens sidekicks, achava que só um super-herói completamente irresponsável é que iria colocar em risco a vida de um menor, obrigando-o a combater criminosos adultos e impiedosos. Assim, ficou estabelecido que Bucky perdeu a vida no final da Segunda Guerra Mundial, na sequência do acidente que deixou o Capitão América em estado de hibernação suspensa num bloco de gelo durante décadas, e assim se manteve morto durante largas décadas.
Se nas histórias de super-heróis a morte raramente é permanente, a persistência com que Bucky se manteve ausente das histórias do Capitão América, excepto nas cenas de flashbacks passadas na Segunda Guerra Mundial, mostrou ser tão notável, que até deu origem a um aforismo, célebre entre os leitores de histórias de super-heróis, que ficou conhecido como a Cláusula Bucky. Segundo essa cláusula, nos comics de super-heróis “ninguém permanece morto, excepto o Bucky, Jason Todd e o Tio Ben”. A verdade, é que, até ver, apenas o Tio Ben, cuja morte levou Peter Parker a transformar-se no Homem-Aranha, se mantém morto, pois Jason Todd, que tinha combatido ao lado do Batman como o segundo Robin, também vai sofrer um processo muito semelhante ao de Bucky, regressando ao mundo dos vivos como inimigo do homem que foi o seu mentor.
É esse confronto entre o Capitão América e o homem que foi o seu maior amigo durante a Segunda Guerra Mundial, que está no centro deste segundo volume, em que descobrimos como o exército soviético resgatou Bucky dos braços da morte e manipulou o seu corpo e a sua mente, até o transformar numa fria e eficiente máquina de matar, o Soldado do Inverno. Mas esse é apenas um dos elementos de uma complexa história de espionagem, em que Steve Rogers, o Capitão América, descobre ser um mero pião de uma conspiração mais vasta, urdida de forma maquiavélica por um velho inimigo que todos julgavam morto.
Publicado originalmente no jornal Público de 11/07/2014

domingo, 29 de junho de 2014

Textos Editoriais Marvel NOW! 4 - Capitão América: Perdido na Dimensão Z


UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA

O livro que vão ler a seguir, assinala a estreia do Capitão América na linha Marvel NOW, iniciativa que marcou um novo ponto de partida para muitos heróis da Marvel e uma porta de entrada para novos leitores.
No caso do Capitão América, coube a Rick Remender a ingrata tarefa de suceder à marcante etapa de Ed Brubaker como argumentista do Sentinela da Liberdade. Uma fase incontornável e impossível de superar no mesmo registo, razão porque Remender optou por uma abordagem completamente diferente, que troca as histórias de espionagem e a intriga política que marcaram a fase de Brubaker por uma abordagem diferente, que explora a fundo a dimensão fantástica do Universo Marvel, retirando o Capitão América dos cenários habituais, para o enviar para um mundo inóspito e surreal. Um mundo em que Steve Rogers não é visto como o símbolo do ideal americano, mas como um estranho a tentar sobreviver numa terra tão estranha como perigosa, um mundo desolado, repleto de ameaças mortíferas.
 Como muitas vezes tem acontecido ao longo da história da Marvel, é Jack Kirby que indica o caminho a seguir. Não a fase inicial de criação da personagem com Joe Simon, nos anos 40, mas o regresso do King às histórias do Capitão América, nos anos 70. É essa fase, tão imaginativa, como delirante que Remender vai usar para ponto de partida da sua aproximação ao Sentinela da Liberdade. Como o próprio refere: “havia um tom muito próprio no que Jack fazia nos anos 70. Uma estranha mistura de espionagem, ficção científica e uma pura imaginação psicadélica. Decidi tentar fazer algo similar, juntando-lhe naturalmente o meu toque pessoal”.
Com uma carreira que se iniciou na animação, trabalhando em filmes como The Iron Giant e Titan A. E., Rick Remender começou por ser mais um artista do que um escritor, desenhando diversas séries para editoras tão diferentes como a Dark Horse, Dynamite, Image, IDW e Radical Comics, antes da Marvel lhe propor um contrato exclusivo como escritor. Na linha Marvel NOW, começou por assinar o argumento de Uncanny Avengers, antes de se ocupar também da revista do Capitão América.
Nesta nova viagem, Remender conta com a companhia de John Romita Jr. e Klaus Janson, duas lendas vivas da Marvel que voltam a trabalhar com ele, depois de terem colaborado na série Punisher. E o argumentista não poupa nos elogios a Romita, dizendo que, trabalhar com ele “é como trabalhar com Jack Kirby. (…) o seu trabalho é espantoso. Diria que está muito próximo do que ele fez com Frank Miller em Daredevil: Man Without Fear. Nesse sentido, decidi ir beber aos tempos do Capitão América de Kirby, quando personagens como Arnim Zola foram criados. Todas essas ideias gigantescas, esse tom de ficção científica. É um prazer ver o Johnny a desenhar todas essas coisas fantásticas. Não há ninguém capaz de desenhar Kirby e continuar a ser ele próprio, como o Johnny”.
É esse prazer de ver John Romita Jr. a desenhar uma história épica, ao melhor nível de Jack Kirby, alternando entre os mundos futuristas da Dimensão Z e os ecos da infância de Steve Rogers durante a Grande Depressão, que os leitores poderão desfrutar de seguida. Um prazer que não termina já no fim deste livro, pois as aventuras do Capitão américa na Dimensão Z, continuam no próximo volume.
Texto originalmente publicado em Capitão América: Perdido na Dimensão Z, Vol. 1, de Junho de 2014.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Textos editoriais Marvel NOW! 2 - O Soldado do Inverno



Aqui está o meu segundo texto para as revistas da série Marvel NOW!, neste caso dedicado ao Soldado de Inverno, a propósito da estreia do segundo filme do Capitão América, que adapta a história de Ed Brubaker onde surge pela primeira vez o Soldado do Inverno.
Inicialmente previsto para sair no nº 3 da revista dos Vingadores, por uma questão de espaço, este texto acabou por sair na revista dos X-Men. Um título que eu nem sequer costumo seguir, mas a que vou ter que estar mais atento, pois o meu próximo texto sairá também nesse título, como verão em Maio...

O ESPIÃO QUE VEIO DO FRIO

Como bem sabem os leitores de histórias de super-heróis, para os personagens das suas histórias favoritas, a morte está longe de ter um caracter definitivo. Esta é uma realidade que atinge tanto heróis como vilões e que, é tão válida para a DC como para o universo Marvel, onde personagens como Elektra, Professor Xavier, Capitão América e Jean Grey, entre muitas outras, conseguiram voltar da última viagem. Esta situação é tão evidente que existe um aforismo, partilhado por muitos fãs dos comics de super-heróis e conhecido como a Cláusula Bucky, que diz que, nos comics “ninguém permanece morto, excepto o Bucky, Jason Todd e o Tio Ben”.
Na realidade, o tio Ben, que lembrou a Peter Parker que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” e cuja morte serviu como motivação ao seu sobrinho para assumir essas mesmas responsabilidades e combater o crime como o Homem-Aranha, mantém-se a única excepção a essa cláusula (até ver…), pois Jason Todd, o segundo Robin, morto pelo Joker, acabou por regressar anos depois como o Capuz Vermelho, o mesmo sucedendo com Bucky, como veremos a seguir.
 Mesmo assim, Bucky Barnes está entre as personagens da Marvel que mais tempo se mantiveram mortas. O jovem ajudante (ou "sidekick") do Capitão América, que perdeu a vida no final da Segunda Guerra Mundial na sequência do acidente que deixou o Capitão América em estado de hibernação suspensa num bloco de gelo durante décadas, até ser descoberto pelos Vingadores, só foi ressuscitado em 2005 por Ed Brubaker no decorrer da sua memorável passagem pela série do Capitão América acabando até, na sequência da morte de Steve Rogers durante a Guerra Civil (uma saga publicada em Portugal pela Levoir/Público em 2012) por assumir as funções de Capitão América com um sucesso tal, que quase fez esquecer o original.
O personagem de Bucky Barnes apareceu pela primeira vez em 1941 na revista Captain America Comics, criado por Joe Simon e Jack Kirby, correspondendo ao gosto da época que preconizava que os heróis deviam ter um apoio de um pequeno ajudante, um sidekick, com o qual os jovens leitores se pudessem mais facilmente identificar e que, à semelhança de Robin em relação a Batman, acompanha o Capitão América na luta contra os inimigos da nação americana. Com o fim da guerra, a popularidade do Capitão América e de Bucky foi-se lentamente apagando, até a revista ser cancelada. Voltariam com a Guerra Fria em finais de 1953, mas seria um regresso sem glória, que não durou mais de 3 números, e ao qual não estiveram ligados Simon e Kirby. O Capitão América acabaria por regressar em 1964, já em plena era Marvel, graças ao esforço conjunto de Stan Lee e Jack Kirby, que souberam adaptar o herói dos anos 40 à realidade da década de 60.
Esse regresso dá-se nas páginas da revista Avengers # 4, com o grupo de super-heróis a descobrir o Capitão América dentro de um iceberg, onde jazia congelado desde o final da II Guerra Mundial, na sequência da explosão de uma bomba voadora criada pelo Barão Zemo, que custaria a vida a Bucky e atiraria o Capitão América para as águas geladas do Atlântico norte. Uma ideia engenhosa de Stan Lee, que permitiu recuperar o Capitão América para os anos 60, fazendo tábua rasa do caçador de comunistas dos anos da Guerra Fria, transformando o símbolo da América em guerra, numa figura mais frágil, afectada pelos problemas e as neuroses habituais no universo Marvel. Um indivíduo fora do seu tempo, a ter que aprender a viver numa época que não é a sua, atormentado pela morte do seu companheiro Bucky, cujas histórias vão reflectir as mudanças de uma América que vai passar pelos traumas do Vietname, pelo escândalo Watergate, pelo triunfalismo da era Reagan e pelo choque dos atentados de 11 de Setembro.
Ao longo desse percurso, o Capitão América contou com diversos aliados, com destaque para o Falcão, mas nenhum deles era menor de idade, pois Stan Lee, que nunca foi muito fã dos jovens sidekicks, achava que um super-herói que colocasse em perigo a vida de um menor, seria completamente irresponsável. Assim, a presença de Bucky nas aventuras do Capitão América ficou limitada aos flash-backs dos tempos da 2ª Guerra Mundial, até Ed Brubaker decidir romper a Cláusula Bucky, em O Soldado de Inverno, o arco inaugural da sua passagem pela revista do Capitão América. Nascido em 1966, Ed Brubaker começou a sua carreira a escrever e desenhar histórias policiais para editoras independentes, antes da Vertigo publicar algumas séries que assinou como argumentista e que lhe abriram as portas da DC e da Marvel.

Embora tenha escrito os principais heróis das duas editoras, o gosto pelo policial negro e pela espionagem estão sempre presentes nos seus trabalhos e o Soldado de Inverno introduz no universo do Capitão América elementos característicos das histórias de espionagem ambientadas na Guerra Fria. Com efeito, nas histórias escritas por Ed Brubaker e ilustradas por Steve Epting, descobrimos que o corpo congelado de Bucky foi descoberto por um submarino soviético e que os serviços secretos soviéticos que o vão conseguir fazer regressar à vida, lhe fizeram uma lavagem cerebral e o programaram para ser um assassino frio e extraordinariamente eficiente, sem qualquer lembrança do seu passado.
É precisamente esse arco de histórias que está na base do novo filme do Capitão América que, quando esta revista chegar às bancas, já estará em exibição nos cinemas de todo o país.
Dirigido por Anthony e Joe Russo, Capitão América: O Soldado do Inverno conta com argumento de Christopher Marcus e Stephen Mcfeely, que já tinham escrito o anterior filme do Capitão América e que prosseguem com a adaptação do herói ao mundo actual, colocando-o no centro de uma história de espionagem que vai abalar as convicções de Steve Rogers.
Mais do que uma história de super-heróis, este parece ser um filme de espionagem, que presta homenagem aos trillers políticos dos anos 70, aspecto reforçado pela presença de Robert Redford, actor que nos anos 70 esteve presente em Os Três Dias do Condor e Os Homens do Presidente, os dois mais importantes filmes desta tendência e que em Capitão América: O soldado de Inverno, veste a pele de Alexander Pierce, um director da S.H.I.E.L.D.
Brubaker, que leu o argumento e acompanhou as filmagens, não hesita em afirmar que “este vai ser o maior filme de super-heróis jamais feito.
Não me consigo lembrar de nenhum melhor e estou a contar com a trilogia do Cavaleiro das Trevas, do Christopher Nolan. É acima de tudo um triller e o facto de se tratar de um filme de super-heróis parece acessório. Está mais próximo de filmes como Os Três Dias do Condor, ou Missão Impossível, do que do filme dos Vingadores. Tem uma atmosfera fantástica e a forma como são filmadas as cenas de acção é muito excitante”.
No momento em que este texto foi originalmente escrito, não é possível ainda confirmar a opinião de Ed Brubaker, mas a avaliar pelo espectacular trailer, acredito que o prestigiado argumentista não estará a exagerar nos elogios.
Publicado originalmente na revista X-Men nº 3, de Abril de 2014.

sábado, 5 de abril de 2014

Capitão América regressa ao cinema em clima de conspiração


Já está nas salas de cinema nacionais desde quinta-feira, dia 27 de Março, o novo filme da Marvel, que traz de volta o Capitão América, para combater uma conspiração bem no coração dos serviços secretos americanos, que ameaça a liberdade do mundo ocidental.
Depois de um primeiro filme de ambiente mais “retro”, que explora as origens do Capitão América, durante a II Guerra Mundial, este 2º filme do Capitão América está mais próximo do ambiente de paranóia dos trillers de espionagem dos anos 70, que cruza com a recuperação de uma das histórias recentes, das mais importantes do personagem na BD, escrita por Ed Brubaker. Essa história, em que Brubaker introduz no universo do Capitão América elementos característicos das histórias de espionagem ambientadas na Guerra Fria, chama-se O Soldado de Inverno e assinala o regresso à BD de Bucky, o jovem ajudante do Capitão América, que estava oficialmente morto desde a II Guerra Mundial.
Com efeito, nessa história escrita por Ed Brubaker e ilustradas por Steve Epting, descobrimos que o corpo congelado de Bucky foi descoberto por um submarino soviético e que os serviços secretos soviéticos que o vão conseguir fazer regressar à vida, lhe fizeram uma lavagem cerebral e o programaram para ser um assassino frio e extraordinariamente eficiente, sem qualquer lembrança do seu passado, o Soldado do Inverno.
É precisamente esse o ponto de partida do filme Capitão América: O Soldado do Inverno dirigido por Anthony e Joe Russo, com argumento de Christopher Marcus e Stephen Mcfeely, que já tinham escrito o anterior filme do Capitão América e que prosseguem com a adaptação do herói ao mundo actual, colocando-o no centro de uma história de espionagem, que reflecte acontecimentos recentes como as acções de espionagem da NSA denunciadas por Edward Snowden, que vão abalar as convicções de Steve Rogers na política de segurança do país que jurou defender.

 Mais do que uma história de super-heróis (com a excepção da Viuva Negra, os outros membros dos Vingadores brilham pela ausência), ou sequer uma adaptação literal da BD de Brubaker, este é sobretudo um filme de espionagem, que presta homenagem aos filmes políticos dos anos 70, aspecto reforçado pela presença de Robert Redford, actor que nos anos 70 esteve presente em Os Três Dias do Condor e Os Homens do Presidente, os dois mais importantes filmes desta tendência e que em Capitão América: O soldado de Inverno, veste a pele de Alexander Pierce, um director da S.H.I.E.L.D que vai ter um papel muito importante na história.
Ed Brubaker, que leu o argumento e acompanhou as filmagens, não hesita em afirmar que “este vai ser o maior filme de super-heróis jamais feito. Não me consigo lembrar de nenhum melhor e estou a contar com a trilogia do Cavaleiro das Trevas, do Christopher Nolan. É acima de tudo um triller e o facto de se tratar de um filme de super-heróis parece acessório. Está mais próximo de filmes como Os Três Dias do Condor, ou Missão Impossível, do que do filme dos Vingadores. Tem uma atmosfera fantástica e a forma como são filmadas as cenas de acção é muito excitante”.

Visto o filme, a verdade é que Brubaker não exagera e este é, quanto a mim, o mais conseguido filme da Marvel até agora, com excelentes cenas de acção, uma intriga bem construída, um pouco menos de humor que os filmes do Homem de Ferro, ou dos Vingadores e excelentes interpretações, especialmente de Chris Evans, que está cada vez mais à vontade na pele do herói-símbolo da América. O maior senão talvez seja o facto da personagem do Soldado do Inverno não ser tão explorada como podia, nem ser explicado, como é que ele, sendo “criado” pelo KGB, acaba a trabalhar para a HIDRA… Mas alguns desses aspectos poderão vir a ser desenvolvidos em próximos filmes, até porque o contrato de Sebastian Stan, o actor que fez primeiro de Bucky e agora de Soldado do Inverno, contempla 6 filmes da Marvel.
O mais adulto dos filmes da Marvel, Capitão América: O Soldado do Inverno é claramente um passo em frente na consolidação do universo da Marvel no cinema, tão recomendável para os fãs do super-herói, como para quem gosta de uma boa história de espionagem.
A terminar, um aviso. Como é habitual nos filmes da Marvel, convém não sair do cinema mal acaba o filme e acompanhar a ficha técnica até ao fim, pois há, não uma, mas duas cenas extras, que preparam o caminho para os próximos filmes da “Casa das Ideias”.
 (“Capitão América: o Soldado do Inverno”, de Anthony e Joe Russo, com Chris Evans, Sebastian Stan, Scarlett Johansson e Samuel L. Jasckson, Marvel Studios, 2014. Em exibição em Coimbra nos cinemas Zon Lusomundo Dolce Vita e Fórum Coimbra) 
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 05/04/2014

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Capitão América no cinema

Confirmando que a Banda Desenhada marca a agenda cinematográfica deste Verão, uma semana depois de “Dylan Dog” eis que chega às salas de cinema o bastante mais aguardado “Capitão América: O Primeiro Vingador” filme que traz de volta ao grande ecrã o primeiro e um dos mais populares super-heróis da Marvel, preparando o caminho para o tão aguardado filme dos “Vingadores” (ou “Avengers” no original) dirigido por Joss Whedon, com estreia marcada para o Verão de 2012.
Primeiro super-herói a envolver-se directa e abertamente no esforço de guerra americano na 2ª Guerra Mundial, o Capitão América, criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby, é o símbolo vivo do ideal americano, reflectindo o espírito da época e a vontade do povo americano de ajudar a combater Hitler e o nazismo. E era precisamente Hitler quem o Capitão América socava na mítica capa do nº 1 da revista Captain America Comics, que o filme recupera e que o cartaz em estilo "retro" de Paolo Rivera, homenageia.
Filho do seu tempo, o Capitão América surgiu porque Martin Goodman, o dono da Timely Comics, achou que, face à conjuntura da época, era altura de lançar um herói patriótico e encarregou Joe Simon, o seu editor e Jack Kirby, o seu director de arte de criarem esse herói. Como refere o próprio Kirby: “o Capitão América foi criado em função de um tempo que necessitava de figuras nobres. Ainda não tínhamos entrado na guerra, mas toda a gente pressentia que ela estava próxima. Foi por isso que nasceu o Capitão América; a América precisava de um super patriota.”
Depois de duas tentativas falhadas de levar o Capitão América ao cinema, nas décadas de 70 e 90, Joe Jhonston, que depois do subestimado “Rocketeer” volta aos filmes baseados em BDs, finalmente acerta no tom neste filme, passado quase todo durante a II Guerra Mundial. Um filme que, ao contar a origem do Capitão América, cumpre com eficácia a dupla função de criar uma versão credível do Capitão América e fazer a ponte entre os vários filmes da Marvel, como o “Thor” e o “Homem de Ferro 2”, que preparam o caminho para a estreia do filme dos Vingadores, com o personagem de Nick Fury, interpretado por Samuel L. Jackson a ter uma papel fundamental no estabelecer dessa continuidade.
Mais interessante como filme de época do que como filme de super-heróis (o número musical com o Capitão América a apelar ao público para participar no esforço de guerra, comprando Títulos do Tesouro, é dos melhores momentos do filme), “Capitão América” é um filme bastante sólido e que se vê muito bem, contando com um elenco sólido, com destaque para Chris Evans, que depois de ter sido o Tocha Humana nos filmes do Quarteto Fantástico, é um Capitão América com quem o público cria facilmente empatia, e para Hugo Weaving, perfeito como o maléfico Caveira Vermelha.
Como de costume nos filmes da Marvel, convém aguentar até ao fim da ficha técnica (o que neste caso, até nem é difícil, pois o genérico final reinventa de forma bastante bem conseguida os cartazes de propaganda americanos e soviéticos) para ter um primeiro vislumbre do filme dos “Vingadores”, num curto mas bem conseguido “teaser”, que mostra pela primeira vez juntos, todos esses super-heróis da Marvel.
(“Capitão América: O Primeiro Vingador”, de Joe Jhonston, com Chris Evans, Hugo Weaving e Tommy Lee Jones, Marvel Studios, 2011. Em exibição em Coimbra nos cinemas Zon /Lusomundo Dolce Vita e Fórum Coimbra)
Versão integral do texto publicado no Diário As Beiras de 6/08/2011