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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Um punhado de Imagens de Angoulême 2017 - Parte 2 - Schuiten e Peeters entre Angoulême e Paris

Embora não tivessem nenhuma exposição na edição deste ano do festival, François Schuiten e Benoit Peeters estiveram ainda assim em destaque em Angoulême. Não só o edifício dos arquivos da região da Charente (a que pertence a cidade de Angoulême) foi revestido com uma estrutura metálica que reproduz em grandes dimensões um desenho de Schuiten tirado do livro L'Archiviste, como a dupla deu mais uma das suas conferências-ficção, neste caso com o título Rêves d'Archives, em que, acompanhados pela música de Bruno Letort, colaborador habitual da dupla nos projectos multimédia, dissertaram com humor sobre o papel dos arquivos nas Cidades Obscuras.
Foi com alguma emoção que, entre as imagens projectadas vi a ilustração que Schuiten criou para o cartaz da exposição Coimbra na Banda Desenhada, por ocasião da Capital da Cultura, Coimbra 2003.

Depois da conferência, tive oportunidade de falar com os dois autores e pude ficar a saber que está para breve o regresso da dupla ao universo das Cidades Obscuras, tendo já começado a trabalhar numa nova história, que schuiten começará a desenhar mal termine o álbum da série Blake e Mortimer em que está a trabalhar e que tem saída prevista para Outubro de 2017.

Mas o acontecimento a não perder para os fãs de Schuiten e Peeters é  a exposição Machines a Dessiner, que está até meados de Março no Musée D'Arts et Métiers, em Paris. Uma excelente exposição, num museu que vale a pena explorar (o célebre Pêndulo de Foucault está lá) e cuja história está intimamente ligada à dos criadores das Cidades Obscuras. Tendo apresentado uma proposta no concurso para a remodelação do dito Museu que ficou em segundo, Schuiten e Peeters tiveram o "prémio de consolação" de decorarem a estação de Metro que serve o Museu e que Schuiten transformou no interior do submarino Nautilus.
Dexo-vos com um punhado de imagens dessa exposição, deixando para um próximo post  outra exposição a não perder em Paris: a que o Centro Georges Pompidou dedicou a Franquin e ao seu Gaston Lagaffe.
      Schuiten, Peeters e Letort durante a conferência Rêves D'Archives

A estação de Metro que serve o Museu decorada por Schuiten






Algumas maquetes que costumam estar no atelier de Schuiten

A estação de metro no livro Revoir Paris e nos estudos de Schuiten

Ilustração não utilizada para o cartaz de Coimbra na Banda Desenhada

A antiga igreja incorporada no espaço do Musée d'Arts et Metiers


CONTINUA...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Um punhado de imagens de Angoulême 2017 - Parte 1: de Hermann a Will Eisner

Depois de alguns tempos parado, este blog volta a dar sinais de vida, com a reportagem da minha ida ao Festival de Angoulême, que decorreu no final do mês passado.
Festival que nesta 44ª edição homenageou Hermann, o desenhador de Bernard Prince e Comanche e criador daS Torres de Bois-Maury e viu regressar a editora Dupuis, que há vários anos que não estava presente no Festival, mas que depois da experiência deste ano, já prometeu regressar em 2018, ano em que o autor em destaque será Cosey, o vencedor do Grande Prémio de 2017 que tem vários livros publicados na Dupuis.
A exposição de Hermann, com mais de uma centena de originais, faz jus ao excelente trabalho gráfico do veterano desenhador belga e foi acompanhada por um excelente catálogo, que esteve à venda apenas durante o Festival.
Outro destaque, natural no ano em que chega ao cinema pela mão de Luc Besson, foi para a série Valerian, de Christin e Meziéres, com uma exposição num novo espaço da cidade, a Mediatheque Alpha, situada perto da estação de comboios de Angoulême, onde foi inaugurado um obelisco de homenagem a Renée Goscinny. Para além da parte dedicada à BD, onde era referida a influência que Valerian teve na Guerra das Estrelas de George Lucas, a exposição de Valerian continha também muita coisa relacionada com o filme de Luc Besson, desde maquetes, figurinos e desenhos de produção, para além da exibição de um making off do filme feito especialmente para Angoulême, mas disso não tenho imagens pois era rigorosamente proibido tirar fotografias dessa parte da exposição e os seguranças asseguravam que essas instruções eram rigorosamente cumpridas...



                         

                       Pormenores da exposição Hermann, Le Naturaliste de la BD




Mas, para mim, a melhor exposição deste ano, foi a dedicada ao centenário do nascimento de Will Eisner, o criador do Spirit e "pai" da novela gráfica. Uma espectacular mostra que o Festival da Amadora pretende trazer a Portugal durante o Festival deste ano, aproveitando a presença na Europa de tantos originais de Eisner, quase todos provenientes   de colecções particulares.

Uma mostra que recupera as cenografias cuidadas que fizeram a fama de Angoulême (a concepção é do atelier de Marc Antoine Mathieu, que é também um excelente autor de BD), aliada a uma espantosa selecção de material de grande qualidade, desde originais, com várias história completas do Spirit em exposição, até material de época, como os jornais ou as revistas do exército com que Eisner colaborou.





             Pormenores da exposição dedicada a Will Eisner


Para terminar este primeiro post sobre o Festival de Angoulême, deixo-vos com uma imagem da zona da estação, onde é possível ver o obelisco dedicado a Goscinny, o criador de Astérix, a estátua de Lucien, personagem de Frank Margerin, deitado por cima do edifício da estação e,  em segundo plano, por trás do Obelisco, o renovado  edifício dos Arquivos Municipais, que agora está revestido com uma estrutura metálica que reproduz em formato gigante um desenho de François Schuiten.

CONTINUA...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Hermann - Grande Prémio em Angoulême


Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, este ano, o Grande prémio de Angoulême foi anunciado ainda antes do Festival começar. Da lista final de três autores, Alan Moore, Claire Wendling e Hermann, a escolha dos autores de BD votantes acabou por cair em Hermann, que vemos na imagem acima, a receber o troféu das mãos de Katshuiro Otomo, o anterior vencedor.
Independentemente de ser grande admirador do desenhador belga, esta parece-me a escolha óbvia, pois Wendling, apesar de ser uma extraordinária ilustradora, não tem uma carreira na BD que justifique uma distinção destas e Moore já declarou por diversas vezes que não estava interessado em receber o Prémio.
Autor de Jeremiah e das Torres de Bois Maury, para além de dezenas de histórias soltas, ilustrador de Comanche e de Bernard Prince - série cuja colecção, distribuída com o jornal Público, chega ao fim no mesmo dia em que lhe é atribuido o Grande Prémio de Angoulême - Hermann  é um vencedor mais do que merecido e esta distinção só peca por tardia. E o facto de só agora ter acontecido, justifica-se pelos anti-corpos que Hermann, pela sua frontalidade, tinha junto do colégio dos anteriores vencedores, que durante muitos anos escolheu o vencedor do Grande Prémio.
Grande desenhador, notável aguarelista e extraordinário contador de histórias, Hermann, aos 77 anos, permanece em grande forma e extremamente activo, tendo acabado de lançar um novo álbum, Old Pa Anderson que, diz quem já leu, está ao nível dos seus melhores trabalhos.
Felicitando Hermann que, como pôde constatar quem com ele contactou no Festival de Beja, até é uma pessoa de trato bem agradável, deixo-vos com as declarações do próprio sobre o merecido prémio que consagra uma carreira de mais de quarenta anos ao mais alto nível.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A Caminho de Angoulême

Mantendo a tradição que, neste caso, felizmente que ainda é o que era, lá vou mais mais uma vez ao Festival de Angoulême. Num ano marcado pela polémica em torno da ausência de mulheres nos candidatos ao Grande prémio, que a organização resolveu de forma canhestra, juntando Claire Wendling, uma excelente ilustradora, mas que já não faz BD há mais de 20 anos, à lista final de candidatos, não faltam motivos de interesse para o visitante.
Desde logo a presença, rara, de Katshuiro Otomo, o criador de Akira e autor do magnífico cartaz, cheio de pormenores deliciosos, Mas também não faltam grandes exposições, como a dedicada a Morris, o criador de Lucky Luke, a Hugo Pratt e ao seu Corto Maltese, para além evidentemente, da mostra dedicada a Otomo.
No início de Fevereiro, podem contar com a habitual reportagem fotográfica aqui no blog, mas como este ano, por razões de trabalho, vou ter de ir com o computador atrás, contém também com algumas notícias em directo, durante o Festival.
Vemo-nos por aqui.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Um punhado de imagens de Angoulême 2015



Como não podia deixar de ser, o Festival de Angoulême deste ano, ficou marcado pelo massacre do Charlie Hebdo, com cartazes com as capas de números emblemáticos do jornal, espalhadas pelas paredes da cidade e com o Museu de Banda Desenhada a substituir a sua exposição permanente por uma mostra temporária dedicada ao famoso jornal, e às publicações que o antecederam, como a Hara Kiri e o Charlie Mensuel. Naturalmente, as distribuidoras aproveitaram para redistribuir o famoso número pós-massacre, que chegou aos sete milhões de exemplares de tiragem, e esse último número encontrava-se facilmente em qualquer quiosque de Angoulême.
 Os tempos agitados que se vivem em França na sequência do atentado que decapitou a redacção do Charlie Hebdo, faziam-se notar também nos controles de segurança à entrada dos stands e das exposições e no facto de haver mais polícias na cidade do que autores de BD. Só nas traseiras do edifício da Mairie (a Câmara Municipal, onde funciona o secretariado do Festival) contei 15 carrinhas da policia estacionadas...
Mas o Festival não foi só Charie Hebdo e Bill Waterson, o presidente desta edição, que como se esperava, não pôs os pés em Angoulême durante o Festival, teve direito a uma bela exposição retrospectiva no Espaço Franquin, concebida pelo Billy Ireland Cartoon Library and Museum, da Universidade de Columbus, no Ohio, a quem Waterson doou o seu espólio de originais. Uma bela exposição, acompanhada de um belíssimo catálogo, com uma grande entrevista que o criador de Calvin e Hobbes concedeu a Jenny E. Rob, a conservadora do Museu e comissária desta exposição. 
Também Lewis Trondheim disfarçou o seu Fauve, o gato que funciona como mascote do Festival, de Hobbes, numa imagem que podemos ver aqui ao lado e que surgiu também nos pins produzidos pela organização.
Outro nome em grande destaque, foi o japonês Jiro Taniguchi, que antecedeu o seu compatriota Katshuiro Otomo, o criador de Akira, vencedor do Grande Prémio deste ano, como o autor que teve direito a ver o seu trabalho exposto no Festival de Angoulême, uma honra que para o ano, por inerência do Grande Prémio, caberá a Otomo. Autor cujas ligações a França são bem conhecidas, Taniguchi foi o autor em destaque no Vaiseau Moebius, o antigo Museu da BD de Angoulême, com uma retrospectiva bastante exaustiva da sua carreira, onde brilhavam as aguarelas que fez para o luxuoso caderno de viagens de Veneza editado pela Louis Vuitton.
Outro nome em destaque no Festival, com direito também a uma bela exposição foi Jack Kirby, o King dos comics, cuja obra tem vindo a ser editada em França pela Urban, a linha da Dargaud para o material americano, que prima pelas edições geralmente superiores às originais.

No caso da muito instrutiva e bem documentada exposição de Kirby, o maior senão era a total ausência de originais, substituídos por reproduções facsimiladas das pranchas, digitalizadas pela Jack & Roz Kirby Fondation,
Também o argumentista Fabien Nury teve direito a uma exposição no espaço Franquin, que deu para perceber a quantidade de séries que este argumentista já escreveu e apreciar os magníficos originais de Christian Rossi para a série W.E.S.T.
E para quem gosta de ver pranchas originais (comprar já é mais complicado...) havia muita oferta no stand Para BD, na praça junto ao bar Le Chat Noir, que é o ponto de encontro obrigatório para beber um copo mal o Festival fecha as portas, e na Galeria da Glenat, que todos os anos se muda para Angoulême durante o Festival e onde era possível apreciar originais de Franquin, Boucq, Bilal, Alberto Breccia, George Bess e Druillet, entre outros, geralmente a preços proibitivos.
Quanto a exposições, para além do prazer de rever a mostra dedicada ao Jim Curioso, de Mathias Picard, que já tinha estado na Amadora, o meu último destaque vai para a exposição que estava no Teatro de Angoulême, Le Demon du Blues que, a propósito do lançamento do álbum Love in Vain, de Mezzo e Dupont, sobre o Músico de blues Robert Johnson, reúne exemplos de várias BDs que abordam o tema, com destaque para o trabalho de Robert Crumb.
Mas Angoulême não é só as exposições e há muito boa gente que passa 2 ou 3 dias no Festival sem ver uma única exposição, ocupados que estão com as sessões de autógrafos, ou tentar descobrir as inúmeras novidades lançadas por ocasião do Festival, ou vasculhando os stands dos alfarrabistas em busca de alguma novidade.
De acordo com a imprensa especializada, este ano o Festival teve menos visitantes do que nos anos anteriores, talvez porque algumas pessoas, com medo dos atentados, tenham preferido ficar em casa. Mas para quem tentasse entrar nos stands, visitar exposições, ou simplesmente andar nas ruas, durante o dia de sábado, a diminuição do número de visitantes não era nada perceptível.
A verdade é que continua a haver muita gente que não quer perder uma edição do maior Festival europeu de BD. Eu cá, se tudo correr bem, conto voltar em 2016, para ver a exposição dedicada a Katshuiro Otomo e os mais que o Festival tiver para mostrar.
      O Museu de Banda Desenhada onde estava a Homenagem ao Charlie Hebdo

             Geluck e os perigos do humor na homenagem ao Charlie Hebdo
                       Calvin e Hobbes ao lado dos originais de Bill Waterson

            Auto-retrato de Bill Waterson nos seus tempos de cartoonista político
                           A entrada da exposição dedicada a Fabien Nury
                        Trabalhos da fase inicial de Taniguchi
                                                O título diz tudo...
                                       A força do traço de Jack Kirby
               A exposição dedicada aos Blues no Teatro de Angoulême
             Pormenor da exposição, com os originais de Mezzo em destaque
                               Sábado à tarde nas ruas de Angoulême